Erastóstenes e o impossível mundo velho dos terra planistas

terra-plana

Desde 1998 ofereço a disciplina “Geografia I” aos alunos do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Como parte da disciplina faço um esforço para explicar a formação da disciplina geográfica a partir dos pensadores gregos, destacando a contribuição de Erastóstenes de Cirene que para muitos é uma espécie de fundador da Geografia.

Entre as muitas contribuições desse pensador há algo que o habilita a tal posição. É que por volta do ano de 220 a.C., Erastóstenes calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km [1], partindo de uma premissa que hoje parece básica, qual seja, o fato do nosso planeta ser um geoide (i.e., esferoide achatado, algumas irregularidades devido à diferenças locais de  densidade). 

erastostenes de cirene

Erastóstenes de Cirene (279 a.C. a 194 a.C.) calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km em torno de 220 a.C.

O mais impressionante desse cálculo é que medidas feitas mais recentes, feitas com aparelhos de alta precisão, determinaram que a circunferência da Terra é de 40.075 km. E, mais importante, que nosso planeta é realmente um esferoide, não havendo assim mais espaço para pregações de que a Terra seria plana, como era comum em sociedades da idade do Bronze e do Ferro [2].

Universum

A gravura Flammarion (1888), representando um viajante que chegou ao limite de uma Terra plana e espreita através do firmamento

Aliás, não deveria haver espaço, pois há uma crescente audiência na internet para a disseminação de falsidades que retomam a ideia de que a Terra seria plana.  É que nos tempos de “fake news” sempre há audiência para qualquer besteira e, por isso, a terra plana tem hoje milhões de “followers“.

Mas felizmente teremos sempre como recorrer à genialidade de Erastóstenes para enxergar que vivemos num esferoide e, que por isso, qualquer tentativa de relacionar os atuais problemas econômicos e políticos que estão ocorrendo no planeta em escala global a uma suposta trama dos tais ” marxistas culturais”.

Difícil vai ser convencer o novo ministro das Relações Exteriores da conexão entre forma do planeta e a forma de relação que marca de forma irreversível as relações econômicas e políticas no Século XXI.


[1] https://www.fc.up.pt/mp/jcsantos/Eratostenes.html

[2] https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-da-terra-plana/

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