Prisão de presidente joga luz sobre as relações perigosas entre a Fecomércio e o (des) governo do RJ

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A prisão no dia de hoje do  presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, e de três ex-diretores de sua confiança serve para revelar um pouco mais do alcance dos esquemas fraudulentos ligados ao ex (des) governador Sérgio Cabral que teria, segundo informações do jornal O DIA [1], uma série de empregados domésticos (incluindo um chefe de cozinha e uma governanta) com salários pagos pelo chamado sistema “S”.  Em troca desse “favorzinho”, Orlando Diniz tinha facilidades para desviar recursos s de duas entidades do Sistema “S”, o Sesc e o Senac-RJ, para a Thunder Assessoria Empresarial, firma na qual figura como sócio-administrador [2].

Mas até aí morreu o Neves, pois as quantias associadas a Orlando Diniz são, digamos, dinheiro para pipoca dentro da dimensão de desvios que já associados a Sérgio Cabral dentro das apurações realizadas no âmbito da chamada Operação Lava Jato/Rio.  

O que precisa ser realmente considerado é o fato de que Orlando Diniz é presidente da Fecomércio-RJ desde 1998, período no qual a entidade atuou de forma decisiva para dar apoio às políticas do (P) MDB, não apenas no plano estadual, mas também no federal. Um exemplo  disso foi o apoio à farra fiscal comandada por Sérgio Cabral e Pezão [3 ).  Esse relação umbilical entre a organização representativa dos patrões e o (des) governo do (P) MDB é que deveria estar passando por um escrutúnio mais sério por parte da mídia corporativa e, obviamente, não está sendo tratado com a devida profundidade,  e não, por exemplo, a troca de favores que existia entre Orlando Diniz e Sérgio Cabral [4].

É que atende melhor à estratégia de privatização do Estado chamar a atenção apenas para os eventuais desvios cometidos por Orlando Diniz do que analisar as políticas que ele ajudou a aplicar em parceria com Sérgio Cabral e Pezão. É o típico caso do “show tem que continuar”. O problema é que neste caso o show se trata da rapina em cima do Estado que tem trazido as graves consequências com que a população do Rio de Janeiro, especialmente a sua parcela mais pobre, está tendo que conviver.

Mas se a mídia corporativa não trata do problema dessa forma, isto não significa que ninguém mais precisa tratar. E de cara digo que é preciso reexaminar todas as benesses obtidas por essas organizações patroniais do Estado brasileiro, sendo o sistema “S” apenas um exemplo delas. É que enquanto o dinheiro público banca os projetos patronais, as escolas, hospitais e universidades públicas são tratados a pão e água. Isso sim é que deveria ser examinado com uma grande lupa.  E isso deve ser feito para ontem.


 

[1] https://extra.globo.com/noticias/brasil/lava-jato-orlando-diniz-seguiu-para-policia-federal-22425425.html

[2] https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2018/02/5516551-chef-de-cozinha-e-governanta-de-cabral-eram-pagas-com-verba-do-senac-diz-policia-federal.html#foto=1

[3] https://www.facebook.com/SistemaFecomercioRJ/posts/1293119700706709

[4] http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/08/1494354-os-favores-que-sergio-cabral-pedia-a-um-vizinho.shtml

Elio Gaspari sugere o óbvio: bye, bye Pezão!

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O jornalista Elio Gaspari usou parte da sua coluna desta domingo (18/02) para desancar a intervenção restrita no Rio de Janeiro e, de quebra sugerir o óbvio: que o (des) governo Luiz Fernando Pezão deve sair imediatamente da cadeira que finge ocupar no Palácio Guanabara [1].

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Mas Elio Gaspari vai mais além e aponta que a intervenção militar restrita à segurança tem como resultado objetivo aliviar os correligionários de Michel Temer no (des) governo do Rio de Janeiro e de proteger a máquina (criminosa) montada pelo ex-governador Sérgio Cabral e pelo deputado estadual Jorge Picciani, presidente preso da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Como Elio Gaspari não representa apenas a si mesmo quando escreve suas colunas, o mais provável é que ele esteja repercutindo a visão de grupos políticos influentes que não estão satisfeitos com a manobra arriscada que está sendo realizada pelo presidente “de facto” Michel Temer.

Por outro lado, não é de hoje, e o próprio Elio Gaspari aponta isso, que está mais do que evidente que o sr. Luiz Fernando Pezão perdeu toda a condição de garantir a governabilidade no Rio de Janeiro. Aliás, ele e seu vice-governador, o desaparecido Francisco Dornelles, só estão nos cargos que ocupam por força de medida liminar que impediu a consumação do ato de cassação decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral. Aliás, não apenas pela existência de uma liminar, mas também pela completa omissão dos partidos que se dizem de oposição ao (des) governo que eles comandam.

O pior é que, como também alerta Elio Gaspari, a intervenção militar que Michel Temer decretou no Rio de Janeiro tem tudo para ser ‘um exercício de enxugamento de gelo‘, ou algo ainda pior que será “o prosseguimento de uma rotina na qual as forças policiais invadem bairros pobres e proclamam vitória matando ‘suspeitos‘”.

Em função não apenas da falência desse (des) governo na área da segurança pública, mas também na educação, saúde e habitação, é que o (des) governo Pezão precisa ser imediatamente encerrado. Essa medida é essencial para que se chegue a um processo de  reorganização política que dê um mínimo de chance para a possibilidade do Rio de Janeiro sair do caos instalado pelos consecutivos (des) governos do (P) MDB.  Do contrário, o que teremos será o aprofundamento da barbárie com seus altos custos sociais e econômicos.  Simples assim!

Por isso tudo,  é hora de dizer “bye, bye Pezão!


[1] https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2018/02/pezao-precisa-sair-do-governo-do-rio.shtml

 

 

E agora José? MP/RJ conclui que imagens na Cadeia de Benfica foram editadas no noite em que Garotinho diz ter sido agredido

Em matéria assinada pelo jornalista Ítalo Nogueira, o jornal “Folha de São Paulo” apresentou hoje os resultados das análises feitas por peritos do Ministério Público do Rio de Janeiro nas imagens produzidas pelas câmaras da Cadeia de Benfica na noite em que o ex-governador Anthony Garotinho teria sido agredido dentro da cela em que se encontrava [1].

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E sem muita surpresa (ao menos para mim), descobriu-se que as imagens teriam sido editadas, além de conterem vários pontos cegos em momentos cruciais para confirmar ou negar as afirmações de Anthony Garotinho de que teria sido agredido por um objeto contundente e ameaçado de morte.

Sem ser surpresa, tampouco, a matéria traz informações de que o “monitoramento por câmeras em Benfica é tosco, facilmente manipulável. Qualquer pessoa que possa pode plugar, desplugar. Ter um sistema de monitoramento ridículo, pífio, faz parte do contexto de [benefícios a Cabral]. “

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Diante desse resultado, fico imaginando como ficam aqueles que apostaram que as denúncias de agressão não passavam de mais uma milonga de Anthony Garotinho.  Mas como com Anthony Garotinho é sempre amor ou ódio, quem apostou que era mentira, deverá agora estar lamentando que talvez não fosse. É que a confirmação da manipulação das imagens confere a Anthony Garotinho um tipo de legitimidade que seus inimigos e adversários detestam que ele tenham.

Quanto ao contexto de benefícios dados ao ex-(des)governador Sérgio Cabral, os resultados dessas análises parece ter pavimentado o caminho dele para as masmorras de Curitiba.  Um resultado certamente nada alvissareiro para Sérgio Cabral e seus colegas de celas mal monitoradas em Benfica.


[1] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1951729-imagens-do-dia-de-suposta-agressao-a-garotinho-foram-editadas-diz-pericia.shtml

Salinização continua causando perdas agrícolas no entorno do Porto do Açu

O cartaz abaixo foi lançado em 2013 com o objetivo de denunciar os efeitos ambientais deletérios que o processo de salinização de águas e solos no V Distrito do município de São João da Barra estava causando sobre ecossistemas e sistemas agrícolas.

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Como os leitores deste blog devem lembrar, este processo de salinização foi causado pela construção inadequada e sem as devidas estruturas de contenção do aterro hidráulico do Porto do Açu que terminou resultando em uma grave acidente ambiental que foi amplamente noticiado pela mídia corporativa nacional e internacional [1, 2 e 3]

A atenção inicial ao incidente ambiental causado pela construção do aterro hidráulico do Porto do Açu chegou a inclusive forçar o (des) governo do Rio de Janeiro a aplicar uma multa ambiental irrisória de R$ 1,3 milhão [4], que terminou nem sendo paga em função das manobras administrativas realizadas pela OS(X) do ex-bilionário Eike Batista.

Ao longo dos últimos 6 anos o caso da salinização das águas e solos do V Distrito acaba sendo colocado em completo esquecimento por parte das autoridades e pelos novos donos do Porto do Açu, o fundo de “private equity” EIG Global Partners que têm se apegado à versão insustentável de que o grave incidente ambiental teria tido aspectos pontuais, tanto no tempo como no espaço.

Aliás, no que se refere à versão oficial de que não existiram efeitos duradouros da salinização causada pelo Porto do Açu, lembro que em 2016 uma dissertação sob minha orientação foi defendida pela bióloga Juliana Ribeiro Latin levantou dados irrefutáveis no tocante à elevação da salinidade média das águas superficiais na região afetada pela dispersão de água salgada oriunda do aterro hidráulico construído pela OS(X) [5]

Apesar das evidências científicas, assunto da salinização de águas e solos permanece sem qualquer tipo de tratamento sério por parte dos responsáveis por oferecer saídas para as centenas de agricultores que continuam amargando graves perdas econômicas no V Distrito. 

Esta postura de renegar responsabilidades tem servido apenas para tornar ainda mais difícil a situação financeira dos agricultores que teimam em produzir alimentos nas terras que não foram tomadas durante o escabroso processo de desapropriação de terras realizado pelo (des) governo de Sérgio Cabral em benefício do ex-bilionário Eike Batista.
Em função disso é que não fiquei nem um pouco surpreso com uma ligação telefônica que recebi nesta 6a. feira de um agricultor que tem seus cultivos agrícolas na localidade de Água Preta.

Nesse telefonema, esse agricultor me informou que está há mais de 6 meses aguardando em vão pela entrega pela Secretaria Municipal de Agricultura de São João da Barra dos resultados das análises feitas em amostras de água que foram coletadas em pela Secretaria Municipal de Agricultura de São João da Barra. Para ele, essa demora na entrega dos resultados das análises é uma prova cabal de que suas suspeitas de que a área cultivada foi afetada pela salinização têm fundamento.

Numa prova de que os habitantes do V Distrito não estão desatentos ao que se passa no enclave geográfico formado pelo Porto do Açu, este agricultor lembrou que durante a recente visita do presidente “de facto” Michel Temer e do (des) governador Luiz Fernando Pezão  para promulgação do decreto da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Açu nada foi dito sobre a falta de pagamento das desapropriações das terras e, muito menos, das reparações devidas aos agricultores que tiveram suas propriedades salinizadas em 2011. Para ele,  a responsável maior por toda esta negligência em relação “ao povo do V Distrito” é a prefeita Carla Machado que “nunca mexeu uma palha” em prol dos agricultores e suas famílias.

Ainda que não possa servir de muito consolo para este e muitos agricultores que continuam completamente abandonados, em 2018 voltarei a estudar a questão da salinização das águas e solos no V Distrito de São João da Barra. Com isso espero não apenas obter novas evidências científicas sobre a persistência do problema, mas também contar com a cobertura jornalística que este grave problema socioambiental requer.


[1] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/01/1215695-porto-de-eike-causou-salinizacao-de-agua-doce-confirmam-autoridades.shtml

[2] https://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE96A03520130711?sp=true

[3] http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2012/12/obras-do-porto-do-acu-podem-ter-causado-salinizacao-de-agua.html

[4] http://www.valor.com.br/empresas/2992678/rj-multa-osx-em-r-13-milhao-por-salinizacao-no-porto-do-acu

[5] https://blogdopedlowski.com/2016/05/25/estudo-na-uenf-mostra-limitacoes-do-licenciamento-e-impactos-ambientais-do-porto-do-acu/

Anthony Garotinho fora da prisão: alegria para uns, preocupação para outros

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A saída da prisão do ex-governador Anthony Garotinho certamente terá o duplo efeito de alegrar seus familiares e seguidores políticos e de irritar profundamente os seus muito adversários. É que Anthony Garotinho é do mesmo tipo de animal político como outros personagens da política brasileira que possuem a capacidade de criar sentimentos diametralmente opostos. Ainda que mantendo as devidas proporções, apenas o ex-presidente Lula parece possuir capacidade similar neste quesito.

Além disso, Anthony Garotinho é o tipo de pessoa que não perde a oportunidade de promover suas ideias com uma forma particularmente fervorosa de ser. Por isso mesmo, poucas horas depois de sua prisão ele já estava concedendo uma entrevista acerca dos inimigos políticos mais conhecidos, a começar pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e as Organizações Globo.

O fato é que se fosse qualquer outra pessoa, Anthony Garotinho voltaria para casa para aproveitar as festas de fim de ano de forma calma e recatada com sua família. Mas não, como o animal político que é Anthony Garotinho já sabe que sua libertação da forma que se deu, sem inclusive ter que seguir qualquer das medidas cautelares que draconianamente têm sido impostas por segmentos da justiça brasileira, o habilita a partir para o ataque de forma clara e direta. E foi isso o que ele começou a fazer já na noite de ontem. Aliás, como também fez Lula após o famoso interrogatório no Aeroporto de Congonhas no início do ano passado.

Pesa contra Anthony Garotinho o fato de que ele está claramente isolado e sem aliados políticos com capacidade de pensar estratégias que permitam justamente retirá-lo da posição ruim em que se encontra.  Esse isolamento compromete não apenas a sua capacidade de articular seus projetos eleitorais, mas também de se manter em liberdade. É que, convenhamos, suas denúncias criaram grandes inimigos dentro do judiciário e isto o torna um alvo preferencial, com base em crimes reais ou imaginários.

No plano municipal, entretanto, é quase líquido e certo que mesmo antes do primeiro dia de 2018, Anthony Garotinho vai partir para o que pode ser o mais agudo dos seus ataques. É que aqui é que ele vem sendo mais duramente fustigado e, contraditoriamente, onde possui o potencial de embaralhar as cartas de forma mais avassaladora. Tudo isso graças à gestão desastrosa que o jovem prefeito Rafael Diniz realizou em seu primeiro ano de mandato. Como antecipei em uma mensagem anterior, agora que está livre é provável que Anthony Garotinho venha a Campos dos Goytacazes (note-se que até isso foi liberado após a sentença do Ministro Gilmar Mendes) para ser carregado em volta olímpica.

Por isso é que tenho a clara sensação de que Gilmar Mendes pode até ter feito o Natal da família Garotinho mais feliz, mas que jogou muita água no champanhe dos seus inimigos que contavam com sua permanência na prisão e agora vão ter que aturá-lo atuando de forma livre, leve e solta. Haja preocupação!

Lava Jato/RJ apresenta mais duas denúncias contra Cabral e integrantes da “Farra dos Guardanapos”

As duas acusações são resultados da Operação C’est Fini e incluem Régis Fichtner e George Sadala

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O trabalho da força-tarefa da Lava Jato/RJ conclui o ano de 2017 com mais duas denúncias envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que já responde por 18 acusações na Justiça Federal (JF-RJ). Essas novas acusações são resultados da Operação C’est Fini, deflagrada no final do mês passado, e incluem os integrantes do episódio que ficou conhecido como a “Farra dos Guardanapos”. Dentre os denunciados estão o ex-chefe da Casa Civil Régis Fichtner e o empresário George Sadala. 

Clique e leia as íntegras das denúncias (Fichtner Sadala). 

Com isso, a Operação C’est Fini resultou em três denúncias. Na semana passada, o MPF denunciou Cabral e outras quatro pessoas – Henrique Ribeiro, Lineu Martins, Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carvalho – por crimes na Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (Funderj). A ramificação da organização criminosa foi descoberta a partir dos desdobramentos das operações Calicute (processo nº 0509503-57.2016.4.02.5101) e Eficiência (processo nº 0510282-12.2016.4.02.5101) e das investigações realizadas após sua deflagração, tendo como escopo aprofundar o desbaratamento da organização criminosa responsável pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de capitais envolvendo contratos para realização de obras públicas pelo Estado do Rio de Janeiro, entre elas, destacam-se a construção do Arco Metropolitano e a urbanização de grandes comunidades carentes na cidade do Rio de Janeiro, ação vulgarmente denominada por “PAC Favelas”. 

Além de Cabral, Fichtner e Sadala, também foram alvos dessas duas denúncias Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carlos, operadores financeiro e administrativo, respectivamente, da organização criminosa.

Farra dos guardanapos

Sadala é um dos empresários que esteve em Paris, convidado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, para a cerimônia de entrega da medalha de honra da Legião D’Honneur, concedida pelo Senado francês ao ex-governador, e para o lançamento do Guia Michelin Rio de Janeiro. Ele era um dos participantes do jantar no hotel Ritz, em Paris, ocorrido em 2009, onde secretários da alta cúpula do governo, alguns, inclusive, já denunciados, e empresários foram fotografados usando guardanapos na cabeça e dançando, episódio conhecido com a “Farra dos Guardanapos”. 

Além de vizinho de Cabral no condomínio Portobello, em Mangaratiba (RJ), Georges Sadala, conhecido pelos pelos codinomes “G”, “Salada” e “Saladino”, era o grande corruptor da iniciativa privada na área de prestação de serviços especializados relacionados ao programa Rio Poupa Tempo. Sadala teve evolução patrimonial exponencial, desde o início do governo Cabral. Em troca de facilidades na contratação de suas empresas junto ao Estado do Rio de Janeiro, ele garantiu o pagamento de propina, com o aporte de, ao menos, R$ 1,3 milhão em favor da organização criminosa. 

Quem também aparece no episódio dos guardanapos é Regis Fichtner, codinomes “Alemão” e “Gaúcho”, ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral, que recebeu recursos em espécie na ordem de R$ 1,5 milhão, conforme as anotações da contabilidade paralela apreendida com o operador Carlos Bezerra. Fichtner, no exercício do cargo, solicitou e aceitou vantagem indevida para dar “especial atenção para os interesses privados de empresários do setor da saúde, prestação de serviços de alimentação e limpeza, transporte público e construção civil”. Os procuradores estimam que Regis teria recebido um total de R$ 1,56 milhão em dinheiro do esquema, de 2007 a 2014.

FONTE: Assessoria de Comunicação da Procuradoria Geral da República no Rio de Janeiro

Lava Jato/RJ: MPF denuncia pela 16ª vez Cabral além de outros quatro por crimes na Funderj

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Henrique Ribeiro, Lineu Martins, Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carvalho respondem por integrar organização criminosa, corrupção, fraudes em licitações e cartel

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro denunciou o ex-governador Sérgio Cabral pela 16ª vez e outras quatro pessoas – Henrique Ribeiro, Lineu Martins, Luiz Carlos Bezerra e Wilson Carvalho – por crimes na Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (Funderj). A ramificação da organização criminosa foi descoberta a partir dos desdobramentos das operações Calicute e Eficiência.

Semelhante ao implementado na Secretaria de Obras, o sistema de propina na Funderj contava com o auxílio de Wilson Carvalho, operador administrativo do grupo, e revelou dois novos membros da organização criminosa de Cabral: o ex-presidente da Funderj, Henrique Ribeiro, e o seu ex-chefe de gabinete Lineu Martins, presos na Operação C’est Fini.

Em material colhido em busca e apreensão da Operação Calicute, na casa do operador financeiro Luiz Carlos Bezerra, foi possível conectar anotações da contabilidade paralela da organização criminosa com os alvos das medidas cautelares cumpridas hoje. Lineu Castilho era identificado, nas anotações de Bezerra, como “Boris”, também conhecido como “Russo” e “Kalash”. Ele teria aportado cerca de R$ 17 milhões para a organização criminosa, atuando sempre como braço-direito e operador financeiro do ex-presidente da Funderj, Henrique Ribeiro, entre 2008 e 2014. A movimentação de valores se dava por dinheiro em espécie e este era internalizado no caixa dos criminosos, sendo, posteriormente, distribuído aos seus integrantes e parentes. 

As obras em virtude das quais houve o acerto de pagamento de propina pela União Norte Fluminense por meio da sistemática acima narrada comandada por Henrique Ribeiro e Sérgio Cabral, com o auxílio dos operadores financeiros Lineu Martins, Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra foram a pavimentação da rodovia RJ 230, pavimentação da Região Norte do Estado do Rio de Janeiro, obras de conservação de São Fidélis, obras na rodovia RJ 220 e obras na rodovia RJ 186. 

“O desenvolvimento e amadurecimento das investigações permitiu compreender que a organização criminosa em mote, como modernamente sói ocorrer na macrocriminalidade relacionada aos chamados crimes de colarinho branco, formatou-se em típica organização nodal, pela qual os diversos envolvidos se especializaram em núcleos de atuação, relativamente autônomos, posto que interdependentes, dando, cada um, suporte à atuação dos demais”, analisam os procuradores da força-tarefa Leonardo Cardoso de Freitas, José Augusto Simões Vagos, Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, Rafael Barretto dos Santos, Sérgio Luiz Pinel Dias, Fabiana Schneider, Marisa Varotto Ferrari e Felipe Almeida Bogado Leite.

 

Clique aqui e leia a íntegra da denúncia.

FONTE: Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Porto do Açu como síntese do Brasil

Estive ontem visitando o casal de agricultores Reinaldo e Luzia Toledo para entregar uma simples lembrança de Natal e ganhei deles um saco cheio de abacaxis tirados da pequena propriedade que não lhes foi tomada durante o escabroso processo de desapropriações que foram conduzidas pelo (des) governo de Sérgio Cabral que, por sua vez, as entregou ao ex-bilionário Eike Batista para a implantação de um natimorto distrito industrial municipal (vejam só!) na retroárea do megaempreendimento conhecido como Porto do Açu.

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Esse primeiro momento da minha visita ao V Distrito de São João é um exemplo da bondade e do cuidado com que a maioria do povo brasileiro se relaciona com a vida, onde os que pouco possuem são sempre aqueles que dividem o pouco que possuem de forma generosa a despeito das dificuldades que eventualmente apareçam pela frente.

Mas não muito longe da casa acolhedora do casal  Reinaldo e Luzia podemos encontrar a outra face do Brasil, aquela onde os poucos que controlam esse país pisoteiam sobre os direitos e os sonhos da maioria do nosso povo.  

Falo aqui das terras desapropriadas do Sítio Camará, desapropriação que foi realizada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) no longínquo dia 01 de Agosto de 2013, justamente na data em que faleceu o seu proprietário, José Irineu Toledo, sob a desculpa de que na área seriam instaladas torres de transmissão de energia que iriam abastecer o Porto do Açu [1]. Após mais de cinco anos, as torres realmente estão lá, mas sem as linhas de transmissão que justificaram a urgência da tomada das terras.

E bem ao lado do Sítio Camará, outra situação inusitada que abordei já no dia 09 de Fevereiro de 2015 [2] continua. Falo aqui da obstrução da Estrada Municipal do Saco Dantas que foi inicialmente construída pela LL(X) de Eike Batista e que continua até hoje exemplificando o controle irrestrito do território de São João da Barra pelos controladores do Porto do Açu.

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Um pouco mais distante da porteira jaz outro símbolo da distribução desigual dos custos sociais e ambientais que cercam a implantação do Porto do Açu, o processo de erosão que já engoliu  mais de 100 de metros da Praia do Açu [3]. Esse processo que se iniciou com a construção do Terminal 2 do Porto do Açu permanece hoje sem qualquer medida de mitigação que impeça o seu avanço, ainda que o mesmo estivesse previsto no processo de licenciamento ambiental realizado pela LL(X) para a construção do Canal de Navegação e da Unidade de Construção Naval do Porto do Açu!

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Mas nada espelha melhor a assimetrias que tornam o Brasil um dos países desiguais do mundo do que atravessar o latifúndio formado pela combinação das desapropriações promovidas por Sérgio Cabral via Codin com a compra de terras particulares por Eike Batista. Ali nada foi construído e os animais que pastam pertencem aos agricultores que tiveram suas terras tomadas pela Codin, e que hoje vivem em permanente conflito (ainda que camuflado) com a Prumo Logística Global, atual controladora do Porto do Açu.

E não adianta nem perguntar por onde andam o Ministério Público Estadual ou Federal, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Prefeitura Municipal de São João da Barra que não aparecem para demandar ações que possam resolver os problemas aqui apontados.  É que em se tratando do Porto do Açu, a opção claramente já foi feita em prol do capital e em detrimento dos habitantes tradicionais daquele território.  

Por isso mesmo é que o Porto do Açu é a síntese perfeita do Brasil: aos ricos tudo, aos pobres nada. Aliás, nada não. Aos pobres restam o desrespeito, a humilhação, a desterritorialização e a degradação ambiental. E tudo isso em nome de um crescimento econômico dos quais os pobres são apenas vítimas. Para delírio das corporações e seus acólitos que as servem dentro das estruturas do Estado brasileiro.


[1] http://pedlowski.blogspot.com.br/2013/08/codin-desapropria-terra-de-jose-irineu.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2015/02/09/cada-visita-uma-novidade-porteira-lacra-estrada-municipal-no-v-distrito-de-sao-joao-da-barra/

[3] https://blogdopedlowski.com/2015/09/02/erosao-avanca-rapido-na-praia-do-acu/

(Des) governador Pezão: a face mais visível do projeto de extermínio do estado no Rio de Janeiro

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No meio da crise colossal que o Rio de Janeiro atravessa, vivemos um complexo jogo de espelhos onde nada é efetivamente o que parece, a começar pelo próprio processo que convencionamos denominar de “crise”.  A primeira coisa que precisa ser dita neste momento é que a crise nunca atingiu e nunca atingirá determinados segmentos, inclusive dentro do que se convenciona chamar de “funcionalismo público estadual”.   O problema é que se criou uma narrativa tão forte de que vivemos uma crise generalizada que é muito difícil discernir o que é real nela e o que apenas é fabricado para manter o plano estratégico sendo executado pelo (des) governo Pezão para ampliar o processo de privatização do que ainda resta do setor público fluminense.

A segunda coisa que precisa ser dita é que o jeito bisonho com que o (des) governador Luiz Fernando Pezão se comporta em público não passa de uma performance de um ator bem treinado. É que ninguém sai do completo anonimato em Barra do Pirai (simpática cidade encrava no sul fluminense e que possui uma população estimada de menos de 100 mil habitantes) para ficar em cargos chaves do executivo estadual por tanto tempo. Além disso, há que se lembrar que sob o comando de Pezão, as principais políticas engendradas por Sérgio Cabral continuam sendo exemplarmente executadas, a começar pela farra fiscal que já consumiu em torno de R$ 200  bilhões aos cofres públicos do Rio de Janeiro. Mas graças ao seu jeito aparentemente tíbio, o (des) governador Pezão continua fazendo o que bem lhe dá na telha. Ele ainda se permite vir a público para pedir seguidas desculpas por não pagar os salários dos servidores, sem que seja objeto de qualquer tipo de reação mais enérgica por parte de suas vítimas principais. Em suma, Luiz Fernando Pezão é uma peça central na estratégia de saque absoluto que está sendo executada sob a complacência de todos, a começar pelo Ministério Público Estadual e terminando nos principais sindicatos dos servidores públicos estaduais.

Por outro lado, como nem todos que vivem no Rio de Janeiro são tão bobos quanto Pezão e sua turma desejariam, o fato é que o PMDB fluminense está em um processo claro de desintegração. Esse fato foi agravado pela recente prisão dos três mandarins da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas já vinha ocorrendo, como ficou demonstrado na derrota eleitoral do apadrinhado e companheiro de ingestão de vinhos de Eduardo Paes, o inexpressivo deputado federal Pedro Paulo.

Mas como nenhum grupo político abandona o poder sem luta, o que no presente caso é agravado pela necessidade de manter o avanço do projeto estratégico, há que se começar um forte processo de organização política que permita à população varrer o PMDB não apenas do Palácio Guanabara, mas também da Alerj. E dada a fraqueza objetiva dos partidos que se dizem de oposição ao PMDB, a organização vai ter que ultrapassar os limites partidários e alcançar todo tipo de organização social que esteja disposta a se engajar na superação do projeto de rapinagem que foi e continua sendo aplicado no Rio de Janeiro. Falo aqui não apenas de sindicatos, movimentos sociais, mas também organizações de igrejas, independentes de afiliação.

Ou fazemos essa ampla mobilização em prol de um futuro melhor para o Rio de Janeiro ou nos defrontaremos com o mais completo caos. Qual será a escolha que faremos?

A prisão cada vez mais curiosa de Anthony Garotinho: entre porretes e iguarias

Uma das vantagens que vejo de não estar filiado a nenhum grupo ou partido político é que posso enxergar as coisas com um melhor controle dos meus próprios filtros.  Isso tem me permitido ao longo dos anos ser consistente nas minhas posições, coisa que me parece fundamental em tempos em que muitos atores políticos jogam a consistência na lata do lixo ao sinal da primeira vantagem.

Pois bem,  por isso não tenho como deixar de considerar como cada vez mais curiosa a situação que envolve a prisão do ex-governador Anthony Garotinho e suas desventuras num sistema prisional controlado por inimigos políticos declarados. Fosse o Brasil um pais minimamente sério, Anthony Garotinho já teria sido colocado num programa federal de proteção de testemunhas, pois testemunha é no que ele se transformou ao denunciar os graves crimes cometidos contra os cofres estaduais por uma verdadeira alcateia de usurpadores de cargos públicos que dizem ser comandada pelo (ex) desgovernador Sérgio Cabral.  

Mas como estamos no Brasil e, mais especificamente, no Rio de Janeiro, Anthony Garotinho tem sido o alvo de uma consistente campanha de demonização que termina naquilo que se convencionou chamar de “prisão preventiva”, sem que se saibamos de qual prevenção se trata ou de quem está sendo prevenido.

Muitos dirão que Anthony Garotinho está onde merece estar por seus crimes. Se estivéssemos na França dos “Les Miserábles” de Victor Hugo ainda vá lá, mas supostamente não estamos.  Por isso, há que se examinar inclusive os diferentes movimentos da ópera esquisita da qual Anthony Garotinho é um participante para lá de relutante.   O primeiro  movimento, composto de duas partes, foi a decisão do juiz Glaucenir Silva de Oliveira da 98a. Zona Eleitoral de decretar a prisão de Anthony e Rosinha Garotinho e vários de seus associados.

Esta decisão foi seguida da sua declaração de impedimento para continuar julgando o caso. Depois disso, todos os meritíssimos juízes da mesma zona eleitoral se declararam impedidos por variadas razões de julgarem o caso.  Tal alinhamento entre juízes só foi visto em Campos dos Goytacazes no famigerado caso das “Meninas de Guarus” quando todos os meritíssimos da cidade se declararam impedidos. Mas neste caso, a postura dos juízes da 98a. Zona Eleitoral foi o retorno ao caso da Operação Chequinho, agora na condição de juiz tabelar, do juiz Ralph Machado Manhães, o qual já havia determinado uma prisão anterior para Anthony Garotinho.

De volta ao caso, o que decide o juiz Ralph Manhães sobre onde deveria ser enviado Anthony Garotinho para cumprir sua prisão preventiva?  Na Cadeia Pública José Frederico Marques onde estão encarcerados inimigos políticos de Anthony Garotinho, a começar pelo ex( des) governador Sérgio Cabral e dos deputados Jorge Pìcciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, que foram repetidamente denunciados nos programas radiofônicos e no blog do ex-governador.  Essa decisão me pareceu, no mínimo temerária, visto as provas evidentes de que a turma de Sérgio Cabral tem total controle sobre o que se passa dentro da Cadeia de Benfica.  Se alguém tem alguma dúvida sobre isso,  elas provavelmente desaparecerão ao se ver o vídeo abaixo que trata de uma inspeção surpresa do Ministério Público na cela (cela?) de Sérgio Cabral, onde foram encontradas as mais variadas iguarias, próprias dos restaurantes de luxo ao qual o ex-menino de ouro da mídia corporativa fluminense se acostumou a frequentar.

Erro
Este vídeo não existe

O segundo movimento desta ópera bufa foi o suposto ataque que Anthony Garotinho teria sofrido dentro de sua cela da unidade prisional para onde foi enviado pelo juiz Ralph Manhães (ver fotos abaixo que mostram os ferimentos encontrados em visita ao Instituto Médico Legal).

Rapidamente se espalhou um vídeo para mostrar que ninguém entrou na sala de Anthony Garotinho. Quem divulgou as imagens se esqueceu apenas de mencionar um “pequeno” detalhe: uma lacuna de DUAS HORAS nas filmagens. A explicação dada é que as câmeras usadas no presídio só são acionadas quando há algum movimento. Mas, sinceramente, quem em boa consciência acredita numa versão oferecida por fontes ligadas ao (des) governo Pezão que também sofrendo com as denúncias de Anthony Garotinho? De minha parte, que tomei muito pisão quando ainda jogava futebol, os ferimentos no pé de Anthony Garotinho são muito semelhantes ao que sofria ao ser pisado com vontade por adversários que usavam chuteiras.

O terceiro movimento veio com a decisão de remover Anthony Garotinho para o complexo prisional de Bangu onde ele ficará, ao que se diz, em celas monitoradas por câmeras que funcionam durante todas as 24 horas do dia. Aí uma pergunta que clama por explicações: por que esse mesmo tipo de câmera não foi instalado em Benfica? Provavelmente para que iguarias e outras benesses das quais Sérgio Cabral desfruta pudessem continuar chegando às mãos dos prisioneiros de luxo que ali se encontram. Ou será que não?

Diante de todos esses movimentos que ninguém se surpreenda se Anthony Garotinho seja beneficiado por habeas corpus emitido em Brasília. É que todas as curiosidades que foram aqui apontadas fazem parte de uma disputa que coloca em diferentes polos até frações do judiciário. Daí que Anthony Garotinho ser beneficiado por um habeas corpus faz total sentido e é quase um desdobramento natural dessa disputa.

Resta ver o que acontecerá quando Anthony Garotinho sair de Bangu. Se ele cumprir o que já prometeu, seremos premiados com mais denúncias contra atores que se beneficiaram da amizade e da proximidade com Sérgio Cabral e seu grupo de usuários de guardanapos na cabeça. A ver!