Especialista afirma que virus ficará mais perigoso se o SARS-CoV-2 se fundir com outro coronavírus

virusMembros de uma equipe da Sinovac Biotech, uma empresa biofarmacêutica chinesa, realizam uma nova inoculação simulada de coronavírus em uma zona de biossegurança de alto nível de uma oficina de solução de estoque a ser colocada em produção de vacinas inativadas COVID-19 em Pequim, capital da China, 15 de julho 2020. A Administração Nacional de Produtos Médicos da China concedeu na sexta-feira a aprovação condicional de mercado para CoronaVac, uma vacina COVID-19 inativada desenvolvida pela Sinovac Biotech, disse a empresa no sábado. (Xinhua / Zhang Yuwei)

Por Leng Shumei e Liu Caiyu para o Global Times

 Uma cepa recombinante do novo coronavírus provavelmente foi detectada nos EUA, o que levou especialistas chineses a alertar na quinta-feira que um vírus mais perigoso poderia surgir se o SARS-CoV-2 se recombinar com outro coronavírus.

Bette Korber, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, disse no início deste mês que descobriu evidências da nova cepa, que foi uma recombinação das variantes detectadas no Reino Unido e na Califórnia, e que pode ser responsável por uma recente onda de casos em Los Angeles, de acordo com um relatório publicado na revista New Scientist de Londres na terça-feira.

A recombinação pode ser vista como uma variação maior do que as mutações descobertas anteriormente. Mas, enquanto ainda estiver limitado nas cepas SARS-CoV-2, não afetará amplamente a antigenicidade do vírus, disse um especialista em vacinas de Pequim ao Global Times na quinta-feira, sob condição de anonimato. 

No entanto, o especialista alertou que a situação seria pior se ocorrer uma recombinação entre o SARS-CoV-2 e outro coronavírus – por exemplo, o vírus SARS. 

A recombinação pode levar ao surgimento de variantes novas e ainda mais perigosas, embora não esteja claro o quanto de ameaça esta primeira recombinação pode representar, disse o relatório da revista New Scientist. 

Se confirmada, a recombinação seria a primeira a ser detectada nesta pandemia, enquanto as mutações contínuas e rápidas do SARS-CoV-2 trouxeram preocupações suficientes para o mundo sobre a doença mortal, já que algumas vacinas foram relatadas como menos potentes contra certas variantes.

“É certamente impossível para os humanos evitar a mutação do vírus. Diante das mudanças, temos que desenvolver vacinas multivalentes ou vacinas sazonais e aceitar inoculações para obter imunidade, assim como o que fazemos contra a gripe”, Jiang Chunlai, professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin, disse ao Global Times na quinta-feira. 

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, parceiro brasileiro da produtora chinesa de vacinas Sinovac Biotech, disse à mídia nesta quarta-feira que receberam bons resultados sobre a eficácia da vacina Sinovac contra as variantes detectadas no Reino Unido e na África do Sul, enquanto a BioNTech / As vacinas Pfizer e Oxford / AstraZeneca relataram desempenho insatisfatório em algumas cepas.

As vacinas inativadas da China contêm mais epítopos antigênicos do que a vacina de mRNA da BioNTech / Pfizer e a vacina de vetor adenoviral recombinante Oxford / AstraZeneca, portanto, podem lidar com mais mutações, explicou o especialista acima mencionado.

Covas, do Instituto Butantan, não deu dados específicos sobre a eficácia, mas disse que o instituto também está testando a vacina contra a variante detectada no Brasil, e acredita que resultados positivos sairão em breve, informou a Reuters. 

No mesmo dia, um relatório divulgado na quarta-feira no The New England Journal of Medicine disse que os pesquisadores descobriram que a vacina BioNTech/Pfizer é menos potente contra a variante do coronavírus detectada na África do Sul e produz apenas um terço dos anticorpos que produziu para o vírus original.

No início deste mês, as autoridades de saúde sul-africanas anunciaram uma suspensão no lançamento da vacina contra o coronavírus Oxford/AstraZeneca no país depois que um estudo mostrou que ela oferecia proteção reduzida contra a variante COVID-19 que lá foi identificada pela primeira vez.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “Global Times” [Aqui!].

Universidade brasileira confirma presença do novo coronavírus em cães pela primeira vez no Brasil

Animais tiveram sintomas leves de COVID-19 e passam bem; tutores também tiveram diagnóstico confirmado.

DOG

Por *Assessoria de Imprensa e Jornalismo da UFPR

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) confirmou a presença de SARS-CoV-2 em dois cães de Curitiba, cidade no Sul do Brasil, na última semana, sendo um da raça buldogue francês e um sem raça definida. Estes são os primeiros casos identificados no Brasil, junto ao estudo multicêntrico coordenado pela UFPR, que irá examinar amostras de cães e gatos em seis capitais. No último mês, a equipe já havia contribuído com a identificação da presença do vírus em uma gata de Cuiabá, no Centro-Oeste, detectada pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). 

O primeiro caso foi de um macho, adulto, raça Bulldog Francês, cujo tutor, de Curitiba, testou positivo para SARS-CoV-2 no RT-PCR na última semana, sem saber onde se infectou. Ele contou à equipe de pesquisa que percebeu uma discreta secreção nasal no cão, que dorme na mesma cama que ele. Num segundo teste, o tutor negativou, mas o cão estava positivo, já com uma quantidade pequena de vírus no organismo. No segundo teste realizado com o buldogue no dia seguinte, o animal também negativou.

O segundo caso foi de um cão macho, adulto, sem raça definida, cuja tutora também testou positivo para SARS-CoV-2. Segundo seu relato à equipe de pesquisa, seus quatro cães, que dormem na cama com ela, tiveram discretos episódios de espirros. Todos os moradores humanos da casa testaram positivo e, dentre os quatro cães, apenas um confirmou a presença do vírus.

De acordo com o professor Alexander Biondo, da UFPR e coordenador do estudo nacional, os dados serão registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Todas as amostras estão sendo enviadas para confirmação no TECSA Laboratório Animal, para que sejam testadas em outro laboratório de referência. Apesar dos primeiros resultados positivos, não existe nenhum caso confirmado de cães e gatos transmissores do vírus ou com registro da doença COVID-19.

Segundo Biondo, os animais podem se infectar pelo vírus SARS-CoV-2, inclusive cães e gatos, mas isso não se equivale a dizer que eles têm a doença ou são transmissores. Estudos já publicados indicam que gatos podem se infectar e transmitir para outros gatos, mas não há dados para cães. O professor ainda reforça que o contato mais íntimo entre humanos e pets pode infectar os bichinhos, sendo indicado o distanciamento e o uso de máscara em caso de confirmação para tutores que testarem positivo.

Gata foi o primeiro pet confirmado no país

Uma gata foi o primeiro pet com SARS-CoV-2 identificado no Brasil, confirmado na UFPR, no Laboratório do Departamento de Genética, com coordenação institucional do professor Emanuel Maltempi. No teste de RT-qPCR , a presença do RNA viral foi verificada no animal de Cuiabá. Agora, os cientistas trabalham no sequenciamento do genoma do vírus encontrado na felina e no seu tutor. No sequenciamento, será possível determinar a ordem exata dos nucleotídios do RNA genômico do vírus. ” Vai servir para confirmar que é o SARS CoV-2, pois a RT-qPCR identifica só um pedaço do genoma, mas também qual a estirpe ou cepa. Poderemos saber de onde veio”, explica Maltempi.

De acordo com Maltempi, uma hipótese é que só uma estirpe de vírus possa infectar animais. O sequenciamento poderá contribuir com respostas às perguntas que já vêm sendo traçadas nas pesquisas de Biondo, que, com um grupo de outros cientistas, publicou recentemente uma revisão sobre o panorama acerca da contaminação animal por SARS-CoV-2 no mundo.

O projeto

O projeto em andamento coordenado pela UFPR será realizado em Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Recife (PE), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). Serão dois momentos de avaliação, com amostras biológicas coletadas com intervalo médio de sete dias, entre animais cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico laboratorial confirmado por RT-qPCR ou resposta imunológica apenas por IgM.

Em Curitiba, uma equipe de pesquisadores fará a coleta em domicílio. Caso necessário, o trabalho também poderá ser feito no Hospital Veterinário. “Se possível, também coletaremos sangue para realizar a sorologia”, explica Biondo, reforçando que “o estudo pode dar resposta definitiva sobre a susceptibilidade e o papel de cães e gatos como reservatórios do vírus”.

Os resultados dos testes serão o mais brevemente possível informados aos tutores ou familiares através de contato telefônico e pela emissão de laudo eletrônico, que será enviado por e-mail ou aplicativo de comunicação. Em caso positivo, de acordo com ele, os demais animais da residência também serão testados em pool por espécie. Além disso, os familiares serão orientados a estabelecer o acompanhamento veterinário por 14 dias, intensificando medidas de higiene e proteção individual e coletiva.

A pesquisa pretende contribuir para a tomada de decisão pelo poder público quanto a medidas de prevenção e controle de COVID-19 em animais de estimação. “Espera-se estabelecer propostas de ações intersetoriais entre as instituições de pesquisa e as secretarias municipais de saúde, para que essas, por meio de ações integradas entre a Vigilância Ambiental e a Atenção Primária à Saúde, possam estabelecer fluxogramas internos de atenção à saúde animal e proteção à saúde humana”.

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*Assessoria de Imprensa e Jornalismo,  Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom), Universidade Federal do Paraná (UFPR), +55 41 3360-5251/5008/5007/5158. Para envio de demandas ao jornalismo da Sucom/UFPR, favor copiar o e-mail jornalismo.sucom@ufpr.br