Enquanto Paulo Guedes sonha em vender tudo, empresas privatizadas sinalizam para colapso iminente no transporte público do Rio de Janeiro

Depois de passar anos cobrando tarifas escorchantes e prestando serviços de qualidade duvidoso, SuperVia e Metro Rio ameaçam parar em agosto se não receberem apoio financeiro estatal

A cada dia que passa cresce a percepção de que o ministro da Fazenda Paulo Guedes ainda não entendeu que o sonho dourado que ele acalanta de privatizar estatais estratégicas, não obstante os anúncios bombásticos de que o governo Bolsonaro irá promover uma liquidação na bacia das almas no segundo semestre de 2020.

Mas os sinais de alerta não estão vindo apenas para as privatizações que se pretende fazer, mas as que já foram feitas em governos passados. Exemplo disso está ocorrendo nos serviços privatizados de transporte no estado do Rio de Janeiro, onde, por um lado, a Supervia está indicando que deverá interromper serviço de trens no Rio de Janeiro a partir de agosto e, por outro, o Metro Rio, que promete fazer a mesma coisa.

O problema poderá ser maior ainda se se confirmarem as  informações da Fetranspor de que as empresas de ônibus poderão seguir o mesmo caminho sob a alegação de que estão acumulando prejuízos milionários em função da diminuição do número de passageiros causada pelas medidas de isolamento impostas para controlar a pandemia da COVID-19.

Em comum, além da suposta crise financeira, o que as empresas de transporte que foram privatizadas estão demandando é o aporte de centenas de milhões de reais por parte dos governos estadual e federal, sob a alegação (a correta por sinal) de que o transporte público é um serviço essencial. A única coisa que estas empresas  estão esquecendo de informar é de quanto foi os lucros fabulosos que obtiveram antes da erupção da COVID-19.

Por essa situação em pleno andamento, e no caso do Rio de Janeiro inexistirem recursos em caixa para socorrer as empresas privatizadas, não será de se estranhar se nas próximas semanas o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, tiver que fazer malabarismos extremos para dizer que vai mesmo vender estatais lucrativas para, pasmemos todos, socorrer empresas privatizadas a preço de banana no passado, e que agora ameaçam ir a pique.

No fundo o que está mesmo afundando é a lógica neoliberal de entregar setores estratégicos para empresas privatizadas sob a alegação de que isto irá melhorar a qualidade dos serviços prestados. É que ao primeiro sinal de que suas margens de lucro irão diminuir, essas empresas correm para demandar ainda mais dinheiro público. Assim, diria meu falecido pai, é mole.

Enfim está explicando o riso de Júlio Lopes no dia do descarrilamento de 2014

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Nesta imagem de 19.05.2008, Júlio Lopes acompanha Sérgio Cabral em um passeio de bicicleta pela cidade de Paris. De lá, Sérgio Cabral anunciou  o lançamento de um programa de bicicletas públicas ligando pontos das cidades fluminenses.

No dia 22 de Janeiro de 2014 os passageiros que faziam uso do serviço ferroviário de transporte público na região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro enfrentaram um dia de caos por causa de um descarrilamento na estação de São Cristovão (Aqui!).

Naquele dia, o então secretário estadual de Transportes e deputado federal Júlio Lopes (PP/RJ) foi hostilizado pela população pelas péssimas condições de serviços oferecidos pela SuperVia, uma empresa do grupo Odebrecht. Mas nem isso impediu que Júlio Lopes fosse flagrado rindo sobre os trilhos na companhia do presidente da SuperVia,  Carlos José Cunha  e Arthur Vieira Bastos, conselheiro da Agetransp, agência reguladora responsável por fiscalizar a SuperVia. (ver imagem abaixo).

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Indagado sobre o motivo de estar rindo num dia marcado pelo caos de uma empresa concessionária de serviços que deveria estar sendo fiscalizada pela secretária que comandava, Júlio Lopes atribuiu o fato inusitado de rir em meio à desgraça a uma exposição excessiva à radiação solar  (Aqui!).

Não é que hoje o jornalista Lauro Jardim nos informa em sua coluna no jornal O GLOBO que o mesmo Carlos José Cunha, agora operador como delator no âmbito da operação Lava Jato revelou que Júlio Lopes matinha relações pouco republicanas  com a mesmíssima Odebrecht (Aqui!).

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Ainda que esse padrão de envolvimento de membros com o (des) governo Cabral com as práticas de distribuição de propinas pela Odebrecht já não seja nenhuma novidade, a descoberta da possível causa do riso de Júlio Bueno num dia de intenso sofrimento dos usuários da SuperVia ganha relevos escandalosos.

Mas é mais uma daquelas situações onde as elites políticas riem em meio à desgraça em que ajudam a colocar a população que depende de serviços públicos privatizados.

Resta saber agora se as denúncias de Carlos José Lopes vão levar Júlio Lopes ao mesmo destino que acabou engolindo o ex (des) governador Sérgio Cabral, seu parceiro de passeios ciclísticos por Paris.

A onipresente Odebrecht e a compra ilimitada de agentes públicos no Rio de Janeiro

O jornalista Lauro Jardim publicou hoje em seu blog no jornal O GLOBO que a Odebrecht (mais precisamente a Odebrecht Transport) teria comprado a boa vontade de dois diretores da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) por meros R$ 600 mil (Aqui!)

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Como se sabe a Odebrecht quem detém o controle acionário da SuperVia que opera a malha de ferroviária urbana de passageiros da região metropolitana do Rio de Janeiro e, por isso, o interesse em ter amigos cativos na Agetransp.

Aliás, quem ainda se lembra a SuperVia recebeu no dia 15 de Dezembro de 2015 um mimo do (des) governo Pezão que assumiu, com aprovação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,  uma dívida de R$ 38,9 milhões que a empresa tinha com a Light (Aqui!)? É que  o projeto teve o aval, pasmemos todos, da Agetransp!  Daí que, convenhamos,  que os tais R$ 600 mil saíram muito baratos para a Odebrecht.

Enquanto isso,  a imensa maioria dos servidores e aposentados do Rio de Janeiro continuam sem saber sequer quando receberão os salários de Novembro/2016. Em outras palavras, o que saiu barato para a Odebrecht está saindo caro para os servidores e para a população mais pobre que depende dos seus serviços.

Transparência RJ descobre outro “negócio da China” com o dinheiro público: a compra dos trens chineses para a SuperVia

O blog “Transparência RJ” continua sua busca por negócios feitos pelo (des) governo do Rio de Janeiro com o dinheiro público, normalmente para encher os cofres das corporações privadas. A última descoberta se refere à compra de trens chineses para entregar à SuperVia que opera a concessão desse setor do transporte público (Aqui!).

Alguns detalhes chamam a atenção em mais esse “negócio da China” com o dinheiro do contribuinte fluminense. A primeira questão observada é o encarecimento de cada unidade adquirida dos chineses, pois o preço saltou de pouco mais de R$ 9 milhões para quase R$ 19 milhões, o que rendeu um gasto total de pouco mais de R$ 1,31 bilhão. A segunda questão descoberta pelo Transparência RJ é que a causa desse aumento foi o uso do Yuan como moeda de referência e da mudança da taxa de conversão da moeda chinesa para Real. Em outras palavras, outra matemática financeira complicada que requereria maiores explicações dos responsáveis pelo contrato de compra dos trens chineses.

O outro elemento que me causa estranheza é o fato do estado do Rio de  Janeiro continuar comprando trens para usufruto da SuperVia.  Tal situação configura um verdadeiro negócio da China para a SuperVia que já vem sendo beneficiada com isenções fiscais milionárias e acaba recebendo de graça trens para cobraram algumas das tarifas mais caras no setor no mundo.  

Essa política de apropriação das verbas públicas para beneficiar operadores de serviços públicos privatizados se revela como um verdadeiro escândalo, já que não há sequer a contrapartida em termos de serviços de qualidade, o que é comprovado pela agrura diária a que a população que tenta usar os serviços prestados pela SuperVia que é controlada nada mais, nada menos que pela empreiteira Odebrecht (Aqui! e Aqui!).

A coisa fica ainda mais cheirando a escândalo quando se leva em conta que em 2010, o ex-(des) governador Sérgio Cabral prorrogou a concessão da SuperVia por mais 25 anos (Aqui!), garantindo assim que a Odebrecht possa tirar o maior proveito possível da compra dos trens chineses que agora, graças ao Transparência RJ, se sabe que não saíram tão barato quanto o anunciado em 2012. E a cereja neste bolo de gosto duvidoso é o fato da mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, ter em sua carteira de clientes no período da renovação da concessão, a própria SuperVia!

E depois os culpados pela crise financeira por que passa o Rio de Janeiro são os servidores públicos da ativa e aposentados. Façam-me o favor!

Trens urbanos: o retrato de um governo que descarrilou

Jornal do Brasil

A triste cena que assistimos na manhã desta quarta-feira (22), com milhares de pessoas caminhando pelos trilhos da rede ferroviária urbana do Rio, é o retrato do ocaso de um governo. Reflexo da incapacidade, ou a falta de vontade mesmo, de dar a essas pessoas um transporte com as mínimas condições de conforto, segurança e eficiência. São milhões de trabalhadores maltratados diariamente na via férrea a caminho do trabalho.

O Jornal do Brasil há tempos vem alertando para o problema dos trens urbanos do Rio e em setembro, na matéria “Diário sobre trilhos: 15 anos de problemas e falhas da SuperVia”, listava todos esses problemas. A Agetransp – agência que regula e fiscaliza os transportes públicos no Rio – nesses quinze anos de falta de investimentos, acidentes e transtornos constantes na via férrea, nunca tomou atitude alguma com relação à concessionária e pelo que se viu nos últimos dias de 2013, vai continuar do mesmo jeito.

No final de dezembro, o governador Sérgio Cabral nomeou para a Agetransp o ex-diretor do Metro, Cesar Ferraz Mastrangelo, além do ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Arthur Vieira Bastos, os ex-deputados Aparecida Gama e Carlos Correia, e a ex-chefe de gabinete do presidente da Alerj, Lucineide Pereira Cabral Marchi. Com esse time, fica fácil prever os rumos da agência.

Os problemas que os trabalhadores que dependem dos trens urbanos enfrentam constantemente não se restringem apenas às falhas do transporte. O atraso para chegar no trabalho é outro transtorno que ninguém pode resolver. Como explicar ao patrão tantos atrasos por conta do trem? Quem vai arcar com o prejuízo do ponto cortado? Perguntas que certamente ficarão sem respostas.

Os flagrantes dos problemas nos transportes públicos no Rio são diários, para desespero da população carioca que infelizmente não tem para quem reclamar. A apatia e inépcia da Agetransp se estende também ao Metro que não se integra totalmente com outros meios de transporte, não tem investimentos para ampliação da rede e por várias vezes os equipamentos de acesso estão parados, como escadas rolantes e elevadores que deveriam servir a cadeirantes. Esse é o retrato dos transportes públicos do Rio e também a cara de um governo que está no fim.

FONTE: http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2014/01/22/trens-urbanos-o-retrato-de-um-governo-que-descarrilou/

Manhã de caos no sistema de trens no Rio de Janeiro

A situação caótica do (des)governo de Sérgio Cabral está exposta mais uma vez na manhã desta 5a. feira com o apagão do serviço de trens que é prestado na região metropolitana pela empresa SuperVia. Nunca é demais lembrar que a SuperVia tem em seu quadro de advogados ninguém menos do que a esposa do (des) governador, a advogada Adriana Ancelmo.

Ainda que não seja nova, esta situação explicita os efeitos da privatização dos serviços de transporte público que no (des) governo Cabral foi acompanhada por uma proximidade perigosa entre interesses privados de governantes e empresas. A recente nomeação de pessoas ligadas às concessionárias para a “Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro” (AGETRANSP) foi apenas um capítulo a mais nessa novela de horror que se abate diariamente sobre os trabalhadores fluminenses.

Agora quem deve estar coçando a cabeça em desespero é o vice-governador Luiz Fernando, o Pezão, que vai assumir o (des) governo do Rio de Janeiro em meio às proximidades da Copa do Mundo, onde o total despreparo do sistema privatizado de transportes certamente ficará escancarado.