Equipe de pesquisadores da UENF e da UFRJ faz coletas entre Regência e Mariana para estudar os impactos ambientais do incidente da Samarco (Vale+ BHP Billiton)

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Uma equipe de pesquisadores ligados ao Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e do Laboratório de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou um périplo entre Regência (ES) e Mariana (MG) para coletar amostras de água e sedimentos do Rio Doce. A intenção desta expediência científica foi coletar material para realizar um estudo de amplo espectro acerca dos impactos físico-químicas que o rejeitos que escaparam da represa da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) deverão ter sobre o sistemas bióticos e abióticos dentro do Rio Doce e seus afluentes diretos.  

A expectativa em torno dos resultados dessa expedição e do potencial que a mesma possui para que se estabelece um entendimento científico qualificado do que efetivamente ocorreu em Mariana se dá pelo fato não apenas por causa da alta capacidade analítica instalada nos dois laboratórios, mas também porque os pesquisadores envolvidos possuem longa experiência em pesquisas que relacionam diferentes compartimentos ambientais.

Uma informação que me deixou surpreso foi de que durante a visita à área onde fica a barragem Fundão, os pesquisadores verificaram que o vazamento dos rejeitos ainda não havia sido totalmente controlado e que ainda havia material escapando para a calha do Rio Doce quase 20 dias após o início do incidente no distrito de Bento Rodrigues. Essa é uma informação muito importante, mas que estranhamente não vem aparecendo na cobertura da mídia corporativa.  

A continuidade do vazamento dos rejeitos, ainda que em volume muito menor ao que ocorreu nos primeiros dias do incidente, levanta uma série de questões sobre a efetiva amplitude do derrame de rejeitos, seja em quantidade de material, mas também no tocante na distribuição temporal do problema. É que somadas as dimensões de tempo e espaço, o que pode se ter para começo de conversa é que quaisquer sinalizações de que o problema já foi superado serão precoces, levando a erros de estimativa, por exemplo, no tratamento da água que será disponibilizada à população dos municípios atingidos pelo tsunami de rejeitos. Além disso, a ampliação do duração do evento também deverá trazer complicações para o início da recuperação da fauna e da flora que foram e estão sendo duramente atingidos pelo derrame de rejeitos.

UFRJ: é grave a crise

Reitoria recomenda a paralisação de atividades em toda a UFRJ

A decisão foi tomada agora há pouco, durante reunião entre a Administração Central, decanos e estudantes que ocupam a reitoria da universidade. Após pressão do movimento estudantil e diante de trabalhadores vivendo em situação análoga à escravidão, o reitor Carlos Levi declarou que todas as unidades serão recomendadas a paralisarem suas atividades na segunda-feira, dia 18, quando haverá reunião entre a reitoria da UFRJ e o Ministério Público do Trabalho.

Ao fim do dia, outra reunião será convocada, dessa vez com participação também de diretores de unidades, para avaliar a situação dos terceirizados. “Caso permaneça em aberto a situação e não seja confirmado o pagamento devido aos trabalhadores, permaneceremos com as atividades suspensas”, disse.

Foto de Adufrj SSind.
Foto de Adufrj SSind.

Entrevista com Roberto Leher, reitor eleito da UFRJ

A submissão da universidade aos “mercados”” 

“Roberto Leher, professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Com um extenso trabalho de pesquisa em políticas públicas na educação, Roberto Leher falou-nos do ensino universitário e da produção académica, da investigação científica e da ideologia neoliberal aplicada à educação. – Entrevista conduzida por Pedro Almeida Ferreira e Raquel Varela

O que é que pensa do processo de avaliações externas e da medição da produtividade do trabalho universitário por número de publicações em revistas científicas?

No Brasil, a avaliação externa de toda a pós-graduação é feita pela CAPES (Coordenação do Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior ). Esta determina prazos para mestrado e doutoramento, estabelece a quantidade mínima de publicações por docente em revistas por ela qualificadas e, conforme a pontuação do programa de pós, atribui uma nota que pode ir de 1 a 7. Entretanto, nem todos programas podem obter a nota 7, a despeito de sua qualidade, pois este conceito é restrito a 3 ou 5 programas por área em todo país. É um campeonato em que a maioria, apesar da febre produtivista, ficará para trás. Programas com índice igual ou inferior a 3 podem ser fechados. A coerção económica dá-se pela associação entre a nota obtida e o número de bolsas para os estudantes, bem como o apoio a projectos de pesquisa, etc. É uma forma de submeter o trabalho acadêmico às diretrizes gerais do Estado e do mercado, em total desconsideração com a prerrogativa da autonomia universitária constitucionalmente assegurada em 1988.

Não se verifica o mesmo rigor da aferição do desempenho nos novos campi universitários públicos e nos Institutos Federais de Educação Tecnológica. Nestes, os cursos são muito semelhantes aos que, na Europa, seguem o Protocolo de Bolonha — cursos de 2 ou 3 anos. Os professores que atuam nestes cursos dificilmente conseguirão seguir para a pós-graduação e terão de se conformar com a docência em cursos massificados, em geral, com turmas com enorme número de estudantes. Nas instituições privadas, responsáveis por 75% das matrículas, a situação é muito mais grave. É uma educação aligeirada, um genocídio intelectual.

A obsessão de que a única produção académica relevante é a veiculada pelas revistas qualificadas pela CAPES, relaciona-se com o que podemos chamar de “rotas de excelência” e com o que é dado a pensar na universidade. As pequenas recompensas materiais que o Estado assegura a alguns pesquisadores — bolsas, recursos para os projectos, viagens, etc. — não são para todos. É preciso criar bloqueios. As revistas são a forma aparentemente “neutra” e “legítima” de segregação, de selecção, de estabelecer os temas desejáveis. O espaço das revistas pertence sobretudo aos “excelentes” que fazem pesquisas “pertinentes”. No entanto, mesmo estes estão presos, em sua maioria, aos interesses das corporações, desenvolvendo “inovação tecnológica”, e de programas de governo, especialmente relacionados com a gestão tecno-científica da pobreza e do controle social. O poder simbólico destes pesquisadores no campo científico decorre em grande parte da capacidade de captação de recursos. Existem excepções, grupos de pesquisa que, apesar de não estarem inseridos na lógica imediata do capital, sobrevivem nesse sistema, mas com alto custo pessoal.

De que forma é que essa captura da universidade pelo capital empobrece a investigação científica e a liberdade do docente?

Eis a grande questão! O Estado, que estruturou o capitalismo monopolista durante a ditadura-militar do Brasil, apropriou e incorporou conhecimento em vários domínios — energia, telecomunicações, engenharias etc. — com as empresas estatais. À medida que estas foram privatizadas, os seus departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento foram fechados. Hoje, as universidades prestam esses serviços e muitos professores viraram funcionários de corporações. Em Berkeley, o Instituto de Biociências e Energia e, na Universidade de São Paulo, a Escola Luiz de Queiroz, recebem recursos da coalizão liderada pela British Petroleum para monopolizar o conhecimento, e a produção, da agro-energia mundial, o etanol. Cabe indagar: como estes grupos financiados pela corporação poderão avaliar de modo isento os impactos sócio-ambientais desta forma de produção de energia?

A situação paradoxal é que grande parte dos recursos de pesquisa é destinada a inovação tecnológica; contudo, a inovação, nos Estados Unidos e nos países do G7, ocorre fundamentalmente dentro das empresas e não na universidade! No Brasil, como realidade geral, a inovação tecnológica, no sentido próprio do termo, não existe! Somos um país capitalista dependente, inserido em circuitos produtivos em que o grosso da produção industrial já recebe tecnologia pronta! Então, o que a universidade está fazendo é simplesmente prestar serviços para corporações que nem sequer necessitam investir em laboratórios e em pessoal qualificado e, ao adquirir um serviço, desembolsar seus próprios recursos, pois os referidos serviços contam com recursos públicos do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa, actualmente chamado Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social )…

Há, assim, um novo ethos académico: o do professor-empreendedor, em que a universidade é uma peça na engrenagem do capital. A minha hipótese é que uma das novas funções da universidade é aumentar o exército industrial de reserva.

Explique-nos melhor essa hipótese.

O grande desafio da última década foi a socialização do que os pós-modernos chamam de “excluídos”, os que estão afastados do controle estatal ou de uma socialização que os integre como força de trabalho.

Nos anos 90, o desemprego cresceu muito no Brasil — chegou a 45 ou 50% entre a população jovem mais explorada, tal como hoje em países europeus. A força de trabalho desempregada ou em rotação de trabalhos já mantinha os salários muito baixos, por isso, os jovens das favelas, por exemplo, não se viam como potenciais assalariados e procuravam formas alternativas de vida, trabalhos informais, etc.

Com o ciclo expansivo 2003-2008, foi necessário fazer com que essa juventude das periferias das grandes cidades se percebesse como força de trabalho potencial. Existem “programas focalizados” para cada fracção da classe trabalhadora até então fora do mercado de trabalho: programas de educação para jovens negros e para mulheres jovens da favela – mas, se examinarmos as condições em que acontecem, percebemos que são cursos que asseguram tão somente rudimentos de conhecimentos, em geral, mais ligados à socialização condizente com o “espírito do capitalismo”.…

E a educação joga esse papel com o ensino profissional…

Sim. O ensino profissional é estratégico. Para uma grande parte da população, começa a abrir-se a possibilidade de educação superior e de formação profissional pós-ensino médio, pois a taxa bruta de matrículas na educação superior ainda é muito baixa, 28%. Mas, no Brasil, 75% das matrículas na educação superior – e de formação profissional é ainda maior! – são privadas e mercantis. A educação superior está a ser ocupada pelos sectores com fins lucrativos, e já não são, como até 2005, empresas familiares, agora são sectores financeiros, vinculados a bancos que organizam fundos de investimento…

Uma das grandes conquistas da revolução em Portugal foi o ensino unificado, que vem sendo destruído. Nos anos 90, com as medidas chamadas neoliberais, criou-se a via de ensino e a via científica na formação universitária. Observa isto no Brasil?

No processo de redemocratização, lutámos, como vocês, para ter universidades capazes de assegurar uma formação geral, culturalmente ampla e científica, para que todos tivessem uma visão integrada, inventiva e crítica do seu labor. Mas isso vem sendo duramente combatido há muitos anos. Em meados da década de 1990, o presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu uma disjunção entre a formação profissional em nível médio e a formação propedêutica, científica, impondo um sistema de educação profissional que não formava os jovens, mas os treinava para o trabalho simples. E é esse o modelo dos actuais Institutos Federais e, sobretudo, do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), um vasto programa de formação utilitarista, voltado para o adestramento dos jovens, ofertado principalmente por organizações de ensino privadas, vinculadas aos sindicatos patronais, mas mantidos com verbas públicas. Quando as entidades patronais reclamam da falta de mão de obra qualificada, em rigor estão reclamando da baixa escolaridade dos jovens que os afasta do exército industrial de reserva, situação que preocupa o patronato, pois o modelo económico brasileiro tem como fundamento a superexploração do trabalho.

A preocupação com a chamada sociedade do conhecimento é puramente proclamatória. No Brasil foi criado um programa, que seria financiado com verbas do Estado e das empresas, chamado “Ciência sem Fronteiras”, para que jovens fizessem parte da graduação em universidades na Europa e Estados Unidos. O programa foi criado, mas as empresas não cumpriram sua parte, colocando recursos para ampliá-lo!

Por quê?

Não está na estratégia empresarial organizar um sector de pesquisa e desenvolvimento próprio. A associação com o imperialismo permite que as fracções burguesas locais tenham lucros exorbitantes. O Brasil, hoje, regride na sua base produtiva. Tem uma industrialização importante, mas de menor sofisticação tecnológica. Mesmo a agricultura possuiu hoje uma base tecnológica muito mais subordinada do que a dos anos 70. A chamada revolução verde exigia domínio da genética e de estudos sobre evolução e ecologia, pois as sementes híbridas tinham de estar adaptadas aos ecossistemas brasileiros. Mas hoje, o padrão dos transgénicos da Monsanto não exige isso! A simplificação da formação universitária não é um problema geral para o sector produtivo.

O aumento do exército industrial de reserva com formação precária é estratégico para a organização do capital ou é consequência de uma educação mercantilizada? Pergunto isto porque, em Portugal, vemos empresas a pedir engenheiros pré-Bolonha…

Cá, a Petrobras também não aceita candidatos para as engenharias, vindos desses cursos aligeirados. É uma contradição que não deixa de ser irónica! O sistema de pós-graduação existente nas áreas consideradas prioritárias cumpre esse papel de fornecimento de força de trabalho com maior sofisticação em áreas muito específicas.

Em relação ao grosso da força de trabalho, a formação é precária e brutal mas funcional ao capital. No Brasil, mais de 1 milhão de jovens – 16% das matrículas no ensino superior, sendo 84% em organizações privadas – estão a fazer cursos à distância, i.e., sem presença em laboratório. Teremos químicos que nunca viram uma pipeta, biólogos que nunca viram um microscópio!

Mais do que o interesse pragmático de formação da mão-de-obra para postos de trabalho x, y ou z, a preocupação parece ser a governabilidade. A preparação da força de trabalho é construída a partir de uma plataforma de socialização para o ethos capitalista. A partir daí, constroem-se competências mais específicas para padronizar a força de trabalho e facilitar a mobilização do capital.

O que acha dessa palavra, “competências”?

À medida que foram feitas algumas teses de doutoramento e estudos mais sistemáticos sobre esta questão, tornou-se claro que a noção não tem origem na educação. Ela surge nos processos de reestruturação produtiva, na Europa e Estados Unidos, a partir dos anos 70 e, mais nitidamente, nos 80. Surge vinculada à fragmentação do trabalho e da identidade do trabalhador, para destruir o conceito de carreira, de categoria profissional, que sustentava a organização sindical..

Mas a mente humana não opera por meio de “competências”! Isto não tem suporte científico! É ideológico. Diz-se que o manejo do conhecimento se dá por via de “competências” que devem ser aferíveis e quantificadas por testes como o PISA ou, aqui no Brasil, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O objectivo é definir mundialmente por meio do Projecto Tunning o que os organismos internacionais desejam de um curso universitário, quais as “competências” básicas que deve garantir.

Não é também uma forma de criar mão-de-obra flexível?

Sim, o salário do trabalhador já não depende do contrato, varia de acordo com o desempenho. E como se afere desempenho? Em alguns sectores, se um trabalhador produziu 20 mercadorias e outro 25, então, este merece gratificação. Mas noutros é mais difícil. No sector de serviços, e mesmo na área das indústrias que não pertence à parte final da produção, foi necessário criar descritores aferíveis. Aí surgem as “competências”. É o mesmo movimento que o capital vem fazendo com os professores, o de passar de uma subordinação formal a uma subordinação real do Trabalho ao capital, de alcançar uma expropriação sem precedentes.

Na educação básica, isso é feito com o uso de cartilhas, livros aligeirados, materiais pedagógicos que o professor repete. Nesta situação, o docente não é protagonista das suas aulas: só aplica cartilhas. E quem as produz são as corporações. Aqui, no Brasil, é um grupo chamado Grupo Pearson, dono das maiores editoras do mundo, do Financial Times e The Economist.

Hoje, o que é que estamos a fazer na universidade?

É uma pergunta constrangedora. Há muitas formas de fazer universidade. E acho que há uma forma dominante, hegemónica, que está socializando a juventude para o capitalismo. A universidade está a ser direccionada para a formação da força de trabalho que o capital precisa. Existem contradições, com mediações específicas, mas é essa a tendência geral, e parece-me que foi naturalizada, legitimada.

Que papel devia cumprir a universidade numa sociedade desejável?

Historicamente, a função social da universidade foi constituída num processo de lutas em defesa de uma universidade que produzisse ciência e tecnologia, não que prestasse serviços. A maior preocupação, hoje, é a mudança dessa função social em prol da pesquisa e desenvolvimento, da inovação, algo que deveria ser realizado nas empresas.

Numa sociedade socialista, a universidade deveria ser espaço de convergências de movimentos sociais e pesquisadores. Se queremos uma agricultura agro-ecológica, temos de produzir e socializar conhecimento científico rigoroso sobre ecologia, sobre os solos, o uso cuidadoso das reservas aquíferas, trabalhar em prol da soberania alimentar, conhecer as sementes criollas (nativas), e isso exige conhecimentos produzidos em conjunto com os camponeses, os povos originários, são desafios epistemológicos e epistémicos.

A pesquisa sistemática, livre e em prol do bem viver dos povos é indispensável em todos os domínios. A humanidade está desafiada a produzir um outro horizonte civilizatório que não o da barbárie do capital. A universidade deveria ser uma instituição para isso!

FONTE: http://www.revistarubra.org/a-submissao-da-universidade-aos-mercados-entrevista-com-roberto-leher/

Esquerda faz história e vence eleição para a reitoria da UFRJ. Roberto Leher foi eleito reitor!

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Terminadas as apurações para a eleição para a reitoria da maior universidade federal brasileira, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra um resultado auspicioso: venceu a chapa 20 encabeçada pelo professores Roberto Leher (doutor em Educação e docente da Faculdade de Educação) e Denise Nascimento (doutora em Odontologia e docente do Departamento de Clinica Odontológica).

Dada a trajetória política de Roberto Leher e os compromissos programáticos estabelecidos pela chapa 20 é seguro dizer que temos uma vitória expressiva da esquerda numa instituição chave para a luta contra a privatização dos hospitais universitários e o desmantelamento do caráter público das universidades federais e estaduais.  Em outras palavras, a vitória da chapa 20 é a vitória dos que alinham na defesa de uma educação publica gratuita e de qualidade no Brasil!

Mas um aspecto fundamental nessa vitória é apontar para outras universidades públicas que passarão por eleições em 2015 que é possível derrotar os setores que estão encastelados nas reitorias apenas para agir como estafetas dos governos de plantão. 

No caso da UENF que a vitória de Roberto Leher e Denise Nascimento sirva como exemplo de que ninguém é invencível, e que é sempre possível vencer com propostas que apontam no sentido de construir universidades públicas gratuitas, democráticas e de qualidade. Afinal de contas, este é exatamente deste tipo de universidade que o Brasil mais precisa numa conjuntura histórica tão difícil e complexa.

UFRJ: carta aberta de apoio à CHAPA 20

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A eleição para Reitor da UFRJ, maior universidade federal do Brasil, se realiza num momento de dramática importância para sociedade brasileira, onde os avanços nas conquistas sociais e democráticas da cidadania rumo estão sob uma ofensiva do campo conservador.

Consideramos que apenas a CHAPA 20 – UFRJ autônoma, crítica e democrática  -, constituída por Roberto Leher e Denise Nascimento, reúne as condições de enfrentar os desafios colocados à UFRJ sobre o papel da educação e a missão da universidade pública no Brasil, neste contexto de forte confrontação de interesses.

Entendemos que a missão principal da UFRJ é a de produzir conhecimento de interesse público, isto é, ciência, informação e cultura orientadas para a construção de uma sociedade brasileira democrática, popular, soberana e internacionalizada. Consideramos que para isso é fundamental a autonomia universitária. Apenas por meio de sua autonomia pode a UFRJ colocar-se diante de governos, partidos políticos e empresas com a liberdade e a independência necessárias para promover sua função social, evitando o aparelhamento político e a subordinação à lógica do capital e do empreendedorismo. A voz da reitoria, em defesa dos interesses da população brasileira, deve ser a mesma que reivindica a educação pública contra os interesses do ajuste fiscal. Repudiamos a declaração da chapa concorrente de que a missão mais importante da UFRJ é a de produzir quadros para a pesquisa nas empresas. A conversão do conhecimento científico gerado na UFRJ em aplicações tecnológicas deve obedecer à lógica da promoção do interesse público e da socialização de seus benefícios e resultados. A interação universidade-empresa, fundamental para os interesses estratégicos da sociedade brasileira, deve vincular-se à defesa dos interesses nacionais ante o imperialismo e a dependência, à promoção da cooperação internacional solidária, bem como da igualdade e da diversidade contra as estruturas de exploração e opressão de nossa formação social

Saudamos o compromisso da chapa 20 com um governo compartilhado entre docentes, técnicos e estudantes, norma de um novo estatuto a ser elaborado por uma estatuinte e cuja orientação geral provirá de um congresso universitário. Consideramos que a democratização da universidade seja uma condição indispensável para o efetivo controle social da alocação de recursos e para a produção de conhecimentos, tecnologias e ações articulados às múltiplas demandas da sociedade brasileira

Da mesma forma, com grande entusiasmo, saudamos o compromisso da Chapa 20 com uma visão ampla de assistência estudantil e com o papel ativo da UFRJ na organização de uma cultura de emancipação da sociedade brasileira. A assistência estudantil deve ir muito além da bolsa e deve ser prioridade, requerendo a atuação da UFRJ como provedora de alimentação, moradia e infra-estrutura de pesquisa. A UFRJ deve se destacar também na produção de cultura, conhecimento e arte para a sociedade brasileira e os seus movimentos sociais, constituindo-se em centro de referência de criação artística, cultural e informacional livre e autônoma.

Por todas estas razões apoiamos com muita convicção e esperança Roberto Leher e Denise Nascimento para Reitor e Vice-Reitora da UFRJ na consulta à comunidade universitária que se realizará nos próximos dias 4, 5 e 6 de maio.

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ASSINAM:

Alan Tygel, Doutorando do PPGI/UFRJ, militante do MST e Campanha Nacional Contra os Agrotóxicos

Angela Ganem – Professora Colaboradora do Instituto de Economia/UFRJ

Aline Cristina Oliveira do Carmo – Professora da Educação Básica, Técnica e Tecnológica do Colégio Pedro II

Alexis Saludjan – Professor do Instituto de Economia/UFRJ

Alexandre Pessoa Dias – professor-pesquisador EPSJV/Fiocruz

Andre Videira de Figueiredo – Professor do Departamento de Ciências
Sociais/UFRRJ

Andre Varella – Professor do INEST-UFF

Anita Leocadia Prestes – Professora do PPGHCC/UFRJ

Antonio Ivo de Carvalho – Coordenador do Centro de Estudos Estratégicos –
FIOCRUZ

Aurelio Fernandes – Diretor do Centro Ruy Mauro Marini

Alex Faria – Professor EBAPE-FGV

Bernardo Kocher – Professor do Departamento de História/UFF

Bernardo Mançano Fernandes – Universidade Estadual Paulista – UNESP

Bernardo Salgado Rodrigues – Estudante de Pós-Graduação PEPI/UFRJ

Caio Navarro Toledo – Professor de Sociologia UNICAMP

Carlos Eduardo Martins – Professor do Departamento de Ciência Política/IFCS e do PEPI/UFRJ e Representante no CONSUNI/UFRJ

Carlos Kalifa – Economista IPEA

Carlos Henrique Aguiar Serra – Coordenador do PPGCP-UFF

Carlos Walter Porto Gonçalves – Professor do Departamento de Geografia/UFF

Claudia Mazzei Nogueira – Prof Associada UNIFESP

Claudia Ribeiro Pfeiffer – Professora do IPPUR/UFRJ

Daniela Manica – Professora do Departamento de Antropologia Cultural/UFRJ

Darlan Montenegro – Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRRJ

David Maciel. Professor Adjunto IV da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás

Denise Gentil Lobato- Professora do Instituto de Economia/UFRJ

Edson Miagusko – Chefe do Departamento de Ciências Sociais UFRRJ

Eurelino Coelho – Professor da Universidade Estadual de Feira de Santana

Francisco Carlos Teixeira da Silva – Professor Titular de História Moderna e
Contemporânea/IH/UFRJ.

Felipe Brito – professor do curso de Serviço Social da UFF/Rio das Ostras

Fernanda da Costa Vieira – Professora da Faculdade de Direito UFJF

Fernando Rabossi -Professor do Departamento de Antropologia Cultural/UFRJ

Gilberto Maringoni – Professor de Relações Internacionais da Universidade
Federal do ABC

Gisele Araújo – Professora da Faculdade de Direito UNI-Rio

Hiran Roedel – Técnico-administrativo UFRJ

Heloisa Fernandes – Socióloga USP

Hugo Brás – Representante Discente Congregação IFCS/UFRJ

Igor Fuser – Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do
ABC

Ivana Jinkings – Diretora da Editora Boitempo

Javier Amadeo – Professor do Departamento de Ciências Sociais/UNIFESP

João Sicsú – Professor do Instituto de Economia/UFRJ

Joana Coutinho – Professora de Ciências Sociais da Universidade Federal do
Maranhão

João dos Reis Silva Junior -Livre Docente em Educação USP
Julio Anselmo – Diretor do DCE/UFRJ e da ANEL

Leila Rodrigues da Silva – Professora do Instituto de História/UFRJ

Luana Siqueira – Professora do Departamento de Serviço Social/UFRJ

Luciana Boiteux – Professora do Departamento de Direito/UFRJ

Luiz Eduardo Motta – Professor do Departamento de Ciência Política UFRJ

Luis Fernando Novoa Pesquisador do ETTERN-IPPUR

Leonardo Valente – Professor do Departamento de Ciência Política UFRJ

Lucio Flávio de Almeida – Professor do Departamento de Ciências Sociais
PUC-SP

Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros – Antropóloga – Professora aposentada do IFCS/UFRJ

Manoela Pedrosa – Professora Instituto de História- UFRJ

Marcelo Carcanholo – Professor do Departamento de Economia UFF e Presidente da SEPLA

Marcelo Paixão – Professor do Instituto de Economia UFRJ

Marcelo Rangel – Técnico-Administrativo UFRJ

Marcos Del Roio – Professor da UNESP

Maria Orlanda Pinassi, professora UNESP Araraquara

Marildo Menegatti – Professor do Departamento de Serviço Social/UFRJ

Marcelo Castañeda – Pesquisador UERJ

Marco Mello – Professor do Departamento de Antropologia Cultural/UFRJ

Marcos Pedlowski – Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

Mathias Luce – Professor do IFCH/UFRGS

Maurício Vieira Martins – Professor de Sociologia UFF

Mauro Iasi – Professor do Departamento de Serviço Social/UFRJ

Miriam Limoeiro Cardoso, socióloga, Professora (aposentada) da UFRJ

Milton Pinheiro – Cientista Político, Professor da Universidade do Estado da Bahia

Nildo Ouriques – Presidente do IELA-UFSC

Oswaldo Munteal – Professor do Departamento de História-UERJ

Patricia Rheimemer – Professora do Departamento de Ciências Sociais/UFRRJ

Paulo Alentejano -Professor do Departamento de Geografia UFF

Paulo Passarinho – Economista e Apresentador do Programa Faixa Livre

Paulo D`Avila Filho – Professor do Instituto de Ciências Sociais – UERJ

Plínio de Arruda Sampaio Jr – Professor do Instituto de Economia da Unicamp

Ricardo Antunes – Professor Titular UNICAMP

Roberta Traspadini – Professora de Economia UNILA

Rogério Dutra – Professor da Faculdade de Direito UFF

Rosa Freire D`Aguiar – Membro do Conselho Deliberativo do Centro Celso Furtado

Rubens Sawaya – Professor do Departamento de Economia -PUC-SP

Ruy Braga – Professor do Departamento de Sociologia USP

Sedi Hirano – Professor Titular do Departamento de Sociologia USP

Sergio Romangnolo – Professor do Instituto de Artes UNESP

Silvio Sinedino. Vice-Diretor de Pessoal da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Sofia Pádua Manzano – Professora UESB

Tamara Tania Cohen – Professora IPPUR/UFRJ

Theofilo Rodrigues – Diretor da Associação Nacional de Pós-Graduandos

Vanessa Berner – Professora da Faculdade de Direito – UFRJ

Vanessa Martina – Jornalista do Portal Pero No Mucho

Valter Duarte Filho- Professor do Departamento de Ciência Política/UFRJ

Wilson Vieira – Professor do Instituto de Economia/UFRJ

Yasmin Motta – Representante Discente da Congregação do IFCS/UFRJ

Reitor da UFRJ emite nota de repúdio às prisões de manifestantes e violência policial no Rio de Janeiro

 

O Reitor da UFRJ, Carlos Levi, divulgou nota nesta quarta-feira (16/7), condenando as prisões preventivas contra manifestantes e a violência policial registrada no último fim de semana, no Rio de Janeiro. Confira abaixo a íntegra do documento:

Nota de repúdio

A UFRJ, historicamente comprometida com a democracia, com a liberdade de expressão e com a defesa intransigente dos direitos humanos, torna público seu repúdio a toda e qualquer ação que ameace direitos e conquistas que garantam a liberdade de expressão e a livre manifestação.

A UFRJ registra, portanto, a sua grave preocupação com os atos levados a cabo, no último sábado (12/7), com a busca e prisão preventiva de pessoas, com base na acusação de crime de formação de quadrilha armada.

A UFRJ condena também a violência policial que, mais uma vez, foi registrada no Rio de Janeiro contra civis, entre eles, diversos profissionais da imprensa.

Assim como destacado pela Anistia Internacional, a UFRJ demonstra sua preocupação com a repetição de um “padrão de intimidação” contra ativistas e manifestações populares democráticas.

Carlos Levi
Reitor da UFRJ

FONTE: http://www.ufrj.br/mostranoticia.php?noticia=14949_Nota-de-repudio.html