Jogos Olímpicos: a ressaca depois da festa e as dívidas impagáveis

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O jornal inglês “The Guardian” publicou hoje uma ampla matéria escrita pelo cientista político Luís Eduardo Soares sobre a ressaca que inapelavelmente se abaterá sobre o Rio de Janeiro após o encerramento dos Jogos Olímpicos  (ver imagem monstrando uma reprodução parcial da matéria).

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A abordagem tomada por Luís Eduardo Soares vai além dos clichês patrióticos que ressaltam uma suposta capacidade do brasileiro em produzir grandes coisas, desafiando desconfianças que apenas refletiriam um suposto complexo de vira lata no plano interno, e de um imperialismo cultural no plano externo.

Luis Eduardo Soares também vai além ao colocar a herança problemática para além das dívidas impagáveis quando ressalta o tipo de transformação segregacionista que foi operada na cidade do Rio de Janeiro, deixando como resultado uma cidade ainda mais dividida e, pior, sem liderança ou direção a seguir. 

Luis Eduardo Soares encerra dizendo que  o Rio de Janeiro é bom quando apresenta sua face espetacular, mas com problemas graves no seu cotidiano. E essa característica, somadas todas as dívidas e obras inacabadas é que seriam a base de uma ressaca que começará já nesta segunda-feira.

Quem desejar ler a matéria completa, basta clicar (Aqui!)

The Guardian mostra o lado B dos Jogos Olímpicos Rio 2016

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Ainda que com erros e exageros localizados, a cobertura que a mídia internacional está dando do chamado “Lado B” dos Jogos Olímpicos em vias de encerramento na cidade do Rio de Janeiro é muito reveladora de que nem tudo é dourado sob os arcos olímpicos do COI.

Um exemplo disso é a matéria que acaba de ser publicada online pelo jornal inglês “The Guardian” e que leva a assinatura de Jonathan Watts com um título em português que poderia ser lido como “O assassinato de residentes de favelas continuam enquanto os Jogos seguem em frente no Rio de Janeiro”  (Aqui!) (ver reprodução parcial abaixo).

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Além de dar voz de residentes da Vila do João que estão sofrendo um verdadeiro cerco, e que já resultou em várias mortes, após o incidente fatal que vitimou um militar da Força Nacional, Watts chama a atenção para o fato de que para proteger atletas e turistas, o Estado brasileiro recheou toda a região que leva até o aeroporto internacional do Galeão com tropas militares. Entretanto, como bem colocou um dos moradores entrevistados, para os moradores mesmo é que sobra é o terror de viver entre o fogo cruzado criado pelos confrontos das forças militares com narcotraficantes. numa condição que beira um estado de sítio não declarado.

Watts chama ainda a atenção de seus próprios colegas da mídia internacional que estão gastando rios de tinta para noticiar o falso assalto envolvendo membros da delegação dos EUA, enquanto pouco ou nada se fala sobre a militarização dos espaços ocupados pelos pobres.

A matéria é encerrada com uma comparação nada abonadora de um morador da Favela da Maré que declarou a Watts que “ao contrário das competições de tiros das Olimpíadas, os alvos na vida real são pessoas negras que estão mortas de medo”.

Enquanto isso na mídia corporativa brasileira o que se ouve são patriotadas e demonstrações contínuas de misoginia e desrespeito.

Spy cables: Ação conjunta entre Al Jazeera e o The Guardian joga luz sobre o mundo da espionagem mundial

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Em mais um caso que se assemelha ao escândalo causado pelo vazamento de documentos da National Security Agency (NSA), uma ação conjunta entre a rede catariana “Al Jazeera” e o jornal britânico “The Guardian”, um mega vazamento de documentos de espionagem começou a ser divulgado nesta segunda-feira (23/02). 

Segundo o que diz a Al Jazeera, os documentos cobrem um período que vai de 2006 até o final de 2014, e incluem informações detalhadas de relatórios operacionais e análises internas escritos por agentes da “South Africa State Security Agency (SSA)”. Estes documentos revelam correspondências secretas com a Agência de Inteligência dos Estados Unidos, CIA, com o MI6 da Grã Bretanha, com o Mossad de Israel, e com a FSB (ex-KGB) da Rússia, e com dezenas de outros serviços de inteligência da Ásia, Oriente Médio e África. 

Quem quiser saber mais sobre esta verdadeira “bomba atômica” sobre os negócios normalmente cobertos de segredo das agências de espionagem, basta clicar (Aqui!) ou (Aqui!).

O escândalo HSBC coloca em xeque a liberdade de expressão

Por Carlos Castilho, Do Observatório da Imprensa

No Brasil, o megaescândalo de lavagem de dinheiro na sucursal suíça do banco inglês HSBC passou em brancas nuvens apesar haver suspeitas sobre oito mil correntistas brasileiros. Mas na Europa o tema está provocando conflitos entre profissionais nas redações e a direção de jornais importantes como Le Monde, na França, e Daily Telegraph, na Inglaterra.

No Monde, que foi um dos jornais líderes na investigação do escândalo, os donos criticaram duramente repórteres e editores sob a alegação de que o noticiário prejudicou interesses financeiros da empresa editora do matutino de tendência liberal. Pierre Bergé, um dos dois principais controladores da empresa editora do Le Mondeacusou a redação do jornal de “populismo barato” e incentivo aos “instintos mais baixos” das pessoas.

Bergé é um dos três milionários franceses que em 2010 compraram o Le Monde para evitar que o jornal fechasse. Os demais sócios – Mathieu Pigasse, presidente do banco de investimentos Lazzard e Xavier Nigel, magnata das telecomunicações – apoiaram as declarações do fundador do grupo Yves Saint Laurent. Pigasse chegou a classificar a cobertura do escândalo HSBC como um “macartismo fiscal”.

Mas os três milionários foram ainda mais longe na verbalização de suas queixas contra o jornalismo praticado pela redação do Le Monde ao afirmar candidamente que “não foi para isso que decidiram assumir o controle do jornal”. Pouco depois que Bergé, Pigasse e Nigel compraram o Le Monde, eles assinaram um acordo pelo qual garantiam total independência editorial para os jornalistas, mas agora estão arrependidos do trato feito.

No britânico Daily Telegraph, o seu principal comentarista político, Peter Oborne, renunciou ao cargo e pediu demissão do jornal acusando os seus proprietários de “fraudar os leitores” ao deliberadamente omitir informações relacionadas às denúncias de que o HSBC ajudou cerca de 100 mil clientes a lavar 180 bilhões de euros (pouco mais de meio trilhão de reais) em sua agência de Genebra, na Suíça.

Oborne vinha criticando a direção do jornal desde 2013, quando o HSBC suspendeu a publicidade no Telegraph depois de ser apontado pelo jornal como cúmplice de nebulosas transações financeiras no paraíso fiscal da ilha Jersey, controlada pelo Reino Unido, no canal da Mancha. O jornalista informou que, na época , um dos executivos do Telegraph lhe disse que o banco “era um cliente importante demais para ser ignorado”.

No Brasil, os jornais GloboFolha Estadão deram uma cobertura microscópica ao escândalo HSBC, como já comentou neste Observatório o colega Luciano Martins Costa. A situação mais embaraçosa é a da Folha de S.Paulo, que participou da investigação sobre o HSBC coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, mas preferiu a omissão quando o problema esbarrou nos interesses comerciais da imprensa.

O caso HSBC tornou-se exemplar não apenas pelo fato de resultar de um esforço coletivo de um grupo de jornais, numa rara atitude de colaboração mútua, mas principalmente porque colocou na ordem do dia a independência das redações diante dos interesses comerciais dos donos de empresas jornalísticas. Patrões e empregados foram colocados em campos opostos num tema crítico como a lavagem de dinheiro e as suas óbvias ligações com a corrupção.

A retórica da independência editorial e da liberdade de expressão nas redações ficaram seriamente arranhadas com a reação pública ou dissimulada de muitos donos de jornais que não tiveram dúvidas em colocar o dinheiro acima da informação na hora de enfrentar as consequências de divulgação de um escândalo envolvendo corrupção em escala planetária.

Os mesmos jornais que mergulharam fundo na investigação das denúncias de caixa 2 na Petrobras, agora “olham para o outro lado” quando se trata de um banco que gasta por ano meio bilhão de dólares em publicidade em todo o mundo.

A reação dos donos colocou os profissionais nas redações numa situação difícil, conforme Roy Greenslade, principal analista da mídia no jornal inglês The Guardian. Para ele, o caso HSBC colocou dramaticamente em evidência o aforismo de que a liberdade de expressão na imprensa só funciona para os seus donos. Com exceção do Guardian, que é controlado por uma fundação, nos demais grandes jornais do mundo o caso HSBC está sendo tratado com panos quentes. Peter Oborne é, por enquanto, o único profissional de renome mundial a hipotecar o seu emprego na defesa da liberdade de expressão nas redações. 

FONTE: http://www.jornalggn.com.br/noticia/o-escandalo-hsbc-coloca-em-xeque-a-liberdade-de-expressao

Inglaterra enfrenta explosão em sua população de de moradores de rua

O jornal britânico “The Guardian” acaba de publicar um artigo assinado por John Henley abordando o que ele caracterizou como sendo uma tempestade perfeita, que no jargão saxão implica numa combinação de fatores que potencializam alguma coisa (Aqui!). Segundo Henley, em 2013 um total de 112.070 pessoas se declararam como sendo “sem teto” na Inglaterra, o significou um aumento de 26% em apenas quatro anos. Ao mesmo tempo, o número de pessoas dormindo em condições precárias nas ruas de Londres aumentou em 75%, englobando o incrível número de 6.437 pessoas.

Mas Henley deu uma explicação para a formação desta “tempestade perfeita”: um acordo de 6.7 bilhões de libras esterlinas em auxílio moradia, reformas nos pagamentos de pensões, e a falta de moradias para a população mais pobre.

Agora, vejam abaixo como alguns estabelecimentos comerciais estão resolvendo o problema dos moradores de rua em Londres!

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Imprensa inglesa estranha “elite branca” nos estádios

Por Miguel do Rosário

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O jornal The Guardian fez uma crítica interessante à Copa que até agora não mereceu nenhum comentário de nossa imprensa. Matéria assinada por David Goldblatt fala que, enquanto os gramados (em inglês, pitch) mostram a miscigenação intensa dos países latino-americanos, cujas seleções tem se destacado no torneio, as arquibancadas (stands, em inglês) contam uma “história diferente”.

Chamou a atenção do repórter (eu também já havia reparado nisso, mas na torcida brasileira), a hegemonia absoluta de cidadãos de ascendência europeia nas torcidas das nações latinas.

É evidente que o fato reflete as desigualdades históricas no continente, uma realidade que explica a emergência de governos populares, progressistas, com políticas públicas visando mudar esse quadro.

A matéria faz informações e análises bem mais completas do que o resumo deste post. O problema não acontece apenas nas torcidas latino-americanas, mas de quase todos os países.

Houve incidentes de racismo entre argentinos e mexicanos e observou-se a presença de faixas com inscrições de extrema-direita ou mesmo fascistas, entre torcedores da Croácia e da Rússia.

Ao final, o jornalista alerta que o mundo deveria se preocupar, na organização de um evento que deveria celebrar a diversidade, a paz e o pluralismo, em aumentar a diversidade social e étnica das torcidas.

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FONTE: http://tijolaco.com.br/blog/?p=18622