Campos opostos: reitoria da UENF vive pedindo a benção de Pezão, já a da UEPG defende exoneração de secretário e o direito de greve

pezão silvério

Nem toda reitoria de universidade pública se ajoelha aos ditames dos governos estaduais. Essa é a lição que se pode tirar da nota abaixo aprovado pelo Conselho de Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que se localiza na região dos Campos Gerais do Paraná.  Como os leitores deste blog poderão notar, a nota é direta e reta: repudia a violência cometida contra os professores pelo governo tucano de Beto Richa, pede a exoneração do secretário estadual de Segurança Pública que comandou o brutal ataque contra os servidores públicos, e defende o direito de greve dos servidores da instituição.

Esse tipo de postura, lamentavelmente, não é a que se observa na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) onde a tônica é obedecer as ordens e aplicar o arrocho contra professores e estudantes. E, como observei ontem, ainda usar de subterfúgios para assimilar outras unidades para as quais a UENF não possui hoje orçamento para manter em funcionamento.

Por essas e outras é que a reitoria da UEPG merece muitos aplausos, e a da UENF, uma imensa e sonora vaia.

NOTA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

por Assessoria de Imprensa

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No uso de suas atribuições, em reunião realizada em 4 de maio de 2015, presidida pelo reitor Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, o Conselho de Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa, por unanimidade, decidiu:

– Referendar a Nota da Reitoria publicada em 29 de abril no portal da instituição (www.uepg.br), na qual, em nome da comunidade universitária e expressando o sentimento de pesar de alunos, professores e agentes pelos lamentáveis fatos ocorridos em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, naquela data, manifesta o seu repúdio pelo uso da força desproporcional e totalmente descabida contra os servidores públicos paranaenses no seu direito democrático de manifestação.

– Deliberar que a administração da UEPG não deverá adotar nenhuma medida administrativa e restritiva que possa prejudicar os servidores desta Universidade, quer tenham participado ou não das paralisações e greves da categoria.

– Aprovar o envio de ofício ao Governo do Estado solicitando a exoneração do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Francischini, que, no entendimento deste Conselho, devido aos fatos ocorridos em 29 de abril de 2015, não reúne mais condições de permanência no cargo.

Conselho de Administração 

FONTE: http://portal.uepg.br/noticias.php?id=7491

Estripulia à vista! Reitoria da UENF tenta aprovar nas férias a assimilação do Colégio Agrícola Antonio Sarlo

pezão silvério

Não estivesse a  Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) afundada numa grave crise financeira, certas ações alopradas da sua reitoria até poderiam ser consideradas simplesmente como apenas mais uma pedra na longa estrada de desatinos que hoje causam graves prejuízos ao funcionamento administrativo, acadêmico e cientifico da universidade idealizada por Darcy Ribeiro.

No entanto, o fato  é que a UENF hoje mal tem recursos para continuar com as portas abertas e com serviços de eletricidade e água sendo disponibilizadas para a comunidade universitária poder exercer suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.  Essa situação é de conhecimento  público dentro da UENF, especialmente para centenas de estudantes que ainda não viram a cor do dinheiro referente ao pagamento das bolsas acadêmicas relativas aos meses de fevereiro, março e abril de 2015!

Mas se alguém achava que  esta grave crise financeira impediria a reitoria de tentar novas estripulias, pense de novo! É que na última reunião do Conselho Universitário realizada no período de recesso acadêmico foi apresentada a proposta de assimilação do Colégio Agrícola Antonio Sarlo que, curiosamente, era o 13º.  ponto da pauta! Em suma, com poucos conselheiros  na reunião e muitos suplentes presentes!

E se não fosse pela insistência de uma conselheira, a proposta teria sido aprovada sem o necessário quórum qualificado e, mais, sem que se tenha qualquer garantia por parte do (des) governo Pezão de que uma verba específica seria incluída no orçamento da UENF para custear anualmente o funcionamento de uma estrutura que, até os pés de maracujá mais inocentes sabem, demandará altos investimentos para simplesmente não desabar.  É que, como sempre, para atender às vontades do (des) governo do Rio de Janeiro, a reitoria  não hesita em tripudiar sobre o Estatuto e o Regimento da UENF.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: a quem realmente interessa a assimilação do Colégio Antonio Sarlo pela UENF? Essa pode ser uma das questões que poderão ser respondidas pelos eventuais candidatos a reitor na eleição que foi marcada nessa reunião do Conselho Universitário. A ver!

Primeiro de Maio de bolsas atrasadas na UENF

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O Primeiro de Maio é celebrado na maior parte do mundo como um dia dos trabalhadores. As manifestações que ocorrem para celebrar a capacidade dos trabalhadores de se organizar na luta por seus direitos contra os detentores do capital deverá movimentar milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), este Primeiro de Maio está  sendo marcado pela situação ultrajante que o (des) governo Pezão, com a sempre prestimosa colaboração da reitoria, está impondo a centenas de bolsistas de diferentes modalidades que estão sem ver a cor do dinheiro relativo ao trabalho que realizam nas três atividades finalísticas que marcam a existência de qualquer instituição acadêmica: ensino, pesquisa e extensão.

Aproveito desta data para manifestar a minha solidariedade, em especial,  aos bolsistas ligados aos projetos de Extensão,que como bolsistas de outras modalidades,  acumulam um atraso de três meses no pagamento de suas bolsas! 

Essa situação é vergonhosa, pois explicita a cara desse (des) governo que corta as verbas da educação em nome de gastos com, por exemplo, megaeventos esportivos cujo retorno para a maioria da população fluminense é próximo de zero!

Stand up comedy no Apitão da UENF. Pode isso, Arnaldo?

Como um dos professores da UENF que preferia ter visto os vultosos investimentos feitos na construção do Centro de Convenções (conhecido carinhosamente na universidade como Apitão) aplicados nas atividades essenciais da instituição (a construção de novos pavilhões de aulas), me sinto à vontade para não estranhar alguns dos usos que têm sido feitos daquela estrutura ao longo dos anos. 

Entretanto, as imagens abaixo mostram um uso para lá de heterodoxo de um espaço que foi construído para alavancar as atividades acadêmicas e culturais não apenas em Campos dos Goytacazes, mas em todos os municípios sob influência da UENF.

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Não os olhos dos leitores deste blog, não se enganaram: o Apitão vai ser o “point” de um show de stand up comedy! É lá que vai se apresentar o comediante Murilo Couto, cujo maiores méritos parece ser o fato dele ter sido ator no seriado global “Malhação” e de ser atualmente do elenco do “The Noite” do também comediante Danilo Gentili, que é mais conhecido pelo antipetismo militante do que pela qualidade de suas piadas. 

Um detalhe curioso no perfil apresentado no site oficial de Murilo é de que ele se caracteriza, apesar de ser branco, como “um cara negro de Belém” (Aqui!).

Afora esse aparente “pequeno” desvio de função, há um elemento a mais nesse uso do Centro de Convenções da UENF que mereceria a devida atenção. É que para a maioria das atividades promovidas dentro do Apitão é cobrada uma taxa, cujo valor e destino do que é recolhido na sua cobrança são um verdadeiro mistério. E no presente caso, como é um show privado, há que se saber quanto está sendo cobrado dos que vão ao evento, visto que estarão, na prática e para todos os fins, dentro de uma estrutura construída com o dinheiro dos impostos recolhidos do povo fluminense.

Placa aparece em local diferente, mas sem as informações devidas

Acabo de receber mensagens eletrônicas de leitores deste blog indicando que a placa da obra do anexo do Centro de Ciências do Homem (CCH) da UENF não sumiu, mas apenas foi deslocada para outro ponto no entorno do canteiro de obras, como mostra a imagem abaixo que me foi gentilmente enviada faz poucos minutos.

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Já uma leitora confirmou que a placa ainda não apresenta as informações sobre o engenheiro responsável e tempo de duração da obra. 

Obra do anexo do CCH na UENF: placa sim, placa não, e cadê a segurança no trabalho?

Hoje cheguei para trabalhar na UENF e tive a grata satisfação de dar de cara com a placa de identificação da obra que envolve a construção do anexo do Centro de Ciências do Homem, como mostra a imagem abaixo.

obra 1A placa mostra, como deveria, a empresa responsável (Construtora Massari Ltda) pela obra, a fonte pagadora (a FINEP) e o custo total da obra (R$ 714.410,70). Até ai, tudo bem, apesar do atraso. Entretanto, com um olhar mais cuidadoso na placa é possível observar a ausência do nome do engenheiro responsável e do tempo de duração da obra! 

Mas a omissão de informações não é a única questão que está causando espécie entre quem vem acompanhando a construção desse anexo. Nesse sentido, um leitor do blog me enviou a imagem abaixo, que aparentemente mostra uma reunião no interior do canteiro de obras entre membros da equipe técnica da prefeitura do campus (inclusive o prefeito, o Professor Gustavo Xavier) e, provavelmente um representante da empresa responsável pela obra, sem que os presentes portem qualquer tipo de equipamento de proteção individual.

IMG-20150406-WA0006Em relação a esse aspecto, o leitor que enviou a imagem apenas acrescentou a pergunta: cadê a segurança? 

Finalmente, talvez por alguém ter notado que a placa estava com informações incompletas, ao retornar do horário do almoço, notei que a placa de identificação da obra já não estava mais no local.

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Diante disso tudo, eu apenas pergunto: MPT e CREA/RJ, pode isso?

 

UENF: Em meio a obras inacabadas, construção do anexo do CCH continua sem placa de identificação

Em meio a uma série de obras que estão inacabadas no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), uma que vem chamando a atenção é a do anexo do prédio do Centro de Ciências do Homem (CCH) que foi iniciada durante a segunda metade do mês de março e que hoje segue num ritmo acelerado. Mas com um pequeno detalhe: até hoje não foi providenciada a placa de identificação onde deveriam ter sido tornados públicos, os dados sobre custo e duração total da obra ou, sequer, a empresa que está encarregada de fazer a construção (ver imagens abaixo).

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Além dos problemas em torno da necessária transparência sobre uma obra que acaba de ser iniciada, o que anda causando espécie dentro da comunidade universitária é a falta de conclusões de outras que foram merecedoras das célebres placas de inauguração, como foi o caso da obra de acessibilidade que deveria ter facilitado a vida dos possuidores de necessidades físicas especiais.  Entretanto, apesar da pedra fundamental do projeto ter sido lançada com pompa e circunstância em Maio de 2011 (!) , até hoje o que se vê é a falta de condições mínimas de acessibilidade para portadores de necessidades especiais ou não. Aliás, a falta de conclusão dessa obra está inclusive sendo “celebrada” nas redes sociais como bem demonstra a imagem abaixo.

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Diante dessa situação é que há uma crescente demanda por transparência em relação à situação envolvendo essas obras, coisa que, aliás, já vem de longe.  Mas para começo de conversa, uma questão que poderia ser respondida pelo escritório local do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia  do Rio de Janeiro (CREA/RJ) sobre a obra que está sendo construída sem uma placa de identificação. 

 

A estranha obra do novo anexo do Centro de Ciências do Homem da UENF

Na semana passada a comunidade do Centro de Ciências do Homem (CCH) foi surpreendida com o início de uma obra que já estava faz tempo para começar, a construção de um prédio anexo que permitirá um dia a expansão das atividades de ensino, pesquisa e extensão na área das ciências humanas dentro da UENF.

Mas o que deveria ser motivo de júbilo serviu apenas para criar estupefação e dúvida. É que como mostram as imagens abaixo, a obra começou com o súbito desaparecimento de árvores de abio que ofereciam sombra e frutos, além de servir como componente visual do projeto arquitetônico que Oscar Niemeyer idealizou para o campus Leonel Brizola.  Numa tacada só se degradou o ambiente e a herança arquitetônica da UENF!

Além disso, a obra começou sem que haja a obrigatória fixação da placa que identifica a empresa que está realizando a obra, bem como tempo de duração e custo da mesma conforme definido no contrato, o que me parece configurar, pelo menos, uma violação das normas e posturas que controlam a execução de obras públicas. Afinal, sem a transparência básica sobre a obra, como poderá a comunidade acadêmica e os órgãos financiadores terem a devida possibilidade acompanhar o cumprimento de agenda e orçamento? Aliás, o que será que o escritório local do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) tem a dizer sobre uma obra sendo realizada nessas condições?

Abaixo algumas imagens que mostram a remoção das árvores e a falta de identificação da obra.

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E uma pergunta que não quer calar: essa mudança na composição arquitetônica foi autorizada pelo “escritório Oscar Niemeyer”?

Entrevista no Jornal O Diário sobre a crise na UENF e os problemas no Porto do Açu

Uenf com a ‘alma’ comprometida

Por Keylla Thederich

Isaías Fernandes
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Em voga sempre que o assunto tem a ver com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o professor Marcos Pedlowski analisa a atual situação da instituição que está assolada em uma crise, fala sobre o presente e o futuro da universidade, sobre a política ‘antiuniversidade’ do governo Pezão e sobre a importância da universidade para o desenvolvimento da região. Ele fala também sobre o corte de R$ 19 milhões no orçamento da Uenf para este ano, que pode agravar a situação de atraso em pelo menos três meses no pagamento das contas. Pedlowski também fala sobre a salinização e a erosão que ocorrem no município de São João da Barra, principalmente, com a construção do Porto do Açu.

O Diário (OD) – A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) atualmente enfrenta uma de suas piores crises. As contas estão atrasadas, as bolsas não foram repassadas e houve corte no orçamento. Qual é o problema mais grave da Uenf, hoje?

Marcos Pedlowski (MP) – A Uenf simplesmente não tem dinheiro para funcionar. Os problemas são muitos e emergenciais. Hoje, se eu quiser dar uma prova, tenho que comprar cartucho para a impressora, comprar papel, não tem combustível para os alunos fazerem trabalho de campo. As coisas só continuam a funcionar porque temos a verba dos projetos. Estamos vivendo uma situação caótica.

OD – O senhor se lembra de a universidade ter passado por uma crise dessas?

MP – Estou aqui desde 1997. A situação de endividamento da universidade, como está ocorrendo agora, só vi situação parecida no último ano do Governo Marcelo Alencar, em 1998. A última fase áurea da Uenf ocorreu no Governo de Garotinho (1999/2002), que tirou a universidade de uma forte crise.

OD – Hoje, quanto a Uenf custa ao Governo do Estado do Rio de Janeiro?

MP – Hoje, a Uenf custa para o Governo do Estado menos de R$ 13 milhões por mês. Está muito barata. Para termos uma universidade em condições e expandir, como deveria ser, custaria R$ 300 milhões e isso não é nada se compararmos aos orçamentos das universidades de São Paulo, que são bilionários, de primeiro mundo.

OD – O governo cortou R$ 19 milhões do orçamento da universidade para este ano. Isso agrava muito a situação?

MP – Nos últimos oito anos, o orçamento encolheu. Para este ano, o orçamento estipulado era de R$ 173 milhões e passou para R$ 154 milhões, sendo que cerca de R$ 104 milhões serão destinados para pagamento de salários, R$ 10 milhões para as bolsas e sobram R$ 40 milhões para pagar as contas de 12 meses de água, luz, telefone, serviços de limpeza, segurança, entre outros. O governo fez um verdadeiro arrocho nas universidades.

OD – Como o senhor mencionou, o governo “arrochou” as universidades. É um problema só de corte orçamentário?

MP – O PMDB não tem uma visão de desenvolvimento científico e tecnológico. Desde o Governo Sérgio Cabral, houve uma sucessão de secretários que não têm o perfil tecnológico. É uma política que incentiva anomalias e distorções. Eles (Cabral/Pezão) têm uma visão “antiuniversidade”, bem diferente do que Darcy Ribeiro tinha em mente quando criou a Uenf. No Rio de Janeiro, as universidades estão funcionando de maneira caótica e não era pra ser assim, pois somente na Região Metropolitana Fluminense temos a maior concentração de universidades do país. Não estão valorizando esse potencial. A universidade não é um bem de um governante ou partido político, mas sim da população.

OD – O senhor citou o professor Darcy Ribeiro. Pode-se afirmar que a Uenf cumpriu ou cumpre o seu papel, o que foi idealizado há 22 anos quando foi criada?

MP – Cumpriu, mas temo que não cumprirá mais se a situação continuar desse jeito. A Uenf foi criada a partir de um abaixo-assinado da população e idealizada para promover o desenvolvimento político e social do Norte/Noroeste Fluminense e Região dos Lagos. A Uenf foi criada para ser modelo de geração de conhecimento e retorno social. Não pode perder sua visão, o elemento da reprodução intelectual porque senão passa a ser uma fábrica de diplomas, perde sua alma, sua essência. A ciência é a rotina da universidade. Se você asfixia a universidade, acaba produzindo lixo acadêmico. É preciso revisitar a visão de Darcy, não da forma idealista, mas de forma a conceber o desenvolvimento.

OD – A Uenf corre esse risco?

MP – Muitos de nossos alunos estão hoje trabalhando em grandes empresas ou atuando em universidades federais. A Uenf tem produtividade científica, é a melhor do Estado do Rio de Janeiro e a 11ª do Brasil. O que estamos vivendo agora, por exemplo, com os alunos bolsistas que estão fechando a porta da universidade para protestar um direito que lhes é garantido, é o que tem que acontecer quando alguma coisa está errada. A universidade tem que ter capacidade de criticar, tem que ter pensamento crítico, senão não pode ter o título de universidade.

OD – Mesmo com essas dificuldades, a Uenf tem uma importância fundamental para a região. De alguma forma isso pode se perder? Como o senhor vê o futuro da Uenf?

MP – Na verdade, a Uenf não está se dando ao respeito. Não estão respeitando a população que precisa dessa universidade, os professores, os alunos. A Uenf, através de seus organismos, tem que se dar ao respeito para ter o orçamento que merece, para ter o desenvolvimento, para cumprir o seu papel. Eu penso que precisamos fazer alguma coisa agora, para que daqui a 15 anos todo trabalho não se perca, para que não estejamos nos doando, trabalhando à toa, para que essa universidade não consiga cumprir seu destino.

OD – Nesta semana, uma comissão da Uenf em visita à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conseguiu apoio de deputados estaduais da região em prol das causas da universidade. O senhor acredita que com esse apoio a situação pode melhorar?

MP – A expectativa da comunidade universitária é de que, ao visitar o campus, os deputados voltem para a Alerj mais bem informados e com mais elementos para trabalhar no sentido de que sejam feitos esforços no legislativo a fim de retirar a universidade da situação crítica em que nos encontramos neste momento. Além disso, como os parlamentares em questão são aqui mesmo da região, creio que essa visita é importante porque nos dá a oportunidade de mostrar o que está sendo feito com o dinheiro público que nos é entregue. Em outras palavras, essa também seria uma oportunidade de fazer um tipo de prestação de contas para aqueles que podem ser nossos aliados dentro do legislativo estadual. A expectativa que essas visitas trazem é sempre positiva. Agora, temos que ter uma espécie de otimismo que não esteja isento de uma postura pró-ativa e responsável em torno da defesa da Uenf, especialmente num momento histórico tão adverso como o que estamos enfrentando por causa do arrocho orçamentário que está sendo imposto pelo governador Luiz Fernando Pezão.

OD- Outra questão em que o senhor atua é quanto aos impactos da instalação do Porto do Açu. Desde que as construções foram iniciadas, problemas como a salinização e erosão nas praias de São João da Barra vêm ocorrendo com maior frequência. Pode-se dizer que esses problemas são uma consequência do Porto?

MP – Não creio que seja uma questão apenas de intensidade, mas sim do Porto do Açu ser a raiz desses problemas. É que tanto no caso da salinização como da erosão costeira, esses processos foram previstos nos Estudos de Impacto Ambiental e descritos nos Relatórios de Impacto Ambientais que foram preparados pelo Grupo EBX para obter as licenças ambientais dos diferentes empreendimentos que foram ali implantados, começando pelo próprio porto. A dispersão da areia é outro fenômeno que só está ocorrendo porque a areia dragada do mar foi depositada no entorno do Porto do Açu.

OD – O senhor acredita que essa situação pode ser revertida?

MP – Em relação a reverter a manifestação desses diversos problemas ambientais, e que têm impactos também sobre a produção agrícola e a saúde humana, eu vejo que um primeiro passo seria uma mudança de postura por parte do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e da Prumo Logística em relação à própria magnitude e persistência dos mesmos. Há que primeiro se sair de uma posição de negação de que os problemas estão ocorrendo para depois para a tomada de decisões sobre as medidas corretivas que devem e podem ser executadas. O fato é que saída técnica existe para a maioria dos problemas, mas enquanto perdurar uma postura de negação que resulta numa omissão prática, não há como começar a propor quaisquer soluções que sejam.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/uenf-com-a-alma-comprometida%3Cbr%3E-19708.html

Reitoria da UENF aplica a estratégia Kibon para tirar proveito político da visita de deputado estadual

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Quem acompanha minimamente a vida interna da UENF sabe que a reitoria foge da ALERJ, como o diabo foge da cruz. É que pela lógica palaciana que é aplicada por seus membros, eles só frequentam o Palácio Tiradentes onde está instalada a ALERJ quando instados pelos deputados, ou orientados pelos ocupantes de outro palácio, o da Guanabara.

Assim, é que sempre me causa estranheza quando os sindicatos trabalham para que parlamentares visitam o campus Leonel Brizola para ver de perto a situação caótica em que estamos paulatinamente sendo colocados pelo (des) governo do PMDB, e a reitoria aparece para levá-los para dentro de uma sala de reuniões e tirar fotografias, as quais depois serão publicadas na página oficial da UENF, sem qualquer menção de como este ou aquele parlamentar foi parar no campus. Esse comportamento me lembra aquela metáfora que coloca um grupo empurrando o carrinho de sorvetes, e um esperto caminhando ao lado de braços cruzados enquanto grita “Kibon! Kibon!”

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E este comportamento de tentar lucrar com os esforços feitos pelos sindicatos representativos das três categorias que formam a UENF se repetiu nesta 6a. feira (13/03) durante a visita do deputado estadual Marcos Antonio da Silva, o Papinha. Agora, quem observar bem a imagem acima, verá que os representantes da reitoria, a começar pelo vice-reitor, demonstram uma certa estupefação. Eu intuo que deve ser por causa do trabalho que devem estar tendo para explicar como deixaram a universidade chegar ao fundo do poço sem, sequer, dar ao trabalho de reunir a comunidade universitária e informar quão mal andam as coisas, e quais são as medidas que estão sendo tomadas para defender os interesses da UENF.