As ameaças sobre a Uenf vão muito além dos que seus inimigos querem que vejamos

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) passa hoje por um sufoco inédito em sua história de 24 anos, fruto da política de asfixia financeira que vem sendo deliberadamente imposta pelo (des) governo Pezão. Os efeitos desse sufoco que já dura mais de 2 anos são os mais variados possíveis, mas permanecem invisíveis para a maioria das pessoas que não vivenciam o seu cotidiano. Aliás, arrisco a dizer que nem para um número significativo de pessoas que experimentam os efeitos da política de extermínio impetrada por Luiz Fernando Pezão, as condições críticas que estão afetando o funcionamento da Uenf ficam suficientemente claras.

Apenas à guisa de rápidos exemplos, posso mencionar o fato de que se alguém quiser se comunicar via telefone dentro do campus Leonel Brizola, essa pessoa terá que usar seu próprio aparelho. É que após um defeito catastrófico, a central telefônica parou de funcionar e depois de mais um mês, não há qualquer sinal de que será consertada.  Mas se não há telefone, há sempre a via da comunicação via internet, certo? Errado! É que também a rede interna está funcionando a passo de tartaruga (de pata quebrada, grifo meu) e usar a internet se tornou um exercício de completa paciência. Já está ruim o suficiente? Tentemos verificar como andam o processo de manutenção de aparelhos milionários que seguram pesquisas de ponta. Aí se verificará que a cada dia que passa, uma dessas máquinas é desligada porque foi atingida por algum defeito banal, mas que inviabiliza a sua operação e, por consequência, o andamento de alguma pesquisa importante. Não bastasse essas dificuldades operacionais, quase todos os dias se detectam roubos de equipamentos e atos de vandalismo que comprometem a infraestrutura. Nem as tampas de bueiro escapam disso, visto que os ladrões já verificaram que é só entrar e pegar o que quiserem, já que inexiste qualquer tipo de estrutura de segurança que possa proteger o patrimônio público da Uenf.

Em suma, se somarmos os três exemplos básicos acima, podemos dizer sem medo de errar que a Uenf está sendo lentamente levada à insolvência. E isso, friso, faz parte de um projeto deliberado de destruição da condição de instituição pública e gratuita voltada para a formação de capital social e criadora de conhecimento estratégica que sintetiza a existência da Uenf desde a sua fundação em 1993.

Então por que toda a narrativa oficial que envolve a Uenf reduz os seus problemas se reduz à culpar a greve dos professores pela alteração da normalidade institucional? Isso se deve por uma combinação de esforços dos inimigos internos e externos da Uenf que espertamente isolam a greve dos professores (esquecendo, inclusive, que os servidores técnicos também estão realizando o mesmo tipo de movimento) do contexto em que ela se dá, de forma a pressionar os docentes para que continuem trabalhando sem que seus salários sejam pagos. Essa é uma tática esperta que tenta colocar a culpa em quem resiste contra o desmanche em curso.  De quebra, se paralisa toda a reação que deveria estar sendo feita para pressionar o (des) governo Pezão para que encerre o cerco financeiro que tem feito contra a Uenf.

Em meio a essa conjuntura, outro elemento que complica toda a situação é o inevitável sentimento de desânimo que se abate sobre quem está acumulando dívidas pessoais, enquanto tenta manter algum tipo de normalidade nas atividades que vão além do oferecimento de aulas. É que até recentemente eram os salários dos docentes que estavam suprindo a ausência das verbas negadas pelo (des) governo Pezão. Agora com o confisco salarial que já alcança novamente quase 4 meses, muito professores estão tendo que se preocupar com coisas mais essenciais como o pagamento da escola de seus filhos, o plano de saúde e a mensalidades de seus empréstimos da casa própria e por ai vai.  Arrisco-me ainda a dizer que brevemente assistiremos ao início de um êxodo de profissionais de determinadas áreas em direção ao exterior. Essa fuga de cérebros está se tornando quase inevitável a cada dia que passa frente ao cerco montado por uma combinação de ações entre os (des) governos de Michel Temer e Luiz Fernando Pezão e deverá atingir áreas estratégicas dentro da Uenf e de muitas outras universidades brasileiras.

Se alguém me perguntar se há uma fórmula que possa impedir o assassinato de uma jovem instituição como a Uenf, eu responderia que na vida só não há saída para a morte. Entretanto, não me parece que haja uma saída fácil que possa magicamente nos retornar rapidamente a uma situação de conforto. É que os inimigos das universidades públicas são numerosos e, neste momento, estão com as rédeas do processo nas mãos.  Dito isso, para que seja possível começar a formular estratégias de saída, há primeiro que se reconhecer a complexidade do problema e suas múltiplas facetas. Passada esta fase de reconhecimento nos restará continuar o processo de resistência em curso, de preferência com o uso de ferramentas de arregimentação de aliados que extrapolem os limites conhecidos. É que numa condição tão precária, a primeira coisa que precisaremos fazer é vencer preconceitos e buscar aliados onde eles estiverem.

Finalmente, há que ficar claro o papel que a Uenf ocupa e deve continuar ocupando para colocar o Norte Fluminense no rumo de saídas estratégicas para a dependência econômica dos royalties do petróleo.  Sem a Uenf e as demais instituições públicas de ensino superior que existem na região, o futuro continuará sendo uma mera reprodução do presente e do passado que precisamos superar.

Brasil 247 publica carta da presidente da Aduenf em defesa das universidades públicas

Uma carta em defesa de nossas universidades públicas

Por Luciane Soares*

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A cada dia somos brindados com manchetes sobre os custos de nossas Universidades. Argumentos de que ” o custeio do ensino superior público é insustentável” ocupam cada vez mais espaços em versões locais ou nacionais. Neste caso, a secretária-executiva do MEC, Maria Guimarães de Castro emitiu nota sobre o crescimento da folha de pagamento das Universidades após o REUNI alegando que “o grande problema é a folha que cresce enquanto os recursos para custeio diminuem”.

O ataque sofrido pela Educação, Ciência e Tecnologia no Brasil tem no Rio de Janeiro um de seus laboratórios mais avançados. Mas em todas as oportunidades de ouvir pesquisadores e professores das Universidades Estaduais de Minas, do Paraná, Sergipe, Rio Grande do Norte ou São Paulo, foi possível entender o que está em curso: a destruição destas Universidades e das possibilidades de ampliação do acesso ao ensino superior público no país.

E como este ataque impacta a vida dos estudantes? Vejamos minha biografia como filha de trabalhadores gaúchos: ingressei na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1993. Realizei meu doutorado em sociologia urbana entre 2005 e 2009 na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estudei relações entre tráfico, polícia, economia local e ordem urbana nas favelas cariocas. Toda a minha trajetória acadêmica é marcada pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Como olhar o que este governo tenta fazer com a ciência e a tecnologia? Como pensar o caminho das novas gerações quando o Brasil devia avançar? Como aceitar que temos diante de nós uma crise e não uma escolha? Na caso do Rio, os servidores da secretaria de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Social seguem sem receber os salários de agosto e o décimo terceiro de 2016.

Diante dos atrasos salariais e da ausência de recursos para pesquisa e financiamento básico para segurança e limpeza, instituições como UERJ, UENF, UEZO sofrem os feitos de precarização das relações de trabalho. Isto porque em diferentes momentos é sugerido que professores e técnicos trabalhem seus salários afim de manter as Universidades funcionando.

Entre as várias falácias vinculadas pelas mídias locais e nacionais, uma é especialmente danosa à educação pública, gratuita e socialmente referenciada: a de que esta greve tem como resultado a evasão de alunos.

Alerto a sociedade e especialmente a todos aqueles que vêem na educação pública uma possibilidade concreta de formação profissional e de transformação social, que o discurso do Ministério da Educação não é técnico nem transparente, não apresenta os custos reais das Universidades diante do que elas significam na produção de ciência, na formação de alunos em cidades do interior do Brasil, nos programas de extensão, na manutenção de seus hospitais Universitários. O que as tentativas de impor medidas de austeridade mascaram são as outras escolhas feitas pelos governos atuais: a privatização de empresas como a CEDAE no Rio de Janeiro, o investimento em formas de segurança que servem para atacar a população, a prática da não isonomia que mantêm em dia altos salários para o Judiciário mas deixa os aposentados sem a mínima dignidade para comprar seus remédios. O que estes Governos não explicam é o não cumprimento das leis orçamentárias que asseguram a manutenção de nossas condições básicas de pesquisa.

O Rio foi o primeiro a aderir ao pacote de recuperação fiscal em janeiro. Em fevereiro, aprovou a venda da Cedae e em maio o aumento da contribuição previdenciária do servidor de 11% para 14%. Os protestos em frente a ALERJ foram resolvidos com o uso de força policial especial, balas de borracha e gás lacrimogêneo contra trabalhadores que exigiam seus direitos. Em junho, Temer assinou o decreto de recuperação. Mesmo assim, os salários e o 13º não foram regularizados. e chegamos a outubro acumulando dívidas diante de uma Secretaria de Fazenda que repetidas vezes afirma ser a decisão do pagamento uma “decisão de governo”.

Ou seja, deixemos claro: o (des) governo Pezão escolhe quais categorias pagar, optando por manter em dia o salário dos policiais, professores ativos ligados a Secretaria de Educação, Judiciário e outras categorias que vão mudando conforme o mês. Além de parcelar o pagamento, o governo opta por pagar servidores em determinadas faixas, deixando os demais sem salário. A cada mês acompanhamos as manchetes ” Pezão não garante salário em dia de agosto para todos os servidores”, “Pezão promete pagar salários de servidores na semana” produzindo verdadeiro pânico em milhares de famílias de servidores.

Por fim o MUSPE (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais) teve um aparecimento meteórico na cena pública fluminense. Protagonizou atos com fechamento da avenida Primeiro de Março com mais de 40 categorias de servidores presentes, levando bandeiras e reivindicações. Irradiou uma possibilidade de pressão sobre o governo Pezão. Não só professores, mas policiais, trabalhadores da CEDAE, técnicos da saúde, analistas de distintos setores estiveram juntos ao longo dos meses de 2016 lutando pela dignidade do funcionalismo público. Compareci a todos os atos sob sol forte, inclusive ao ato de Defesa da Cedae. O governo optou por negociar saídas por categoria.

Deixando aposentados, inativos e Universidades (além de outras categorias) largados a própria sorte. O crime contra os aposentados chama atenção. Nos atos realizados na Secretaria de Fazenda, os aposentados têm composto conosco. São fundamentais na mobilização pela defesa de nossos salários e dignidade das condições de trabalho. Após 20, 30 anos de trabalho, alguns tiveram de abandonar a própria casa. E o MUSPE tem se calado diante deste cenário optando pela entrega de cestas básicas e a entrada da disputa eleitoral de 2018.

Que todos compreendam a importância de defender as Universidades e que este ataque tem no Rio um laboratório que se expandirá para outros Estados.

Nossa Universidade tem 24 anos de existência, fica em uma das cidades mais desiguais do Rio de Janeiro. E como diria Darcy Ribeiro, um dos criadores da UENF, a resignação não está entre as opções.

Não vamos nos resignar diante deste governo. Nossas Universidades seguem vivas e combatentes.

*Luciane Soares  é Doutora em sociologia pela UFRJ, professora da Universidade Darcy Ribeiro e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Exclusão e da Violência. Luciane Soares é também presidente da Associação de Docentes da UENF (ADUENF).

FONTE: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/324434/Uma-carta-em-defesa-de-nossas-universidades-públicas.htm

Na Uenf, uma parede espanta as trevas

Não sei se é fácil para pessoas que não vivem o cotidiano de uma universidade o tamanho da devastação que os esforços do (des) governo Pezão vem realizando contra as universidades estaduais, mas asseguro que é grande.  É que universidades são ambientes onde a estabilidade emocional é chave para que as coisas andam no seu devido ritmo. E conviver com a falta de salários e com a total falta de condições de trabalha abala e inviabiliza qualquer possibilidade de estabilidade.

Mas pelo menos na Universidade Estadual do Norte Fluminense, as respostas que estão sendo dadas a quem quer nos empurrar para as trevas têm sido variadas e altamente criativas. Mostro abaixo uma parede que foi transformada numa espécie de portal de luz por um grupo de matemáticos (estou supondo que é um grupo e de matemáticos devido ao tamanho e a complexidade do esforço que foi realizado).

Confesso que ao ver como a parede tinha sido transformada, sentei num sofá que está colocado em frente a ela apenas para contemplar a minha própria ignorância. É que tudo que está posto ali eu apenas reconheci duas fórmulas cujo significado eu conhecia. E por isso, não pude pensar outra coisa a não ser … que maravilha de parede!

Mas mais do que reconhecer a minha ignorância, o que essa parede me aponta é que não seremos facilmente derrotados pelos que querem transformar as universidades públicas em locais de trevas. É que não há como conter a força do conhecimento quando os que os possuem não se resignam ao destino trágico que tentam nos impor.

E antes que me esqueça: Pezão fora, Uenf fica!

 

Notícias da Aduenf: Comando de Greve dos professores divulga agenda de mobilizações

ADUENF divulga agenda de mobilizações para pressionar o governo Pezão

AGENDA DE MOBILIZAÇÃO ADUENF

A UENF é de todos: alunos, mães, crianças, pais, professores, técnicos. É da comunidade norte-fluminense. É pública, gratuita e muito bem colocada em rankings nacionais de pesquisa e ensino. Além disto realiza um trabalho exemplar na área de extensão. A greve é um instrumento de luta legítimo diante da destruição proposta por Pezão. E não se enganem, esta crise não está restrita ao Rio e suas Universidades Estaduais. Participe de nossa agenda da mobilização e sigamos defendendo a UENF.

-Dia 31 de outubro às 16 horas no cinema do Centro de Convenções – exibição do filme O Jovem Marx.

-Dia 7 de novembro – Roda de Conversa no CBB às 10 horas “A questão do financiamento público na Universidade e a falácia do sucesso americano”.

-Dia 8 de novembro: Debate no bandejão: Defender a UENF, crise e perspectivas.

-Dia 10 de novembro – Dia Nacional de Paralisações e greves.

-Dia 16 de novembro – Ciranda de Conversa na Villa às 16 horas. Tema: Modelos Universitários.

-Dia 21 de novembro – Ciclo de debates ADUENF  “Futuro da Ciência do Brasil em Risco”  Jean Remy Guimarães e Maurício Tuffani Monteiro. 

 

 

Residentes do Hospital Veterinário da Uenf paralisam por 24 horas para protestar contra atraso de bolsas e sucateamento

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Os médicos veterinários que cumprem a sua residência no Hospital Veterinário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf)resolveram todas as suas atividades por 24 horas para denunciar a grave situação em que se encontram neste momento, após quase 3 meses de atraso no pagamento de suas bolsas (ver panfleto explicativo do movimento logo abaixo).

hv panfleto

É preciso lembrar a importância dos residentes no oferecimento de serviços à comunidade campista. Segundo o que me foi informado, apenas no tratamento de pequenos animais, o número de atendimento mensais chega a 400 consultas. E neste processo de prestação de serviços, os residentes cumprem um papel fundamental, na medida em que os constantes impedimentos de novos concursos públicos têm impedido até a substituição de servidores e docentes que tenham deixado a Uenf  pelos mais variados motivos.

No vídeo abaixo, a residente de Anestesiologia, Camila Mathias, explica as razões do movimento e faz um chamado para que se apoie a luta dos residentes do Hospital Veterinário da Uenf.

De certa forma, o problema que os residentes do Hospital Veterinário estão atravessando neste momento sintetizam de forma categórica todo o drama pelo qual a Uenf e as demais universidades atravessam neste momento como produto da asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão. 

Mas não é só de coisas ruins que esse movimento exemplifica, visto que a decisão dos residentes de se mobilizarem é também uma demonstração de que existem saídas que não sejam aquelas que impliquem na aceitação tácita do projeto de destruição comandado por Luiz Fernando Pezão.

Por isso, apoiar os residentes do Hospital Veterinário será um passo importante na luta em defesa da Uenf como um todo.

 

Pezão sorri enquanto faz a ciência fluminense sangrar

A imagem abaixo é de uma reunião realizada no Palácio Guanabara pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão com dirigentes da comunidade científica na última 6a. feira (20/10). Além de Pezão e do (des) secretário  Gustavo Tutuca estavam presentes os reitores das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo), dirigentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Academia Brasileira de Ciências.

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A pose sorridente do (des) governo Pezão (que, aliás, foi seguida por alguns dos presentes) demonstra que essa foi mais uma reunião onde ele não prestou, nem foi instado a prestar, contas sobre a situação catastrófica que seu (des) governo causou nas universidades estaduais e na Faperj, instituições que hoje amargam condições financeiras catastróficas.

O pior é que nesta reunião, além de prometer que o pagamento dos salários de 2017 será normalizado, Pezão adiantou sua projeção de que 2018 será um ano mais fácil para as universidades estaduais, onde o fluxo financeiro será hipoteticamente normalizado.

Bom, talvez essas promessas sejam a razão do riso de Pezão. É que ele deve saber bem que partindo de seu (des) governo, esse tipo de promessa está mais para piada do que para compromisso com o que se fala.

O que me deixa intrigado é de porquê mesmo diante da situação catastrófica que impera nas universidades estaduais e na Faperj,  os dirigentes dessas instituições ainda se permitam a serem fotografados em uma condição, digamos, aparentemente tão feliz com o algoz de nossas univerisdades. É que esse “republicanismo” todo que permite que o (des) governador Pezão e seu (des) governo façam o que bem entendam com as universidades estaduais e a Faperj. Simples, mas ainda assim trágico.

ADUENF lança carta aberta aos pais de alunas e alunos da UENF

CARTA ABERTA AOS PAIS DE ALUNAS E ALUNOS DA UENF

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), criada em 1993 por Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, teve como princípio fundacional a interiorização do ensino público superior, gratuito e de excelência. Neste sentido, na sua concepção original a UENF como é conhecida, foi a primeira universidade no país a possuir 100% do seu corpo docente com doutorado e dedicação exclusiva, iniciar simultaneamente o ensino de graduação e pós-graduação que foi apoiado por um amplo programa de bolsas para apoio estudantil. A UENF e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foram as primeiras universidades brasileiras que estabelecerem o programa de cotas estudantis como um política afirmativa e de inclusão social. A UENF, juntamente com as universidades públicas existentes no estado do Rio de Janeiro, também foi a precursora do Ensino Público a Distância no estado fazendo parte desde o início da criação do Consórcio das Universidades Públicas e, juntas, oferecem hoje 45 mil vagas para 15 cursos (http://cederj.edu.br/cederj/sobre/).

Hoje, estamos em uma greve prolongada que afeta a vida de toda comunidade acadêmica, isto é, alunos, técnicos e professores. Esta greve não é apenas pela total falta de perspectiva salarial, mas também pelas condições degradantes de trabalho. Não há segurança no campus universitário, a limpeza e iluminação são precárias e a UENF não recebe os recursos necessários para manutenção das suas instalações desde outubro de 2015.

Em muitos momentos, discursos inflamados clamam pelo retorno às aulas porque estamos prejudicando a vida dos nossos alunos, porém, temos que deixar claro que este é um discurso falacioso, pois as vidas, de professores e servidores técnicos, também estão sendo prejudicadas. Há meses, vários servidores têm apresentado problemas de saúde, física e mental, e precisamos ressaltar que todos nós temos famílias, as quais dependem dos nossos salários e da nossa estabilidade emocional.

Em síntese, a greve tem como princípio a defesa incondicional da UENF e do seu melhor funcionamento para atender aos nossos alunos e a toda comunidade regional e nacional. Não somos inconsequentes em nossos atos, e enfatizamos que pensamos nas inúmeras gerações que têm o direito de usufruir de uma universidade pública, gratuita e de excelência, tal como a UENF foi constituída e pensada na sua fundação. Portanto, através desta correspondência, estamos esclarecendo a todos os pais de alunas e alunos que defendem estes princípios e chamamos a todos para se unirem em defesa da UENF. Gostaríamos ainda de chamar para reflexão toda sociedade brasileira e especialmente a do Norte Fluminense, pois este é um momento crítico na história das universidades públicas brasileiras. O fato é que o caminho traçado até a presente data pelos  governos comandados por Luiz Fernando Pezão e   Michel  Temer compromete nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania nacional que passa fundamentalmente pela Educação e a Ciência.  Nesse sentido, se faz ainda mais relevante a frase de Darcy Ribeiro que dizia: A crise na Educação não é uma crise e sim um projeto.

Por último, deixamos a mensagem exposta no portal da UENF: O Governador Leonel de Moura Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.  A missão de todos que entendem a importância da UENF como instituição é contribuir para que este momento de dificuldade seja ultrapassado, pois sobre ela há a responsabilidade de um futuro melhor para os cidadãos deste país, e em especial dos segmentos mais pobres da população do Rio de Janeiro.  Por isso, convidamos a que todos se engajem ativamente na defesa da UENF, de modo a pressionar o governo Pezão a interromper o projeto de destruição do ensino superior público estadual.

A UENF é todos nós, defende-la é preciso!

Campos dos Goytacazes, 19 de Outubro de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

(In) segurança na Uenf: mais um compromisso descumprido por Rafael Diniz

Em Fevereiro de 2017, após uma série de atos de vandalismo e furtos no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense, o prefeito de Campos dos Goytacazes, o jovem Rafael Diniz, pareceu (notem que estou dizendo “pareceu”) lançar uma tábua de salvação para a calamitosa situação de (in) segurança públicada causada pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão.

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É que supostamente atendendo a um pedido do reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, houve a sinalização de que a Guarda Civil Municipal iria iniciar o policiamento no interior do campus Leonel Brizola e em outras unidades existentes em Campos dos Goytacazes [1].

Agora, mais de oito meses depois desse compromisso do jovem prefeito,  duas coisas efetivamente aconteceram no campus da Uenf. A primeira foi a ocupação de uma edificação pelo Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal em troca do reforço de policiamento que nunca veio. A segunda, que é quase um desdobramento natural, do descumprimento do compromisso assumido por Rafael Diniz foi a ocorrência de uma espiral de violência que inclui arrombamentos, atos de vandalismo, e furtos de equipamentos científicos que já causaram pesadas perdas financeiras à Uenf.

O interessante é que Rafael Diniz vem anunciando uma série de parceiras com as universidades locais como sendo uma prova de que pretende utilizar todo o potencial intelectual nelas existentes para desenvolver saídas para a grave crise financeira em que o município de Campos dos Goytacazes está imerso neste momento.  

Na prática se vê que nem honrar as contrapartidas acertadas pelos acordos feitos está sendo cumprido. Por essas e outras é que o governo “da mudança” está cada vez mais parecido com o (des) governo Pezão.  E no caso da Uenf o governo municipal está se tornando um parceiro na consolidação do projeto de destruição em curso. Simples assim.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2017/02/20/ascom-informa-20-02-17-2/

A política neoliberal massacra a UENF… mas ela resiste!

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Por Bruno Costa*

Querem deixar a Universidade Estadual do Norte Fluminense no escuro. Sem iluminação no espaço, sem luz para as pesquisas e com salários atrasados de seus servidores, a instituição resiste com sua greve de professores em busca direitos irrestritos. A proposição nos remete a uma política neoliberal de esfacelamento das universidades públicas. A velha faceta dos sombrios anos FHC da reprovação das instituições públicas para ali na frente privatizá-las.

Foi assim com a Vale, Embratel, CERJ, será com a CEDAE caso não haja uma grande mobilização, será com a Petrobras e também com as universidades estaduais: UERJ, UEZO e UENF. Dentro de um processo sistêmico e planejado pelas elites dominantes, articula-se o crime perfeito. Vendas subfaturadas apoiadas pela população passam às mãos de um mesmo nicho dominante, sistematicamente encabeçados por políticos ou laranjas, uma meia dúzia de milionários (até bi) que se apropriam dos recursos da nação com a retórica da corrupção estatal e da necessidade da gestão privada para garantir a qualidade dos serviços, deixando a população amargando na miséria. Tal fato sabemos que não é verdade visto a precariedade dos serviços de telefonia, elétricos, educação privada nas universidades, planos de saúde, dentre tantos outros, mas os lucros continuam exorbitantes e quando contrário, perdões de dívidas e financiamentos com dinheiro público.

Assim estão buscando concretizar esta política neoliberal de privatização da UENF. Percebi estupefato que alguns alunos da universidade compactuam com tal arbitrariedade e covardia. Não tenho informações sobre a origem secundarista e nem quais graduações cursam na instituição idealizada por Brizola e Darcy. Observei boquiaberto algumas publicações como:

“Da próxima assembleia, proponha um abaixo-assinado para doarmos a UENF pra vcs, grevistas, porque daqui a um tempo vai sobrar só vcs ai dentro!!!!”; “A pergunta que não quer calar. A quem interessa a greve? Já são quase um ano parados na aula, prejuízo em cima de prejuízo.”; “Sera que os senhores estão pensando no futuro dos estudantes e nas famílias que estão bancando alimentação, aluguel, etc…..”

Provoca-se, então, uma triste inversão dos fatos: as vítimas se tornam culpadas. O desastroso governo Pezão que deveria ser rechaçado, governo este que recheia o bolo de grandes empresários com isenções fiscais é o mesmo que massacra as universidades, um governo respaldado numa crise seletiva – para uns setores há crise, para outros não. Enquanto isso, professores-doutores sem salários são criminalizados e o campus continua sem qualquer estrutura mínima de funcionamento. O momento é de luta! Há tempos a Aduenf denuncia o descaso com as pesquisas e com os profissionais da instituição (leia Aqui!).

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Fui aluno do Mestrado em Políticas Sociais na UENF e neste período houve greve. Fiz técnico e tecnológico (ETFC/Cefet), hoje IFF, e passei por diversas greves. Fui aluno nos anos 80 de escola pública estadual em minha cidade e passei por inúmeras greves. A história nos mostra que só com mobilização, paralisação, articulação e greve o funcionalismo, o cidadão, consegue ainda buscar um lugar digno na sociedade. O que se tem de direito hoje aí que muitos usufruem foi pela luta de muitas lá atrás, inclusive com a própria vida. O capital que nos domina prefere o status quo e a tranquilidade da ociosidade reivindicatória. Banqueiros lucram bilhões com apoio governamental e bancários mínguam. Políticos corruptos saqueiam os cofres públicos e a população na miséria.

Neste ritmo, alunos que reclamam que pagam aluguel em momento de greve, passarão a pagar também mensalidades absurdas e pior, sem qualquer qualidade no ensino universitário. Há os que defendem esta barbárie. Tentam sabotar o movimento, mas a UENF há de resistir.

*Bruno Costa é jornalista e Mestre em Políticas Sociais pela UENF.

Caio Vianna e seu correto senso de oportunidade histórica ao se comprometer com a defesa da UENF

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Na semana passada o Comando de Greve dos professores da Uenf foi visitado pelo ex-candidato a prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes, Caio Vianna (PDT). Ele havia feito contato para que pudesse comparecer na semana da ADUENF para demonstrar seu apoio à luta dos professores em defesa da universidade criada por Darcy Ribeiro e fundada por Leonel Brizola.

Conheci Caio Vianna quando ele ainda era um adolescente que seguia seu pai , o ex-prefeito Arnaldo Vianna, por todos ladoscom aquela admiração que os filhos tendem a dispensar seus pais.  Quis o tempo que ele estabelecesse um percurso próprio para se firmar com identidade própria num universo de políticos que raramente demonstram o correto senso de oportunidade. 

É que ter comparecido ao campus da Uenf de forma até discreta, o compromisso que ele deixou gravado e mostro abaixo indica que Caio Vianna possui a clareza sobre a importância que a universidade criada por demanda popular possui para o futuro de Campos dos Goytacazes.  Assim, ainda que tenhamos opções distintas de ação política, há que se reconhecer que Caio Vianna é um personagem que chegou para ficar na cena política.

Abaixo o vídeo gravado por Caio Vianna onde se compromete a atuar para que a bancada estadual do PDT pressione o (des) governador Pezão aja para garantir que a Uenf não seja destruída.