Oligopólio chinês, demissão de expert e água envenenada: tramas do nada admirável mundo do Brasil viciado em agrotóxicos

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Algumas notícias desse início de 2020 trazem informações que apresentadas de forma desconexa não nos permitem dimensionar os graves problemas que estão apontando na arena ambiental, levando-se em conta apenas o crescente vício por agrotóxicos por parte do latifúndio agro-exportador nacional.

A primeira dessas notícias é a formação de um oligopólio “Made in China” com a fusão dos ativos do agronegócio das estatais chinesas ChemChina e Sinochem, que arrastou junto outra importante fabricante de agrotóxicos, a israelense a Adama Ltd. Essa junção de “ativos” formará uma versão turbinada da Syngenta, que passará a se denominar Syngenta Group. Como o Brasil já é atualmente fortemente dependente dos agrotóxicos fabricados na China, o surgimento da versão, digamos, anabalizada da Syngenta, sinaliza que a pressão pela aprovação de mais agrotóxicos banidos em outras partes do mundo tenderá a aumentar ainda mais.

A possibilidade de que a entrada no mercado brasileiro de mais agrotóxicos banidos ou não continue sendo uma prioridade no governo Bolsonaro que, aliás, quebrou um recorde histórico de aprovações em 2019 parece ser sinalizada com a exoneração da coordenadora do controle e avaliação deste tipo de insumos agrícolas no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).  A possível razão para essa exoneração teriam sido os alertas dados por Marisa Zerbetto ao longo do ano passado sobre os riscos trazidos pelos agrotóxicos sobre o meio ambiente.

Lamentavelmente as duas notícias se articulam com outra que até agora passou despercebida pela mídia corporativa brasileira. Falo aqui de uma reportagem produzida pelo jornalista Igor Cordellini para o jornal suíço “La Liberté” dando conta da venda de 37 toneladas do agrotóxico profenofós, fabricado pela Syngenta, que está banido na Suíça desde 2005.  O banimento na Suíca (e na União Europeia como um todo) não impediu, inclusive, que três novos produtos contendo esse organofosforado fossem aprovados pelo governo Bolsonaro em 2019.  O problema é que a reportagem do “La Liberté” mostra a presença de resíduos desse agrotóxicos em níveis muito acima dos que seriam tolerados na água que está sendo servida nas torneiras dos brasileiros.

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Quando colocadas juntas essas notícias deveriam acender luzes de alerta para todos os que se preocupam com a saúde dos brasileiros, pois a junção das grandes fabricantes chinesas deverá aumentar a pressão para que outros produtos banidos na Suíça sejam despejados no Brasil com a célere contribuição do governo Bolsonaro, a começar pelos ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), dois próceres da agricultura envenenada produzida pelo latifúndio agro-exportador.

Syngenta lucra no Brasil com venda de agrotóxicos proibidos na Suiça

Três milhões de toneladas de agrotóxicos são espalhados a cada ano em todo o mundo, especialmente no Brasil. Em seu relatório publicado na segunda-feira, a Public Eye acusa a Syngenta de ganhar bilhões de francos com produtos proibidos na Suíça.

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A organização não-governamental (ONG) suíça Public Eye, fundada em 1968, realizou uma nova denúncia pública contra a Syngenta, companhia do mesmo país que produz agrotóxicos. A entidade afirma que o modelo de negócios da empresa se baseia na venda de substâncias altamente tóxicas, vedadas pelas autoridades da Suíça.

O posicionamento da Public Eye, veiculado pela rede pública de comunicação RTS, ocorreu esta semana após uma liberação recorde de novas substâncias pelo governo Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil, segundo a ONG,  cumpre um papel fundamental nos negócios da Syngenta. 

A entidade afirma que, de todos os agrotóxicos vendidos no mundo, 310 são qualificados como extremamente perigosos pela Pesticide Action Network (Rede de Ação sobre Pesticidas, em inglês). Pelos cálculos do Public Eye, 42% das receitas da indústria de agrotóxicos são provenientes da venda desse tipo de veneno, o equivalente a 22 bilhões de francos suíços, na estimativa de 2017. 

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Mercado brasileiro representou 32% das vendas de agrotóxicos extremamente perigosos da Syngenta em 2017.

A Syngenta é parte importante deste montante: de acordo com a ONG, de 32 substâncias que a empresa comercializa, 15 são extremamente perigosas. “Apenas em 2017, estimamos que a Syngenta tenha lucrado 3,9 bilhões de francos com substâncias extremamente perigosas”, afirmou Geraldine Viret, porta-voz da Public Eye, à RTS. 

O Brasil ocupa uma posição crucial no modelo da Syngenta. Daqueles 3,9 bilhões de francos, 32% foram obtidos com a venda para o Brasil, que o ocupa o primeiro lugar nas vendas de extremamente perigosos, seguido pelos EUA. 

“No Brasil, a agroquímica e o agronegócio podem tudo. E as empresas como a Syngenta também. Lá, há cada vez mais e mais estudos mostrando as taxas de mal formação congênita, as taxas de câncer e de outras doenças crônicas muito elevadas em regiões nas quais a maior parte dos agrotóxicos são empregados”, apontou Viret. 

Roman Mazzota, diretor da Syngenta na Suíça, afirmou que, apesar da liberação brasileira de produtos vedados no próprio país, a regulação no Brasil é tão rigorosa quanto no país que sedia a companhia.

“É verdade que as autoridades brasileiras chegam a uma conclusão diferente. Eu não nego isso. Mas o fato de as autoridades brasileiras decidirem de forma diferente do que o Public Eye teria gostado não significa que as autoridades brasileiras sejam incapazes”, rebateu. 

* Colaborou Rafael Tatemoto.

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Esta matéria foi originalmente publicada pelo jornal Brasil de Fato [Aqui!]

Parlamento suíço aprova resolução para punir a Vale por acidente em Minas Gerais

Intenção é impedir que a mineradora possa deduzir de seus impostos as reparações que terá de pagar pelos danos causados no rompimento da barragem

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A Vale é acionista da Samarco, empresa responsável pela barragem que se rompeu em Mariana, Minas Gerais

O desastre ambiental em Mariana (MG) pode ter um impacto para as contas da Vale, acionista da Samarco. Nesta semana, o Parlamento da região de Vaud, na Suíça, aprovou uma resolução para impedir que a mineradora possa deduzir de seus impostos as reparações que terá de pagar pelo acidente no Brasil.

A Vale tem sua sede financeira internacional na cidade de Saint-Prex, na Suíça, e se beneficia de um acordo fiscal que permite uma forte redução dos impostos cobrados sobre a mineradora.

Proposto pelo deputado ecologista Raphaël Mahaim, a resolução foi aprovada por 67 votos a favor contra 66 contra, com três abstenções.

“A catástrofe é resultado de uma negligência da empresa e não podemos simplesmente aceitar isso”, disse a deputada Claire Richard. “Não queremos dar exoneração fiscal para aceitar qualquer coisa em nosso território”, criticou o deputado Samuel Bendahan.

Para o bloco de deputados de esquerda, a região de Vaud seria “cúmplice” do desastre ambiental se não agir contra a Vale. Apesar da aprovação, a resolução ainda precisa ser levada para um debate no nível federal. Ainda assim, os deputados acreditam que a resolução tem um forte valor simbólico e pode mudar as leis em Berna.

A aprovação gerou a irritação do governo de Vaud, que teme perder investimentos. “Se sempre que houver uma catástrofe no mundo vocês votarem uma resolução, teremos muitas”, disse Pascal Broulis, conselheiro de Estado, espécie de ministro. Para ele, não há como fazer uma distinção sobre o que é deduzido e o que deve ser proibido.

“A Vale está acompanhando o debate e se aprovarmos a resolução, daremos um sinal ruim e é todo o modelo econômico que será fragilizado”, disse. Para ele, Vaud não pode ser responsável pelo comportamento da mineradora. “A Vale vai responder por seu atos no Brasil. Nosso cantão não pode atuar onde não concerne”, apontou o deputado Mathieu Blanc.

“Decisão precipitada”

Procurada, a Vale disse por meio de sua assessoria de imprensa que a moção não causará impacto, pois a Vale International S/A não tem qualquer relação societária com a Samarco.

“Além disso, a Vale não foi responsável pelo acidente ocorrido na Samarco. O Governo suíço é soberano para fazer as suas moções. Entretanto, entendemos precipitada a decisão, já que não há qualquer conclusão sobre as causas do acidente”, diz a nota.

FONTE:http://www.gazetadopovo.com.br/economia/parlamento-suico-aprova-resolucao-para-punir-a-vale-por-acidente-em-minas-gerais-3dt3vc0cw68bdeikb5bqqrmqy?utm_source=taboola&utm_medium=referral

Até quando Eduardo Cunha será tratado apenas como “suspeito” de possuir contas secretas na Suiça?

cunha

A mídia corporativa e os setores que apoiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff estão fazendo um esforço tremendo para continuar chamando o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), como  “suspeito” de possuir contas secretas recheadas de dólares obtidos por vias não republicanas em esquemas ainda menos republicanos.

O irônico nessa situação é que a mesma cortesia não é dispensada à Dilma Rousseff contra quem não há qualquer acusação de estar envolvida nas mesmas estripulias em que Eduardo Cunha foi solenemente denunciado pelo Ministério Público da Suíça.

Mas a partir de hoje a mídia corporativa vai ter maiores dificuldades de continuar tratando Cunha como “suspeito”. É que hoje o Supremo Tribunal Federal na pessoa do ministro Teori  Zavascki deu dois golpes duros na armadura que a mídia e os áulicos do impeachment estavam tentando colocar sobre o ainda presidente da Câmara:  primeiro indeferiu o pedido escandaloso de Cunha para manter o processo movido contra ele por causa das contas sob sigilo de justiça, e em seguida determinou o bloqueio e sequestro de quase 10 milhões de reais que estão nas contas arrestadas pela justiça suíça.

Enfim, de suspeito Eduardo Cunha não tem mais nada.  Resta saber quando a mídia corporativa vai se dignar a escrever isso.

Exame: Receita investiga brasileiros com contas secretas no HSBC

Agência do HSBC

HSBC: o banco teria ajudado mais de 8,7 mil brasileiros a depositar US$ 7 bilhões em contas secretas na Suíça

Renata Veríssimo, do Estadão Conteúdo

Brasília – A Receita Federal abriu investigações para apurar “hipóteses de omissão ou incompatibilidade de informações” prestadas ao Fisco Brasileiro por brasileiros correntistas do Banco HSBC na Suíça após vazamento de dados que indicariam evasão de divisas.

Essas “hipóteses”, se confirmadas, seriam passíveis de autuação fiscal e de representação fiscal por ocorrência de crime contra ordem tributária, além de responsabilização por eventuais crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro.

Entre os investigados, estão nomes de pessoas ligadas à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apura desvios de verba da Petrobras. O banco HSBC teria ajudado mais de 8,7 mil brasileiros a depositar US$ 7 bilhões em contas secretas na Suíça.

Os dados fazem parte de documentos bancários que revelariam como a instituição teve um papel ativo em facilitar a abertura de contas, sem perguntar a origem do dinheiro e que, em muitos casos, teria ajudado a evadir impostos.

Em nota, a Receita informou nesta sexta-feira, 13, que “as análises preliminares de alguns contribuintes já revelam hipóteses de omissão ou incompatibilidade de informações prestadas ao Fisco Brasileiro, entre outros casos”.

A Receita afirmou que sua unidade de inteligência teve acesso a parte da lista contendo o nome de pessoas que “supostamente possuíam relacionamento financeiro com aquela instituição financeira na Suíça”.

O Fisco fez menção a “indícios de movimentação financeira” reveladas nesta semana pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, na sigla em inglês) que publicou a informação da existência de 6,6 mil contas bancárias abertas no Banco HSBC na Suíça, no período de 1988 a 2006, “supostamente relacionadas” a 4,8 mil cidadãos de nacionalidade brasileira, que totalizariam saldo em 2006/2007 no valor de U$ 7 bilhões.

A Receita Federal informou, ainda, que “segue aprofundando as pesquisas sobre o tema, com o intuito de obter mais informações”, inclusive mediante cooperação internacional para a “correta identificação do maior número possível de contribuintes relacionados” e o levantamento de possíveis valores não declarados.

“É relevante notar que alguns desses contribuintes já haviam sido investigados anteriormente pela Receita Federal, a partir de outros elementos constantes em suas bases de dados.

FONTE: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/receita-investiga-brasileiros-com-contas-secretas-no-hsbc

Contas secretas do HSBC paralisam o mundo, menos o Brasil

Por Patricia Faermann

Enquanto veículos internacionais a cada dia publicam novas informações e nomes de pessoas envolvidas, aqui, o jornalismo aguarda resposta

Jornal GGN – A lista de nomes de mais de 100 mil correntistas da filial do HSBC em Genebra, que construiu uma indústria de lavagem de dinheiro, intermediada por empresas offshore como forma de fugir da fiscalização dos países de origem, está correndo pelo mundo. Aos poucos, cada uma das pessoas e entidades estão sendo reveladas. França, Espanha, Suíça, Dinamarca, Índia, Angola, Bélgica, Chile, Argentina, e outros países, divulgam reportagens detalhadas a cada dia, com novas informações. Menos o Brasil.

O primeiro jornal a ter conhecimento foi o francês Le Monde. Ele teve acesso aos dados secretos de uma investigação iniciada em 2008, pelo governo da França, por meio de informações vazadas do ex-funcionário do HSBC, franco-italiano especialista em informática, Hervé Falciani.

Percebendo que o esquema envolvia mais de 200 países, o Le Monde decidiu compartilhar todo o material com o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede que integra 185 jornalistas de mais de 65 países, que investigam casos em profundidade. Do Brasil, são cinco membros: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli.

Os cinco, portanto, teriam acesso à considerada maior base de investigações fiscais do mundo, até hoje, de posse inicial do Le Monde. Nesses arquivos estão os nomes, profissões e valores de ativos de todos os clientes da filial do HSBC na Suíça. O ponto fraco dos documentos é delimitar quando houve indícios de participação de ilegalidades, uma vez que não é proibido ter uma conta bancária na Suíça. Estão incluídos nomes da realeza, figuras públicas, políticos, celebridades, empresários.

O ICIJ formou um grupo menor de jornalistas para investigar os documentos do projeto denominado como Swiss Leaks. Participam todos os países do Consórcio. Do Brasil, Fernando Rodrigues, do Uol, é o único que tem em mãos as apurações dos clientes brasileiros. 

Até o momento, as informações divulgadas pelo ex-repórter da Folha de S. Paulo são de que os dados do HSBC indicam 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, em um saldo total de US$ 7 bilhões. Nenhum nome. Fernando Rodrigues explica que entrou em contato com autoridades brasileiras, para saber se há ilegalidade nessas operações bancárias, ou se os valores foram declarados à Receita. E estaria desde novembro aguardando a resposta.

Essa desculpa não bate com o histórico do jornalista. O fato de divulgar a existência da lista e segurar os nomes dá margem a toda sorte de interpretações.

Enquanto isso, o jornalista investigativo argentino, Daniel Santoro, também membro do ICIJ, publica nomes e sobrenomes: os empresários Juan Carlos Relats, Raúl Moneta, e pessoas próximas ao governo, como o grupo Werthein. Os chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, também jornalistas, divulgam os conhecidos de alto patrimônio local: Andrónico Luksic, José Yuraszeck, Ricardo Abumohor, Óscar Lería, Álvaro Saieh, José Miguel Gálmez e o clã Kreutzberger, com filhos e parentes do apresentador de televisão “Don Francisco”.

“O Instituto de Religiosas de San José de Gerona chegou a ter 2,7 milhões na Suíça”, foi a última manchete do jornal espanhol El Confidencial , que horas antes também publicou que a família de empresários Prado figuravam na lista. Nas reportagens, o jornal indica: “a lista Falciani foi descoberta”.

Da Bélgica, o Mondiaal Nieuws mancheta: “entre os 722 belgas da lista do HSBC, estão novamente um monte de diamantes industriais bem conhecidos e descendentes de famílias nobres”. A mesma linha segue o folhetim indiano The Indian Express: “77 dos 1.195 indianos na lista suíça do HSBC estão ligados à indústria de diamantes. O jornalista Appu Esthose Suresh viajou à Mumbai para descobrir como uma pequena empresa familiar controla a indústria”.

O Paraguai denunciou o próprio presidente Horacio Cartes, que tem uma conta na filial do banco na Suíça. Egito, Dinamarca, Rússia, os países não param. O que pode ser o maior esquema de rombo fiscal está paralisando o noticiário mundial.

No Brasil, o jornalista que poderia trazer as melhores investigações publicou quatro reportagens em sua página do blog. Três delas (aqui, aqui e aqui) são a tradução de artigos de outros jornalistas estrangeiros, sem nenhuma referência ao que ocorre aqui, e quem está envolvido. 

Na quarta reportagem, enquanto aguarda a resposta das autoridades brasileiras, Fernando Rodrigues deu espaço a dados latino-americanos: “na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. (…) O saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões”. A espera não corresponde ao histórico do jornalista. Divulgar a existência da lista e segurar os nomes dão margem a toda sorte de interpretações.

O Brasil figura como o 9º no ranking de países com a maior remessa de dólares, de acordo com os arquivos vazados da Suíça. A quantia máxima de dinheiro associada a um cliente ligado ao Brasil foi de US$ 302 milhões. Foram abertas 5.549 contas de clientes brasileiros entre 1970 e 2006. Essas informações estão no site do ICIJ.

Os documentos ainda mostram que 8.667 clientes são vinculados ao Brasil. Destes, 55% tem um passaporte brasileiro ou a nacionalidade. No gráfico, é destacada a distribuição entre os tipos de contas: 70% numeradas, 10% contas vinculadas a companhias Offshore, e 20% vinculadas a uma pessoa.

As investigações, partindo de jornalistas pelo mundo, está permitindo recuperar centenas de milhões de dólares em impostos não pagos.

Como bem frisaram os jornalistas chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, “o interesse em divulgar o conteúdo destas contas não é baseado na curiosidade em conhecer os segredos dos milionários. Este projeto de jornalismo internacional – que participam mais de 140 jornalistas de 45 países – busca trazer luz sobre o dinheiro depositado na Suíça, uma jurisdição utilizada pelo alto sigilo sobre os ativos, que os protege e, em particular, sobre os clientes do HSBC, o banco que já foi objeto de uma investigação do Senado dos EUA que revelou que tem sido usado para proteger os fundos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outras irregularidades. Além disso, um grande número de contas – incluindo as de muitos chilenos – estão ligados ao uso de empresas sediadas em paraísos fiscais, uma das maneiras mais comuns de esconder quem são os verdadeiros donos”.

FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/contas-secretas-do-hsbc-paralisam-o-mundo-menos-o-brasil