Fundação Heinrich Böll lança edição atualizada do “Atlas dos Agrotóxicos”

Atlas dos Agrotóxicos: Fatos e dados do uso dessas substâncias na agricultura

atlas 2024

Por Fundação Heinrich Böll 

Nas frutas, nos vegetais, no leite materno, no ar e até mesmo nos solos de territórios protegidos – vestígios de agrotóxicos usados na agricultura podem ser encontrados em toda parte. Os agrotóxicos deterioram a saúde humana, a biodiversidade, a água e o solo, mas isso não é, de jeito algum, novidade. Em 1962, por exemplo, tivemos a publicação do livro mundialmente aclamado Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, que descreveu os efeitos nocivos do uso desses produtos. O trabalho foi inovador para o movimento ambiental e levou à proibição de agrotóxicos altamente tóxicos, como o DDT (diclorodifeniltricloroetano).

Porém, sessenta anos após o lançamento do livro de Carson, os agrotóxicos estão sendo usados no mundo inteiro em quantidades cada vez maiores, mesmo com regulamentações de aprovação mais rígidas – e acordos voluntários e obrigatórios sobre o manuseio desses produtos. O cultivo de plantas geneticamente modificadas como a soja, criadas pelas mesmas corporações que estão produzindo agrotóxicos, tem contribuído para o aumento do uso de herbicidas, principalmente em países ricos em biodiversidade. O mercado global de agrotóxicos é altamente lucrativo. Algumas empresas agroquímicas influentes estão expandindo seu controle sobre o mercado e prosperando com lucros cada vez maiores. Na vanguarda: empresas europeias como Bayer e BASF. A União Europeia (UE) é o maior mercado de exportação de agrotóxicos do mundo, e vem investindo cada vez mais em países do Sul Global. As empresas da região exportam agrotóxicos que são proibidos em seus próprios territórios, devido aos seus efeitos nocivos na saúde humana e no meio ambiente.

O Brasil é um dos países mais importantes para esse mercado, ocupando o pódio dos maiores consumidores e importadores de agrotóxicos. O país permite limites de resíduos em água e alimentos muito superiores aos da UE. Isto possibilita o registro cada vez maior de novos agrotóxicos, com recordes sendo batidos a cada ano, além do crescimento da importância das commodities na economia brasileira, a partir da ampliação da área plantada e da produção de culturas mais dependentes desses produtos. Este processo gera uma série de problemas nacionais relativos ao uso de agrotóxicos, que por sua vez são sui generis, como o crescimento dos registros de conflitos no campo envolvendo a contaminação de comunidades da agricultura familiar ou de povos tradicionais.

Em contrapartida ao consumo cada vez maior desses produtos, multiplicam-se também os movimentos sociais e organizações da sociedade civil que pesquisam e denunciam os impactos dos agrotóxicos, para combater o seu avanço e apresentar alternativas a este modelo, como a agroecologia. Pesquisas recentes indicam um aumento no consumo de alimentos orgânicos entre brasileiros durante os últimos anos, o que mostra que as pessoas estão cada vez mais conscientes em relação à importância do acesso aos alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos. O debate sobre os riscos do consumo de agrotóxicos não cresce apenas em solo brasileiro. O tema tem visibilidade mundial, a partir do avanço de graves A União Europeia é o maior mercado de exportação de agrotóxicos do mundo, e vem investindo cada vez mais em países do Sul Global.”

“Diante do papel central do Brasil no debate sobre os impactos dos agrotóxicos, o escritório da Fundação Heinrich Böll considerou fundamental produzir uma edição brasileira do Atlas dos Agrotóxicos. impactos. A morte massiva de abelhas causada por agrotóxicos à base de fipronil em diferentes partes do planeta e a contaminação de escolas por produtos aplicados via pulverização aérea são dois exemplos que ilustram os riscos do uso dessas substâncias. Assim, diante do papel central do Brasil no debate sobre os impactos dos agrotóxicos, o escritório da Fundação Heinrich Böll considerou fundamental produzir uma edição brasileira do Atlas dos Agrotóxicos, publicado originalmente na Alemanha, em 2022. Este material faz um raio-x sobre a questão dos agrotóxicos no Brasil a partir de um conjunto de artigos traduzidos e outros originais, escritos por autores que são referência na pesquisa do tema no Brasil. Todos os textos apresentam dados e fatos sobre o uso e o impacto dos agrotóxicos na agricultura e na saúde humana.

Desde seu lançamento, o Atlas dos Agrotóxicos já foi adaptado e lançado pelos escritórios das Fundação Heinrich Böll em mais de oito países e cinco línguas. Este movimento contribui com as ações para a costura de acordos internacionais que buscam enfrentar o avanço do uso de agrotóxicos. Na União Europeia, a Estratégia Farm to Fork (do campo ao garfo) foi elaborada para pedir que os Estados-Membros reduzam o uso de agrotóxicos e os riscos associados em 50% até 2030. Em paralelo, organizações internacionais como o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) enfatizam a necessidade da transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

As mudanças climáticas têm se tornado um tema central em qualquer debate sobre políticas e direitos humanos, e a redução de insumos de agrotóxicos na agricultura é um ponto chave dessa discussão. A Fundação Heinrich Böll já publicou uma série de materiais voltados para os impactos sociais e ambientais dos sistemas alimentares, entre elas o Atlas do Agronegócio, o Atlas da Carne e o Atlas dos Insetos. É crucial que alternativas mais sustentáveis sejam ampliadas, trabalhando com a natureza – e não contra ela. Temos que definir o curso agora. A agroecologia e o manejo integrado de pragas (MIP), além da produção de mais pesquisas com biopesticidas, podem ajudar nesse processo.

Para a Fundação Heinrich Böll e muitos parceiros, comer é um ato político. Porque debater as origens dos alimentos e como eles são produzidos é condição fundamental para que todes tenham garantido o direito ao acesso a alimentos saudáveis e de qualidade. Acreditamos que este atlas fornece material que contribui para um debate dinâmico e para uma transformação em nossa forma de produzir e consumir.

Annette von Schönfeld

Diretora do escritório da Fundação Heinrich Böll no Brasil

Marcelo Montenegro

Coordenador de programas e projetos de Justiça Socioambiental

Julia Dolce

Co-Editora do Atlas dos Agrotóxicos


Fonte: Fundação Heinrich Böll

Brasil: importação de agrotóxicos banidos na União Europeia segue em alta

Brasil aparece como o principal importador das substâncias proibidas, segundo dados mais recentes. Especialistas denunciam “colonialismo químico”. “A Europa segue enriquecendo às custas da saúde de países mais pobres”

agrotoxicos aspersaoAtualmente, a proibição das exportações já existe em alguns estados-membros da UE, mas o avanço nacional também é alvo de disputas, como no caso da Alemanha. Foto: Countrypixel/IMAGO

Por Matheus Gouvea de Andrade para a Deutsche Welle 

Mesmo após a Comissão Europeia ter prometido em 2020 banir os envios a outros países de agrotóxicos que são proibidos no bloco, as exportações seguem ocorrendo.

Ambientalistas europeus buscam proibir as exportações a outros países, mas o movimento esbarra em dificuldades diante do quadro político do bloco.

Em 2018, o Brasil apareceu como o principal receptor das substâncias banidas na União Europeia, seguido pela Ucrânia e Marrocos. Lançado em abril deste ano, o estudo Pesticidas da UE proibição de exportação: quais podem ser consequências?, apontou que  36% do volume total de agrotóxicos importados da UE pelo Brasil são consituídos por substâncias proibidas para uso no no bloco europeu, segundo os dados mais atualizados disponíveis. Em casos como Peru e México, o porcentual ultrapassou os 50%.

Por outro lado, para o ano de 2022, a pesquisa mostrou que 8,2% das exportações de agrotóxicos da Alemanha foram de substâncias banidas na União Europeia (UE).

O pesquisador da Corporate Europe João Camargo é um dos coautores do estudo, e afirma que a publicação ocorreu justamente no final do ciclo política em Bruxelas, já que o tema “ficou esquecido” ao final do mandato da última Comissão e do Parlamento Europeu. Em sua visão, “não faz sentido” permitir as exportações de produtos que foram proibidos no bloco justamente pelos perigos que representam à saúde. O grupo apela também pelo fim da produção destes materiais na UE.

Uma investigação conduzida pela ONG Public Eye mostra que um total de 81.615 toneladas de 41 pesticidas proibidos foi exportado pela UE para uso agrícola em 2018. A liderança neste quesito ficou com a Itália, com a Alemanha na segunda colocação. Em seguida, vieram Holanda, França, Espanha e Bélgica.

Márcia Montanari, pesquisadora do Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso (Neast/IST/UFMT), afirma que uma pesquisa recente com amostras de alimentos consumidos com frequência no Brasil mostrou a presença de 40 substancias perigosas, destas, 11 são proibidas na UE.

“A Europa segue produzindo estes agrotóxicos e enriquecendo às custas da saúde da população de países mais pobres”, afirma. Especialistas na área cunharam o termo “colonialismo químico” para descrever este cenário. Atualmente, cerca de 30% dos agrotóxicos usados no Brasil não são permitidos em outros países, aponta Montanari.

No bloco, há temores com o chamado “efeito bumerangue”, já que há consumo de produtos de importantes fontes de alimentos que podem contar com substâncias perigosas. No caso das amostras do Neast, agrotóxicos banidos na UE foram encontrados em commodities típicas do Brasil, como na soja.

Processo de contaminação múltipla

De acordo com Montanari, está em curso um processo de “contaminação múltipla”, no qual tanto a água quanto os alimentos estão fortemente afetados pelas substâncias perigosas. Além disso, outro efeito colateral está nos animais, com destaque para as abelhas, que tanto na Europa quanto no Brasil vem sofrendo processos de contaminações que levam à dizimação de comunidades, o que pode repercutir de diversas maneiras nos processos de polinização.

Entre as muitas substâncias em circulação, está a atrazina, que Montanari diz ser “sempre encontrada nas amostras”. O produto está ligado a disrupções endócrinas e neurológicas, além do adoecimento hepático. Somente em 2019, o Brasil importou 200 toneladas do produto da UE, onde ele é banido desde 2004, por sua “extensiva contaminação da água”.

Outra importação de destaque foi do paraquat, um herbicida que foi proibido no Brasil recentemente, mas que teve sua comercialização permitida até o final dos estoques no país. Em 2018, houve a chegada de 9.000 toneladas do produto – que é banido na UE desde 2007 – com origem do bloco. O paraquat está associado a doenças graves, incluindo Parkinson e fibrose pulmonar.

O Atlas de Agrotóxicos do Escritório Brasil da Fundação Heinrich Böll – instituição ligada ao Partido Verde alemão -, a partir de uma revisão sistemática de análises realizadas e publicadas no Brasil entre 2012 e 2019, mostrou que 77 poluentes diferentes foram encontrados nas amostras de água, incluindo agrotóxicos. Foram detectados 21, entre eles flutriafol, alfa e beta endosulfan, metolacloro e atrazina.

Segundo Montanari, o Brasil costuma ser prejudicado pelas diferentes legislações ainda de outra forma. De acordo com a pesquisadora, quando um produto do país chega à UE com substâncias perigosas medidas acima do permitido no bloco, a tendência é que não haja descarte, mas sim a de que a produção volte ao mercado nacional, onde os parâmetros são mais flexíveis.

Especialistas convergem na visão de que, nos últimos anos, especialmente durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve grande flexibilização sobre a permissão de substâncias potencialmente danosas à saúde. O Legislativo seguiu aprovando novas propostas, como o projeto de Lei que ficou conhecido como “PL do veneno”, sancionado em dezembro de 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Montanari avalia que, nos anos de Bolsonaro, havia uma “mobilização maior, e uma pressão mais forte” contra os agrotóxicos, inclusive do exterior, e que, atualmente, há a impressão de que “tudo foi amenizado”, o que não corresponde às tramitações. “A pasta da Agricultura segue tomada pelas grandes indústrias do setor da mesma maneira”, avalia.

pesticidas
Uma investigação conduzida pela ONG Public Eye mostra que um total de 81.615 toneladas de 41 pesticidas proibidos foi exportado pela UE para uso agrícola em 2018Foto: Ohde/Bildagentur-online/picture alliance

Cenário europeu travado

Camargo espera que o tema da proibição em nível europeu das exportações volte à tona em Bruxelas, mas reconhece que o cenário é complicado. Levando em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu, ele afirma que avançar uma legislação será difícil dentro da configuração dos próximos anos. “Dependerá das alianças que serão construídas. A extrema-direita vem tentando descrever as questões agrícolas como algo cultural”, afirma.

“Houve uma aliança entre a extrema-direita e os agricultores”, aponta Camargo. Segundo o pesquisador, ao final, o cenário atual é contraproducente até mesmo para os produtores europeus, já que cria uma concorrência desleal, uma vez que as contrapartes podem seguir utilizando os agrotóxicos proibidos na UE, que são mais baratos. Para Camargo, “houve muito oportunismo da indústria, que mudou a narrativa, e passou a atacar qualquer proposta de sustentabilidade”.

Atualmente, a proibição das exportações já existe em alguns estados-membros, mas o avanço nacional também é alvo de disputas, como no caso da Alemanha. Segundo Camargo, atuação dos Partido Verde na atual coalizão de governo alemã foi decepcionante, já que, segundo ele, o partido também acabou seguindo o interesse da indústria, o que travou os projetos para banimento dos envios. Em 2022, o país exportou 18.360 toneladas de agrotóxicos proibidos na UE.

Um dos grandes argumentos para não proibir as exportações é o de um eventual efeito nos postos de trabalho. Camargo aponta que o estudo, usando como comparação o banimento em estados membros, mostrou que os efeitos nos rendimentos e nos empregos seriam mínimos. No caso francês, a pesquisa mostra que, na verdade, uma grande parte dos empregadores foi simplesmente realocada para outras funções após o banimento das exportações.


Fonte : Deutsche Welle

Bayer é denunciada na OCDE por violações dos direitos humanos e danos ao meio ambiente

Seis organizações da sociedade civil na Alemanha apresentaram uma denúncia para esclarecer a responsabilidade da Bayer pelos impactos negativos do uso de sementes geneticamente modificadas e de agrotóxicos à base de glifosato

soja paraguay

Foto: Colonia Yvyp, Paraguai

Por CELS

Juntamente com uma coalizão de organizações da sociedade civil do Brasil, Paraguai, Bolívia e Alemanha, apresentamos uma queixa à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) contra a Bayer AG, responsabilizando-a pelos graves impactos ao meio ambiente e aos direitos humanos que causou. gera agricultura industrial na América do Sul. A reclamação foi apresentada durante a assembleia geral da empresa.

A queixa à OCDE documenta quatro casos específicos que mostram os impactos negativos deste modelo agrícola em áreas onde a Bayer AG comercializa amplamente os seus produtos. Como parte da denúncia, o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (Argentina), Terra de Direitos (Brasil), BASE-IS (Paraguai), Fundación TIERRA (Bolívia), Misereor e ECCHR exigem que a Bayer AG faça mudanças sustentáveis ​​em seus negócios práticas a fim de respeitar os direitos das comunidades locais e do meio ambiente.

Com base nas evidências de extensas pesquisas e inúmeras entrevistas com comunidades afetadas, verificamos que a empresa promove na América do Sul um modelo agrícola que causa insegurança alimentar, escassez de água, desmatamento extremo, perda de biodiversidade, graves consequências para a saúde e conflitos por terras com comunidades indígenas e camponesas.

“A empresa não respondeu adequadamente aos graves riscos aos direitos humanos e ao meio ambiente diretamente relacionados ao seu modelo de negócios na região. Nem foram monitorizados os impactos da utilização de sementes geneticamente modificadas e pesticidas, nem foram tomadas medidas adequadas para os prevenir e mitigar”, afirma Sarah Schneider, especialista global em agricultura e nutrição da Misereor. 

Em média, mais de 50% das terras aráveis ​​nestes países são atribuídas à soja geneticamente modificada. A Bayer afirma ser líder latino-americana na comercialização de soja resistente ao glifosato e aos pesticidas à base desta substância.

Sobre a denúncia, Abel Areco, Diretor da BASE-IS, afirma:  Mostramos que, devido ao avanço do cultivo da soja, em nossa região as pessoas sofrem com intoxicações e doenças graves; existem fontes locais de água tão contaminadas que não podem mais ser consumidas; comunidades indígenas e camponesas são desapropriadas de seus territórios, afetando seus modos de vida e alimentação; “Milhares de hectares de floresta desaparecem, ameaçando animais e plantas locais”.  

“As Diretrizes da OCDE são claras ao estabelecer deveres de devida diligência para a cadeia de valor a jusante, especialmente nos casos em que pode ser prevista a utilização indevida de um produto. Embora a lei alemã sobre cadeia de abastecimento na sua versão atual não inclua esta parte da cadeia de valor, a Bayer deve cumprir as Diretrizes da OCDE. Pedimos que, para a soja transgênica e os pesticidas à base de glifosato, a Bayer desenvolva políticas de due diligence baseadas no risco e que considerem o contexto da América Latina para contribuir para uma solução de longo prazo”, afirma Silvia Rojas Castro, Assessora Jurídica do ECCHR.

A OCDE tem agora três meses para decidir sobre a admissibilidade da denúncia e assim apoiar a mediação entre as partes afetadas e a empresa. As organizações esperam que a Bayer responda à denúncia e participe ativamente na resolução dos problemas.

Quatro países, quatro casos

Argentina: Impacto na saúde na área de soja Pergamino

Sabrina e sua família moravam no bairro Villa Alicia, em Pergamino, na divisa com os campos de soja. Em 2011 começaram a ter graves problemas de saúde, como alergias e problemas respiratórios, em consequência das fumigações. A partir dos resultados das análises descobriu-se que tanto ela como os seus filhos têm elevadas percentagens de glifosato e ampa (que é o metabolito do glifosato) na urina. Por prescrição médica eles tiveram que se mudar.

O caso de Sabrina é processado. Em setembro de 2019, foi ordenada uma medida cautelar que estabelecia a proibição da pulverização a menos de 1.095 metros de qualquer área urbana de Pergamino e a uma distância de 3.000 metros no caso de fumigação aérea. Nesse mesmo ano, três produtores rurais foram processados ​​por considerá-los “prima facie” coautores criminalmente responsáveis ​​pelo crime de “poluir o meio ambiente em geral, de forma perigosa à saúde, através da utilização de resíduos classificados como perigosos (agrotóxicos)”. e dois servidores municipais, dependentes da Secretaria de Produção e da Secretaria-Geral, pelo crime de descumprimento de deveres de funcionário público de forma continuada.

No decorrer da investigação, foram ordenadas batidas nos campos onde foram realizadas as fumigações e foram encontrados produtos – agroquímicos para fumigação – da marca comercial pertencente à Monsanto SA, hoje Bayer.

Paraguai: Agronegócio avança em terras camponesas

A Colônia Yeruti Ñu (“Colônia Yeruti”), localizada ao leste do Paraguai, no distrito de Curuguaty, a cerca de 212 km da capital do país, Assunção, é um assentamento rural criado pelo Instituto de Assistência Rural (IBR) com área total de 2.212 hectares, divididos em 223 lotes agrícolas cedidos aos beneficiários da reforma agrária, principalmente pequenos produtores camponeses, para produção de itens de autoconsumo e assentamento.

Atualmente, os cultivos mecanizados aumentaram exponencialmente em seu entorno e avançaram 60% sobre a área da colônia, às custas das famílias camponesas que vivem no local, que estão condenadas a viver em poucos hectares de terras e cercadas por grandes áreas de produção de soja, onde são realizadas constantes fumigações com agrotóxicos. Em 2011, diversas pessoas foram hospitalizadas com sinais de intoxicação por agrotóxicos. Uma das pessoas morreu e o caso foi denunciado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que emitiu parecer favorável às vítimas do caso.

Colonia Yvype está localizada na região nordeste do Paraguai, no distrito de Lima, departamento de San Pedro, a cerca de 245 km da capital, Assunção. Esta colônia agrícola foi fundada pelo IBR. Oficialmente, a colônia abrange uma área total de 3.889 hectares, divididos em 190 lotes agrícolas de 20 hectares cada. Esses lotes foram inicialmente cedidos a agricultores camponeses no âmbito da reforma agrária, com o objetivo de desenvolver a Agricultura Familiar Camponesa. Atualmente a colônia é cercada e penetrada pela monocultura da soja impulsionada por grandes e médios produtores que se dedicam ao agronegócio, expulsando à força os moradores do local e as famílias camponesas que resistem ao avanço das lavouras mecanizadas, são despejadas e criminalizadas.

Em ambas as comunidades rurais individualizadas, as escolas foram fechadas pelo Ministério da Educação e Ciência, por falta de alunos, situação dada pela expulsão das famílias camponesas para dar lugar aos setores mercantis. O encerramento destes centros educativos gera enormes dificuldades às famílias que têm filhos em idade escolar e ainda residem nos bairros.

Brasil: Poluição do povo indígena Avá-Guarani

No Brasil, a Bayer lidera o mercado de sementes geneticamente modificadas e pesticidas. Num cenário em que 95% da soja cultivada no Brasil é geneticamente modificada, as sementes Intacta foram utilizadas em 80% das plantações. Juntas, a Bayer-Monsanto representa 9 das 18 variedades de sementes geneticamente modificadas autorizadas para cultivo comercial, segundo Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio (2022). De 2010 a 2021, o uso de agrotóxicos no Brasil dobrou. São vendidos pelo menos 50 pesticidas proibidos na União Europeia. O glifosato é o ingrediente ativo mais vendido. Só em 2022, foram comercializadas 230.519 toneladas de glifosato no país e 31.270 toneladas no Paraná.

O Paraná é o segundo estado produtor de soja do Brasil. Nos municípios de Guaíra e Terra Roxa o uso de agrotóxicos é predominante: 509 dos 661 estabelecimentos agropecuários de Guaíra e 921 dos 1.209 estabelecimentos agropecuários de Terra Roxa relataram uso de agrotóxicos. Nestes dois municípios, onde predominam o plantio de soja e milho, estão localizadas três aldeias indígenas, aldeias Avá-Guaraní. A relação entre indígenas e agricultores é tensa.

O uso intensivo de agrotóxicos contaminou rios, alimentos, animais e povos indígenas. Os pesticidas são até usados ​​como arma química para confinar os povos indígenas a uma faixa de terra cada vez menor. Dependentes de rios e nascentes para acesso à água, as aldeias relatam doenças frequentes como vômitos, dores de cabeça, abortos espontâneos, dificuldade para respirar, entre outras, principalmente entre idosos e crianças. Relatam também o desaparecimento de espécies silvestres de pássaros, abelhas, borboletas, animais de caça e diminuição do número de peixes nos rios e perda da capacidade de produção de alimentos devido às águas e rios contaminados, gerando impactos na soberania alimentar dessas pessoas. Existem áreas fumigadas com agrotóxicos próximas às casas ou estradas indígenas. Em testes laboratoriais, foi verificada a presença do glifosato e de seu principal metabólito, o ácido aminometilfosfônico (AMPA), em mananciais das aldeias (Y’Hovy, Pohã Renda e Ocoy).

Bolívia: A Bayer/Monsanto é responsável pelo desmatamento para o cultivo de soja geneticamente modificada

Na Bolívia, o cultivo de soja geneticamente modificada ocupa 50% das terras cultivadas de Santa Cruz, departamento que concentra 7 em cada 10 hectares de terras agrícolas do país. Na última década (2011-2022), cerca de 436 mil hectares de floresta foram desmatados diretamente para o cultivo de soja, o que mostra que o modelo se sustenta graças à incorporação permanente de novas terras em detrimento das florestas tropicais e primárias.

Nessa transformação, a Bayer/Monsanto participou de forma decisiva não só na expansão territorial do modelo soja, mas também na abertura legal do uso da semente de soja RR1. Desde o final da década de 1990, a Monsanto exerceu pressão sobre o governo central para aprovar uma medida definitiva em 2005 (Decreto Supremo nº 28.225) em favor desta empresa agroquímica. Hoje, a Bayer/Monsanto continua sendo o maior importador e comerciante do herbicida Roundup Ready. Durante 2011-2022, forneceu em média 17% do glifosato (25 milhões de quilogramas), sendo parte utilizada em áreas de desmatamento recente. 


Fonte: CELS

Após protestos, Serviço Geológico dos EUA desiste de plano para limitar base de dados sobre agrotóxicos

O US Geological Survey continuará relatando o uso agrícola de cerca de 400 compostos

usgs pesticidesAviões pulverizam agrotóxicos  um campo agrícola em Iowa. CHARLES OMMANNEY/ THE WASHINGTON POST VIA GETTY IMAGES 

Por Virginia Gewin para a Science

Após protestos de centenas de cientistas , o Serviço Geológico dos EUA (USGS) está a abandonar os planos de reduzir os relatórios para uma base de dados amplamente utilizada que rastreia a utilização de aproximadamente 400 produtos químicos agrícolas nos Estados Unidos.

Os investigadores acolhem com satisfação a decisão da agência, anunciada esta semana, de reverter as medidas para reduzir o número de produtos químicos rastreados pela base de dados e de divulgar atualizações com menos frequência. “Provavelmente não foi fácil reverter uma decisão como esta, mas eles fizeram-no a seu favor”, diz Nathan Donley, cientista sênior do Centro para a Diversidade Biológica, uma organização sem fins lucrativos. Ele espera que a medida “chame a atenção de mais pesquisadores de que temos este incrível recurso científico ao nosso alcance”.

A controvérsia estava enraizada na decisão do USGS de reduzir o escopo da edição de 2019 de seus dados de estimativas e mapas de uso de agrotóxicos, que desde 1992 forneciam dados em nível de condado sobre o uso de produtos químicos para controlar fungos, ervas daninhas, insetos e outras pragas. A agência primeiro reduziu o número de produtos químicos rastreados para 72, depois disse que cessaria a divulgação anual de dados preliminares sobre o uso de pesticidas e, em vez disso, divulgaria os dados finais a cada 5 anos.

Em resposta, cerca de 250 cientistas e 120 organizações assinaram cartas apelando à agência para restaurar os relatórios completos, que foram citados em mais de 500 estudos revistos por pares. Em setembro de 2023, nove membros do Senado e da Câmara dos Deputados aderiram à campanha, enviando uma carta ao USGS expressando preocupação com os cortes.

Em 27 de fevereiro, o USGS inverteu discretamente o curso. Uma nota no site da agência afirma que ela retomará a publicação anual de dados preliminares para 400 compostos – e que os dados de 2018–22 serão publicados em 2025. A notícia foi relatada pela primeira vez por Undark .

Num comunicado, o USGS afirmou que, em meio aos custos crescentes de gestão e publicação dos dados, a agência simplificou os procedimentos e “determinou que será fiscalmente responsável pelo USGS reinstituir o desenvolvimento anual desta informação”. 

“É uma vitória para todos nós”, diz Alan Kolok, ecotoxicologista da Universidade de Idaho. Ele diz que os seus esforços para estudar os impactos da exposição aos  agrotóxicos na saúde teriam sido severamente afecados pelas alterações na base de dados.

Alguns pesquisadores ainda estão preocupados com um corte anterior no banco de dados que o USGS não conseguiu restaurar. Em 2015, a agência deixou de monitorar os agrotóxicos aplicados em sementes antes de estas serem plantadas – uma prática cada vez mais comum. Maggie Douglas, entomologista do Dickinson College, diz esperar que o USGS tome medidas para preencher essa “lacuna crucial”, restabelecendo a coleta de dados para esses compostos.


color compass

Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela revista “Science” [Aqui!].

Estudo expõe preocupações dos consumidores europeus sobre o impacto de alimentos ultraprocessados ​​na saúde

Num estudo pan-europeu, o Observatório do Consumidor Alimentar do EIT constatou uma crescente apreensão entre os consumidores relativamente às implicações para a saúde dos alimentos ultraprocessados

Elderly couple of spouses buy ready-made meals for picnic with friends in culinary department. Model

Apesar de a maioria dos consumidores europeus expressar preocupações sobre o impacto dos alimentos ultraprocessados ​​na saúde, a falta de sensibilização, compreensão e meios dificulta escolhas informadas e saudáveis, de acordo com o estudo apoiado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT)

Por Editor da fleischwirtschaft.com

O estudo revela uma lacuna significativa entre as preocupações dos consumidores europeus sobre os alimentos ultraprocessados ​​e a sua capacidade de fazer escolhas informadas. O estudo, que abrange um inquérito a 10.000 consumidores de 17 países europeus, juntamente com um acompanhamento qualitativo, lança luz sobre os desafios que os indivíduos enfrentam ao navegar pelas complexidades dos alimentos processados.

De acordo com as conclusões, 65% dos consumidores europeus acreditam que os alimentos ultraprocessados ​​representam riscos para a saúde, contribuindo inclusive para a obesidade, a diabetes e outros problemas relacionados com o estilo de vida. No entanto, apesar desta consciência, 56% dos consumidores admitem ainda escolher alimentos processados, indicando um paradoxo no comportamento do consumidor.

Uma das principais razões por trás desta contradição é a falta de compreensão dos níveis de processamento de alimentos. O estudo expõe que os consumidores muitas vezes subestimam ou superestimam o quanto seus alimentos são processados. Por exemplo, enquanto 61% identificam corretamente as bebidas energéticas como ultraprocessadas, apenas 34% e 22%, respetivamente, rotulam corretamente o queijo vegan e as barras de chocolate como tal.

Curiosamente, as alternativas à base de plantas enfrentam um escrutínio adicional, com 54% dos consumidores a evitá-las devido a preocupações com o ultraprocessamento. Isto é particularmente prevalente entre os consumidores de carne e laticínios, levantando questões sobre o impacto das preocupações com a saúde na adoção de dietas baseadas em vegetais.

Em resposta às conclusões, Klaus Grunert, professor da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e diretor do Observatório do Consumidor Alimentar do EIT, sublinha a necessidade de uma rotulagem, orientação e educação mais claras e apela a esforços contínuos para compreender e chegar a acordo sobre a forma como os alimentos são classificados, avaliados. e rotulado “para que nossos conselhos aos consumidores sejam informados pela ciência mais recente”.

O aspecto qualitativo do estudo sugere que conveniência, preço e sabor continuam sendo os principais impulsionadores do consumo de alimentos ultraprocessados. Apesar das preocupações, a maioria dos consumidores está relutante em reduzir a sua ingestão, na esperança de equilibrar os alimentos processados ​​com alternativas menos processadas e caseiras. No entanto, os consumidores com menos recursos em termos de tempo e dinheiro têm menos poder nas suas escolhas alimentares e é pouco provável que dêem prioridade ao valor nutricional em detrimento da conveniência.

Sofia Kuhn, Diretora de Engajamento Público da EIT Food, reconhece o papel que os alimentos processados ​​desempenham na dieta das pessoas: “Seja um molho de macarrão pré-embalado para uma refeição rápida em casa ou uma refeição fast-food fora com a família, ultra- os alimentos processados ​​fazem parte do dia-a-dia das dietas dos consumidores em toda a Europa. No entanto, é evidente a partir destas descobertas que as pessoas têm preocupações reais sobre os aspectos de saúde e sustentabilidade destes alimentos.” Kuhn também destaca a responsabilidade do sector em criar um ambiente que promova decisões informadas.

O relatório conclui com recomendações para o setor alimentar melhorar a rotulagem, a educação e a orientação sobre alimentos ultraprocessados. Apela às instituições de saúde e aos cientistas para que definam os alimentos ultraprocessados ​​de forma conclusiva e comuniquem eficazmente com os consumidores sobre o processamento dos alimentos e as possíveis implicações para a saúde.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Fleischwirtschaft.com [Aqui!].

Novo estudo encontra agrotóxico pouco conhecido, o Clormequato, em cada quatro de cinco pessoas testadas

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Campo de aveia onde o clormequato é comumente aplicado.  Fonte: Unsplah/CCO. Public Domain

Por Environmental Working Group 

Um novo estudo do  Enviromental Working Group (EWG) encontrou clormequato (um regulador de crescimento vegetal), um agrotóxico pouco conhecido, em quatro em cada cinco pessoas testadas. Como o produto químico está ligado a problemas reprodutivos e de desenvolvimento em estudos com animais, as descobertas sugerem o potencial de danos semelhantes aos seres humanos.

A pesquisa do EWG, publicada em 15 de fevereiro no Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology , e testou a urina de 96 pessoas quanto à presença de clormequato, encontrando-o em 77 delas.

“O novo estudo do EWG sobre o clormequato é o primeiro desse tipo nos EUA”, disse o toxicologista do EWG, Alexis Temkin, Ph.D, principal autor do estudo. “A onipresença deste pesticida pouco estudado nas pessoas faz soar o alarme sobre como ele pode causar danos sem que ninguém saiba que o consumiu”.

Alguns estudos em animais mostram que o clormequato pode danificar o  e perturbar o crescimento fetal, alterando o desenvolvimento da cabeça e dos ossos e alterando os principais processos metabólicos. Esta pesquisa levanta questões sobre se o clormequato também pode prejudicar os humanos.

Para o seu estudo, o EWG obteve  recolhidas entre 2017 e 2023 de 96 pessoas nos EUA e testou-as para clormequato num laboratório especializado no Reino Unido.

Os testes encontraram clormequato na urina de mais pessoas e em concentrações mais elevadas em amostras recolhidas em 2023 do que em anos anteriores, sugerindo que a exposição dos consumidores ao clormequato pode estar a aumentar.

Os regulamentos da Agência de Proteção Ambiental permitem que o produto químico seja usado apenas em  – cultivadas nos EUA.

Mas desde 2018, a EPA permitiu o clormequato em aveia e outros alimentos importados, aumentando a quantidade permitida em 2020. Ambas as alterações regulamentares ocorreram durante a administração Trump. Muitas aveia e produtos de aveia consumidos nos EUA vêm do Canadá.

Em abril de 2023, em resposta a um pedido apresentado pelo fabricante de clormequato Taminco em 2019, a Biden EPA propôs permitir o primeiro uso de clormequato em cevada, aveia, triticale e trigo cultivados nos EUA. O EWG se opõe ao plano. A regra proposta ainda não foi finalizada.

“O governo federal tem um papel vital em garantir que os pesticidas sejam adequadamente monitorados, estudados e regulamentados”, disse Temkin. “No entanto, a EPA continua a abdicar da sua responsabilidade de proteger as crianças dos potenciais danos à saúde causados ​​por produtos químicos tóxicos como o clormequato nos alimentos.”

O EWG insta o Departamento de Agricultura e a Food and Drug Administration a testarem a presença de clormequato nos alimentos e solicita que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças adicionem clormequato ao seu programa de biomonitoramento. A organização também pede mais pesquisas sobre os efeitos do clormequato na saúde humana.

O EWG conduziu seus próprios testes de alimentos à base de aveia em 2022 e 2023, encontrando clormequato em vários produtos não orgânicos à base de aveia. Os produtos de aveia orgânica tiveram pouca ou nenhuma detecção do produto químico.

Mais informações: Um estudo piloto de clormequato em alimentos e urina de adultos nos Estados Unidos de 2017 a 2023, Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology (2024).DOI: 10.1038/s41370-024-00643-4


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “Enviromental Working Group” [Aqui!].

Níveis alarmantes de Dicamba e 2,4-D estão presentes em mulheres grávidas em regiões agrícolas dos EUA, mostra estudo

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Por Johnathan Hettinger e Carey Gillam para o “The New Lede”

Mulheres grávidas em um importante estado agrícola dos EUA apresentam quantidades crescentes de um herbicida tóxico na urina, um aumento que acompanha o aumento do uso de produtos químicos na agricultura, de acordo com um novo estudo publicado sexta-feira.

O estudo , liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, mostrou que 70% das mulheres grávidas testadas em Indiana entre 2020 e 2022 tinham o herbicida dicamba na urina, acima dos 28% de uma análise semelhante para o período 2010-2012 que incluiu mulheres em Indiana, Illinois e Ohio.

 Notavelmente, o novo estudo descobriu que, juntamente com uma maior percentagem de mulheres que mostram a presença de dicamba nos seus corpos, as concentrações do produto químico que mata ervas daninhas aumentaram mais de quatro vezes.

O estudo também procurou a presença de ácido 2,4-dicloroacético, mais conhecido como 2,4-D, nas amostras de urina, descobrindo que 100% das mulheres tanto no estudo anterior como no novo tinham 2,4- D na urina, com aumentos detectáveis, mas não significativos, nos níveis de concentração.

As novas descobertas somam-se a um crescente corpo de literatura que documenta a exposição humana a produtos químicos utilizados na agricultura e a vários impactos conhecidos e potenciais na saúde. Muitos cientistas têm preocupações específicas sobre o impacto dos agrotóxicos em mulheres grávidas e nos seus filhos, mas afirmam que é necessária mais investigação – e mais escrutínio regulamentar.

“Estes são dois produtos químicos que nos preocupam devido ao seu uso crescente”, disse Paul Winchester, professor clínico de pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, que não esteve envolvido neste estudo. Winchester faz parte de um estudo relacionado de longo prazo sobre os resultados para mulheres e seus filhos expostos ao dicamba e ao 2,4-D.

Winchester chamou as descobertas de “preocupantes” e disse que há evidências crescentes de que esses produtos químicos podem ser prejudiciais aos fetos.

“O DNA fetal está sendo moldado por essas exposições”, disse ele. “O que estamos vendo em outros produtos químicos que tiveram percursos de estudo mais longos é que esta não é uma exposição benigna.”

A exposição ao dicamba tem sido associada ao aumento do risco de câncer de fígado e ducto biliar. Alguns estudos em animais sobre a exposição ao 2,4-D durante a gravidez encontraram baixos pesos corporais e mudanças de comportamento na prole, enquanto outros estudos descobriram que a exposição ao 2,4-D parece aumentar o risco de linfoma. 

Uso crescente

Vários estudos procuraram documentar a presença do popular herbicida glifosato em humanos, inclusive em mulheres grávidas. A exposição gestacional ao glifosato – o ingrediente principal do conhecido herbicida Roundup – está associada à redução do crescimento fetal e a outros problemas fetais, e o glifosato separadamente tem sido associado ao cancro e a outros problemas de saúde.

A Monsanto introduziu o glifosato na agricultura há décadas, seguido por culturas geneticamente modificadas criadas para resistir à pulverização de glifosato, permitindo aos agricultores matar as ervas daninhas nos seus campos sem danificar as culturas. Essa tecnologia OGM levou ao uso vertiginoso do herbicida a partir do final da década de 1990, mas o uso extensivo e repetido de glifosato em culturas tolerantes ao glifosato saiu pela culatra – desencadeando uma explosão de ervas daninhas resistentes ao produto. 

A Monsanto e outras empresas desenvolveram então culturas OGM tolerantes ao dicamba e culturas tolerantes ao 2,4-D que também poderiam ser pulverizadas directamente com esses produtos químicos. Como resultado, a dependência do dicamba e do 2,4-D aumentou 10 vezes em comparação com 2010, em grande parte devido a problemas de resistência às ervas daninhas e ao lançamento de novos tipos de culturas OGM. 

O estudo observa que a grande maioria das sementes de soja e algodão atualmente vendidas e cultivadas nos EUA são geneticamente modificadas para tolerar a pulverização com uma série de herbicidas, incluindo não apenas o glifosato, mas também o dicamba e o 2,4-D.

“Não há outra maneira de explicar um aumento de quatro vezes do dicamba na urina de mulheres grávidas no Centro-Oeste, a não ser implantando essas tecnologias”, disse Chuck Benbrook, coautor do estudo e perito em alguns casos de câncer. pacientes que processaram a Monsanto alegando que o Roundup causou suas doenças. “Esta é uma tecnologia que eles provavelmente nunca deveriam ter aprovado.” 

O dicamba tem volatilidade particular quando pulverizado em campos agrícolas e é capaz de viajar para longe de onde é pulverizado, portanto a exposição não ocorre necessariamente apenas na fazenda onde é pulverizado ou próximo a ele. Desde que foram introduzidas culturas tolerantes ao dicamba, o controverso herbicida foi documentado em culturas não alvo , em árvores localizadas a kms de distância dos campos de cultivo , e mesmo sob chuva .

Na semana passada, um tribunal federal no Arizona anulou os registos do dicamba , decidindo que a EPA violou a lei ao aprovar o dicamba ao não dar oportunidade adequada para comentários públicos. Foi a segunda vez que um tribunal federal proibiu o dicamba. Mas esta semana, a EPA disse que, apesar da decisão judicial, ainda permitirá que milhões de galões de dicamba sejam pulverizados nesta estação de cultivo.

“Este é o tipo de estudo em que não se pede mais estudos, estou dizendo que não deveria estar no corpo das pessoas”, disse Jennifer Sass, cientista sênior do NRDC. “Este é o tipo de estudo que diz que vocês precisam fazer algo a respeito – produtores, empresas e a EPA. Em nenhum lugar do rótulo do pesticida está escrito que ele deveria estar no seu corpo.”

Sass disse que há muitas incógnitas sobre os impactos do dicamba na saúde.

“Simplesmente não sabemos muito sobre dicamba. Não é uma lousa em branco, é um estado em branco”, disse Sass. “Simplesmente não sabemos muito sobre seus efeitos.”

A Bayer, que comprou a Monsanto em 2018, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Uma versão desta história foi co-publicada com o The Guardian.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “The New Lede” [Aqui!].

Brasil usa mais agrotóxicos que Estados Unidos e China juntos

Agência da ONU indica que Brasil aplica mais de 720 mil toneladas de veneno contra pestes em lavouras

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Intensificação da pulverização aérea com agrotóxicos é uma das preocupações nos territórios vizinhos às plantações – Alberto César Araújo/Amazônia Real

Por Vinicius Konchinski para o Brasil de Fato

O Brasil já usa mais agrotóxicos em suas lavouras do que a China e os Estados Unidos juntos. Isso é o que mostra um levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

Os dados divulgados pela FAO são referentes a 2021. Naquele ano, segundo a agência, foram aplicadas 719,5 mil toneladas de venenos contra pestes em lavouras nacionais. No mesmo ano, a China, que tem quase sete vezes mais habitantes que o Brasil, aplicou 244 mil toneladas. Já os EUA aplicaram 457 mil toneladas. Juntos, eles uasaram 701 mil toneladas.

De acordo com os dados da FAO, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo. É seguido justamente pelos EUA. A Indonésia, que usou 283 mil toneladas de veneno em suas lavouras – menos da metade do Brasil –, vem em terceiro lugar.


Dados da FAO mostram os países líderes em uso de agrotóxicos em lavouras no mundo / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil usa 10,9 kg de agrotóxicos para cada hectare de lavoura (10 mil m2). Já os EUA usam 2,85 kg/ha; a China, 1,9 kg/ha.

Em 2021, foram usados no Brasil 3,31 kg de agrotóxicos por pessoa. Nos EUA, foram 1,36 kg per capita; e na China, 0,17 kg per capita.

Modelo do agronegócio

Para Gerson Teixeira, engenheiro agrônomo e diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), dados como esse mostram como a agricultura nacional tem se tornado dependente dos agrotóxicos devido a escolhas de métodos de produção.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Teixeira explicou que o Brasil, décadas atrás, optou por um modelo de produção agropecuária voltado à exportação, principalmente de soja. Isso tornou o país o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo, segundo a FAO, atrás só dos EUA.

Acontece que lavouras de soja são altamente dependentes do uso de fertilizantes e agrotóxicos, ressaltou Teixeira. Isso aumentou o consumo desse tipo de veneno no Brasil.

Em 1990, segundo a FAO, o Brasil consumia 51,1 mil toneladas de agrotóxicos por ano. Em 31 anos, essa quantidade aumentou 1.300%.

“A agricultura brasileira pensava que a soja transgênica reduziria a necessidade do veneno e dos fertilizantes”, afirmou Teixeira. “Na verdade, aumentou a dependência dos dois.”

Dados do Banco Mundial tabulados por Teixeira apontam que o Brasil também já é o segundo maior consumidor de fertilizantes do mundo quando considerados a quantidade de quilos aplicados por hectares de lavouras, ficando atrás da China.

Do total de fertilizantes utilizados na agricultura nacional, 87% é importado, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Segundo a FAO, o Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo. Consome 18% das importações mundiais. Os EUA consomem 13% e a China, 5%.


Dados do Banco Mundial indicam quais países mais usam fertilizantes por área de lavoura / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

O Brasil também é líder nas importações de agrotóxicos. Foram 283 mil toneladas importadas durante o ano de 2022, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Dados do Ibama mostram aumento da importação de agrotóxicos pelo Brasil desde 2008 / Reprodução/elaboração Gerson Teixeira (Abra)

Riscos à saúde

Por conta do uso crescente de agrotóxicos no país, a cada dois dias, uma pessoa morre por intoxicação por uso desse tipo de veneno no Brasil. Uma a cada cinco vítimas é criança ou adolescentes de até 19 anos. Esse dado consta num relatório publicado em 2022 pela rede ambientalista europeia Friends of the Earth Europe.

De acordo com a entidade, empresas agroquímicas europeias como a Bayer e a Basf trabalham conjuntamente com o agronegócio brasileiro para disseminar o uso de veneno no Brasil, desconsiderando os malefícios causados por eles à população.

Larissa Bombardi, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), escreveu em seu livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico (editora Elefante) que a Europa concentra um terço da produção de agrotóxicos no mundo. Autoridades europeias, porém, já proibiram o uso de 269 tipos de defensivos por conta dos danos causados por eles à saúde. Em países como Brasil, os banimentos não chegam a 30.

Entre os 10 mais vendidos por aqui, cinco são proibidos na União Europeia, ressaltou Bombardi. “Enquanto a área plantada no país cresceu 29% de 2010 a 2019, o uso de agrotóxicos cresceu 78%”, disse ela, em palestra feita em Curitiba, no ano passado.

“Essa forma de agricultura faz mal à população e ao planeta”, disse ela. “Só a reforma agrária com foco na agroecologia oferece uma solução.”

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) participa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e tem várias ações em parceria com a sociedade civil organizada e movimentos sociais para alertar para o perigo dos agrotóxicos e para buscar aumentar o controle e reduzir seu uso.

Edição: Nicolau Soares


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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Brasil de Fato” [Aqui!].

Os perigos dos agrotóxicos para a saúde

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Por Sabrine Teixeira Grünewald para a Medscape

Um relatório [1] publicado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revela que um em cada quatro alimentos consumidos com frequência por brasileiros apresenta resíduos de agrotóxicos proibidos ou em quantidades acima do permitido. As amostras foram coletadas em supermercados de diversos municípios nos anos de 2018, 2019 e 2022.

Agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos, larvas, fungos, carrapatos etc. sob a justificativa de controlar os danos provocados por esses vetores e de regular o crescimento da vegetação, tanto no ambiente rural como no urbano. [2]

No entanto, a exposição aos agrotóxicos pode causar uma série de doenças, dependendo do produto utilizado, do tempo de exposição e da quantidade absorvida pelo organismo.

Toda a população está suscetível a múltiplas exposições aos agrotóxicos por meio de consumo de água e alimentos contaminados, porém gestantes, crianças e adolescentes são considerados grupos de risco devido a questões metabólicas, imunológicas ou hormonais.

Efeitos agudos e crônicos

A exposição a agrotóxicos pode causar efeitos agudos, que são mais frequentes em trabalhadores envolvidos na aplicação ou manipulação desses produtos. No relatório da Anvisa, concentrações de agrotóxicos grandes o bastante para representarem risco agudo à saúde foram encontradas em 0,55% das amostras coletadas entre 2018 e 2019 e em 0,17% das coletadas em 2022.

Já os efeitos crônicos aparecem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado. [3] Alguns exemplos desses impactos: distúrbios do sono, alterações da memória, abortamento, impotência sexual, transtorno depressivo, problemas respiratórios graves, alteração de função hepática e renal, alteração da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, infertilidade, malformação e problemas no desenvolvimento em crianças.

Além disso, os agrotóxicos são prováveis agentes carcinogênicos, embota a associação entre essas substâncias e o surgimento de tumores ainda é muito debatida.Segundo o novo relatório da Anvisa, 25% do total de amostras apresentavam alguma inconformidade, ou seja, tinham resíduos de um agrotóxico não autorizado ou as quantidades encontradas estavam acima do limite permitido. Esses alimentos teriam o potencial de causar efeitos crônicos em seus consumidores.

Cerca de 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos são registrados no Brasil a cada década, de acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox). No entanto, especialistas sugerem que os problemas para a saúde decorrentes dos agrotóxicos são subnotificados no Brasil, principalmente em áreas rurais mais afastadas, onde o contato com esses produtos é mais intenso.

Diante de tudo isso, fica o questionamento: será que nós, enquanto profissionais da saúde, estamos preparados para atender a pacientes com efeitos agudos e crônicos dos agrotóxicos? Os dados preocupantes do relatório da Anvisa sugerem que em breve essa conta vai chegar nos consultórios e hospitais.


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Este artigo foi originalmente publicado pela Medscape [Aqui!].

Fundação Heinrich Böll lança versão em português do Atlas Agrotóxicos

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Nas frutas, nos vegetais, no leite materno, no ar e até mesmo nos solos de territórios protegidos – vestígios de agrotóxicos usados na agricultura podem ser encontrados em toda parte. Os agrotóxicos deterioram a saúde humana, a biodiversidade, a água e o solo, mas isso não é, de jeito algum, novidade. Em 1962, por exemplo, tivemos a publicação do livro mundialmente aclamado Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, que descreveu os efeitos nocivos do uso desses produtos. O trabalho foi inovador para o movimento ambiental e levou à proibição de agrotóxicos altamente tóxicos, como o DDT (diclorodifeniltricloroetano).

Porém, sessenta anos após o lançamento do livro de Carson, os agrotóxicos estão sendo usados no mundo inteiro em quantidades cada vez maiores, mesmo com regulamentações de aprovação mais rígidas – e acordos voluntários e obrigatórios sobre o manuseio desses produtos. O cultivo de plantas geneticamente modificadas como a soja, criadas pelas mesmas corporações que estão produzindo agrotóxicos, tem contribuído para o aumento do uso de herbicidas, principalmente em países ricos em biodiversidade. O mercado global de agrotóxicos é altamente lucrativo. Algumas empresas agroquímicas influentes estão expandindo seu controle sobre o mercado e prosperando com lucros cada vez maiores. Na vanguarda: empresas europeias como Bayer e BASF. A União Europeia (UE) é o maior mercado de exportação de agrotóxicos do mundo, e vem investindo cada vez mais em países do Sul Global. As empresas da região exportam agrotóxicos que são proibidos em seus próprios territórios, devido aos seus efeitos nocivos na saúde humana e no meio ambiente.

O Brasil é um dos países mais importantes para esse mercado, ocupando o pódio dos maiores consumidores e importadores de agrotóxicos. O país permite limites de resíduos em água e alimentos muito superiores aos da UE. Isto possibilita o registro cada vez maior de novos agrotóxicos, com recordes sendo batidos a cada ano, além do crescimento da importância das commodities na economia brasileira, a partir da ampliação da área plantada e da produção de culturas mais dependentes desses produtos. Este processo gera uma série de problemas nacionais relativos ao uso de agrotóxicos, que por sua vez são sui generis, como o crescimento dos registros de conflitos no campo envolvendo a contaminação de comunidades da agricultura familiar ou de povos tradicionais.

Em contrapartida ao consumo cada vez maior desses produtos, multiplicam-se também os movimentos sociais e organizações da sociedade civil que pesquisam e denunciam os impactos dos agrotóxicos, para combater o seu avanço e apresentar alternativas a este modelo, como a agroecologia. Pesquisas recentes indicam um aumento no consumo de alimentos orgânicos entre brasileiros durante os últimos anos, o que mostra que as pessoas estão cada vez mais conscientes em relação à importância do acesso aos alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos. O debate sobre os riscos do consumo de agrotóxicos não cresce apenas em solo brasileiro. O tema tem visibilidade mundial, a partir do avanço de graves A União Europeia é o maior mercado de exportação de agrotóxicos do mundo, e vem investindo cada vez mais em países do Sul Global.”

“Diante do papel central do Brasil no debate sobre os impactos dos agrotóxicos, o escritório da Fundação Heinrich Böll considerou fundamental produzir uma edição brasileira do Atlas dos Agrotóxicos. impactos. A morte massiva de abelhas causada por agrotóxicos à base de fipronil em diferentes partes do planeta e a contaminação de escolas por produtos aplicados via pulverização aérea são dois exemplos que ilustram os riscos do uso dessas substâncias. Assim, diante do papel central do Brasil no debate sobre os impactos dos agrotóxicos, o escritório da Fundação Heinrich Böll considerou fundamental produzir uma edição brasileira do Atlas dos Agrotóxicos, publicado originalmente na Alemanha, em 2022. Este material faz um raio-x sobre a questão dos agrotóxicos no Brasil a partir de um conjunto de artigos traduzidos e outros originais, escritos por autores que são referência na pesquisa do tema no Brasil. Todos os textos apresentam dados e fatos sobre o uso e o impacto dos agrotóxicos na agricultura e na saúde humana.

Desde seu lançamento, o Atlas dos Agrotóxicos já foi adaptado e lançado pelos escritórios das Fundação Heinrich Böll em mais de oito países e cinco línguas. Este movimento contribui com as ações para a costura de acordos internacionais que buscam enfrentar o avanço do uso de agrotóxicos. Na União Europeia, a Estratégia Farm to Fork (do campo ao garfo) foi elaborada para pedir que os Estados-Membros reduzam o uso de agrotóxicos e os riscos associados em 50% até 2030. Em paralelo, organizações internacionais como o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) enfatizam a necessidade da transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

As mudanças climáticas têm se tornado um tema central em qualquer debate sobre políticas e direitos humanos, e a redução de insumos de agrotóxicos na agricultura é um ponto chave dessa discussão. A Fundação Heinrich Böll já publicou uma série de materiais voltados para os impactos sociais e ambientais dos sistemas alimentares, entre elas o Atlas do Agronegócio, o Atlas da Carne e o Atlas dos Insetos. É crucial que alternativas mais sustentáveis sejam ampliadas, trabalhando com a natureza – e não contra ela. Temos que definir o curso agora. A agroecologia e o manejo integrado de pragas (MIP), além da produção de mais pesquisas com biopesticidas, podem ajudar nesse processo.

Para a Fundação Heinrich Böll e muitos parceiros, comer é um ato político. Porque debater as origens dos alimentos e como eles são produzidos é condição fundamental para que todes tenham garantido o direito ao acesso a alimentos saudáveis e de qualidade. Acreditamos que este atlas fornece material que contribui para um debate dinâmico e para uma transformação em nossa forma de produzir e consumir.

Quem desejar baixar gratuitamente o “Atlas dos Agrotóxicos” basta clicar [Aqui!].


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Este texto foi originalmente publicado pela Fundação Heinrich Böll [Aqui!].