Tsulama da Vale em Brumadinho aparece na capa do The New York Times

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O jornal estadunidense colocou o Tsulama da Vale na sua edição deste domingo (10/02) numa ampla reportagem assinada pelos jornalistas Shasta Darlington, James Glanz, Manuela Andreoni, Matthew Bloch, Sergio Peçanha, Anjali Singhvi e Troy Griggs sob o título de “A Tidal Wave of Mud” (que pode ser traduzido como um “Maremoto de Lama” (ou simplesmente como chamo “Tsulama”).

A reportagem prima por oferecer uma série de gráficos e imagens que mostram em detalhe as estruturas que colapsaram em Brumadinho (MG) e dos seus impactos imediatos sobre o meio ambiente e sobre a população que vivia no entorno dos reservatórios de rejeitos da Vale (ver imagens abaixo).

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Mas além de abordar em riqueza de detalhes o que ocorreu em Brumadinho, a reportagem do “The New York Times”  falou também das ameaças iminentes em outras dezenas de cidades brasileiras onde existem reservatórios semelhantes aos que romperam em Mariana e Brumadinho.

Segundo a reportagem, a ameaça iminente da ocorrência de novos Tsulamas já surgiu em Barão de Cocais onde a Vale teve que tomar a “medida preventiva” de remover cerca de 500 pessoas de suas casas, explicando que tinha iniciado o seu plano de emergência após uma empresa de consultoria, a Walm, ter se recusado  a atestar a estabilidade da barragem.

A reportagem introduz a fala do prefeito de Barão de Cocais,  Dúcio dos Santos, de que “Nós não sabíamos que a represa era perigosa.”, e acrecentou que “o verdadeiro risco de barragens no Brasil – e em outros lugares – é em grande parte desconhecido.

Uma informação importante que parece ter se perdido nas que foram produzidas pela mídia corporativa brasileira é de que “assim como em Brumadinho, as barragens acima das áreas já evacuadas de Barão de Cocais e de Itatiaiuçu, são barragens a montante, e que há um total de 88 represas a montante em todo o Brasil, e todas, com exceção de quatro, têm a mesma classificação de segurança que a estrutura em colapso – ou pior – de acordo com registros oficiais”.  Segundo o The New York Times, algumas dessas barragens mal classificadas residem diretamente em áreas povoadas. Pelo menos 28 destas barragens de rejeitos estão diretamente para cima de cidades ou vilas, e podem ameaçá-los se falharem.(ver abaixo alguns dos exemplos compilados pela equipe do “The New York Times” que mostram os casos de Conselho Lafaiete, Crixás, Igarapé, Itaquaquecetuba, João Monlevade e Nova Lima).

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A reportagem ressalta ainda a força das mineradoras em Minas Gerais cuja economia estaria “viciada em mineração” e, por isso, totalmente nas mãos das mineradoras que contam com o beneplácito dos governos para continuar sua atuação sem maiores controles.  O caso de Mariana é apontado como um exemplo de como a indignação que seguiu ao colapso da barragem da Samarco fez pouco para melhorar a situação de controle das atividades das mineradoras. Aliás, como bem apontou o geógrafo e professor da UFMG,  Klemens Laschefski, Depois do Tsulama Mariana, o sistema de licenciamento ficou mais flexível”.

O impacto do amplo conteúdo desta reportagem deverá ir além dos leitores do “The New York Times” e deverá ter repercussões sobre o mercado de ações na Bolsa de Nova York. É que, apesar de já haver amplo conhecimento sobre os danos sociais e ambientais gerados pelas atividades de mineração, pouco é conhecido sobre como a mesma se dá no Brasil, e dos riscos iminentes de novos Tsulamas ocorrerem em represas a montante.

Vai ser interessante ver como se comportará o governo Bolsonaro frente às inevitáveis consequências desta reportagem, especialmente no que se preparava para a sacramentação do autolicenciamento como ferramenta principal de liberação de empreendimentos com impactos sobre o meio ambiente. Como já disse em uma entrevista à Rede Brasil Atual, o Tsulama da Vale em Brumadinho deixou o rei nu. Vamos ver agora como ele se comporta.

Quem desejar ler a matéria do “The New York Times” na íntegra, basta clicar [Aqui!]

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