Tsulama da Samarco: uma catástrofe que continua acontecendo, apesar da propaganda em contrário

Imagem relacionada

Após mais de 3 anos desde que o reservatório de Fundão da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) rompeu e destruiu o Distrito de Bento Rodrigues (Mariana/MG), o que se vê é a pior das procrastinações para se combater efetivamente os danos sociais, econômicos e ambientais que a busca desmedida do lucro causou ao ecossistema do Rio Doce e de vários de seus afluentes.

Mas pior do que procrastinar as soluções, o que tem se visto é a lenta e efetiva ocultação dos , processos persistentes de contaminação que continuarão ainda por vária décadas, já que boa parte dos sedimentos sequer ultrapassou a primeira barreira de contenção que é a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (também conhecida como Candonga) que fica localizada no limite entre os municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado (MG).

Felizmente, em tempos de redes sociais e rápida circulação de informações e imagens, é possível encontrar evidências de que a catástrofe causada pelo Tsulama da Samarco (Vale+ BHP Billiton) continua longe de terminar, ao contrário do que nos querem fazer crer.  O vídeo abaixo é um exemplo perfeito disso, pois mostra a situação vigente na UHE Risoleta Neves no último domingo (02/12) quando sob fortes chuvas, uma quantidade impressionante de rejeitos continuou sua viagem até a região da foz do Rio Doce.

Assim, que ninguém se deixe enganar pela propaganda enganosa de que o Rio Doce começou a sua recuperação, pois, de fato, o que está em curso é a piora paulatina e crônica de sua degradação. E com a culpa evidente clara da Samarco (Vale+ BHP Billiton). 

 

 

Doce Rio: uma canção para não deixar o TsuLama ser esquecido

bella

A cantora capixaba Bella Nogueira [1] usou a sua grande capacidade musical na canção “Doce Rio” para que não esqueçamos da trágico incidente ambiental causado pela Mineradora Samarco [Vale + BHP Billiton] em Bento Rodrigues (MG).

Em meio a todas as procrastinações que prolongam os danos causados no Rio Doce, a única coisa que não podemos fazer é “esquecer” o que foi feito a partir da simples procura do lucro em detrimento da sustentabilidade social e ambiental dos ecossistemas dos quais milhões de pessoas dependem.

Por isso, a canção de Bella Nogueira merece ser divulgada por todos os que querem que as mineradoras Vale e BHP e Billiton seja responsabilizadas pelos graves danos que causaram ao Rio Doce.


[1] https://www.facebook.com/pg/OficialBellaNogueira/about/

TsuLama: 3 anos de impunidade e abandono

Há exatos 3 anos ocorreu o maior incidente da mineração mundial em pelo menos 300 anos quando um dique de rejeitos de propriedade da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) rompeu e inundou o pacato distrito de Bento Rodrigues (MG), matando 19 pessoas e devastando o ecossistema do Rio Doce.

Passados esse tempo, todas as evidências indicam que as mineradoras agiram de caso pensado e seus dirigentes foram os reais responsáveis pela eclosão de uma verdadeira bomba de rejeitos que comprometerá o funcionamento dos ecossistemas do Rio Doce por várias gerações, ameaçando os modos de vida que dependem desse importante corpo hídrico.

Resultado de imagem para tsulama samarco

Mas em que pesem as evidências de responsabilidades e os incontáveis estudos científicos que foram produzidos com base no estudo na composição do material jogado no Rio Doce e suas consequências sobre a cadeia trófica no interior da sua calha fluvial e nas imediações de sua foz, pouco se avançou não apenas na punição dos responsáveis pela ocorrência do TsuLama, mas principalmente na adoção de medidas de mitigação e compensação social e econômico para as populações que foram atingidas por algo que decorreu da mais simples e objetiva aplicação da lógica “o lucro acima de tudo”.

Interessante notar que fora do Brasil a coisa não ficou as sim tão mansa para as mineradoras que causaram o TsuLama de Bento Rodrigues. A mineradora australiana BHP Billiton anda tropeçando em processos judiciais que estão causando uma significativa depreciação no valor de suas ações e, consequemente, na sua saúde financeira.  

BHP

O preço que a BHP Billiton está  pagando parece ser apenas uma das consequências de sua irresponsabilidade no trato de seus negócios com a Vale no âmbito da joint venture que formaram para criar a Mineradora Samarco. Como no caso de qualquer empresa que hoje é pega, digamos, com as mãos sujas em suas ações corporativas, a BHP Billiton cedo ou tarde se livrará do peso que suas operações no Brasil representam para o seu bom nome no mercado mundial de ações, deixando para trás um pesado passivo ambiental.

Por tudo isso é importante que as lições aprendidas pelos atingidos pelo TsuLama sejam cuidadosamente documentadas. É que dada as perspectivas de que as salvaguardas ambientais serão ainda mais afrouxadas no Brasil, a experiência dos atingidos do TsuLama será fundamental para que haja a necessária pressão para que não se instale um completo estado de “laissez faire, laissez aller, laissez passer” (deixai fazer, deixai ir, deixai passar) no Brasil em nome da ampliação das atividades de mineração. 

 

 

 

 

Grupo canadense lança relatório sobre colapsos dos reservatórios de rejeitos de Mount Pauley e Mariana

relatorio

O projeto “Corporate Mapping Project” que reúne pesquisadores de diversas instituições canadenses (e que se foca na investigação do poder da indústria dos combustíveis fósseis)acaba de lançar o relatório “Tailings dam spills at Mount Polley and Mariana: Chronicles of disasters foretold” (em portugues leria como sendo “Os derramamentos em Mount Polley e Mariana: crônicas de desastres anunciados”.

foretold

Esse relatório conta ainda com a colaboração do  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) que reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras, incluindo a UFJF, a UFRJ e da UEG.

O desastre de Mount Polley, també, mina localizada na Colúmbia Britânica, ocorreu em agosto de 2014, quando uma barragem que continha rejeitos tóxicos de mineração de cobre e ouro colapsou, causando o maior desastre ambiental na história da mineração do Canadá.  Em Novembro de 2015 ocorreu maior desastre envolvendo mineração na América Latina, em Mariana, Brasil, quando houve o rompimento de um reservatório de rejeitos ainda maior, da empresa Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton).  

Em ambos os casos, o relatório argumenta que os desastres eram evitáveis e ocorreram em função do comportamento irresponsável das mineradoras envolvidas, que contaram com a disposição dos seus respectivos governos que, entre outras coisas, simplificaram os processos de revisão e aprovação das licenças ambientais, reduziram a supervisão da operação dos reservatórios de rejeitos, e facilitaram as exigências regulatórias para empresas de energia e mineração.

Quem desejar acessar este relatório, basta clicar [Aqui!], enquanto o seu sumário executivo pode ser baixado [Aqui!]

TsuLama da Samarco: atingidos fecham estrada em Barra Longa (MG) para exigir direitos

Municipio Barra Longa-MG, atingido pela lama da barragem de mine

Faltando pouco mais de 3 meses para que os atingidos pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) completem três anos em que sofrem com o completo descaso das mineradores que causaram o maior acidente ambiental da mineração nos últimos 300 anos em todo o mundo, moradores do município de Barra Longa começaram o dia de hoje em luta por seus direitos.

O interessante que há uns poucos dias assisti a um documentário de uma TV espanhola onde o drama dos atingidos e a inércia das mineradores em reparar os danos causados foram abordados de forma lapidar.

Enquanto isso no Brasil, a mídia corporativa rapidamente retirou o foco de Bento Rodrigues, enquanto o governo de Fernando Pimentel (PT) não vem medindo esforços para que as mineradoras voltem a operar em Mariana, usando basicamente os mesmos sistemas de estocagem de resíduos que resultaram no incidente ambiental que matou 19 pessoas e causou danos imensuráveis aos ecossistemas do Rio Doce, desde a nascente até a sua foz em Regência.

Por isso todo apoio à luta dos atingidos do TsuLama da Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Atingidos fecham via em Barra Longa na luta por direitos

Por Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

samarco 1

Cerca de 40 atingidos pela Samarco em Barra Longa, , organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão na entrada da cidade bloqueando a passagem de veículos da Fundação Renova para o acesso a cidade. Desde as 6h30 da manhã os atingidos fecham a via de principal acesso a cidade. A principal reivindicação é a presença do presidente da Fundação Renova, pois, para os atingidos, ele tem o poder de decisão sobre os seguintes pontos:

– Reconhecimento das mulheres como atingidas e pagamento do auxílio financeiro emergencial às mulheres que perderam renda com o rompimento da barragem;

-Reconhecimento de todas as famílias apresentadas na lista de problemas na moradia e reposta rápida a essas famílias;

– Pagamento de aluguel, de acordo com o pago para as demais famílias atingidas, para as famílias que estão em casas em situação de risco;

-Agilidade na compra do terreno para o reassentamento da comunidade de Gesteira;

-Reconhecimento do direito ao reassentamento para todas as famílias apresentadas na lista do reassentamento de Gesteira;

-Antecipação de indenização para todos os atingidos que perderam moradia e que estão na lista do reassentamento;

-Pagamento de tratamento adequado de saúde para as pessoas com exames que indicam contaminação por metais pesados, o que envolve: atendimento em São Paulo ou em Belo Horizonte, deslocamento até o local do atendimento, fornecimento de água mineral para essas famílias, pagamento de medicamentos e de auxílio financeiro emergencial para as respectivas famílias;

– Agilidade na reconstrução das casas do parque de exposição, com apresentação de prazo para as famílias estarem novamente em suas casas;

– Indenização justa às famílias atingidas, com parâmetros acordados coletivamente entre os atingidos.

– Reconhecimento aos garimpeiros por terem perdido a atividade econômica após o rompimento da barragem, com pagamento de auxílio financeiro emergencial e indenização.

samarco 2

Os atingidos não sairão da via até saírem com uma data e horário com o Presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, e sua diretoria. “Sabemos que o senhor Roberto Waack tem o poder de decisão sobre as direções da Fundação Renova. Exigimos a presença dele aqui em Barra Longa, pois estamos cansados de tanta enrolação desses representantes que vem aqui na cidade e nada resolvem ”, reivindica Simone Silva.

FONTE: https://www.facebook.com/MAB.Brasil/?hc_ref=ARTHH_d7uKr0s1Gr1zTGRdXiBRrL1tMbSNvg7xsmIp_n5_bhk3oyO911aeyfDQSC0F0&fref=nf&__xts__[0]=68.ARCZjd-nBP1bqskKkXnla16H4hOL45qj7aa41d_O6FN7Yhs7-W-h5O4xvMiwkghThQsHpolv0ZjUWo8PtClj4aSf47lonJ4zGSm6X4jQRZxrsuUQ5NlZ5nerPZU3rBaSP9xMYomFB8_A&__tn__=kCH-R

 

TsuLama da Samarco: acionistas entram com ação coletiva contra a BHP Billiton na Austrália

TSULAMA

AFP/Archivos / Yasuyoshi Chiba

logo

A empresa de mineração australiana BHP informou nesta segunda-feira (23/07) que vai se opor a uma ação coletiva movida na Austrália, que a acusa de violação das suas obrigações de informação e de mentir no desastre ecológico mortal causado no Brasil pela sua controlada Samarco.

Dezenove pessoas morreram em consequência do tsunami de lixo tóxico causado pela ruptura de uma barragem em uma mina em Minas Gerais em 2015.

A BHP e a Vale, co-proprietários da Samarco, chegaram no mês passado brasileiro a um acordo com as autoridades brasileiras para resolver uma ação civil por um preço de R$ 20 bilhões   (US$ 5,3 bilhões) por causa dos custos trazidos pela tragédia.

A ação coletiva australiana alega que houve problemas com a barragem nos anos anteriores a 2015 e que a BHP deveria ter considerado os riscos e informado os seus investidores.

Na semana passada, a BHP anunciou que provisionou US $ 650 milhões em relação à catástrofe ocorrida no Brasil.

O desastre causou uma queda acentuada nas ações da BHP, e por causa disso cerca de 3.000 investidores se juntaram para entrar com essa ação coletiva.

FONTE: https://www.afp.com/es/noticias/838/demanda-judicial-colectiva-en-australia-contra-bhp-por-catastrofe-en-brasil-doc-17v2k82

Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais”

Resultado de imagem para tsulama

Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais” organizado por Cristiana Losekann (UFES) e Claudia Mayorga ​(UFMG). Uma iniciativa do Organon – Núcleo de estudo, pesquisa e extensão em mobilizações sociais (UFES) e do Observatório Interinstitucional Mariana Rio Doce (UFMG-UFES-UFOP).

livro cristina

Acompanhar, compreender e buscar reparação para o desastre causado pelo crime socioambiental da mineradora Samarco, no Rio Doce, em Mariana/MG, foram tarefas que diversos atores se propuseram a empreender, buscando aspectos do desastre levando-se em conta a perspectiva das comunidades atingidas ao longo de dois anos de desastre. O objetivo central desta obra é apresentar ao público geral e aos próprios atingidos um balanço acerca das reivindicações e processos institucionais em curso, além de provocar reflexões e autorreflexões sobre a atuação da universidade, da ciência e de instituições de justiça.

As autoras e os autores da obra têm em comum uma atuação enraizada nas comunidades atingidas durante todos esses anos de desastre, o que permitiu consolidar as diferentes experiências de pesquisas como uma reflexão do ocorrido a partir de questões ligadas aos problemas de gênero, do trabalho e dos efeitos das próprias atividades científicas no cotidiano das comunidades afetadas. O livro conta também com os relatos e análises de duas instituições de Estado ativas nesse caso, a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) e o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), ambas apresentando aspectos centrais de suas atuações nesses dois anos desde o rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais.

O livro tem distribuição gratuita e pode ser acessado [Aqui!]