O derrame de petróleo que devasta o litoral brasileiro pode ter a Shell no centro do furacão

oleo alagoas

Vazamento de petróleo em Alagoas: mancha de óleo gigante aparece em Jarapatinga Imagem: Felipe Brasil/Instituto do Meio Ambiente de Alagoas / Divulgação 

Depois de serem ventiladas explicações furadas sobre um possível envolvimento do governo da Venezuela no que parece ser o pior incidente petrolífera na costa do Brasil em toda a história, agora está ficando inegável algum tipo de participação da multinacional anglo- holandesa Shell neste grave desastre ambiental.  

O envolvimento da Shell, que foi negado peremptoriamente pela empresa na primeira vez que tambores ostentando o seu logotipo foram avistados no litoral brasileira contendo um material semelhante ao que está chegando nas praias e estuários nordestinos, agora está sendo investigado pela Marinha do Brasil e pela Polícia Federal. É que com mais tambores foram encontrados, tornando inviável a alegação de que a empresa não sabia de nada.

A linha do tempo da chegada das manchas de óleo à costa e as correntes marinhas que atuam no Nordeste do Brasil

Enquanto a Shell se enrola cada vez nesse imbróglio, o que fica mais evidente é o papel nefasto que o governo Bolsonaro, mais precisamente o ministro do Meio Ambiente (ou seria anti Meio Ambiente) Ricardo Salles, teve na resposta pífia ao incidente que já atinge boa parte do litoral nordestino. 

A principal evidência da completa inépcia do governo Bolsonaro foi a notícia de que havendo desde 2013 um Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo (PNC), promulgado pela presidente Dilma Rousseff, nada foi feito para colocá-lo em prática, mesmo após 50 dias das primeiras evidências de algo muito errado estava acontecendo no litoral nordestino. Como já ocorreu em relação à devastação da Amazônia, a ação de Ricardo Salles é uma mistura explosiva de inércia com inoperância.

praias oleadasAgora com o óleo chegando em porções cada vez mais do litoral nordestino, vemos que são as prefeituras e a populações de muitos municípios nordestinos que estão literalmente colocando as luvas para tirar o óleo das praias e estuários ( ver vídeo abaixo). Com isso, ainda que haja todo esse esforço, os custos ambientais, sociais e econômicos serão devastadores em uma região de extrema importância para o Brasil, mas especialmente para as populações que dependem dela para obter sua sobrevivência.

Agora imaginemos o que poderá acontecer se um desastre de grandes proporções ocorrer em um dos muitos poços de exploração do Pré-Sal! É que a geologia dessa camada é muito mais complexa e instável do que as áreas de exploração tradicional. Se o Brasil já está demonstrando essa incapacidade quase completa de responder a um incidente de proporções graves, mas mais facilmente controláveis, o que ocorrerá se algo acontecer nas áreas de exploração que agora estão sob as mãos das corporações petrolíferas multinacionais?

Mas voltando ao possível papel da Shell no presente incidente, vamos ver agora como será a cobertura da mídia corporativa e, mais importante ainda, a atuação de Ricardo Salles.

Shell enfrenta ação legal histórica na Holanda por não atuar sobre as mudanças climáticas

A organização Amigos da Terra Holanda anunciou hoje que levará a Shell ao tribunal caso a empresa não aja de acordo com as exigências de parar com a destruição do clima.

Donald Pols, diretor dos Amigos da Terra Holanda, disse: “A Shell está entre as dez maiores empresas poluidoras do clima a nível mundial. Sabe-se que há mais de 30 anos está a causar uma mudança climática perigosa, mas continua a extrair petróleo e gás e investe bilhões na prospecção e no desenvolvimento de novos combustíveis fósseis.”

O caso é apoiado pelos Amigos da Terra Internacional, federação ambientalista que desenvolve campanhas pela justiça climática e apóia comunidades atingidas por projetos de energia suja e pelas mudanças climáticas. Amigos da Terra Internacional têm 75 grupos membros nacionais ao redor do mundo, muitos deles trabalhando para impedir que a Shell extraia combustíveis fósseis nos seus países.

Karin Nansen, presidenta da federação Amigos da Terra Internacional, comentou: “Esse caso envolve pessoas em todo o planeta. A Shell causa enormes danos, as mudanças climáticas e a energia fóssil têm impactos devastadores pelo mundo afora, mas especialmente no hemisfério Sul. Com esta ação judicial, temos a possibilidade de responsabilizar legalmente a Shell.”

O caso dos Amigos da Terra Holanda faz parte de um crescente movimento global para responsabilizar as empresas transnacionais pela sua contribuição histórica para a mudança climática perigosa, bem como pelas violações dos direitos humanos e dos povos decorrentes de suas operações em todo o mundo.

Em janeiro, a cidade de Nova Iorque foi a tribunal para exigir uma indenização às cinco maiores empresas de petróleo, incluindo a Shell, pelas conseqüências das mudanças climáticas. As cidades de São Francisco e Oakland, assim como vários condados da Califórnia, estão fazendo o mesmo. Um agricultor peruano está processando a empresa alemã de energia RWE por contribuir para que os glaciares derretam acima da sua aldeia, resultado das mudanças climáticas.

“Enquanto isso, no Brasil, o presidente ilegítimo Michel Temer indica o nome de ex-executivos da Shell para ocupar a o Conselho de Administração da estatal Petrobrás, fortalecendo os indícios de que o golpe de 2016 teria respondido aos interesses das transnacionais petroleiras. Vale lembrar que uma das primeiras mudanças de lei sancionadas após o impeachment da Presidente Dilma Rousseff foi a de alteração das regras de exploração do pré-sal, beneficiando diretamente as grandes da energia suja, como a Shell”, acrescentou Lúcia Ortiz, dos Amigos da Terra Brasil, coordenadora internacional do Programa de Justiça Econômica da federação.

O caso dos Amigos da Terra Internacional é único porque é o primeiro processo climático a exigir que uma empresa de combustíveis fósseis atue para parar de contribuir com a mudança do clima, ao invés de buscar compensações. Esse caso inovador, se for bem sucedido, limitará significativamente os investimentos da Shell em petróleo e gás a nível global, exigindo que se cumpram as metas climáticas acordadas pelos países na COP de Paris em 2015.

Nansen acrescentou: “Se vencermos este caso, haverá grandes consequências para outras empresas fósseis e se abrirá a porta para mais ações legais contra outros poluidores do clima. Amigos da Terra Internacional quer ver regras obrigatórias e vinculantes para corporações como a Shell, que muitas vezes se consideram acima da lei, inclusive quando se trata das metas climáticas”.

Mais informações:

https://www.foei.org/es/noticias/caso_legal_clima_shell#

https://www.shellwatch.nl/en/

Contatos de imprensa:

Lúcia Ortiz, Coordenadora do Programa de Justiça Econômica e Resistência ao Neoliberalismo de Amigos da terra Internacional (no Brasil)

+55 48 99915 0071 – lucia@foei.org

Karin Nansen, Presidenta da Federação Amigos da Terra Internacional (no Uruguai)


+598 98 707 161 – chair@foei.org



 Lowie Kok / Marlijn Dingshoff, de Amigos da Terra Holanda


 +3120 5507 333 / +316 2959 3883 – persvoorlichting@milieudefensie.nl

 

Sara Shaw, Coordenadora do Programa de Justiça Climática dos Amigos da Terra Internacional (na Inglaterra)


+ 447974008270 – press@foei.org

FONTE: http://www.amigosdaterrabrasil.org.br/2018/04/04/shell-enfrenta-acao-legal-historica-na-holanda-por-nao-atuar-sobre-as-mudancas-climaticas/

Aroeira retrata presidente do STF com rara fidedignidade

Sou fã de carteirinha do trabalho do chargista Renato Aroeira. Mas a charge abaixo é  de uma primazia ímpar ao retratar de forma singular e precisa as contradições cercando a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, que, em reunião recente que contou com a presença de executivos das multinacionais Shell e Coca Cola , resolveu deitar falação sobre a questão óbvia que é a iminente prisão do ex-presidente Lula.

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E adorei especialmente o título da charge… L´Acqua Nera (água negra em italiano). Perfeita metáfora para nossos tempos de luta de classes rasgada e aberta. É que reunião de presidente do STF com executivos da Shell e da Coca Cola não tem que deixar a coisa mais explícita.

Michel Temer, o “muy amigo” das petroleiras britânicas

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O jornal britânico “The Guardian” publicou ontem (19/11) uma matéria que está provocando um verdadeiro escândalo nas terras da Rainha Elizabeth. Trata-se da revelação de que o ministro britãnico de Comércio Internacional, Greg Hands, agiu sobre o governo “de facto” de Michel Temer para conseguir amplas vantagens para as petroleiras BP, Shell e Preier Oil dentro do Brasil [1].

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Esse lobby envolveu não apenas a concessão de isenções fiscais, acabar com o conteúdo nacional no Pré-Sal,  fragilizar o processo de licenciamento ambiental,  e o principal,  vender a preços mais do que generosos do blocos de exploração do pré-Sal para a BP e para a Shell.

O “interlocutor”  utilizado pelo ministro Greg Hands para fazer valer os interesses das petroleiras britânicas foi o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.  O lobby foi tão escancarado que Greg Hands postou uma fotografia do seu encontro com Paulo Pedro em sua página na rede social Twitter (ver abaixo).

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Mais detalhes sobre as tratativas do ministro Greg Hands com o governo “de facto” de Michel Temer em prol das petroleiras britânicas estão disponíveis no site jornalístico do Greenpeace do Reino Unido [2].

Em tempo, Paulo Pedrosa estaria também ativamente envolvido no processo de privatizção da Eletrobras. Se mantiver o mesmo padrão de preocupação com os interesses da população brasileira, já podemos saber que tudo será entregue a preços irrisórios.


[1] https://www.theguardian.com/environment/2017/nov/19/uk-trade-minister-lobbied-brazil-on-behalf-of-oil-giants.

[2] https://unearthed.greenpeace.org/2017/11/19/brazil-shell-bp-greg-hands-liam-fox/

Insegurança leva Shell a suspender suas operações no Porto do Açu

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Graças ao blog do professor Roberto Moraes fiquei sabendo de uma disputa envolvendo a  controladora do Porto do Açu, a Prumo Logística Global, e a multinacional anglo-holandesa Shell, a qual teria sido causada pela posição da petroleira de que a infraestrutura e os procedimentos adotados pelo porto não estavam em conformidade com os seus padrões padrões de segurança  [1]

Seguindo a trilha estabelecida pelo professor Roberto Moraes me deparei com uma matéria publicada pela revista Exame onde a Shell explicita a sua posição [2].

shell porto do açu

A má noticia adicional para a Prumo Logística é que a Shell informou que sua decisão será mantida até que haja um acordo sobre o cumprimento dos seus padrões de segurança , conforme previsto no contrato assinado entre as duas empresas.

Aí que uma pergunta clama por ser respondida: se o Porto do Açu não atende aos padrões de segurança da Shell, como se posicionarão outras petroleiras que eventualmente teriam interesse em utilizar o Terminal 1 do Porto do Açu.

Uma informação para lá de interessante que foi dada pela Shell é de que 3 incidentes teriam ocorrido nas 17 operações realizadas por ela no Porto do Açu a partir de Agosto de 2016. Por que não tivemos conhecimento público desses incidentes? Como se sabe que em pelo menos um incidente houve vazamento de óleo no mar, que tipo de problemas teriam ocorrido nos outros dois? Com a palavra os órgãos ambientais e, sim, também a Prumo Logística.

Por fim, uma observação sobre o Porto do Açu: quando o empreendimento parece que vai finalmente decolar sempre aparece algo para mostrar que não é bem assim.


[1] http://www.robertomoraes.com.br/2017/09/shell-suspende-uso-do-porto-do-acu-para.html

[2] http://exame.abril.com.br/negocios/shell-confirma-que-parou-de-usar-porto-do-acu-por-seguranca/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=barra-compartilhamento

Reunião no Quilombo da Barrinha usa “enamoramento corporativo” para tentar quebrar oposição a terminal portuário

Já comentei aqui neste blog a situação que está ocorrendo no município de São Francisco de Itabapoana (RJ) envolvendo a proposta da construção de mais um terminário portuário que ameaça a estabilidade territorial da comunidade quilombola da Barrinha (Aqui!, Aqui! e Aqui!).  Espelhando o que já ocorreu em vários megaempreendimentos portuários como no caso do Açu, (RJ), Pecém (CE) e Suape (PE), o Terminal Portuário Offshore Canaã ameaça um território do qual a população quilombola da Barrinha depende diretamente para a sua sobrevivência.

Após algum tempo sem ter novidades sobre esse caso, recebi ontem imagens e informações sobre uma curiosa reunião que foi organizada para mais uma vez tentar “vender” a ideia para os habitantes do Quilombo da Barrinha de que este empreendimento será benéfico para eles (ver imagens abaixo).

A curiosidade da reunião se deve a dois fatores básicos. O primeiro foi a composição dos que organizaram o encontro que teriam sido os representantes da empresa que pretende construir o terminal portuário, da Prefeitura Municipal de São Francisco do Itabapoana e, surpresa das surpresas, da multinacional anglo-holandesa Shell (que estaria interessada em construir um píer offshore no empreendimento).  Interessante notar que o mote do encontro não foi o terminal portuário, mas a questão do licenciamento ambiental.

O segundo fator foi a forma de aplicação do método que eu venho chamando de “enamoramento corporativo” neste caso específico. Segundo a minha fonte local, os representantes destes três atores institucionais permaneceram parte do dia na comunidade, e ali mantiveram uma reunião particular com uma liderança, e depois ofereceram um pequeno “regabofe” durante a apresentação para a coletividade.

A boa notícia é que os membros da comunidade que estavam presentes no convescote oferecido pelos apoiadores do terminal portuário saíram de lá negativamente impressionados com o que foi dito, pois a maioria não quer deixar o território que abriga o Quilombo da Barrinha, e desconfiaram que por detrás da oferta grátias de salgadinhos e refrigerantes há a disposição de expulsá-los de suas terras.

Segundo o que me disse a minha fonte, a reação da comunidade da Barrinha a esse uso da tática do “enamoramento corporativo” em São Francisco do Itapoabana é um reflexo direto das lições aprendidas com o que foi feito contra os agricultores familiares e pescadores artesanais durante a implantação do Porto do Açu. Melhor que seja assim mesmo, já que sabemos bem os métodos de ação que se seguem ao “enamoramento”. E eles não são nada amorosos com os que tradicionalmente habitam os territórios escolhidos para implantar esses empreendimentos!

 

Nigéria: como Ocidente alimenta os terroristas

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Dois fatores favorecem grupo que sequestrou duzentas meninas: pilhagem do país por transnacionais petroleiras e assassinatos praticados pelos EUA, por meio de drones

É quase inacreditável que mais de duzentas garotas possam ter sido ser sequestradas de uma escola no norte da Nigéria — em ação  realizada pelo grupo terrorista Boko Haram — e ameaçadas em um vídeo, exibido no mundo inteiro, sendo vendidas como escravas por seus capturadores. A descrença é ampliada pelas notícias de hoje de que, ao longo da noite, mais oito meninas foram sequestradas por homens armados, supostamente do Boko Haram, no nordeste da Nigéria. A tragédia toca o coração de todos, evocando um sentimento de asco não só pelo perigo e a perda da própria liberdade, mas pelo pressuposto de que para jovens garotas, seu destino deve ser o casamento forçado e a servidão, não a educação.

Existe uma revolta justa, pelo fato de que tão pouco tenha sido feita pelo governo nigeriano para encontrar as meninas, e por terem sido acusados de causar tumulto, ou mesmo presos temporariamente, muitos dos que se manifestaram contra o presidente Goodluck Jonathan.

Mas devemos ser cautelosos com a narrativa que está emergindo. Ela segue um padrão familiar desgastado, que já vimos no sul da Ásia e do Oriente Médio, mas que está sendo crescentemente aplicado também na África.

É o refrão de que algo deve ser feito; e que “nós” — o ocidente iluminado — deveríamos nos encarregar de fazê-lo. A fala da senadora norte-americana Amy Klobuchar é exemplar a esse respeito: “Este é um daqueles momentos em que nossa ação ou inação será sentida não apenas por aquelas garotas da escola que estão sequestradas e por suas famílias que esperam em agonia, mas pelas vítimas e criminosos de tráfico de mulheres ao redor do mundo. Agora é o momento de agir.”. Começa a surgir um chamado por intervenção ocidental para ajudar a encontrar as garotas, e a “estabilizar” a Nigéria no rescaldo de seu sequestro. O governo britânico já ofereceu “ajuda prática”.

As intervenções do ocidente têm falhado, uma após a outra, ao lidar com problemas particulares. Pior: levam a mais mortes, deslocamentos e atrocidades do que já eram enfrentados originalmente. Tudo isso tem sido justificado, frequentemente, com referências ao direito das mulheres. É como se as forças militares pudessem criar uma atmosfera em que terminam a violência e o abuso. As evidências apontam para o contrário.

O direito das mulheres foi um grande pretexto para a guerra do Afeganistão, iniciada em 2001, quando Laura Bush e Charlie Blair — as esposas dos chefes de governo dos EUA e Grã-Bretanha — apoiaram os planos bélicos de seus maridos, apresentando-os como suposto meio de libertar as mulheres afegãs. Hoje, após milhões serem desalojados e dezenas de milhares mortes, o Afeganistão continua sendo um dos piores países do mundo para mulheres viverem, com casamento forçado, casamento infantil, estupro e outras atrocidades ainda amplamente presentes.

E já há intervenção ocidental na África. Ela não tem o mesmo perfil do Afeganistão ou Iraque, porque as guerras passadas dificultaram as tentativas de agir diretamente por meio de tropas. Mas Barack Obama tem forças militares mobilizadas na África Ocidental através de sua base de drones Predator, no Níger, que faz fronteira com a Nigéria. Esta também é vizinha do Mali (cena de intervenções recentes da França e da Inglaterra) e da Líbia, alvo de uma guerra ocidental de bombardeios desastrosa em 2011, que deixou o país em estado de guerra civil e colapso.

Os drones norte-americanos também operam no Djibuti, Etiópia e logo além lado do Mar Vermelho, no Iêmem. O Ocidente envolveu-se em guerras por procuração recentes, na Somália. Se o terror islâmico tornou-se ameaça em cada vez mais pontos da África, os países ocidentais desempenharam um grande papel em sua criação.

Mas há outra guerra acontecendo na África: a econômica. Um continente tão rico em recursos naturais vê muitos de seus cidadãos viverem em condições indignas. Na Nigéria do presidente Jonathan, o crescimento econômico não foi direcionado aos pobres. A saúde e a educação estão fora do alcance de muitos.

A corrupção espalha-se. Exércitos e armas são mobilizados para proteger os ricos e as empresas estrangeiras, como a Shell — que quer acesso aos recursos do país, especialmente o petróleo. Corrupção e desigualdade estão associadas  ao papel do Ocidente. Fazem parte de um sistema que está preparado para começar uma guerra por recursos como  petróleo e gás, mas não entrará em guerra contra a pobreza, ou para garantir educação para todos.

É neste cenário que está inserido o terrível sofrimento das meninas sequestradas na Nigéria. E não vai melhorar com mais armas ocidentais e exércitos — na terra ou no ar.

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/nigeria-como-ocidente-alimenta-os-terroristas/