Notícias da Aduenf: Comando de Greve da ADUENF organiza “roda de conversa” para discutir ciência, tecnologia e inovação

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Para aprofundar a discussão sobre as motivações da greve que professores e servidores estão realizando na Uenf, o Comando de Greve realizará uma roda de conversa com o Prof. Edson Terra Azevedo Filho do LEPROD/CCT na próxima 4a. feira no anexo do CCT a partir das 09:00 da manhã.

A atividade é franca e aberta não apenas a membros da comunidade universitária da Uenf, mas também da população em geral.

A hora de impedir a destruição da Uenf é essa!

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/comando-de-greve-da-aduenf-organiza.html

Reflexões dominicais sobre a dolorosa situação da Uenf como espelho do Brasil

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Por Luiz Henrique Moraes*

Hoje me deparei com uma lembrança que ocorreu no setor onde trabalho, em fevereiro deste ano.

No recesso da universidade onde trabalho como de costume uma aluna chegou e solicitou um nada consta do setor. Durante meses eu assinava este documento para liberar os alunos devido a sua colação de grau; diplomação; trancamento/cancelamento de matrícula. O intuito é liberar a situação do graduando ou graduado.

Nesta atribuição que em determinado dia uma moça chegou e me pediu o nada consta, primeiro perguntei se era para “colação de grau” mas a moça não respondeu enquanto preenchia o documento. Em poucos segundos percebi seu choro que prendia e ao flagrar tal situação lhe ofereci a cadeira para sentar e um copo de água para se acalmar. 

Nesta situação de desespero li no documento da menina que optava pelo “cancelamento da matrícula”. O que pensei em um milhão de coisas ao mesmo tempo. A levei para o corredor, orientei sobre o que tinha de fazer dali em diante e para acalma-la; falei que também tive de fazer o mesmo tempos atrás devido às dificuldades da vida, pois não é fácil largar um curso superior. Você batalha para ingressar e depois tem de deixar por vários problemas.

Foi uma situação dolorosa e que nunca vou esquecer. O desmonte da universidade pública, da Uenf e da Uerj, além da Faetec tem muito a ver com este descalabro. Os governos, nossas autoridades promovem o desmonte das políticas de ciências e tecnologia, e de inclusão social para os jovens, especialmente os mais vulneráveis. 

Cada soluço ouvido, cada lágrima observada, os olhos avermelhados e o seu semblante triste denunciam a desesperança, simbolizam o resultado de políticas nefastas que nos destroem por dentro. 

A Uenf não tem segurança, com muita dificuldade está funcionando, há falta de materiais básicos de higiene, limpeza e conservação. Materiais de escritório e para realização de pesquisas em laboratório. 

No entanto o pior é a saúde mental das pessoas, os recursos humanos da instituição. O choro preso significa algo doloroso. Também significa nossas fragilidades como ser humano, como cidadão, como pessoas na sociedade.

Naquele dia parei para pensar o que ela faria dali em diante. O país parou. Parou e não sabemos quando voltará a andar. Só digo que foi muito doloroso, até hoje.

*Luiz Henrique Moraes é servidor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e aluno do curso de Engenharia Ambiental do Instituto Federal Fluminense/ campus Guarus.

 

A greve dos professores da Uenf definitivamente não é só por salários

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A greve iniciada pelos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vem sendo criticada interna e externamente, apesar de todas as evidências de que o projeto de destruição sendo executado pelo (des) governo Pezão está alcançando um grande êxito, particularmente no que se refere às condições básicas de funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação que a universidade possui.

Para mostrar que a greve dos professores, e que também alcança os servidores técnico-administrativos que também estão realizando o seu próprio movimento paredista em defesa da Uenf, a Associação de Docentes da Uenf está produzindo uma série de materiais visuais para explicar o amplo alcance deste movimento na defesa do caráter público e gratuito da universidade (ver um dos materiais abaixo).

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A verdade é que se fosse só pela questão dos salários, este movimento já seria mais do que justo e legítimo.  O problema é que sem o reinício imediato dos repasses para o custeio necessário para o pagamento de concessionárias e empresas terceirizadas e o descongelamento imediato dos recursos devidos pela Faperj aos professores da Uenf, o colapso total das atividades de ensino, pesquisa e extensão será mais do que uma possibilidade ainda em 2017.

Por isso, há que se difundir a informação sobre o caos instalado pelo (des) governo Pezão não apenas naUenf, mas também na Uerj e na Uezo, bem como nas escolas técnicas da Faetec.

O alarme deve ser soado com força, visto a última medida da Secretaria Estadual de Educação que decidiu municipalizar as escolas estaduais de ensino fundamental, acarretando graves perdas para os alunos, com o fechamento de turmas. E isto tudo num período em que milhares de crianças estão abandonando escolas particulares em função da grave crise econômica que o Brasil e o Rio de Janeiro atravessam [1].

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[1] http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/estado-vai-municipalizar-escolas-de-ensino-fundamental-no-rj.ghtml

Em troca de duodécimos num futuro incerto, Reitoria da Uenf adere à universidade mínima do (des) governo Pezão

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Em resposta a um ofício enviado pela Associação de Docentes, o reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, enviou no final da manhã desta 3ª. feira um ofício onde objetivamente afirma que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) possui as condições mínimas de funcionamento (ver ofício abaixo).

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O problema crucial para que se entenda o que a reitoria da Uenf afirma serem as condições mínimas para funcionamento se refere aos exemplos oferecidos para corroborar essa posição.

As duas coisas que são oferecidas como exemplo de condições mínimas logo no primeiro parágrafo é de que o Restaurante Universitário estaria funcionando e de que os serviços de limpeza estariam sendo executados.  Essa é uma verdade parcial, a começar pelo fato de que muitos dos comensais já reclamam da queda na qualidade da comida. Além disso, o ofício omite o fato do pessoal disponível para limpeza foi reduzido drasticamente porque a empresa terceirizada que restou prestando serviços na Uenf não recebe os pagamentos devidos por quase 2 anos!  Além disso, as dificuldades para manter os prédios limpos com menos gente acaba causando uma jornada de trabalho mais penosa para os servidores que ainda prestam o serviço. Em outras palavras, servidores que já são normalmente precarizados nas condições laborais por serem terceirizados, agora ainda enfrentam a sobrecarga de terem que trabalhar mais, piorando assim sua condição de vida.

Mas a barra do mínimo necessária é colocada para baixo ainda mais quando o reitor da Uenf oferece o tipo de segurança que está sendo oferecido e o que está por ser oferecido. Nesse caso, o ofício afirma como elemento garantidor da segurança do Grupamento Ambiental da Guarda Municipal numa sala dentro do campus.  O problema é que a simples presença deste grupamento não garante nada, pois as funções do mesmo são diversas de prestar segurança dentro de um campus universitário. Além disso, a menção de que rondas frequentes (com qual frequência?) de radio patrulhas representam o oferecimento de “uma grande atenção” por parte da Polícia Militar ao campus Leonel Brizola!

Entretanto, mais precária ainda é a garantia da existência de um convênio cuja concretização ainda estaria dependendo de sua tramitação.  Esse convênio ofereceria o uso de uma radiopatrulha para cuidar do policiamento do campus Leonel Brizola e das unidades de pesquisa localizadas no Colégio Agrícola Antonio Sarlo. Assim, apenas para ir e vir de um ponto a outro, a viatura teria que percorrer 20 km em apenas uma viagem! Como a gasolina e a manutenção irão ser custeadas pela própria Uenf, não é difícil de compreender que esta será uma operação custosa e operacionalmente complexa. O ofício tampouco menciona o fato de que no convênio com a PMERJ consta a pré-condição de o campus Leonel Brizola estar totalmente iluminado no período noturno para que haja a ação de patrulhamento. Como hoje os chamados super postes existentes estão completamente apagados faz tempo, deixando grandes áreas do campus em completa escuridão, é pouco provável que o convênio seja cumprido no período noturno.

Outro aspecto em que a resposta oferecida deixa amplo espaço para dúvidas se refere à existência de insumos para atividades de ensino e pesquisa. Neste caso, o ofício reconhece que não existem recursos para compra de insumos, mas que verbas do convênio PROAP/CAPES estariam permitindo melhores condições de funcionamento aos programas de pós-graduação. A questão é que este convênio não apenas é uma espécie de cobertor curto já que o montante entregue pelo órgão federal é relativamente pequeno em relação às demandas dos programas de pós-graduação, especialmente no que se refere à compra de insumos.  Mas, além disso, o ofício é omisso em relação aos cursos de graduação, já que as verbas da CAPES não podem ser usadas para garantir o funcionamento dos mesmos.  Em outras palavras, se na pós-graduação há um aporte precário de verbas para viabilizar determinadas ações, enquanto na graduação nem isso.

Sobre a dívida que a Faperj possui com inúmeros pesquisadores e que hoje coloca em risco direto dezenas de projetos de pesquisa? Nisso o ofício é oportunamente omisso. Mas a informação corrente é que se até o final de 2017 não houver um aporte de custeio considerável, muitos projetos terão que ser completamente interrompidos simplesmente porque os aparelhos terão de ser desligados, interrompendo pesquisas essenciais para o desenvolvimento da ciência e da economia regional.

Para finalizar, o ofício aponta para a esperança que a reitoria da Uenf parece depositar na aprovação de uma lei que garanta os repasses orçamentários na forma de duodécimos seguindo o que se faz com o legislativo e o judiciário.   E para se lançar nessa cruzada é que a reitoria justifica a volta às aulas para trazer os estudantes de volta “para engajá-los” na luta. O problema é que para “engajar” no que efetivamente? Na prática em aulas meramente expositivas de conteúdos e expostos a crescentes riscos pessoais, especialmente os que frequentam o campus Leonel Brizola, a maioria mulheres, dadas as já citadas falta de iluminação e de presença de seguranças patrimoniais que até um ano atrás estavam nas diversas unidades do campus ao longo de 24 horas.

Esse ofício representa, lamentavelmente, uma adesão prática ao modelo de universidade mínima que o (des) governo Pezão preconiza. Afinal, o que a reitoria da Uenf está pedindo é que se volte a dar aulas sem quaisquer das condições mínimas que a universidade deveria ter para chegar perto do que o criador de seu modelo institucional, Darcy Ribeiro preconizava.

E que melhor situação para o (des) governo Pezão do que ter as universidades e a Faetec funcionando sem que ele autorize um mínimo de custeio básico e que o pagamento de salários seja feito apenas quando a pressão dos servidores comece a bater nas portas do Palácio Guanabara?

Pois bem, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que se a Uenf abraça o tipo de universidade mínima que está sendo tacitamente aceita pela sua reitoria, estaremos mais próximos do pagamento de mensalidades pelos estudantes e o corte de porcentagem dos salários de seus servidores, tal como aconteceu em Portugal.   O incrível é que a história da resistência a esse processo de elitização do ensino público superior foi dado ainda nesta semana pelo professor António da Nóvoa para um centro de convenções lotado. Pelo jeito, para muitos que ouviram a fala do professor Nóvoa e o aplaudiram de pé, tudo não passou de um gesto e apenas isso.

Felizmente, insisto que sempre há felizmentes para tudo, muita gente na Uenf não está disposta a abraçar a universidade mínima do (des) governo Pezão. E é com esses que vamos formar as trincheiras para defender a universidade de Darcy Ribeiro. E que cada um escolha como quer ficar marcado na história da Uenf.

Diga não à Universidade Mínima – Associações Docentes Estaduais em Luta!

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No dia 21 de Agosto representantes das diretorias e base da Asduerj, Aduezo, Aduenf e ADESFAETEC (seções sindicais do Andes-Sindicato Nacional) reuniram-se em plenária na Uerj Maracanã para decidir sobre os próximos passos da luta em defesa do ensino público, gratuito de de excelência.

Nos dias 08 e 11 de agosto, servidores, estudantes e sociedade intensificaram os atos de mobilização contra o desmonte do ensino público no Rio de Janeiro. Entre as exigências, o pagamento dos salários atrasados e o 13º de 2016. No dia 10 de agosto o banco Bradesco renovou o contrato da administração da folha de pagamento dos servidores. O que pode parecer um alívio, ao permitir o acerto de 3 meses de salários atrasados, é na verdade mais uma das ações desastrosas deste governo. Sem calendário de pagamentos e sem décimo terceiro (2016 e primeira parcela de 2017) o servidor ainda tem de ouvir do secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, que não há previsão para pagamento de agosto. A verdade que deve ser dita é que não há qualquer previsão de pagamento dos próximos meses. Além disto, as Universidades e FAETEC não têm as condições mínimas para retomar as aulas e a pressão para a adoção de um possível cotidiano de normalidade só deteriora as relações de trabalho e as possibilidades de realização de nossas tarefas de ensino, pesquisa, extensão.

Lutamos em unidade por compreender que os ataques visam o desmonte de nossas instituições de Ensino. E por compreender que nossos direitos não são negociáveis. Como servidores, exigimos um calendário orientado pela isonomia entre as categorias do funcionalismo. E dizemos não ao projeto de Estado Mínimo, em que investimentos na Saúde e Educação são vistos como “gastos” a serem cortados, e que tem como consequência o surgimento de uma Universidade Mínima, sem investimentos, sem custeio, sem plano de carreira, sem assistência estudantil e que busca ser financiada pela iniciativa privada ou com a cobrança de mensalidades. Por um ensino 100% gratuito, inclusivo e de qualidade.

Mais uma vez, e sempre que necessário, os docentes em luta do ensino superior estadual do Rio de Janeiro convocam todas e todos os defensores da Educação Pública a juntarem-se a nós na Defesa das Universidades Estaduais e da FAETEC!

DIA 23/08 – DIA DE ATOS UNIFICADOS NOS DIVERSOS CAMPI DAS IES: Maracanã, Campos, Campo Grande, São Gonçalo e Caxias

AS UNIVERSIDADES ESTADUAIS RESISTEM E REAGEM
UERJ UEZO UENF FAETEC FICAM
PEZÃO E TEMER SAEM

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/diga-nao-universidade-minima.html

Notícias da Aduenf: Comando de Greve lança nota defendendo continuidade do movimento

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Comando de Greve da ADUENF lança nota sobre continuidade da greve

Porque devemos continuar em greve

O recente pagamento de parte dos salários devidos tem trazido, para alguns, a percepção de que já não há mais razão para a greve. Nada mais equivocado.

Além de o décimo-terceiro salário ainda não ter sido quitado e permanecer a falta de previsibilidade quanto ao pagamento dos salários futuros, há ainda uma grande ameaça a ser combatida: a precarização do funcionamento da universidade e a deterioração das condições de trabalho.

A “resistência passiva” adotada desde outubro de 2015 mostrou-se um método não apenas ineficaz, mas que também tem contribuído para o agravamento da situação. A insistência na permanência das atividades normais “a qualquer custo” tem significado condições de trabalho cada vez mais deterioradas para docentes e servidores técnicos enquanto as dívidas com prestadores de serviços se acumulam diante da falta de repasses de custeio pelo governo Pezão.

Nossos laboratórios têm funcionado sem os insumos necessários e sem a manutenção regular de suas instalações, colocando em risco pesquisas de longo prazo e de grande relevância social. A falta de vigilância adequada no campus também tem ameaçado o patrimônio da Universidade e a segurança pessoal da comunidade acadêmica.Além disso, com os sucessivos cortes de recursos por parte da FAPERJ, CNPq e CAPES, bem como a falta de liberação do pagamento dos projetos aprovados por essas agências, as soluções paliativas encontradas pelos docentes têm chegado ao seu limite.

Os riscos e prejuízos não param por aí. Assim como a própria Universidade, servidores técnicos e professores têm se endividado devido aos atrasos salariais, arcando com pesados encargos financeiros que ampliam os lucros dos bancos e lhes ameaçam a dignidade. Outra grave consequência é a evasão de estudantes devido ao clima de incerteza e aos atrasos no pagamento de bolsas.

Nesse contexto de precarização de nossa instituição e de suas atividades e de falta de perspectiva sobre a regularização dos salários futuros, é fundamental que os docentes da UENF se posicionem pela manutenção da greve. O silêncio e a passividade podem trazer consequências irreversíveis para a preservação do papel da UENF como instituição de excelência e de grande importância para o desenvolvimento do norte fluminense.

A história nos ensina: direitos não são concedidos. São frutos das lutas e da participação ativa e vigilante dos trabalhadores. E, em um momento em que esses direitos estão sob ataque de um governo insensível à situação da Universidade e de seus servidores, a greve é o instrumento necessário. 

PELA UNIVERSIDADE PÚBLICA E GRATUITA! NENHUM DIREITO A MENOS!

Campos dos Goytacazes, 22 de Agosto de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/comando-de-greve-da-aduenf-lanca-nota.html

A palestra de António da Nóvoa na Uenf acabou em aplausos de pé. Mas sua mensagem contundente e desafiadora foi entendida?

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No encerramento das festividades dos seus 24 anos, a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi brindada com a presença do professor António Sampaio da Nóvoa da Universidade de Lisboa que ofereceu aos presentes com duas coisas tão básicas quanto fundamentais: uma crítica contundente aos descaminhos enfrentados pelas universidades na atual conjuntura histórica e uma visão de que elas podem cumprir um papel fundamental na produção de respostas às crises agudas que marcam o atual momento histórico.

Na parte da crítica, o professor Nóvoa, que foi reitor da Universidade de Lisboa onde liderou um complexo processo de transição para fortalecer as estruturas de produção de conhecimento universitárias em ferramentas para que Portugal superasse um agudo processo de crise econômica, não deixou pedra sobre pedra.  Ele atacou não apenas o produtivismo acadêmico, o abandono da ligação entre ensino e pesquisa, a predominância de propostas empresariais para a geração de recursos para as universidades, e a insistência de que universidades funcionem ancoradas na lógica predominante em empresas capitalistas.

Ao fazer isto, ele  colocou em questão a ideologia que está sendo aplicada há várias décadas sobre as universidades brasileiras. É que independente de quem esteve governando o Brasil, essa tem sido a lógica de fundo que vem sendo aplicada, inclusive nas universidades estaduais do Rio de Janeiro.  A partir dessa ideologia é que se justifica a implantação de sistemas de valoração que sobrepõe a produção de múltiplas publicações de um mesmo autor, sem que haja qualquer contribuição ao avanço do conhecimento. Para a ciência, especialmente uma em processo embrionário de desenvolvimento como é o caso da brasileira, não há ameaça maior do que a adoção de uma lógica que privilegia a quantidade sobre a qualidade. E os resultados disso já foram abordados por mim diversas vezes nas postagens sobre a disseminação do que eu convencionei chamar de “trash science“.

Mas, como o professor Nóvoa também mostrou, essa supervalorização da produção de quantidade resulta também no abandono do ensino, já que muitos professores se veem mais como pesquisadores do que educadores. Ao fazer isso, a presença na sala de aula passa a ser vista como uma coisa onerosa e pouco importante. O problema é que, como foi o caso da Uenf em seu nascedouro, não há nada que dinamize mais a produção científica do que a presença integral dos professores e dos estudantes em ambientes em que eles possam interagir diretamente. 

Outro aspecto importante, e que resulta da aplicação da lógica da ciência enquanto commodity é de que se perde a perspectiva de que nem sempre o conhecimento gerado pode ser aplicado imediatamente ou ser apropriado rapidamente pelo mercado. Esse ponto é especialmente crucial porque é a lógica que vem sendo aplicada no Brasil, e no mundo, de que só são financiadas pesquisas que mostrem sua capacidade de “se vender” para o mercado.   

Entretanto, o professor Nóvoa mais do que apontar para as deformações existentes, ofereceu uma série de receitas para que as universidades se coloquem no centro das disputas que estão colocadas a partir da retomada do seu papel criador. E aí é que mora o problema, pois aqui mesmo na Uenf vejo que a ideologia de mercado que o professor Nóvoa atacou está bem implantada. Disto decorre o fato inescapável que a atual crise serve, entre outras coisas, para obscurecer a necessidade urgente de que a prevalência das métricas e da submissão à lógica do mercado sejam, pelo menos, seriamente questionadas.

Para mim a maior demonstração de que teremos uma dura batalha para ser vencida se quisermos abraçar a visão oferecida pelo professor Nóvoa foi o simples fato dele ter sido aplaudido de pé. É que depois dele simplesmente desmantelar os mitos a que muitos se agarram todos os dias para justificar o funcionamento “normal” da Uenf,  a última coisa que eu esperava era que a maioria da plateia presente o aplaudisse de pé por mais de um minuto. Depois disso, o professor Nóvoa ainda recebeu um tratamento digno de um pop star com direitos a selfies e tudo o que as estrelas têm direito.  Já eu saí de lá com o sentimento de que temos ainda um longo caminho a percorrer para que nossas universidades, a Uenf inclusa, possam atingir o tipo de visão que ele nos ofereceu.  A começar pela responsabilidade pública que precisamos ter com o Brasil e com a cidade de Campos dos Goytacazes.

Para salvar a Universidade do Terceiro Milênio de Darcy Ribeiro será preciso derrotar a universidade mínima do (des) governo Pezão

A semana passada foi marcada na Universidade Estadual do Norte Fluminense por atividades que celebraram os 24 anos do início das atividades da instituição pensada por Darcy Ribeiro e materializada por Leonel Brizola. Uma das marcas desse aniversário é certamente a crise profunda em que a Uenf foi imersa pela proposta de Estado mínimo que está sendo impulsionada a fórceps na instituição pelo (des) governo Pezão. 

E não haveria como ser diferente, pois, desprovida de verbas de custeio desde Outubro de 2015, a Uenf vem tendo sua capacidade criativa sufocada pela inexistência de condições mínimas de funcionamento.  Aqui não estou falando aqui do imenso matagal que está se formando em partes do campus Leonel Brizola, nem dos muitos prédios que se encontram incompletos e sem prazo de conclusão, que tanto chocam jornalistas que pedem imagens da situação em que a Uenf se encontra neste momento (ver imagens abaixo).

Na verdade a capacidade criativa da Uenf está sendo eficazmente sufocada em algo mais essencial que são suas práticas pedagógicas nos seus cursos de graduação e pós-graduação, onde a falta de insumos básicos está reduzindo o modelo revolucionário de Darcy Ribeiro ao mero oferecimento de uma perspectiva meramente conteudista, reproduzindo o que há de pior em outras áreas degradadas da educação pública.

E mesmo a versão minimalista se encontra de colapsar a partir de Outubro quando começam a ser encerrados os projetos de pesquisa de onde estão saindo as verbas que ainda estão mantendo as atividade de ensino e pesquisa realizadas na Uenf!

É como se aos poucos, a Uenf esteja sendo desprovida do que tem de melhor, e se adequando ao minimalismo criativo e descompromisso com a sociedade fluminense que transbordam em todas as ações do (des) governo Pezão.   O pior é que até mesmo a reverência mostrada a Darcy Ribeiro por alguns que esbaldam em lágrimas, supostamente em lamento pela situação em que a Uenf  foi colocada por inimigos invisiveis e de nomes impronunciáveis, é como aquela que as filas de cidadãos russos vão prestar no Mausoléu de Lênin na Praça Vermelha em Moscou, onde o corpo do líder da revolução de 1917 permanece embalsamado apenas para ser mostrado enquanto  uma imagem pálida do seu vigor intelectual (e deste modo inofensiva). Vigor intelectual este que foi aplicado com rara eficiência na concretização da maior revolução social que o sistema capitalista já presenciou

Entretanto, o pior é que tenho visto é a tentativa de se adequar ao modelo minimalista imposto pelo (des) governo Pezão como um gesto de resistência, quando, na prática, o que tenho visto é apenas uma naturalização do processo de destruição em curso.  Essa pseudo resistência é o pior desserviço que poderia ser feito à memória de Darcy Ribeiro que nunca foi homem de resignar a nada. E certamente Darcy Ribeiro não se resignaria a ver a Uenf sendo desmantelada de forma silenciosa e covarde.

Um exemplo disso é a sinalização pública, e que antes era oferecida apenas de forma privada entre quatro paredes, de que uma das saídas para a falta de recursos estatais seria a cobrança de mensalidades dos estudantes e a venda de serviços pelo corpo docente. Se concretizadas essas duas medidas significarão o fim da universidade pensada por Darcy Ribeiro e a consumação do Estado mínimo engendrado pelo governo “de facto” que se instalou de forma ilegítima em Brasília e que está sendo aplicado na forma de um laboratório avançado pelo (des) governo Pezão no estado do Rio de Janeiro.

O lado positivo desse processo é que existem cabeças pensando outras saídas para a Uenf que não seja a aniquilação objetiva de todo o seu potencial transformador e que tantos frutos já gerou desde o início do seu funcionamento em 1993.    Assim, seja qual for o resultado da atual greve de professores e técnicos-administrativos é certo que não estaremos encerrando o bom combate pela defesa da essência criadora da Uenf. Na verdade, superada a névoa da resistência subordinada, poderemos utilizar as ferramentas do pensamento crítico para ampliarmos o debate em torno do papel social da Uenf em nossa sociedade, mantendo-se acima de tudo o seu caráter público e gratuito.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e um imenso não à universidade mínima do (des) governo Pezão!

A Uenf não está fechada, ela está se insurgindo contra sua destruição pelo (des) governo Pezão

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Greves em universidades públicas são eventos indesejados porque atrapalham o funcionamento de uma série de ações que são extremamente sensíveis, desde o processo de ensino, passando pela pesquisa, e chegando na difusão do conhecimento que é gerado por meio da extensão.

Lamentavelmente nos últimos anos os diferentes segmentos que formam a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) têm necessitado usar o instrumento da greve para se insurgir contra um projeto de desmonte de uma das melhores instituições universitárias existentes no Brasil.

A atual greve decretada por servidores técnico-administrativos e professores é mais um caso de insurgência contra um (des) governo que vem tentando de tudo para inviabilizar a contribuição da Uenf para o desenvolvimento regional.  E essa greve foi decretada não apenas por causa do vexaminoso atraso no pagamento de quatro salários, mas também por causa do corte das verbas de custeio que remonta ao mês de Outubro de 2015.

Mas que ninguém se engane. A Uenf não está fechada. Aliás, muito pelo contrário, o que estamos vivenciando todos os dias é um esforço concentrado para mantê-la aberta e com a manutenção de seu caráter público, gratuito e de excelência.  

E o mais importante é entender que greves são momentos específicos dentro da trajetória de universidades que vivem sob constante ataque de (des) governos que gostariam de fechá-las em nome de um projeto econômico que quer manter o Brasil para sempre como uma Nação na rabeira do processo de desenvolvimento capitalista.

É contra esse projeto que os segmentos organizados da Uenf estão se insurgindo neste momento, pois não é possível que se aceite passivamente o que o (des) governo Pezão está tentando fazer. 

Rio de Janeiro: a crise não acabou, ela está apenas começando

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Após o pagamento dos salários atrasados referentes a Maio, Junho e Julho está sendo criado um ambiente que pressiona pela suspensão nas universidades estaduais e nas escolas técnicas da rede Faetec.  Essa pressão obviamente nasce de dentro do (des) governo Pezão que se vê muito fragilizado frente à uma opinião pública que possui grande desconfiança sobre a capacidade de quem criou a crise de achar caminhos para superá-la.

Entretanto, mesmo dentro das universidades e escolas técnicas reapareceu o mantra da “normalidade sacrificial” onde a fábula de que os servidores e estudantes precisam “resistir”   é repetido “ad nauseam” no estilo de repetir uma mentira mil vezes até que ela soe como verdade. Nessa prática, o único efeito objetivo é desprover o conceito de resistência de suas capacidades transformadoras, tornando-o assim um conceito desprovido de substância e que serve apenas aos interesses dos inimigos da educação pública.

Felizmente, ao menos no caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense, já existe um grupo considerável de servidores que saíram da bolha do conformismo que foi criada pela assimilação acrítica da narrativa da crise imposta pelo (des) governo Pezão.  Nessas duas semanas de greve docente o que mais vi e ouvi foi a disposição de continuar o projeto privatizante que está por detrás do confisco salarial que está sendo utilizado como um tática de guerra contra os que insistem em defender a Uenf e o que ela efetivamente foi pensada para ser pelos seus criadores.

E se essa tomada de consciência sobre as tarefas que temos no horizonte por si só não resolve tudo, pelo menos não ficaremos mais na bolha que o (des) governo Pezão nos colocou.  Se isso não resolve tudo, é certo que não ficaremos na Uenf vivendo a paz dos cemitérios que querem nos impor para mais facilmente avançar o excludente processo de privatização que está em marcha no Rio de Janeiro, principal laboratório do receituário neoliberal para a América Latina.

Abaixo segue a postagem altamente elucidativa do Conexão Servidor Público.

SERVIDORES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PAGAMENTO DE ATRASADOS NÃO SIGNIFICA FIM DA CRISE E DOS PROBLEMAS

BLOG PARABENIZA OS SERVIDORES PÚBLICOS DO BRASIL, EM ESPECIAL NESSE MOMENTO OS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, PELA SUA CAPACIDADE IMENSA DE RESISTÊNCIA E SUPERAÇÃO.

 

Se engana quem acha que o problema dos servidores do estado do Rio de Janeiro está resolvido com o pagamento dos três meses de salários – MAIO / JUNHO / JULHO – feito entre sexta-feira dia 14/08 e praticamente finalizado ontem, dia 16/08. Embora ainda existam algumas pendências, e servidores que reclamem ter recebido valores inferiores ao que esperavam, pode-se dizer que os salários mensais estão em dia, considerando o calendário do GOVERNO DO ESTADO.

Faltando ainda 13o. salário de 2016 para uma parcela considerável – Todos os que ganham acima de R$ 3.200,00, (excetuando-se aí os profissionais da SEEDUC e da PGE que receberam esse pagamento) + GRATIFICAÇÕES e Horas Extras, em especial aí para os profissionais da segurança, além da falta de PREVISÃO de como serão os pagamentos mensais de agora em diante, e também como será pago, se é que será pago, o DÉCIMO TERCEIRO de 2017, podemos afirmar que estamos diante de uma série de INCERTEZAS e PREOCUPAÇÕES.

O ESTADO tem ainda uma dívida imensa com fornecedores e terceirizados. Esse tipo de situação, prejudica a prestação de serviços à população, pois impede o bom funcionamento da máquina pública.

Vive-se ainda uma série de outras incertezas, como a do aumento da alíquota previdenciária, a assinatura do ACORDO ENTRE UNIÃO E ESTADO, na dependência de que o MINISTRO MEIRELLES, ameaçado no cargo, decida essa situação e permita que o Rio tome um empréstimo que pode de lhe dar um OXIGÊNIO NECESSÁRIO, e ainda se a CEDAE será ou não PRIVATIZADA. Isso para não falar na questão do ATAQUE QUE O SERVIÇO PÚBLICO COMO UM TODO VEM SOFRENDO, ou das incertezas na área políticas, como o IMPEACHMENT DE PEZÃO, CASSAÇÃO DE SEU MANDATO, ou a QUEDA DO GOVERNO TEMER diate de uma SEGUNDA DENÚNCIA apresentada pela PGR.

Como se vê, não é um CENÁRIO de HORIZONTE TRANQUILO. SEGURANÇA, EDUCAÇÃO, SAÚDE E ARRECADAÇÃO, são PONTOS CRÍTICOS.

Ainda assim, comemora-se o fato de que com os salários pagos, os servidores respiram e conseguem dar um mínimo de normalidade a sua vida. Pagam algumas contas, reduzem seu endividamento, abastecem de forma básica a geladeira e compram seus remédios. É um alívio, um tempo para se recompor e reestruturar. 

Não se pode ter, porém, a ILUSÃO de que tudo está ou estará em breve resolvido de forma completa. Por isso, é importante manter a mobilização e a cobrança, e o BLOG vai abordar todos estes problemas diariamente.

FONTE: http://souservidor.blogspot.com.br/2017/08/servidores-do-estado-do-rio-de-janeiro_17.html