Precarizar para privatizar. Esse sempre foi a meta do (des) governo Pezão para as universidades estaduais

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Neste momento há muita gente dividida entre a surpresa e a estupefação em relação à “sugestão” dada pelo Ministério da Fazenda ao esquálido (des) governo Pezão para que se privatize o ensino superior estadual, o que implica na privatização das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo).

Mas fica surpreso e estupefato quem quer, especialmente se acompanhe este blog com alguma regularidade. É que em 2016 escrevi duas postagens específicas (uma em fevereiro e outra em dezembro) sobre o tema da privatização das universidades estaduais, onde colocava o processo de precarização como um meio para que se chegasse ao fim pretendido que sempre foi a privatização [1, 2].

Francamente falando, o problema em relação às universidades estaduais não é propriamente o (des) governo Pezão, pois os objetivos privatistas dos atuais ocupantes do Palácio Guanabara são para lá de explícitos.  Ao meu ver, o maior problema até agora tem sido a leniência com que os ataques executados pelo (des) governo Pezão contra as universidades estaduais é tratada até mesmo dentro delas.

O fato é que se uma reação coletiva tivesse sido realizada na primeira vez em que os repasses mensais para as universidades foram atrasados, muito provavelmente não estaríamos chegando próximo do deselance desejado pelo dublê de ministro e banqueiro Henrique Meirelles.   Mas, lamentavelmente,  os avisos que foram lançados por pessoas como eu foram tratados com ar de desdém do tipo que se destina a quem fala bizarrices.

A minha expectativa é que a sugestão explícita por parte do Ministério da Fazenda de que se privatize as nossas universidades acenda algum tipo de sinal de emergência dentro e fora delas.  É que os danos que a extinção do ensino superior público traria seriam imensos e contundentes e atingiriam várias gerações.   E, pior, tornariam ainda mais mínimas quaisquer chances que o Rio de Janeiro possa ter de sair da grave crise em que se encontra. 

Mas uma coisa é certa. Se não houver uma reação enérgica que chegue até as ruas, o mais provável é que o processo privatista avance e consuma de forma inapalável as universidades estaduais e, junto elas, as nossas chances de um futuro melhor. A hora de reagir é agora. Depois vai ser tarde demais.


[1] https://blogdopedlowski.com/2016/02/28/des-governo-pezao-e-seu-script-para-as-universidades-estaduais-precarizar-para-depois-privatizar/

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/12/06/des-governo-pezao-avanca-seu-projeto-de-privatizacao-das-universidades-estaduais/

Governo Temer tira a máscara e sinaliza que exigirá privatização das universidades estaduais do RJ

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Já venho alertando faz tempo que a real intenção do (des) governo Pezão é de criar as condições para uma rápida privatização das universidades estaduais do Rio de Janeiro. Esse assunto, entretanto, vem sendo olimpicamente ignorado pelas reitorias e pelos que dizem apoiar a educação superior público do lado de fora dos muros.

Agora, em meio à finalização dos termos do chamado Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do estado do Rio de Janeiro, o Ministério da Fazenda comandado pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles apresenta de forma explícita a possibilidade de privatização das universidades estaduais e até de parte da Faetec no parecer que finalizou o acordo (ver documento abaixo).

privatização estaduais

Como ainda voltarei a este assunto em outra postagem, aproveito para postar abaixo uma reflexão do economista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) sobre a clara ameaça que agora paira sobre as três universidades estaduais (Uenf, Uerj, Uezo).  E como diz o professor Bruno Sobral, para quem acha que a assinatura do RRF é o fim da crise em que fomos imersos pelos sucessivos (des) governos do PMDB, a verdade é que tudo indica que ela está apenas começando.

E essa crise tem nome e sobrenome:  Luiz Fernando Pezão e seu séquito de (des) secretários.

UERJ e demais universidades estaduais passam a ser colocadas na mira direta da lógica de rapinagem do governo federal

Por Bruno Leonardo Barth Sobral*

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O movimento UERJ Resiste também já antecipou o alerta, mas faço breves colocações pessoais a seguir. Último parecer da Secretaria do Tesouro Nacional apontou em um trecho medidas compensatórias adicionais caso os valores estimados no acordo hoje assinado não se concretizarem. Entre elas: “essa categoria de medidas de ajuste poderia ser ampliada – passando a abranger a revisão da oferta de ensino superior”.

Portanto, textualmente, os técnicos federais dão indicação que miram futuramente nas universidades estaduais, em particular, na UERJ. Por hora, está no plano das sugestões, mas não atingindo as metas esperadas (o que julgo bem provável), já se explicita que pressão virá.

Em minha visão, isso não se trata de mera chantagem. A lógica é de primeiro sugerir criando dissenso e desmobilização para depois impor pela gravidade dos fatos como algo inadiável. Por isso, é fundamental se antecipar ao projeto de consenso forçado, porque o acordo federal está cheio de buracos na modelagem e medidas compensatórias adicionais deverão ocorrer. Logo, não acho apenas uma suposição, e sim algo provável se esse acordo não for revisto no futuro próximo. A diferença que agora já sinalizam explicitamente que no cardápio está uma intervenção na política estadual de ensino superior.

Em se tratando de valores monetários, a mira principal ainda será a previdência. Isso já estava na mira antes, mas não dava para impor politicamente tudo de uma vez. De toda forma deve voltar dado que é uma fonte concentrada de renda do trabalhador considerável a ser expropriada. Como se terá décadas ainda de transição para o reequilíbrio atuarial (o que não precisaria de nenhum ajuste novo), será o tempo suficiente para se dar a desculpa fácil dos custos crescentes, ainda que juridicamente questionável e obscurecendo os custos decrescentes em período seguinte.

Se a previdência é a “galinha dos ovos de ouro”, questionar a UERJ se reveste de uma ganho simbólico após o ataque à CEDAE. É explícita a visão desestatizante genérica que reveste a crença moral dos técnicos do acordo envolvidos e é de se esperar que cada vez virá com mais força a retórica de que: “o ensino superior gratuito é injusto”.

Isso já está nos editorais da mídia, nos textos de juristas e em inúmero panfletos virtuais. Só falta a oportunidade concreta. Enquanto a profecia não se auto-realiza, ou seja, enquanto o acordo não se mostra furado e passe a exigir medidas adicionais como o “redução da oferta de ensino superior”, já se vai preparando o terreno. Se nada for feito tudo está ficando cada vez mais previsível.

O acordo não é o fim, é apenas o começo…

*Bruno Leonardo Barth Sobral é economista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

Deputados campistas anunciam que visitarão Uenf. Resta saber o que farão além de tentarem subir em um palanque fora de época

A bancada governista do (des) governo Pezão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tem em suas fileiras três deputados que forem eleitos com votos da nossa região (Geraldo Pudim, Gil Vianna e João Peixoto). A fidelidade deles é das mais altas até mesmo dentro da base do (des) governo, pois os mesmos têm votado consistentemente em tudo o que o (des) governador Pezão envia para ser aprovado.

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Exemplos disso são a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), o aumento da contribuição previdenciária dos servidores de 11% para 14%.  Ainda nesta semana, os três deputados votaram a votar da manutenção dos chamados supersalários para os (des) secretários do (des) governo Pezão que estão recebendo valores bem acima do teto constitucional. Em outras palavras: para os servidores, calote e descontos maiores, para os  (des) secretários, salários nababescos!

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Pois bem, estes três deputados estão  anunciando uma visita ao campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a próxima segunda-feira (04/09). Dada o recorde desses membros fiéis da bancada governista, fico me perguntando sobre qual seria a real intenções deles, e a palavra “palanque” me vem imediatamente à cabeça. É que sendo sabedores da crise que o (des) governo Pezão vem impondo à Uenf, nunca houve por parte deles qualquer medida no sentido de buscar uma audiência conjunta que tivesse como finalidade encerrar o vergonhoso bloqueio financeiro que está asfixiando e colocando risco a universidade.

A sorte deles é que a comunidade universitária da Uenf é extremamente pacífica e normalmente não cria embaraços durante visitas oficiais como a deles. Se fosse em qualquer outro campus universitário, talvez eles não pudessem sequer pensar em fazer esse tipo de visita.  Mas uma coisa é certa: se estão pensando em usar a Uenf como palanque, que pensem duas vezes.

Notícias da Aduenf traz vídeo sobre caso que exemplifica o ataque do (des) governo Pezão à UENF

UENF sitiada pelo (des) governo Pezão e as múltiplas perdas que esta situação causa

Muito se fala sobre as condições em que as universidades estaduais estão sendo deixadas pelo governo Pezão, mas pouco se mostra sobre os impactos reais que a asfixia financeira que está sendo aplicada de forma meticulosa causa no cotidiano das pessoas que ali estudam e trabalham.

Abaixo postamos o depoimento da médica veterinária Yasmin Pereira que resolveu abandonar o seu programa de residência no Hospital Veterinário da Uenf por vários motivos, sendo o principal deles o atraso crônico no pagamento da bolsa residência a que ela fazia jus. Além disso, ela também mostra de forma objetiva a situação de completa insegurança em que todos os frequentadores do campus Leonel Brizola se encontram neste momento.

Combater o projeto de destruição que está sendo meticulosamente executado pelo governo Pezão é uma tarefa que não se resume aos que hoje estão na Uenf, pois como mostra o depoimento acima, as perdas que estão ocorrendo vão muito além das questões salariais e envolvem a própria existência da universidade enquanto um centro formador de novos conhecimentos e capacitação profissional.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/uenf-sitiada-pelo-des-governo-pezao-e.html

Notícias da Aduenf: Comando de Greve da ADUENF organiza “roda de conversa” para discutir ciência, tecnologia e inovação

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Para aprofundar a discussão sobre as motivações da greve que professores e servidores estão realizando na Uenf, o Comando de Greve realizará uma roda de conversa com o Prof. Edson Terra Azevedo Filho do LEPROD/CCT na próxima 4a. feira no anexo do CCT a partir das 09:00 da manhã.

A atividade é franca e aberta não apenas a membros da comunidade universitária da Uenf, mas também da população em geral.

A hora de impedir a destruição da Uenf é essa!

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/comando-de-greve-da-aduenf-organiza.html

Reflexões dominicais sobre a dolorosa situação da Uenf como espelho do Brasil

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Por Luiz Henrique Moraes*

Hoje me deparei com uma lembrança que ocorreu no setor onde trabalho, em fevereiro deste ano.

No recesso da universidade onde trabalho como de costume uma aluna chegou e solicitou um nada consta do setor. Durante meses eu assinava este documento para liberar os alunos devido a sua colação de grau; diplomação; trancamento/cancelamento de matrícula. O intuito é liberar a situação do graduando ou graduado.

Nesta atribuição que em determinado dia uma moça chegou e me pediu o nada consta, primeiro perguntei se era para “colação de grau” mas a moça não respondeu enquanto preenchia o documento. Em poucos segundos percebi seu choro que prendia e ao flagrar tal situação lhe ofereci a cadeira para sentar e um copo de água para se acalmar. 

Nesta situação de desespero li no documento da menina que optava pelo “cancelamento da matrícula”. O que pensei em um milhão de coisas ao mesmo tempo. A levei para o corredor, orientei sobre o que tinha de fazer dali em diante e para acalma-la; falei que também tive de fazer o mesmo tempos atrás devido às dificuldades da vida, pois não é fácil largar um curso superior. Você batalha para ingressar e depois tem de deixar por vários problemas.

Foi uma situação dolorosa e que nunca vou esquecer. O desmonte da universidade pública, da Uenf e da Uerj, além da Faetec tem muito a ver com este descalabro. Os governos, nossas autoridades promovem o desmonte das políticas de ciências e tecnologia, e de inclusão social para os jovens, especialmente os mais vulneráveis. 

Cada soluço ouvido, cada lágrima observada, os olhos avermelhados e o seu semblante triste denunciam a desesperança, simbolizam o resultado de políticas nefastas que nos destroem por dentro. 

A Uenf não tem segurança, com muita dificuldade está funcionando, há falta de materiais básicos de higiene, limpeza e conservação. Materiais de escritório e para realização de pesquisas em laboratório. 

No entanto o pior é a saúde mental das pessoas, os recursos humanos da instituição. O choro preso significa algo doloroso. Também significa nossas fragilidades como ser humano, como cidadão, como pessoas na sociedade.

Naquele dia parei para pensar o que ela faria dali em diante. O país parou. Parou e não sabemos quando voltará a andar. Só digo que foi muito doloroso, até hoje.

*Luiz Henrique Moraes é servidor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e aluno do curso de Engenharia Ambiental do Instituto Federal Fluminense/ campus Guarus.

 

A greve dos professores da Uenf definitivamente não é só por salários

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A greve iniciada pelos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) vem sendo criticada interna e externamente, apesar de todas as evidências de que o projeto de destruição sendo executado pelo (des) governo Pezão está alcançando um grande êxito, particularmente no que se refere às condições básicas de funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação que a universidade possui.

Para mostrar que a greve dos professores, e que também alcança os servidores técnico-administrativos que também estão realizando o seu próprio movimento paredista em defesa da Uenf, a Associação de Docentes da Uenf está produzindo uma série de materiais visuais para explicar o amplo alcance deste movimento na defesa do caráter público e gratuito da universidade (ver um dos materiais abaixo).

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A verdade é que se fosse só pela questão dos salários, este movimento já seria mais do que justo e legítimo.  O problema é que sem o reinício imediato dos repasses para o custeio necessário para o pagamento de concessionárias e empresas terceirizadas e o descongelamento imediato dos recursos devidos pela Faperj aos professores da Uenf, o colapso total das atividades de ensino, pesquisa e extensão será mais do que uma possibilidade ainda em 2017.

Por isso, há que se difundir a informação sobre o caos instalado pelo (des) governo Pezão não apenas naUenf, mas também na Uerj e na Uezo, bem como nas escolas técnicas da Faetec.

O alarme deve ser soado com força, visto a última medida da Secretaria Estadual de Educação que decidiu municipalizar as escolas estaduais de ensino fundamental, acarretando graves perdas para os alunos, com o fechamento de turmas. E isto tudo num período em que milhares de crianças estão abandonando escolas particulares em função da grave crise econômica que o Brasil e o Rio de Janeiro atravessam [1].

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[1] http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/estado-vai-municipalizar-escolas-de-ensino-fundamental-no-rj.ghtml

Em troca de duodécimos num futuro incerto, Reitoria da Uenf adere à universidade mínima do (des) governo Pezão

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Em resposta a um ofício enviado pela Associação de Docentes, o reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, enviou no final da manhã desta 3ª. feira um ofício onde objetivamente afirma que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) possui as condições mínimas de funcionamento (ver ofício abaixo).

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O problema crucial para que se entenda o que a reitoria da Uenf afirma serem as condições mínimas para funcionamento se refere aos exemplos oferecidos para corroborar essa posição.

As duas coisas que são oferecidas como exemplo de condições mínimas logo no primeiro parágrafo é de que o Restaurante Universitário estaria funcionando e de que os serviços de limpeza estariam sendo executados.  Essa é uma verdade parcial, a começar pelo fato de que muitos dos comensais já reclamam da queda na qualidade da comida. Além disso, o ofício omite o fato do pessoal disponível para limpeza foi reduzido drasticamente porque a empresa terceirizada que restou prestando serviços na Uenf não recebe os pagamentos devidos por quase 2 anos!  Além disso, as dificuldades para manter os prédios limpos com menos gente acaba causando uma jornada de trabalho mais penosa para os servidores que ainda prestam o serviço. Em outras palavras, servidores que já são normalmente precarizados nas condições laborais por serem terceirizados, agora ainda enfrentam a sobrecarga de terem que trabalhar mais, piorando assim sua condição de vida.

Mas a barra do mínimo necessária é colocada para baixo ainda mais quando o reitor da Uenf oferece o tipo de segurança que está sendo oferecido e o que está por ser oferecido. Nesse caso, o ofício afirma como elemento garantidor da segurança do Grupamento Ambiental da Guarda Municipal numa sala dentro do campus.  O problema é que a simples presença deste grupamento não garante nada, pois as funções do mesmo são diversas de prestar segurança dentro de um campus universitário. Além disso, a menção de que rondas frequentes (com qual frequência?) de radio patrulhas representam o oferecimento de “uma grande atenção” por parte da Polícia Militar ao campus Leonel Brizola!

Entretanto, mais precária ainda é a garantia da existência de um convênio cuja concretização ainda estaria dependendo de sua tramitação.  Esse convênio ofereceria o uso de uma radiopatrulha para cuidar do policiamento do campus Leonel Brizola e das unidades de pesquisa localizadas no Colégio Agrícola Antonio Sarlo. Assim, apenas para ir e vir de um ponto a outro, a viatura teria que percorrer 20 km em apenas uma viagem! Como a gasolina e a manutenção irão ser custeadas pela própria Uenf, não é difícil de compreender que esta será uma operação custosa e operacionalmente complexa. O ofício tampouco menciona o fato de que no convênio com a PMERJ consta a pré-condição de o campus Leonel Brizola estar totalmente iluminado no período noturno para que haja a ação de patrulhamento. Como hoje os chamados super postes existentes estão completamente apagados faz tempo, deixando grandes áreas do campus em completa escuridão, é pouco provável que o convênio seja cumprido no período noturno.

Outro aspecto em que a resposta oferecida deixa amplo espaço para dúvidas se refere à existência de insumos para atividades de ensino e pesquisa. Neste caso, o ofício reconhece que não existem recursos para compra de insumos, mas que verbas do convênio PROAP/CAPES estariam permitindo melhores condições de funcionamento aos programas de pós-graduação. A questão é que este convênio não apenas é uma espécie de cobertor curto já que o montante entregue pelo órgão federal é relativamente pequeno em relação às demandas dos programas de pós-graduação, especialmente no que se refere à compra de insumos.  Mas, além disso, o ofício é omisso em relação aos cursos de graduação, já que as verbas da CAPES não podem ser usadas para garantir o funcionamento dos mesmos.  Em outras palavras, se na pós-graduação há um aporte precário de verbas para viabilizar determinadas ações, enquanto na graduação nem isso.

Sobre a dívida que a Faperj possui com inúmeros pesquisadores e que hoje coloca em risco direto dezenas de projetos de pesquisa? Nisso o ofício é oportunamente omisso. Mas a informação corrente é que se até o final de 2017 não houver um aporte de custeio considerável, muitos projetos terão que ser completamente interrompidos simplesmente porque os aparelhos terão de ser desligados, interrompendo pesquisas essenciais para o desenvolvimento da ciência e da economia regional.

Para finalizar, o ofício aponta para a esperança que a reitoria da Uenf parece depositar na aprovação de uma lei que garanta os repasses orçamentários na forma de duodécimos seguindo o que se faz com o legislativo e o judiciário.   E para se lançar nessa cruzada é que a reitoria justifica a volta às aulas para trazer os estudantes de volta “para engajá-los” na luta. O problema é que para “engajar” no que efetivamente? Na prática em aulas meramente expositivas de conteúdos e expostos a crescentes riscos pessoais, especialmente os que frequentam o campus Leonel Brizola, a maioria mulheres, dadas as já citadas falta de iluminação e de presença de seguranças patrimoniais que até um ano atrás estavam nas diversas unidades do campus ao longo de 24 horas.

Esse ofício representa, lamentavelmente, uma adesão prática ao modelo de universidade mínima que o (des) governo Pezão preconiza. Afinal, o que a reitoria da Uenf está pedindo é que se volte a dar aulas sem quaisquer das condições mínimas que a universidade deveria ter para chegar perto do que o criador de seu modelo institucional, Darcy Ribeiro preconizava.

E que melhor situação para o (des) governo Pezão do que ter as universidades e a Faetec funcionando sem que ele autorize um mínimo de custeio básico e que o pagamento de salários seja feito apenas quando a pressão dos servidores comece a bater nas portas do Palácio Guanabara?

Pois bem, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que se a Uenf abraça o tipo de universidade mínima que está sendo tacitamente aceita pela sua reitoria, estaremos mais próximos do pagamento de mensalidades pelos estudantes e o corte de porcentagem dos salários de seus servidores, tal como aconteceu em Portugal.   O incrível é que a história da resistência a esse processo de elitização do ensino público superior foi dado ainda nesta semana pelo professor António da Nóvoa para um centro de convenções lotado. Pelo jeito, para muitos que ouviram a fala do professor Nóvoa e o aplaudiram de pé, tudo não passou de um gesto e apenas isso.

Felizmente, insisto que sempre há felizmentes para tudo, muita gente na Uenf não está disposta a abraçar a universidade mínima do (des) governo Pezão. E é com esses que vamos formar as trincheiras para defender a universidade de Darcy Ribeiro. E que cada um escolha como quer ficar marcado na história da Uenf.

Diga não à Universidade Mínima – Associações Docentes Estaduais em Luta!

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No dia 21 de Agosto representantes das diretorias e base da Asduerj, Aduezo, Aduenf e ADESFAETEC (seções sindicais do Andes-Sindicato Nacional) reuniram-se em plenária na Uerj Maracanã para decidir sobre os próximos passos da luta em defesa do ensino público, gratuito de de excelência.

Nos dias 08 e 11 de agosto, servidores, estudantes e sociedade intensificaram os atos de mobilização contra o desmonte do ensino público no Rio de Janeiro. Entre as exigências, o pagamento dos salários atrasados e o 13º de 2016. No dia 10 de agosto o banco Bradesco renovou o contrato da administração da folha de pagamento dos servidores. O que pode parecer um alívio, ao permitir o acerto de 3 meses de salários atrasados, é na verdade mais uma das ações desastrosas deste governo. Sem calendário de pagamentos e sem décimo terceiro (2016 e primeira parcela de 2017) o servidor ainda tem de ouvir do secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, que não há previsão para pagamento de agosto. A verdade que deve ser dita é que não há qualquer previsão de pagamento dos próximos meses. Além disto, as Universidades e FAETEC não têm as condições mínimas para retomar as aulas e a pressão para a adoção de um possível cotidiano de normalidade só deteriora as relações de trabalho e as possibilidades de realização de nossas tarefas de ensino, pesquisa, extensão.

Lutamos em unidade por compreender que os ataques visam o desmonte de nossas instituições de Ensino. E por compreender que nossos direitos não são negociáveis. Como servidores, exigimos um calendário orientado pela isonomia entre as categorias do funcionalismo. E dizemos não ao projeto de Estado Mínimo, em que investimentos na Saúde e Educação são vistos como “gastos” a serem cortados, e que tem como consequência o surgimento de uma Universidade Mínima, sem investimentos, sem custeio, sem plano de carreira, sem assistência estudantil e que busca ser financiada pela iniciativa privada ou com a cobrança de mensalidades. Por um ensino 100% gratuito, inclusivo e de qualidade.

Mais uma vez, e sempre que necessário, os docentes em luta do ensino superior estadual do Rio de Janeiro convocam todas e todos os defensores da Educação Pública a juntarem-se a nós na Defesa das Universidades Estaduais e da FAETEC!

DIA 23/08 – DIA DE ATOS UNIFICADOS NOS DIVERSOS CAMPI DAS IES: Maracanã, Campos, Campo Grande, São Gonçalo e Caxias

AS UNIVERSIDADES ESTADUAIS RESISTEM E REAGEM
UERJ UEZO UENF FAETEC FICAM
PEZÃO E TEMER SAEM

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/diga-nao-universidade-minima.html

Notícias da Aduenf: Comando de Greve lança nota defendendo continuidade do movimento

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Comando de Greve da ADUENF lança nota sobre continuidade da greve

Porque devemos continuar em greve

O recente pagamento de parte dos salários devidos tem trazido, para alguns, a percepção de que já não há mais razão para a greve. Nada mais equivocado.

Além de o décimo-terceiro salário ainda não ter sido quitado e permanecer a falta de previsibilidade quanto ao pagamento dos salários futuros, há ainda uma grande ameaça a ser combatida: a precarização do funcionamento da universidade e a deterioração das condições de trabalho.

A “resistência passiva” adotada desde outubro de 2015 mostrou-se um método não apenas ineficaz, mas que também tem contribuído para o agravamento da situação. A insistência na permanência das atividades normais “a qualquer custo” tem significado condições de trabalho cada vez mais deterioradas para docentes e servidores técnicos enquanto as dívidas com prestadores de serviços se acumulam diante da falta de repasses de custeio pelo governo Pezão.

Nossos laboratórios têm funcionado sem os insumos necessários e sem a manutenção regular de suas instalações, colocando em risco pesquisas de longo prazo e de grande relevância social. A falta de vigilância adequada no campus também tem ameaçado o patrimônio da Universidade e a segurança pessoal da comunidade acadêmica.Além disso, com os sucessivos cortes de recursos por parte da FAPERJ, CNPq e CAPES, bem como a falta de liberação do pagamento dos projetos aprovados por essas agências, as soluções paliativas encontradas pelos docentes têm chegado ao seu limite.

Os riscos e prejuízos não param por aí. Assim como a própria Universidade, servidores técnicos e professores têm se endividado devido aos atrasos salariais, arcando com pesados encargos financeiros que ampliam os lucros dos bancos e lhes ameaçam a dignidade. Outra grave consequência é a evasão de estudantes devido ao clima de incerteza e aos atrasos no pagamento de bolsas.

Nesse contexto de precarização de nossa instituição e de suas atividades e de falta de perspectiva sobre a regularização dos salários futuros, é fundamental que os docentes da UENF se posicionem pela manutenção da greve. O silêncio e a passividade podem trazer consequências irreversíveis para a preservação do papel da UENF como instituição de excelência e de grande importância para o desenvolvimento do norte fluminense.

A história nos ensina: direitos não são concedidos. São frutos das lutas e da participação ativa e vigilante dos trabalhadores. E, em um momento em que esses direitos estão sob ataque de um governo insensível à situação da Universidade e de seus servidores, a greve é o instrumento necessário. 

PELA UNIVERSIDADE PÚBLICA E GRATUITA! NENHUM DIREITO A MENOS!

Campos dos Goytacazes, 22 de Agosto de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/comando-de-greve-da-aduenf-lanca-nota.html