Das cinzas de uma candidatura à Fênix?

Por Douglas Barreto da Mata

Até que se prove o contrário, a pré candidatura do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem tantas chances de voo quanto de uma galinha.  O dogma político diz, política é nuvem. Mas há nuvens e nuvens.  Quando avistamos uma Cumulonimbus, não tem jeito, é tempestade na certa.

A dose de certeza sobre o iminente fracasso da pretensão do Presidente da Alerj em comandar o executivo estadual aumentou muito, e isso está nas entrelinhas do que ele diz, nos veículos de comunicação, ou pior, muito mais no que não é dito por ele e pelos analistas.

Ora, o deputado está em campanha desde muito tempo, e não seria errado supor que a campanha à prefeitura de Campos dos Goytacazes, de 2024, tenha sido uma plataforma de exposição da sua pré candidatura, e isso se confirma no acervo do material de propaganda, caso alguém tenha se dado ao trabalho de arquivar.

Talvez essa pré candidatura tenha se desenhado antes, quando o Presidente se elegeu para comandar o parlamento fluminense, ocasião que, dizem as línguas intra palacianas, teria acabado, de fato, o governo Cláudio Castro, tamanhos foram o esforço e energia empreendidos para cumprimento daquela missão. 

Não se sabe ao certo. Sabemos que tanto esforço, tempo e exposição não conferiram ao Presidente da Alerj uma posição confortável na disputa. É a história, estúpido!  Ela (a história) nos conta que só Sérgio Cabral conseguiu migrar de um poder para o outro, mas mesmo assim, essa transferência teve um mandato de senador no meio, ou seja, ninguém, depois da redemocratização, conseguiu sair da presidência da Alerj e virar governador.

Sérgio Cabral Filho ainda se elegeu a bordo do apoio (que depois traiu) de um governo estadual popular e bem avaliado, o de Rosinha (Anthony) Garotinho, eles mesmos legatários de outra façanha: Na era pós-fusão Guanabara e Estado do Rio, nenhuma cidade do interior elegeu governador, salvo Campos dos Goytacazes, que elegeu não só um, mas  um casal de governadores.

É essa memória (recall, para os especialistas) que dá ao filho do casal, e atual prefeito da cidade campista um capital político de resiliência do eleitor que, ao mesmo tempo, lembra do nome Garotinho, mas identifica no prefeito uma atualização/modernização melhorada da marca.

O Prefeito Wladimir Garotinho fez a mágica de ficar com a lembrança e afastar a rejeição. Um dos obstáculos ao Presidente da Alerj repousa aí, e os resultados das eleições municipais na planície goytacá provam isso.  Até para reivindicar uma vaga de vice na chapa desse ou daquele candidato, seja Paes ou o candidato dos Bolsonaro, o Presidente da Alerj vai ter que superar um argumento crucial:  Sua pouca densidade eleitoral em casa e na região. 

Neste pleito, os principais nomes colocados, desde Paes, passando por Washington Reis, Pampolha, ou algum nome do PT, todos necessitam de inserção no interior, atributo que escapa ao Presidente.  Isso reduz as chances, por exemplo, do prefeito de Niterói, de São Gonçalo, Maricá ou Baixada, que, de um jeito ou de outro, são “quase capital”, e já repercutem, para o bem ou para o mal, os humores da política carioca. 

As análises feitas recentemente parecem muito mais com uma tentativa de reposicionamento do Presidente da Alerj para, ao mesmo tempo, reduzir os danos de uma retirada que pareça menos uma derrota, e aproveitar ao máximo o preço simbólico de sua saída, recolocando-o em uma posição relevante, na correspondência da cadeira que hoje ocupa.

TCE?  Deputado federal? Reeleição para deputado estadual?  Senado? Tudo vai depender da expectativa que o Presidente tem em relação a si, sua carreira, e, de forma mais aguda, como vai encarar seus adversários, e neste caso, seu principal rival, o Prefeito de  Campos dos Goytacazes.

Se vai repetir a honrada e respeitosa trajetória de seu pai, que é a referência política declarada dele e dos irmãos, ele pode acabar como o eterno antagonista coadjuvante da família Garotinho, que teve no casal de governadores, até aqui, o ápice de sucesso, enquanto o patriarca da família do Presidente ficou “apenas” na presidência da Câmara local. Caso contrário, se entender que seu caminho, necessariamente, pode ser paralelo ou até associado ao atual prefeito campista, seu caminho pode ser até mais longínquo e bem sucedido.

Explico:  Se as “fofocas” plantadas pelo Prefeito de Maricá têm alguma verdade embutida, e sempre têm, pode ser que a corrida eleitoral fluminense fique quase sem concorrentes.  É certo que os Bolsonaro vão apostar tudo na chapa ao senado.  Aliás, um dos poucos consensos até aqui.

Devem lançar um “poste” para governador, um franco atirador que desgaste os rivais ou rival, marque o campo da direita,vocalizando extremos políticos.  No campo de Paes, a história é outra.  Lula tem que construir um palanque viável e forte, não só que eleja o governador, mas que permita diminuir sua rejeição no Rio de Janeiro, tanto quanto em São Paulo e Minas Gerais.

Esse grande campo de centro vai incorporar todas as forças possíveis e viáveis, reeditando no estado do Rio de Janeiro algo parecido com o acordo com o centrão no Congresso e no governo.  Aliás, esse é o eixo da campanha petista, e todos sabem, a maneira preferida do Presidente Lula operar política.  Com esse viés, diminuem as chances do Presidente da Alerj e de seu padrinho governador de embarcarem nessa canoa.  Principalmente, porque Castro é outro fator adicional de rejeição para quem ele apoiar.

Governo em fim de feira, pouca capacidade de investimento, orçamento comprometido, e o desgaste natural do fim de mandatos.

Mesmo que houvesse um acordo informal que incluísse o governador e o Presidente da Alerj nesse “centrão fluminense”, as fichas dos dois no jogo estariam desvalorizadas.  No entanto, esse movimento é bem remoto, já que os compromissos de ambos com o clã Bolsonaro impõem serem os últimos a abandonar o barco dessa aliança da direita no Rio de Janeiro

Seria muita arrogância prever o futuro ou ensinar a missa ao vigário, porém, na condição de eleitor-observador eu diria que ou o Presidente da Alerj se reinventa ou vai ganhar um bilhete premiado de aposentadoria no TCE.

E Canudos não se rendeu”: d’Os Sertões ao Rio 40 graus, como a pobreza (ainda) é tratada na terra abençoada por Deus

rio 40 graus

Por Douglas Barreto da Mata

Seja no fim do século XIX, no massacre de Canudos, seja no dia-a-dia das disputas entre Estado e as facções criminosas nas comunidades do Rio de Janeiro, ou de qualquer outra cidade brasileira, a luta por territórios urbanos e/ou rurais é sempre tingida da mesma cor vermelho-sangue.

Aquilo que nos contaram, que o Exército Brasileiro, liderado, dentre outros, pelo carniceiro Moreira César, teria reprimido uma insurreição, que desafiava o recém instaurado regime republicano no interior da Bahia, é uma falácia, ou, melhor dizendo, uma parte da verdade.

A partir dessa narrativa parcial (do anti republicanismo) acima, a legitimação do massacre de Canudos se deu, primeiro, pela desumanização do outro, onde os componentes usados foram o fanatismo religioso, o monarquismo, e mais, figuras de imagens “demonizando” Conselheiro e seus seguidores.

Parecido com hoje em dia, não é?  Pois é, nada se cria, tudo se copia, diz o ditado.  Porém, por trás de tudo, a boa e velha disputa fundiária, e o temor dos grandes fazendeiros da época, como temem os de hoje, que houvesse uma bem sucedida experiência de autogestão de uma parcela de terra por camponeses.

Sim, na época, Canudos desenvolveu-se como comunidade que produzia seus alimentos, mantinha comércio ativo com localidades do entorno, enfim, tinha uma dinâmica econômica modesta, mas que permitia aos seus moradores viverem em condições muito melhores que os pobres da região, e de outras regiões semelhantes.

Enfim, a História nos conta tudo.  Dizimaram Canudos, e por ironia, os soldados pobres, que foram os instrumentos desse assassinato em massa, trouxeram na memória as imagens das paisagens hostis da caatinga, e uma vez aqui, de volta à capital do Império, eles mesmos foram segredados para as áreas inóspitas da cidade, principalmente onde hoje se encontra o o Morro da Providência.

Batizaram o local de favela, nome de uma vegetação da Caatinga, que cobria uma das elevações em Canudos, e que por isso os soldados chamavam de Morro da Favela.

Assim nasceu a primeira favela do Brasil, ou pelo menos, a denominação que tornou-se sinônimo do que já existia, e existe até hoje, gente pobre amontoada em lixo, esgoto, carência, abandono e preconceito.

Há algum tempo, acho que pelo menos há uns 10 anos, tenho escrito contra a política de habitação popular inaugurada com mais ênfase no regime militar, mas que, para meu espanto, foi reproduzida e replicada por cada governo chamado democrático, prefeituras, estados, à esquerda ou à direita, incluindo aí 06 anos de Dilma, e 10 anos de Lula (até aqui).

Conjuntos habitacionais são como campos de concentração, que arrancam pessoas dos seus locais de convivência, e os empurram para periferias longínquas, com serviços de transportes precários, serviços inexistentes, enfim, um exílio dentro da própria cidade.  Junte-se a isso a uniformidade das unidades habitacionais, que tratam famílias de 2, 3, 6, 10 pessoas com a mesma régua, concedendo-lhes o mesmo espaço habitacional, geralmente exíguos.

A distância com a vida social da cidade, extraídos como se fossem um “tumor indesejável”, faz com que essas comunidades se enfraqueçam, e sirvam de território para a implantação de redes de varejo de criminalidade.  Tais comunidades já nascem estigmatizadas como locais de exclusão!

A empregabilidade é outro fator atingido, já que o enorme tempo gasto com deslocamento até os locais de trabalho torna-se um fator de rejeição pelos patrões, que preferem quem mora mais perto, óbvio.

Recentemente, para minha grata surpresa, assisti um vídeo no YouTube, mostrado por minha esposa, chamado São Paulo nas Alturas, protagonizado por Raul Juste Lores.

Na verdade, ela foi atraída por Buenos Aires, que é nossa paixão em comum, e na busca por programas com dicas de viagens, acabamos dando de cara com essa pérola do urbanismo e arquitetura. Claro, há senões na abordagem meio antipolítica, mas no geral, é ótimo.

Um exemplo, aqui.  Nesse episódio, Lores trata da Villa 31, rebatizada Barrío Mugica (nome de um sacerdote, líder da luta por direitos naquele local, senão me engano). Eu destaquei esse vídeo, dentre tantos outros muito bons, porque ali se misturam duas experiências pedagógicas para nossos governantes e nossas sociedades. 

Houve uma total revitalização das casas, urbanização do bairro e seus equipamentos, mas também, ao lado do bairro, a construção de prédios de habitações populares, de vários tamanhos, para acomodar vários tamanhos de famílias. Os prédios têm comércios, e todo o bairro tem o principal, gente e vida! Gente!  O bairro fica no centro da cidade de Buenos Aires, junto de tantas outras gentes.

O governo da cidade implantou diversos prédios com a burocracia governamental, com o intuito de misturar pessoas (gentes!), e principalmente, dar visibilidade aos mais pobres, para que sejam enxergados pelos servidores públicos. Caso tenha tempo, vale assistir ao menos um dos vídeos de Lores no You Tube.

Sinceramente, não me espanta que conservadores locais ignorem essas teses mais ousadas. O que me deixa deprimido mesmo é assistir o candidato do PT, Jefferson Azevedo, ignorar solenemente essas propostas, e repetir os mesmos chavões sobre habitação popular dos governos militares.  Isso é dolorido, previsível, eu sei, em se tratando das limitações do rapaz, mas não deixa de ser dolorido.

“Ciência para a Transformação Mundial” será tema de encontro

Academia Brasileira de Ciências presidirá reunião inaugural do Science20, no Rio de Janeiro, em 11 e 12 de março

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G20 reúne as 19 maiores economias do mundo, somadas aos blocos da União Europeia e União Africana. Como parte da agenda do G20, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) presidirá a 8ª edição do Science20 (S20), encontro do grupo de engajamento para a área de ciência e tecnologia. O fórum reúne os países membros para promover o diálogo entre as comunidades científicas em temas críticos e produzir recomendações aos chefes de governo e de Estado.

Durante a presidência brasileira, as Academias de Ciências discutirão a “Ciência para a transformação mundial”, lema escolhido para o encontro no Brasil. Abordagens inovadoras serão apresentadas pela ABC para o debate dos desafios relacionados à inclusão social, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e saúde, com enfoque nas diferenças demográficas e o impacto destas na sociedade.

Segundo a presidente da ABC, Helena Nader, “a conscientização sobre aspectos demográficos é fundamental para que os países do G20 tomem decisões informadas que moldem o bem-estar de seus cidadãos, impulsionem a prosperidade econômica e contribuam para o desenvolvimento sustentável global”.

Serão realizadas duas reuniões presenciais (Reunião de Iniciação e Cúpula) e reuniões virtuais, abordando cinco enfoques principais:

  • Bioeconomia: impulsionando o mundo em direção a um planeta sustentável.
  • Desafios da saúde: qualidade, equidade e acesso.
  • Inteligência Artificial: ética, impacto social, regulamentação e compartilhamento de conhecimento.
  • Justiça Social: promovendo a inclusão, acabando com a pobreza e reduzindo as desigualdades.
  • Processo de transição energética: energias renováveis, considerações sociais e econômicas.

A Reunião de Iniciação (Inception Meeting) será realizada no Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de março. Além das apresentações das Academias de Ciências e organizações científicas internacionais, serão proferidas quatro conferências e a apresentação de um novo projeto da UNESCO focado no aprendizado em ciências para a educação (UNESCO Global Alliance of Science Learning for Education):

  • Fernanda De Negri, economista e diretora de estudos setoriais do IPEA. Conferência: “Inteligência artificial: desafios para a democracia e a sociedade”.
  • Márcia Castro, demógrafa e chefe do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública de Harvard. Conferência: “Demografia e desafios da saúde no G20”.
  • Carlos Henrique de Brito Cruz, vice-presidente sênior da Elsevier Research Networks e professor emérito da Unicamp. Conferência: “Oportunidades e desafios para colaboração em pesquisa no G20”.
  • Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho Superior de Inovação da FIESP. Conferência: “Inovação para inclusão social e sustentabilidade”.

Participam do S20 as Academias de Ciências da África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Japão, Índia, Indonésia, Itália, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e a Academia Europaea, representando a União Europeia. Pela primeira vez, organizações científicas internacionais foram convidadas a participar do processo anual do S20. Foram confirmadas as presenças de representantes da Parceria InterAcademias (IAP), Conselho Internacional de Ciência (ISC), Academia Mundial de Ciências (TWAS), Rede Interamericana de Academias de Ciências (IANAS), Associação de Academias e Sociedades de Ciências da Ásia (AASSA).

O Science20 Brasil 2024 é organizado pela Academia Brasileira de Ciências, tendo como Sherpa –nome dado a quem coordena os debates e atividades– a profª Helena Bonciani Nader. O encontro conta com apoio financeiro da FINEP e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Sobre o Science20

Criado em 2017, o S20 atua como grupo de engajamento do G20 para a área de ciência e tecnologia, envolvendo as Academias de Ciências dos países membros. Os debates ocorrem anualmente, sendo coordenados pela Academia de Ciências do país que preside o G20. As reuniões anteriores foram sediadas pela Alemanha (2017), Argentina (2018), Japão (2019), Arábia Saudita (2020), Itália (2021), Indonésia (2022) e Índia (2023).

As recomendações emanadas do S20 são apresentadas oficialmente para consideração na reunião de Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo.

Corredor ecológico na cidade do Rio permite deslocamento de mamíferos silvestres em área urbana

Paca-Chico-Mendes-2048x1152A Cuniculus paca foi registrada pela primeira vez no Parque Municipal Chico Mendes (RJ) com uso de armadilhas fotográficas

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Diversas espécies silvestres nativas de mamíferos foram registradas no Parque Natural Municipal Chico Mendes, Canal das Taxas e nos limites do Parque Natural Municipal de Marapendi, na cidade do Rio de Janeiro. Relatados em artigo publicado na sexta (2) na revista “Biota Neotropica” por pesquisadores da Universidade Veiga de Almeida e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os registros indicam que o Canal das Taxas, que liga os dois parques, está sendo usado como corredor ecológico por esses animais.

Os registros foram capturados com o uso de armadilhas fotográficas instaladas no local em 2020 e 2021. São tatus-galinha (Dasypus novemcinctus), capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), gambás (Didelphis aurita), mãos-peladas (Procyon cancrivorus) e, inclusive, a paca (Cuniculus paca). Essa última espécie ainda não tinha ocorrência registrada no Parque Natural Municipal Chico Mendes.

“Ao analisarmos os dados das armadilhas fotográficas, constatamos que espécies nativas de mamíferos silvestres utilizam o corredor e estão presentes nos dois parques. De fato, com a análise do padrão de manchas na pelagem das pacas fotografadas, constatamos a presença do mesmo indivíduo no corredor e nos dois parques, reforçando assim de que o Canal das Taxas funciona como corredor ecológico”, comenta Natalie Olifiers, pesquisadora da Universidade Veiga de Almeida e coautora do estudo.

Os chamados corredores ecológicos reduzem os efeitos da fragmentação dos ecossistemas ao promover a ligação entre áreas naturais, permitindo, por exemplo, que animais silvestres possam se deslocar entre elas. Este deslocamento mais frequente dos animais entre seus habitats naturais aumenta a chance deles persistirem na região e diminui o risco da extinção dessas espécies.

Para Olifiers, “a experiência com as pacas e outros animais relatada neste estudo mostra que eles estão promovendo a persistência de suas populações em um ambiente altamente urbanizado”. A pesquisadora também observa, no entanto, que espécies exóticas também estão presentes nos parques e utilizam o corredor ecológico, como gatos (Felis catus), saguis-de-tufo-branco (Callithrix jacchus) e ratos pretos (Rattus rattus). “Isso indica que é preciso um manejo adequado de espécies exóticas tanto no corredor como nos parques”, complementa.

Outra questão ressaltada no trabalho é que os levantamentos de espécies em unidades de conservação precisam ser mais rigorosos. “Quando uma unidade de conservação é criada, se exige um plano de manejo com levantamento de espécies, mas, muitas vezes ele é insuficiente ou realizado com base em registros secundários, obtidos na literatura, o que pode resultar em uma lista de espécies inexata”, explica Olifiers.

“É comum, por exemplo, presumir que existam espécies de animais em determinada unidade de conservação a partir de registros anteriores da espécie na região. No entanto, a espécie pode não ocorrer mais na área ou uma espécie não catalogada até o momento para a região pode, na verdade, estar presente naquela unidade de conservação”, explica a pesquisadora. Por isso, é importante que existam levantamentos primários feitos a partir da busca pelas espécies no local, com uma metodologia adequada.


Fonte:  Agência Bori

MPF atua para assegurar continuidade do programa de proteção a defensores de direitos humanos no RJ

Programa corre risco de ter as atividades interrompidas por falta de recursos; MPF pediu explicações à União e ao governo do Estado

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu informações ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) e à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro (SEDSODH) sobre as providências para manter, de forma adequada e permanente, o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Executado por meio de convênio entre a União, o estado e uma instituição gestora, o programa corre risco de ter as atividades interrompidas, considerando a perda de prazo para a celebração de termo aditivo ao convênio. As informações foram solicitadas por ofício, no último dia 25.

Nos documentos, o MPF questiona ao MDHC e à SEDSODH quais medidas serão adotadas para garantir a continuidade do programa no Rio de Janeiro, incluindo a previsão de recursos a serem destinados ao programa estadual. O MPF também quer saber como será firmada a parceria entre a União e o estado e como será conduzida a seleção de uma nova entidade executora. O órgão pergunta, ainda, por qual motivo houve a perda do prazo pela União para celebração do termo aditivo do convênio e quais medidas o Ministério já tomou para apurar a eventual responsabilidade de órgão ou de servidores pela falha administrativa. O prazo para resposta é de dez dias. 

O programa tem o objetivo de oferecer proteção a defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas que estejam em situação de risco ou sofrendo ameaças. No Rio de Janeiro, o termo aditivo deveria ter sido celebrado até 17 de dezembro de 2023, data em que se encerrava o convênio entre a Secretaria Estadual e o Ministério. Já a parceria entre o estado do Rio de Janeiro e a entidade executora do programa tinha a vigência programada para acabar em 14 de janeiro de 2024. O ente estadual prorrogou a vigência por três meses e, após esse período, o futuro do programa é incerto. 

Para o MPF, a política, que é essencial para assegurar a diversas lideranças que prossigam em sua luta por direitos, sofreu – e ainda sofre – grande risco de descontinuidade. Tanto pela falta de parceria de longo prazo com a entidade executora quanto pela perda do prazo para assinatura de aditivo pela União. “Acrescenta-se que, em julho de 2023, o MPF havia sido informado que tudo estava sob controle, com o mapeamento das possíveis soluções para continuidade do programa e destinação de recursos. Contudo, apesar dos alertas, nada foi feito”, afirma o procurador da República Julio Jose Araujo Junior, que assina os ofícios.


Fonte: Assessoria de Comunicação da Procuradoria Federal da República no Rio de Janeiro

Crise climática e segregação sócio-espacial explicam caos criado pelas chuvas no RJ

chuvas rj

Cenas dramáticas que mostram o efeito devastador das chuvas intensas que ocorrem na região metropolitana do Rio de Janeiro são a confirmação de que vivemos uma fase marcada por eventos meteorológicos cada vez mais intensos e que ocorrem em períodos mais curtos de tempo. O impacto sobre uma infraestrutura urbana que ainda não foi adaptada para o novo modelo climático acaba sendo inevitável, atingindo principalmente as regiões das cidades em que vivem os segmentos mais pobres da população (ver vídeo abaixo que mostra cenas de caos no bairro do Irajá, zona norte do município do Rio de Janeiro).

A reação a esse caos poderia ser aceitar os postulados teóricos do sociológo alemão Ulrich Beck que argumentava em prol do estabelecimento de uma sociedade de risco em que todos estaríamos sujeitos a perigos coletivos e que nos ameaçariam de forma universal.  Entretanto, um rápido exame das áreas mais atingidas pelos impactos mais drámaticos das chuvas que caem no Rio de Janeiro indica que o caso não é bem esse, pois o grosso da devastação não se abate sobre os ricos, mas sim sobre aqueles que foram espacialmente segregados e empurrados para regiões que foram deixadas de lado pelos grandes incorporadores imobiliários.

A resposta das autoridades do Rio de Janeiro até agora está sendo marcada por apelos tradicionais e inúteis para que a população minimize o processo de circulação e que se opte para a permanência no interior das residências. O problema é que a estas alturas há uma quantidade enorme de famílias cujas casas foram completamente tomadadas pelas águas e que não possuem o luxo de se isolar até que as coisas voltem para o padrão normal.

Adaptar nossas cidades às mudanças climáticas vai requerer o reconhecimento de que a adaptação precisa ser socialmente justa. Do contrário, os planos de adaptação tenderão a beneficiar mais aos que têm menos a temer dos grandes eventos meteorológicos que continuarão ocorrendo em intensidade cada vez mais intensa.

Cláudio Castro, mais um governador em apuros que aprofunda a agonia do RJ

A sucessão de governadores encrencados com a justiça é muito grande no Rio de Janeiro, e dos ex-governadores que ainda estão vivos, não me lembro de nenhum que não tenha tido um sobressalto com a polícia por causa de “causos” mal resolvidos.

Agora é a vez de Cláudio Castro ter sua vida revirada por causa de supostos pagamento de propinas por empresas contratadas por seu governo (ver imagem abaixo).

Como servidor público estadual que teve seu tempo de trabalho alongado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) até 2029, penso que o maior escárnio desse atual escândalo é que Cláudio Castro (misto de cantor gospel e ilustre desconhecido na política até a queda de Wilson Witzel) negou as servidores públicos até mesmo o que havia acordado, qual seja, o pagamento de uma reposição parcialíssima das perdas salariais causadas pela inflação.

O governo de Cláudio Castro é, reconheçamos, uma cara do que têm sido os governos que o antecederam, principalmente quando se trata de exercer uma violentíssima repressão policial contra comunidades pobres periféricas sob o manto do combate ao narcotráfico. Ele, Cláudio Castro, tem na sua conta várias chacinas policiais, nas quais os assassinados não tiveram a mesma chance de recorrer à advogados caros para se livrarem de estripulias que, não raramente, envolvem mochilas flagradas cheias em elevadores com que seria dinheiro oriundo da corrupção.

O mais dramático é constatar que se Cláudio Castro for apeado do cargo de governador por causa das provas que estão sendo levantadas pela Polícia Federal, ele será substituído por Thiago Pampolha, outro ilustre desconhecida, cuja base eleitoral é a Zona Oeste. Com Pampolha governador,  a agonia que o Rio de Janeiro vive certamente ganhará capítulos ainda menos auspiciosos.

MPF questiona Incra sobre situação de créditos de habitação para assentados da reforma agrária no RJ

Assunto é objeto de inquérito civil instaurado em outubro pelo órgão para apurar eventual irregularidade nas construções

crédito habitação

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou informações ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre a atual situação dos créditos de habitação destinados a assentados da reforma agrária no estado do Rio de Janeiro. A medida faz parte de inquérito civil instaurado em outubro, para apurar eventuais irregularidades na construção de moradias destinadas a essa população, com o objetivo de assegurar o direito das famílias assentadas.

A atuação do MPF é decorrente de demandas que o órgão tem recebido sobre estruturação de assentamentos, pleitos de reforma agrária, segurança alimentar e conflitos relacionados às políticas conduzidas pelo Incra no estado. Em abril deste ano, o tema foi assunto de audiência pública realizada na sede do MPF no Rio de Janeiro. Na ocasião, beneficiários da política de reforma agrária apontaram demora na construção e entrega das moradias construídas pela associação cadastrada pelo Incra para executar o serviço. O assunto vem sendo acompanhado pelo Fórum de Reforma Agrária e Segurança Alimentar, que reúne diversas instituições do Rio de Janeiro.

No inquérito, de responsabilidade do procurador Regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio José Araujo Junior, o MPF reforça que, apesar de o Incra ter destinado o crédito-habitação a assentados, a política não se concretizou. De acordo com informações do Sistema Nacional de Concessão de Crédito, 147 beneficiários repassaram a primeira parcela do crédito recebido à associação responsável pelas obras, sendo que boa parte das construções nem sequer foram iniciadas e nenhuma moradia atingiu evolução superior a 80% do esperado.

Em reunião realizada em novembro, a superintendente do Incra afirmou que a autarquia está fazendo o levantamento da situação dos assentados caso a caso. Além disso, afirmou que existe processo administrativo interno em trâmite para apuração de possíveis infrações cometidas pela associação indicada para a execução das obras.

No ofício enviado ao Incra, Araujo destaca que, apesar de a autarquia ter assinado contrato com a associação e efetuado o repasse inicial das verbas, não houve a construção das unidades habitacionais. “É necessário dar continuidade à política pública em questão, sem prejuízo da punição de pessoas jurídicas e naturais que cometeram irregularidades”, defende o procurador. O prazo para resposta do Incra é de dez dias.

Inquérito Civil nº 1.30.001.004649/2023-08

Rio, não! ‘Inferno de Janeiro’: calor escaldante destaca a flagrante desigualdade social do Brasil

Pareciam 58,5ºC no Rio na terça-feira – e as temperaturas elevadas, na verdade perigosas, estão atingindo os mais pobres com mais força

A man cools off in the Arara Park favela in Rio de Janeiro.

Um homem se refresca na favela Parque Arara, no Rio de Janeiro. Fotografia: Silvia Izquierdo/AP

Por Constance Malleret, no Rio de Janeiro, para o “The Guardian”

Ainda falta um mês para o início do verão no hemisfério sul, mas o Brasil já experimentou a oitava onda de calor do ano até agora, à medida que as temperaturas sobem para níveis perigosamente elevados.

Grandes áreas do país foram colocadas sob alerta vermelho esta semana pelo Inmet, o instituto meteorológico nacional, que alertou para os riscos para a saúde “e até para a vida”, uma vez que as temperaturas permaneceram pelo menos cinco graus Celsius acima da média durante mais de cinco dias.

Os perigos ficaram ainda mais evidentes com a morte de um fã em um show de Taylor Swift na noite de sábado no Rio de Janeiro, no qual milhares de outros espectadores tiveram que ser tratados por desidratação.

Ana Clara Benevides Machado, 23 anos, desmaiou no Estádio Olímpico Nilton Santos e morreu pouco depois, supostamente de parada cardíaca, após relatos de condições sufocantes no local, onde a temperatura externa era muito superior aos 39,1ºC oficiais.

A cantora juntou-se a fãs e políticos para expressar seu choque com a morte. Swift escreveu nas redes sociais que ficou “arrasada” com a notícia e “oprimida pela dor”.

No início do concerto, os adeptos teriam gritado repetidamente em direção ao palco por “água, água, água”, depois de terem sido alegadamente impedidos de levar consigo mantimentos para o estádio.

O ministro da Justiça do Brasil, Flávio Dino, postou no X que seriam implementadas regras de emergência exigindo que os locais de lazer permitissem o acesso dos torcedores à água. Esperava-se que outros políticos da região seguissem o exemplo.

Após os meses de julho, agosto , setembro e outubro mais quentes já registrados no Brasil , espera-se que as temperaturas desta semana “reescrevam a história do clima” no país, disse a empresa meteorológica MetSul . Os especialistas atribuem, em parte, o calor excessivo a um forte El Niño, sendo que a crise climática torna mais provável a intensidade e a frequência de tais eventos.

Os termômetros do Inmet registraram repetidamente temperaturas acima de 40ºC no Centro-Oeste e Sudeste, com pico de 43,3ºC em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, na quarta-feira. Com temperaturas atingindo 37,7ºC e 42,6ºC, respectivamente, São Paulo e Rio de Janeiro bateram recordes para o ano. No Rio, carinhosamente apelidado de “Inferno de Janeiro” pelos moradores locais, as temperaturas parecem ter atingido impressionantes 59,7ºC no sábado. 

Um termômetro de rua em São Paulo. Fotografia: Miguel Schincariol/AFP/Getty Images

Os trabalhadores administrativos que normalmente trabalham em casa voltavam para os escritórios com ar-condicionado para escapar do calor implacável e das contas de luz astronômicas, mas essa não era uma opção para pessoas como Flávio Figueiredo, um mototaxista da favela.

O calor “torna o trabalho mais estressante”, disse o homem de 42 anos, abrigando-se à sombra de uma árvore na entrada do Parque Arará, favela localizada na Avenida Brasil – uma das vias mais movimentadas e poluídas do Rio – e voltando para uma refinaria de petróleo.

“Se a temperatura for, digamos, 30ºC, quando você para na pista parece 40, 50”, acrescentou.

Como em outros lugares, as flagrantes desigualdades sociais no Brasil são agravadas por eventos climáticos extremos.

“A realidade de uma onda de calor durante a semana não são as imagens de praias lotadas. … A realidade de uma onda de calor são ônibus lotados com ar condicionado quebrado, escolas públicas sem ar condicionado ou ventilador funcionando. Essa é a realidade da injustiça climática”, disse Marina Marçal, especialista em política climática que tem aconselhado o governo brasileiro sobre como abordar esta desigualdade nas suas agendas climáticas e urbanas.

Calor escaldante esta semana no Rio.
Calor escaldante esta semana no Rio. Fotografia: Pilar Olivares/Reuters

“As áreas mais pobres, como as favelas, são as mais quentes”, disse Andrews Lucena, geógrafo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que estuda o calor urbano extremo. “As favelas são focos de calor porque apresentam as piores condições materiais de construção, ausência de espaços verdes e, muitas vezes, const

Muitas vezes dependentes de ligações clandestinas à rede, os moradores das favelas também são mais propensos a sofrer cortes frequentes de energia e água.

“As autoridades públicas não olham [para nós], não há nenhum esforço para melhorar as coisas”, disse Luis Cassiano Silva, morador de Arará, atribuindo isso ao racismo estrutural. Assim como 56% dos brasileiros – e 67% dos moradores de favelas – Silva é negro.

O calor opressivo da favela sempre incomodou o homem de 54 anos, que antes morava em áreas mais arborizadas e tem tendência a suar excessivamente. Há 12 anos, ele resolveu resolver o problema sozinho e criou um telhado verde em sua casa, trabalhando com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro para projetar um protótipo que funcionasse em construções mais precárias.

Hoje, o florescente jardim na cobertura mantém o terraço visivelmente mais fresco. “É lindo”, disse o ativista ambiental, antes de acrescentar “mas, falando sério, está muito quente… e está cada vez pior”. 


Luis Cassiano no telhado verde de sua casa no Parque Arara.

Luis Cassiano Silva no telhado verde de sua casa no Parque Arará. Fotografia: Silvia Izquierdo/AP

A onda de calor deveria atingir o pico no fim de semana, segundo a meteorologista do Inmet Dayse Moraes, mas um verão particularmente quente pode estar por vir.

“Se ficar muito mais quente, não sei como vamos aguentar”, disse Marileidi Francisco, 42 anos, lojista em Arará.

Silva tentou replicar seu telhado de resfriamento, mas embora seu projeto Favela Teto Verde tenha ajudado a esverdear a praça onde Figueiredo se protegia do sol, os telhados com jardins não decolaram realmente no Parque Arará, que continua sendo uma mistura vermelha e cinza de bolhas formado por tijolos e ferro corrugado.

Para se refrescarem, os moradores simplesmente recorrem a “um banho ao ar livre ou uma cerveja no bar”, disse Silva, enxugando a testa pingando, enquanto na esquina os bandidos que controlam a área buscavam alívio em uma piscina que montaram na rua.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Maior evento da matemática brasileira começa na segunda-feira (24) no Rio

34º Colóquio abordará temas como mulheres na ciência e pandemia de Covid-19

impa

O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) realiza entre 24 e 28 de julho o 34º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), a mais abrangente reunião científica da comunidade matemática brasileira. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros, de grande renome internacional, vão apresentar avanços em diversas áreas da matemática. Temas atuais como a presença de mulheres na ciência, a pandemia de Covid-19 e as perspectivas para os jovens matemáticos também vão ser abordados.    

Realizado desde 1957, a última edição do evento ocorreu no formato on-line devido a pandemia. O encontro reúne, a cada dois anos, pesquisadores, professores e alunos de graduação e pós-graduação de todo o país. “Depois de 4 anos desde o último Colóquio presencial, tendo passado por uma pandemia, isolamento e muitos desafios, será uma grande alegria viver o reencontro da nossa comunidade matemática. Não vejo a hora de ver o IMPA cheio de jovens estudantes de todo o Brasil, fervilhando com trocas de ideias e discussões matemáticas”, afirmou Carolina Araujo, pesquisadora do IMPA e coordenadora do evento. 

A edição deste ano contará com a participação de seis plenaristas internacionais, entre eles, o matemático Federico Ardila, pesquisador da Universidade de São Francisco (EUA), que já trabalhou ao lado do medalhista Field June Huh, em teoria dos matroides – tema da palestra no Colóquio.  

Ardila também é conhecido como DJ e é famoso por utilizar música para otimizar o aprendizado da matemática. A iniciativa chegou a render ao colombiano diversos prêmios como o da  Associação Americana de Matemática (MAA, por sua sigla em inglês) “por inspirar alunos dentro e fora das salas de aula da San Francisco State University”, em 2020. Em sua página na internet, o matemático se apresenta ainda como autor de quatro axiomas sobre educação e a disciplina. 

Além de Ardila, participa do CBM o físico Bernard Derridapesquisador do Collège de France – instituição de pesquisa mais prestigiada na França, onde ele ocupa a cadeira de física estatística. Os estudos de Derrida estão concentrados em sistemas dinâmicos, teoria de meios desordenados, física de não-equilíbrio e modelagem em biologia. O trabalho já rendeu a ele a Medalha Boltzmann – o mais importante prêmio da União Internacional de Física Pura e Aplicada concedido à físicos que obtiveram resultados positivos em mecânica estatística

Também estão confirmados no evento:Camillo De Lellis, pesquisador do Institute for Advanced Study (EUA), que trabalha com análise geométrica e equações diferenciais parciais; Laura DeMarco, pesquisadora da Universidade de Harvard (EUA), que desenvolve pesquisas na área de sistemas dinâmicos, geometria aritmética e análise complexa; Claudia Polini, pesquisadora da University of Notre Dame (EUA), especializada em álgebra comutativa, teoria ergódica e sistemas dinâmicos; e Omri Sarig, pesquisador do Weizmann Institute of Science (Israel), que ocupa a cadeira Theodore R. and Edlyn Racoosin na Faculdade de Matemática e Ciência da Computação do instituto. 

Palestra sobre as contribuições da matemática para a pandemia de Covid-19

O Colóquio conta ainda com três palestras de divulgação. Uma delas é de Paulo Silva, da Unicamp. O pesquisador vai abordar na palestra “Uma resposta ótima à pandemia de Covid-19” as contribuições da comunidade matemática durante a pandemia, com foco nos modelos utilizados nas primeiras projeções que embasaram a necessidade de lockdowns. 

A palestra especial ficará por conta do doutor pelo IMPA Marcelo Campos e do pesquisador da PUC-Rio Simon Griffiths. A dupla vai abordar Uma melhoria exponencial para os números de Ramsey – avanço  mais significativo na área desde 1935. O grupo que se debruçou sobre o problema contou ainda com Robert Morris, pesquisador do IMPA, e  Julian Sahasrabudhe, da Universidade de Cambridge. 

Também vão ocorrer 23 sessões temáticas, quatro cursos introdutórios, seis cursos avançados e duas mesas redondas com os temas: