Cratera iniciada no governo Rosinha continua crescendo no de Rafael Diniz

Eu não me iludo com propagandas eleitorais que prometem transformar trevas em luz da noite para o dia.  Mesmo assim tenho que aproveitar de um caso prático para mostrar como a propaganda eleitoral sempre sofre quando o candidato ganha e assuma as responsabilidades de quem antes ele criticava.

O caso mostrado abaixo é o de um buraco que começou diminuto e agora se expande de forma rápida em frente do Número 25 da Avenida Sete de Setembro em Campos dos Goytacazes, antes governada por Rosinha Garotinho (PR) e hoje sob o comando de Rafael Diniz (PPS).

sete-de-setembro

Como moro próximo da cratera, posso afiançar que ela começou modesta, mas que avanla a olhos vistos desde então. A causa provável é o pesado trânsito de caminhões que passam por essa avenida que antes era bucólica e hoje representa um grave risco para os moradores do seu entorno.

Como temos um novo alcaide e seus indicados para postos relativos à mobilidade urbana são pessoas gabaritadas, a minha expectativa é que o buraco seja fechado antes que um caminhão carregado de produtos perigosos caia dentro dele. É que morando por perto, eu seria uma das vítimas potenciais de um desastre incalculável.

Com a palavra, o jovem alcaide de Campos dos Goytacazes. Vamos lá prefeito, essa cratera agora é seu problema!

Inauguração no Porto do Açu e os políticos paramentados: quanto vale essa propaganda para a Prumo?

Foto Michelle Richa

DEMOCRACIA PRUMO

A imagem acima mostra a inauguração simbólica de três terminais no Porto do Açu, com a presença dos prefeitos de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho (PR), e de São João da Barra, Neco (PMDB), com a presença costumeira em posição “papagaio de pirata” do deputado federal Júlio Lopes.

Essa inauguração que eu já chamei aqui de notícia velha serve para demonstrar a crassa subordinação dos governos municipais a um projeto econômico que tem trazido pouquíssima contribuição ao desenvolvimento integrado da região onde se situa. Essa coisa de ir ao Porto do Açu e vestir o colete da Prumo Logística é de tão pouco gosto que dessa vez o jovem deputado Bruno Dauaire (PR), que também foi citado como presente na cerimônia, parece ter adotado a posição de ficar escondido para não aparecer na foto.

Agora coube ao prefeito Neco uma declaração que, para quem conhece a realidade do Porto do Açu, beira o estapafúrdio. Segundo o relato do jornalista Arnaldo Neto em seu blog na Folha da Manhã (Aqui!), o prefeito de São João da Barra teria destacado “a oportunidade que sanjoaneneses têm de trabalhar no Açu e a expectativa de o município deixar de ser dependente dos royalties de petróleo com a operação do Porto.” Ora, para quem conhece a situação de empregabilidade no Porto do Açu sabe que a imensa maioria dos postos de trabalho não é ocupada por pessoas nascidas em São João da Barra, e que o nível de emprego no município tem sido pouco afetada pela existência do Porto.

Em outras palavras, além de ficar esquisitíssimo no traje empurrado pela Prumo Logística aos que adentram o Porto do Açu, o prefeito Neco continua insistindo em disseminar uma versão da importância do empreendimento para a geração de empregos em São João da Barra que simplesmente não corresponde aos fatos.

E para mim a coisa é clara. Essa insistência em inaugurar o Porto do Açu mais de uma vez é simplesmente para atender uma necessidade de oferecer boas novas que o funcionamento prático do empreendimento não gera por si só.  E o mais impressionante é que tenhamos tamanha gana de prefeitos e deputados para se prestarem ao papel de garotos propaganda, em vez de cobrarem a solução dos diversos problemas sociais e ambientais que foram gerados pela implantação do Porto do Açu e que até hoje a Prumo Logística insiste em se omitir em relação às suas óbvias responsabilidades. 

 

Sorriam campistas, a Venezuela é aqui!

VENEZUELA-MAYDAY-MADURO

Desde que iniciei este blog adotei a posição de não me concentrar nas questões municipais, visto o grande número de blogueiros que se dedicam a esmiuçar cotidianamente, sob os mais variados matizes, o funcionamento da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sob a batuta da ex-governadora Rosinha Garotinho e seu marido, o também ex-governador Anthony Garotinho.

Mas a capa do jornal O DIÁRIO deste domingo (24/01) que anuncia a promulgação de um decreto de estado de emergência econômica é primeiro de tudo, impagável! É que a mesma nos remete, querendo ou não quem a criou, ao processo de crise mais amplo que ocorre nas economias dependentes do petróleo, como é o caso da Venezuela onde seu presidente Nicolás Maduro promulgou lei semelhante no dia 15.01.2016, em face da profunda crise econômica que assola aquele país (Aqui!).

Entretanto, ao contrário do governo da Venezuela que, além de enfrentar os agudos efeitos da retração do preço do petróleo, também convive com uma forte oposição de direita que, frise-se acaba de lhe impor uma pesada derrota eleitoral, o governo municipal de Campos dos Goytacazes chegou a este ponto sem maiores oposições, seja por parte do parlamento local ou da sociedade civil organizada. 

Tampouco a economia de Campos dos Goytacazes precisaria estar dependendo dos royalties para garantir mais de 50% do nosso orçamento municipal. Tivessem as diferentes administrações, aqui inclusas as de Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber, investido em uma genuína diversificação da base econômica municipal, é bem provável que agora não estivéssemos presenciando a decretação de um estado de emergência.

Acho até desnecessário, mas faço assim mesmo, mencionar que não tivessem as diferentes gestões que ocorreram a partir da chegada dos recursos dos royalties (particularmente as Arnaldo Vianna, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho) optado por obras milionárias, mas de necessidade duvidosa, é quase certo que hoje não estaríamos presenciando a situação aflitiva em que estamos imersos neste momento.

Finalmente, agora que a dura realidade está sendo reconhecida sob a forma de decreto, há que se esperar que os postulantes a suceder Rosinha Garotinho a partir de 2017 parem de encenar a peça maniqueísta do “nós bonzinhos contra eles malvados” para oferecer um projeto estruturante para o município de Campos dos Goytacazes. Do contrário, o decreto da Prefeita Rosinha Garotinho é apenas o prenúncio de tempos bastante duros. É que lendo o receituário básico que está sendo apontado em vários de seus dispositivos (a começar pelo que prevê um programa de aposentaria incentivada!), a aposta parece ser de um médico que oferece açúcar a um diabético em estado terminal. Em outras palavras, não tem como dar certo!

Indignação seletiva é, acima de tudo, cinismo

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Definitivamente a minha paciência com os moralistas seletivas se esgotou, seja no plano federal, estadual ou municipal. Peguemos por exemplo os que denunciam de forma “ad nauseum” o (des) governo municipal comandado por Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes.  Pessoalmente considero a atual gestão muito pobre em todos os níveis, e olha que não estou falando da aparente penúria que grassa nos cofres municipais. Falo efetivamente no que conta: a capacidade de atacar os problemas que tornam a vida do campista um completo desafio todos os dias. E para mim basta passar na esquina das ruas Formosa (a.k.a Tenente Coronel Cardoso) e do Ouvidor (a.k.a Marechal Floriano) e me deparar, após vários dias, com os riscos causados pela inexistência de um sinal de trânsito que repentinamente tomou Doril.  Para mim, nem é preciso ir depois dali para ver que a atual gestão está cambaleando.

Agora, é chato demais notar que os mesmos articulistas que criticam Rosinha Garotinho são os mesmos que inventam mil maneiras para esconder da nossa população que o (des) governador Luiz Fernando Pezão lançou o Rio de Janeiro no maior caos de sua história recente. Nada funciona no Rio de Janeiro quase todo privatizado para beneficiar os financiadores das campanhas do PMDB e dos seus partidos satélites. Falência dos serviços de trem, metrô, barcas e hospitais,  e o calote no décimo terceiro salário dos servidores? Disso os supostos puristas anti-corrupção no plano municipal querem ser lembrados. 

Esse tipo de moralismo seletivo é indicativo de que em 2016 teremos uma das eleições mais sujas da história já manchada por contínuos escândalos em Campos dos Goytacazes. É que os moralistas seletivos vão continuar omitindo a situação trágica que o Estado vive, enquanto descerão impiedosamente o relho na prefeita.

A questão para nós que queremos mudanças efetivas no jeito de governar não bastará ficar olhando de fora das quatro linhas, como se isso fosse nos dar o que precisamos. Vai ser preciso participar de forma crítica do processo eleitoral, de modo a aumentar as chances de que possamos discutir as coisas que precisam ser discutidas, sem os maniqueísmos de bem e mal que servem apenas para encobrir uma triste verdade que é de que os supostos salvadores da Pátria poderão ser até piores do que o que temos no momento. Mas como dizia meu falecido pai, jacaré parado vira bolsa. E ai, o que vamos querer? Jacaré em movimento ou bolsa de madame?

Vereador Albertinho e o fenômeno da piada pronta

Eu acho que certas manchetes são oportunidades tão boas para comentários que não merecem ser perdidas. Vejamos a chamada principal da capa do jornal O Diário desta 5a .feira (01/10) para melhor demonstrar o que eu digo.

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Confesso que jamais troquei uma palavra seja com o vereador Albertinho da base do governo Rosinha ou com o vereador Marcão da bancada oposicionista. Mas para quem acompanha minimamente o que acontece na Câmara Municipal de Campos, o que será que significa alguém da situação dizer que a oposição parece “carroça vazia”e um dos seus membros usa o “parlamento para politicagem” ?

Bom, para mim é uma só coisa: piada pronta.

Cenas campistas: vivendo como se estivéssemos no início do Século XX

Raramente uso o espaço deste blog para criticar questões paroquiais da cidade de Campos dos Goytacazes, pois existem inúmeros blogs que fazem de sua profissão de  fé, o escrutínio da gestão da prefeita Rosinha Garotinho. que eu toco o meu barco (que dizer, blog) em outra direção.

Mas existem coisas pequenas que mostram como é que estamos longe de uma forma de gerir a nossa cidade que nos coloque minimamente no Século XXI. E o problema é que essas coisas mínimas são apenas sintomas de uma visão que considero equivocada de como gerir o espaço urbano e valorizar o que temos de melhor em termos de instrumentos urbanos.

Vejamos a cena abaixo para talvez deixar mais claro o que estou querendo dizer.

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O que é mostrado na imagem em questão é a ação de uma equipe de funcionários da concessionária Águas do Paraíba recolhendo esgoto em um ponto da região central na manhã deste sábado (19/090. Além de atrapalhar o trânsito, já que isso se dava numa esquina bastante movimentada, eu sempre me pergunto sobre o destino do esgoto recolhido. Será que sou o único?

Mas deixando a iniciativa privada e seus interesses de privada de lado por um segundo, mostro a segunda imagem que produzi logo após me desvencilhar do pequeno congestionamento causado pela equipe de recolhimento de esgoto.

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O que está imagem mostra é a condição imunda em que se encontra o lago artificial (ou seria mesmo só uma piscina?) que ornamenta a área frontal do Teatro Municipal Trianon, um dos nossos mais belos cartões postais. Essa situação foi comentada por um casal de idosos que caminhava na minha frente, e que lamentava tanto descaso por parte dos gestores municipais.

Reconheço que, numa cidade com tantos problemas, o que mostro acima é nada ou quase nada. Mas o meu ponto é justamente esse. É que se continuamos recolhendo esgoto como se fazia no início do Século XX e permitimos a degradação de um cartão postal cujo gerenciamento é relativamente simples, o que será que anda acontecendo no resto do município? 

E antes que alguém ache que estou aqui apoiando a oposição consentida, aquela que tomar a prefeitura para basicamente governar da mesma forma que governa a prefeita Rosinha Garotinho, aviso logo que não é esse o caso. Aliás, do jeito que a coisa anda, continuo achando que o grupo político que hoje controla a Prefeitura vai vencer as eleições de 2016. E, lamentavelmente, continuaremos vivendo como se estivéssemos congelados numa bolha temporal. E, pior, sem os orçamentos bilionários que foram trazidos pelos royalties do petróleo.

Depois de passar anos se comportando como nova rica, PMCG usa a tática da “escolha de Sofia” para arrochar salários dos servidores

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A recente decisão da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, que foi chancelada pelo legislativo municipal, de extinguir o reajuste anual dos salários dos servidores públicos é uma demonstração que o arrocho sendo aplicado pelo governo Dilma Rousseff também aportou na nossa sofrida planície.  E o pior é que o arrocho vem acompanhado da aplicação da manjada tática da “escolha de Sofia” ao se pretender que os servidores escolham entre a aplicação do Plano de Cargos e Salários e o reajuste que se faz necessário por causa da inflação!

A coisa é básica: planos de cargos são para expressar formas de reconhecimento por tempo de serviço e qualificação dos servidores, enquanto que reajustes são para compensar a depreciação salarial causada pela inflação. Ao se obrigar os servidores a realizar uma escolha de Sofia entre um direito e outro, a gestão da prefeita Rosinha Garotinho objetivamente uma política de arrocho salarial que pune justamente aqueles que não tem nada a ver com os anos de dispêndio perdulário dos recursos oriundos dos royalties do petróleo que tanto irrigaram os cofres municipais, quais sejam, os servidores públicos e a população mais pobre que depende dos serviços essenciais que eles prestam.

E nessa história eu não sei o que é pior: a decisão da prefeita de arrochar os salários, o seguidismo cômodo da maioria dos vereadores ou a ação do sindicato que deveria representar os interesses ameaçados dos servidores públicos municipais, o SIPROSEP.  Na prática, esses três segmentos estão atuando para jogar sobre as costas dos servidores os custos de uma crise que não criaram. Simples assim!