Previsão climática alerta sobre agravamento da seca no Nordeste

Segundo institutos de pesquisa do MCTI, influência do fenômeno El Niño e aquecimento do Atlântico Tropical Norte manterão chuvas abaixo da média na região até janeiro de 2024

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Foto: Agência Brasil

A seca que atinge os municípios da área norte do Nordeste deve se agravar até janeiro de 2024. A previsão é do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), que monitora a estiagem na região. O painel de monitoramento do El Niño, publicado mensalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em conjunto com outras instituições, e o prognóstico de precipitação para os próximos três meses indicam chuvas abaixo da média para a área. As duas unidades são vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A situação é desencadeada pela combinação de fenômenos que estão influenciando a região desde junho. O fenômeno El Niño costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, e precipitações acima da média na região Sul. No entanto, cada episódio do fenômeno é único, visto que o impacto depende da localização e intensidade da anomalia de temperatura das águas no Pacífico.

Neste ano, as maiores anomalias de temperatura estão posicionadas mais próximas da costa leste do Oceano Pacífico, entre o Equador e o Peru, e isso pode causar impactos diferentes a depender da combinação com a situação do Atlântico Tropical Norte. Segundo o painel de monitoramento, o fenômeno El Niño deverá atingir o pico de intensidade entre os meses de dezembro de 2023 e janeiro de 2024. Em termos de temperatura, a perspectiva é de que o fenômeno mantenha a classificação como forte. Porém, no Atlântico, a anomalia de temperatura da parte Tropical Norte causa um efeito muito negativo nas precipitações do norte do Nordeste.

Nos últimos três meses, as chuvas foram escassas e irregulares no Nordeste, ampliando a área de déficit pluviométrico. A previsão para o trimestre indica que a falta de chuva deverá continuar até janeiro. Segundo o Inpe, os fenômenos continuarão a atuar no primeiro semestre de 2024, o que pode contribuir para manter as chuvas abaixo da média durante a estação chuvosa do norte do Nordeste, que ocorre principalmente entre os meses de fevereiro e maio.

“A preocupação é de que se não chover na estação chuvosa, as chuvas só deverão ocorrer na próxima estação, que começa a partir de novembro”, afirma o coordenador-Geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi.

Para caracterizar a condição de seca, os especialistas do Cemaden consideram um índice integrado, que combina informações sobre o índice de precipitação padronizado, a umidade do solo e a saúde da vegetação. As altas temperaturas e a baixa umidade registradas na região, que são captadas pelos índices, estão contribuindo para a degradação da vegetação e o aumento da evapotranspiração.

De acordo com dados do Cemaden, atualmente, a região apresenta pouco mais de 100 municípios em condição de seca severa, o que, em consequência, afeta cerca de 30% das áreas agrícolas e de pastagens. Em algumas regiões, como no extremo oeste da Bahia, a área impactada já chega a 80%. Por ora, os reservatórios da região ainda apresentam níveis regulares, decorrentes das chuvas do ano anterior, em que predominou o fenômeno La Niña, e estão absorvendo os impactos. Contudo, a situação caminha para se tornar mais severa nos próximos meses. “A tendência sistemática é de piora gradativa”, avalia Seluchi.

A região Nordeste tem 1.793 municípios e população de cerca de 57 milhões de pessoas, praticamente quatro vezes mais que o número de municípios da região Norte, que sofre, neste momento, com uma seca severa na bacia amazônica. Além do contingente populacional que pode ser impactado, a possibilidade de redução da produção agrícola, predominantemente de subsistência, e os impactos sobre a qualidade da água para consumo humano e animal indicam um cenário de preocupação. A região é caracterizada predominantemente por minifúndios e pequenos produtores.

Seca transforma Manaus em uma distopia climática

Os incêndios florestais deixam Manaus com a segunda pior qualidade do ar do mundo, enquanto os baixos níveis dos rios isolam as comunidades

Os rios são o único meio de acesso em muitas partes da Amazônia. Fotografia: Michael Dantas/AFP/Getty Images

Por Jonathan Watts, em Manaus, para o “The Guardian”

Uma seca devastadora transformou a capital amazónica de Manaus numa distopia climática, com a segunda pior qualidade do ar do mundo e rios nos níveis mais baixos dos últimos 121 anos.

A cidade de 1 milhão de habitantes, cercada por uma floresta, normalmente se aquece sob o céu azul. Os turistas viajam em barcos de recreio para o encontro próximo dos rios Negro e Amazonas (conhecido localmente como Solimões), onde golfinhos podem ser vistos frequentemente desfrutando daqueles que são geralmente os recursos de água doce mais abundantes do mundo.

Mas uma estação seca incomum, agravada pelo El Niño e pelo aquecimento global provocado pelo homem, ameaça a imagem da cidade, o bem-estar dos seus residentes e as perspectivas de sobrevivência de toda a bacia amazônica.

A capital das florestas foi envolta numa névoa castanha escura que lembra a China durante a sua fase mais poluída. O porto geralmente vibrante foi empurrado para longe, através das planícies lamacentas secas e cobertas de lixo. 

Um homem observa barcos ancorados no porto de Rio Negro enquanto a fumaça dos incêndios na floresta amazônica cobre a área de Manaus

Na semana passada, monitores da qualidade do ar registaram 387 microgramas de poluição por metro cúbico, como resultado da névoa de fumo dos incêndios na floresta amazónica. 
Fotografia: Michael Dantas/AFP/Getty Images

Há tantos incêndios na floresta seca que circunda Manaus que os monitores da qualidade do ar registaram na semana passada 387 microgramas de poluição por metro cúbico, em comparação com 122 na capital económica do Brasil, São Paulo. A única cidade no mundo com pior desempenho foi um centro industrial da Tailândia.

Uma recente primeira página do jornal A Crítica mostrou uma fotografia do porto  de  Manaus atingido pela seca sob o título “Saúde em perigo” e uma reportagem sobre os desafios de garantir medicamentos e recursos essenciais numa altura em que os navios de mercadorias não podiam navegar pelo rio. “A Amazônia ferve” dizia a reportagem principal da revista Cenarium, que destacou o calor incomumente alto e a baixa umidade que criaram condições perigosamente secas na floresta.

A seca afetou áreas do Brasil. O estado do Amazonas registrou 2.770 incêndios durante a atual estação seca, que a mídia local disse ter sido o maior já registrado.

Embora fossem esperadas mais secas e incêndios do que o habitual em anos de El Niño como este, os serviços locais de combate a incêndios estavam mal preparados e mal equipados.

O secretário da cidade de Borba disse: “Se os municípios tivessem pelo menos a estrutura mínima instalada, poderíamos ter evitado muitos problemas”.

Jane Crespo, secretária de Meio Ambiente de Maués, uma comunidade a 250 quilômetros de Manaus, disse: “Alguns municípios não têm água suficiente para apagar os incêndios”. 



Casas flutuantes e barcos encalhados na Marina do Davi, ancoradouro do rio Negro, em Manaus.
Casas flutuantes e barcos encalhados na Marina do Davi, ancoradouro do rio Negro, em Manaus. Fotografia: Michael Dantas/AFP/Getty Images

Os rios são o único meio de acesso em muitas partes da Amazônia. À medida que os seus níveis diminuíram, algumas comunidades foram isoladas, levantando preocupações de um desastre humanitário. Em outros lugares, a navegação só é possível por meio de pequenas embarcações, o que encarece o transporte. Em Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, as pessoas reclamam que os produtos estão ficando mais caros.

A produção industrial também foi afetada pela falta de abastecimento, ameaçando a economia de Manaus e a sua reputação como zona de livre comércio. As autoridades do estado do Amazonas convocaram uma reunião de emergência para discutir a crise climática regional e apelaram ao governo federal por assistência.

Os lobistas da indústria rodoviária estão a utilizar a crise para pressionar por uma nova estrada pavimentada – a controversa BR 319 – que ligaria Manaus a Porto Velho. Os conservacionistas da Amazónia alertam que isto seria um desastre para uma das últimas áreas remanescentes de floresta intacta e de importância global.

O impacto sobre outras espécies será provavelmente devastador. Além das mortes em massa de golfinhos de rio ameaçados de extinção , inúmeras outras espécies provavelmente sofrerão mortalidade. A micologista Noemia Ishikawa, radicada em Manaus, disse ter notado uma ausência quase total de cogumelos nos campos.

Homens carregam produtos no porto de Rio Negro enquanto a fumaça dos incêndios na floresta amazônica cobre a área de Manaus
O porto de Rio Negro está coberto pela fumaça dos incêndios na floresta amazônica. Fotografia: Michael Dantas/AFP/Getty Images

Philip Fearnside, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica, alertou que a floresta tropical está se aproximando de um ponto de declínio irreversível à medida que as estações secas se prolongam, juntamente com mais dias de calor extremo e sem chuva.

A somar aos riscos está uma crescente população humana que está a converter mais florestas em pastagens, que são regularmente queimadas. Fearnside disse que: “Todas as mortes de árvores causadas por esses processos podem contribuir para iniciar um ciclo vicioso, onde a madeira morta deixada na floresta serve como combustível para incêndios florestais, que têm maior probabilidade de começar e se espalhar e são mais intensos e prejudiciais se ocorrerem.

“Incêndios repetidos podem destruir totalmente a floresta. Além dos pontos críticos em termos de temperatura e duração da estação seca, há também um ponto crítico devido à perda de floresta além de um certo limite, que também se acredita estar próximo.”

Breves períodos de chuva rio acima nos últimos dias aumentaram as esperanças de que a estação seca possa estar chegando ao fim, mas os meteorologistas dizem que é muito cedo para prever isso com alguma confiança. No entanto, as tendências climáticas tornam quase certo que esta seca não será um recorde durante muito tempo.


Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Como a seca na Amazônia afeta a segurança alimentar da região

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Seca em outubro de 2023 no Rio Negro, no Amazonas

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Por Gabriel Costa Borba

Na Amazônia estima-se que a pesca produza em média 173 mil toneladas de peixe por ano, gerando cerca de 389 milhões de reais. A região é considerada uma das maiores do mundo em consumo de peixe que varia de 135 a 292 kg per capita ao ano, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Esse contexto de pesca abundante está em risco por causa da seca dos rios da região.

captura de peixe é fortemente dependente das flutuações no nível de água com períodos de águas baixas e altas, que regulam a disponibilidade de alimento e abrigo para os peixes nos rios amazônicos. Esses rios estão em risco devido ao impacto de atividades humanas. Ao alterar as flutuações no nível de água e o padrão de chuvas, os eventos climáticos extremos geram drásticas consequências para a pesca.

Além de rios com menos água, temos, no atual contexto, péssimas condições hídricas, como temperatura elevada e falta de oxigênio — o que resulta em uma maior mortalidade natural de peixes. Com menos peixes disponíveis, a própria segurança alimentar de populações locais se vê ameaçada.

O interessante de se observar é que ainda não temos total conhecimento sobre os prejuízos gerados pelos cenários de seca deste mês na pesca da região. A resposta das populações de peixe sob efeito de flutuações no nível de água leva um tempo, ou seja, os impactos da frequência e intensidade de eventos extremos nas últimas décadas só serão mapeados, totalmente, mais para a frente.

As espécies disponíveis para a captura no momento estiveram sob influência das flutuações no nível de água de anos anteriores. Por exemplo, o jaraqui, peixe emblemático da região amazônica, que é capturado hoje, levou, em média, dois anos para atingir um tamanho corporal para ser pescado. Se os anos anteriores foram adequados para a espécie, com disponibilidade de alimento e abrigo, esse jaraqui sobreviveu e se desenvolveu, sendo capturado para fins comerciais.

Há, no entanto, uma percepção geral nas comunidades tradicionais indígenas e não indígenas da Amazônia de que houve uma diminuição na captura de espécies e uma redução do tamanho de peixes de interesse comercial nos últimos anos. Para elas, a pesca é fonte de subsistência importante, gerando renda e alimento.

O contexto se torna ainda mais drástico num país que não tem monitoramento oficial de desembarque pesqueiro na Amazônia desde o ano de 2011. O monitoramento tem o objetivo de conhecer quais são as comunidades pesqueiras que utilizam o acesso próximo ao porto para desembarque da sua produção, gerar informações e dados estatísticos sobre o desembarque pesqueiro e gerar análises dos possíveis impactos dos eventos climáticos extremos na pesca. A falta de dados afeta a capacidade de resposta de comunidades e a tomada de decisões políticas para preservar a pesca na região em tempos de eventos climáticos extremos.

Para enfrentar essa situação, é preciso criar planos de manejo da pesca adequados ao contexto de crise climática, unindo conhecimento tradicional e científico sobre a atividade e as flutuações no nível de água. Só assim se poderá minimizar os graves danos às populações locais que comercializam peixes e vêem, agora, sua subsistência ameaçada.


Sobre o autor

Gabriel Costa Borba é doutorando em Fish and Wildlife Conservation na Virginia Tech e mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

Árvores do Sul da Amazônia têm maior probabilidade de morrer com a seca

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As mudanças no clima e nos padrões de chuva decorrentes do desmatamento da Amazônia tornam o bioma mais vulnerável à seca, e as árvores da região Sul da floresta são as mais propensas a morrer nessas condições. É o que reporta estudo publicado nesta quarta (26) na revista “Nature” e assinado por 80 pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras, como Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Universidade de Leeds, no Reino Unido.

O artigo estuda como diferentes espécies de árvores se adaptam à seca e como diferentes áreas da floresta são vulneráveis às mudanças climáticas. O estudo traz evidências sobre a heterogeneidade da Amazônia, destacando a diferença entre a sensibilidade das florestas do oeste, na região de Acre, Peru e Bolivia, e do centro-leste, na região de Manaus e Pará, que é mais resistente à seca. O trabalho também identifica, pela primeira vez, que a capacidade da floresta de atuar como sumidouro ou fonte de carbono para atmosfera é relacionado com a fisiologia das árvores.

A pesquisa é baseada em coletas de amostras de mais de 500 árvores em 11 sítios Amazônia brasileira, peruana e boliviana, explica Julia Tavares, pesquisadora da Universidade de Uppsala, na Suécia, e autora principal do artigo, que é parte de sua tese de doutorado. As localidades brasileiras estudadas estão no Amazonas, Mato Grosso, Acre e Pará . As coletas ocorreram entre os anos de 2014 e 2018.

Os pesquisadores mediram as características fisiológicas dessas árvores, e uma das análises avaliou o estresse hídrico. “Era como se nós fossemos medir, por exemplo, a pressão das árvores, para ver o quão estressadas estão, sendo que ao invés de ser pressão sanguínea, é pressão de água”, diz Tavares. A pesquisadora adiciona sobre importância do trabalho intenso e contínuo de uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais que realiza a identificação e o monitoramento de longo prazo das árvores estudadas e  forma parcelas permanentes de inventários florestais. “Por se tratar de florestas que estão sendo continuamente monitoradas, para que cada árvore que medimos, nós sabemos também quem ela é (qual espécie) e qual o seu histórico (com que velocidade ela cresce, quando ela morre, etc)”, frisa Tavares.

Tavares também explica os desafios de realizar um estudo em diversos pontos da Amazônia, ressaltando a importância da colaboração do numeroso time de pesquisadores para os resultados alcançados. “Para entender padrões de larga escala espacial e temporal na Amazônia, dada a sua grandeza e heterogeneidade, é imprescindível um enorme esforço colaborativo da comunidade científica. Além disso, todo esse trabalho de Ecofisiologia requer medidas minuciosa, tendo as coletas que serem realizadas durante a madrugada, e as amostras extraídas do topo das árvores, que tem entre 30 e 40 metros de altura”. A pesquisadora lembra que a concentração da maioria dos estudos sobre o efeito das mudanças climáticas na Amazônia na região centro-leste pode subestimar as diferenças de vulnerabilidade do bioma.

O estudo pode contribuir para políticas de conservação nas regiões da Amazônia mais suscetíveis aos eventos climáticos extremos. Ações como diminuir o aquecimento global e parar o desmatamento são essenciais, sublinha Tavares. A pesquisa também evidencia a importância do fomento à pesquisa no bioma. “Para entendermos as nuances das respostas das diferentes florestas amazônicas às mudanças climáticas que já estão acontecendo e às mudanças futuras, é imprescindível o investimento de recursos para realização pesquisa e valorização dos pesquisadores nacionais”, completa a pesquisadora.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [[Aqui!].

Seca histórica na Europa coloca em xeque modelo agrícola perdulário da Revolução Verde

Loire Basin Extremely Low Level - France

Como pesquisador que atua em uma região com forte sazonalidade no aporte de chuvas, venho há muitos anos falando que um dos aspectos mais perigosos do modelo agrícola gerado pela Revolução Verde é o uso perdulário de recursos hídricos que vem levando a um crescente esgotamento das fontes facilmente acessíveis. 

Aliás, como professor de uma disciplina introdutória de Geografia Geral sempre gosto de lembrar de mencionar o fato de que apenas 2,5% da água existente na Terra é utilizável para consumo humano e práticas agrícolas, fato esse que é agravado pelo fato de que desse montante, apenas 0,3% está facilmente acessível.

Mas impulsionados pelos conceitos da Revolução Verde, as grandes corporações que controlam a produção de alimentos no mundo têm usado esses parcos recursos hídricos como isso tudo não fosse chegar a um limite, esquecendo-se ainda que as modificações causadas pelo sistema econômico no clima global tornaria mais frequentes as oscilações entre “chuvas em excesso” com “nenhuma chuva”.

Entretanto, agora países como Inglaterra, França e Alemanha vivem uma seca histórica que coloca diretamente em xeque a lógica do desperdício hídrica para tocar um modelo agrícola que, ao final e ao cabo de, gera excedentes tão estupendos que em torno de 30% de todos os alimentos colhidos são simplesmente jogados no lixo todos os anos.

O ressurgimento das pedras da fome são um sinal sinistro do que está acontecendo

Em países como Alemanha e República Tcheca está ocorrendo o reaparecimento das chamadas “pedras da fome” que são uma espécie de testemunho histórico de outras secas históricas que resultaram em crises colossais na capacidade de se produzir alimentos, pois trazem inscrições que refletem os impactos da falta de água para consumo humano em dados períodos históricos.

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Inscrição em uma “pedra da fome” diz  que”se você me ver, chore”

O problema é que em nenhum tempo anterior o tamanho da população humana gerava tanta demanda seja pelo consumo de alimentos como pelo uso de recursos hídricos. Em outras palavras, algo que já está sendo visto como um péssimo sinal pode ser a sinalização de que tempos muitos difíceis estão começando para os europeus. É que além de haver pouca água, o continente europeu sofre outra consequência do modelo agrícola da Revolução Verde que é a contaminação de seus recursos hídricos por resíduos de fertilizantes e agrotóxicos.

Mas se engana que o ressecamento das fontes de água causado pela Revolução Verde é apenas um problema dos europeus. É que já existem evidências que o desmatamento explosivo na Amazônia (outro componente diretamente relacionado ao modelo perdulário em termos de usos de recursos naturais pela Revolução Verde) já está causando uma perda no montante de chuvas no Brasil, o que deverá também se refletir em diminuição da água disponível para os brasileiros.

A verdade é que o que está ocorrendo em diferentes partes da Terra em termos de diminuição dos recursos hídricos e de forte poluição das reservas remanescentes gera a necessidade de que o modelo perdulário da Revolução Verde seja substituído por um modelo que leve em consideração a necessidade de levar em conta os limites ecológicos dos sistemas naturais. Sem isso, as próximas décadas serão dramáticas, pois veremos sucessivas crises na disponibilidade de água que, por sua vez, causaram graves crises de oferta de alimentos.

 

Crise hídrica: em processo de vazante, rio Madeira tende a níveis mínimos

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Em Porto Velho (RO), o nível do rio Madeira está abaixo da média para a época do ano e tende à zona de atenção para mínimas. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no primeiro Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira para esse período de estiagem, é que o rio Madeira atinja a cota de 4 metros na segunda quinzena de agosto. Nesta segunda-feira (19), a estação de Porto Velho registra o nível de 5,48 metros, tendo baixado 11 centímetros nas últimas 24h. A partir da segunda quinzena de agosto, a cota pode atingir patamar em que a navegação passa a ter restrições. A Delegacia Fluvial de Porto Velho passa a adotar restrições quando o rio atinge nível inferior a quatro metros.

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Para a operação de secas, a zona de atenção é a faixa laranja no gráfico

O prognóstico indica que havendo atraso no início da estação chuvosa para além de outubro, a condição de seca poderá se aproximar de anos de estiagem mais severa, a depender também da evolução das chuvas até lá e se o regime da vazante for mais ou menos acelerado. Em 2020, o SGB-CPRM monitorou a pior seca da história em Porto Velho : o rio Madeira atingiu 1,58m.

Na última semana, a tendência geral foi de redução dos níveis dos rios nas estações da bacia monitoradas pelo SGB-CPRM, um comportamento normal para o período. Boa parte das bacias monitoradas apresentaram chuvas abaixo da climatologia. Para a próxima semana, estão previstas precipitações abaixo da climatologia no sudoeste da bacia e dentro do normal nas outras áreas da bacia. Para a semana posterior, o modelo meteorológico consultado prevê chuvas dentro da climatologia para a bacia do Madeira como um todo.

O Serviço Geológico do Brasil atualiza constantemente os dados das estações fluviométricas em cprm.gov.br/sace/madeira, onde também são publicados os boletins de monitoramento. Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo SGB-CPRM.

Clima propício para tempos quentes

O relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas prevê ondas de calor, fome e perda de habitat

CLIMATEFoto: dpa / Tobias Kleinschmidt

Por Martin Ling para o Neues Deutschland

As declarações são claras: “A vida na Terra pode se recuperar de uma mudança climática drástica, produzindo novas espécies e criando novos ecossistemas. Os humanos não podem fazer isso. «Essas frases podem ser encontradas no resumo técnico de 137 páginas de um relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com os resultados preliminares do Grupo de Trabalho II do IPCC, que examina as consequências de aquecimento global.

A AFP teria vazado para trazer a gravidade da situação ao público mundial antes da cúpula da biodiversidade da ONU em outubro e da conferência climática da ONU em novembro: Dezenas de milhões de pessoas passarão fome nas próximas décadas devido às mudanças climáticas, A seca e as doenças sofrem – esse cenário está delineado no rascunho do relatório, que a agência de notícias AFP pôde ver com antecedência com exclusividade.

Em 4.000 páginas, os mais de 700 autores mostram, entre outras coisas, como o aquecimento global afeta a saúde humana. De acordo com o relatório preliminar, o teor de nutrientes das safras está diminuindo devido ao aumento das temperaturas. O teor de proteína do arroz, trigo, cevada e batata deve diminuir de 6,4 a 14,1 por cento, como resultado do qual quase 150 milhões de pessoas também podem sofrer de deficiência de proteína.

À medida que os eventos climáticos extremos aumentam devido às mudanças climáticas, de acordo com o IPCC, há um risco crescente de que as colheitas em vários celeiros em todo o mundo fracassem ao mesmo tempo. Os autores esperam que os preços dos alimentos aumentem quase um terço até a metade do século, colocando outros 183 milhões de pessoas mais pobres em risco de fome.

climate 2O relatório detalha as consequências graves da poluição de gases de efeito estufa da humanidade. XAVIER GALIANA AFP / File

Um pouco mais da metade da população mundial já sofre com o abastecimento de água inseguro. Os autores do relatório acreditam que é provável que entre 30 e 140 milhões de pessoas na África, Sudeste Asiático e América Latina possam ser deslocadas internamente até 2050. Até três quartos das reservas de água subterrânea – a principal fonte de água potável para 2,5 bilhões de pessoas – podem secar até a metade do século – entre outras coisas, devido ao rápido derretimento das geleiras das montanhas. “A escassez de água é um dos problemas que nossa geração enfrentará muito em breve”, diz Maria Neira, da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Haverá deslocamento massivo, migração massiva e devemos tratar tudo isso como um problema global.”

Com o aquecimento global, os mosquitos e outras espécies transmissoras de doenças como a dengue estão se espalhando. O risco de malária e borreliose aumentará e mais crianças morrerão de diarreia devido ao clima. Com AFP

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui!].

‘A próxima pandemia’: a seca é uma crise global oculta, diz a ONU

Países instados a tomar medidas urgentes para gerenciar a água e a terra e enfrentar a emergência climática

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Recipientes são expostos quando as águas do lago Sun Moon em Nantou, Taiwan, recuam durante uma seca nacional, Fotografia: Annabelle Chih/Reuters

Por Fiona Harvey para o “The Guardian”

A seca é uma crise global oculta que corre o risco de se tornar “a próxima pandemia” se os países não tomarem medidas urgentes na gestão da água e da terra e no enfrentamento da emergência climática, afirmou a ONU.

Pelo menos 1,5 bilhão de pessoas foram afetadas diretamente pela seca neste século, e o custo econômico ao longo desse período foi estimado em US $ 124 bilhões (£ 89 bilhões). O verdadeiro custo provavelmente será muitas vezes maior porque essas estimativas não incluem muito do impacto nos países em desenvolvimento, de acordo com um relatório publicado na quinta-feira .

Mami Mizutori, representante especial do secretário-geral da ONU para redução do risco de desastres, disse: “A seca está prestes a se tornar a próxima pandemia e não há vacina para curá-la. A maior parte do mundo viverá com estresse hídrico nos próximos anos. A demanda superará a oferta durante certos períodos. A seca é um fator importante na degradação da terra e no declínio da produção das principais safras ”.

Ela disse que muitas pessoas imaginam que a seca está afetando as regiões desérticas da África, mas esse não é o caso. A seca agora é generalizada e, no final do século, todos, exceto um punhado de países, sofrerão de alguma forma, de acordo com o relatório.

“As pessoas vivem com a seca há 5.000 anos, mas o que estamos vendo agora é muito diferente”, disse Mizutori. “As atividades humanas estão exacerbando a seca e aumentando o impacto”, ameaçando inviabilizar o progresso na retirada das pessoas da pobreza.

Os países desenvolvidos não ficaram imunes . Os Estados Unidos, a Austrália e o sul da Europa sofreram secas nos últimos anos. A seca custa mais de US $ 6 bilhões por ano em impactos diretos nos Estados Unidos e cerca de € 9 bilhões (£ 7,7 bilhões) na UE, mas também é provável que sejam graves subestimações.

O crescimento populacional também está expondo mais pessoas em muitas regiões aos impactos da seca, diz o relatório.

A seca também vai além da agricultura, disse Roger Pulwarty, cientista sênior da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e co-autor do relatório.

Ele citou o Danúbio na Europa, onde secas recorrentes nos últimos anos afetaram os transportes, o turismo, a indústria e a geração de energia. “Precisamos ter uma visão modernizada da seca”, disse ele. “Precisamos ver como gerenciar recursos como rios e grandes bacias hidrográficas.”

Mudar os padrões de chuva como resultado da desagregação do clima é um fator-chave para a seca, mas o relatório também identifica o uso ineficiente dos recursos hídricos e a degradação da terra sob a agricultura intensiva e práticas agrícolas inadequadas. O desmatamento, o uso excessivo de fertilizantes e pesticidas, o sobrepastoreio e a extração excessiva de água para a agricultura também são grandes problemas, diz o relatório.

Mizutori pediu aos governos que tomem medidas para ajudar a prevenir a seca, reformando e regulamentando como a água é extraída, armazenada e usada, e como a terra é administrada. Ela disse que os sistemas de alerta precoce podem fazer muito para ajudar as pessoas em perigo, e que técnicas avançadas de previsão do tempo estão agora disponíveis.

Ela disse que trabalhar com a população local é essencial, porque o conhecimento local e indígena pode ajudar a informar onde e como armazenar água e como prever os impactos dos períodos de seca.

O relatório, intitulado Relatório de Avaliação Global sobre Redução de Risco de Desastres: Relatório Especial sobre a Seca 2021 , foi publicado na quinta-feira e alimentará as discussões em uma importante conferência climática da ONU conhecida como Cop26, que está programada para acontecer em Glasgow em novembro.

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Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui].

A “seca planejada” do Rio Paraíba do Sul

O Rio Paraíba do Sul apresenta as menores cotas e níveis de vazão desde que o monitoramento fluvial teve início, há noventa anos. Não estamos, porém, diante do período mais seco, sendo o atual apenas o 13o ano menos chuvoso, superado, e muito, pelas estiagens de 1934, 1941, 1954 e 1964.

 Por Emiliano Castro de Oliveira

A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul abrange 56.500 km2, percorrendo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Dos três estados, os dois primeiros possuem maior parte no percurso do rio, que totaliza 1.130 km. As nascentes, originadas na Serra do Mar, em São Paulo, formam dois rios, o Paraibuna e o Paraitinga, que após confluírem dão origem ao Paraíba do Sul.

Apesar da origem associada a um local com altos níveis pluviométricos (1.360 mm/ano), a estiagem prolongada e intensa deste ano tem colaborado para a queda expressiva dos níveis dos reservatórios1 associados à área de nascente. Nessa mesma tendência, todo o volume do rio vem apresentando níveis muito baixos, como em Campos dos Goytacazes (RJ), já próximo à foz, onde o rio atingiu a menor cota, 4,5 m, desde que o monitoramento começou, há noventa anos.2 e 3

Além dos transtornos relativos à falta de água para abastecimento urbano, um grave problema de erosão vem afetando o distrito de Atafona (São João da Barra, RJ), situado na foz do rio. Por causa do baixo volume do rio, sua carga sedimentar também diminuiu, não fornecendo sedimentos suficientes para manter em equilíbrio o processo de construção do delta sedimentar presente na foz. O resultado é um intenso processo erosivo, no qual o mar retira o sedimento já depositado e ameaça mais ainda a população local.4 Esse processo de erosão iniciou-se a partir da década de 1950, quando foi terminada a obra de transposição do Rio Paraíba do Sul para o Rio Guandu, a fim de abastecer a Baixada Fluminense. Desde então, a partir desse ponto de transposição, até 60%5 do volume de água do rio pode ser desviado (em média 25%),5 deixando o restante do curso completamente alterado no que diz respeito ao volume. Para o transporte sedimentar ocorrer é fundamental haver água em quantidade compatível com o tipo do rio e sedimentos disponíveis. Estes últimos também diminuíram no rio6 no período analisado, ficando retidos nas nove barragens presentes no curso total do Paraíba do Sul.

Em termos de eventos de estiagem, o atual não é o mais severo,7 tanto na área de nascente em São Paulo quanto na de deságue, no Rio de Janeiro, sendo apenas o 13o ano mais seco registrado nos últimos noventa anos. As cotas do rio, em Campos dos Goytacazes, haviam chegado à casa dos 4,8 m apenas em 1954.6 E, apesar desse intenso evento de seca, as médias pluviométricas associadas às nascentes e ao curso do rio em São Paulo mostram aumentos de até 40 mm/ano,6 enquanto no trecho do Rio de Janeiro as médias pluviais apresentam diminuição de até 10 mm/ano.6

 Se não estamos passando pelo maior evento de seca já registrado, por que então desta vez o Rio Paraíba do Sul está apresentando os menores níveis de vazão? A resposta dessa pergunta não tem a ver com a estiagem atual nem com nenhuma outra. Um estudo estatístico, conduzido por Marengo e Alves,8 do CPTEC/Inpe, já demonstrava a tendência de queda acentuada na vazão do rio, piorando ano a ano, desde 1960. E pior: essa tendência de queda não apresenta atenuação em função do sutil aumento de chuvas.

O crescimento das regiões que se beneficiam das águas do Rio Paraíba do Sul, em especial do Vale do Paraíba,9 em São Paulo, e da Baixada Fluminense,9 representou diretamente o aumento no Consumo das águas do rio. Com grande expansão industrial, as regiões citadas têm crescimento econômico comparável ao da China,10 e 11 com a instalação de diversas indústrias automobilísticas, aeroporto, porto, refinaria e, consequentemente, o crescimento populacional atrelado a esse desenvolvimento.

A partir daí podem-se notar os problemas estruturais relativos ao consumo de água na região, que não foi ampliado adequadamente e continua calcado apenas no aumento da captação da água do rio. O cenário atual, de crise hídrica, demonstra que o limite de captação foi excedido, e no atual panorama não é possível projetar quanto tempo os reservatórios irão durar, uma vez que não havia previsão de consumo em uma situação de seca intensa. O processo erosivo atuante na foz do rio indica que o Paraíba do Sul não tem condições médias de prover água para todos aqueles que hoje se utilizam dele.

Além do desastre natural que representa a superexploração de um rio da importância hídrica do Paraíba do Sul, a falta de planejamento no abastecimento de água de regiões com grande crescimento econômico e demográfico é um fato de irresponsabilidade e descomprometimento dos poderes públicos estaduais. O rio não pode continuar sendo a única fonte de abastecimento dessas regiões.

A administração desse recurso fundamental foi concedida à iniciativa privada nos dois estados. Além disso, os mesmos reservatórios de água estão associados a usinas de geração de energia, também concedidas à iniciativa privada. Claramente, a gestão das vazões nessas situações é ponderada pelos contratos de concessão, uma vez que a diminuição desta implica queda no faturamento com abastecimento e geração de energia. Esse fato representa um conflito de interesses muito perigoso para a segurança do abastecimento hídrico das populações atendidas.

E o prognóstico, em termos de planejamento, para essa crise é crítico. O governo de São Paulo, representado diretamente pelo governador reeleito Geraldo Alckmin, tenta obter junto à Agência Nacional de Águas (ANA) a autorização para uma nova transposição11 das águas do rio, agora em território paulista, a fim de abastecer o também negligenciado sistema de abastecimento Cantareira,12 ou seja, a solução para um sistema de abastecimento exaurido será usar outro sistema também exaurido.

Estamos diante de uma crise na qual não há planejamento futuro e as medidas tomadas já se iniciam ultrapassadas. Realmente, o planejamento dos atuais governantes parece visar ao fim dos recursos hídricos.

Emiliano Castro de Oliveira é doutor em Sedimentologia, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e membro da Rede Braspor (Brasil-Portugal) de pesquisas de impactos ambientais em rios e na costa.

Ilustração: Elias Francioni/cc

1    Disponível em: www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1500161-nivel-dos-reservatorios-do-rio-paraiba-do-sul-e-o-pior-desde-2003.shtml.

2  Disponível em: http://www.odiariodecampos.com.br/nivel-do-paraiba-ja-assusta-14973.html

3  Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/10/rio-paraiba-do-sul-atinge-o-nivel-mais-baixo-dos-ultimos-90-anos.html

4  Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/atafona+a+cidade+que+esta+sendo+engolida+pelo+mar/n1300019862044.html

5  Disponível em: http://www.cedae.com.br

6  Disponível em:http://hidroweb.ana.gov.br

7  Disponível em: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/05/16/seca-atual-em-sao-paulo-e-a-maior-em-45-anos-mostram-dados-da-usp.htm

8  José A. Marengo e Lincoln Muniz Alves, “Tendências hidrológicas da Bacia do Rio Paraíba do Sul”, Revista Brasileira de Meteorologia, 20.2, p.215-226, 2005. Disponível em: http://mtc-m18.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/ePrint%4080/2005/05.11.13.21/doc/v1.pdf

9  Disponível em: http://ibge.gov.br.

10            Disponível em: http://www.diariosp.com.br/mobile/noticia/detalhe/56334/Vale+do+Paraiba+cresce+em+ritmo+chines

11            Disponível em: http://www.meon.com.br/noticias/regiao/empresas-formalizadas-cresce-10-em-tres-meses-em-pindamonhangaba

12    Disponível em: www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/03/1428252-o-rio-tambem-sera-beneficiado-diz-alckmin-sobre-transposicao-do-rio-paraiba.shtm

FONTE: http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1783

O risco que corremos: ir da seca à inundação

seca inundação

Recentemente dei uma entrevista no programa “De olho na cidade” na TV Alto Litoral onde ofereci um vaticínio que agora compartilho aqui: depois de meses de seca, agora viveremos o risco das inundações na maioria das cidades ribeirinhas que existem ao longo dos rios Paraíba do Sul, Muriaé e Pomba. 

As razões para isso são múltiplas, indo desde o desmatamento, passando pelo assoreamento das calhas fluviais, e desembocando na inoperância dos governos municipais que nada fazem para melhorar o cenário degradado desses rios dentro de seus limites municipais.

Aliás, no caso específico de Campos dos Goytacazes, um problema sério e nunca tratado seriamente é a situação dos diques que impedem a chegada das águas do Rio Paraíba do Sul dentro da área urbana nos períodos de grandes cheias. Se um levantamento compreensivo fosse feito (se já não o foi e esqueceram de nos informar) ficaria evidente que existem trechos inteiros que foram comprometidos por diversos tipos de intervenção irregular que ameaça a estabilidade estrutural dos diques. Melhorar e ampliar as áreas protegidas por diques, isso então nem pensar.

Mas se as inundações vierem, que ninguém culpe São Pedro. Afinal, as chuvas que agora estão caindo resultam das preces de muitos que agora podem começar a querer culpá-lo por atendê-las.

E quanto à maioria de nós? Vai ser sempre aquela máxima do “salve-se quem puder”. A ver!