Ação conjunta encontra agrotóxicos proibidos e contrabandeados em lavouras de arroz no RS

garrafasFoto: Divulgação MPRS

Da Redação do Sul 21

A Comissão de Fiscalização e Controle do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, coordenada pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, realizou, entre os dias 30 de setembro a 4 de outubro, operação conjunta para fiscalizar o uso de hidróxido de fentina, comercializado no Brasil com o nome de Mertin 400, em lavouras de arroz pré-germinado na região de Santa Maria e da 4ª Colônia (municípios de Restinga Seca, Agudo e Dona Francisca).

Foram encontrados, nos locais visitados, produtos vencidos, contrabandeados (Hidróxico de fentina e metil metsulfurom), além do próprio Mertin. Foi realizada coleta de água, solo, sementes e animais mortos por suposto envenenamento. Também foram recolhidas embalagens vazias descartadas indevidamente.

morteAnimais mortos também foram recolhidos na área. Foto: MPRS/Divulgação

Em março de 2017, a pedido da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre em ação civil pública, a Justiça proibiu o uso do agrotóxico Mertin 400 em lavouras de arroz irrigado no território do Rio Grande do Sul. Na decisão, a Justiça justificou a proibição devido ao “evidenciado risco ao meio ambiente e à própria saúde humana, vez que o Mertin 400 está sendo indevidamente usado na cultura de arroz irrigado desde 2013”.

Foram fiscalizadas pelo Ibama vinte propriedades e lavrados nove autos de infração, totalizando quase R$ 50 mil; três termos de embargo e três termos de apreensão e depósito; além de duas notificações.

A equipe da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, que atuou em Mata, Santa Maria, Formigueiro e Cacequi, emitiu oito termos de fiscalização, dois termos aditivos, dois autos de apreensão e depósito e três autos de infração.

*Com informações do MPRS

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo portal Sul 21 [Aqui!].

Estudo alerta para relação entre agrotóxicos e alteração no sangue de agricultores

Pesquisa realizada pela Ensp em Farroupilha (RS) sugere que a exposição crônica a pesticidas poderia reduzir o número de diferentes glóbulos brancos

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Por Agência Fiocruz

O Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxicos, sendo que, em 2019, sua liberação foi significativa. Uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) sugere que a exposição crônica a pesticidas de organoclorados (CO) e certos pesticidas não persistentes poderia levar à redução no número de diferentes glóbulos brancos de população agrícola de Farroupilha-RS.

Segundo a pesquisa, cerca da metade da população em foco relata mais de vinte e cinco anos de trabalho agrícola, 55% tinham misturado ou aplicado pesticidas há mais de dez anos, e 37% tinham pesticidas mistos / aplicados com uma frequência média maior ou igual a 60 dias por ano. “As classes de pesticidas mais usadas pelos agricultores, na época da entrevista, eram herbicidas e fungicidas, e um terço dos entrevistados estava usando dois ou mais pesticidas, simultaneamente.

Os autores do estudo Camila Piccoli, Rosalina Koifman e Sérgio Koifman (in memoriam), da Ensp, Cleber Cremonese, do Centro Universitário da Serra Gaúcha, e Carmen Freire, do Institute of Biomedical Research of Granada, Espanha, relatam que 56% dos participantes do estudo eram do sexo masculino, sendo a idade média dos participantes de 42 anos, e 87% deles (92% dos homens e 81% das mulheres) estavam diretamente envolvidos nas atividades agrícolas. Os participantes que não faziam parte dessas atividades eram parentes de fazendeiros que viviam em fazendas (filhos, filhas, esposas e outros não diretamente envolvidos em atividades de campo). Quase todos os participantes eram brancos (99,3%). Em relação à história médica, apenas um indivíduo relatou história de doença hematológica, enquanto 4 homens e 2 mulheres tinham história familiar de doença hematológica em primeiro grau.

Conforme o estudo, o herbicida glifosato e paraquat são os mais comuns já utilizados pelos agricultores, enquanto o mancozebe (um fungicida ditiocarbamato) e o sulfato de cobre são os fungicidas mais utilizados. “Fungicidas e ditiocarbamatos são as classes de pesticidas que apresentam o maior número de anos de exposição ao longo da vida, ou seja, utilizados por mais de vinte anos em mais de 40% dos indivíduos do estudo.”

A pesquisa menciona que a exposição humana a pesticidas tem sido associada a vários efeitos prejudiciais à saúde, incluindo desordens endócrinas, defeitos congênitos, efeitos neurológicos, hepáticos, respiratórios, imunológicos e câncer. “Essa ampla gama de resultados adversos sugere que os pesticidas exercem efeitos tóxicos sobre a saúde humana por meio de vários mecanismos de ação.” A esse respeito, completa o estudo, dados experimentais disponíveis indicam que muitos pesticidas também podem possuir propriedades hematotóxicas, levando à hematopoiese deprimida.

Também foi descrito, pelos pesquisadores, que as populações agrícolas nos países em desenvolvimento estão expostas a quantidades crescentes de misturas de pesticidas em altas concentrações e frequência, incluindo pesticidas severamente restringidos e proibidos nos países industrializados.

Eles citam uma pesquisa realizada entre 2012 e 2013 em trabalhadores rurais e suas famílias em Farroupilha, cidade com 69 mil habitantes, localizada na Serra Gaúcha, no Estado do Rio Grande do Sul. De acordo com ela, ocorreram associações de exposição cumulativa a pesticidas, especialmente herbicidas e fungicidas ditiocarbamatos, com efeitos semelhantes aos do hipotireoidismo e pior qualidade espermática em trabalhadores agrícolas do sexo masculino na Serra Gaúcha, uma região agrícola familiar no sul do Brasil.

Com base na hipótese de que tanto os agrotóxicos persistentes como os não persistentes possam ter a capacidade de causar distúrbios hematológicos em humanos, os pesquisadores buscaram avaliar a relação das práticas de trabalho agrícola, uso de agrotóxicos não persistentes e níveis séricos de agrotóxicos com parâmetros hematológicos em residentes da fazenda na região.

A população agrícola da região está envolvida em atividades relacionadas ao plantio, poda e colheita de ameixas, pêssegos, uvas e kiwis. Assumindo uma taxa de participação de cerca de 90% e pelo menos três adultos por domicílio, 90 residências foram selecionadas, aleatoriamente, da lista de domicílios rurais do Secretaria Municipal de Agricultura para atingir o tamanho amostral estimado. Todas as pessoas com idade entre 18 e 69 anos morando nos domicílios selecionados foram convidadas a participar do estudo, representando o total de 301 pessoas.

Acesse o artigo , publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, de junho de 2019.

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Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Fiocruz [Aqui!].

 

Marketing acadêmico: lançamento do livro “O Horizonte Vermelho” pela editora Sulina

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O livro O Horizonte Vermelho: o impacto da Revolução Russa no movimento operário do Rio Grande do Sul (1917-1920) vem a público em um momento em que o estudo e a reflexão sobre a história do movimento operário se tornam um exercício cada vez mais importante e necessário.

Neste ano, no qual se completam cem anos das greves de 1917 no Brasil e da Revolução Russa, Frederico Duarte Bartz disponibiliza este trabalho para contribuir com os debates acadêmicos sobre aquele período agitado da história da classe operária, e para difundir, entre o maior número de pessoas, o conhecimento sobre aqueles trabalhadores e trabalhadoras que se mobilizaram em prol da Revolução Social.

A memória e a história das lutas que se desenvolveram na década de 1910 surgem como um importante legado para todos aqueles que se interessam pelo processo de construção da classe trabalhadora e se solidarizam com suas reivindicações.

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