No The New York Times, Felipe Neto mostra porque Bolsonaro é pior que Trump no combate à COVID-19

felipe neto

O youtuber Felipe Neto declarou no jornal estadunidense  The New York Times, em vídeo publicado nesta quarta-feira (15), que “os presidentes Trump e Bolsonaro há muito admiram os estilos cáusticos de governança. Portanto, não deve ser surpresa que os Estados Unidos e o Brasil sejam os únicos dois países do mundo com mais de um milhão de casos confirmados de COVID-19″ (ver vídeo abaixo).

Dada a amplitude da audiência do “The New York Times” e o fato que Felipe Neto usou bem a língua inglesa para passar sua mensagem, o mais provável que ele tenha conseguido alienar os apoiadores de Donald Trump e Jair Bolsonaro na mesma proporção.

Mas como o próprio Felipe Neto disse no vídeo, “quando o palhaço tem que falar sério, o circo provavelmente está pegando fogo”.  Uma excelente definição para o que está acontecendo lá e cá.

New York Times diz que há ameaça de “golpe militar” no Brasil para manter Bolsonaro no poder

Jornal afirma que o alto escalão do oficialato brasileiro está de olho em uma brecha para “acabar com a democracia”

Bolsonaro-e-militares(Crédito: Fotos Públicas)

Por Equipe InfoMoney

 

SÃO PAULO – O jornal americano The New York Times publicou nesta quarta-feira (10) uma reportagem em que afirma que há a possibilidade de um “golpe militar” no Brasil para garantir a manutenção do presidente da República, Jair Bolsonaro, no poder.

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No artigo, assinado pelos repórteres Simon Romero, Letícia Casado e Manuela Andreoni, o jornal destaca que Bolsonaro está sendo pressionado por todos os lados por conta do aumento nas mortes diárias provocadas pelo coronavírus e das investigações contra seus filhos e aliados.

“A crise cresceu de forma tão intensa que que algumas das mais poderosas figuras do País estão emitindo alertas de instabilidade – sinalizando que podem tomar o controle e acabar com a maior democracia da América Latina”, escrevem.

Os jornalistas lembram da declaração que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deu recentemente de que não haveria mais uma questão sobre se uma ruptura democrática iria ocorrer, mas quando.

Sem citar fontes, a reportagem informa que alguns oficiais dentro do Planalto estão ativamente examinando cenários nos quais os militares poderiam intervir.

Um oficial que não foi autorizado a falar publicamente disse que uma intervenção está fora do radar por ora, mas certos movimentos do Judiciário como ordenar uma busca e apreensão na residência oficial de Jair Bolsonaro como parte das investigações poderia mudar este quadro.

De acordo com o New York Times, o Brasil representou uma esperança para o mundo emergente nas últimas décadas, com uma economia pujante e a atração dos holofotes com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, mas desde então o País foi abalado por uma crise econômica e por graves escândalos de corrupção envolvendo figuras políticas proeminentes.

Bolsonaro teria surgido então, de acordo com a reportagem, como uma promessa de restaurar a ordem que flerta com o passado de ditadura militar do País. Porém, desde então ele se tornou alvo de críticas por minimizar a pandemia de COVID-19, sabotar medidas de isolamento e “capitanear uma das maiores contagens de mortos do mundo”.

Tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que a família do presidente é acusada de abuso de poder, corrupção e disseminação de fake news.

Recentemente, a casa de análises Rosa & Roubini, dos economistas Brunello Rosa e Nouriel Roubini, escreveu que Bolsonaro tem tido comportamentos cada vez mais autocráticos e o Financial Times apontou que Bolsonaro “acendeu o medo” na democracia brasileira.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo InfoMoney [Aqui!].

The New York Times: Sob o líder de extrema-direita do Brasil, as proteções amazônicas são cortadas e as florestas derrubadas

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A floresta amazônica no estado do Pará, Brasil. O desmatamento está aumentando no país, mas o atual governo reduziu a aplicação de leis de proteção.  Por Mauro Pimentel / Agence France-Presse – Getty Images

Por By Letícia Casado and 

BRASÍLIA – A destruição da floresta amazônica no Brasil aumentou rapidamente desde que o novo presidente de direita da nação assumiu o poder e seu governo reduziu os esforços para combater a extração ilegal de madeira, pecuária e mineração.

Proteger a Amazônia esteve no centro da política ambiental do Brasil nas últimas duas décadas. Em um ponto, o sucesso do Brasil em desacelerar a taxa de desmatamento tornou-se um exemplo internacional de conservação e o esforço para combater a mudança climática.

Mas com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, um populista que foi multado pessoalmente por violar as regulamentações ambientais, o Brasil mudou substancialmente de rota, recuando dos esforços que fez para desacelerar o aquecimento global ao preservar a maior floresta tropical do mundo.

Enquanto fazia campanha para a presidência no ano passado, Bolsonaro declarou que as vastas terras protegidas do Brasil eram um obstáculo ao crescimento econômico prometeu abri-las à exploração comercial.

Sete meses depois, isso já está acontecendo.

A parte brasileira da Amazônia perdeu mais de 2.128 km2 de cobertura florestal desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro, um aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a agência do governo que rastreia o desmatamento.

Somente em junho, quando a estação mais fria e seca começou e o corte de árvores se tornou mais fácil, as taxas de desmatamento aumentou drasticamente, com aproximadamente 80% mais cobertura florestal do que em junho do ano passado.

O desmatamento da Amazônia está aumentando à medida que o governo de Bolsonaro recua com medidas de fiscalização, como multas, advertências e apreensão ou destruição de equipamentos ilegais em áreas protegidas.

Uma análise de registros públicos do New York Times descobriu que tais ações de fiscalização pela principal agência ambiental do Brasil caíram 20% durante os primeiros seis meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2018. A queda significa que vastas extensões da floresta tropical podem ser derrubado com menos resistência das autoridades da nação.

bolsosallesPresidente Jair Bolsonaro do Brasil, à direita, em pé com Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente. Por Joedson Alves / EPA, via Shutterstock

As duas tendências – o aumento do desmatamento e a crescente relutância do governo em enfrentar atividades ilegais – são preocupantes para pesquisadores, ambientalistas e ex-autoridades que afirmam que o mandato de Bolsonaro pode levar a enormes perdas de um dos recursos mais importantes do mundo.

“Estamos enfrentando o risco de desmatamento descontrolado na Amazônia”, oito ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil escreveram em uma carta conjunta em maio, argumentando que o Brasil precisava reforçar suas medidas de proteção ambiental, não enfraquecê-las.

Bolsonaro rejeitou os novos dados sobre o desmatamento, chamando as mentiras de seu próprio governo de “mentiras” – uma afirmação que os especialistas chamam de infundada. Durante uma reunião com jornalistas internacionais na semana passada, o presidente chamou a preocupação com a Amazônia de uma forma de “psicose ambiental” e argumentou que seu uso não deve ser para estrangeiros.

“A Amazônia é nossa, não sua”, disse ele a um jornalista europeu.

A posição do governo Bolsonaro tem atraído fortes críticas dos líderes europeus, injetando uma irritação a um acordo comercial fechado no mês passado entre a União Europeia e um bloco de quatro países sul-americanos, incluindo o Brasil.

Durante uma recente visita, Gerd Müller, ministro de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, disse que proteger a Amazônia é um imperativo global, especialmente considerando o papel vital da floresta tropical na absorção e armazenamento de dióxido de carbono, essencial para o esforço de desacelerar o aquecimento global. E quando as árvores são cortadas, queimadas ou intimidadas, o dióxido de carbono volta diretamente para a atmosfera.

A Alemanha e a Noruega ajudam a financiar um fundo de conservação de US $ 1,3 bilhão para a Amazônia, mas o governo Bolsonaro questionou sua eficácia, levantando a possibilidade de que o esforço possa ser suspenso.

“Sem florestas tropicais, não há solução para o clima”, disse Müller durante um evento em São Paulo.

amazon 1Desmatamento na Amazônia Ocidental do Brasil. Por Carl De Souza / Agence França-Presse – Getty Images

Poucas semanas antes de sua posse, o Brasil abruptamente abandonou seu compromisso de sediar uma cúpula global sobre mudanças climáticas. Então, quando ele assumiu o cargo, o governo de Bolsonaro cortou o orçamento da principal agência ambiental em 24%, parte de uma redução de custos mais ampla em todo o governo.

Ele denunciou multas ambientais como uma “indústria” que precisa ser fechada. E seu governo disse que pretende enfraquecer a autoridade dos agentes de proteção ambiental para queimar veículos e outros equipamentos pertencentes a madeireiros e mineradores em áreas protegidas.

Bolsonaro rejeitou críticas internacionais a suas posições, argumentando que os pedidos para preservar grandes partes do Brasil fazem parte de um plano global para impedir o desenvolvimento de seu país. Neste mês, ele acusou os líderes europeus de pressionar por uma conservação mais forte da Amazônia, porque eles esperam desenvolvê-la no futuro.

“O Brasil é como uma virgem que todo pervertido do lado de fora quer”, disse ele.

O Brasil já havia tentado se apresentar como um líder na proteção da Amazônia e no combate ao aquecimento global. Entre 2004 e 2012, o país criou novas áreas de conservação, aumentou o monitoramento e retirou créditos governamentais de produtores rurais que foram apanhados arrasando áreas protegidas. Isso trouxe o desmatamento ao nível mais baixo desde que a manutenção de registros começou.

Mas sofreu reveses antes. Enquanto a economia mergulhava em uma recessão em 2014, o país tornou-se mais dependente das commodities agrícolas que produz – carne bovina e soja, que são as causas do desmatamento – e do poderoso lobby dos ruralistas. O desmatamento começou a subir novamente.

Bolsonaro prometeu acabar com as barreiras remanescentes para o desenvolvimento de terras protegidas. Ele também falou ironicamente sobre o trabalho de fiscalização da agência ambiental, que ele experimentou em primeira mão.

Em 25 de janeiro de 2012, agentes ambientais interceptaram um pequeno barco de pesca em uma reserva ecológica no estado do Rio de Janeiro que o Sr. Bolsonaro, então legislador federal, estava a bordo. Ele discutiu com os agentes por cerca de uma hora e ignorou suas exigências de que ele fosse embora, disse José Augusto Morelli, o agente responsável pela equipe.

Bolsonaro se recusou a se identificar, disse Morelli. Mas o agente tirou uma foto de Bolsonaro, que usava uma sunga branca parecido com uma Speedo.

amazonia 2Terras desmatadas no estado do Amazonas. A Amazônia perdeu 837 quilômetros quadrados de cobertura florestal entre agosto de 2018 e abril. Por Bruno Kelly / Reuters

Bolsonaro nunca pagou a multa, que foi rescindida pouco depois de ele ser empossado como presidente em janeiro. No final de março, Morelli foi rebaixado, decisão que ele considera uma forma de retaliação à multa de 2012.

A recusa do Sr. Bolsonaro em pagar a multa é comum. Quase cinco por cento das multas ambientais no Brasil são contestadas na justiça, um processo que muitas vezes se arrasta por vários anos.

Agora, o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, quer criar um mecanismo que daria a um painel do governo o poder de reduzir ou suspender penalidades ambientais, preocupando ex-funcionários que dizem que isso enfraqueceria a fiscalização ainda mais.
 
Salles, que não respondeu a vários pedidos de entrevista, reconheceu as deficiências das agências de fiscalização ambiental encarregadas de policiar a atividade comercial em áreas protegidas. Mas ele argumentou que o sistema havia sido esvaziado pelos governos anteriores.

Quanto ao meio ambiente, Salles disse que o governo está priorizando problemas urbanos, como a modernização dos sistemas de gerenciamento de esgoto e tratamento de esgoto, que ele disse estarem em um estado “vergonhoso”.

Outras autoridades do governo de Bolsonaro responderam ao forte aumento do desmatamento com uma mistura de negação e defesa.

Com uma abordagem diferente, Onyx Lorenzoni, chefe de gabinete de Bolsonaro, apontou o que chamou de tentativas do exterior para moldar a política ambiental do Brasil.

“Não somos ingênuos”, disse Lorenzoni. “Existe uma visão no mundo, patrocinada por organizações não-governamentais, que relativiza a soberania do Brasil sobre a Amazônia.”

Mas, ele advertiu em uma recente reunião com os repórteres: “Aqui está uma pequena mensagem: ‘Não brinque com a gente'”.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The New York Times” [Aqui!].

Tsulama da Vale em Brumadinho aparece na capa do The New York Times

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O jornal estadunidense colocou o Tsulama da Vale na sua edição deste domingo (10/02) numa ampla reportagem assinada pelos jornalistas Shasta Darlington, James Glanz, Manuela Andreoni, Matthew Bloch, Sergio Peçanha, Anjali Singhvi e Troy Griggs sob o título de “A Tidal Wave of Mud” (que pode ser traduzido como um “Maremoto de Lama” (ou simplesmente como chamo “Tsulama”).

A reportagem prima por oferecer uma série de gráficos e imagens que mostram em detalhe as estruturas que colapsaram em Brumadinho (MG) e dos seus impactos imediatos sobre o meio ambiente e sobre a população que vivia no entorno dos reservatórios de rejeitos da Vale (ver imagens abaixo).

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Mas além de abordar em riqueza de detalhes o que ocorreu em Brumadinho, a reportagem do “The New York Times”  falou também das ameaças iminentes em outras dezenas de cidades brasileiras onde existem reservatórios semelhantes aos que romperam em Mariana e Brumadinho.

Segundo a reportagem, a ameaça iminente da ocorrência de novos Tsulamas já surgiu em Barão de Cocais onde a Vale teve que tomar a “medida preventiva” de remover cerca de 500 pessoas de suas casas, explicando que tinha iniciado o seu plano de emergência após uma empresa de consultoria, a Walm, ter se recusado  a atestar a estabilidade da barragem.

A reportagem introduz a fala do prefeito de Barão de Cocais,  Dúcio dos Santos, de que “Nós não sabíamos que a represa era perigosa.”, e acrecentou que “o verdadeiro risco de barragens no Brasil – e em outros lugares – é em grande parte desconhecido.

Uma informação importante que parece ter se perdido nas que foram produzidas pela mídia corporativa brasileira é de que “assim como em Brumadinho, as barragens acima das áreas já evacuadas de Barão de Cocais e de Itatiaiuçu, são barragens a montante, e que há um total de 88 represas a montante em todo o Brasil, e todas, com exceção de quatro, têm a mesma classificação de segurança que a estrutura em colapso – ou pior – de acordo com registros oficiais”.  Segundo o The New York Times, algumas dessas barragens mal classificadas residem diretamente em áreas povoadas. Pelo menos 28 destas barragens de rejeitos estão diretamente para cima de cidades ou vilas, e podem ameaçá-los se falharem.(ver abaixo alguns dos exemplos compilados pela equipe do “The New York Times” que mostram os casos de Conselho Lafaiete, Crixás, Igarapé, Itaquaquecetuba, João Monlevade e Nova Lima).

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A reportagem ressalta ainda a força das mineradoras em Minas Gerais cuja economia estaria “viciada em mineração” e, por isso, totalmente nas mãos das mineradoras que contam com o beneplácito dos governos para continuar sua atuação sem maiores controles.  O caso de Mariana é apontado como um exemplo de como a indignação que seguiu ao colapso da barragem da Samarco fez pouco para melhorar a situação de controle das atividades das mineradoras. Aliás, como bem apontou o geógrafo e professor da UFMG,  Klemens Laschefski, Depois do Tsulama Mariana, o sistema de licenciamento ficou mais flexível”.

O impacto do amplo conteúdo desta reportagem deverá ir além dos leitores do “The New York Times” e deverá ter repercussões sobre o mercado de ações na Bolsa de Nova York. É que, apesar de já haver amplo conhecimento sobre os danos sociais e ambientais gerados pelas atividades de mineração, pouco é conhecido sobre como a mesma se dá no Brasil, e dos riscos iminentes de novos Tsulamas ocorrerem em represas a montante.

Vai ser interessante ver como se comportará o governo Bolsonaro frente às inevitáveis consequências desta reportagem, especialmente no que se preparava para a sacramentação do autolicenciamento como ferramenta principal de liberação de empreendimentos com impactos sobre o meio ambiente. Como já disse em uma entrevista à Rede Brasil Atual, o Tsulama da Vale em Brumadinho deixou o rei nu. Vamos ver agora como ele se comporta.

Quem desejar ler a matéria do “The New York Times” na íntegra, basta clicar [Aqui!]

New York Times produz matéria sobre como indústria de alimentos viciou o Brasil em junk food

junk food

O jornal estadunidense “The New York Times” publicou ontem uma esclarecedora matéria sobre a ação da indústria dos alimentos processados para literalmente viciar a população brasileira em alimentos processados, com um título igualmente esclarecedor “Como a Grande Indústria Viciou o Brasil em Junk Food”.  Como mostram os jornalistas Andrew Jacobs e Matt Richtel, os efeitos desta ação premeditada de empresas como a Nestlé, Coca Cola, Pepsi Cola e a McDonald´s tem sido a ocorrência de um nível sem precedentes de aumento do nível de obesidade e todas as condições que a ela estão relacionadas, incluindo hipertensão arterial e diabetes.

Como a matéria foi preparada de forma meticulosa e está rica em informações, a minha sugestão é que todos acessem a versão em português (a matéria foi publicada em inglês, espanhol e português). Para tanto, basta clicar no link que está no final desta postagem [1].

Mas posto abaixo algumas das imagens publicadas na reportagem, as quais demonstram que segmentos mais pobres da população brasileira estão entre os alvos preferenciais dessa ação da indústria dos alimentos processados.

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[1] https://www.nytimes.com/2017/09/16/health/brasil-junk-food.html