A megera do Trianon

TRIANON

Por João Vicente Alvarenga*

Não devemos mais de nos estranhanharmos diante dos pequenos e grandes escândalos, protagonizados, sejam por agentes públicos menores ou por anônimos, sem constrangimento ou sem a cara vermelha. O leitor logo logo vai entender sobre o que escrevo. Segunda-feira, 31/07/2023, apresentamos, depois de muitos meses de intensos ensaios, a peça “A Magia do Trianon”, no próprio Novo Ttianon.

Um grande elenco, envolvendo atores, atrizes, cantores, cantoras e uma orquestra (por se tratar de um musical).

As principais lideranças e empreendedoras do evento, as atrizes Neusimar da Hora e Fernanda Gomes incansáveis na coordenação desse magistral evento, que o conduziu com muita competência e responsabilidade.

E o elenco não estava longe desse comportamento.

Todo gestor público traz consigo uma alta carga de cinismo, de exercício sado-masoquista de poder e um forte e perverso instinto de maldade. Em se tratando de gestores de segundo escalão, tudo isso se potencializa ao extremo.

Naquela noite do dia 31/07/2023, o Teatro Trianon se preparou para 2 grandes e importantes eventos: o primeiro foi a merecida homenagem ao ator (in memorian) Kapi, com sua imagem esculpida, transformada em troféu com o qual foram homenageados 18 talentosos artistas do cenário cultural campista. Parabéns a Antônio Filho pela iniciativa; Esse foi o primeiro evento. O segundo, o mais aguardado, era a peça “A Magia do Trianon” que comemorava seus 25 anos. Bailarinos, bailarinas, vedetes, música e muito humor.

Mas como sempre tem quem manifesta o sádico prazer de estragar a festa, fomos testemunhos desse horror. Quem urubuzou a festa? a presidente da FCJOL, cujo nome não será trazido à tona!, porque seu feito foi mesquinho e covarde, ou seja, ela proibiu que Neusimar da Hora e Fernanda Gomes participassem da peça. Decisão de última hora. Um desavergonhado ato de censura de fazer inveja aos censores de qualquer tempo e lugar onde se concentre um regime de exceção.

Duas atrizes fundamentais para o desenvolvimento do espetáculo foram impedidas de realizar seu trabalho. O espetáculo correu o risco de não acontecer se prevalecesse a insistência de também proibir a participação de do bailarino e ator Dudu Guedes. O elenco foi unânime. Sem Dudu, não haverá peça a ser apresentada. Se defendeu o elenco.

Ela então recuou e abriu exceção. Houve o espetáculo, porque Dudu foi mantido no elenco.

Perguntamos: o que tinham essas pessoas em comum para se tornarem presas de uma baleia fora d’água, de uma megerá indomável?

Um país como o nosso, onde o mal feito, a irregularidade, a ilegalidade são o pano de fundo da atividade dos três poderes da República, e do poder executivo, o que significa e de que forma se dimensiona a saudável desobediência civil, atitude nossa conhecida dos tempos da Ditadura Militar.

Quem é a voz que se cala e o corpo que, por incrível que pareça, some e se esconde pra não se mostrar em forma de um bicho de 4 patas, incongruente.

Neusimar da Hora e Fernanda Gomes, pelo fato de serem cargos de confiança da FCJOL foram caluniadas quando divulgou-se que elas estavam na relação dos artistas que receberiam cachê por um trabalho feito honestamente.

A presidente da FCJOL foi a arauto dessa asneirice, quando, ao fim do espetáculo, ela toma o palco, ao meio aos gritos do elenco, e pensando que vai prestar um prestimoso serviço ao Ministério Público Estadual – justificar a ausência das atrizes, o que fez será carregar esse fardo pro resto de sua vida.

Isso sim é indecente e imoral, ou seja, uma representante do executivo municipal, na função de leva-e-traz! Por determinação dessa instância jurídica (MPE), as 2 atrizes estavam fora do palco.


João Vicente Alvarenga é Professor, Mestre em Filosofia, Ator  e Escritor.

Cenas campistas: vivendo como se estivéssemos no início do Século XX

Raramente uso o espaço deste blog para criticar questões paroquiais da cidade de Campos dos Goytacazes, pois existem inúmeros blogs que fazem de sua profissão de  fé, o escrutínio da gestão da prefeita Rosinha Garotinho. que eu toco o meu barco (que dizer, blog) em outra direção.

Mas existem coisas pequenas que mostram como é que estamos longe de uma forma de gerir a nossa cidade que nos coloque minimamente no Século XXI. E o problema é que essas coisas mínimas são apenas sintomas de uma visão que considero equivocada de como gerir o espaço urbano e valorizar o que temos de melhor em termos de instrumentos urbanos.

Vejamos a cena abaixo para talvez deixar mais claro o que estou querendo dizer.

trianon 1

O que é mostrado na imagem em questão é a ação de uma equipe de funcionários da concessionária Águas do Paraíba recolhendo esgoto em um ponto da região central na manhã deste sábado (19/090. Além de atrapalhar o trânsito, já que isso se dava numa esquina bastante movimentada, eu sempre me pergunto sobre o destino do esgoto recolhido. Será que sou o único?

Mas deixando a iniciativa privada e seus interesses de privada de lado por um segundo, mostro a segunda imagem que produzi logo após me desvencilhar do pequeno congestionamento causado pela equipe de recolhimento de esgoto.

trianon

O que está imagem mostra é a condição imunda em que se encontra o lago artificial (ou seria mesmo só uma piscina?) que ornamenta a área frontal do Teatro Municipal Trianon, um dos nossos mais belos cartões postais. Essa situação foi comentada por um casal de idosos que caminhava na minha frente, e que lamentava tanto descaso por parte dos gestores municipais.

Reconheço que, numa cidade com tantos problemas, o que mostro acima é nada ou quase nada. Mas o meu ponto é justamente esse. É que se continuamos recolhendo esgoto como se fazia no início do Século XX e permitimos a degradação de um cartão postal cujo gerenciamento é relativamente simples, o que será que anda acontecendo no resto do município? 

E antes que alguém ache que estou aqui apoiando a oposição consentida, aquela que tomar a prefeitura para basicamente governar da mesma forma que governa a prefeita Rosinha Garotinho, aviso logo que não é esse o caso. Aliás, do jeito que a coisa anda, continuo achando que o grupo político que hoje controla a Prefeitura vai vencer as eleições de 2016. E, lamentavelmente, continuaremos vivendo como se estivéssemos congelados numa bolha temporal. E, pior, sem os orçamentos bilionários que foram trazidos pelos royalties do petróleo.