Prefeito de Mariana diz que não desistirá de ação no Reino Unido

Desistência é condição para que municípios sejam ressarcidos por danos

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Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

A prefeitura de Mariana (MG) não vai desistir da ação que move na Justiça do Reino Unido em busca de uma indenização integral pelos danos sofridos em decorrência do rompimento da barragem da mineradora Samarco. A desistência do processo é uma exigência da Fundação Renova para que os municípios atingidos recebam R$ 53 milhões em ressarcimento aos gastos extraordinários efetuados após tragédia na Bacia do Rio Doce, que completou três anos na semana passada.

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“Dinheiro que mineradoras devem ao município não é meu, é da população”, diz Duarte Júnior – Arquivo/Agência Brasil

O prefeito Duarte Júnior disse à Agência Brasil que tentará dialogar com a Fundação Renova para resolver o impasse. Se não houver solução, o município irá à Justiça para buscar a liberação dos recursos. “Estão querendo que desistamos dos nossos direitos para receber algo que já está acordado. As mineradoras estão achando que vão colocar cabresto nos prefeitos”, afirmou Duarte Júnior.

A Fundação Renova é responsável pela gestão de todos os esforços para reparação dos danos e foi criada conforme Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado em março de 2016 entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Esse acordo também definiu as ações a serem implementadas com recursos das mineradoras.

Uma delas diz repeito ao ressarcimento dos gastos extraordinários de 39 municípios dos dois estados com a mobilização de funcionários da prefeitura e da Defesa Civil além da jornada regular de trabalho, com aluguel de tratores para reabrir estradas, com alojamentos improvisados para os desalojados, com o abastecimento alternativo de água e com serviços emergenciais, entre outros serviços.

De acordo com Duarte Júnior, no cálculo dos municípios, o montante era de R$ 83 milhões. Para agilizar a liberação dos recursos, os prefeitos concordaram com a estimativa de R$ 53 milhões apresentada pela Fundação Renova. Cerca de R$ 41 milhões são apenas para cidades mineiras e R$ 12 milhões para cidades mineiras e capixabas. “Abrimos mão do valor que calculamos porque não queremos que se torne uma grande batalha judicial, o que só prejudicaria a população”, disse o prefeito.

As exigências da Fundação Renova para o pagamento dos recursos constam de termo de quitação enviado aos municípios, que foram pegos de surpresa. O assunto entrará na pauta do Fórum Permanente dos Prefeitos do Rio Doce, que se reúne na próxima semana. “Algumas prefeituras até pensam em assinar porque a cobrança da população é grande, e elas precisam de recursos para pagar dívidas, 13º salário e honrar outros compromissos. No meu caso, não vou abrir mão dos direitos que a cidade tem. O dinheiro que as mineradoras devem ao município não é meu, é da população”, afirmou Duarte Júnior.

A Fundação Renova informou que aguarda a entrega dos documentos e que, uma vez recebidos, o prazo para transferência dos recursos será de 30 dias. “Os pagamentos às prefeituras serão feitos mediante o envio do termo de quitação assinado e a emissão do Documento de Arrecadação Municipal (DAM)”, diz o texto.

Pela Cláusula 6 do termo de quitação, o município deverá conceder à Fundação Renova e às três mineradoras irrestrita e irrevogável quitação de valores relativos ao ressarcimento dos gastos públicos extraordinários. Ações que já estejam em curso precisariam ser encerradas. Além disso, conforme a Cláusula 8, o pagamento a cada prefeitura ficaria condicionado à comprovação de que ela desistiu do processo no Reino Unido e ao compromisso de que novos procedimentos relacionados à tragédia de Mariana não seriam abertos em jurisdições estrangeiras.

Interferência

Para Duarte Júnior, as exigências apresentadas revelam interferência da mineradora inglesa BHP Billiton na gestão da Fundação Renova, o que seria vedado pelo TTAC. A empresa estrangeira é o alvo do processo movido no Reino Unido.

A ação foi proposta pelo escritório anglo-americano SPG Law. No início do mês, os advogados anunciaram que houve mais de 250 mil adesões, entre as quais as de empresas e prefeituras, além da Igreja Católica. A Agência Brasil entrou em contato com a BHP Billiton, que informou que “não irá se manifestar sobre os comentários do prefeito Duarte Júnior”.

Ao tomar conhecimento da proposta da Fundação Renova, a SPG Law enviou mensagem às prefeituras alegando que o valor oferecido pela Fundação Renova, de R$ 53,3 milhões é inferior a 0,5% da previsão inicial de indenização que poderia ser obtida no âmbito da ação movida no Reino Unido. “A proposta de acordo encaminhada trata tão somente de indenização dos gastos extraordinários, não da indenização integral dos danos, como pleiteado perante o tribunal inglês”, destaca o texto.

FONTE: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-11/prefeito-de-mariana-diz-que-nao-desistira-de-acao-no-reino-unido?fbclid=IwAR0dT1DojMr7xpMhAdtTFYFnC6iR9Z8HUcr8pyrjG1kCD741VQ9ZMMPUnfE

TsuLama: 3 anos de impunidade e abandono

Há exatos 3 anos ocorreu o maior incidente da mineração mundial em pelo menos 300 anos quando um dique de rejeitos de propriedade da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) rompeu e inundou o pacato distrito de Bento Rodrigues (MG), matando 19 pessoas e devastando o ecossistema do Rio Doce.

Passados esse tempo, todas as evidências indicam que as mineradoras agiram de caso pensado e seus dirigentes foram os reais responsáveis pela eclosão de uma verdadeira bomba de rejeitos que comprometerá o funcionamento dos ecossistemas do Rio Doce por várias gerações, ameaçando os modos de vida que dependem desse importante corpo hídrico.

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Mas em que pesem as evidências de responsabilidades e os incontáveis estudos científicos que foram produzidos com base no estudo na composição do material jogado no Rio Doce e suas consequências sobre a cadeia trófica no interior da sua calha fluvial e nas imediações de sua foz, pouco se avançou não apenas na punição dos responsáveis pela ocorrência do TsuLama, mas principalmente na adoção de medidas de mitigação e compensação social e econômico para as populações que foram atingidas por algo que decorreu da mais simples e objetiva aplicação da lógica “o lucro acima de tudo”.

Interessante notar que fora do Brasil a coisa não ficou as sim tão mansa para as mineradoras que causaram o TsuLama de Bento Rodrigues. A mineradora australiana BHP Billiton anda tropeçando em processos judiciais que estão causando uma significativa depreciação no valor de suas ações e, consequemente, na sua saúde financeira.  

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O preço que a BHP Billiton está  pagando parece ser apenas uma das consequências de sua irresponsabilidade no trato de seus negócios com a Vale no âmbito da joint venture que formaram para criar a Mineradora Samarco. Como no caso de qualquer empresa que hoje é pega, digamos, com as mãos sujas em suas ações corporativas, a BHP Billiton cedo ou tarde se livrará do peso que suas operações no Brasil representam para o seu bom nome no mercado mundial de ações, deixando para trás um pesado passivo ambiental.

Por tudo isso é importante que as lições aprendidas pelos atingidos pelo TsuLama sejam cuidadosamente documentadas. É que dada as perspectivas de que as salvaguardas ambientais serão ainda mais afrouxadas no Brasil, a experiência dos atingidos do TsuLama será fundamental para que haja a necessária pressão para que não se instale um completo estado de “laissez faire, laissez aller, laissez passer” (deixai fazer, deixai ir, deixai passar) no Brasil em nome da ampliação das atividades de mineração. 

 

 

 

 

TsuLama da Samarco: atingidos fecham estrada em Barra Longa (MG) para exigir direitos

Municipio Barra Longa-MG, atingido pela lama da barragem de mine

Faltando pouco mais de 3 meses para que os atingidos pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) completem três anos em que sofrem com o completo descaso das mineradores que causaram o maior acidente ambiental da mineração nos últimos 300 anos em todo o mundo, moradores do município de Barra Longa começaram o dia de hoje em luta por seus direitos.

O interessante que há uns poucos dias assisti a um documentário de uma TV espanhola onde o drama dos atingidos e a inércia das mineradores em reparar os danos causados foram abordados de forma lapidar.

Enquanto isso no Brasil, a mídia corporativa rapidamente retirou o foco de Bento Rodrigues, enquanto o governo de Fernando Pimentel (PT) não vem medindo esforços para que as mineradoras voltem a operar em Mariana, usando basicamente os mesmos sistemas de estocagem de resíduos que resultaram no incidente ambiental que matou 19 pessoas e causou danos imensuráveis aos ecossistemas do Rio Doce, desde a nascente até a sua foz em Regência.

Por isso todo apoio à luta dos atingidos do TsuLama da Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Atingidos fecham via em Barra Longa na luta por direitos

Por Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

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Cerca de 40 atingidos pela Samarco em Barra Longa, , organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão na entrada da cidade bloqueando a passagem de veículos da Fundação Renova para o acesso a cidade. Desde as 6h30 da manhã os atingidos fecham a via de principal acesso a cidade. A principal reivindicação é a presença do presidente da Fundação Renova, pois, para os atingidos, ele tem o poder de decisão sobre os seguintes pontos:

– Reconhecimento das mulheres como atingidas e pagamento do auxílio financeiro emergencial às mulheres que perderam renda com o rompimento da barragem;

-Reconhecimento de todas as famílias apresentadas na lista de problemas na moradia e reposta rápida a essas famílias;

– Pagamento de aluguel, de acordo com o pago para as demais famílias atingidas, para as famílias que estão em casas em situação de risco;

-Agilidade na compra do terreno para o reassentamento da comunidade de Gesteira;

-Reconhecimento do direito ao reassentamento para todas as famílias apresentadas na lista do reassentamento de Gesteira;

-Antecipação de indenização para todos os atingidos que perderam moradia e que estão na lista do reassentamento;

-Pagamento de tratamento adequado de saúde para as pessoas com exames que indicam contaminação por metais pesados, o que envolve: atendimento em São Paulo ou em Belo Horizonte, deslocamento até o local do atendimento, fornecimento de água mineral para essas famílias, pagamento de medicamentos e de auxílio financeiro emergencial para as respectivas famílias;

– Agilidade na reconstrução das casas do parque de exposição, com apresentação de prazo para as famílias estarem novamente em suas casas;

– Indenização justa às famílias atingidas, com parâmetros acordados coletivamente entre os atingidos.

– Reconhecimento aos garimpeiros por terem perdido a atividade econômica após o rompimento da barragem, com pagamento de auxílio financeiro emergencial e indenização.

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Os atingidos não sairão da via até saírem com uma data e horário com o Presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, e sua diretoria. “Sabemos que o senhor Roberto Waack tem o poder de decisão sobre as direções da Fundação Renova. Exigimos a presença dele aqui em Barra Longa, pois estamos cansados de tanta enrolação desses representantes que vem aqui na cidade e nada resolvem ”, reivindica Simone Silva.

FONTE: https://www.facebook.com/MAB.Brasil/?hc_ref=ARTHH_d7uKr0s1Gr1zTGRdXiBRrL1tMbSNvg7xsmIp_n5_bhk3oyO911aeyfDQSC0F0&fref=nf&__xts__[0]=68.ARCZjd-nBP1bqskKkXnla16H4hOL45qj7aa41d_O6FN7Yhs7-W-h5O4xvMiwkghThQsHpolv0ZjUWo8PtClj4aSf47lonJ4zGSm6X4jQRZxrsuUQ5NlZ5nerPZU3rBaSP9xMYomFB8_A&__tn__=kCH-R

 

TsuLama da Samarco: acionistas entram com ação coletiva contra a BHP Billiton na Austrália

TSULAMA

AFP/Archivos / Yasuyoshi Chiba

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A empresa de mineração australiana BHP informou nesta segunda-feira (23/07) que vai se opor a uma ação coletiva movida na Austrália, que a acusa de violação das suas obrigações de informação e de mentir no desastre ecológico mortal causado no Brasil pela sua controlada Samarco.

Dezenove pessoas morreram em consequência do tsunami de lixo tóxico causado pela ruptura de uma barragem em uma mina em Minas Gerais em 2015.

A BHP e a Vale, co-proprietários da Samarco, chegaram no mês passado brasileiro a um acordo com as autoridades brasileiras para resolver uma ação civil por um preço de R$ 20 bilhões   (US$ 5,3 bilhões) por causa dos custos trazidos pela tragédia.

A ação coletiva australiana alega que houve problemas com a barragem nos anos anteriores a 2015 e que a BHP deveria ter considerado os riscos e informado os seus investidores.

Na semana passada, a BHP anunciou que provisionou US $ 650 milhões em relação à catástrofe ocorrida no Brasil.

O desastre causou uma queda acentuada nas ações da BHP, e por causa disso cerca de 3.000 investidores se juntaram para entrar com essa ação coletiva.

FONTE: https://www.afp.com/es/noticias/838/demanda-judicial-colectiva-en-australia-contra-bhp-por-catastrofe-en-brasil-doc-17v2k82

Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais”

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Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais” organizado por Cristiana Losekann (UFES) e Claudia Mayorga ​(UFMG). Uma iniciativa do Organon – Núcleo de estudo, pesquisa e extensão em mobilizações sociais (UFES) e do Observatório Interinstitucional Mariana Rio Doce (UFMG-UFES-UFOP).

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Acompanhar, compreender e buscar reparação para o desastre causado pelo crime socioambiental da mineradora Samarco, no Rio Doce, em Mariana/MG, foram tarefas que diversos atores se propuseram a empreender, buscando aspectos do desastre levando-se em conta a perspectiva das comunidades atingidas ao longo de dois anos de desastre. O objetivo central desta obra é apresentar ao público geral e aos próprios atingidos um balanço acerca das reivindicações e processos institucionais em curso, além de provocar reflexões e autorreflexões sobre a atuação da universidade, da ciência e de instituições de justiça.

As autoras e os autores da obra têm em comum uma atuação enraizada nas comunidades atingidas durante todos esses anos de desastre, o que permitiu consolidar as diferentes experiências de pesquisas como uma reflexão do ocorrido a partir de questões ligadas aos problemas de gênero, do trabalho e dos efeitos das próprias atividades científicas no cotidiano das comunidades afetadas. O livro conta também com os relatos e análises de duas instituições de Estado ativas nesse caso, a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) e o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), ambas apresentando aspectos centrais de suas atuações nesses dois anos desde o rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais.

O livro tem distribuição gratuita e pode ser acessado [Aqui!]

O fantasma do mar de lama

Minas Gerais possui quase 50 barragens de rejeitos que podem produzir desastres ambientais semelhantes ao de Mariana em 2015. Apesar de estudos que alertam para os riscos, mineradoras não realizam obras que poderiam evitar tragédias

Crédito: Antonio Milena

ALERTA Depois de quase romper, barragem da CSN em Congonhas (MG) pode ser ampliada (Crédito: Antonio Milena)

Por André Vargas

Os riscos de novas rupturas de barragens de rejeitos de mineração pairam sobre cidades de Minas Gerais, quase dois anos e meio após o desastre de Mariana, que matou 19 pessoas, destruiu o subdistrito de Bento Rodrigues e poluiu o Rio Doce até sua foz, afetando 230 municípios. Um levantamento da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) aponta que 48 estruturas estão em situação precária ou precisam ser monitoradas com atenção. Em todo o estado há 435 barragens de rejeitos, 51% do total existente no País.

Em Congonhas, cidade histórica que abriga os Doze Profetas e Via Crucis, do escultor Aleijadinho, a Barragem Casa de Pedra, da CSN, precisou passar por reformas urgentes em 2017. Com 79 metros de altura, a base de seu dique fica a menos de 300 metros de bairros onde residem quase 5 mil pessoas. Em caso de rompimento, não haveria plano de evacuação que funcionasse a tempo para evitar que uma onda de lama atingisse a cidade. Em abril, a estrutura foi considerada segura e a CSN aguarda licença para elevar o dique.

Em Rio Acima e Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, a manutenção de duas precárias barragens abandonadas da Mundo Mineração, subsidiária da australiana Mundo Minerals, teve que ser assumida pelo poder público. A empresa extraía ouro, gerando rejeitos altamente tóxicos, como cianeto. Nenhum responsável legal foi encontrado para desativar os reservatórios. “As ações não deram resultado”, lamentou a promotora ambiental Andressa Lanchotti, do Ministério Público mineiro. Em caso de vazamento nesses locais, haveria contaminação do Rio das Velhas, onde é feita captação de água para 3 milhões de habitantes da Grande BH.

Desconfiança

Já em Itabirito, a Vale pretende erguer a Barragem Maravilhas 3, com 86 metros de altura e capacidade para 108 milhões de metros cúbicos de rejeitos – três vezes o volume do reservatório rompido da Samarco. A Vale alega que cumprirá todas as normas e que fez estudos adequados. Mesmo assim, a desconfiança persiste. Junto com a australiana BHP Billinton, a empresa é sócia da Samarco. Os problemas potenciais não param por aí. O braço da Vale que explora manganês possui sete estruturas que não foram garantidas pela auditoria da Feam. Cinco delas ficam no entorno da Mina do Fundão, em Nazareno, uma na usina de Ouro Preto e outra em Conselheiro Lafaiete.

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Desde o desastre de Mariana há um esforço para limitar novas barragens. O MP-MG apresentou sugestões que estão paradas no Legislativo mineiro. As principais são vetar barragens acima de comunidades, proibir obras de elevação a partir do topo do dique e incentivar métodos alternativos de armazenamento. “Não se pode altear mais do que três metros por ano por razões de segurança, mas no Brasil tudo pode”, critica o professor de Engenharia Hidráulica da Unifei Carlos Barreira Martinez.

“A mina se esgota, as mineradoras vão embora e o problema fica” Carlos Barreira Martinez, professor de Engenharia Hidráulica da Unifei

Professor de Engenharia de Minas da UFMG e pesquisador de barragens, Evandro Moraes da Gama diz que existem alternativas de armazenamento que podem gerar receita e que isso só não ocorre por falta de diálogo entre as empresas. No processamento de minério de ferro, a areia fina e o pó de rocha resultantes podem ser usadas na indústria de cimento. “O material pode virar um agregado seco estocável”, diz. Outra possibilidade é transformá-lo em brita e tijolos.

Depois de Mariana, outro acidente ambiental ganhou repercussão. Em fevereiro, fortes chuvas causaram o transbordamento de rejeitos de bauxita do reservatório da usina da norueguesa Hydro Alunorte, em Barcarena, Pará. A empresa negou qualquer problema ambiental. Porém, laudos do Instituto Evandro Chagas (IEC), de Belém, detectaram índices elevados de chumbo, sódio, nitrato e alumínio nos cursos d’água próximos e peritos encontraram dutos clandestinos que despejavam poluentes. Mais de 500 famílias ribeirinhas foram afetadas. Há casos de diarréia e vômitos na população, além de mortandade de peixes. Diante das evidências, a empresa recuou. “Vertemos água de chuva e de superfície não tratada”, afirmou o CEO Svein Brandtzaeg, em março. A negativa de dano ambiental foi mantida, porém não sem consequências. O ministro da Indústria Torbjorn Isaksen terá que dar explicações ao parlamento norueguês. O governo é o principal acionista da Hydro e lá os contribuintes cobram responsabilidades. Uma atitude que deveria ser seguida por aqui.

FONTE: https://istoe.com.br/o-fantasma-do-mar-de-lama/

Na Austrália, BHP Billiton está sob ameaça de grandes perdas econômicas por causa do TsuLama

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O jornal britânico “The Telegraph” publicou ontem uma matéria assinada pelo jornalista Jon Yeomans que a BHP Billiton,  uma das proprietárias da Mineradora Samarco, está enfrentando a ameaça de uma ação coletiva na Austrália por causa do TsuLama ocorrido em Bento Rodrigues no dia 05 de Novembro de 2015, o qual derrubou em pelo menos cerca de US $ 25 bilhões do valor de mercadoda empresa [1].

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Segundo advogados da Phi Finney McDonald, com sede em Melbourne, a firma está se preparando para entrar com uma ação alegando que a BHP  Billiton se envolveu em “conduta enganosa ou metirosa” e violou suas obrigações de fazer “divulgações contínuas” aos seus acionistas.

Nesse sentido, Brett Spiegel, advogado principal Phi Finney McDonald,  afirmou que a partir de 2013 a BHP estava ciente de que a Mineradora Samarco estava “se comportando de uma forma que não estava prestando atenção” e que “não garantiu que medidas apropriadas de segurança fosse colocadas em vigor”.

Como se vê, enquanto no Brasil os processos envolvendo o TsuLama se arrastam sem data para que as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton respondam pelo grave incidente ambiental,  o maior da mineração mundial em pelo menos 300 anos, na Austrália a coisa vai caminhando numa direção bem diferente. Típico exemplo de como a responsabilidade por danos oriundos da ação das mineradoras é tratada aqui e lá fora.


[1]  https://www.telegraph.co.uk/business/2018/05/16/mining-giant-bhp-faces-class-action-suit-samarco-disaster-brazil/

Relatório vê cumplicidade de bancos europeus em Mariana

Reuters/R. Moraes

Vista aérea do distrito de Bento Rodrigues (MG), coberto de lama após o rompimento da barragem de Fundão em 2015

Para ONG alemã, grandes instituições financeiras europeias foram coniventes com o desastre ao manterem relações comerciais com a BHP e a Vale, acionistas da Samarco

Deutsche Welle

Grandes instituições financeiras europeias também têm uma parcela de culpa no desastre de 2015 em Mariana, por não excluírem de suas relações comerciais a BHP Billiton e a Vale, acionistas da Samarco, acusa um relatóriodivulgado nesta sexta-feira (11/05) pela ONG Facing Finance, de Berlim.

A ONG afirma que 25,8 bilhões em investimentos, empréstimos e títulos foram disponibilizados por bancos europeus às duas empresas entre 2010 e 2017, apesar de já haver evidências de falhas no gerenciamento da represa desde 2007.

O relatório considera dois bancos como cúmplices da tragédia: o francês BNP Paribas e o inglês HSBC. Para a ONG alemã, ambos contribuíram com os impactos adversos do colapso da barragem ao fornecerem os meios financeiros para que a Samarco continuasse suas atividades. Só entre 2011 e 2014, as duas instituições, segundo o estudo, emitiram um total de 537 milhões de euros em títulos e empréstimos para a empresa.

O caso da Samarco é apenas uma parte do problema apontado. Ao longo de 86 páginas, o relatório da ONG analisa ainda como os principais bancos de cinco países europeus são coniventes com desastres ambientais mundo afora ao financiarem atividades de multinacionais que sistematicamente incorrem em violações de direitos humanos e ambientais.

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Já em sua sexta versão, o documento anual intitulado Schmutzige Profite (lucros sujos) analisou dez das maiores empresas de commodities globais (Anglo American, BHP Billiton, Barrick Gold, Eni, Gazprom, Glencore, Goldcorp, Grupo México, Grupo Rio Tinto e Vale) e suas relações financeiras com os dois maiores bancos de cada um dos seguintes países: Reino Unido (HSBC e Barclays), Alemanha (DZ Bank e Deutsche Bank), França (BNP Paribas e Credit Agricole), Holanda (ING e Rabobank) e Suíça (UBS e Crédit Suisse).

Os resultados mostram que mais de 100 bilhões de euros foram disponibilizados às dez empresas pelos dez bancos na forma de capital novo (créditos, ações e bônus de subscrições) no período estudado.

O documento ressalta que, embora seja improvável que instituições financeiras causem violações de direitos humanos, elas são propensas a contribuírem ou estarem diretamente ligadas a violações por meio de suas relações de negócios.

Infografik Facing Finance BHP por ano POR

“O presente relatório mostra que a maioria dos bancos europeus não faz o suficiente. Eles não incentivam as empresas de recursos naturais a melhorarem no que diz respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, nem estão dispostos a estabelecerem seus métodos ou limites para excluir essas empresas”, afirma o estudo.

Os bancos alemães aparecem entre os quatro maiores detentores de participações acionárias nas companhias extrativistas analisadas, com o Deutsche Bank na segunda posição (1,6 bilhão de euros) e o DZ na quarta (700 milhões de euros). Nenhum deles incluiu em sua lista negra qualquer uma das empresas extrativistas presente no relatório.

 

A Alemanha, no entanto, foi um dos países que menos contribuiu com provisões de capital. Ao total, foram cerca de 11 bilhões de euros, deixando o país atrás da França (30,1 bilhões), do Reino Unido (28,3 bilhões) e da Suíça (19,8 bilhões). Os bancos holandeses forneceram as menores contribuições, totalizando 10 bilhões.

Ainda de acordo com o relatório, o BNP Paribas e o HSBC foram os únicos que providenciaram financiamento direto à Samarco no período analisado.

O maior desastre ambiental do Brasil

O rompimento da barragem da mineradora Samarco, em 5 de novembro de 2015, deixou um rastro de destruição de mais de 650 quilômetros. Os rejeitos soterraram comunidades inteiras, deixaram 19 mortos e centenas de desabrigados. O acidente devastou a vegetação local e contaminou a bacia do Rio Doce, no maior desastre ambiental da história do Brasil.

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) evita dar previsões para a recuperação efetiva da região, e ainda faltam estudos sobre os impactos concretos para a saúde dos moradores e para o meio ambiente.

As atividades da Samarco no Complexo Minerário de Germano, onde ocorreu a tragédia, continuam paralisadas, e se restringem apenas à conservação dos ativos e obras para melhorar a segurança operacional, reparar, recuperar e controlar os impactos provocados pelo rompimento. Ainda não há, no entanto, previsão para o retorno das operações industriais da Samarco, que segue à espera de novo licenciamento.

Programas de reassentamento, pagamento de indenizações, manutenção da qualidade da água na bacia do Rio Doce, obras de infraestrutura e retomada da atividade econômica dos municípios afetados foram assumidos pela Fundação Renova, criada em 2016 para este fim e a partir de acordo firmado entre a empresa, a União e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

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Até o momento, a fundação afirma já ter destinado cerca de 850 milhões de reais em indenizações e auxílios financeiros, além de 3,6 bilhões de reais em aportes para as ações de reparação dos danos. Outra medida é a recuperação e proteção de 5 mil nascentes da bacia do Rio Doce ao longo de dez anos.

O rompimento da barragem de Fundão resultou em 67 multas contra a Samarco, chegando a valores que ultrapassam 715 milhões de reais. Do montante, apenas uma começou a ser paga (o chamado “multão”, dividido em 60 parcelas), quitando cerca de 3,6% do total em reais.

Desde o episódio, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 22 pessoas e quatro empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e a consultoria VogBR (responsável pelo laudo que atestou estabilidade para a barragem) no processo que investiga as causas da tragédia.

FONTE: http://www.dw.com/pt-br/relat%C3%B3rio-v%C3%AA-cumplicidade-de-bancos-europeus-em-mariana/a-43724312

Fundação Renova (a.k.a. Mineradora Samarco): poluir pode, atingido exigir direitos não

Em Mariana, Fundação Renova abandona reunião com atingidos

 Reunião foi interrompida pela Fundação Renova dizendo que os atingidos não queriam dialogar 

Aconteceu na última sexta-feira (06), uma reunião entre atingidos e atingidas pela Barragem de Fundão, em Mariana, e Fundação Renova, na comunidade de Paracatu de Cima. Os atingidos são da zona rural da cidade e cobram direito a reassentamento rural, melhoria de sinal de celular, manutenção e afastamento de estradas, fornecimento de cartão de auxílio financeiro, reposição de áreas coletivas nas comunidades, como igreja, escolas e campo de futebol.

Durante o ano de 2017, a Fundação Renova construiu critérios, junto com as famílias, para o processo de reassentamento dos atingidos. No entanto, em uma forma clara de enrolar os atingidos mais uma vez, a Fundação explicou como seria o processo de compra de novos terrenos e novas casas para os atingidos das comunidades rurais, o que causou questionamentos e indignação aos atingidos.

“No final do ano passado (2017), na reunião que fizemos com eles aqui, eles disseram que a gente podia olhar o terreno que eles iam comprar, agora vem hoje e argumentam que estão analisando ainda para quem vão comprar e para quem não vão. Assim não dá! ”, disse José Estevão, atingido da comunidade de Pedras. 

Essas explicações da Renova foram interrompidas pelas falas dos atingidos dizendo que suas propriedades não estavam à venda quando a lama chegou e que por isso o valor delas não pode ser estimado com um processo simples de análise de mercado. Maria do Carmo, atingida de Paracatu de Cima, lembrou à Fundação Renova, que todas as famílias que reivindicam novo terreno estão dentro dos critérios que foram elaborados em conjunto com a própria Renova.

 “Essa Fundação, que é uma farsa, ficou um ano construindo critérios para quem deseja novos terrenos, e agora, vai ver se a gente se ‘enquadra’? É um absurdo. Nós só vamos continuar o diálogo e a fazer essas reuniões se for para resolver alguma coisa. Estamos há um ano sem respostas e não vamos aceitar isso”, comenta Marino D’Ângelo, atingida em Paracatu.

De repente, a reunião foi interrompida pela própria Fundação Renova dizendo que não continuaria a reunião porque os atingidos não queriam dialogar e estavam sendo agressivos. Os atingidos ficaram surpresos com a reação da Renova, uma vez que são eles que estão sofrendo há dois anos e cinco meses com um crime, sem punição e sem respostas satisfatórias.

Os atingidos tentaram retomar a reunião dizendo que se a Renova possuísse algo mais claro para apresentar sobre as demandas, eles se dispunham a ouvir, mas os representantes da Fundação se retiraram da reunião. Os atingidos continuaram reunidos e reafirmaram que continuarão firme na luta por seus direitos e não aceitarão que os criminosos digam como devem ser as regras do processo. Quem dá as regras do processo de reparação são os atingidos.

FONTE: http://mabnacional.org.br/noticia/em-mariana-funda-renova-abandona-reuni-com-atingidos

TsuLama: sindicatos denunciam BHP Billiton e Vale na OECD

BHP injects $250 million into Samarco for clean-up

Um grupo de sindicatos e confederações de trabalhadores acaba de apresentar uma reclamação formal junto à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD)  nos escritórios da organização no Brasil, Reino Unido e Austrália contra as mineradoras BHP Billiton e Vale por causa do que consideram um padrão de desrespeito aos trabalhadores da Mineradora Samarco e aos habitantes das regiões atingidas pelo TsuLama de Bento Rodrigues [1 e 2]

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Liderados pela Building and Wood Workers’ International (BWI) and IndustriALL Global Union, mas incluindo também a Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ) da Central Única dos Trabalhadores, o documento apresentado à OECD acusa a BHP Billiton e a Vale (proprietárias da Samarco) de falhar em 1) providenciar um processo adequado de remedição que envolva as comunidades afetadas pelo TsuLama, bem como os trabalhadores da Samarco, 2) respeitar os direitos dos sindicatos, 3) assegurar padrões adequados de saúde e segurança, incluindo o respeito à legislação referentes aos horários de trabalho, e  4) em portar da forma devida com os “stakeholders”, incluindo os sindicatos.

Segundo o secretário geral da IndustriALL Global Union, Valter Sanches, com essa reclamação formal que segue as diretrizes da OECD, os sindicatos querem que a BHP Billiton e a Vale  sejam responsabilizadas por sua negligência no caso da ruptura do reservatório de Fundão em Bento Rodrigues. Ainda segundo Valter Sanches,  o incidente de Bento Rodrigues é uma história de horror em todos os sentidos, pois a Samarco ignorou alertas técnicos e desprezou protocolos fundamentais para a segurança de reservatórios de rejeitos, o que resultou em resultados catastróficos. A Samarco teria ainda fracassado em oferecer um plano de emergência que deixou os seus trabalhadores e os residentes de Bento Rodrigues totalmente despreparados quando o reservatório colapsou, contribuindo assim para a perda de vidas e a devastação que se seguiram.


[1] http://www.mining.com/labour-groups-file-oecd-complaint-bhp-vale-dam-burst-disaster/.

[2] http://www.industriall-union.org/industriall-and-bwi-file-complaint-against-bhp-billiton-and-vale-sa