A agonia financeira das universidades estaduais é mostrada pelo O Globo

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O jornal O GLOBO colocou no dia de hoje (05/10) uma ampla matéria mostrando o estado de compldeta penúria em que se encontram as três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Aqui!).  A matéria assinada pelos jornalistas Fátima Freitas, Ludmilla de  Lima e Rayanderson Guerra traça um perfil dantesco do estado de abandono financeiro que aflige a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Universidade do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo).

Pela leitura do material fica difícil até definir qual das três universidades está em situação pior, pois o contexto que compartilham é basicamente o mesmo e tem como causa fundamental o abandono do (des) governo do Rio de Janeiro. Apenas para que se tenha uma ideia do problema, a matéria mostra que a Uenf está há um ano sem receber verbas de custeio e acumula dívidas de R$ 15 milhões apenas com as empresas terceirizadas que prestam serviços de segurança e limpeza.

A matéria aponta que os servidores da Uenf são obrigados a trazer de casa até papel higiênico. Mas como testemunha ocular do caos que foi criado dentro da Uenf, eu diria que falta de papel higiênico é o menor dos problemas. É que como mostrou a matéria, pesquisas importantes estão sendo interrompidas, colocando em xeque a sobrevivência de grupos inteiros, e acarretando toda sorte de medidas para impedir o colapso completo da Uenf.

Mas o caso da Uezo parece ser ainda pior, pois a instituição sequer possui um campus universitário próprio e o corpo docente da instituição ainda se encontra em condição precária, com uma sétie de concursos realizados sem que os aprovados sejam contratados.

No caso da Uerj, a quebra do compromisso de que seriam entregues verbas emergenciais resultou numa situação escandalosa. A nova firma terceirizada que foi contratada para ocupar de outra que suspendeu a prestação por falta de pagamentos também está sem receber um tostão. Em outras palavras, o (des) governo do Rio de Janeiro criou uma situação em que a Uerj ( tal como a Uenf e a Uezo) opera na base do calote. E com isso quem fica sem salários são os trabalhadores!

E não custa lembrar que enquanto as universidades estaduais são colocadas à beira do colapso, a farra das renúncias fiscais continua sem qualquer sinal de que será revertida. Em suma, o público está sendo destruído para que corporações privadas garantam massivas taxas de lucro. E como mostrei no caso das Barcas S/A (Aqui!), a isenção de 100% no pagamento dos valores devidos pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que ocorre desde 2011, não tem significado qualquer tipo de melhoria nos serviços prestados pela empresa.

Em tempo, um especialista que vem acompanhando a renúncia fiscal relacionada apenas ao caso das Barcas S/A, estima que o buraco causado ultrapassa a espantosa cifra de R$ 1 bilhão!  Imaginem o que haveria de progresso no ensino superior público estadual se essa bagatela renunciada em prol das Barcas S/A estivesse sendo investido nas nossas três universidades!

Terceirização e superexploração do trabalhador: o sonho da CNI já é realidade no RJ

Há poucos dias o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade,  ganhou as manchetes dos principais veículos da mídia corporativa ao propor num encontro com o presidente interino Michel Temer o aumento da jornada semanal de trabalho para 80 horas para os trabalhadores brasileiros  (Aqui!).

Ao ver seu nome associado à uma saudade em relação aos tempos em que a escravidão era legal no Brasil, a CNI rapidamente emitiu um communiqué deixando o dito pelo não dito. É que, provavelmente, o honorável presidente da CNI falou em voz alta o que ainda está sendo negociando nos bastidores, o que representa uma tremenda bola fora.

Mas se estivesse mais familiarizado com o que está sendo praticado pelo (des) governo do Rio de Janeiro, o presidente da CNI ainda poderia ter se safado dizendo que pelo menos na iniciativa os salários auferidos pelos trabalhadores em regime de 80 horas seriam pagos, ao contrário do que ocorre no serviço público terceirizado no estado do Rio de Janeiro, por exemplo.

Para quem ninguém ache que há um exagero de minha parte, o fato é que um número indefinido de trabalhadores terceirizados que trabalham em órgãos públicos estaduais do Rio de Janeiro se encontram neste momento com vários meses de atraso em salários, auxílios e adicionais definidos em lei. Em alguns casos, centenas de trabalhadores após ficarem meses sem receber acabaram sendo demitidos sumariamente e com a indicação de que deveriam procurar seus direitos na justiça.

No caso específico de apenas uma secretaria estadual, a de Ciência e Tecnologia, que é responsável pelo sistema FAETEC e pelas universidades estaduais, os casos são múltiplos. O mais emblemático deles foi a demissão de 500 trabalhadores terceirizados contratados pela empresa CONSTRUIR, do ramo da limpeza e conservação, que prestavam serviços na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e que foram colocados na rua  com sete meses de salário atrasado e sem o pagamento da 2ª parcela do 13ºde 2015 (Aqui!).

Ainda que não esteja ocorrendo demissões em massa, os servidores terceirizados que prestam serviços de segurança na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) estão com três meses de salários atrasados e também não receberam seus auxílios e adicionais, enquanto os que atuam na área da limpeza e conservação apenas os salários estão sendo pagos.

O que mais me impressiona é que descumprimento das obrigações trabalhistas com os servidores terceirizados é, na maioria das vezes, aceito com extrema naturalidade. E, pior, quando alguém se levanta para defendê-los, a reação não é de simpatia. Que o digam os estudantes da Faetec que “ousaram” colocar a questão do pagamento dos salários atrasados dos terceirizados como uma pré-condição para desocuparem as escolas em que estavam  (Aqui!).

Mas e o ministério público e outros órgãos de fiscalização dos direitos dos trabalhadores? Desses tampouco parece haver o mesmo senso de urgência que se abate sobre os servidores terceirizados que dependem diretamente dos seus salários para sobreviver. Como resultado, os terceirizados ficam relegados a esforços localizados de apoio, mas que não resolvem o essencial que seria o pagamento dos salários devidos.

Algo que sempre me deixa curioso é o seguinte: onde estão localizadas e quem são os donos dessas empresas terceirizadas que estão desrespeitando, impunemente, os direitos de seus empregados? Como podem essas empresas continuar operando dentro do serviço público sem que honrem as obrigações com seus empregados? 

Por essas e outras é que eu digo que a terceirização de serviços é a principal ferramenta da superexploração dos trabalhadores, já que nem o pagamento dos salários frequentemente é feito. E voltando ao presidente da CNI e sua declaração polêmica da jornada de 80 horas, o perigo é ele querer que a “fórmula fluminense” se torne o modelo a ser seguido em todo o território brasileiro.

Corte de 30% pode inviabilizar de vez as universidades estaduais

A partir de fontes bem informadas, recebi a informação de que as reitorias das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo) receberam uma correspondência determinando que sejam estabelecidas medidas que garantam o corte de 30% do orçamento de 2016 para atender decisão do (des) governador em exercício Francisco Dornelles (Aqui!).

Essa correspondência seria hilária se não fosse trágica. É que até a presente data (23\06) o (des) governo do Rio de Janeiro ainda não desembolsou recursos relativos a 2016, implicando numa não entrega de 50% do orçamento. Se forem cortados adicionais 30%, estaremos falando numa entrega de apenas 35% do orçamento total aprovado pela Alerj para as universidades estaduais usarem em 2016.

O interessante é que o (des) governo do Rio de Janeiro faz essa exigência formal sem que haja qualquer compromisso formal de que alguma verba será efetivamente entregue às universidades, em que pese o fato evidente de que os cofres estaduais estão com mais dinheiro recolhido em 2016 em relação ao ano anterior.  Em outras palavras, essa cobrança de que se corte mais 30% do orçamento é apenas um daqueles exercícios de fúteis de auto-flagelação institucional, provavelmente voltado para desmoralizar as reitorias.

O que me parece claro é que por detrás do discurso de crise o que se esconde é um plano de privatização das universidades estaduais do Rio de Janeiro. Resta saber apenas quando é que o (des) governo do Rio de Janeiro vai admitir publicamente esse projeto de privatização. Eu presumo que seja depois do anúncio da venda da joia da Coroa que é a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

De toda forma, esperemos para ver como reagem as reitorias das três universidades. Pelo clima vigente nas instituições,  o mais provável é que haja uma carta conjunta pedindo que o (des) governo do Rio de Janeiro primeiro pague o que deve antes de que qualquer conversa sobre cortes adicionais. A ver!

A greve é o único remédio que pode retirar a Uenf do coma em que foi colocada pelo (des) governo do RJ

Em Medicina a definição de coma seria o de um estado caracterizado por perda total ou parcial da consciência, da motricidade voluntária e da sensibilidade, gerado devido a lesões cerebrais, intoxicações, problemas metabólicos e endócrinos, no qual, dependendo da gravidade, as funções vitais são mantidas em maior ou menos grau.

Pois bem, se olharmos a situação por que passa a Universidade Estadual do Norte (Uenf), e por extensão a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo), eu diria que experimentamos um estado de coma institucional após anos de sucateamento promovido pelos (des) governo do Rio de Janeiro. Como em um organismo vivo, a Uenf vive um processo comatoso que impede a sua morte a partir de um esforço coletivo de manter as funções vitais funcionando, ainda que numa velocidade mais baixa.

Ainda que já tenha sido noticiado, é importante frisar que o (des) governo comandado por Pezão/Dornelles não paga nenhuma conta devida pela Uenf desde o longínquo mês de Outubro de 2015, o que resulta numa dívida acumulada de mais de R$ 15 milhões. Com isso, os serviços telefônicos foram cortados, e o mesmo pode ocorrer a qualquer momento com outros serviços essenciais como água e luz, e com o fornecimento de gases. Também por conta da falta de pagamentos, professores e estudantes estão dependendo de doações para alimentar animais usados em pesquisas, além de terem de usar recursos pessoais para evitar o colapso total de suas pesquisas.

Para mim que estou na Uenf desde janeiro de 1998, o que mais impressiona nessa situação toda é o completo cinismo por parte dos membros do (des) governo estadual com o que está ocorrendo numa das principais universidades brasileiras. A completa indisposição para qualquer medida elementar que tire a Uenf (e a Uerj e a Uezo) do coma é algo inédito. E note-se que desde 1998 já experimentei as políticas de Marcelo Alencar, Anthony e Rosinha Garotinho, e de Sérgio Cabral  Mas de longe, o governo Pezão/Dornelles é o que tem tido a posição mais antagônica e indiferente com as universidades estaduais.

Em função disso é que considero as greves em curso nas universidades estaduais a única saída para enfrentarmos de forma efetiva a política de sucateamento que é a ponta de lança da privatização das universidades estaduais. Ainda que as greves causem problemas para o andamento das universidades, não há como negar que sem elas a Uenf já teria passado de um estado comatoso para a morte.  É que as greves, com todos os defeitos que tenham, possibilitam que a verdadeira situação que vivemos não seja camuflada em fotos de ocasião e em compromissos vazios de políticos que efetivamente são mais parte do problema do que da solução.

Mas para que o movimento de greve possa vencer a indiferença do (des) governo estadual é fundamental que a população entendo que o ataque às universidades estaduais é, na verdade, contra o futuro do Rio de Janeiro.  Mas não será ocultando a gravidade do problema que vamos conseguir fazer esse convencimento. Assim, temos que continuar explicando incansavelmente o coma induzido pelo (des) governo do Rio de Janeiro e o papel da greve na cura.

# SOS UENF!

Reitor expõe situação dramática da Uenf. Uerj e Uezo vivem situações semelhantes

O reitor da Uenf, Luis Passoni usou seu espaço semanal no jornal Folha da Manhã (ver imagem abaixo) para expor a situação dramática em que se encontra a instituição que é considerada uma das melhores do Brasil.

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A falta de qualquer tipo de liberação financeira nos primeiros cinco meses de 2016 aumenta uma dívida que foi herdada de 2015. A ameaça que paira sobre a Uenf neste momento já ultrapassa a mera falta de serviços de água e eletricidade, alcançando áreas sensíveis como o fornecimento de gases e de ração para os diferentes tipos de animais que são usados em pesquisas. 

A permanecer essa situação, a perspectiva é de que ocorra um prejuízo milionário com a perda de equipamentos e o sacrifício de animais. Em ambos os casos, os impactos para um número significativo de pesquisas que, por sua vez,  implicarão em atrasos e a até a inviabilização de mestrados e doutoramentos.

Mas a situação extrema que é descrita pelo reitor da Uenf não é nada diferente do que está ocorrendo na Uerj e na Uezo. A imagem mostrada abaixo faz parte de uma campanha que está ocorrendo na Uerj que tem muitos dos seus espaços acadêmicos tomados pelo lixo que começou a ser acumulado pela cessação dos serviços terceirizados de limpeza.

uerj lixo

Contraditoriamente, como venho mostrando aqui neste blog, a situação de penúria completa a que as universidades estaduais estão sendo submetidas pelo (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles é muito diferente daquela em que se encontram as empresas beneficiadas por bilhões de reais em controvertidas isenções fiscais.

A mensagem neste caso é claro: as universidades estaduais têm importância zero para esse (des) governo que na prática se tornou um despachante dos interesses privados que se apoderam a cada dia de parte substancial da renda gerada pelo recolhimento de impostos. É essa a verdade que precisamos encarar de frente para que não a cantilena fajuta da crise dos royalties do petróleo continue a ser aceita como verdade absoluta.

A verdade nua e crua é que este é um (des) governo antipopular que não possui o menor compromisso com um processo de desenvolvimento sustentável do ponto de vista social e ambiental. Simples, mas ainda assim muito trágico. 

Enquanto sobram as benesses dadas pela farra das isenções, universidades estaduais continuam sua agonia

No Rio de Janeiro sobram isenções fiscais controversas para todo tipo de empresa graças a uma verdadeira panaceia em prol de um suposto desenvolvimento econômico. Enquanto isso as três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo) continuam sendo empurradas para um processo de asfixia financeira sem precedentes.

Como mostrei em minha postagem anterior, o mecenato do (des) governo do Rio de Janeiro liberou mais R$ 8 milhões em isenções fiscais para projetos supostamente da área cultural, como o Rock in Rio 2015 e o Rio Open 2016 (mais de R$ 1.5 milhão apenas nesses dois casos). Entretanto, quase ao final do mês de maio, as universidades estaduais ainda não viram a cor do dinheiro para pagar as contas acumuladas de serviços essenciais como água e eletricidade.

Uma alma ingênua poderia perguntar como é que as universidades ainda não fecharam completamente. A resposta é simples: o funcionamento está sendo garantido de forma muito precária, muitas vezes com o sacrifício pessoal de professores, servidores e estudantes.  

Mas por quanto tempo será possível manter as universidades numa espécie de condição comatosa, sem que grandes danos sejam causados ao funcionamento de estruturas essenciais? Eu me arrisco a dizer que já estamos alcançando o limiar do colapso. Apenas na Uenf, várias pesquisas estão sob grave ameaça de serem descontinuadas, com prejuízos incalculáveis do ponto científico, mas também econômico. É que muitas dessas pesquisas possuem aplicação na melhoria de sistemas produtivos e sua interrupção comprometerá de forma inevitável a contribuição que as mesmas poderiam ter na economia.

Mas qual seria a lógica deste tipo de massacre financeiro que o (des) governo do Rio de Janeiro está impondo às nossas universidades? A explicação mais básica é que estamos na antevéspera de um processo de privatização cuja desculpa será que o estado perdeu sua capacidade de financiar as universidades. Esta mensagem tem sido ecoada por diferentes secretários do (des) governo comandado por Pezão e Dornelles.

Entretanto, basta examinar as isenções fiscais bilionárias que estão sendo concedidas por diversas secretarias que veremos que esse argumento é falacioso. O que está em jogo mesmo é a completa privatização do estado no Rio de Janeiro. E por ocuparem um papel tão relevante no imaginário social, as universidades, escolas e hospitais públicos são o meio pela qual a privatização do estado está sendo materializada. 

Defensoria pede na Justiça repasse de verbas para UENF, de Campos

UENF

A Defensoria Pública do Rio deu entrada, nesta quinta-feira (19), em ação civil pública para obrigar o governo do Estado a regularizar a transferência de recursos indispensáveis ao funcionamento mínimo da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes. 

O pedido à Justiça, em caráter de urgência,  é de que o Estado venha a liberar, até o dia 27 de cada mês, pouco mais de R$ 2,8 milhões, para pagamento das despesas de custeio e manutenção das atividades básicas da instituição. Ainda de acordo com o pedido da Defensoria, no dia 30 de cada mês o Estado deve apresentar documentos que comprovem a efetiva transferência de valores. 

As dívidas da UENF, acumuladas desde agosto do  ano passado, quando foi interrompido o repasse de recursos previstos no orçamento, chegam a quase R$ 17 milhões.  Os estudantes bolsistas receberam o último pagamento em janeiro, contas de água e telefone estão em débito, os serviços de vigilância foram reduzidos drasticamente e até mesmo a ração dos animais, utilizados nas atividades de pesquisas da instituição, vem de doações ou sai do bolso dos próprios professores. A instituição também tem registrado evasão escolar acentuada, que é contraditória com a excelência do ensino oferecido, pela falta do pagamento das bolsas.

 – A UENF foi a primeira universidade  brasileira onde todos os professores têm doutorado.  A ênfase na pesquisa e na  pós-graduação é sem paralelo na história da universidade brasileira. A instituição representa o sonho de várias gerações, que contribuíram para sua criação, não podendo ser esquecido o relevante papel que desempenha para o Estado do Rio de Janeiro, por ser centro de excelência científica e tecnológica, objetivando a redução das desigualdades sociais e melhora geral nos índices educacionais da região Norte Fluminense  – destaca o defensor público Tiago Abud, autor da ação civil pública. 

A iniciativa em favor da Universidade Estadual do Norte Fluminense é similar à outra, vitoriosa e também ajuizada pela Defensoria Pública, em favor do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), ligado à UERJ, 

 No início de maio, a Coordenadoria de Justiça e Tutela Coletiva da Defensoria Pública obteve na  Justiça liminar determinado que o Estado repasse ao hospital, sempre até o dia 27 de cada mês, o valor de R$ 7 milhões.  O diretor do HUPE,  Edmar José, anunciou na segunda-feira (15), que a garantia dos recursos permitirá a reabertura de uma centena de leitos e o funcionamento de salas de cirurgia e do serviço de radiologia. 

FONTE: http://www.defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/2627-Defensoria-pede-na-Justica-repasse-de-verbas-para-UENF-de-Campos

Uenf em crise: navegar na realidade, é preciso!

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A explicitação da grave crise que ameaça o funcionamento da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi alvo de uma coletiva de imprensa convocada pelo reitor da instituição, Prof. Luís Passoni, e está tendo uma ampla repercussão na mídia regional (Aqui!Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!).

De fato, a situação que Uenf atravessa é muito grave, pois as dívidas acumuladas giram em torno de R$ 11 milhões, incluindo as contas de água, luz e telefone. Com isso, paira sobre a instituição criada por Darcy Ribeiro a possibilidade de fechamento imediato, já que sem água e luz não haverá como garantir o  seu funcionamento básico.  O prejuízo desse fechamento seria imenso, pois as centenas de projetos de pesquisa e extensão, bem como as atividades de ensino estariam solapadas e comprometidas por um bom tempo.

Agora curiosa é a reação dos setores que ocuparam a reitoria da Uenf por quase uma década. Confrontados com a presença de um reitor que explicita a realidade em que efetivamente a universidade está vivendo,  esses setores estão denunciando nas redes sociais o reitor por supostamente colocar de volta na mesa de ações do (des) governo do Rio de Janeiro a possibilidade de que a Uenf seja absorvida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Esse tipo de reação é problemática, pois joga mais água no moinho da confusão já que se aluda a um cenário improvável para se questionar a decisão de mostrar a crise como ela está. Mas, por outro lado, explicita a dificuldade de que os que foram apeados da reitoria pelo voto democrático possuem em enfrentar a realidade que ajudaram a construir a partir de uma postura em que objetivamente se escondia a crise de financiamento na qual a Uenf foi imersa pelo (des) governo do Rio de Janeiro sob a batuta de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

O fato é que não há a menor possibilidade de que a Uenf seja absorvida pela Uerj neste momento histórico. Por um lado, a Uerj mal consegue dar conta dos seus próprios problemas e, por outro, a identidade institucional da Uenf está tão bem demarcada que não haveria como implementar o seu rebaixamento à condição de uma mera seção da sua irmã mais velha.

Agora, melhor seria se os que hoje repercutem esse tipo de anti-propaganda contra as ações de transparência da atual reitoria. Quem sabe assim, pelo menos, esses setores saiam do seu mundo de “Alice no País das Maravilhas” e acordem para a dura realidade em que nos encontramos. A Uenf e a população do Norte Fluminense agradecem!

(Des) governo Pezão e seu script para as universidades estaduais: precarizar para depois privatizar

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Vista de longe a situação crítica que as universidades estaduais do Rio de Janeiro estão vivendo sob o tacão do (des) governador Luiz Fernando Pezão e sua versão paroquial, mas radical, de neoliberalismo não parece diferente do que se passa no resto do serviço público.

Meses de contas atrasadas colocam em risco a oferta de caros serviços privatizados de segurança e limpeza, deixam mudos os telefones, ameaçam com um apagão inédito e trazem o espectro das torneiras secas. Isso sem falar no sucateamento das atividades acadêmicos com atrasos inexplicáveis em bolsas estudantis que atacam o coração do que é mais estratégico no funcionamento das universidades: a formação de profissionais capacitados e novos líderes para o desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro. 

À primeira vista, a agonia financeira das universidade é uma consequência da crise econômica e da queda dos preços do petróleo. Entretanto, os valores dos orçamentos das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo) já vinham caindo paulatinamente, mesmo quando os preços do petróleo estavam no seu patamar mais alto. Em outras palavras, a crise que hoje ameaça paralisar as universidades é algo mais antigo e bem mais planejado do que análises superficiais parecem querer indicar.

Do ponto vista de alguém que está trabalhando na Uenf desde 1998, tive que tratar com diferentes governantes que impuseram altos e baixos à instituição criada por Darcy Ribeiro parece ser uma ponte para um futuro melhor para o interior ao norte da cidade do Rio de Janeiro. E posso afiançar que a maioria dos meus interlocutores não possuía a menor preocupação com estratégias de desenvolvimento a partir do conhecimento gerado nas universidades. 

E, convenhamos, não é por falta de dinheiro que as universidades se encontram nessa situação calamitosa. Basta ver os bilhões de reais que já foram entregues à AMBEV e à Cervejaria Petrópolis em troca de sabe-se-lá-o-quê.

Mas qual é então a diferença fundamental que os anos inaugurados pela chegada de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara? Para mim é que se fez uma opção preferencial pela privatização completa do Estado, num cenário em que universidades são um estorvo por produzirem conhecimento reflexivo e crítico.  E para sufocar essa capacidade criativa das universidades é que está impondo um cerco digno daquele que os nazistas impuseram à cidade russa de Stalingrado durante a segunda guerra mundial.  Desse cerco é que decorrem todas as mazelas que citei no início desta postagem.

A questão que surge é a seguinte: a quem cabe o papel de defender as universidades estaduais que estão sob ameaça deste projeto de precarização para serem depois privatizadas? Obviamente os primeiros na fila são os que estão dentro das universidades, seja como servidores ou como estudantes. Mas se a defesa das universidades ficar circunscrita aos que nelas estão é quase certo que o desmanche se tornará inevitável. Por isso, é preciso sensibilizar e mobilizar setores mais amplos da população, especialmente aqueles que têm mais a ganhar com as mudanças positivas que universidades públicas fortes trazem.  Para isso, os opositores do desmanche que existem dentro das universidades vão precisar ultrapassar seus discursos corporativos para conseguir demonstrar a real importância que essas instituições ocupam num futuro socialmente mais justo.

Se isto não for feito, e rápido, o mais provável é que o Rio de Janeiro fique cada vez mais para trás no desenvolvimento científico e tecnológico. E, sim, passaremos para a história como o estado que entre a ciência e cerveja, preferiu a segunda.

Matéria do El País mostra situação crítica do Hospital Universitário da UERJ

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A mídia internacional continua dando um baila de informações na sua contrapartida nacional em termos de oferecer informações detalhadas da pindaíba em que se encontra o Rio de Janeiro por conta do desastroso (des) governo de Luiz Fernando Pezão.

A matéria abaixo mostra a situação de caos que impera no Hospital Universitário Pedro Ernesto  (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que hoje se encontra virtualmente paralisado por faltas de condições básicas de funcionamento.

Mas preciso a jornalista María Martín se dar ao trabalho de comparecer ao Hupe munida provavelmente de papel, caneta e um telefone celular com câmera fotográfica para que saibamos a profundidade do abismo em que um dos maiores hospitais públicos do Rio de Janeiro foi metido.

E frise-se que o Hupe está a uma distância mínima do Estádio do Maracanã que deverá ser utilizado para os jogos de futebol dos Jogos Olímpicos de 2016. Imaginemos então o que anda se passando com outros hospitais públicos – municipais e estaduais- que não ficarão próximos da rota dos jogos!

Enquanto isso, a Cervejaria Petrópolis e a Ambev são beneficiárias de isenções fiscais milionárias. E é essa a cara do (des) governo Pezão que a mídia corporativa do Rio de Janeiro não quer mostrar!

Radiografia de um hospital em crise

Uma volta pelo Hospital Pedro Ernesto mostra a pior face da crise na saúde do Rio

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Corredor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio. M. Martín

Por MARÍA MARTÍN

No dia em que não consegue levar sua própria agulha ao hospital, Jorge Pereira, de 54 anos, sabe que lhe espera um procedimento longo e doloroso. Jorge convive há quatro anos com os rins e o fígado transplantados e hoje depende de um tratamento semanal para retirar líquidos do seu abdômen. “Os hospitais deixaram de comprar agulhas tão grandes porque são mais caras, mas as pequenas, depois de determinada quantidade de líquido, se dobram e tem que trocar. Assim acabo furado até cinco vezes”, lamenta na recepção do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A crise nos hospitais do Rio chegou a um limite em que os pacientes levam as fraldas e as agulhas de casa. O Pedro Ernesto, referência em radioterapia e quimioterapia, maternidade de alto risco, cirurgia cardíaca, hemodiálises e transplantes, funciona hoje na precariedade. O principal problema é que os serviços de limpeza, lavanderia, manutenção, segurança e cozinha deixaram de funcionar regularmente porque os funcionários terceirizados, que ganham pouco mais que um salário mínimo, não recebem há dois meses. Assim, as lâmpadas que quebram não são trocadas, os aparelhos médicos não são consertados, as pias ficam entupidas, os banheiros, sujos e as lixeiras, cheias.

À falta de pagamento do Estado, que reconhece dever 1,4 bilhão ao sistema de saúde e arrasta uma media de atraso nos pagamentos às empresas de até quatro meses, somam-se os atrasos da Prefeitura, denuncia a diretoria do hospital. Ela é responsável por depositar cerca de 20% do orçamento do centro, repassado a ela pelo SUS, e que corresponde aos procedimentos realizados pelo centro. “A justificativa é que os recursos estão sendo destinados às emergências dos hospitais municipais [sobrecarregadas com as dificuldades dos centros estaduais]”, afirma o diretor Edmar Santos, recém empossado. A Prefeitura, que não informa das datas específicas de quando os repasses devem ser feitos, afirma que os pagamentos estão “dentro do cronograma”.

el pais 2Lixo em uma das enfermarias do hospital.

É com esse dinheiro, cerca 3,5 milhões de reais mensais, que se compram os insumos, hoje em falta na enfermaria de doenças infecciosas, onde não há fraldas, à de pediatria, onde não há gazes esterilizadas para fazer curativos. Uma lista na central de distribuição de material do centro já avisa no balcão: “Não há: fraldas, torneirinhas [que permitem a infusão intravenosa de várias soluções], Transofix [dispositivo para mistura de medicamentos em frascos], Jelco [cateteres], Nasodrem [para o tratamento da sinusites], lâminas de bisturi, coletor fechado [de urina]…” “Sempre vivemos momentos cíclicos em que falta alguma coisa, mas chegar a zerar as gazes é chegarmos a uma situação limite”, explica uma das responsáveis pelo serviço de enfermaria.

Os tapumes para tampar algumas janelas, goteiras, sacos de lixo em algumas esquinas e falta de manutenção geral de paredes e do sistema elétrico e hidráulico revelam que a crise não é de hoje. “Isto já vem acontecendo há anos, mas a situação hoje é crítica”, revela um veterano doutor. “Esse hospital, por ser universitário, tem que ter um tratamento diferente dentro do poder público, e ele, apesar de ser referência da rede, está sendo tratado como mais um centro”, reclama seu diretor.

el pais 3Jorge Pereira, de 54 anos, traz as próprias agulhas de casa.

Nos corredores, a calma se estende enquanto o hospital se esvazia. O centro, que conta com cerca de 480 médicos, 380 enfermeiros e mais de 1.100 técnicos de enfermagem, resolveu suspender no sábado novas internações. As cerca de 25 cirurgias realizadas por dia também foram canceladas na sexta-feira, porque o teto desabou devido à infiltração da chuva. Nenhum aparelho foi danificado, mas, sem faxineiras, a limpeza das salas estava sendo feita só nesta quinta-feira, quase uma semana depois. Os professores e doutores chegaram a discutir a possibilidade de eles limparem para retomar os procedimentos, mas finalmente a empresa responsável pelo serviço enviou funcionários de fora do hospital. “Está todo contaminado, vamos demorar muito mais em acondicionar todo de novo”, lamentavam os técnicos de enfermagem na correria do mutirão de limpeza. Não há previsão para voltar à normalidade e a sala de cirurgias, se for possível funcionar na semana que vem, será apenas para procedimentos de urgência.

Sem receber, a auxiliar de serviços gerais Ana Lucia Alla dos Santos resolveu formar parte da escala de serviços mínimos que atende o hospital, enquanto muitos dos seus colegas, como já fizeram no mês de setembro também por falta de pagamento, estão na entrada de braços cruzados ou com um microfone na mão reclamando seus direitos. Ela faz o básico, recolhe o lixo, passa um paninho, mas não limpa as paredes do banheiro nem lava o chão. Tem 59 anos e recebe 980 reais por mês. “Estou devendo o aluguel, a luz e já cortaram meu celular”, lamenta Ana Lucia, que diz não ter recebido o salário de dezembro, nem metade do décimo terceiro. “Eu tive essa consideração com os pacientes, mas isto não pode continuara assim”.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/21/politica/1453410402_869229.html