A UENF agoniza por falta de recursos enquanto o governo Pezão e as empreiteiras vão num relacionamento cheio de aditivos e doações de campanha

Fornecedoras do governo Pezão doam milhões ao PMDB

Empresas que firmaram aditivos recentes em contratos com o governo fluminense aparecem como financiadoras do PMDB e da campanha de Pezão

Thiago Prado e Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Pezão na inauguração da UPP da Vila Kennedy

Pezão na inauguração da UPP da Vila Kennedy (Divulgação/VEJA)

Fornecedores do governo do Rio de Janeiro ajudaram a financiar as campanhas eleitorais do PMDB neste ano, segundo dados da primeira parcial de pestações de contas das campanhas entregues à Justiça Eleitoral. Em dois casos, as doações foram feitas simultaneamente à autorização de pagamentos do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB), que tenta a reeleição. No total, prestadoras de serviço do Estado, que receberam pagamentos em 2014, doaram 7,13 milhões de reais para o Comitê e o Diretório do PMDB no Rio de Janeiro.

O caso mais emblemático é o da empresa Ipê Engenharia, que obteve a prorrogação de um contrato exatamente no mesmo dia em que sua contribuição caiu na conta do Comitê Financeiro Único do PMDB. A Ipê Engenharia contribuiu até agora para as eleições com 1,5 milhão de reais em duas transferências eletrônicas, nos dias 14 e 23 de julho, destinadas ao Diretório do PMDB. Em 18 de julho, o diretório transferiu os recursos para o Comitê Financeiro Único do partido. No dia, foi autorizada no Diário Oficial a segunda prorrogação de um contrato com previsão de pagamento de 1,4 milhão de reais para a empresa, pela locação de equipamentos para drenagem e pavimentação de rodovias na Região Serrana.
 
Leonel Gonçalves da Costa Júnior, sócio da Ipê Engenharia, alegou que foi “coincidência” ter recebido a prorrogação de um contrato milionário, poucos dias depois de doar recursos para o PMDB. Ele não soube informar exatamente quais rodovias receberiam seus serviços, mas disse que o contrato garante a pavimentação e a drenagem apenas nos momentos em que houver necessidade. “Não sei dizer quem pediu a doação. Foram pessoas do partido, que a gente convive e conhece. Meu faturamento do ano passado (90 milhões de reais) permitiu fazer esse valor de contribuição”, afirmou Leonel ao site de VEJA. A Ipê faturou mais de 148 milhões de reais do governo do Rio de Janeiro entre 2013 e 2014, sendo que 5,2 milhões de reais foram desembolsados no dia 27 de junho.
 
A assessoria de do governo Pezão informou apenas que houve um “aditivo de prazo da obra (prorrogado por 180 dias) e não de valor”.

A construtora Colares Linhares passou por uma situação semelhante. No dia 24 de julho, garantiu 655.000 reais ao renovar um contrato, iniciado em 2010, de contenção de encostas em rodovias da Região Serrana. No dia seguinte, contribuiu com 1 milhão de reais para o Comitê Financeiro Único do PMDB. No início de junho, a Linhares já havia obtido a prorrogação de um convênio para fornecimento de equipamentos para pavimentação da malha rodoviária, por 1,4 milhão de reais. Somente neste ano, a empresa faturou pouco mais de 17 milhões de reais do governo fluminense.Procurado, Renardo Linhares Colares, sócio da empresa, não quis dar declarações. A assessoria de imprensa do governo informou que os 655.000 reais se referem a um reajuste anual de contrato (neste caso de 2010) previsto em lei. 

Outra empresa beneficiada por um aditivo, pela quinta vez no mesmo contrato, foi a Hécio Gomes Engenharia. Uma prorrogação do serviço subiu o valor da contratação para 63,7 milhões de reais no dia 16 de junho. No dia 31 de julho, a empresa contribuiu com 230 mil reais para o Comitê Financeiro Único do PMDB.  A empresa já faturou 27,1 milhões de reais do governo fluminense neste ano. “Todas as doações são legais cumprindo a legislação eleitoral”, informou a assessoria de campanha de Pezão.
 
Grandes empreiteiras, como a OAS e a Carioca Christiani-Nielsen Engenharia, também aparecem na lista de doadores e fornecedores do Estado. Contribuiram respectivamente com 2 milhões de reais e com 1,3 milhão de reais. A Carioca embolsou 17 milhões de reais por serviços prestados ao governo Pezão somente neste ano e é sócia do consórcio RioBarra, que atua na construção da Linha 4 do Metrô do Rio. A OAS faturou diretamente 54 milhões de reais do governo fluminense, incluindo obras da construção do Arco Metropolitano, e é acionista da Invepar (operadora do metrô do Rio).
 
Almeida e Filho Terraplenagens e Collet & Sons Engenharia também deram respectivamente 1,1 milhão de reais e 200.000 reais para o PMDB. Faturaram, pela ordem, 33,2 milhões de reais e 552.855 reais do governo do Rio neste ano.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/fornecedoras-do-governo-pezao-doam-milhoes-ao-pmdb

UENF: crise financeira aguda força reitor a convocar reunião extraordinária do Conselho Universitário

Num claro sinal de que a crise financeira imposta pelo (des) governo comando por Luiz Fernando Pezão é muito série, o reitor da UENF, Prof. Silvério de Paiva Freitas, convocou uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (CONSUNI) para esta 5a. feira (14/08) que tem como único ponto de pauta justamente o sufoco econômico que a instituição está passando. Aliás, esta situação pode se agravar ainda mais nos próximos meses, já que a Secretaria Estadual e Planejamento e Gestão (SEPLAG) está querendo cortar mais R$ 2 milhões do orçamento da UENF de 2014.

Eis a convocação que o reitor Silvério Freitas enviou hoje aos membros do CONSUNI da UENF.

convocação

A única coisa que me deixa intrigado é porque se deixou chegar a essa situação, já que os problemas financeiros que a UENF vem vivendo em 2014 já são mais do que conhecidos. Agora eu só espero que os conselheiros encontrem uma solução para este imbróglio.

Aliás, como  o  (des) governador Luiz Fernando Pezão anda fazendo campanha pela região Norte-Noroeste Fluminense, quem sabe o CONSUNI não aproveita para vim ver pessoalmente as comemorações dos 21 anos da UENF que tem um ponto alto na sexta-feira. Afinal, já que Pezão anda dizendo que vai ganhar as eleições no primeiro turno, quem sabe uma visita à UENF não o coloque um pouco mais em contato com nossa lamentável realidade, e evite o mesmo tratamento indecoroso em seu futuro (des) governo.

Diretoria da ADUENF emite declaração pública sobre protesto dos estudantes da UENF

Fomos surpreendidos na manhã e ao longo de todo o dia de ontem (11/08/2014) pela manifestação dos estudantes, organizada pelo DCE/UENF, que fechou as entradas do campus.

 Infelizmente, não causou a mesma surpresa a noticia de que este governo do Sr Luiz Fernando Pezão não honrou compromisso assumido pelo próprio Governador. Há muito tempo, ‘honra’ deixou de ser um adjetivo adequado a descrever esse grupo que se instalou no governo do Estado do Rio de Janeiro. 

Infelizmente, não causa a mesma surpresa, as reiteradas notícias de cortes e contingenciamentos por parte de um governo que não honra sequer o orçamento da UENF enviado polo próprio governo à, e aprovado pela, ALERJ. Orçamento que já nasce mutilado frente ao solicitado pelo CONSUNI e que vem diminuindo em números absolutos ano a ano.

 O problema do reajuste no valor das bolsas, não para valores nababescos mas para deixá-las iguais aos valores praticados pela UERJ!, é parte de um problema maior, que atinge a todos nós em todos os níveis. É o problema do próprio estrangulamento por que passa a UENF, que está inserido num contexto que envolve toda a dinâmica das forças políticas que disputam corações e mentes mundo afora. Como alertou o próprio Darcy Ribeiro “a crise na educação não é uma crise, mas um projeto”. Um projeto de sociedade neoliberal que vê nos serviços, educação inclusive, uma fonte de lucro e não alavanca do progresso e desenvolvimento. Por isso deve ser destruída uma Universidade que, pública e gratuita, apesar deste governo, consegue se projetar como alavanca do desenvolvimento social ao oferecer ensino de qualidade.

 O caminho para a destruição da Universidade pública já é conhecido, e foi aplicado com esmero e grande êxito, do ponto de vista neoliberal, no ensino médio: aviltamento dos salários e verbas insuficientes para a manutenção das condições mínimas de trabalho, como telefone, água, luz entre outras tantas contas atrasadas.

 Em paralelo, temos a criminalização dos movimentos sociais e a tentativa do governo do estado de introduzir o aparato repressivo estatal dentro da UENF, via o Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS). Ora, senhoras e senhores abram os olhos! Se existe algum problema de segurança no campus é o problema de o orçamento da Universidade, que previa verbas para pagar aos terceirizados, não ser cumprido. Por um lado, o Estado corta a verba para a segurança e, por outro, oferece verba para contratar o aparelho repressor do próprio estado

O pior nessa história toda é notar que alguns colegas nossos não conseguem enxergar além das barricadas e veem nelas o problema. A manifestação dos Estudantes, por mais que possa ter causado transtornos momentâneos, faz parte da solução e não do problema. Se nós estamos cansados e desgastados depois de três meses de dura greve contra um governo que não está nem um pouco interessado em resolver os problemas da UENF, ao contrário, age para ampliá-los, isso é compreensível. Mas que nós neguemos apoio, ou pior, ameaçemos usar das nossas aulas como instrumento de repressão ao movimento estudantil, isso é inadmissível.

Por isso a ADUENF conclama a todos os colegas a apoiar e incentivar a luta dos estudantes em defesa da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade.

DIRETORIA DA ADUENF

GESTÃO 2013-2015

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2014/08/diretoria-da-aduenf-faz-declaracao.html

UENF: apertem os cintos, a reitoria sumiu!

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Estive na entrada da UENF em torno do meio-dia desta segunda-feira para prestar solidariedade aos estudantes que estão realizando um protesto contra o não-cumprimento do acordo feito com a reitoria e com o (des) governador Luiz Fernando Pezão que visava, entre outras coisas, equiparar o valor das bolsas de auxílio-cota e de apoio acadêmico ao que é pago pela UERJ. 

Uma coisa que perguntei aos estudantes é se alguém da reitoria já havia aparecido para estabelecer um diálogo que permitisse uma solução imediata para o impasse que foi criado pela Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (SEPLAG) que se recusou a liberar os recursos prometidos por Pezão.  E a resposta foi um sonoro NÃO! 

Eu sei que já havia previsto aqui neste blog que a reitoria seria a grande derrotada da greve geral que paralisou a universidade entre março e junho deste ano (Aqui!).Mas o que eu não havia antevisto seria a completa falência desta gestão em administrar coisas básicas, como é o caso do cumprimento de um acordo que foi sacramentado com os estudantes e que custaria muito pouco para ser efetivamente implementado. 

E pensar que essa gestão durará ainda até Dezembro de 2015!

 

Estudantes lacram entrada da UENF para protestar contra descaso de Pezão e omissão da reitoria

As entradas do campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) estão lacradas na manhã desta segunda-feira pelo movimento estudantil, numa forma de protesto que visa denunciar a quebra do compromisso pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão em equiparar os valores das bolsas de auxílio-cota e apoio acadêmico ao que já é praticado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). As lideranças do Diretório Central dos Estudantes (DCE) que estão presentes na manifestação também apontam para o inconformismo dos estudantes contra o que muitos deles consideram uma postura de omissão da reitoria frente ao processo de asfixia financeira a que a UENF vem sendo submetida pelo (des) governo estadual liderado por Luiz Fernando Pezão.

O protesto deverá ocorrer durante toda esta segunda-feira, o que significa que as aulas, pesquisas e atividades administrativas estarão suspensas no dia de hoje. 

O que mais causa inconformismo aos que trabalham na UENF é saber que o custo geral da instituição é muito baixo, e que o reajuste prometido por Pezão em sua visita ao campus da UENF representa uma verdadeira ninharia no orçamento estadual.

Abaixo algumas imagens do fechamento que está ocorrendo até este momento de forma pacífica e ordeira, ,com muitas pessoas aproveitando para conversar sobre a situação dramática em que se encontra a UENF do ponto de vista financeiro nas mãos do PMDB.

O curioso é que nesta sexta-feira (15/08) haverá uma reunião do Conselho Universitário da UENF para comemorar os 21 anos do início das atividades da instituição criada por Darcy Ribeiro. Eu fico imaginando como estará o clima nesse dia, e haverá espaço para um daqueles “coffee breaks” que alguns gestores da UENF tanto parecem apreciar.

 

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O DIÁRIO: Estado não libera recursos para UENF reajustar bolsas

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Diretor do DCE, Bráulio Fontes, disse que não descarta outras manifestações

O Governo do Estado, mais uma vez, descumpriu uma promessa feita à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e negou a liberação de recursos que garantiriam a equiparação das bolsas concedidas aos alunos de Campos com as que são pagas aos estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O compromisso do Governo em aumentar o valor do auxílio-cota dos estudantes e ainda a majoração das bolsas de apoio acadêmico foi a maior motivação do retorno dos professores às atividades e do fim da greve de fome dos estudantes, no final de junho.

A justificativa da impossibilidade de conceder o reajuste foi comunicada pela secretaria estadual de Planejamento e Gestão através de ofício, que ainda informou sobre um possível corte de orçamento na Universidade. “Não temos no Estado um cenário que nos permita um acréscimo de recurso ora pretendido pela Uenf, e mais, considerando a necessidade de obtermos o equilíbrio nas contas públicas de que trata a Lei de Responsabilidade Fiscal, estamos antevendo a necessidade de promover um provável contingenciamento orçamentário, no que trata dos recursos do Tesouro, que afetará, inclusive, o orçamento daquela Universidade”.

O presidente da Associação de Docentes da Uenf, Luís Passoni, criticou o posicionamento do Governo. “Temos a sensação de que o Governo não gosta da Uenf. O Estado não só deixa de cumprir mais uma promessa, mas resiste na política de privilegiar as universidades da capital e desmerecer as do interior. Além disso, ainda tenta, e consegue, estrangular o orçamento da Uenf”, ponderou.

Outras manifestações

Na próxima segunda-feira, 11, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) irá se reunir para definir que posicionamento tomar diante da negativa do Governo. O diretor do DCE, Bráulio Fontes não descartou a possibilidade de nova greve e manifestações. “Eu estivesse pessoalmente com o governador Luiz Fernando Pezão e, na ocasião, ele se comprometeu a não medir esforços para atender nossa reivindicação. Das duas uma: ou ele não tem palavra, ou realmente não tem forças dentro do seu próprio governo”, desabafou.

O presidente da Aduenf avaliou criteriosamente a situação. “Por um lado o Governo anuncia o corte de verbas e, por outro propõe a presença de policiais no campus, o que ainda não foi aprovado. Isso mais me parece um plano macabro. Pode ser só coincidência, mas caso o Proeis seja aprovado, será também uma forma de criar a repressão necessária para enfraquecer ou impossibilitar a realização de manifestações. Com certeza, teremos mais dificuldades em fortalecer nossos movimentos”, disse Passoni.

Fonte: http://www.odiariodecampos.com.br/estado-nao-libera-recursos-para-uenf-reajustar-bolsas-13856.html

Estudante usa rede social para investigar as opiniões dos discentes da UENF sobre a Luta por Moradia Estudantil

Por Jéssica Matheus de Souza*

Esta pesquisa foi realizada visando estabelecer a situação causadora dos protestos estudantis, sendo que uma das reivindicações é auxílio-moradia, sendo justificada pela dificuldade dos alunos de arcar com suas despesas de estadia na cidade mesmo com o benefício das bolsas e cotas, o que causaria evasão. O questionário foi disponibilizado pela internet, contando com a participação de 226 alunos da UENF, e os resultados comprovam o que os estudantes já sabiam: existe grande disparidade entre as bolsas estudantis e os gastos arcados pelos alunos para se manter na faculdade.

A maioria dos estudantes vem de cidades distantes e, por isso, tem gastos como aluguel e outros itens, na grande maioria das vezes contando só com a quantia recebida na UENF. Entre os entrevistados, 78,7% afirmaram ter vindo de outra cidade para estudar. Sabe-se também que o valor atual tanto das cotas quanto o da bolsa de apoio acadêmico é de R$ 300,00, e as bolsas de IC, extensão e monitoria são remuneradas em R$ 420,00. Entre os alunos que responderam a pesquisa, 19,9% recebiam bolsa de apoio; 3,9% monitoria; 7,5% extensão; 33,3% IC, enquanto cotistas alcançaram 41,6%. Por mais que seja possível acumular a bolsa de cotas com uma das outras 3, somente 8,4% deles o fazem.

Em relação aos arranjos quanto à moradia, 19,9% moram com a família, 11,9% moram sozinhos, 7,5% moram com conhecidos e a grande maioria, 58,4% moram em repúblicas. Entre os estudantes que moram sozinhos, 40,7% pagam de R$ 500 a R$ 600 de aluguel. O total dessa despesa entre as repúblicas é em 51,5% dos casos entre R$ 600 e R$ 900, e em 23,5% é acima de R$ 900. O número médio de pessoas por república é de 3,6, e esses estudantes pagam cerca de R$ 315 pela sua parte no aluguel. Isso implica que para um cotista ou bolsista de apoio que mora atualmente em república, o que ele recebe ainda é menos que o aluguel, e essa não é sua única despesa, ele ainda precisa arcar com alimentação, transporte, farmácia e contas variadas.

Os gastos com alimentação também foram analisados. Os estudantes que moram sozinhos responderam que gastam em média R$ 292 com alimentação, contra R$ 233 gastos em média por cada pessoa que mora em república. Se se analisar a despesa a respeito de um morador de república e juntarmos o aluguel, soma-se R$ 548, uma quantia que um estudante que não recebe nada além de uma bolsa da UENF não conseguiria pagar. Ainda existe o fator que essas não são as únicas despesas, contas de luz, água, gás, transporte, internet e material de estudo aumentam ainda mais o valor total.

Por isso, para se manter, 8,4% dos entrevistados trabalham e 76,5% recebem auxílio da família. Como se sabe que por vezes os responsáveis não têm condição de contribuir, esses estudantes foram convidados a expressar o grau de dificuldade dessa ajuda, sendo 1 sem dificuldades e 10 extremamente difícil; a média foi 6,4, sendo que 50% deles deu de 7 a 10 em dificuldade.

Sobre a reivindicação dos estudantes de apoio em relação a moradia e em relação as formas de contribuição propostas pelos grevistas para a fixação do estudante na Universidade, 22,5% optaram pela construção de um alojamento, 66,3% preferiram auxílio moradia, e 6% optou por ‘outro’, sendo que parte deles queria os dois, assim ficaria por parte dos estudantes escolher um.

Os alunos foram perguntados sobre se apoiavam ou não a greve dos professores; 66% responderam que sim ou deveria durar o tempo que fosse necessário para que fossem cumpridas as reivindicações, 21,2% disseram que deveria durar pouco ou que já deveria ter acabado a fim de não prejudicar os estudantes, e apenas 6% se disse contra. Em relação a greve dos técnicos, esses números passam a ser 63,2%; 21,3% e 11%, respectivamente.

Por fim, os estudantes foram questionados sobre como eles avaliariam a atuação de certos órgãos da UENF, sendo que 0 representa completa ineficiência e 10 seria máxima eficiência. Quanto a reitoria, sua atuação quanto à defesa dos interesses e das necessidades e demandas dos estudantes, a média foi 2,5; em relação aos professores foi 3,5 e em prol dos técnicos a média foi 3,2. A atuação do DCE em relação aos interesses dos estudantes teve média 6,9; e da ADUENF em relação aos professores foi 7,1, ambas consideravelmente acima da reitoria.

Jéssica Matheus de Souza é estudante do curso de Ciências Sociais da UENF

A pindaíba da UENF vai aumentar: (des) governo Pezão manda reitoria escolher onde cortar mais R$ 2 milhões do orçamento de 2014

pindaiba

Acabo de receber a informação de que o (des) governo Pezão mandou a reitoria da UENF decidir de que áreas devem ser cortados R$ 2 milhões do orçamento de 2014. Esse tipo de escolha de Sofia pega a instituição num momento em que os diversos serviços básicos (água, eletricidade, telefone) estão com pagamentos atrasados por vários meses, e as atividades de campo estão ameaçadas porque não há recursos sequer para pagar o combustível!

Como estamos na segunda economia da federação que foi palco da COPA FIFA 2014 e deverá ainda hospedar os Jogos Olímpicos de 2016, eu fico me perguntando onde foi parar o dinheiro que está faltando na UENF!

 

Infeliz aniversário e a crise segue instalada na UENF

Há exatamente um ano, a reitoria da UENF realizou uma reunião do Conselho Universitário (principal órgão decisório da instituição) com a intuito de quebrar o regime de Dedicação Exclusiva que rege o trabalho dos professores desde o início de seu funcionamento em 1993 (Aqui!). A desculpa alegada, e depois negada pelos representantes do (des) governo Cabral/Pezão, é que esta seria a única forma de garantir a remuneração de um regime de trabalho que impede o seu exercício legal de qualquer outro emprego ou fonte de renda.

A pergunta que se coloca neste momento, como está a UENF no dia em que essa tentativa de alterar radicalmente o regime de trabalho de seus professores completa seu primeiro aniversário? Podemos começar dizendo que os atuais ocupantes da reitoria não aprenderam nada com seu erro, e acabam de repetir a mesma fórmula com a assinatura de um convênio para militarização da segurança do campus Leonel Brizola sem que uma verdadeira discussão fosse feita sobre a questão. Agora se sabe que quando o assunto foi levado para ser “aprovado” pelo CONSUNI, o convênio já havia sido assinado pelo reitor da UENF. Em suma, os membros do CONSUNI foram basicamente enganados!

Por outro lado, mesmo que haja pessoas que não gostem que se revela a situação dramática em que a UENF se encontra, o fato é que hoje a instituição criada por Darcy Ribeiro e construída por Leonel Brizola se encontra sob um pesado processo de asfixia financeira imposto pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão. As dívidas se acumulam e detalhes básicos do funcionamento da instituição não estão garantidos e honrados pelo (des) governo do Rio de Janeiro, em que pese a existência de reservas orçamentárias. Esse processo de asfixia tende a se agravar até as eleições, e sabe-se lá como a UENF vai chegar até o final do ano de 2014!

Mas como a atual reitoria vai ainda estar a cargo de administrar a UENF até o final de 2015, é preciso que se diga que a situação que já é ruim poderá se agravar ainda mais. É que confrontados com sua incapacidade de gerir a instituição, muitos dos atuais gestores estão preocupando mais com o “Day After” de uma possível vitória da oposição do que conseguir resolver problemas candentes que hoje emperram o funcionamento de uma universidade que teima em continuar prestando seus serviços e contribuindo para o processo de desenvolvimento regional. E aqui uma nota curiosa é que, como se nada disso estivesse ocorrendo, a movimentação para formar candidaturas já está em curso.  E numa prova que as idiossincrasias que acompanham eleições normais já chegaram na UENF, tem gente que sempre esteve junto com a reitoria se preparando para lançar candidaturas “alternativas”, provavelmente para tentar manter “tudo como dantes no Quartel de Abrantes” a partir de 2016.

 

Infeliz aniversário: reunião do CONSUNI que quebrou na UENF vai fazer um ano

Estamos às vésperas de completar um ano da fatídica reunião do Conselho Universitário da UENF que decidiu quebra o regime de Dedicação Exclusiva (DE)  dos professores (Aqui!). Numa decisão imposta pelo rolo compressor montado pela reitoria, 31 conselheiros (27 professores e 4 servidores técnicos) formaram uma maioria qualificada para alterar drasticamente o modelo acadêmico idealizado por Darcy Ribeiro.

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Muitos podem não lembrar, mas essa ação truculenta foi apresentada pela reitoria como uma imposição do (des) governo Cabral para pagar a remuneração devida pelo regime de DE dos professores. Além disso, essa aprovação seria a única forma de garantir um pagamento rápido da DE, de forma a garantir o funcionamento normal da UENF, e mais a sua expansão para outros municípios.

Isso tudo se deu em julho de 2013, e se mostrou uma completa inutilidade. Afinal, após quebrar o modelo acadêmico de Darcy Ribeiro, a reitoria da UENF não teve o que queria ou pensava que conseguiria.  

E o resto da história agora já sabemos e foi dito por membros do alto escalão do (des) governo do Rio de Janeiro. Em rápidas palavras, a ideia de quebrar a DE partiu da própria reitoria da UENF, e a implementação da proposta aprovada no dia 26 de Julho de 2013 nem chegou a ser levada a sério no processo de negociação que ocorreu ao longo da greve que começou no dia 12 de março de 2014!

Agora, para completar o seu trabalho, a reitoria da UENF usou o mesmo método fatídico para aprovar a militarização do policiamento do campus Leonel Brizola, usando a mesma tática que mistura falta de discussão democrática e uso de argumentos apocalípticos´E nunca é demais lembrar que essa tática apenas tenta esconder um autoritarismo inato e uma inépcia completa para garantir o funcionamento cotidiano da universidade idealizada por Darcy Ribeiro.