Oráculo: o que esperar da partida de Rafael e seus menudos, e a chegada de Wladimir e seus secretários “experientes”?

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Good-bye Rafael, welcome Wladimir: saem os menudos e entram os experientes

A primeira coisa que quero dizer que se 2021 já me garantiu uma alegria essa se dá na certeza de que não terei mais de escrever sobre as políticas equivocadas do agora ex-jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais. É que, confesso, esse blog não foi criado para acompanhar em micro-escala as idas e vindas da ação governamental no Brasil. Eu tenho pretensões de outra natureza para a utilidade deste espaço, e fazer o trabalho que deveria estar sendo feito pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, e por uma sociedade civil que deveria ser organizada nunca esteve nos meus planos. Foi o estelionato eleitoral de Rafael Diniz que me obrigou a dedicar atenção aos muitos equívocos que ele e seus menudos neoliberais cometeram ao longo de longuíssimos quatro anos (especialmente longos para quem é pobre e dependente da existência de empregos para não afundar na miséria extrema).

Ouvi com atenção o discurso de posse do novo prefeito Wladimir Garotinho, e avalio que ele acertou mais do que errou nas direções que sinalizou para a sua gestão. Se ele vai cumprir a promessa de governar olhando para frente e pensando na maioria da população só o tempo dirá.

Tenho a impressão de que ele terá um governo bem mais monitorado do que o de Rafael Diniz foi. Avalio que muito provavelmente teremos a volta de uma ação mais diligente do Ministério Público Estadual que andou estranhamente silencioso desde janeiro de 2017. Também não estranharei se ocorrer uma reativação da blogosfera campista que tinha dezenas de blogs funcionando para micro-monitorar o governo de Rosinha Garotinho, mas que entraram em um peculiar estado de letargia, com muitos dos blogueiros tendo suas verves críticas acomodadas em cargos de confiança no governo municipal. Com o fim, digamos, dessas oportunidades de colaborar com a gestão municipal, é quase certo que os blogueiros voltem a ser blogueiros, e Wladimir Garotinho se torne rapidamente alvo daquelas postagens apimentadas com as quais Rafael Diniz não teve de conviver. Por último, avalio que teremos a emergência de mecanismos de observação autônomos em relação a forças políticas tradicionais, mas que se ocuparão de fazer o básico que é ler o diário oficial do município de Campos dos Goytacazes para verificar como estará sendo gasto o ainda bilionário orçamento municipal.

Somando tudo isso, é quase certo que o escrutínio sobre o governo de Wladimir Garotinho será intenso, e ele terá que se ocupar da tarefa de garantir que seu governo, como a mulher de César, não seja apenas honesto, mas pareça honesto. Além disso, o novo prefeito terá de cumprir algumas metas básicas, mas estratégicas, para evitar que seu governo nasça sob a égide do descrédito, a começar pela reabertura do restaurante popular, a retomada de um sistema público de transporte minimamente operacional e, obviamente, por um uso mais eficiente dos recursos aplicados em saúde e educação.  E acima de tudo, que haja um esforço concentrado para deter o avanço da pandemia da COVID-19, garantindo inclusive a compra de vacinas com dinheiro próprio sem ter que esperar pelos hoje inviáveis suprimentos vindos do governo federal.

De minha parte, espero ter que me dedicar pouco neste blog no acompanhamento das ações do governo municipal, pois, como disse, avalio que teremos uma plêiade de candidatos a fazer isso, liberando este blog para outras searas. Agora, como vivo e respiro o ar que os mais de 500 mil campistas respiram, isso não quer dizer que serei omisso. Mas desejo ao novo prefeito toda a sorte do mundo, pois ele vai precisar dela. Por último, também desejo que ele realmente dê a necessária liberdade para seus secretários agirem tecnicamente na hora de decidir sobre os rumos que devem ser tomados para resolver os muitos problemas herdados. Agora, na hora que o calo apertar, que ele não se furte a ouvir a voz da experiência de um dos políticos mais astutos e de raciocínio ágil que existem no Brasil. Felizmente para o novo prefeito, se fizer isso, nem terá de ir muito longe, e ainda poderá conversar comendo um panetone caseiro.

Delação liga chefe de obras de Pezão a cartel e propinas nas obras do PAC. Quem ainda se surpreende?

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O site UOL publicou hoje uma matéria assinada pelos jornalistas Hanrrikson de Andrade e Vinicius Konchinski onde são apresentadas informações sobre o envolvimento do presidente da Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro (EMOP), o engenheiro civil Ícaro Moreno Júnior, num cartel com 10 empreiteiras no âmbito do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) (Aqui!).

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O detalhe aqui, que não é pequeno, se refere ao fato de Ícaro Moreno Junior está no cargo desde o primeiro mandato do ex (des) governador Sérgio Cabral, sendo assim uma pessoa com relação direta com o atual (des) governador Luiz Fernando Pezão.

Mas se engana quem pensa que o caso das obras do PAC e as estranhas tratativas entre membros de do (des) governo do Rio de Janeiro nunca foram alvo de matérias jornalísticas. A verdade é que a jornalista Cláudia Freitas já havia abordado problemas nessas obras enquanto profissional ligada ao Jornal do Brasil em 2014 (Aqui!), e mais recentemente como articulista do site Viu Online (Aqui! Aqui!).

Porém, se os problemas envolvendo as obras do PAC no Rio de Janeiro não são novidade, e não deveriam surpreender ninguém, isto não impede que se pergunte porque os órgãos fiscalizadores (i.e., Ministério Público [estadual e federal]; Tribunal de Contas [estadual e da União], e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) não procederam de forma mais célere para apurar as evidências que já existiam em 2014. Ah, sim, bem como a imensa maioria dos veículos da mídia corporativa que se fizeram de surdos e mudos durante esse tempo também têm sua imensa parcela de culpa nessa falta de apuração.

Diante desses fatos, o que fica mais evidente é que o (des) governador Luiz Fernando Pezão terá cada vez mais dificuldades para continuar imune às investigações que agora todo mundo parece ter decidido começado a fazer. Resta saber quanto tempo vai levar para que as manchetes conectando as linhas que conectam todos os personagens desse escândalo.

Finalmente,  com o aparecimento de denúncias cada vez mais frequentes sobre as operações ilegais que envolveram agentes do estado com grandes empreiteiras, fica ainda mais evidente que não foram os salários e aposentadorias de servidores públicos que faliram o Rio de Janeiro. Simples, mas ainda assim trágico.