Declarações do governador Wilson Witzel sobre saúde financeira do Rio de Janeiro são prenúncio de mais arrocho

Servidores estaduais do Rio de Janeiro apertem os cintos, pois seus salários devem voltar a atrasar!

 

ww arrocho

Governador Wilson Witzel em sua cerimônia de posse com Francisco Dornelles, um dos mentores do Programa de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro.

Não estivesse o estado do Rio de Janeiro sob a égide de um conjunto de medidas fiscais extremamente rígidas como resultado da assinatura do (de) governo Pezão com o governo “de facto” de Michel Temer do chamado “Plano de Recuperação Fiscal” (ou simplesmente PRF), eu até entenderia a declaração bombástica do governador Wilson Witzel de que “estamos, realmente, com muitas dificuldades. Nós, se mantivermos o ritmo, sem fazer nenhuma medida de contingência, sem negociação, vamos chegar em julho sem dinheiro. Estamos com um deficit de mais de R$ 8 bilhões, restos a pagar de mais de R$ 11 bilhões, e precisamos agir. Precisamos cobrar do sonegador, precisamos cobrar a dívida ativa. Precisamos nos empenhar” [1].

Além disso, o próprio governador Witzel já assumiu seu governo com mais um corte de 30% nas despesas discrionárias para a maioria das secretarias, a começar pelas de Saúde e Ciência e Tecnologia!

Assim, esse anúncio de que o “dinheiro não chega a julho” soa para mim como mais um anúncio subliminar de que o arrocho sobre os servidores vai aumentar. Eu não me surpreenderia se brevemente surgir na mídia corporativa fluminense um anúncio de que os salários dos servidores voltarão a atrasar por, surpresa das surpresas, falta de dinheiro em caixa!

Uma primeira e óbvia questão que deve ser levantada se refere à necessidade de se publicizar o estado da saúde financeira do estado do Rio de Janeiro sob a égide do PRF. Sem isso, qualquer declaração de crise financeira seria um reconhecimento de que todo o arrocho fiscal já imposto ao Rio de Janeiro não surtiu os efeitos desejados. A consequência natural disso seria a anulação dos acordos altamente prejudiciais ao estado que foram assinados por um (des) governador que hoje está preso por   que remontam a um verdadeiro saque contra a economia fluminense!

Agora é interessante que alguém sugira ao governador Witzel que requeira ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE/RJ) uma urgente auditoria em dois itens que são verdadeiros vertedouros de dinheiro para as mãos de corporações privadas: a farra de isenções fiscais e o escândalo da Operação Delaware/RioPrevidência.

abutres-c3a0-porta

Como este blog informou por “n” vezes ao longo dos últimos cinco anos, a soma do dinheiro que vaza dos cofres estaduais via apenas essas duas operações remonta a valores maiores do que a soma combinada da dívida e do déficit publicizados pelo governador Witzel.

Por último, antes que o governador Witzel caia na tentação de adotar medidas que punam e recoloquem os servidores públicos estaduais na condição de completa miséria, sugiro que ele suspenda imediatamente concessão de novas benesses fiscais e o envio de bilhões de reais para os fundos abutres que operam nas bolsas mundiais. Assim, não só sobraria dinheiro para o Rio de Janeiro honrar seus compromissos, como finalmente abriríamos a caixa preta e acabaríamos com ambiente de completa secretude que cerca apenas essas duas operações que têm custado bilhões aos cofres do Rio de Janeiro.

Porque Wilson Witzel deveria encontrar Sun Tzu

sun tzu

Sou um fã declarado do general chinês Sun Tzu que viveu há cerca de 2.500 anos e escreveu um dos mais importantes tratados sobre a guerra que responde pelo título de  “A arte da guerra”[1].  Muitas vezes lamento não ter relido várias vezes esse livro, pois algumas passagens me alertaram sobre várias facetas de como devo me portar nas diferentes tratativas que preciso realizar para mediar minha vida em coletividade. Outros já preferem lê-lo para adotar as melhores estratégias para fazer negócios.

Após ouvir as renovadas declarações do recém empossado governador do Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel, penso que ele também teria muito a ganhar se fizesse do livro de Sun Tzu uma espécie de guia para suas futuras ações na segurança pública.

Mas antes de explicar o porquê desta sugestão literária, preciso lembrar que o conceito que vem guiando as políticas de (in) segurança pública no Brasil desde a década de 1960 está fortemente ancorado na estratégia de “guerra de baixa intensidade” que levou os EUA a uma fragorosa derrota no Vietnã.  A partir da aplicação dessa estratégia é que os vietcongs foram capazes de derrotar o maior exército do planeta, colocando-os para correr do sudeste asiática como se fossem o “exército de Brancaleone”.

Assim, não chega a ser surpresa que no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro os resultados efetivos sejam tão parcos, e exponham largos contingentes da população pobre a um grau de violência muito semelhante ao que populações em guerra estão expostas.

Uma das principais facetas que explicam a ineficiência da “guerra de baixa intensidade” tem sido a falta de ações de inteligência. Este aspecto que foi fundamental para os vietcongs derrotaram as forças estadunidenses tem sido solenemente ignorado no Rio de Janeiro, principalmente nos últimos anos em que os governos do (P)MDB reduziram a capacidade operacional das polícias.

Mas voltando a Sun Tzu, ele indicava, entre outras muitas coisas, que a informação (dada pelas ações de inteligência) era crucial, e que ninguém deveria ir para a batalha sem conhecer o seu inimigo. Nesse sentido, Sun Tzu afirmava que “aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perder; para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou derrota serão iguais; aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio será derrotado em todas as batalhas“.

Na mesma linha, Sun Tzu afirmava que “se souberes infiltrar traidores nas cidades e nos vilarejos inimigos, em breve terás ali muitas pessoas inteiramente devotadas. Conhecerás, por seu intermédio, as disposições da maioria em relação a ti. Esses traidores sugerirão a maneira e os meios que deves empregar para conquistar seus mais temíveis compatriotas; e quando chegar o momento de efetuar o cerco, poderás vencer sem dar o assalto, sem desferir nenhum golpe, sem desembainhar a espada.

Nesse sentido, as declarações repetidas do governador Witzel no sentido de renovar a autorização para o abate de suspeitos que portem armas sem que haja o devido preparo para saber quem são os inimigos é um convite para o desastre.  É que após uns poucos casos de mortes de inocentes, a primeira coisa que se perderá é a possibilidade de que a população colabore com as ações de inteligência. E, pior, isto ainda reforçará a lealdade com quem é percebido como inimigo por aqueles que não vivem no interior das comunidades pobres.  Isso sem falar na possibilidade de ações irregulares que resultam em massacres como foi o caso de Vigário Geral (ver imagem abaixo).

vigário geral

Imagem do Massacre de Vigário Geral, ocorrido no dia 29 de agosto de 1993,  quando mais de 50 policiais integrantes de um grupo de extermínio conhecido como os Cavalos Corredores assassinaram 21 pessoas.

Outra faceta que Sun Tzu alertou é que as cidades não eram o ambiente propício para as atividades de uma guerra. Ele indicou isso afirmando que “há estradas que não devem ser seguidas, exércitos que não devem ser atacados, cidades que não devem ser sitiadas, posições que não devem ser contestadas e comandos do soberano que não devem ser obedecidos.

Na prática, o que Sun Tzu sabia é que  as ruas das cidades são ambientes onde as ações dos exércitos tendem a ser menos eficientes, especialmente quando confrontando forças que podem se diluir rapidamente entre a população.  Essa lição foi esquecida pelos franceses na guerra da Argélia e o que se viu é que independente da superioridade militar, os guerrilheiros argelinos sempre souberam que poderiam vencer.  E se na Argélia deu no que deu, por que seria diferente no Rio de Janeiro?

É por esses aspectos básicos que faço a sugestão de leitura que estou fazendo ao governador Witzel. É que Sun Tzu também  dizia que “se não é vantajoso, nunca envie suas tropas; se não lhe rende ganhos, nunca utilize seus homens; se não é uma situação perigosa, nunca lute uma batalha precipitada.

Por essas e outras é que o Rio de Janeiro certamente terá mais a ganhar com Sun Tzu do que com drones israelenses e uma Guantanamo tropical.

 

 

A tardia prisão do (des) governador Pezão não alterará em nada a crítica situação do Rio de Janeiro

A mídia corporativa está dando hoje com algum alarde a prisão do (des) governador Luiz Fernando Pezão em mais uma das fases da face fluminense da Operação Lava Jato (1, 2, 3 e 4 ).

pezao preso

Longe de sentir algum tipo de conforto, essa prisão combina dois aspectos básicos, os quais não são nem um pouco animadores em relação ao futuro do estado do Rio de Janeiro. A primeira é que essa prisão é tardia, pois todas as evidências existentes já deveriam ter colocado Luiz Fernando Pezão para fazer companhia à Sérgio Cabral faz  algum tempo. O  segundo elemento é que essa prisão é coberta pelo manto da inutilidade. É que os motivos alegados para prender Pezão são como dizem os gringos que a família Bolsonaro tanto adora,  um “bowl of peanuts” (em bom português “uma tigela de amendoins”. 

Trocado em miúdos, os motivos expostos para prender Pezão deixam de fora a escandalosa farra fiscal que drenou bilhões de reais do tesouro fluminense na forma de isenções fiscais, e também a ainda obscura “Operação Delaware” com a qual se entregou outros tantos bilhões   de reais pertencentes ao RioPrevidência . Também há ainda a rumorosa privatização da CEDAE que foi aprovada a toque de caixa pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a pedido de Luiz Fernando Pezão.

Há ainda que se lembrar que a despeito da montanha de acusações que pesavam sobre os ombros de Luiz Fernando Pezão,  a ele foi permitido assinar o conjunto   de medidas que ficou conhecido pela alcunha de “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF). Essas medidas estão na raiz do colapso dos serviços públicos e na incapacidade de futuros governos estaduais de oferecerem saídas para a crise que engole o Rio de Janeiro, aprofundando com ela a situação de caos social que beira o que Emile Durkheim chamou de “anomia”.

Além disso, há que se enfatizar que no Rio de Janeiro a ênfase nas prisões de políticos tem deixado convenientemente de lado a apuração do envolvimento de outros segmentos que igualmente se locupletaram com a lambança promovida por Sérgio Cabral e seu séquito de plutocratas.  Nesse sentido, a prisão de Luiz Fernando Pezão cumpre ainda o papel de distrair a população do fato básico que não foi apenas no executivo e no legislativo que houve uma penetração do modus operandi que drenou bilhões de reais de dinheiro público para as mãos de indivíduos e empresas.

Resultado de imagem para cabral pezão

Há ainda que se ver o que acontecerá com o comando do governo do Rio de Janeiro com a prisão de Luiz Fernando Pezão. Há meses não se ouve falar de Francisco Dornelles e é sabido que aos 83 anos, o vice governador não anda nada bem de saúde, com pouquíssima capacidade de gerenciar uma equipe que tem problemas monstruosos para tocar até que finalmente a cortina se feche para o grupo que hoje ocupa o Palácio Guanabara.

Assim, que ninguém se iluda com a capacidade do futuro governador de retirar rapidamente o Rio de Janeiro do atoleiro. É que com a manutenção do RRF, Wilson Witzel entrará e sairá do governo estadual completamente manietado e sem qualquer autonomia para mudar estrategicamente a situação do Rio de Janeiro. Quando muito ele poderá cumprir a sua disposição de aumentar a repressão nas comunidades pobres com armamentos sofisticados comprados em Israel.

Finalmente, há que se superar o processo de ilusão com a capacidade da chamada Operação Lava Jato de resolver o problema da corrupção no Brasil. As questões deixadas abertas por essa rumorosa operação jurídico policial mostram que se está, quando muito, tocando na superfície de um elemento que possui caráter sistêmico, pois deixa de fora vários peixes graúdos.  Portanto, e aqui “I rest my case”, essa prisão tem muito mais espuma do que chopp. E a caravana tenderá a seguir o seu caminho, deixando o Rio de Janeiro imerso em sua crise colossal.


[1] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/11/29/governador-do-rio-de-janeiro-luiz-fernando-pezao-e-preso-diz-tv.htm

[2] https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2018/11/5597586-pezao-e-preso.html

[3] https://oglobo.globo.com/rio/lava-jato-prende-pezao-em-nova-operacao-contra-corrupcao-no-governo-do-rio-23267396

[4] https://extra.globo.com/noticias/rio/lava-jato-manda-prender-pezao-em-nova-operacao-contra-corrupcao-no-governo-do-rio-23267397.html

As manifestações do “EleNão” sinalizam um ponto de inflexão na campanha presidencial

cinelandia

Assisti via as redes sociais (já que as empresas de TV literalmente boicotaram a cobertura) às massivas manifestações que ocorreram em cidades brasileiras e no exterior contra a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro à presidência da república. Claramente essas manifestações tinham um caráter pluripartidário e, obviamente, feminino.

É preciso que se diga que campanhas eleitorais não são vencidas pelo tamanho de manifestações. Resultados eleitorais dependem de elementos muito mais complexos que incluem, inclusive, a força das máquinas partidárias que apoiam esta ou aquela candidatura.

Entretanto, não há como negar que se a energia apresentada nas manifestações de ontem se apresentar na hora em que os brasileiros forem às urnas no próximo dia 7 de Outubro, há uma chance de que todas as pesquisas eleitorais feitas até aqui tenham falhado em captar o índice real de rejeição que Jair Bolsonaro ostenta na população brasileira, apesar da ação diligente e agressiva dos seus apoiadores.

Abaixo dois vídeos da manifestação que ocorreu no centro da cidade do Rio de Janeiro onde não apenas a quantidade, mas principalmente o grau de mobilização que foi expresso por seus participantes deixam clara e cristalina a situação que poderão se materializar em poucos dias.

Quem estiver interessado em mais informação sobre o conjunto desses atos sugiro acessar [Aqui!]

E os sinos continuam dobrando para Bolsonaro…..

Seis meses após assassinato de Marielle, Anistia Internacional cobra solução do crime

Falta de solução para o assassinato de Marielle é inadmissível e o caso não pode ficar impune, alerta Anistia Internacional seis meses após o crime

marielle

 

– Mobilização em todo o mundo cobra Estado brasileiro por falhar na investigação adequada do assassinato de Marielle Franco
– É urgente a constituição de um grupo independente do Estado para o monitoramento das investigações
– Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público passa a atuar no caso

Seis meses se passaram desde que a defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram brutalmente assassinados a tiros no bairro do Estácio, região central da cidade do Rio de Janeiro, no dia 14 de março deste ano. A cada dia que passa, aumenta a preocupação com a ausência de respostas sobre os autores, os mandantes e a motivação do assassinato de Marielle Franco.

“O assassinato de Marielle e Anderson completou seis meses. A falta de solução para o caso é inadmissível. A impunidade não pode estar no horizonte das autoridades. O Estado brasileiro, as autoridades federais e estaduais e as instituições do sistema de justiça criminal têm todos a responsabilidade de garantir que o assassinato de Marielle Franco seja devidamente investigado e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e levados à justiça”, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

Desde a noite de 14 de março, a Anistia Internacional vem exigindo que os órgãos competentes garantam uma investigação imediata, rigorosa, independente e imparcial do crime. Um dia após a execução, foi publicada uma nota urgente e, em seguida, aberta uma ação de e-mails para pressionar as autoridades responsáveis. Em seis meses de mobilização, mais de 165 mil pessoas se manifestaram pela resolução do caso com assinaturas vindas do Brasil e de países como Argentina, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Peru, Portugal, Espanha e Suécia.

Nesses 6 meses, a Anistia Internacional organizou também ações em frente à Divisão de Homicídios da Polícia Civil, da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Só após a pressão sobre as autoridades que representantes da Anistia Internacional e familiares de Marielle foram recebidos pelo procurador-geral de Justiça do estado, Eduardo Gussem, e pelo secretário de estado de segurança, general Richard Nunes.

No fim de agosto, o Ministério Público anunciou a inclusão do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) no caso, demanda feita pela Anistia Internacional no marco dos três meses do crime. Uma nova equipe do órgão assumiu a investigação em setembro e espera-se, desta equipe, celeridade.

“O Ministério Público tem papel fundamental para garantir a competência e independência na apuração do caso. A entrada do GAECO é bem-vinda, mas é preciso envolver também o GAESP (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública) na investigação e monitorar a atuação da Polícia Civil. Além disso, é urgente a constituição de um grupo totalmente independente do Estado para o monitoramento das investigações, que verifique se o devido processo legal está sendo seguido”, afirmou Werneck.

A Anistia Internacional vem chamando a atenção para a necessidade do estabelecimento de um mecanismo externo e independente de monitoramento das investigações, que seja formado por especialistas (tais como peritos, juristas, entre outros) que não tenham qualquer conflito de interesses em relação ao caso e que seja totalmente independente do aparato estatal. Este mecanismo deverá monitorar o andamento das investigações, o cumprimento das diligências e verificar se está havendo algum tipo de influência indevida ou negligência no processo. O secretário de segurança, Richard Nunes, se posicionou favoravelmente à iniciativa em reunião com familiares de Marielle e representantes da Anistia Internacional no dia 20 de agosto.

Assassinato pode ter tido a participação de agentes do Estado e das forças de segurança

Embora as investigações estejam sob sigilo, algumas informações veiculadas pela imprensa indicariam que o assassinato de Marielle Franco teria sido cuidadosamente planejado, um crime sofisticado, que teria contado com a participação de agentes do Estado e das forças de segurança.

Dois carros teriam sido usados no assassinato e teriam placas “clonadas”. Imagens de vídeo mostram um dos veículos aguardando a saída de Marielle de um evento em que era debatedora para seguir o carro da vereadora minutos antes do crime. No vídeo, é possível ver que o motorista usa em diversos momentos um aparelho pequeno que parece ser um celular. No entanto, o momento do crime não foi gravado porque algumas câmeras de segurança, parte do sistema que alimenta o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) do Rio de Janeiro, que cobririam especificamente o local do assassinato, teriam sido desligadas às vésperas do crime.

Além disso, os disparos, cerca de 13, teriam sido feitos com os carros em movimento e quatro disparos teriam atingido com precisão a cabeça de Marielle. A munição utilizada seria de calibre 9mm, calibre de uso restrito no Brasil, e seriam do lote UZZ-18, um lote pertencente à Polícia Federal que teria sido desviado há alguns anos. Munição pertencente a este mesmo lote teria sido utilizada em uma chacina em São Paulo em agosto de 2015, que contou com a participação de policiais que seriam parte de um grupo de extermínio.

Embora inicialmente tenha sido divulgado que a arma utilizada seria uma pistola 9mm, veio à público a informação de que a arma utilizada seria uma submetralhadora HK-MP5, de origem alemã, que também é de uso restrito e não muito comum no Brasil. Cinco unidades de submetralhadoras deste mesmo modelo teriam desaparecido do arsenal da Polícia Civil, o que teria sido identificado em um recadastramento feito em 2011.

Ainda teriam ocorrido algumas negligências e procedimentos equivocados nas perícias necessárias: não teria sido feito raio-X dos corpos de Marielle Franco e Anderson Gomes possivelmente por falta de equipamento em estado de funcionamento; e o carro não teria sido armazenado de forma adequada, teria ficado num pátio exposto indevidamente.

Por fim, diversas supostas linhas de investigação também foram veiculadas pela imprensa ligando o assassinato de Marielle Franco a policiais militares do 41º Batalhão da Polícia Militar, a grupos de milícias atuantes na Zona Oeste, a vereadores da Câmara Municipal Rio de Janeiro e a deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nomes de supostos suspeitos e a existência de testemunhas delatoras também foram divulgadas pela imprensa.

“Estamos diante de um cenário muito preocupante. O assassinato da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco muito provavelmente contou com a participação de agentes do estado. O crime possivelmente tem por trás um grupo poderoso o suficiente para acreditar na garantia de impunidade a ponto de cometer tal execução em uma das cidades de maior visibilidade do mundo, durante o período de intervenção federal na segurança pública e em ano eleitoral”, disse Werneck.

Marielle Franco e a defesa de direitos humanos

Marielle Franco atuava há mais de dez anos defendendo os direitos humanos de jovens negros, de mulheres, de moradores de favelas, de pessoas LGBTI e denunciava as execuções extrajudiciais e outras violações de direitos cometidas por policiais e agentes do estado. Foi eleita vereadora e iniciou seu mandato em janeiro de 2017. Alguns dias após o decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, foi nomeada relatora da Comissão Representativa da Câmara de Vereadores criada para monitorar a intervenção federal.

“A cada dia que passa, o reconhecimento internacional do exemplo de vida de minha filha aumenta e é transformado em luta por justiça, em cobrança para o estado brasileiro. Marielle foi uma liderança em tudo que participou, sempre com o pensamento de ajudar o próximo, acreditando que a organização coletiva e solidária poderia transformar o mundo. Ao fazer pelo outro ela se sentia bem. Minha família não vai descansar enquanto não tiver uma resposta sobre a motivação deste crime”, disse Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco.

O Brasil tem um preocupante histórico de alto número de homicídios de defensores de direitos humanos. A maioria dos casos não é investigada e nem responsabilizada e nos poucos casos que são levados à justiça são apenas os executores que vão à julgamento. Raramente os mandantes dos assassinatos são responsabilizados, o que perpetua a violência contra os que defendem direitos humanos no país.

“O homicídio de um defensor de direitos humanos é uma tentativa de gerar medo e silêncio, um ataque não apenas ao defensor assassinado, mas a um grupo social mais amplo. É uma mensagem para desmobilizar a luta por direitos e é um ataque aos direitos humanos como um todo. Assim, o Estado Brasileiro deve responder com firmeza e seriedade aos homicídios de defensores de direitos humanos para que este processo de silêncio e medo não se amplie e para romper com o ciclo de violência contra defensores de direitos humanos”, finalizou Werneck.

FONTE: Assessoria de Comunicação Anistia Internacional

Deputados da PEC do teto de gastos não merecem votos em 2018

A imagem abaixo mostra os deputados federais do Rio de Janeiro que chamaram a PEC do teto dos gastos (também conhecido como PEC fim do mundo), e que são cúmplices do presidente “de facto” Michel Temer na situação de terra arrasada que resultou no incêndio do Museu Nacional.

deputados

Destacados na imagem estão Índio da Costa, candidato do PSD a governador do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, e  Paulo Feijó, deputado do PR que até onde eu saiba continua circulando livre, apesar de sua condenação em última instância pelo STF.

Examinar como cada um dos deputados do Rio de Janeiro votou nesse caso e em tantos outros nos ajuda a entender como estão mal representados e, mais ainda, porque não se deve dar votos nessas figuras em 2018.

Observatório lança relatório mostrando números da violência pós-intervenção militar no Rio de Janeiro

intervenção

A intervenção federal, com a consequente participação das forças militares, na segurança pública fluminense foi vendida pela mídia corporativa e pelos ocupantes do aparelho do estado como uma panacéia que resolveria magicamente os graves problemas que afetam o cotidiano de milhões de pessoas, principalmente nas comunidades mais pobres da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Após 6 meses, um relatório produzido pelo “Observatório da Intervenção”  [1] mostram números que explicitam a continuidade de níveis de violência que não são comuns nem em áreas de conflito armado, a começar pelo número de pessoas mortas por forças estatais [Aqui!].

Tal nível de violência não é explicável se não for levada em consideração a grave degradação dos serviços públicos causada pelos seguidos governos do MDB ou a profunda recessão imposta pelo governo “de facto” de Michel Temer.

Por isso, em que pese o fato de que uma das poucas famílias ricas poderem se sentir “mais seguras”, o fato é que somente uma profunda mudança na forma de governar o Rio de Janeiro e, por extensão, o Brasil poderá começar a dar conta dos níveis de violência a que está exposta neste momento a população pobre que sofre com os efeitos da intervenção militar em curso.

[1] https://www.ucamcesec.com.br/projeto/observatorio-da-intervencao/


 

Relatório traz números da intervenção federal no Rio de Janeiro

numeros da intervenção

Você sabe quais os efeitos da intervenção federal em curso no Rio? Seis meses após o decreto, o Observatório da Intervenção, mecanismo que analisa os resultados da política de segurança pública no estado, lançou mais um relatório com dados importantes sobre o período de fevereiro à julho. Moradores, ativistas, policiais, militares e personalidades participaram do relatório, que analisa esses efeitos a partir de olhares diversos. Rodrigo Pacheco, subdefensor público-geral, foi um deles.

Os números neste relatório que mais importam para a segurança pública continuam inaceitáveis. Homicídios e chacinas se mantêm muito altos e mortes decorrentes de intervenção policial e tiroteios aumentaram. As disputas entre quadrilhas, incluindo milicianos, fugiram ao controle em diversas áreas. Foram mais de 2.565 tiroteios, 736 pessoas mortas pelo estado e mais de 99 mil roubos. Os resultados mostram que o modelo de segurança dependente de munições, tropas e equipamentos de combate não é capaz de produzir as mudanças de que o Rio necessita.

Confira o relatório completo: https://goo.gl/DQYbxs

FONTE: https://www.facebook.com/defensoriapublicadoriodejaneiro/?__xts__[0]=68.ARCTEcc0zoFj9xwUcZOmvkcBAVVcwCm8gd__BtVdQFapst3PdSSBz2G525oag6hTW5rjMN8Jy67ZxYaxVeUaE7Y3RdsMOy-iYgMWHCeDqMjogHTt2bsZNYZ7jTvlBwpv8zkAg_E&__tn__=k*F&tn-str=k*F