Governo do Rio de Janeiro recua e anuncia recriação da Secretaria de Ciência e Tecnologia: uma vitória da mobilização

Reação rápida da comunidade científica força o governo estadual a rever uma decisão equivocada, mas agora será preciso acompanhar o Diário Oficial para verificar se os compromissos anunciados serão efetivamente cumpridos

Menos de 24 horas depois deste  blog divulgar a extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (SECTI-RJ), que ficaria incorporada à estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, chega uma notícia que merece ser saudada: o governo estadual decidiu recuar e anunciou que recriará uma secretaria específica para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (7) pelo Tempo Real RJ, assinada pelo jornalista João Pedro Lima, o governador em exercício, Ricardo Couto, assumiu o compromisso de recriar a secretaria em até dez dias. O anúncio ocorreu depois da forte reação provocada pela extinção da pasta entre pesquisadores, universidades e entidades representativas da comunidade científica fluminense.

A informação foi divulgada publicamente pela vereadora Tatiana Roque, que participou de uma reunião com o governador em exercício, parlamentares e representantes da comunidade científica. Além da recriação da secretaria, o governo anunciou a constituição de um comitê formado por reitores de universidades e integrantes da comunidade científica, que deverá participar da discussão sobre a estrutura e as atribuições da nova pasta.

Além das informações tornadas públicas pela vereadora Tatiana Roque, recebi comunicação direta do deputado estadual Carlos Minc (PSB), que me transmitiu essencialmente as mesmas informações: o governo estadual teria decidido recriar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e constituir um espaço de interlocução com as universidades e a comunidade científica. A convergência entre as informações divulgadas pela vereadora e aquelas que me foram comunicadas diretamente pelo deputado Carlos Minc reforça a indicação de que houve, de fato, uma mudança de posição do governo estadual.

As duas medidas devem ser saudadas. A manutenção de uma estrutura administrativa própria para Ciência, Tecnologia e Inovação é fundamental para um estado que abriga algumas das principais universidades, instituições de pesquisa e centros de produção científica do Brasil. Igualmente positiva é a decisão de envolver as reitorias e representantes da comunidade científica na discussão sobre a estruturação da secretaria. Se esse diálogo for efetivo, poderá inclusive contribuir para que a pasta retorne mais fortalecida e com atribuições claramente definidas.

O episódio demonstra também que a mobilização pública produz resultados. A rápida reação das universidades, pesquisadores, entidades científicas, parlamentares e demais setores preocupados com o futuro da ciência fluminense obrigou o governo estadual a reconsiderar uma decisão que, caso permanecesse em vigor, representaria um inequívoco rebaixamento institucional da Ciência, Tecnologia e Inovação no estado do Rio de Janeiro.

Entretanto, entre o anúncio de uma decisão e sua efetiva materialização administrativa existe uma diferença importante. Por isso, o Blog do Pedlowski continuará acompanhando atentamente as próximas edições do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. O compromisso anunciado é de recriar a secretaria em até dez dias, e será no Diário Oficial que poderemos verificar a formalização da nova estrutura, suas atribuições, sua posição dentro da administração estadual e as demais medidas necessárias para transformar o anúncio político em realidade administrativa.

Há, finalmente, uma lição bastante óbvia que o governo estadual deveria retirar deste episódio: todo esse desgaste poderia ter sido evitado. Antes de extinguir uma secretaria responsável por uma área estratégica para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Rio de Janeiro, o governador em exercício poderia — e deveria — ter ouvido justamente aqueles que conhecem o sistema estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. Bastaria consultar as reitorias das universidades públicas sediadas no estado, pesquisadores, dirigentes das instituições científicas e entidades nacionais como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Se essa consulta tivesse ocorrido antes da reforma administrativa, e não depois da reação provocada por ela, provavelmente o governo teria percebido antecipadamente a dimensão do equívoco que estava prestes a cometer. Política pública de ciência e tecnologia não deve ser construída por meio de decisões administrativas tomadas de cima para baixo, muito menos tratando a ciência como um apêndice de políticas de desenvolvimento econômico e interesses empresariais.

Por enquanto, fica registrada uma vitória importante da mobilização da comunidade científica fluminense, cuja reação rápida e contundente parece ter sido decisiva para produzir o recuo do governo estadual. Agora, porém, será preciso aguardar os próximos atos.  Afinal, como ensina o velho adágio derivado do jogo do bicho, “só vale o que está escrito”. E, neste caso, o que realmente valerá será aquilo que estiver formalmente publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Anúncios, compromissos e informações transmitidas por interlocutores políticos são importantes, mas a recriação da SECTI somente estará efetivamente consumada quando o ato correspondente aparecer preto no branco no DOERJ.

Por isso, como já disse, o Blog do Pedlowski ficará de olho — e com lupa — nas próximas edições do Diário Oficial para verificar o cumprimento do compromisso de recriação da SECTI. A mobilização da comunidade científica fluminense pode comemorar esta primeira e importante vitória, mas sem baixar a guarda.  Só vale o que está escrito. Até lá, aguardemos os próximos atos.

Baseado em denúncia falsa, MP/RJ aciona a Uenf por plano de retomada de aulas presenciais

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Baseado em denúncia falsa, MP/RJ cobra plano de retomada das aulas presenciais na Uenf

A partir de uma denúncia que claramente não condiz com a realidade dos fatos (que teria sido apresentada na 1. Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo de Campos, dando conta que “os professores das disciplinas presenciais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) teriam se recusado a utilizar da modalidade à distância, em que pese deter milhares de alunos matriculados na modalidade EAD através do convênio que mantém com o CEDERJ)”.

Em função dessa reclamação é que aparentemente o Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu acionar o governador Wilson Witzel, o secretário estadual de Ciência e Tecnologia Leonardo Rodrigues, e o reitor da Uenf no sentido de cobrar uma série de providências para que seja formulado um “plano ação para retomada das atividades acadêmicas presenciais dos seus cursos de graduação, mestrado e doutorado, com diretrizes para a estruturação do calendário para o ano letivo de 2020“.

Para tanto, a Uenf e seus colegiados terão que oferecer uma série de informações sobre as garantias que deverão existir para que a retomada das aulas possa se dar para “impedir o contágio dos alunos e profissionais da educação pelo COVID-19“.

Para isso, o Ministério Público do Rio de Janeiro orienta ainda que, entre outras medidas, seja publicado um plano preliminar de retomada, no prazo de até 48 horas após a sua elaboração e conclusão e com antecedência mínima de 5 dias úteis para o início de sua  implementação, nos sítios eletrônicos da SECTI e da Uenf, bem como disponibiliza-lo para consulta, em documento impresso, na sede da  universidade com a finalidade de garantir amplo conhecimento pela sociedade, transparência e previsibilidade.  

As autoridades que foram arroladas no documento do MP/RJ foram ainda  “advertidos” de que a “recomendação” a eles enviada para a retomada das aulas presenciais na Uenf “constitui elemento probatório em sede de ações cíveis ou criminais“.

Sem me intrometer nas respostas que certamente serão oferecidas ao MP/RJ pela Procuradoria Geral do Estado e pela Assessoria Jurídica da Uenf,  considero curioso que uma recomendação desse porte não tenha sido produzido sem antes ouvir a reitoria da Uenf.  É que se isso tivesse ocorrido, o promotor que assina a “Consideração 05/2020” já teria sido previamente informado que os colegiados da Uenf já estão discutindo formas alternativas de retomar as atividades de ensino, já que as outras continuam ocorrendo seguindo os protocolos de segurança impostos durante a vigência a pandemia da COVID-19. Além disso, já se saberia que em nenhum momento houve qualquer recusa por parte dos professores a utilizar modalidades à distância para oferecer aulas. A denúncia, portanto, restaria vazia já que é mentirosa.

Por outro lado, eu gostaria que o MP/RJ tivesse sido tão proativo em 2017 quando os servidores da Uenf ficaram meses sem salários (e muitos deles passando graves necessárias financeiras) enquanto diversos dependências da universidade sofreram seguidos atos de vandalismo após o abandono da empresa terceirizada de segurança privada que realiza as atividades de proteção patrimonial. Lamentavelmente, durante todo aquele período ficamos à mercê da própria sorte e sobrevivendo sabe-se lá como.

Finalmente, acho curioso que se cobre um calendário de retomada das atividades presenciais ou o oferecimento de aulas na modalidade à distância em meio à alta persistente da pandemia da COVID-19 no estado do Rio de Janeiro, sem que se cobre também o cumprimento da Constituição Estadual no sentido do integral cumprimento do orçamento da Uenf na forma de duodécimos. É que sem isso, a coisa mais responsável que a reitoria poderá fazer é informar ao MP/RJ que não possui as condições financeiras para oferecer a devida estrutura para a retomada das aulas, sejam eles presenciais ou remotas.

Para quem desejar ler a íntegra da Recomendação 05/2020 do MP/RJ datada de 09 de julho , basta clicar Aqui!

Gustavo Tutuca, a volta do (des)secretário de C&T que nunca foi

fora tutuca

O deputado estadual Gustavo Dias Ferreira (PMDB), mais popularmente conhecido como Gustavo Tutuca, está de volta à direção da pasta que dirige à ciência e tecnologia no estado do Rio de Janeiro. Em sua primeira passagem, Tutuca deixou tão pouca lembrança do que fez na pasta que ele é atualmente mais lembrado pela comunidade científica fluminense pela estapafúrdia e provacativa  abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para supostamente apurar  “apurar denúncias de irregularidades na folha de pagamento da universidade e no pagamento de bolsas e auxílios a servidores [Aqui!]” na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

Agora, nada disse sobre todo o passivo acumulado em termos de dívidas milionárias que hoje levam as universidades estaduais e as escolas da rede Faetec à beira da insolvência. Aliás, da sua primeira passagem pela secretaria estadual só sobraram mesmo as dívidas.

Importante notar que Gustavo Tutuca saiu do cargo de secretário estadual de Ciência e Tecnologia para retornar ao seu cargo de deputado estadual e fazer aprovar o pacote de Maldades preparado pelo seu conterrâneo Luiz Fernando Pezão para jogar sobre as costas dos servidores estaduais o ônus da crise (seletiva) causada no Rio de Janeiro pelas práticas nada republicanas comandadas pelo ex (des) governador Sérgio Cabral. 

Agora que o pacote de maldades foi aprovado e o deputado estadual Pedro Fernandes (PMDB) se mostrou pouco eficiente na perseguição Às universidades estaduais e às escolas da rede Faetec, Gustavo Tutuca está volta ao cargo de secretário de ciência e tecnologia.

Por sua passagem apagadíssima e pela abertura da CPI contra a Uerj, a volta de Gustavo Tutuca só pode ser compreendida como uma mensagem de aposta no confronto com as universidades estaduais e com as escolas da Faetec por parte do (des) governo Pezão. A primeira demonstração disso foi a ordem que foi dada por Tutuca para o retorno imediato às aulas na escolas da Faetec em que pesem a completa inexistência de condições para tal e o atraso de quase 5 salários dos seus servidores.

E logo na manhã desta segunda-feira (07/08), foi dada mais uma demonstração de que se Gustavo Tutuca voltou para impor de forma truculenta o projeto de destruição do (des) governo Pezão, ele vai enfrentar forte resistência. É  que reunidos, sob a vigilância da Polícia Militar, os servidores da Faetec decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, seguindo o caminho trilhado por servidores das universidades estaduais.

Por essas e outras é que em sua segunda passagem pela pasta da ciência e tecnologia, a vida do deputado Gustavo Tutuca talvez não vá ficar tão mansa como foi na primeira. E a razão é simples: a maioria das pessoas já notou que a crise do Rio de Janeiro é altamente seletiva e os servidores, junto com a população que depende de seus serviços, são as vítimas preferenciais.

Reitoria posterga reinício de aulas e convoca reuniões para discutir situação da Uenf

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Colocada sob condições de extrema precariedade pelo (des) governo do Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terá o reinício de suas aulas postergado, em princípio pelo menos, para o dia 06 de Fevereiro de 2016, conforme carta assinada pelo reitor Luís Passoni e publicada no final da tarde desta 3a. feira (2r/01) na página oficial da instituição

nota-reitoria

Além disso, haverá uma reunião extraordinária do Colegiado Acadêmico (Colac) no dia 30 de Janeiro e uma sessão do Conselho Universitário (Consuni), aberto à comunidade universitária, no dia 31 de Janeiro para discutir a situação em que a Uenf foi colocada pelo (des) governo Pezão.

Pessoalmente considero a decisão de postergar o reinício das aulas acertado, visto a total falta de serviços essenciais no interior do campus Leonel Brizola neste momento, fruto da sabotagem financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

Mas espero que as reuniões que serão realizadas, especialmente a do Consuni, sirvam para ampliar o processo de resistência que já está ocorrendo nas redes sociais. A Uenf é importante demais para ser relegada à precária condição em que foi colocada pelo (des) governo Pezão sob a batuta concordada do secretário Gustavo Tutuca.

Wagner Victer como secretário da educação é a prova da falência do (des) governo Pezão/Dornelles

Há exatamente uma semana notei aqui neste blog o custo escandaloso da cessão do Sr. Wagner Victer pela PETROBRAS aos combalidos cofres estaduais (Aqui!).  Agora, segundo informa o jornalista Fernando Molica, Wagner Victer não só virou o novo secretário estadual de Educação, como também tem um plano de acabar com a de Ciência, Tecnologia e Inovação e assimilá-la sob seu comando (Aqui!).

Eu diria que em se confirmando o que Fernando Molica anunciou, o Rio de Janeiro vai piorar ainda mais a condição precária de suas universidades estaduais e, de quebra, fragilizar completamente o pouco que existe em termos de políticas voltadas para o desenvolvimento científico e tecnológico.

O fato é que o Sr. Wagner Victer, que entrou na máquina de estado pelas mãos de Anthony Garotinho e de lá nunca mais saiu, tem se destacado mais pela sua capacidade de avançar projetos de desestruturação do serviço público do que por qualquer faceta positiva que suas ações possam ter tido. Nesse sentido, a presença de Wagner Victer na cabeça da secretaria de Educação é uma péssima e onerosa notícia. Resta saber quantos dos colegas da PETROBRAS também migrarão para a SEEDUC. A ver!