Elites podem estar errando a mão na perseguição a Lula. O resultado final pode ser sua eleição em 2018

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Faz tempo que não nutro qualquer simpatia pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, pois o considero responsável pela imensa regressão que estamos assistindo em vários aspectos dos mecanismos de proteção ambiental e social no Brasil. Vejo Lula como o principal artífice de um processo de colaboração com as elites que só causou danos aos trabalhadores no flanco estratégico da luta de classes em nosso país.

Dito isso, considero que as elites nacionais parecem estar cometendo um erro estratégico capital ao estabelecer um processo de perseguição jurídica e policial a Lula, basicamente por não querê-lo novamente como presidente do Brasil. 

Se observarmos o tratamento que está sendo dispensado a Lula e sua família pela mídia corporativa e pelo aparato jurídico-policial comandado pelo juiz Sérgio Moro não há como deixar de observar que se os mesmos tipos de cobranças e apurações fossem impostas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus filhos é bem provável que alguém já teria enfartado.

Para quem não se lembra, FHC privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e colocou seu filho Paulo Henrique Cardoso para dirigir o processo, sempre em associação com o amigo do peito Benjamin Steinbruch. Como pai afetuoso que diz ser, FHC também colocou o marido da sua filha Ana Beatriz,  David Zylbersztajn, para dirigir a Agência Nacional do Petróleo. Aliás,  Zylbersztajn só foi apeado do cargo porque sua separação da filha de FHC causou uma tremenda saia justa no governo federal.

E os exemplos de tucanos enrolados em “causos” complicados são mais numerosos, mas não vou me ocupar de descrevê-los. É que meu ponto nesta postagem se refere ao fato de que o tratamento desequilibrado contra Lula, havendo tantos podres dos políticos tucanos em evidência, poderá ter um peso decisivo na decisão de muitas pessoas de votarem em Lula se ele decidir se candidatar novamente.

Como vivemos num país em que existem casos numerosos de políticos enrolados com a justiça que se reelegem ad eternum e sem o carisma e a atração sobre os pobres que Lula tem. Paulo Maluf que o diga! Assim, para vermos Lula eleito ou elegendo mais um de seus “postes” não custa nada. 

A verdade é que não são apenas os membros da elite brasileira que são capazes de destilar ódio de classe e transformar isto em opção eleitoral. Deste modo, eu não me surpreenderei nenhum pouco se Lula for preso por Sérgio Mouro e sair da prisão para ser eleito presidente do Brasil novamente.