Meninas de Guarus: a justiça para os pobres sempre tarda

A imagem abaixo é uma reprodução de uma matéria do portal G1 sobre a prisão de vários dos envolvidos no infame caso conhecido como “Meninas de Guarus” que agitou a cidade de Campos dos Goytacazes em 2009 (notem que o ano citado é 2009!).

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Não vou me alongar nos detalhes sobre os  agora condenados, mas nas vítimas. É que os detalhes que emanam das apurações apontam que crianças pobres eram submetidas até a 30 “programas” por dia, onde eram obrigadas a praticar sexos com adultos e sob a influência de todo tipo de drogas perigosas. Apenas estes detalhes sórdidos me fazem pensar que a sociedade falhou com essas crianças e continua falhando com adolescentes e adultos que eles já se tornaram após longos 7 anos de espera por justiça.

E quero novamente lembrar o papel que a Revista Somos Assim comandada pelo jornalista Esdras Pereira cumpriu para impedir que todos os crimes cometidos pelos envolvidos nesse caso hediondo ficassem impunes. Quando olho em retrospectiva para o papel que a Somos Assim cumpriu só posso me orgulhar de ter estado associado ao projeto pelo tempo em que ele abasteceu a cidade de Campos dos Goytacazes com informação qualificada e baseada no mais puro jornalismo investigativo.

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Quanto aos que agora estão sendo presos por condenações associadas ao Meninas de Guarus, eu espero que fiquem lá o tempo suficiente para que desapareçam quaisquer chances de retornarem a cargos públicos. Pode parecer pouco, mas num país como o Brasil onde as injustiças contra os pobres são perpetuadas todos os dias, isto já seria um bom começo.

Meninas de Guarus: por que a prisão dos pedófilos demorou tanto?

Hoje o caso “Meninas de Guarus” ganhou espaço na mídia nacional, e o nome dos presos no dia de ontem também (Aqui!,Aqui! e Aqui!). O que mais me intriga é por que um caso como esse demorou tanto a chegar na fase da prisão dos acusados. É que se fosse um grupo de pessoas humildes não seria de se estranhar que as prisões não tivessem levado cinco longos anos para ocorrer. Mas como no meio dos acusados estão pessoas de conhecimento notório e poder político e econômico, as vítimas e suas famílias tiveram que viver todo esse tempo no sobressalto, pois a chance da retaliação só diminuirá agora com o início das prisões.

Tenho notado que diversos personagens estão querendo se apresentar como a origem da denúncia. Mas aqui é preciso dizer que o crédito para que o caso não sumisse de circulação no seu nascedouro cabe ao jornalista Esdras Pereira que fez da sua revista “Somos Assim” um veículo de transparência sobre um capítulo sórdido da nossa história recente.  Deste modo, é bom que se dê o crédito a quem merece, e não a quem agora quer jogar para a torcida.