Apesar da reitoria e do (des) governo Pezão, a vida na UENF ainda pulsa forte

A matéria abaixo do jornal O DIÁRIO dá conta de um interessante paradoxo que hoje marca a vida da Uenf. De um lado, a excelência de seu quadro de docente e técnico e um corpo estudantil dinâmico, e, de outro, a asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão. No meio disso, a reitoria da Uenf continua agindo como estafeta de Pezão, se comportando apenas como uma gerente de massa falida, mais preocupada em defender o patrão do que defender a universidade que deveria representar.

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Felizmente nas eleições que se avizinham para a reitoria, a comunidade universitária poderá retirar o grupo político que comanda a reitoria desde 2003, pondo um final na subserviência crônica que só beneficia os interesses privados de uma minoria em detrimento da consolidação de uma universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade. Essa será uma chance histórica de recolocar a Uenf nos trilhos, retirando a reitoria da posição subalterna em que se encontra em face de um (des) governo que prefere financiar a Ambev e deixar à míngua as universidades estaduais.

Um detalhe interessante em relação ao ranking  citado na matéria, há que lembrar que  Uenf só figura no topo  do quesito corpo docente porque possui 100% dos seus professores doutorado. A questão é que a atual reitoria queria acabar com o regime de Dedicação Exclusiva e a exigência do titulo de doutor, e isto apenas não aconteceu porque houve uma forte reação da comunidade universitária que impediu esse golpe contra o projeto idealizado por Darcy Ribeiro. Aliás, nas próximas eleições para a reitoria seria interessante verificar qual foi o voto dos candidatos que ocupavam cargo no Conselho Universitário em relação a essa questão.

UENF: o puxadinho do CCH e algumas perguntas que não querem calar

O campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tem sido palco da realização de várias obras no melhor estilo clássico do “puxadinho” desde que o ex-reitor Almy Junior assumiu o cargo de reitor no já distante ano de 2007. De lá para cá, muitas obras se arrastaram a custos quase sempre salgados, vide a obra do restaurante universitário que custou um número desconhecido de milhões, apesar de ser uma estrutura razoavelmente modesta.

Agora, nos estertores da gestão apagada do reitor Silvério Freitas, eis que uma obra é iniciada a preços razoavelmente módicos… “modestos”  R$714.410,70. É a obra do prédio anexo do prédio do Centro de Ciências do Homem que é mostrada nas imagens abaixo. Comparado com outras obras realizadas nos últimos anos, esse valor é uma verdadeira bagatela.

Agora, o que me deixa curioso na placa que apresenta os custos da obra são dois pequenos detalhes faltantes:  1) quando a obra será concluída, e 2) quem é o engenheiro responsável. Para o primeiro detalhe, corre a informação de que serão necessários aditivos para concluir a construção do anexo, visto que o montante atual seria suficiente. Ai é que eu pergunto: num período de verbas tão curtas, faz sentido começar uma obra sem previsão de término e com incertezas sobre os necessários aportes financeiros para que sua conclusão seja viabilizada? E será que a agência federal responsável por esse aporte inicial, a Finep, sabe disso?

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Marketing acadêmico: 10 anos do Herbário da UENF

Apesar de todas as pressões negativas causadas pelos que não querem universidades públicas, gratuitas e de qualidade, a vida ainda pulsa! Uma prova disso são 10 anos de existência do herbário da Uenf, no que se constitui num esforço vitorioso de acumulação e transmissão de conhecimento acerca da biodiversidade, especialmente a existente no interior do bioma da Mata Atlântica.

As atividades são de livre acesso aos interessados. Abaixo o material de divulgação que foi preparado para informar os interessados em participar do evento.

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A crise das universidades estaduais e o papel vergonhso das reitorias-estafetas no seu aprofundamento

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A crise instalada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) possui características variadas, indo desde os aspectos financeiros até o profundo autoritarismo com que seu reitor (ou seria feitor?) Ricardo Vieiralves vem dirigindo a instituição. Contudo, os conflitos ocorridos na última 5a. feira estão sendo jogados nas costas de “estudantes radicalizados” que querem apenas atentar contra o bom funcionamento de uma instituição que, convenhamos, faz tempo anda muito mal das pernas.

Os atores que tentam objetivamente esconder a natureza da crise são muitos, a começar pelo causador dos problemas, o (des) governador Luiz Fernando Pezão. O (des) governador teve o desplante de declarar ao notório “O Globo” que todos os recursos financeiros estão sendo repassados à Uerj. Esqueceu Pezão de dizer que não apenas a Uerj, como também a Uenf e a Uezo, vive hoje com orçamentos insuficientes e contingenciados (em outras palavras cortados ao limite). Essa é a principal causa dos problemas que estão sendo vividos nas universidades estaduais do Rio de Janeiro.

Agora, os malfeitos desse (des) governo só são possíveis com a presença de figuras do quilate de Ricardo Vieiralves e Silvério Freitas, no caso da Uenf, no cargo de reitor. É que eleitos sabe-se lá por quais combinações de interesses, esses reitores se transformaram desde o primeiro dia de seu mandato em meros estafetas do (des) governo do Rio de Janeiro dentro de suas universidades. E para melhor cumprir isso não hesitam em transformar os órgãos colegiados em simulacros de uma falsa governança democrática que só se presta a naturalizar o estado de caos que é gerado pela asfixia financeira. No caso da Uerj, a situação é mais dramática porque Vieiralves não tem hesitado em suspender reuniões de colegiados, e nem tem se sentido constrangido quando ordena suspensões precoces de calendário escolar ou adota o fechamento do campus Maracanã como estratégia de cerceamento da livre manifestação política dos que se opõe às suas formas autoritárias de gestão.

Sair dessa situação não é tarefa fácil, pois parte substancial dos corpos docentes e técnicos estão bem ajustados a essa forma canhestra de tocar a vida universitária, e especialmente porque veem seus interesses privados melhor atendidos por esse tipo de governança antidemocrática. Quebrar essa lógica que é uma expressão pura da “Lei de Gerson” levará tempo, e necessitará uma dose extra de paciência e foco. Sem isso, as forças que apoiam a privatização na prática das universidades estaduais não se sentirão nenhum um pouco constrangidas e não hesitarão em usar todos os meios para se manter no poder.

E uma palavra sobre o que eu tenho visto no movimento estudantil dentro desse processo de reação às políticas de sucateamento impostas pelo (des) governo Pezão. Apesar de erros pontuais e de excessos pontuais, os estudantes têm representado a única forma organizada de resistência a esse processo de desmanche. Assim, ao ler todos os ataques que estão sendo feitos contra o movimento estudantil da Uerj, fico com a impressão de que os inimigos da universidade pública e gratuita também já entenderam a centralidade que os estudantes ocupam na sua defesa neste momento.

Comissão de Educação da ALERJ visita campus da UENF e ouve reclamações da comunidade universitária

Após uma semana de mobilizações, inclusive uma que contou a participação dos estudantes da Uenf na cidade do Rio de Janeiro, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro esteve na sede social da Associação de  Docentes (Aduenf) para um encontro político com a comunidade universitária. Além do presidente da Comissão Educação, o deputado Comte Bittencourt (PPS), estiveram presentes os deputados Flávio Serafini (PSOL) e Dr. Julianelli (PSOL). 

Durante a sua fala, o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) criticou a opção do governo Pezão pelas tercerizações e corte de verbas no ensino superior estadual. Para Serafini, é essa política que causa o atraso no pagamentos, a  diminuição da bolsa dos cotistas para 300 reais e desrespeito à data-base dos técnicos e professores. Serafini lembrou ainda que o (des) governo Pezão tem margem no orçamento para aumentar em 50% o gasto com o funcionalismo. Isso, ao lado do respeito aos 6% para as universidades estaduais, seria possível sair da atual cris, acrescentou o parlamentar do PSOL.

Um momento desconfortável para a reitoria da Uenf em sua eterna submissão ao (des) governo do Rio de Janeiro se deu quando o vice-reitor Edson Corrêa afirmou que, apesar de todos os problemas a Uenf estava limpa e bem cuidada. Nesse momento, o presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt (PPS) afirmou que de anda adianta a Uenf estar com boa aparência, se os estudantes estão sofrendo com o atraso crônico no pagamento de suas bolsas!

O saldo político dessa reunião foi importante, na medida em que a partir dessa visita outras ações deverão ser coordenadas pelos sindicatos da Uenf, e agora com o conhecimento de causa do comando da Comissão de Educação da Alerj.

Por último, um fato notado foi a ausência do reitor da Uenf, Silvério Freitas, nesse evento político. Aliás, não foi só ali que o reitor não apareceu nos últimos meses, deixando a impressão de que o timoneiro já abandonou a nau desgovernada.

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O Diário faz matéria sobre aula pública e crise das bolsas na UENF

Protestos contra atraso de bolsas na UENF em novo ato,

Sheila Leal
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Mobilizados contra atraso no pagamento das bolsas pelo Estado, os alunos se concentraram na Praça São Salvador

Redação com ABr

No quinto dia seguido de manifestações contra o atraso de três meses no pagamento das bolsas universitárias, alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) se reuniram no final da tarde desta sexta-feira (15), na Praça do Santíssimo Salvador, Centro de Campos, para uma aula pública. Os temas foram a atual conjuntura política e a importância do movimento, com críticas ao governador Luiz Fernando Pezão. Na segunda-feira (18/5), será realizada assembleia para definir os rumos do movimento.

Para a aula, foram convidados os professores Roberto Dutra e Marcos Pedlowski, ambos do Centro de Ciências do Homem (CCH). Pedlowski falou do papel da universidade para o desenvolvimento humano e da comunidade na qual está inserida, sobre investimentos na educação e a importância do movimento. “A universidade está de joelhos não só porque não faz o que tem que ser feito mas, principalmente, porque não dialoga com a comunidade, só dialoga com o governo, e isso não é diálogo, é consentimento”, disse.

Sobre o atraso nas bolsas, disse que “o que resolve é o que vocês (alunos) estão fazendo, informando à população sobre a crise na universidade. A Uenf tem muitos alunos que são pobres e dependem da bolsa. Pezão não poderia ter cortado o orçamento da universidade. Tinha que priorizar o pagamento das bolsas”, concluiu. Em seguida, o professor Roberto Dutra fez suas ponderações.

Reitoria promete pagamento

De acordo com o diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Bráulio Fontes, na segunda-feira (18/), às 17h, haverá assembleia no Restaurante Universitário (Bandejão) para definir os rumos da manifestação. para segunda está programada a liberação da Programação de Desembolso (PD) por parte da Secretaria de Fazenda para viabilizar o pagamento das bolsas.

A reitoria da Uenf informou que já conseguiu liberação dos recursos da Faperj de R$ 1,8 milhão para pagar as bolsas de fevereiro e março, e que o dinheiro deve entrar na conta dos alunos dias 20 e 21. Ainda segundo a reitoria, a liberação de recursos de abril está em negociação.

Cerca de 900 alunos não recebem a bolsa desde fevereiro, com valores de R$ 300 a R$ 2.300, nas modalidades mestrado e doutorado, de iniciação científica, residência médico veterinária, universidade aberta, extensão, apoio acadêmico, de ensino e multiplicadores.

Uma semana de protestos – As manifestações dos alunos da Uenf começaram no dia 8, quando os residentes do Hospital Veterinário (HV) paralisaram as atividades. Na terça-feira (12) os bolsistas fecharam os portões do campus. Na quinta (14), 200 pessoas, entre alunos, professores e demais servidores administrativos, saíram em passeata pelas ruas do Centro da cidade.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/protestos-contra-atraso-de-bolsas-na-uenf-em-novo-ato-21302.html

A grande lição na aula pública na Praça São Salvador foi dada pelos estudantes da UENF

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Estive hoje com meu colega do Centro de Ciências do Homem, o sociólogo Roberto Dutra, numa aula pública na Praça São Salvador, que foi organizada pelo Diretório Central de Estudantes da Uenf. Essa ideia remonta a iniciativas semelhantes realizadas pelo Movimento dos Indignados que possuía professores da Universidad Complutense de Madrid, e que também realizou aulas públicas nas praças e ruas da capital espanhola para explicar a razão dos protestos que agitavam toda a Espanha em 2011.

Eu diria com base na experiência de hoje que a Uenf está alcançando, sem qualquer colaboração de seus atuais gestores, um dos pilares do modelo idealizado por Darcy Ribeiro que era a de formar profissionais com consciência cidadã, e que pudessem contribuir para resolver os problemas mais prementes que afetam a sociedade brasileira.

Ver os estudantes da Uenf mobilizados para defender o seu caráter público e gratuito, hoje diretamente ameaçado pela política de asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão, é para mim uma indicação clara de que, neste preciso momento histórico, são os estudantes que estão nos dando uma importante lição de como a luta por interesses individuais não anula a luta pela preservação da grande conquista que a universidade representa para o estado do Rio de Janeiro, mas especialmente a região Norte Fluminense.

Se mais professores saíssem às ruas para ver, interagir e aprender com nossos estudantes é bem provável que não estivéssemos afundados numa crise institucional tão profunda e ameaçadora sobre a essência do projeto idealizado por Darcy Ribeiro. Felizmente nossos estudantes estão dando aulas que vão certamente nos ajudar a encontrar o caminho para dias melhores.

Marketing Acadêmico: defesa de tese de doutorado no Programa de Ecologia e Recursos Naturais da UENF

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Em que pese o momento complicado que a Uenf vive neste momento, na próxima segunda-feira (18/05) deverá ocorrer a defesa de tese de doutorado do meu orientando Vinicius Rocha Leite que realizou seu trabalho no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais.

O título da tese é “Análise da efetividade de unidades de conservação para proteção de ecossistemas localizados em paisagens fragmentadas e sob intensa pressão antrópica no bioma da Mata Atlântica”.  A expectativa é de que em sendo aprovada a tese, as descobertas acadêmicas que o mesmo traz possam ter utilidade nos esforços de proteção e conservação do que ainda resta do riquíssimo bioma da Mata Atlântica.

 Abaixo vai o convite para esse evento que espero seja interessante para todos, especialmente o candidato a doutor que neste dia terá a tarefa de defender o rigor científico do seu trabalho.

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UENF permanece lacrada e estudantes convocam passeata para denunciar a crise

Em mais um dia de fechamento do campus Leonel Brizola, os estudantes da UENF, liderados pelo DCE/UENF, estão convocando a comunidade universitária para uma passeata que deverá percorrer a cidade de Campos dos Goytacazes nesta 5a. feira a partir das 15:00 horas. 

Apesar do mote central do movimento ser o pagamento das bolsas de quase 900 estudantes e profissionais que estão atrasadas desde fevereiro/2015, a passeata também deverá servir para expor outros graves problemas que hoje afetam o funcionamento cotidiano da UENF que está sendo sendo financeiramente estrangulada pelos sucessivos cortes orçamentários impostos pelo (des) governo Pezão.

Abaixo o panfleto que está sendo distribuído pelos estudantes.

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Estudantes fazem assembleia e decidem manter fechamento da UENF no dia 13/05

Em assembleia realizada no final desta 3a. feira (12/05), os estudantes decidiram manter amanhã (13/05) o fechamento do campus Leonel Brizola como forma de protesto contra o atraso no pagamento das bolsas acadêmicas desde o mês de fevereiro. A assembléia também decidiu pela realização de reuniões no dia de amanhã para preparar novas atividades que deverão durar até que seja feito o pagamento integral dos atrasados.

A diretoria da ADUENF, sindicato dos professores, esteve presente e apresentou seu apoio integral ao movimento dos estudantes.

Abaixo imagens da assembleia. 

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