Novo Panorama Ambiental Global da ONU alerta: sobrevivência na Terra está ameaçada

O cenário não é dos melhores, por isso, ações efetivas e com grande adesão mundial se fazem necessárias

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Descongelamento – Foto: Pavel Špindler CC BY 3.0

Por Mayumi Yamasaki – Editorias: Atualidades, Rádio USP, Jornal da USP no Ar – 

O sexto Panorama Ambiental Global (GEO-6), principal avaliação periódica da  Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação do meio ambiente, evidencia novamente a urgência de uma mudança na postura em relação aos problemas ambientais. De acordo com o relatório, caso isso não ocorra, daqui a alguns anos os acordos que visam à melhora das condições do planeta não serão cumpridos e, mais que isso, a sobrevivência na Terra se tornará insustentável.

As consequências dessa forma de vida que foi assumida ao longo de anos já foram constatadas em diversos estudos. O derretimento do gelo contido no Oceano Ártico é um exemplo. O relatório da ONU cita o aumento das temperaturas na superfície polar como a causa do fenômeno e ainda aponta como decorrência dele a alteração dos padrões climáticos, uma vez que o aumento dos níveis oceânicos pode interferir na dinâmica das correntes marinhas. Serão afetados pela transformação do clima os animais vertebrados, inclusive os terrestres.

Assim, a documento mostra que houve uma queda bem significativa no índice global da vida no planeta. Essa diminuição envolve também vários outros fatores, como o desmatamento e a caça, mas a informação mostra como os vários ecossistemas estão conectados.

Pela interligação dos ecossistemas, o ser humano acaba se tornando outra vítima de suas próprias ações, seja de um modo direto ou indireto. Dados que constam no documento mostram a elevação, ao longo dos anos, da ocorrência de terremotos, tornados, deslizamentos de terra e outros fenômenos naturais que causam perdas para a sociedade. Isto é, os impactos desse processo na vida humana estão cada vez mais notáveis.

O GEO-6  analisa quão efetivas estão sendo as políticas de inovação e abordagens do governo que visam a diminuir os problemas ambientais. A análise da ONU é otimista, concluindo que essas medidas funcionam sim, apesar de demandar certos ajustes, e cita os acordos multilaterais como colaboradores para o aprendizado entre os países.

No final do relatório, a Organização das Nações Unidas indica a integração entre os setores de elaboração de políticas, incluindo agricultura, turismo, indústria, transporte e outros, além de investimento em estudos e sistemas de conhecimento (dados, indicadores, avaliações etc.) para possibilitar medidas mais efetivas e que possam ser aplicadas em mais lugares. Tais ações, certamente, demandariam mudanças nas preferências de consumo e responsabilidade corporativa, mostrando que as saídas existem. E que levarão, além da salvação dos ecossistemas, à promoção da saúde humana e sua prosperidade.

Jornal da USP no Ar, veiculado pela Rádio USP, repercutiu o lançamento do GEO-6 com o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, coordenador científico do Painel GEO-6 da ONU, e com Paulo Saldiva – professor da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP –  para comentar o conteúdo do relatório, onde ressaltam e explicam a importância do documento. Confira:

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador científico do Painel GEO-6 da ONU.

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Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP

Faça o download do relatório Aqui!

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.


Esta reportagem foi originalmente publicada pelo Jornal da USP [Aqui!]

Erastóstenes e o impossível mundo velho dos terra planistas

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Desde 1998 ofereço a disciplina “Geografia I” aos alunos do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Como parte da disciplina faço um esforço para explicar a formação da disciplina geográfica a partir dos pensadores gregos, destacando a contribuição de Erastóstenes de Cirene que para muitos é uma espécie de fundador da Geografia.

Entre as muitas contribuições desse pensador há algo que o habilita a tal posição. É que por volta do ano de 220 a.C., Erastóstenes calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km [1], partindo de uma premissa que hoje parece básica, qual seja, o fato do nosso planeta ser um geoide (i.e., esferoide achatado, algumas irregularidades devido à diferenças locais de  densidade). 

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Erastóstenes de Cirene (279 a.C. a 194 a.C.) calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km em torno de 220 a.C.

O mais impressionante desse cálculo é que medidas feitas mais recentes, feitas com aparelhos de alta precisão, determinaram que a circunferência da Terra é de 40.075 km. E, mais importante, que nosso planeta é realmente um esferoide, não havendo assim mais espaço para pregações de que a Terra seria plana, como era comum em sociedades da idade do Bronze e do Ferro [2].

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A gravura Flammarion (1888), representando um viajante que chegou ao limite de uma Terra plana e espreita através do firmamento

Aliás, não deveria haver espaço, pois há uma crescente audiência na internet para a disseminação de falsidades que retomam a ideia de que a Terra seria plana.  É que nos tempos de “fake news” sempre há audiência para qualquer besteira e, por isso, a terra plana tem hoje milhões de “followers“.

Mas felizmente teremos sempre como recorrer à genialidade de Erastóstenes para enxergar que vivemos num esferoide e, que por isso, qualquer tentativa de relacionar os atuais problemas econômicos e políticos que estão ocorrendo no planeta em escala global a uma suposta trama dos tais ” marxistas culturais”.

Difícil vai ser convencer o novo ministro das Relações Exteriores da conexão entre forma do planeta e a forma de relação que marca de forma irreversível as relações econômicas e políticas no Século XXI.


[1] https://www.fc.up.pt/mp/jcsantos/Eratostenes.html

[2] https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-da-terra-plana/

O “jeitinho estrangeiro” no controle da propriedade da terra no Brasil

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Conheci a Dra. Madeleine Fairbairn em 2012 quando participei de uma conferência na Cornell University sobre a questão da estrangeirização da propriedade da terra em países da periferia do capitalismo, como é o caso do Brasil. Pois bem, agora ela acaba de me enviar o artigo intitulado “Foreignization, Financialization and Land Grab Regulation” que acaba de ser publicado pelo tradicionalíssimo “Journal of Agrarian Change” (Aqui!).

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O artigo reflete a pesquisa que levou à obtenção do título de doutorado da professora Fairbairn a partir de um estudo realizado no Brasil em 2011.  Entre outras coisas, o artigo discute como empresas controladas por capital estrangeiro utilizam um “jeitinho estrangeiro” para circunavegar as restrições impostas em 2010 pelo governo brasileiro para a aquisição de terras por empresas estrangeiras.

Nunca é demais lembrar que em maio do atual ano, a atual ministra da Agricultura, a dublê de latifundiária e senadora Kátia Abreu, defendeu abertamente liberação da compra de terras por estrangeiros no Brasil, sob a alegação de que a legislação que protege os interesses nacionais na propriedade de terra estaria impedindo o avanço dos investimentos na agricultura (Aqui!). 

Por último tenho que dizer que a leitura do artigo da Dra. Fairbairn pode ser muito interessante para aqueles que querem entender como a questão da desapropriação das terras para a construção de um suposto distrito industrial em São João da Barra se encaixe na dinâmica global em que a questão da estrangeirização da propriedade da terra está inclusa. É que, precisamos lembrar, a Prumo Logística Global é essencialmente um braço “made in Brasil” de um fundo de investimento privado estrangeiro.

 

 

 

Estudo climático coloca a humanidade em “zona de perigo”

 

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As mudanças no clima e o alto número de animais e plantas em extinção estão empurrado a Terra a uma “zona de perigo” para a humanidade. Esta é a conclusão de um estudo científico feito por 18 especialistas internacionais, grupo liderado por Will Steffen da Australian National University, que acaba de ser publicado no renomado jornal Science.

De acordo com o Daily Mail, os pesquisadores pretendiam ampliar um relatório semelhante desenvolvido em 2009 sobre “fronteiras planetárias” para o uso seguro de seres humanos.

A investigação mostra gráficos que comparam a “grande aceleração” da atividade humana desde o início da revolução industrial (em 1750) até 2010 com as consequentes alterações na Terra – nos níveis de gases de efeito estufa, da acidificação do oceano, do desmatamento e da degradação da biodiversidade, por exemplo.

“Fica difícil estimar a escala e a velocidade dessas mudanças. Em uma única vida, a humanidade se tornou uma força geológica em escala planetária. Eu não acho que nós quebramos o planeta, mas estamos criando um mundo muito mais difícil. Quatro limites foram cruzados, colocando a humanidade em uma zona de perigo”, explicou Steffen à publicação.

Os limites ultrapassados citados por ele foram em mudanças climáticas, perda de espécies, uso da terra e poluição por fertilizantes. Entre 9 limites avaliados, uso de água limpa, acidificação do oceano e esgotamento do ozônio foram considerados dentro dos limites seguros. Outras, como níveis de poluição de carbono, ainda estão sendo analisadas.

FONTE: http://noticias.terra.com.br/ciencia/estudo-climatico-coloca-a-humanidade-em-zona-de-perigo,bb02c4abb62fa410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html