Amazônia em chamas: couro, carne e soja são as primeiras baixas da catástrofe ambiental causada pelo governo Bolsonaro

amazon burning

O portal UOL publicou hoje um artigo assinado pelo jornalista Lucas Borges Teixeira onde são informadas as primeiras retaliações por governos estrangeiros e corporações multinacionais contra um portfólio que inclui couro, carne e soja contra o qual se inicia um boicote por causa das queimadas que estão consumindo áreas consideráveis na Amazônia brasileira.

Há que se notar que quando o fundador e CEO da rede sueca de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg, deu o pontapé inicial no que agora pode se transformar um amplo boicote comercial às commodities agrícolas produzidas no Brasil, muita gente deu de ombros e desconsiderou a iniciativa em função do tamanho relativamente pequeno da empresa. 

timberland

Entretanto, agora são empresas como a Nestlé e o conglomerado VF Corp (dono de marcas como KIippling, Timberland e Vans) e a Mowi (maior produtora de salmão do mundo) que estão se movendo para punir o Brasil por causa das queimadas na Amazônia. Além disso, o governo da Finlândia vem insistindo em boicote à carne brasileira. Quando colocados juntas, essas ações antecipam um processo de boicote que poderá ser devastador para a capacidade do Brasil de colocar suas commodities agrícolas em grandes mercados internacionais.

Enquanto isso no Brasil, o governo Bolsonaro insiste em uma posição que mistura arrogância com ignorância e oferece sinalizações claras que continuará desmontando a governança ambiental e os mecanismos de comando e controle existentes na Amazônia com o fechamento de escritórios do IBAMA em vários estados amazônicos. Além disso, persiste o discurso de revisão da demarcação de áreas indígenas e a abertura dessas terras à exploração por latifundiários e mineradoras.

A postura do governo Bolsonaro se assemelha a um jogador de pôquer que insiste em jogar todo o dinheiro que possui, apesar de ter ao seu dispor cartas que significam derrota certa, por acreditar que se pode blefar e sair ileso porque os adversários jamais vão pagar para ver. 

O problema é que, dados os grandes interesses em jogo por causa da importância estratégica da Amazônia na mitigação das mudanças climáticas globais, esta insistência em blefar pode trazer efeitos econômicos desastrosos para o Brasil. 

Para piorar todo esse cenário conspira o fato de que o pico das queimadas na Amazônia brasileira normalmente ocorre anualmente ao longo da primeira quinzena de setembro por motivos que se relacionam ao simples fato de que as florestas derrubadas demoram algum tempo para alcançar o ponto ideal de flamabilidade. Por isso, é bem provável que ainda vejamos grandes manifestações contra o Brasil no exterior ao longo do mês de setembro. A ver!

Queimadas na Amazônia geram boicote de grandes marcas internacionais ao couro brasileiro

California wild fire near Yosemite

Em carta enviada ao ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, }Ricardo Salles,  o presidente do Centro de Indústria de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, informa que pelo menos 18 grandes marcas mundiais (Timberland,  Dickies,  Kipling,  Vans, Kodiak,  Terra,  Walls, Workrite,  Eagle Creek,  Eastpack, JanSport,  The North Face,  Napapijri,  Bulwark,  Altra,  Icebreaker,  Smartwoll,  Horace Small) suspenderam a compra de couro brasileiro “em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país”.  O presidente do CICB informa ainda que seria uma “informação devastadora” por atingir um setor que chega “a gerar US$ 2 bilhões em vendas ao mercado externo em um único ano“.

E pensar que o presidente Jair Bolsonaro chega a declarar que as questões relacionadas ao meio ambiente só importam “aos veganos que só comem vegetais“. O problema é que não apenas isso não é verdade, como muitos veganos entre os consumidores das marcas que estão suspendendo a compra de couro brasileiro por causa da devastação que as políticas anti-ambientais comandadas por ele e por Ricardo Salles tão eficazmente aplicaram em oito meses de governo.

Agora vamos ver como se vira Jair Bolsonaro em uma briga que não é com um presidente francês, mas com um ramo poderoso da indústria da moda e vestuário.  Aos consumidores dessas marcas resta agora ver de onde sairá o couro com que serão fabricados os produtos que eles tanto gostam. A ver!