Nota da reitoria da Uenf mostra que o (des) governo Pezão quer sucatear ainda mais as universidades estaduais

Por causa de diferentes afazeres relativos à finalização do segundo semestre de 2015 que ainda não se encerrou, não tive a oportunidade de abordar o conteúdo da nota assinada pelo novo reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, acerca das medidas iniciais que estão sendo tomadas para tentar fazer com que a universidade não tenha que literalmente fechar as portas ao longo de 2016.

nota reitoria uenf

O tom sóbrio da nota não esconde a realidade dramática em que a nova administração assumiu a gestão da Uenf: restos a pagar de R$ 8 milhões, bolsas acadêmicas não pagas desde Novembro de 2015, e atraso no pagamento dos salários das empresas terceirizadas.

Além disso, a nota revela, a partir da narrativa de uma reunião com o discretíssimo secretário Gustavo Tutuca que teria traçado “um cenário preocupante” e que ainda teria pedida a colaboração da reitoria comandado por Luís Passoni para “reduzir custos”.

Em outras palavras, a mensagem de Tutuca é clara: a política de sucateamento imposta pelo (des) governo Pezão às universidades estaduais vai continuar e será aprofundada, caso não haja a devida mobilização para dissuadir o (des) governador do seu intento de destruir o sistema fluminense de ciência e tecnologia, do qual a Uenf, a Uerj e a Uezo são parte essencial.

O curioso é que hoje o (des) governador Pezão foi recebido com pompa e circunstância na posse do novo reitor da Uerj.  Parece até que a Uerj não estará novamente em 2016 sob o mesmo tipo de precariedade a que tem sido submetida nos últimos anos por easse (des) governo.

Mas vá lá, pelo menos na posse do novo reitor da Uenf, a comunidade universitária foi poupada dessa nada ilustre presença.

UERJ: cansados de desrespeito, estudantes ocupam campus Maracanã e FPP-São Gonçalo

UERJ MARACANÃ E FFP-SÃO GONÇALO OCUPADAS!

SEM BOLSA NAO TEM AULA!

IMG-20151130-WA0023

O DCE UERJ e estudantes de diversos cursos da Universidade estão nesse exato momento ocupando a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Sem perspectiva de receber bolsa, a estudantada se recusa a ter aula e ter provas sem que o Governo do Estado dê respostas satisfatórias.

Semelhantes às escolas de São Paulo, não queremos ver nossa Universidade fechada. Queremos ela ocupada com o que tem de melhor: seus e suas estudantes!

Convocamos todas e todos os estudantes a se unirem a nós às 6h da manhã!

Nova convocatória de assembleia: 9h30 e 17h!

Não podemos pagar pela crise! Se não temos como ir e voltar, é a na Universidade que vamos ficar!

DCE UERJ 1 POR TODXS

Obs.: atos de depredação da Universidade não são admitidos! Essas ocupações pregam nossos direitos!

FONTE: https://www.facebook.com/transformaruerj/

Mário Magalhães analisa de forma contundente a situação em que o (des) governo Pezão deixou a UERJ

Imunda, sem segurança e abandonada, Uerj fecha as portas por uma semana

Por Mário Magalhães
xcxcxcxcx

No sábado, pombos se divertiam no lixo da Uerj – Foto do blog

blog - uerj reitor

 

A partir de hoje a Universidade do Estado do Rio de Janeiro interrompe as atividades acadêmicas, ao menos por uma semana. O anúncio foi feito ontem pelo reitor Ricardo Vieiralves, em comunicado reproduzido acima.

O reitor alega “situação de insalubridade” (imundície) e “descontinuidade dos serviços terceirizados, que afeta a segurança das pessoas e do patrimônio” (falta de segurança).

Tudo causado “pela situação pública da grave crise de financiamento do Estado do Rio de Janeiro”. Isto é, o governo estadual deixou de honrar os pagamentos às empresas terceirizadas, também às que cuidam da limpeza e da segurança da Uerj.

Por atividades acadêmicas entenda-se aulas, pesquisa, extensão. Na instituição que mantém nível de excelência em muitas áreas, como letras e direito (nos últimos anos, três professores ou ex-professores da Uerj foram _ou são_ ministros do STF: Joaquim Barbosa, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux).

A Uerj é pioneira no bem-sucedido sistema de cotas.

É patrimônio público de enorme valor para o ensino e a ciência.

Na pindaíba, o governo suspendeu pagamentos. Mas poderia ter preservado os essenciais à educação.

Não é a primeira demonstração de descaso com a Uerj, como demonstram os recorrentes atrasos nas bolsas de pesquisa.

Na sexta-feira, o lixo se acumulava no campus ao lado do Maracanã, como mostrou o blog.

No sábado, pombos já faziam a farra (foto no alto).

Talvez já tenha chegado a vez dos urubus.

Talvez, não: como urubuzam a Uerj e a educação no Rio de Janeiro!

Enquanto isso, o governador Luiz Fernando Pezão dizia ontem que são “fofocas” as comprovadas e reconhecidas agressões do seu correligionário (PMDB) Pedro Paulo à ex-mulher.

A educação anda mesmo mal.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/11/24/imunda-sem-seguranca-e-abandonada-uerj-fecha-as-portas-por-uma-semana/

Reitor da Uerj suspende aulas por falta de segurança e condições de insalubridade

Em uma resposta à situação crítica que se abateu sobre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que convive com a ausência de serviços de segurança e limpeza, o reitor Ricardo Vieiralves decidiu suspender as atividades acadêmicas na maior universidade estadual fluminense por uma semana, como mostra o documento abaixo.

uerj

Entretanto, esta situação não se resume à Uerj, e se estende também à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) onde a empresa prestadora de serviços de segurança sustou os trabalhos após cinco meses de atraso de pagamentos. A segurança do campus Leonel Brizola é atualmente feita por um contingente de policiais militares ligados ao chamado Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis).

Como já postei aqui, esta situação deverá se tornar rotina em 2016, visto os dramas cortes realizados pelo (des) governo Pezão no orçamento das três universidades estaduais, sendo que o caso mais dramático é o Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) que sequer possui um campus para funcionar!

(Des) governador Pezão tenta explicar corte no orçamento das universidades estaduais com desculpas esfarrapadas

cabral pezao

O (des) governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) certamente está se sentindo pressionado pela barafunda financeira em que ele e o seu companheiro Sérgio Cabral afundaram o estado do Rio de Janeiro. Essa pressão acabou levando a que ele tentasse explicar os profundos cortes que aplicou no orçamento das três universidades estaduais para o ano de 2016. Essa omissão em relação às causas da crise, a qual precede o que está acontecendo em plano nacional, faz sentido para Pezão, já que se reconhecesse sua participação direta na geração do que ele mesmo reconhece ser o maior déficit público do Brasil, não lhe restaria senão a renúncia imediata. E isso certamente não é o que ele pretende fazer. Mas não custa lembrar que esse déficit não foi causado pelos salários dos servidores ou, tampouco, pelo investimento nas universidades estaduais.

Agora, Pezão sabe (ou pelo menos deveria saber) que a oferta de cursos de graduação é apenas um dos muitos serviços prestados pelas universidades ao povo fluminense. Assim, ao garantir que não haverá cortes na oferta de vagas de graduação, Pezão indiretamente aponta a quê pretende reduzir a Uenf, a Uerj e a Uezo: meras fornecedoras de cursos de graduação. E quanto ao ensino pós-graduação, atividades de pesquisa e extensão? Essas atividades pelo jeito irão para o ralo, junto com os cortes do orçamento.

Como um observador atento do cotidiano da Uenf, sei que boa parte das contas de serviços essenciais como água, luz e telefone foram transformados em verdadeiros papagaios ao longo de 2015. De quebra, também estiveram nessa condição os pagamentos devidos às diversas empresas que prestam serviços terceirizados na universidade, incluindo segurança e limpeza. Assim, ao anunciar que vai cortar ainda mais no custeio sem mexer na qualidade dos cursos, Pezão sabe (ou deveria saber) que isto é impossível. É que qualidade não se garante apenas por garantir a oferta de algo, especialmente quando esse “algo” é o ensino superior. 

Aliás, quero lembrar que como morador da cidade de Campos dos Goytacazes, leio diariamente incontáveis materiais escritos por apoiadores e correligionários do (des) governador Pezão criticando duramente (e muitas vezes com correção) os descaminhos do governo municipal comandado pela prefeita Rosinha Garotinho. Entretanto, quando a coisa se trata da situação estadual, o que se vê é um misto de silêncio e bajulação explícita. Esse tipo de postura é inaceitável, visto que a asfixia financeira dos serviços públicos estaduais, e a Uenf é o principal órgão público na região Norte Fluminense, faz tempo não é responsabilidade do casal Garotinho. Em outras palavras, a crítica não pode ser feita apenas contra os adversários políticos. Caso contrário, cedo ou tarde essa contradição vai ficar evidente, e as cobranças da sociedade serão inclementes.

Finalmente, que ninguém se surpreenda se em 2016 tivermos uma séria crise no sistema universitário do Rio de Janeiro. É que apesar de todo esse discurso embaçado de Pezão, pior do que cortar orçamentos, o que o seu (des) governo vem fazendo de forma eficiente é dificultar a execução financeira do valor alocado pela Alerj. Em outras palavras, o que parece ruim ainda vai piorar muito. 

 

Pezão: Corte de recursos para universidades foi necessário
Segundo governador, estado teve queda de receita e precisa adequar o Orçamento 2016

POR SIMONE CANDIDA

UERJ

Vazamento de água em corredor da Uerj – Marcelo Carnaval / Agência O Globo

RIO — O governador do Rio Luiz Fernando Pezão disse, na manhã desta segunda-feira, que o corte radical nos recursos destinados às instituições de ensino superior do estado no Orçamento de 2016 faz parte de uma necessidade de adequação ao momento de crise. Como O GLOBO noticiou, uma proposta orçamentária apresentada pelo governo, que se encontra em discussão na Assembleia Legislativa (Alerj), prevê uma redução drástica nos recursos destinados a essas universidades, entre elas a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). No custeio, que envolve as despesas para a manutenção básica — incluindo água, luz, segurança e limpeza —, a queda prevista é de 27,7%. Em relação a investimentos, como aquisição de equipamentos para laboratórios e reforma ou construção de salas de aula, haverá uma diminuição de 46% em comparação a 2015.

— Não estamos reduzindo só as despesas de universidades, estamos adequando a receita que temos este ano. Tivemos um queda de receita e precisamos adequar o Orçamento. Se não, eu mando o Orçamento com déficit — afirmou Pezão, que, pela manhã lançou, em cerimônia no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, do Mobiliza Rio, ação para incentivar a procura e concessão de crédito para empresas localizadas no Rio.

Segundo o governador, a crise não é um problema que só afeta o Rio de Janeiro, mas o estado é um dos mais atingidos com as perdas de receita.

— Estamos nos adequando a esse momento de dificuldades nestes dois anos. Tentando ver se a Petrobras se recupera e a cadeia produtiva volta. Não é um problema só do estado do Rio. E eu nunca escondi as dificuldades. O Estado do Rio de Janeiro é o que tem o maior déficit do Brasil. São R$ 13,5 bilhões que a gente teve que cobrir e está tendo que cobrir este ano. Não é trivial. Todo mundo vai ter que se adequar à crise até voltar o crescimento econômico — declarou.

De acordo com o governador, como o estado tem um economia atrelada ao mercado de petróleo, as consequências foram devastadoras nos últimos dois anos.

— Em diversos setores a gente teve o Orçamento adequado à nossa queda de receita. Quando mandamos o Orçamento de 2015, o preço do barril do petróleo era U$ 115. Estou recebendo o repasse a U$ 46, U$ 47. E este ano, a perspectiva para 2016, é que continuem os U$ 47. Então, estou mandando o Orçamento real — explicou Pezão.

Pezão disse que, por enquanto, não será necessária a diminuição de vagas nas instituições de ensino. E que o corte não afetará, ainda, a qualidade dos cursos.

— Estamos diminuindo cada vez mais o custeio. Cada órgão faz seus cortes. Nós já realizamos muitos cortes. Em 2015, todas as secretarias já se adequaram a esta queda de receita: cortamos carro, telefone, luz. Todos os lugares onde o tivermos que cortar mais no custeio, a gente vai cortar, mas preservando os cursos. Não vamos diminuir— disse.

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/pezao-corte-de-recursos-para-universidades-foi-necessario-17880127#ixzz3piWJzH2p 

Graças à cortina de fumaça do impeachment, Pezão age livre para destruir universidades estaduais

Enquanto temos nossos olhos e ouvidos entupidos com a polêmica do impeachment de Dilma Rousseff, os (des) governos estaduais (muitos deles comandados pelo PMDB de Michel Temer) continua cortando orçamentos de uma forma tão profunda que corre-se o risco de inviabilização de áreas inteiras do serviço público.

No caso do Rio de Janeiro, o (des) governador Luiz Fernando Pezão ameaça as universidades estaduais com cortes tão profundas que as mesmas deverão ter dificuldades até para se manter abertas em 2016. Essa política de asfixia financeira é, com certeza, parte de um projeto de privatização das universidades estaduais.

No caso da Universidade Estadual do Norte (Uenf), o corte atinge áreas sensíveis e de forma profunda. A se confirmarem os cortes propostos, as dificuldades vividas pela Uenf em 2015 vão ser lembrados como saudade por toda a sua comunidade.

Abaixo a matéria assinada pelos jornalistas Luiz Gustavo Schmitt e Marco Grillo do jornal “O GLOBO” que mostra em detalhes o ataque que está sendo desferido por Pezão e seu (des) governo. 

 

Universidades do estado terão verba 46% menor em 2016

Orçamento de 2016 prevê verba 46% menor para investimentos

POR LUIZ GUSTAVO SCHMITT E MARCO GRILLO 

corredor

Em um corredor da Uerj, equipamentos e móveis quebrados que deveriam ir para o lixo: universidade começou 2015 com paralisação de prestadores de serviço – Marcelo Carnaval / Agência O Globo

RIO — A crise financeira do estado já provocou cortes em vários setores este ano e deverá tornar os gastos de áreas essenciais, como a educação, mais enxutos em 2016. Uma proposta orçamentária apresentada pelo governo, que se encontra em discussão na Assembleia Legislativa (Alerj), prevê uma redução drástica nos recursos destinados às instituições de ensino superior, entre elas a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). No custeio, que envolve as despesas para a manutenção básica — incluindo água, luz, segurança e limpeza —, a queda prevista é de 27,7%. Em relação a investimentos, como aquisição de equipamentos para laboratórios e reforma ou construção de salas de aula, haverá uma diminuição de 46% em comparação a 2015.

Em números absolutos, a previsão é que as verbas para custeio caiam de R$ 618,1 milhões para R$ 446,5 milhões. Quanto ao investimento, deve passar de R$ 109,5 milhões para R$ 58,7 milhões. O levantamento foi feito com base na comparação entre o projeto de lei em tramitação na Alerj e o orçamento aprovado para 2015. A conta levou em consideração cinco unidades de ensino superior: além da Uerj e da Uenf, o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e a Fundação Cecierj, que atua na educação à distância.

ARROCHO MAIOR NA UENF E NA UEZO

numeros-orcamentoOrçamento de 2016 – Editoria de Arte

Os cortes mais expressivos são vistos na Uenf, que tem unidades em Campos dos Goytacazes e Macaé, ambas cidades do Norte Fluminense, e na Uezo, que não conta com sede própria e funciona de maneira improvisada nas instalações do Colégio Estadual Sarah Kubitschek, em Campo Grande, desde a inauguração, em 2005. No caso da Uenf, serão menos 46% no total do custeio (de R$ 71,3 milhões para R$ 38,5 milhões) e menos 63% nos investimentos (de R$ 12,1 milhões para R$ 4,4 milhões). Enquanto isso, a Uezo só poderá investir R$ 134 mil em 2016, o que corresponde a apenas 1% do valor aprovado para 2015 (R$ 13,3 milhões). No custeio, o aperto chega a 41% (de R$ 8,3 milhões para R$ 4,8 milhões) na universidade, que já reduziu de 140 para cem o seu quadro de professores.

Vice-reitor da Uenf, Edson Corrêa calcula que o valor mínimo necessário para o funcionamento da universidade gira em torno de R$ 150 milhões por ano, total que abrange os gastos com pessoal. O orçamento de 2015 previa R$ 190,7 milhões para a instituição, mas o governo anunciou contingenciamentos ainda no início do ano. Até o momento, R$ 120,4 milhões foram efetivamente repassados pelo tesouro estadual.

— Esse valor (R$ 190,7 milhões) foi fictício, porque houve contingenciamento. O que vamos ter disponível é algo em torno de R$ 150 milhões. Com menos do que isso, não dá para manter a universidade — alerta o vice-reitor.

A proposta para a Uenf em 2016 é de R$ 161,6 milhões, mas cortes não estão descartados.

— Já estamos no limite, não tem mais onde cortar. É só subsistência — garante Corrêa.

Segundo ele, a falta de pagamentos de terceirizados da limpeza e da segurança chegou a colocar as aulas em risco este ano. As linhas telefônicas ficaram cortadas por três dias, por inadimplência. Para o presidente da Associação de Docentes da Uenf, Raul Ernesto, os alunos ainda não foram prejudicados porque professores vêm ajudando na compra de material para aulas práticas em laboratórios e até na aquisição de cartuchos para impressoras.

— O orçamento do ano que vem não dá para chegar até setembro. O governo está tratando as universidades como gasto supérfluo. Somos o papel higiênico caro do estado — diz Ernesto.

Diretor de comunicação do DCE da Uenf, o estudante de Administração Pública Gilberto Gomes relata que, este ano, o pagamento das bolsas dos alunos atrasou ao longo de três meses.

— Houve uma evasão grande de alunos por causa disso. O governo continua com a política de mirar no ensino superior, mas mantém os incentivos fiscais para as empresas — critica.

Já os representantes da Uezo foram procurados desde quinta-feira, mas não se pronunciaram sobre os cortes. Em audiência pública na Alerj no último dia 14, o reitor da universidade, Alex da Silva Cerqueira, contou ter solicitado mais R$ 10 milhões ao orçamento para concluir a primeira fase da construção do campus.

PREOCUPAÇÃO COM A SITUAÇÃO DA UERJ

Na Uerj, que tem o maior orçamento entre as universidades estaduais, a redução prevista é de 22% no custeio (R$ 394,2 milhões para R$ 306,1 milhões) e de 4% no investimento (R$ 37,1 milhões para R$ 35,4 milhões). Mas a instituição já vem sofrendo com problemas de caixa. O ano letivo de 2015 começou atrasado devido a uma greve. A paralisação provocou o caos: havia lixo espalhado pelos corredores e banheiros ficaram em estado insalubre.

auditorio
Auditório com cadeiras quebradas: corte no orçamento aprofunda crise na Uerj – Marcelo Carnaval / Agência O Globo

— O corte no orçamento só aprofunda a crise — afirma a presidente da Associação de Docentes da Uerj, Lia Rocha. — Quem está pagando a conta é a educação. Estamos trabalhando para produzir conhecimento, mas não somos prioridade. É um processo de sucateamento.

O Colégio de Aplicação, que recebe verbas do orçamento da Uerj, também deve ser atingido.

— Ainda persiste uma situação de incerteza em relação ao pagamento de terceirizados e professores substitutos — diz Lincoln Tavares, ex-diretor da instituição.

A assessoria de imprensa da Uerj afirmou que a universidade não se manifestaria porque passa por um momento de transição. Na quinta-feira, o professor Ruy Garcia Marques foi eleito reitor. Ele não respondeu a um pedido de entrevista.

Na rede Faetec, o contingenciamento teve impacto em unidades de referência como o tradicional Instituto Estadual de Educação (Iserj), na Tijuca, e os Centros de Vocação Tecnológicos (CVTs). No Iserj, as aulas começaram atrasadas este ano porque não havia merendeiros, faxineiros e inspetores. No CVT do Gradim, em São Gonçalo, que deveria ser voltado para a atividade pesqueira, hoje só há aulas de espanhol. A unidade, aberta desde 2009, chegou a ter 300 alunos e a oferecer 16 cursos, como mecânica e carpintaria naval e beneficiamento de pescado. O diretor da instituição, Sérgio de Mattos Fonseca, conta que, este ano, 15 professores tiveram seus contratos suspensos pela Faetec e só restaram 40 alunos.

— Tudou parou porque não há professor. Um laboratório de alta tecnologia que custou R$ 70 mil está fechado — lamenta o professor.

Procurada, a Faetec não retornou as ligações. O presidente do Cecierj, Carlos Eduardo Bielschowsky, ressalta que o orçamento em discussão para a fundação é o mesmo de 2015, já descontados os valores contingenciados pelo governo. Este ano, investimentos foram cortados, e os planos de construir mais unidades não saíram do papel.

Presidente da Comissão de Educação da Alerj, o deputado Comte Bittencourt (PPS) reconhece que todas as áreas do governo devem participar do esforço financeiro em meio à crise. Contudo, ele afirma que os cortes em custeio nas universidades ficaram acima dos previstos para outros setores.

— Em média, a redução em custeio feita por órgãos do governo varia de 15% a 20%. Mas, nas universidades, esses cortes chegam a passar de 30%. A comissão pretende fazer emendas ao orçamento para tentar alinhá-los à média praticada pelo Executivo — adiantou o deputado.

COMISSÃO DA ALERJ VAI APRESENTAR EMENDAS

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, cuja pasta é responsável pelas instituições, afirma que a saída para as universidades é buscar outras fontes de receitas:

— É preciso inovar na gestão e buscar recurso novo. No mundo inteiro, há empresas que desenvolvem projetos em parceria com universidades. A UFRJ tem uma parceria com a Petrobras. Além disso, há um parque tecnológico onde muitas empresas pagam para estar ali. Temos que nos inspirar nesses modelos.

Apesar do cenário de austeridade, o secretário descarta a possibilidade de um quadro caótico na educação em 2016. Ele afirma que greves, atrasos de salários e falta de insumos são problemas que não deverão se repetir:

— Este ano foi complicado porque tínhamos restos a pagar (dívidas anteriores), além das despesas correntes. Mas a previsão é fechar o ano sem restos a pagar. Então, teremos mais fluxo de caixa.

Em nota, a Secretaria estadual de Fazenda afirmou que tem priorizado os recursos para a educação e que o investimento na pasta em 2015 é de 26%, acima da exigência constitucional, de 25%. O órgão não comentou a previsão de cortes para as instituições em 2016.

O TAMANHO DO CORTE POR UNIVERSIDADE

biodigestor

Biodigestor de fezes suínas na Uenf Foto: Eduardo Naddar / Agência O Globo (27/05/2013)

Uenf

A proposta de orçamento em discussão na Alerj prevê queda de 46% (de R$ 71,3 milhões para 38,5 milhões) nas despesas de custeio na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), na comparação com a lei orçamentária em vigor neste ano. No investimento, a queda é de 63% (R$ 12,1 milhões para R$ 4,4 milhões)

FONTE:  http://oglobo.globo.com/rio/universidades-do-estado-terao-verba-46-menor-em-2016-17877286#ixzz3pgaXEX5d 

TJ impõe derrota ao (des) governo Pezão e suspende descontos no auxílio alimentação na UENF

Desde meados do ano passado, os servidores das universidade estaduais passaram a sofrer um desconto ilegal no chamado auxílio alimentação por ordem da Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag). No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense, o valor é de R$ 400,00 e representa uma forma precária de ressarcimento com os custos de alimentação que servidores técnicos e professores arcam mensalmente para poderem cumprir suas funções.

Agora, após processo impetrado pelo Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), a desembargadora Cristina Tereza Gaulia decidiu no dia de ontem em favor dos trabalhadores, o que obrigará o retorno dos valores descontados ilegalmente pelo (des) governo Pezão (ver a última página decisão logo abaixo).

auxilio refeição

Essa decisão é especialmente bem vinda para todos os servidores da Uenf, mas especialmente para os servidores de nível elementar e fundamental cujos salários estão defasados em relação aos salários que são praticados na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para os quais o pagamento do valor total do auxílio alimentação representa um alívio financeiro ao final de cada mês. 

É importante ressaltar que num período de profundos ataques aos direitos históricos dos trabalhadores vencer uma disputa judicial com o Estado é um efetivo motivo de celebração.

A crise das universidades estaduais e o papel vergonhso das reitorias-estafetas no seu aprofundamento

ricardovieiralves

A crise instalada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) possui características variadas, indo desde os aspectos financeiros até o profundo autoritarismo com que seu reitor (ou seria feitor?) Ricardo Vieiralves vem dirigindo a instituição. Contudo, os conflitos ocorridos na última 5a. feira estão sendo jogados nas costas de “estudantes radicalizados” que querem apenas atentar contra o bom funcionamento de uma instituição que, convenhamos, faz tempo anda muito mal das pernas.

Os atores que tentam objetivamente esconder a natureza da crise são muitos, a começar pelo causador dos problemas, o (des) governador Luiz Fernando Pezão. O (des) governador teve o desplante de declarar ao notório “O Globo” que todos os recursos financeiros estão sendo repassados à Uerj. Esqueceu Pezão de dizer que não apenas a Uerj, como também a Uenf e a Uezo, vive hoje com orçamentos insuficientes e contingenciados (em outras palavras cortados ao limite). Essa é a principal causa dos problemas que estão sendo vividos nas universidades estaduais do Rio de Janeiro.

Agora, os malfeitos desse (des) governo só são possíveis com a presença de figuras do quilate de Ricardo Vieiralves e Silvério Freitas, no caso da Uenf, no cargo de reitor. É que eleitos sabe-se lá por quais combinações de interesses, esses reitores se transformaram desde o primeiro dia de seu mandato em meros estafetas do (des) governo do Rio de Janeiro dentro de suas universidades. E para melhor cumprir isso não hesitam em transformar os órgãos colegiados em simulacros de uma falsa governança democrática que só se presta a naturalizar o estado de caos que é gerado pela asfixia financeira. No caso da Uerj, a situação é mais dramática porque Vieiralves não tem hesitado em suspender reuniões de colegiados, e nem tem se sentido constrangido quando ordena suspensões precoces de calendário escolar ou adota o fechamento do campus Maracanã como estratégia de cerceamento da livre manifestação política dos que se opõe às suas formas autoritárias de gestão.

Sair dessa situação não é tarefa fácil, pois parte substancial dos corpos docentes e técnicos estão bem ajustados a essa forma canhestra de tocar a vida universitária, e especialmente porque veem seus interesses privados melhor atendidos por esse tipo de governança antidemocrática. Quebrar essa lógica que é uma expressão pura da “Lei de Gerson” levará tempo, e necessitará uma dose extra de paciência e foco. Sem isso, as forças que apoiam a privatização na prática das universidades estaduais não se sentirão nenhum um pouco constrangidas e não hesitarão em usar todos os meios para se manter no poder.

E uma palavra sobre o que eu tenho visto no movimento estudantil dentro desse processo de reação às políticas de sucateamento impostas pelo (des) governo Pezão. Apesar de erros pontuais e de excessos pontuais, os estudantes têm representado a única forma organizada de resistência a esse processo de desmanche. Assim, ao ler todos os ataques que estão sendo feitos contra o movimento estudantil da Uerj, fico com a impressão de que os inimigos da universidade pública e gratuita também já entenderam a centralidade que os estudantes ocupam na sua defesa neste momento.

Associação de Docentes da UERJ emite nota sobre situações de violência na universidade

Nota da Asduerj pela pluralidade e pelo diálogo contra a militarização do cotidiano da Uerj

UERJ

Lamentamos, mais uma vez, as cenas de violência em nossa Universidade, que vem impossibilitando o diálogo e a construção de alternativas efetivas para a grave crise por que passa a Uerj. Não queremos mais conviver com enfrentamentos físicos e blindagens intolerantes antidemocráticas. É inadmissível a depredação do patrimônio público que pertence ao povo fluminense, também não é aceitável que nossa universidade não cumpra sua função histórica de acolher pessoas vítimas de violência urbana.

É preciso compreender que o diálogo vem sendo restringido em um evidente isolamento da Administração Central. A irregularidade na convocação dos Conselhos Superiores é marca dessa gestão e, portanto, muito anterior aos episódios recentes. Já assistimos, em 2011, à inauguração do bandejão no campus Maracanã, com agressão física aos estudantes que foram impedidos de participar do evento.

Em 2015, os episódios de violência na Uerj se iniciaram na repressão a um ato promovido pelos pais e mães do CAp, acompanhados de alunos, professores e funcionários. Já naquele momento, reivindicávamos a necessidade de um amplo diálogo, com a participação de diferentes atores de nossa comunidade universitária.

Na última quinta-feira (28.05) assistimos a cenas lamentáveis, que deixaram a comunidade universitária profundamente consternada e entristecida. Estudantes de diferentes cursos decidiram prestar solidariedade aos moradores da favela Metrô Mangueira, que estavam sendo violentamente removidos, e foram brutalmente agredidos pelo Batalhão de Choque da PM.

Nesse sentido, é preciso dizer que a nota do reitor não corresponde ao que vivenciamos na noite do dia 28. Os relatos que nos foram apresentados e os vídeos que estão circulando amplamente nas redes sociais mostram que estudantes de nossa Universidade foram impedidos de retornar ao pavilhão João Lyra Filho pelos seguranças da UERJ, quando buscavam abrigo frente ao ataque da Polícia Militar.

Todos sabemos que os estudantes da Uerj, oriundos de diferentes cursos, estabelecem relações próximas com os movimentos populares e comunitários. Um exemplo disso é a comoção que os moveu recentemente e as redes de solidariedade que produziram, quando perceberam a situação dramática dos trabalhadores terceirizados da Uerj.

Essa história e sua expressão em atos de solidariedade diversos estão retratados de forma distorcida na nota do reitor, sugerindo uma associação indesejável entre o caráter popular de nossos alunos e uma pretensa propensão à violência. Essa associação é corrente no senso comum e nos parece ser tarefa de uma Universidade como a Uerj desnaturalizar os vínculos causais atribuídos à interface entre pobreza e violência. Gostaríamos que a administração da Uerj se dispusesse a fazer ressoar nossa vocação popular e plural e não reiterasse refrões conservadores e discriminatórios.

A saída para a grave crise que vivenciamos só será construída por um amplo debate, que envolva diversos atores de nossa comunidade acadêmica. A pluralidade de vozes e a ampliação da participação nos espaços de decisão são, sem dúvida, uma tarefa de todos nós. Fortalecer o debate afastará o clima de medo que se vem pretendendo instituir. Nessa direção, a convocação imediata dos Conselhos Superiores é inegociável, como um primeiro passo para o restabelecimento do diálogo. O autoritarismo nos envergonha, mas não constrangerá nossa vocação plural, democrática e popular.

Saudações universitárias,

Diretoria da Associação de Docentes da Uerj

FONTE: https://www.facebook.com/asduerj/photos/a.405179722862791.86221.405177632863000/844103475637078/?type=1&theater