Ainda impune pelo TsuLama, Samarco teima em negar o óbvio

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Após exatos cinco meses desde o incidente que vitimou Bento Rodrigues e toda a bacia hidrográfica do Rio Doce, a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) continua seu jogo de negar o óbvio para escapar de suas múltiplas responsabilidades sociais e ambientais.

O impressionante é que no Brasil tem gente na cadeia pelo roubo de livros para estudar ou até de comida para alimentar filhos famintos. Enquanto isso, os proprietários e funcionários da Samarco continue literalmente impunes pelo maior desastre causado pela mineração nos últimos 100 anos em todo o planeta!

É ou não uma completa falta de vergonha?!

Diretor da Samarco nega vazamento de rejeitos de minério no Rio Doce

Por  Rafael Monteiro de Barros

O Ministério Público de Minas Gerais, no entanto, entrou com ação pedindo que a empresa interrompa o vazamento da lama em Fundão

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Imagens aéreas mostram foz do Rio Doce após chegada da lama. Foto Secundo Rezende

“Hoje não há lama vertendo da barragem para o Rio Doce”. É isso o que afirma o diretor de Projetos e Ecoeficiência da Samarco, Maury de Souza Junior, em relação à contenção dos rejeitos de minério que tomaram conta do Rio Doce. No entanto, há divergências sobre essa informação. O Ministério Público Estadual de Minas Gerais entrou com uma ação nesta segunda-feira (4) para que a mineradora interrompa o vazamento de lama para o curso d’água

Uma barragem de minério da empresa se rompeu, em Mariana (MG), em novembro do ano passado. O fato provocou um grande desastre ambiental com impactos em Minas Gerais e no Espírito Santo. Segundo Maury de Souza, a empresa construiu um dique na região do rompimento da barragem de Fundão e o vazamento dos rejeitos de minério foi interrompido. “Já faz uns 20 dias que não desce uma gota. Não está vertendo lama da barragem para o Rio Doce”, garantiu.

Apesar da alegação do diretor da Samarco, o Ministério Público Estadual de Minas Gerais entrou com uma ação contra a empresa, na segunda-feira (4), pedindo que a mineradora tome medidas para interromper o vazamento de rejeitos de minério que atinge a Bacia Hidrográfica do Rio Doce desde novembro do ano passado. Ao ser questionado sobre essa ação, Maury de Souza declarou que não sabe de onde o Ministério Público tirou essa informação. 

Nível de metais pesados é normal, afirma diretor

Sobre os impactos causados pela lama à fauna aquática, o diretor da Samarco disse que estudos da empresa apontam que os níveis de metais pesados encontrados nos peixes do rio são considerados normais, diferentemente dos índices verificados nos animais da foz, em Regência.

Um laudo produzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-Bio) apontou alta concentração de metais pesados nos peixes coletados na foz do Rio Doce. No roncador, por exemplo, foram verificados níveis de arsênio 140 vezes acima do permitido. A pesca está proibida entre Barra do Riacho, em Aracruz, e Degredo, em Linhares.

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/cidades/3937110-diretor-da-samarco-nega-vazamento-de-rejeitos-de-minerio-no-rio-doce.html

Enquanto nos enrolam com impeachment ou não, o TsuLama da Samarco continua em ação

Relatório sobre danos no Rio Doce é levado à OEA e capixabas protestam contra a Samarco

Por Leandro Nossa | lnossa@redegazeta.com.br

O documento detalha os problemas na qualidade da água, a contaminação de peixes e os prejuízos econômicos às comunidades do entorno do rio

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Foto: Bernardo Coutinho. Após a lama tóxica, paisagem do Rio Doce mudou

Um relatório sobre os danos socioambientais causados no Rio Doce após o rompimento da barragem de rejeitos da Samarco foi apresentado na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (1º). Elaborado pelo Fórum Capixaba de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce, que reúne 80 entidades, o documento detalha os problemas na qualidade da água, a contaminação de peixes e os prejuízos econômicos às comunidades do entorno do rio. Também nesta sexta, um protesto contra a Samarco foi feito em Vitória.

A ida a um organismo internacional é uma tentativa de aumentar a fiscalização sobre a Samarco e a cobrança de ações efetivas, segundo o coordenador da ONG Transparência Capixaba, uma das entidades organizadoras do relatório.

“Essas 80 entidades começaram a se mobilizar em âmbito internacional para que, por exemplo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que tem assento na OEA, possa dar visibilidade mundial a essa causa porque esse é um problema eterno que a sociedade vai enfrentar”, disse.

A falta de transparência na divulgação de detalhes do acordo firmado entre Samarco e suas acionistas Vale e BHP com os governos Federal, do Espírito Santo e Minas Gerais também é uma das reclamações presentes no relatório. De acordo com Camata, no acordo divulgado pelo governo mineiro, numa versão não assinada pelas partes e que está disponível no site da Advocacia Geral de Minas Gerais, há cláusulas controversas. Entre elas o abatimento do valor oriundo de decisões judiciais do valor total a ser depositado no fundo, estimado em R$ 20 bilhões.

Protesto

Também nesta sexta-feira (1º), o mesmo fórum que levou o relatório à OEA organizou uma manifestação no Centro da Capital. Aproveitando a data de 1º de abril, conhecida popularmente como o Dia da Mentira, cerca de 50 pessoas protestaram contra o que chamaram de “mentiras da Samarco”. Eles colocaram uma faixa em frente ao Palácio Anchieta e fizeram discursos contra a mineradora.

O gerente de Engenharia de Meio Ambiente da Samarco, Paulo César Siqueira, disse que respeita o direito de manifestação, mas ressaltou que a empresa tem agido com transparência e sem omitir dados. Sobre a ida à OEA, o gerente afirmou que a Samarco está aberta a possíveis esclarecimentos para a organização.

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/04/noticias/cidades/3936565-relatorio-sobre-danos-no-rio-doce-e-levado-a-oea-e-capixabas-protestam-contra-a-samarco.html

TsuLama da Samarco: impunidade chega a 142 dias

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Maior crime ambiental da história do Brasil: 19 pessoas mortas, comunidades inteiras destruídas, lama tóxica que devastou toda a bacia do Rio Doce (uma das maiores do mundo) por mais de 600 km e continua a contaminar o oceano em extensão ainda impossível de calcular.

Acordo suspeito.
Ninguém na cadeia.
Nenhuma multa paga.
Nenhum plano concreto de recuperação do Rio Doce.
Total descaso com as milhões de pessoas afetadas direta e indiretamente.
A Samarco comprova ser incapaz de garantir a estabilidade de suas barragens, incluindo outros rompimentos neste período, com todo o complexo de Mariana comprometido.
Lama de rejeitos continua a vazar.
Deputados responsáveis pelo Novo Código da Mineração, elaborado em computadores advogados da Samarco e financiados por mineradoras, riem da nossa cara.
Impunidade absoluta.

FONTE: https://www.facebook.com/ministerioverdaderiodoce/

Liminar suspende temporariamente inquérito sobre tragédia em Mariana

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da Agência Brasil, Foto: Lucas Bois

O inquérito havia pedido a prisão preventiva de seis funcionários da Samarco, entre eles o presidente licenciado Ricardo Vescovi, além de um engenheiro da VogBR.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar suspendendo o inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais que apurou responsabilidades no rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG), em novembro do ano passado. A suspensão vale até que a Justiça decida o conflito de competência e estabeleça se o caso vai para a esfera federal ou se fica na esfera estadual.

Concluído em fevereiro, o inquérito indiciou e pediu a prisão preventiva de seis funcionários da Samarco, entre eles o presidente licenciado Ricardo Vescovi, além de um engenheiro da VogBR, empresa que prestava serviços à mineradora.

No mês passado, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) pediram que o inquérito fosse enviado à Justiça Federal. A solicitação tinha como objetivo reunir, na mesma jurisdição, todo o julgamento relacionado ao rompimento da barragem. Segundo o MPMG e o MPF, a medida ajudaria a evitar decisões contraditórias, já que a Justiça Federal vinha analisando os delitos ambientais ocorridos na Bacia do Rio Doce.

No entanto, a juíza Marcela Decat de Moura negou o pedido e manteve a tramitação do inquérito na Justiça Estadual, na comarca da Mariana. Em seu despacho, ela argumentou que a sociedade do município mineiro precisa exercer a garantia constitucional de julgar, no local dos fatos, os indivíduos que supostamente praticaram os crimes dolosos contra a vida.

O MPF decidiu então acionar o STJ. No último dia 11, o ministro Nefi Cordeiro informou à juíza Marcela Decat de Moura sua decisão de suspender temporariamente o inquérito.

A barragem da mineradora Samarco se rompeu na tarde do dia 5 de novembro, no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana. A tragédia deixou 19 mortos e inundou a região com lama, causando destruição de vegetação nativa e poluindo as águas da Bacia do Rio Doce.

Prorrogação

Um segundo inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais, com foco nos crimes ambientais decorridos do rompimento de barragem, pode ter o prazo ampliado. O relatório final das investigações deveria ter sido concluído até ontem (22). No entanto, os delegados encarregados do caso solicitaram à Justiça a prorrogação do prazo. A juíza Marcela Decat de Moura será encarregada de avaliar o pedido.

FONTE: http://tragedianunciada.mabnacional.org.br/2016/03/23/liminar-suspende-temporariamente-inquerito-sobre-tragedia-em-mariana/

Vice News faz nova matéria sobre o TsuLama

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​Quem poderá salvar o Rio Doce? Para o governo, é a própria Samarco

Por Débora Lopes

Da coluna ‘Desastre em Mariana’

No início do mês, o governo federal e os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo assinaram um acordo extrajudicial com as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton para mitigar os prejuízos causados à Bacia do Rio Doce, catastroficamente afetada pelo rompimento da barragem de rejeitos em novembro do ano passado. O investimento será de mais de R$ 4 bilhões. Porém, especialistas no assunto contestam a “carta branca” oferecida à Samarco, que contratou a Golden Associates, uma consultoria internacional, para mapear os impactos ambientais e traçar o plano de ações de recuperação.

A desconfiança parte também do Ministério Público Federal (MPF), que, em nota oficial, questionou a decisão por entender que ela “prioriza a proteção do patrimônio das empresas em detrimento da proteção das populações afetadas e do meio ambiente”.

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Margem do Rio Doce após o rompimento da barragem em Bento Rodrigues. Foto: Felipe Larozza/ VICE

Em seu site oficial, a Samarco detalha que o acordo definiu a criação de uma Fundação que será composta por “Conselho de Curadores, Diretoria Executiva, Conselho Consultivo e Conselho Fiscal; além de especialistas técnicos e auditorias independentes”.

Para o engenheiro industrial e ativista dos direitos dos animais Alexandre G. Valente, “a Golden Associates vai apresentar o relatório que ficar conveniente pra mineradora”. Ele também acredita que o acordo firmado é desprovido de cláusulas específicas. “Ele não preconiza nada do que será feito no rio”, relata.

Quatro meses depois do episódio, o leito do Rio Doce continua a ser contaminado com rejeitos da barragem, já que o vazamento até hoje não foi contido. “Isso significa que estamos com um problema ainda em curso”, alerta Carlos Rezende, professor titular e chefe do laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).

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Moradores de Governador Valadares (MG) rezando durante distribuição voluntária de água. Foto: Felipe Larozza/ VICE

Para ele, o mapeamento dos impactos ambientais na região deveria ficar a cargo de um comitê de bacia, como o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. “Um órgão colegiado com representações de diferentes usuários e [que] tem como pressuposto organizar o uso múltiplo das águas de um determinado recurso hídrico.”

De acordo com o especialista, será necessário muito empenho por parte da Samarco para trazer o Rio Doce e toda a região de volta à vida. “Os peixes foram temporariamente dizimados, assim como uma fauna pouco conhecida”, detalha. “Então, essa ausência de informação prejudica terrivelmente qualquer estimativa.”

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Morador de Resplendor (MG), lamenta a vista para um Rio Doce enlameado. Foto: Felipe Larozza/ VICE

Se o debate popular acerca do acontecido em Marina se dissipou ou caiu no esquecimento, o coordenador de campanhas do Greenpeace, Nilo D’Avila, tem uma teoria. “A lama da Lava Jato sombreou a lama de Mariana“, pontua. Para ele, o Brasil vive um momento político conturbado. “As questões ambientais estão longe de ocupar a opinião pública.”

Há também o lado social do ocorrido. Sob o ponto de vista do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a decisão “representa a rendição ao criminoso”. Em nota oficial, o movimento denuncia que o acordo foi “realizado em gabinetes e sem participação nenhuma das vítimas que foram atingidas”.

FONTE: http://www.vice.com/pt_br/read/rio-doce-samarco

Concentração de ferro no mar de Regência aumentou 20 vezes, aponta pesquisa da Ufes

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Quase 60% das espécies de fitoplâncton desapareceram do mar de Regência, Norte do Espírito Santo, após a chegada da lama de rejeitos de minério da Samarco, de acordo pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A análise do mar, realizada no final do ano passado, identificou a presença de ferro, manganês, cromo e alumínio na água.

O estudo apontou que a concentração de ferro no mar aumento 20 vezes. Com isso, a diversidade marítima da região está diminuindo. Antes da chegada da lama, cerca de 60 espécies de fitoplâncton eram encontradas nas região, recentemente, esse número não passa de 25.
Todas essas informações serão apresentadas ao Ibama, na manhã desta terça-feira (15), durante um workshop. No evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também vão apresentar o resultado da análise de contaminação de peixes e crustáceos da região.

Fase crônica

De acordo com o coordenador de Estudos do Meio Marinho para o Impacto da Lama do Rio Doce e professor da Ufes, Alex Bastos, durante a chegada da lama de rejeitos, o mar de Regência estava na fase aguda da contaminação, agora, o mar passa pela fase crônica, quando o nível de metais pesados diminuiu, mas tende a permanecer assim por um longo período.

“O que observamos preliminarmente é que o momento agudo do impacto passou, os teores de metais diminuíram e a produção de clorofila voltou a uma condição não tão absurda como estava antes. Entendemos que essa é a fase do impacto crônico, que seria um novo estabelecimento no sistema marinho na região do Rio Doce, no mar de Regência”, contou à Rádio CBN Vitória.

Recuperação

O coordenador da pesquisa explica que ainda é cedo para saber quando o mar de Regência será totalmente recuperado. Bastos destacou que os estudos precisam continuar por, no mínimo, um ano para que seja feito um raio x do ecossistema.

“Temos que ter certeza, passado um ano, por exemplo, onde teremos variações de temperatura, chuva, hidrologia do rio, tirando todas essas variáveis do sistema, como o ecossistema se comportou a partir de uma nova realidade em termos de metais, nutrientes, características da lama e maior aporte de sedimento”, explicou. Durante o workshop será definido quais serão os próximos passos da pesquisa.

Fonte: CBN Vitória (93,5 FM)

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/03/noticias/cidades/3933623-concentracao-de-ferro-no-mar-de-regencia-aumentou-20-vezes-aponta-pesquisa-da-ufes.html