SBT/Rio mostra como miséria e mordomias convivem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

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Aproveitando a onda de indignação que circula no Brasil neste momento em relação aos polpudos penduricalhos que a alta burocracia do sistema judiciário brasileiro tem acesso, enquanto milhões de brasileiros não possuem sequer um teto sobre suas cabeças, o SBT do Rio produziu a matéria abaixo mostrando as várias vantagens gozadas por juízes e desembargadores no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ)

A matéria é recheada de informações sobre as múltiplas mordomias a que juízes e desembargadores do TJ/RJ gozam do lado de dentro do edíficio cuja construção está envolta em acusações de superfaturamento, enquanto do lado de fora sem teto não possuem sequer o chamado “auxílio papelão”.

Uma coisa é certa: mesmo que a matéria não tenha a capacidade de mudar essa realidade, a sua veiculação certamente aumentará a pressão para que algumas das inexplicáveis vantagens gozadas pela alta burocracia do judiciário fluminense sejam questionadas e, quiçá, removidas.

UOL e a infindável desgraça de Eike Batista

Era para ser um hotel 5 estrelas de Eike; virou ocupação de sem-teto no Rio

Gustavo Maia, Do UOL, no Rio

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A piscina, no térreo, está vazia há anos. A pintura das paredes, descascada. Muitas das janelas e portas estão quebradas. A fachada exibe pichações. O abandono evidente contrasta com a beleza arquitetônica do edifício Hilton Gonçalves dos Santos, localizado no Flamengo, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro.

Inaugurado em 1953 para ser sede do Clube de Regatas do Flamengo, o prédio de 24 andares e 148 apartamentos foi arrendado em 2012 pelo clube à Rex Hotel, imobiliária do grupo EBX, do empresário Eike Batista. O plano era transformá-lo num moderno hotel de cinco estrelas com 454 quartos, em um investimento de R$ 100 milhões. Com a crise que desfigurou o império do empresário, o projeto nunca saiu do papel.

Na madrugada da última terça-feira (7), a história do edifício ganhou um novo capítulo com a chegada de cerca de 100 sem-teto, que ocuparam o local. O cenário dos dois primeiros andares se transformou radicalmente. Nos amplos corredores e salões do prédio, os novos moradores se instalaram em colchões encontrados nos apartamentos vagos e degradados dos andares superiores. Adultos e crianças, veteranos de ocupações, estão mobilizados para se adaptar ao novo e temporário lar.

A estada do grupo no prédio, situado no número 170 da avenida Rui Barbosa, vai durar pouco. Na última quinta (9), a Justiça do Rio determinou a reintegração de posse do edifício, que pode acontecer a qualquer momento. Ontem pela manhã, um oficial de Justiça foi até o local e informou os invasores sobre a decisão. A Polícia Militar, que auxiliará na ação, informou, à noite, que não divulgaria a data e a hora da reintegração.

A ocupação é feita majoritariamente por removidos em 26 de março de um terreno da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) na zona portuária. Entre a última remoção e a nova ocupação, muitos dormiram na rua, inclusive mães com bebês. De acordo com os ocupantes, cerca de 250 pessoas se revezam no edifício desde a terça. Alguns deles moraram, no ano passado, no antigo prédio da Oi, no Engenho Novo, na zona norte do Rio. A desocupação do imóvel completa um ano neste sábado (11).

Um dos representantes do grupo, Alexandre Silva, 37, criticou a decisão judicial e disse esperar que os defensores públicos que os representam revertam as liminares. “A decisão saiu em menos de um dia, o que é isso?”, questionou. “O prédio estava abandonado há muito tempo. Sempre ouvia isso e pensava: vou trazer o povo para cá”, conta Silva, que disse estar engajado na luta por moradia há 15 anos.

Ex-ocupante do edifício da Oi, Elizabeth da Silva, 37, se espantou com o tamanho do prédio e lamentou: “como é que pode? Um lugar tão grande desses, com tanta coisa se estragando, e tanta gente precisando de lar”.

Faxina, apreensão e fome

Viver em uma ocupação, em comunidade, exige disciplina. É o que ensina Cassiane Serafim, 42, que fez parte do grupo expulso do terreno da Cedae. “A gente lava e arruma tudo direitinho. Nos revezamos para lavar banheiro, varrer o chão. Agora estamos morando na frente do mar, né?”, comenta a mulher, que, desempregada, vivia de aluguel na Mangueira, zona norte, quando se integrou à ocupação na zona portuária.

“Quando a gente chegou aqui, só tinha entulho. A gente ajeitou tudo”, conta Alessandra de Souza, 45. Além da limpeza, os atuais moradores do edifício Hilton Santos têm que se preocupar diariamente com o que vão comer. “Estamos sobrevivendo de doações”, diz a mulher, enquanto cozinha macarrão instantâneo. “As crianças são prioridades. A gente às vezes passa fome o dia todo”.

Na tarde desta sexta, a reportagem presenciou o momento em que uma mulher parou o carro e entregou um saco com comida. Segundo os moradores, foi a segunda doação do dia. Água também está sempre no topo da lista de necessidades.

A presença de pelo menos uma viatura da PM na frente do prédio e de um segurança contratado pela Rex Hotel dentro do edifício durante todo o dia às vezes atrapalha a entrada de mantimentos e o trânsito dos ocupantes. Alguns deles disseram se sentir presos, já que podem ser impedidos de voltar caso deixem o imóvel. Um guarda ouvido sob anonimato pela reportagem, no entanto, disse que “dança conforme a música”.

Por serem os únicos com energia elétrica disponível, apenas os dois primeiros andares do prédio estão ocupados. Os ocupantes utilizam quatro banheiros no espaço e tomam banho de balde, com a água “amarelada” da cisterna do local.

“Distrair a mente”

Enquanto espera a definição da situação do grupo, José Ricardo, 31, tenta distrair a mente como pode. Nesta sexta, ele desenhou um tabuleiro de damas no verso de um quadro achado em meio ao entulho, recolheu tampas de garrafas para usar como peças e começou a jogar com a cunhada.

Na área externa do prédio, um grupo jogava bola. Quatro televisões, de variados tamanhos e estados de conservação, ficam ligadas durante a maior parte do dia. Mães e pais tentam entreter as crianças, muitas delas de colo.

O menino Carlos Silva, que tem um ano e dois meses de idade, corria pela piscina vazia atrás da mãe. “Ele está adorando brincar aqui”, disse a mulher.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/11/era-para-ser-um-hotel-5-estrelas-de-eike-virou-ocupacao-de-sem-teto-no-rio.htm

Nova Palestina: quem são os sem-teto que protestam em São Paulo

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Acampamento de 8 mil famílias na Zona Sul revela que programas oficiais não resolveram déficit habitacional. Assembleias diárias reúnem 4 mil pessoas

Por Camila Maciel, na Agência Brasil

Programas como o “Minha Casa Minha Vida” são suficientes para assegurar o Direito à Habitação no Brasil? Ao interromperem o tráfego da Marginal Pinheiros — uma das principais vias rápidas de São Paulo — milhares de pessoas ofereceram, esta madrugada, uma resposta sonora à pergunta. Elas são parte de um elemento novo na paisagem da metrópole. Na região do Jardim Ângela, a 25 quilômetros do Centro, uma área urbana imensa (um quilômetro quadrado, ou cem campos de futebol) foi ocupada em outubro, por famílias participantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto — MTST. A novidade alastrou-se rapidamente. Hoje, 8 mil famílias já habitam o que chamam de “latifúndio urbano” e há mais 2,5 mil inscritas. Formam uma comunidade mais populosa que milhares de municípios brasileiros. Deram, ao lugar em que agora moram, o nome significativo de Nova Palestina.

Estão em área de proteção ambiental, próxima à represa de Guarapiranga. O prefeito Fernando Haddad, acossado pela mídia e atingido por decisões judiciais que reduziram o orçamento do município, afirma que não tem recursos para desapropriar a área — mas não oferece alternativas. Por isso, o protesto de hoje. Na reportagem abaixo, a jornalista Camila Maciel descreve a área e a notável mobilização de seus ocupantes, que realizam assembleias diárias com 4 mil pessoas. organizam-se em 21 grupos de trabalho e cuidam, por si mesmas, de tarefas como alimentação coletiva, limpeza e segurança. (A.M.)

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Em um terreno de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, na zona sul da capital paulista, quase 8 mil famílias acampam em barracas de lona, desde o dia 29 de novembro, para reivindicar o direito à moradia digna. A ocupação, que começou há pouco mais de um mês, com cerca de 2 mil famílias, já quadruplicou. Além disso, cerca de 2,5 mil famílias aguardam vaga em uma lista de espera, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Para os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o rápido crescimento da comunidade, batizada de Nova Palestina, mostra como é grande o déficit habitacional da região. “As pessoas que estão aqui não têm condições de pagar aluguel, algumas moravam na rua, outras na casa de parentes. Aqui, eles têm a esperança de conseguir um teto. É uma região muito carente”, explicou Helena Santos, coordenadora estadual do MTST. Ela, que é militante há cinco anos, conta que nunca viu uma procura tão grande por vaga em uma ocupação. “Já participei de outras e essa é a maior”, disse. A ocupação é dividida em 21 grupos, cada um com coordenação própria. Cada área possui uma cozinha comunitária e dois banheiros, sendo um masculino e um feminino.

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 Diariamente, cerca de 4 mil pessoas participam de uma assembleia no acampamento, na qual são repassadas informações sobre as negociações por moradias definitivas, dentre outras decisões. O estatuto da ocupação, por exemplo, foi aprovado em assembleia. Entre os pontos acordados, está a proibição do consumo de bebida alcoólica, de drogas e também agressões. “Caso ocorra algum problema, nós conversamos e, caso continue, a pessoa pode ser convidada a se retirar”,  destacou.

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Tauana Oliveira da Silva, de 18 anos, vive em um barraco com o marido e os três filhos – o mais novo de apenas 3 meses. “É a primeira vez que participo de uma coisa assim. Foi meu marido que trouxe a gente. Foi a única forma que a gente viu de ter uma casa”, relatou. Marx William, 24 anos, também trouxe os poucos pertences que tem para viver com a mãe e os filhos na ocupação. “A gente pagava R$ 450 de aluguel, sendo que nossa renda é R$ 800. Ficava faltando [dinheiro] para as outras coisas”, destacou.

Helena explica que estruturas de alvenaria não são permitidas e que o objetivo é conseguir moradias dignas para os que participam da mobilização. “Nossa primeira ideia é construir as casas aqui. Se a prefeitura disser que vai fazer, saímos. Também pedimos auxílio-aluguel, mas já disseram que não tem verba”, disse.

A destinação do terreno é objeto de conflito com a prefeitura, pois um decreto municipal estabelece que a área deve ser transformada em um parque público. “A maior parte não pode ser usada para edificar moradias, porque é uma área de preservação ambiental e o proprietário tinha, sob pena inclusive de responder por crime ambiental, que cuidar para que não fosse invadido”, declarou o prefeito Fernando Haddad. Ele destacou que, neste momento, não há ação cabível ao governo municipal, por se tratar de área privada. Além disso, não há recursos para o processo de desapropriação.

O movimento, por sua vez, questiona a posição da prefeitura, pois a classificação da área como Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentável (ZPDS) permite edificações em 10% do total, o que corresponderia a mil moradias. “Agora, inclusive, nós estamos ocupando somente a área permitida. Não houve nenhum desmatamento para colocar as barracas”, disse Helena. O MTST propõe, ainda, que o terreno seja transformado em Zona Especial de Interesse Social 4, o que permitiria a construção de edificações em 30% da área. Diante do impasse, o movimento planeja um protesto para esta sexta-feira (10), ainda sem horário e local divulgados.

FONTE: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/nova-palestina-quem-sao-os-sem-teto-que-protestam-em-sao-paulo/