A UERJ em crise: A inércia que ameaça a educação pública no Rio de Janeiro

uerj berta

Por Magnum B. Sender

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) enfrenta um momento delicado, resultado de uma herança mal administrada e de um flagrante desrespeito aos seus procedimentos internos, agravada por um elevado nível de intransigência por parte da atual administração. Essa postura impacta diretamente os mais vulneráveis dentro da instituição.

Como já mencionei anteriormente neste blog, acompanho de perto os movimentos da Uenf e de outras universidades públicas, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto em todo o Brasil.

Minha preocupação com a educação pública cresce diante do que temos testemunhado nos últimos anos, tanto a nível nacional, desde o segundo mandato da presidente Dilma e o golpe de Temer, quanto no cenário estadual, com a gestão de Pezão e Wilson Witzel e, posteriormente, do atual governador, Cláudio Castro.

Assistimos à extinção sumária da Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) pelo governo estadual, com sua incorporação à Uerj. O que mais impressionou foi a ausência, quase que total, de qualquer manifestação significativa em defesa da Uezo. Será que não perceberam os riscos que esse tipo de medida pode trazer para as demais instituições estaduais e para o ensino público no estado? Isso ocorreu no Rio de Janeiro, um verdadeiro laboratório de crueldades contra servidores e instituições públicas.

O mais preocupante é que tanto as Instituições de Ensino Superior (IES) quanto a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) naturalizaram todo esse processo, materializando um completo descaso por uma instituição que foi criada com uma missão nobre em uma região que merecia atenção para promover sua transformação social.

Volto, então, à minha preocupação inicial com a Uerj. Recentemente, tomei conhecimento da criação do Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino do Estado do Rio de Janeiro (Friperj), que congrega as instituições de ensino superior públicas com o objetivo de fortalecê-las como instâncias da sociedade civil, no campo do ensino, da pesquisa e da extensão.

Diante disso, pergunto: não seria o momento para o Friperj se posicionar em defesa da Uerj e do ensino público, com qualidade, inclusiva e, respeito e compromisso com a autonomia financeira dada sua importância para o estado? A Uerj tem enfrentado, em mais de uma ocasião, tentativas de privatização, o que torna inaceitável que a Uenf, como irmã mais nova, e o Friperj permaneçam como meros espectadores em meio a uma crise que pode se espalhar para outras instituições.

A Uerj merece respeito. Seus estudantes e professores precisam ser ouvidos, e a reitoria eleita deve honrar os compromissos assumidos com toda a comunidade universitária.

Formação acadêmica sólida versus a miragem da inovação: a importância da base conceitual e da pesquisa científica na formação dos estudantes

pensamento crítico

Magnum Bridaroleo Sender

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), criada por dispositivo constitucional em 1989, trouxe muitas expectativas para nossa cidade. Como morador, há mais de 50 anos, tenho acompanhado os inúmeros movimentos internos, bem como as questões que ultrapassam os limites da instituição ao longo dos seus 31 anos de funcionamento. Nesse contexto, observei que a universidade, historicamente pautada pela excelência acadêmica, parece enveredar por outros caminhos. Decidi, então, escrever um breve texto sobre o que considero a questão central: a formação de recursos humanos nos níveis de graduação e pós-graduação.

A formação conceitual, base de todo o conhecimento, é crucial para o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de análise. Sem uma base sólida de conceitos, torna-se difícil compreender a complexidade dos desafios contemporâneos ou propor soluções sustentáveis. A universidade, idealizada para o Terceiro Milênio, e orientada pelo rigor acadêmico, deve oferecer – principalmente – o ambiente ideal para que seus alunos e alunas construam esse alicerce essencial para qualquer avanço intelectual e científico.

Nos últimos anos, a palavra “inovação” tem sido amplamente difundida, ganhando uma aura quase mágica. Apresentada, inclusive, como solução para todos os problemas da sociedade, e, é vista como o caminho para o progresso e o motor do desenvolvimento econômico. No entanto, o que muitas vezes se ignora é que a inovação não surge do vazio. Para inovar, é necessário um profundo entendimento dos fundamentos que estruturam as áreas do conhecimento. Sem uma base conceitual sólida, a “inovação” corre o risco de se tornar apenas um modismo passageiro, sem impacto real e sem capacidade de transformação.

A verdadeira inovação ocorre somente quando combinada com uma pesquisa robusta e contínua dentro de uma instituição. Por isso, a formação básica na graduação e o seu aperfeiçoamento na pós-graduação devem ser preservados, sem a criação da falsa polêmica de que as universidades precisam formar empreendedores e inovadores. Pesquisar é questionar, buscar respostas para problemas complexos e construir novos caminhos a partir de uma base teórica sólida. Sem a pesquisa, não há inovação genuína, pois é ela que possibilita o avanço do conhecimento e a aplicação prática das descobertas em soluções transformadoras.

Devemos, portanto, olhar com cautela para promessas de inovação que desvalorizam a formação conceitual e a pesquisa científica. A inovação, para ser verdadeiramente transformadora, precisa caminhar lado a lado com o conhecimento profundo e o esforço investigativo.

Como a Uenf se tornou tão irrelevante politicamente? A resposta está soprando no vento

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Há alguns dias publiquei um texto provocativo escrito pelo Douglas da Mata, intitulado “Qual será a opção academia diante do fascismo: ação ou omissão?“,  em que ele faz uma espécie de convocação às armas para a comunidade acadêmica campista para participar ativamente do debate eleitoral em Campos dos Goytacazes.  A partir do seu olhar aguçado, Douglas da Mata notou a solene ausência do que podemos chamar com alguma liberdade dos intelectuais acadêmicos sobre o urgente e necessário esforço de defender a democracia brasileira do crescente perigo que nos é imposto pela ideologia de extrema-direita.

Fiquei pensando no que foi dito pelo Douglas da Mata a partir da minha própria trincheira que é a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Como cheguei aqui no cada vez mais longínquo ano de 1998, fui testemunha de visitas ilustres que incluíram Leonel Brizola, Lula, Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, apenas para citar os mais emblemáticos.

Pois bem, neste ano eleitoral, apesar de termos uma penca de candidatos associados (ou pelo menos tentando se associar) à Uenf quando ela completa 31 anos de existência, vivemos um completo marasmo em relação à eleição do próximo prefeito de Campos dos Goytacazes. Além disso, não tive notícia de que qualquer um dos candidatos tenha solicitado uma audiência com a reitora Rosana Rodrigues para tratar das possíveis contribuições que a universidade poderá dar para a solução dos graves desafios que persistem no município, sendo a miséria extrema que assola quase metade da população da população o maior deles.

Não creio que exista apenas uma causa para a perda da importância da Uenf no plano político municipal. Um primeiro aspecto que penso ser importante foi o crescente cerceamento imposto às universidades públicas pela justiça eleitoral para a realização de simples debates entre candidatos, quiça a prosaica distribuição de material de propaganda no interior do campus Leonel Brizola, uma trágica ironia para uma universidade que leva o nome de um dos principais líderes políticos da história recente do Brasil. É importante notar que as regras draconianas impostas pela justiça eleitoral às universidades públicas não foram acompanhadas por reações mínimas dos dirigentes universitários.  Em eleições anteriores, o que houve foi a adesão pura às medidas que engesseram o necessário debate de propostas dentro dos espaços universitários. Quem não se lembra da assinatura coletiva de um documento vindo da justiça eleitoral que potencialmente criminalizava docentes que fossem pegos realizando atividades políticas durante o expediente? Por causa desses dirigentes é que tem hora que lembro de um famoso poema do dramaturgo Bertolt Brecht, o Analfabeto Político.

Por outro lado, ao menos no caso da Uenf, o que se vivencia é o desgaste laboral de uma categoria cujos salários, apesar de serem maiores do que a média nacional, se encontram em franca corrosão há pelo menos uma década, o que torna boa parte dos pesquisadores cada vez mais mais envolvida em atividades adicionais que lhes toma tempo e energia. Com isso, poucos se dispõe a participar do processo eleitoral, que é visto pela maioria como algo com que, para começo de conversa, não vale que se gaste o tempo eventualmente livre.  

Também vejo que graças à compartimentalização disciplinar criada pelo Capitalismo, há quem se sinta constrangido a emitir opiniões e se engajar em debates eleitorais por não se sentirem capacitados a emitir opiniões com algum nível de autoridade acadêmica. Com isso, o pouco de discussão que é conduzida pela mídia corporativa campista acaba sempre reunindo um grupo seleto de intelectuais consentidos cujo olhar é guiado por um viés que não trata a luta política como ela realmente é, optando por um tom escolástico de análise que empareda e engessa em vez de dinamizar. Essa tendência de engessamento favorece aos proprietários da mídia corporativa campista já que se habilitam a indicar e escolher quem possui ou não a habilidade de interpretar o que está acontecendo, criando um museu de velhas novidades.

É juntando todos esses ingredientes que se pode chegar a entender como é que a Uenf se tornou tão irrelevante. O dramático é que se juntam cada vez mais evidências de que o papel idealizado por Darcy Ribeiro para a Uenf nunca esteve tão atual.  A situação política, econômica e ambiental que estamos vivendo demanda um envolvimento de todos os centros de pesquisa da Uenf na formulação de propostas que possam contribuir para que o município de Campos dos Goytacazes possa finalmente vir a ser aquilo que nunca foi.

O problema aqui é como quebrar a inércia paralisante que afeta não apenas os professores da Uenf, mas também os de outras instituições de ensino superior instaladas em Campos dos Goytacazes.  Um bom começo seria prestar atenção no que o Douglas da Mata, um outsider assumido, tem a nos dizer sobre os custos da nossa paralisia frente aos principais embates políticos que se colocam diante de nós nesta eleição e em outras que virão em um futuro próximo.

A crise político-financeira na Uerj como um sinal para a Uenf: eu sou você amanhã

Estudantes da Uerj protestam contra mudanças nas regras para auxílios

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vem sendo palco de uma revolta estudantil contra a reitoria da instituição que resolveu fazer um corte profundo na distribuição dos recursos destinados à chamada “assistência estudantil”. A alegação da reitoria da Uerj para tal corte é de que a Uerj simplesmente não tem recursos orçamentários para continuar atendendo nos limites estabelecidos por administrações anteriores.

Os estudantes da Uerj, que contam com a simpatia dos sindicatos de servidores e docentes, partiram para um modelo clássico enfrentamento que inclui a ocupação física de prédios e manifestações de rua. A intenção declarada é fazer a reitoria retroceder e continuar praticando o modelo anterior de distribuição de recursos. Por sua vez, a reitoria da Uerj também se mantém em uma posição clássica de para conter a o movimento dos estudantes, com o uso até aqui de seguranças patrimoniais para conter a revolta estudantil.

Enquanto isso, o governador Cláudio Castro (PL) se mantém completamente à vontade para, entre outras coisas, sair pelo estado fazendo campanha por seus candidatos a prefeito e vereador, a despeito do fato de que a educação fluminense afunda em crise profunda, ocupando o penúltimo lugar nos índices do IDEB que acabam de ser divulgados pelo MEC.  É como se Cláudio Castro sapateasse sorridente sobre a educação fluminense enquanto asfixia escolas e universidades para continuar praticando uma injustificada política bilionária de isenções fiscais.

Candidata do grupo Bacellar, Madeleine lança campanha à Prefeitura de Campos  - Campos 24 Horas | Seu Jornal Online.

Enquanto o Rio de Janeiro ocupa o penúltimo lugar no IDEB, um Cláudio Castro sorridente faz campanha para sua candidata em Campos dos Goytacazes

O curioso é que até agora o quadro conflagrado da Uerj não está se repetindo na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Alguém mais distraído poderia achar que Cláudio Castro está sendo mais benevolente com a Uenf por causa de sua localização estratégica em Campos dos Goytacazes, onde o ainda governador do Rio de Janeiro esteve fazendo campanha pela sua candidata a prefeita, em companhia de uma numerosa delegação de deputados estaduais que chegaram na cidade em uma espécie de revoada de aviões de carreira.

O meu diagnóstico é que a situação de paz aparente na Uenf não tem nada a ver com uma suposta benevolência de Cláudio Castro. A coisa na Uenf se explica mais pela indisposição de seus sindicatos, especialmente os dos estudantes (DCE e Associação de Pós-Graduandos) e dos servidores técnicos (Sintuperj) de se comportarem como representantes não dos interesses de seus dirigentes, mas daqueles que dizem representar. 

Agora, como o torniquete que aperta a Uerj também arrocha e asfixia a Uenf, o corte de bolsas que começou nos projetos de extensão, ceifando ações estratégicas para beneficiar a população, poderá em um futuro não muito distante chegar à outras modalidades de bolsas estudantis e também nos auxílios que deram um refresco na penosa situação causada pela corrosão inflacionária dos salários.

E aí pode ser que a paz aparente reinante na Uenf se transmute nas cenas de enfrentamento que estão ocorrendo na Uerj em uma espécie de “eu sou você amanhã”.  Curioso vai ser acompanhar a reação da reitoria da Uenf que, ao contrário do que ocorreu na Uerj, se elegeu com o apoio explícito de dirigentes sindicais de estudantes e servidores técnico-administrativos. 

Programação de 31 anos da Uenf: a montanha pariu um rato. Mas o pulso ainda pulsa!

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Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemeyer: os três arquitetos da Uenf que completa 31 anos sem lhes prestar a devida reverência

Quem se der ao trabalho de ler a programação preparada pela reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense notará um esforço claro de posicionar a instituição dentro do contexto do que seria comumente conhecido como “inovação” a partir de um evento obscuro denominado de “Rio Inovation Week”.  Fora isso,  o que se nota é um fragmentação de atividades que dificilmente atrairão o público interno e menos o externo porque simplesmente não celebram nada que mereça ser celebrado.

Essa opção, não nos enganemos, reflete a posição da atual administração de abraçar o sempre elusivo mercado, esquecendo das tarefas estratégicas estabelecidas por Darcy Ribeiro nos documentos fundacionais da instituição. É preciso que se diga que Darcy pensava sim em estabelecer ligações dinâmicas com empresas que permitissem um alavancamento do processo de desenvolvimento econômico e, principalmente, social da região Norte Fluminense.  Mas a diferença fundamental é que Darcy pensava as coisas a partir de um posicionamento por cima da Uenf, e não a partir de um esforço de transformar as pesquisas feitas pela instituição em uma espécie de bugiganga que é oferecida a potenciais compradores que nem estão no horizonte para serem vistos. 

A questão fundamental é que se olharmos para o interior da instituição, o que veremos é uma espécie de estado de hibernação contínua que tem como consequência o contínuo rebaixamento do papel da universidade não apenas no plano local e regional, e nacional. Um exemplo desse rebaixamento são as bancas examinadoras de Mestrado e Doutorado que antigamente atraiam a nata da comunidade científica nacional para o interior do campus da Uenf, quadro que hoje está muito distante disso. A cereja do bolo é santificação das bancas remotas (ou híbridas para dar um tom mais chique) que apenas escondem a dificuldade de trazer para Campos dos Goytacazes os melhores quadros científicos nacionais e internacionais para avaliar o que está sendo produzido como ciência pelos nossos pós-graduandos.

Quando cheguei na Uenf, a instituição era palco de uma espécie de romaria contínua não apenas de quadros científicos nacionais e internacionais, mas de dirigentes das principais agências de fomento à pesquisa no Brasil. Essa proeminência nascia em função da força do modelo institucional que se mostrava inovador e arrojado. Lamentavelmente após seguidas administrações que operaram para objetivamente desmontar o projeto institucional idealizado por Darcy Ribeiro, a Uenf hoje não é mais vista assim, e para que alguém se dê ao trabalho de vir a Campos dos Goytacazes, há que se arranjar a concessão de uma medalha ou nada feito.

Alguém poderia dizer que essa minha avaliação é do tipo de quem perdeu a esperança no futuro da instituição.  A questão é que eu sempre tendo a olhar o futuro da Uenf a partir de um prisma temporal mais longo, como no caso de qualquer instituição universitária.  Em especial no caso de instituições universitárias, é normal que se tenha fortes solavancos ao longo do processo de construção. E a Uenf só está completando 31 anos, o que a torna uma espécie de criança recém-nascida no mundo das universidades.

O problema me parece mais de como iremos retomar o caminho planejado por Darcy Ribeiro, do qual estamos evidentemente afastados.  Me parece que a primeira coisa que precisamos fazer é retomar a ousadia da crítica para nos afastarmos de uma visão paroquial e endógena de universidade que faz nos parecer cada vez menos com aquilo que se sonhou que poderíamos ser.  Há que se retomar o caminho da qualidade sobre a quantidade. Precisamos ter um controle do que é apresentado como sendo produtos de pesquisa da Uenf, pois há muita coisa de baixíssima qualidade sendo publicada com o nosso selo.  

Mas para isso precisamos acima de tudo reestabelecer a premissa de que pensamento crítico e criativo. e inquieto como era Darcy Ribeiro, deve prevalecer sobre as ideias rotineiras e conformadas com uma condição de dependência intelectual em que nada de novo é produzido.  Para isso há que se recuperar o compromisso com a maioria oprimida e socialmente abandonada da nosso população em vez de querer transformar a Uenf em um entreposto de ideias pasteurizadas.

Um longo viva à Uenf de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola. Que o nosso futuro seja aquilo que nossos fundadores sonharam que ela poderia ser. Afinal, o pulso ainda pulsa, e enquanto isso estiver ocorrendo, haverá esperança.

A Uenf e a certeza: dois ouvidos e uma boca nos mandam ouvir mais e falar menos

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Por Douglas Barreto da Mata

Nos processos eleitorais e nas disputas políticas cotidianas há, para as pessoas que detêm cargos de representação institucional, certos protocolos, que visam separar as posições individuais (e legítimas) dessas pessoas das funções públicas que exercem. A mistura desses canais é indesejável, e em alguns casos, configuram atos ilícitos ou infrações administrativas, no caso de ocupantes de alguns cargos públicos.

A ex-reitora da  Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) deu um péssimo exemplo de como não fazer distinção entre as suas preferências individuais e a liturgia exigida da posição que ocupava. (sim, ex, porque, em minha opinião ela se despediu do cargo antes de começar)

Além do total despreparo nos cuidados procedimentais para apuração de eventos sensíveis, sobre supostas infrações de servidores, veiculando disse-me-disse em meios de comunicação, como uma espécie de Sônia Abrão com doutorado, a moça resolveu atacar de “analista eleitoral”.

Desastre.

Não pela análise incompreensível da moça, o que já seria um péssimo cartão de visitas para uma universidade, justamente quando os imbecis da extrema-direita se dedicam ao exercício diuturno do questionamento da ciência e da legitimidade acadêmica.

A questão central, como bem observou meu amigo palmeirense de luto, Marcos Pedlowski, não foram apenas essas questões, o que você poderá ler aqui.

A inexplicável tragédia promovida pela ex-reitora foi entrar em rota de colisão com o mandatário da cidade, emitindo opiniões mal disfarçadas sobre questões, sobre as quais ela deveria evitar deitar falação. É certo que a ex-reitora não estava em um evento partidário, ou eleitoral, ou em casa com amigos. Ela ocupou um espaço público para falar em nome da universidade.

Fazer previsões, questionar pesquisas, enfim, mal disfarçar suas preferências eleitorais, para além das falas padrão para esse tipo de situação, como: “seja lá quem ganhe, a esperança é que o relacionamento institucional com a Uenf seja marcado pela colaboração e respeito mútuos”, deixou claro que a moça está deslumbrada pela aura da representação. É comum, ainda mais com pessoas alçadas às posições de liderança, quando eram pessoas tipo chuchu,  insossas. 

Por certo, o Prefeito Wladimir Garotinho não descerá do alto de sua popularidade para polemizar com a moça, e nem irá recuar nos seus compromissos acordados.

Não deixa de ser estranho, porém, que a ex-reitora fale de eficiência, de compromisso, disso e daquilo, e se esqueça, seletivamente, da vergonha da gestão anterior, a qual lhe apoiou, e a qual ela é a continuidade, ter ficado com 20 milhões entalados, durante anos, enquanto o Arquivo Público era destruído pela ação, menos do tempo, mais pela incompetência.

Certo é que o ditado popular diz que: quem fala demais, dá bom dia a cavalo.

A reitora da Uenf, sua entrevista desastrosa, e os riscos criados

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A reitora Rosana Rodrigues e seu vice-reitor durante a campanha eleitoral em 2023

Que os últimos reitores da Universidade Estadual do Norte Fluminense impuseram uma forte degradação na qualidade do que se espera de ocupantes do cargo máximo de uma instituição pública de ensino superior é uma opinião corrente dentro e fora dos muros universitários. Mas uma entrevista concedida pela reitora Rosana Rodrigues a um veículo da mídia corporativa campista conseguiu atingir um novo patamar inferior, confirmando o que diz a 1a. Lei de Murphy que diz em linhas gerais que aquilo que está ruim sempre pode piorar.

O resumo das falas da reitora Rosana Rodrigues cobrem uma série de tópicos sobre os quais ela deverá ter pensado melhor antes de falar. É que dada a seriedade e gravidade de alguns deles, ela deveria ter tido mais cuidado. Ao avançar sobre avaliações do processo eleitoral municipal com a erudição abaixo de um calouro do curso de Ciências Sociais, se pronunciar sobre um caso em que ela já errou ao levar intempestivamente ao Conselho Universitário, e desqualificar objetivamente um inquérito em andamento no âmbito do Ministério Público Estadual, a reitora mostrou um nível de despreparo e descuido que ainda poderá voltar para morder o seu calcanhar.

Eu não sou bacharel em Direito, mas tenho a impressão que várias das afirmações da reitora incorrem em, pelo menos, no uso prematuro da capacidade de falar coisas que deveriam ser tratadas com mais cuidado.  Algo que me chamou a atenção, entre muitos dos fatos arrolados por ela, foi o reconhecimento de que “quando chegou na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, ela recebeu, via Ministério Público, as mesmas denúncias“. Pois bem, faltou a reitora dizer se à época ela teria feito algo para apurar as denúncias, solicitação, por exemplo, a instalação de uma comissão especial de sindicância para conduzir a devida apuração dos fatos denunciados. Se não fez isso, a reitora pode, dependendo dos resultados das apurações em curso pelo Ministério Público Estadual, ter prevaricado. Como sabemos que prevaricação é crime, essa afirmação que agora está disponível para quem quiser ler, foi, no mínimo, descuidada. E a promotora responsável pelo caso das bolsas poderá inquirir a reitora sobre o que ela fez ou deixou de fazer sobre este assunto espinhoso enquanto segurou a caneta de pró-reitora.

Já a incursão da reitora pelo caminho da avaliação do cenário eleitoral foi uma demonstração de que ela não teme falar sobre o que claramente não entende. Ao juntar a situação das eleições estadunidenses com o pleito municipal, ela conseguiu proferir uma série de afirmações desconexas e com baixo ou nenhum elemento analítico plausível. Mas ao fazer isso, a reitora se arriscou, de forma desnecessária, a irritar um prefeito que possui grande nível de aprovação e, pior, tem buscado fazer parcerias com a Uenf. Bastaria Rosana lembrar de duas áreas doadas por Wladimir ao projeto Pescarte para mostrar, pelo menos, um mínimo de cuidado.

Há que se lembrar que diferente de prefeitos anteriores, o prefeito Wladimir Garotinho nomeou um ex-reitor,o professor Almy Junior, para ocupar uma pasta estratégica para o município, no caso a de  Agricultura, Pecuária e Pesca.  Assim, qual foi exatamente o ganho esperado em abordar uma eleição em que ela como reitora da Uenf deveria se posicionar de forma, reafirmo, minimamente cuidadosa? É que se o cenário eleitoral se confirmar e Wladimir for reeleito como parece que será, o que pode se esperar para as parcerias em curso ou a que alguns docentes pretendem desenvolver a partir de 2025? Ainda que Wladimir seja uma pessoa com temperamento um tanto distinto dos pais, ele ainda é um Garotinho. 

Conheço a reitora Rosana Rodrigues desde que cheguei na Uenf em 1998. Nesses anos todos, ela foi uma perfeita ausente dos grandes debates que a Uenf travou, a começar pela luta em prol da autonomia universitária. O fato é que nesse tempo todo, ela manteve um perfil discreto e focado nas suas pesquisas científicas. Sem querer dar conselho a quem não pediu, eu diria que ela deveria voltar imediatamente à sua discrição costumeira, evitando assim falar sobre tópicos que ou ela não domina, ou sobre outros em que ela deveria se pronunciar somente com a devida orientação legal.  É que se ela mantiver a postura atual, ela poderá levar a Uenf por mares parecidos com aqueles que os antigos navegadores portugueses tinham que enfrentar no sul do continente africano. E aqui confesso um elemento egoísta: é que depois de passar mais de duas décadas tentando levar a nau uenfiana para frente, eu não gostaria de vê-la afundar, especialmente comigo ainda dentro dela.

Finalmente, há que se lembrar aqui uma das máximas dos tempos atuais: quem não sabe brincar, não deve descer para o play (ground).

MPRJ reúne-se com dirigentes da Uenf para tratar das investigações sobre supostas ingerência e manipulação no programa de bolsas em curso de Pós-Graduação

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Por ASCOM MPRJ 

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva do Núcleo Campos dos Goytacazes, com a presença da titular Olívia Venâncio Rebouças, participou, na quarta-feira (31/07), de reunião com a reitora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Rosana Rodrigues, o vice-reitor, Fábio Lopes Olivares, e o advogado Humberto Nobre, assessor jurídico da instituição de ensino superior. O objetivo da reunião foi o de apurar a notícia de ingerência e a manipulação, pelo professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem da Uenf quanto aos critérios para concessão e manutenção de bolsas..

Foi explicitado aos participantes que o Ministério Público, para efetivar uma investigação exitosa, precisa da colaboração da reitoria, até mesmo pelo dever administrativo de coibir atos ilegais praticados no âmbito da instituição. Os representantes da universidade demonstraram a intenção de colaborar com as investigações. Ao final da reunião, o MPRJ recomendou que a Reitoria proceda à análise, sob a sua autonomia universitária e diante dos documentos apresentados, acerca da pertinência de afastamento do investigado das funções de coordenação e chefia durante as investigações.

Foi recomendado ainda que a Uenf elabore documento contendo a listagem dos integrantes e Coordenadores da Comissão Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem; o elenco compilado dos requisitos de concessão de bolsas; a declaração de cumprimento dos termos da Resolução COLAC nº 34/2024 e demais normas de regência impostas pelas agências de fomento; a declaração de ausência de parentesco, afinidade ou amizade íntima com membros da Comissão sob investigação, convocando todos os bolsistas do Programa a assinarem tal documento em até 30 dias corridos a partir do ato convocatório; que, igualmente, sejam os membros da Comissão sob investigação convocados a firmar documento atestando absoluta isenção quanto aos bolsistas contemplados sob suas gestões, em qualquer Programa de Pós-Graduação da Uenf, notadamente se participaram da etapa (classificatória e eliminatória) de entrevista, dado o seu inerente subjetivismo.

Também foi recomendado à Reitoria que, no exercício de sua autonomia, afaste os membros das Comissões Coordenadoras dos Programas de Pós-Graduação da Uenf que apresentem incompatibilidades com o desempenho de tais funções, a exemplo de parentesco ou afinidade com bolsistas; abuso de poder; conduta incompatível com a esperada de um servidor público; falta de urbanidade no trato profissional (ainda que em redes sociais) e desprovimento de lisura na administração de recursos públicos. A Reitoria da Uenf tem o prazo de dez dias para se manifestar quanto às recomendações feitas. As investigações tramitam sob o número ICP 030/24 – MPRJ 2024.00550138 e denúncias podem ser endereçadas ao email protptcocgo@mprj.mp.br.


Fonte: MPRJ

Web Rádio Maíra e os 31 anos da UENF: é preciso inventar o Brasil que queremos

webradiomaira

Por Luciane Soares da Silva

Dois livros animam o espírito de nossa rádio: Comunicação ou Extensão, escrito por Paulo Freire no Chile, em 1968 e o romance Maíra do antropólogo Darcy Ribeiro. Sua primeira publicação data de 1976. Podemos traçar aproximações entre ambos. São documentos de um tempo histórico específico. A Ditadura brasileira e processos ditatoriais em outros países latino americanos. Adotam perspectivas críticas nas quais o ato de comunicar é em si, elemento de transformação social

O questionamento central em Comunicação e Extensão é o lugar daqueles que pretendem realizar uma ação transformadora por meio do ensino: devemos “estender” nosso conhecimento aos grupos ou orientar nossa ação a partir de uma comunicação que efetivamente troque com o outro? Educar e educar-se afirmava Freire. Devemos compreender seu ponto de vista. Ao olharmos atentamente para populações indígenas (povos originários), camponeses e trabalhadores fabris, questionamos o ato de ensinar a ler, ensinar as técnicas modernas de produção e adotar o estilo de vida urbano. Que princípios deveriam reger nosso ensino? A partir destes questionamentos podemos alcançar o que significava a substituição de uma concepção de ensino que leva saberes aos que não o tem, por uma relação na qual o diálogo altere estruturalmente a visão do educador e do grupo com o qual ele atua.

O exercício feito por Darcy Ribeiro, adota a perspectiva dos índios com os quais conviveu para contar a história de sua destruição, “ o gozo e a dor de seu índio” Estruturalmente crítico ao processo civilizador, Darcy ambiciona transformar seus olhos nos olhos da tribo Mairum. Um ato apaixonado mas calibrado por seu conhecimento dos hábitos e da cultura destes grupos. O romance Maíra desloca a visão de um índio como uma página em branco para que os catequistas escrevessem para o índio-problema. Avá, mairum destinado a ser chefe guerreiro de sua tribo, é levado a Roma e educado para ser padre e missionário. A tragédia de Avá-Isaías é a tragédia dos povos originários, a perda de sua identidade e a impossibilidade completa de integração ao mundo dos brancos.

Os dois livros animas esta rádio que aceita o desafio da comunicação como troca a partir de uma perspectiva situada: o Brasil, a América Latina e a diáspora africana constituem a base de toda nossa programação. Em um mundo globalizado e dominado por redes sociais, redes de televisão e rádio, sabemos da importância desta decisão.

Ao olharmos para esta obra de Darcy saudamos os trinta e um anos de nossa Universidade .Seria possível ver a UENF  como obra estética de um homem brasileiro e latino-americano. E a poética deste desafio está na atualização de uma memória literária que é política. Ao lado da rádio, nosso projeto de extensão Arte e Memória na Escola realiza o ideal de Paulo Freire. A produção em sala de aula, de materiais que possibilitem aos alunos das escolas públicas de Campos dos Goytacazes construírem saberes sobre música, movimentos socias, identidade cultural e seu lugar na história.

Nenhum destes homens foi neutro diante de seu tempo. Da mesma forma, nossa programação conversa com repentistas do nordeste, rappers de Guarus, fazedores de cultural local. Ao mesmo tempo, aceitamos que a troca também deve dar espaço a trilhas de música para o dia das Mães, Correio Elegante para o dia dos Namorados e o cardápio diário do Restaurante Universitário. Ou seja, acolher a vida cotidiana da UENF.

Este trabalho só é possível pela qualidade e identidade do grupo que o compõe. E pela autonomia dada a cada um para apresentar sua pauta. Espaços como o Centro de Convenções, a Villa Maria, o Bandejão e os saguões de nossos Centros, são nossos pontos de ancoragem para produção de conteúdos.

Um exemplo de nossa programação: começamos as seis da manhã com “Bom dia proletariado”, vinheta e música. Após, cardápio do Bandejão, momento ciência e mulheres na ciência. Ao longo de semana temos programas de entrevistas com artistas, pesquisadores, programação de reggae, o que ocorre na cidade e nas Universidades. Divulgamos o Cine Darcy e temos o Clube da Encruza, um programa de temáticas abertas sobre temas de interesse dos integrantes.

Toda esta programação é idealizada e executada pelos alunos do projeto. O Clube do Som, por exemplo, consiste em uma metodologia extremamente simples. Cada participante apresenta algumas músicas de um álbum de preferência. De punk ao Clube da Esquina, somos convidados a ouvir conjuntamente estas músicas. É um exercício de escuta coletiva guiada.

O espírito que anima Maíra é o espirito que pode animar a Universidade brasileira. Ao acolhermos os saberes de forma a experimentar um fazer-comunicação, temos uma rádio com o potencial de dinamizar um espaço por vezes árido. A autonomia impressa em nosso trabalho é anti-burocrática e nem por isto, menos efetiva em seus resultados. Apenas deixamos que as pessoas façam o que sabem fazer. E possam aprender sobre os instrumentos técnicos de construção. Acredito que realizamos plenamente a proposta de Paulo Freire. Transformamos uns aos outros na construção de uma rádio. E aí reside a potência de nossa extensão que é comunicação.

Para seguir Maíra basta acessar webradiomaira.

Afinal, o que Ouvidoria da UENF ouve?

ouvidoria

Nas últimas semana, a “Ouvidoria da UENF” ganhou grande publicidade em função de não ter sido usada para a realização de uma denúncia sobre um suposto caso de assédio sexual contra uma estudante de graduação do curso de Ciências Sociais.  A grande reclamação da reitora da Uenf na reunião do Conselho Univeristário contra quem postou uma espécie de dazibao na porta de um banheiro  próximo de seu gabinete era de que a pessoa deveria ter procurado a Ouvidoria da Uenf em vez de usar, digamos assim, a via chinesa.

Rodrigo da Silva on X: "Em chinês se chama dazibao (大字報) e significa  “jornal mural afixado na rua”. Durante a Revolução Cultural, essa era a  rede social. Os chineses usavam esses murais

Em chinês se chama dazibao (大字報) e significa “jornal mural afixado na rua”

Pois bem, resolvi procurar a página da Ouvidoria da Uenf para saber mais das atividades desse que seria o mecanismo preferencial de encaminhamento de denúncias de supostos malfeitos que ocorram dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense.  Uma primeira coisa que me chamou a atenção na busca pela página da Ouvidoria é que não é uma coisa muito fácil encontrá-la, pois a mesma está depositada dentro do Portal da Transparência da Uenf, sem que esteja apartentemente visível em outros acessos.

Passada a fase do encontrar onde está, passei a analisar o que está informado na página da Ouvidoria. Uma primeira coisa é que a mesma está defasada, pois os últimos relatórios depositados se referem ao ano de 2022. Além disso, o mesmo ocorrendo com o montante de atendimentos feitos pela Ouvidoria que teria recebido 45 reclamações em 2022 (contra 44 em 2021, 35 em 2020, e 47 em 2019).

Os relatórios estatísticos  assinados pelo ouvidor da Uenf se mostram particularmente bastante opacos, pois apenas apresentam porcentagens dos tipos de reclamação, sem que haja, por exemplo, maiores explicaçõessobre o que seriam as reclamações, as razões para terem arquivadas ou atendidas, ou as questões objetivas que foram reclamadas, na medida em que só foram apontados os itens gerais em que as mesmas foram classificadas.

Uma curiosidade nos quatro relatórios disponibilizados, em um total de 181 reclamações não foi apontado de forma explícita que alguma delas tenha se referido a casos de assédio (moral ou sexual). A única indicação é de que em 2 dos 4 quatro quadrimestres de 2022, as reclamações teriam sido feitas contra posturas de docentes, sem que fosse explicitado quais. Mas nada nos relatórios aponta que tenham sido casos de assédio. Assim, das duas uma, ou na Uenf inexistem casos de assédio ou os que eventualmente ocorreram no período relatado não foram denunciados. 

Por outro lado, a não ser que os relatórios da Ouvidoria da Uenf estejam depositados fora da sua página oficial, o que fica demonstrado é que a Uenf não possui efetivamente o que canal que tem sido propalado, abrindo a hipótese de que o universo de problemas suscetíveis a serem apurados sejam bem maiores do que aqueles que viram reclamações.  Aliás, quem é o atual ouvidor da Uenf e qual é a duração, digamos, do seu mandato?

Finalmente, um problema com uma ouvidoria aquém da demanda existente é exatamente abrir caminho para que os eventuais malfeitos apareçam por outros canais, goste a reitoria da Uenf ou não. E, sim, que a atual conformação desse canal não o torna a panacéia que se andou apregoando desde que a notícia do dazibao foi divulgada no apagar das luzes da última reunião do Conselho Universitário da Uenf.