Coronavírus: Brasil lidera em infecções e mortes, mas Venezuela lidera testagem

Drive Through COVID-19 Testing Facility Expands In South FloridaBrasil lidera em infecções e mortes, mas quem lidera na testagem é a Venezuela.

Para quem ainda não conhece, eu recomendo o site “Worldmeters.info” que possui uma página atualizada em tempo quase real para várias estatísticas relacionadas à pandemia causada pelo coronavírus.  Eu visitei este  na tarde de hoje para verificar as estatísticas relacionadas aos 12 países e uma unidade ultramarina que formam a América do Sul, e os resultados são muito reveladores acerca do desempenho do Brasil no controle desta pandemia.

É que segundo os números disponíveis no “Worldmeters”, o Brasil possui o maior número de infectados e mortos pelo coronavírus, mas só possui índices melhores de testagem do que Bolívia e Guiana (ver figura abaixo).

Covid south america

Na questão da testagem, em termos de proporção por milhão de habitantes testados e no número de testes efetivamente realizados, a Venezuela é de longe a líder disparada com 203.208 testes realizados, com uma proporção de 7.143 testes por milhão de habitantes.  Enquanto isso o Brasil aplicou até agora míseros 62.985 testes, com uma taxa de 296 testes por milhão de habitantes. 

Mas a Argentina, um país que se encontra em dificuldades ainda maiores do que o Brasil, no mesmo período aplicou 22.805 testes, em uma taxa de 505 testes por milhão de habitantes.  O interessante é que possuindo uma população de 43.590.368 habitantes, a Argentina tem até agora 2.277 casos oficiais e um total de 102 óbitos por causa da COVID-19. Já o Brasil, com uma população de 211.291.881,00 habitantes, já alcançou 24.232 casos oficiais e 1.378 óbitos.  

A verdade é que toda as alegações de que o Brasil não seguiria as recomendações para aplicar testes para além dos infectados e suas famílias, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), está nos colocando em uma posição vergonhosa até na América do Sul, onde a maioria dos países não possui a mesma força econômica ou a estrutura hospitalar.

Com base nessas estatísticas, fico com a impressão ainda mais forte de que é falacioso o suposto embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o ainda ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS). É que por caminhos aparentemente diferentes, ambos estão deixando a população brasileira (especialmente os segmentos mais pobres) em um voo cego contra um vírus altamente letal. Em outras palavras, Bolsonaro e Mandetta são duas faces de uma mesma moeda.

Finalmente, é fundamental que haja um movimento amplo para se pressionar o governo federal para que disponibilize urgentemente uma grande quantidade de testes para que os estados e municípios possam ter algum controle sobre os polos de dispersão do coronavírus em todo o território nacional.

Uma pergunta aos donos da Folha de São Paulo: por que, na Venezuela, a dita é dura e não branda?

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Se me perguntarem se apoio o governo Maduro, a minha resposta é um simples não. Outra coisa diferente seria desconhecer a intrincada conjuntura que o governo bolivariano está posto por causa da intolerância de governos de direita da América ue decidiram apoiar os EUA em uma mudança de regime para a qual faltou consultar o maior interessado que é a maioria pobre da população da Venezuela. Aliás, olhando para a situação de países como Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e Equador, fica difícil saber em qual deles a situação objetiva dos pobres é melhor do que aquela experimentada pelos venezuelanos.

Entretanto, mais descarada do que a falsa preocupação democrática de governos que dentro de seus territórios não toleram nem um décimo do que o governo Maduro tolera de seus opositores é o tratamento parcial dado pela mídia corporativa brasileira ao que está acontecendo na Venezuela. Cito explicitamente o jornal Folha de São Paulo que, indo além do que diz até a mídia estadunidense, resolveu classificar Nicolás Maduro como sendo um ditador. 

Ainda que essa seja uma decisão editorial, vindo da Folha de São Paulo, essa classificação deveria ser acompanhada de uma explicação aos seus leitores do porquê dessa definição. É que a Folha de São Paulo é o mesmo veículo da mídia corporativa brasileira que relativizou o regime militar de 1964 e seu alcance autoritária sobre o Brasil quando o classificou como sendo uma “dita branda”.  

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Por isso é que me ocorreu a pergunta aos proprietários da Folha de São Paulo sobre a situação venezuelano: por que lá é dita (dura) e não dita (branda)?

Chegada de armas e tropas russas mostra que invadir a Venezuela não será um piquenique

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Ainda que mal disfarçada, a retórica que emana do Palácio do Planalto indica um embarque na invasão da Venezuela supostamente para dar fim ao que seria uma ditadura impiedosa.  A realidade dos fatos tem, entretanto, dificultado a passagem da retórica para as ações concretas, já que as forças armadas venezuelanas são talvez as melhores preparadas e armadas da América do Sul.

Pois bem, essa realidade acaba de ganhar tons ainda mais agudos com a chegada de dois aviões da força aérea da Federação Russa transportando tropas e equipamentos em Caracas no último sábado (23/03).

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Com isso, a Rússia está dando um recado claro aos EUA e seus aliados regionais no sentido de que parem de pensar que uma potencial invasão à Venezuela será um piquenique de fácil resolução.  

Enquanto há que se ver o que dirão agora deputados federais, a começar por Alexandre Frota (PSL/SP), que disseram que eram voluntários de primeira hora para participar da invasão de um país soberano que possui as maiores reservas conhecidas de petróleo do planeta. Será que com tropas e armamento russo em solo venezuelano, a disposição de ser voluntário continua a mesma? A ver!

The New York Times revela que aliados de Juan Guaidó queimaram caminhões de “ajuda humanitária” em possível operação de falsa bandeira

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Incêndio que destruiu caminhões com “ajuda humanitária” inicialmente atribuída ao governo Maduro foi efetivamente iniciada por aliados de Juan Guaidó, diz The New York Times.

Imediatamente após a fracassada tentativa promovida pelo governo de Donald Trump de fazer entrar à força caminhões com suposta “ajuda humanitária” na Venezuela a partir de pontos fronteiriços com o Brasil e a Colômbia no dia 23 de fevereiro, órgãos da mídia alternativa divulgaram a informação de que aliados do autoproclamado presidente da Venezuela, o deputado Juan Guaidó, haviam causado o fogo que destruir parte da frota.

Essa narrativa, entretanto, foi desprezada pela maioria da mídia corporativa no Brasil e fora daqui em prol de uma versão que jogava a culpa nas forças armadas da Venezuela que até agora se mantém fieis ao presidente Nicolás Maduro. Com isso se reforçou a ideia de que Maduro era um tirano insensível ao drama em que está imersa a maioria da população venezuelana.

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Infográfico mostrando onde se deram os conflitos que resultaram na queima de caminhões com material enviado pelo governo dos EUA.  Fonte: The New York Times

Pois bem, a versão alternativa dos fatos que culpava o governo Maduro foi abatida hoje por uma reportagem publicada pelo jornal estadunidense “The New York Times” e assinada pelos jornalistas Nicholas Casey, Christoph Koetl e Deborah Acosta onde fica indicado, a partir de vídeos produzidos no momento do incêndio, que foram os próprios aliados de Juan Guaidó que atearam fogo nos caminhões, no que se configura numa operação de “falsa bandeira”, muito usada por serviços de inteligência dos EUA para justificar ações militares contra governos controlados por desafetos (ver vídeo abaixo).

As revelações do “The New York Times”, ainda que tardias em relação à mídia alternativa, criam uma complicação a mais para os que defendiam o uso da força militar para remover Nicolás Maduro do poder para instalar Juan Guaidó como uma espécie de “garantidor” da democracia na Venezuela.

A questão que fica agora é sobre o destino do próprio Juan Guaidó que está se mostrando incapaz (pelo menos até agora) de entregar o que prometeu a seus aliados dentro e fora da Venezuela.  Essa demora de assumir o poder de fato na Venezuela certamente poderá custar caro ao jovem deputado.

Finalmente, fica a lição: em conflitos como o que está acontecendo na Venezuela, onde os interesses das potências mundiais estão em choque, as coisas nem sempre são o que parecem ser (ou que querem que nós acreditemos). 

O curioso caso venezuelano e um inquieante paralelo Brasil

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Ao contrário do esperado pelos adversários e por parte significativa da mídia corporativa, comandantes militares venezuelanos ratificam seu apoio ao regime chavista e a Nicolas Maduro.

Se uma liderança parlamentar de esquerda resolvesse repentinamente se proclamar presidente em exercício do Brasil por causa da aparente incompetência de um governo de extrema-direita, sabemos que muito provavelmente essa proclamação seria respondida com a prisão do proclamador.

Já na Venezuela, a autoproclamação de Juan Guaidó foi não só reconhecida rapidamente pelo governo de Donald Trump, mas também por um par de governos de direita na América Latina, numa velocidade que não deixa ocultar o grau de articulação que houve para que o lider da inoperante assembleia nacional resolvesse correr o risco que correu e continuará correndo, quaj seja, de ir parar na prisão.

Tenho acompanhado a cobertura internacional desde o ponto privilegiado em que estou no momento que é a cidade de Lisboa. Sem adentrar em muitos dos detalhes da cobertura que está sendo dada que difere de veículo para veículo, um aspecto é reforçado quase no tom de esperança. Esse aspecto seria a possibilidade dos níveis inferiores das forças armadas venezuelanos romperam a disciplina militar para apoiar Juan Guaidó. Em outras palavras, a mídia corporativa brasileira e mundial aposta na ruptura da estrutura da disciplina militar para viabilizar a derrubada de Maduro. Em outras palavras, a mídia corporativa reconhece a incapacidade política de Guaidó de acabar com o ciclo chavista na Venezuela, e aposta na anarquia militar.

Até agora essa esperança não está sendo acompanhada dos fatos como mostra o vídeo abaixo, pois os líderes militares venezuelanos parecem firmes na defesa de Nicolas Maduro e, consequentemente, contrários às pretensões de Juan Guaidó e seus apoiadores externos, a começar pelos governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro.

 

Sem o apoio militar não há como alcançar a substituição de Maduro por Guaidó. Isso, contudo, amplifica ainda mais a dependência do presidente venezuelano de seus comandantes militares.  Esta dificuldade fica maior ainda quando se verifica que também todas as estruturas de estado da Venezuela (com exceção da assembleia nacional) apoiam a permanência de Nicolas Maduro no poder.

O curioso é que no Brasil está se vendo após meros 25 dias de governo o mesmo tipo de dependência em relação ao apoio das forças armadas por parte de Jair Bolsonaro.  Nesse sentido, para quem diz que não quer o Brasil sendo transformado em uma Venezuela, pelo menos neste aspecto estamos ficando bastante parecidos.  No que isso vai dar, ainda é difícil prognosticar. Mas certamente teremos um agravamento das tensões políticas que já não são desprezíveis.

A bravatas do futuro ministro de relações exteriores fragilizam o Brasil na dura realidade da geopolítica global

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Nos últimos dias tem-se ouvido manifestações curiosas do futuro ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, o embaixador que nega as mudanças climáticas, Ernesto Araújo, em relação ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.  A grande esperteza dos últimos dias foi o anúncio de Nicolás Maduro não seria convidado para a posse de Jair Bolsonaro em Brasília. É que já era mais do que sabido que Maduro iria, por várias razões, declinar do convite de vir ao Brasil, especialmente depois de ter feito uma viagem vitoriosa a países como Rússia e China. Assim, dizer que alguém que não viria não será convidado é perfeito para quem deseja provocar uma boa tempestade em um copo de água.

Como já bem abordou em seu blog, o jornalista Luís Nassif, não convidar países com os quais se têm divergências com governantes de plantão vai de encontro às boas regras da diplomacia internacional, além de causar embaraços desnecessários à relações políticas e comerciais que forçosamente ocorrem até entre inimigos ferrenhos como os EUA e Cuba [1]. Há que se lembrar, por exemplo, que a Venezuela não apenas compra produtos agrícolas brasileiros, mas vende a eletricidade que mantém Roraima funcionando.

Desta forma, o fato de membros da dinastia Bolsonaro (começando pelo próprio presidente eleito) estarem falando abertamente em mudança de regime em Caracas,  pode incentivar que outros venham ter a mesma tentação com o Brasil [2]. No caso da Venezuela, há que se lembrar que desde Hugo Chávez tem ocorrido um grande fortalecimento da capacidade bélica das forças armadas daquele país. Assim,  puxar briga com quem, por si próprio, não tem exatamente medo de uma briga militar com o Brasil é, no mínimo,  arriscado.  Especialmente depois da visita que bombardeiros russos com capacidade de carregar armas atômicas fizeram à Venezuela.

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Mas fazer o que se os novos governantes brasileiros preferem viver de criar crises nas redes sociais do que utilizar com responsabilidade as ferramentas diplomáticas existentes? Provavelmente sentar e esperar para ver quando a primeira grande crise diplomática vai estourar, e com grandes chances de causar enormes prejuízos à já combalida economia brasileira. A ver!


[1] https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-eduardo-bolsonaro-o-perfeito-idiota-diplomatico-latino-americano-por-luis-nassif

[2] https://www.theguardian.com/world/2018/dec/16/liberate-venezuela-from-maduro-urges-bolsonaro-ally

Para entender a selvageria contra os venezuelanos em Paracaima

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Quem já andou pelo interior da Amazônia como eu fiz por quase duas décadas sabe que na maioria dos estados da região a presença do Estado é, quando muito, restrita e meramente formal.  Isto não ocorre por acidente ou por falta de recursos, mas como parte da expansão do modelo de construção que o Capitalismo adotou no Brasil. 

É que se o Estado fosse estabelecido para construir uma sociedade efetivamente ancorada em formas democráticas de construção, o saque desenfreado às vastas riquezas naturais existentes na Amazônia seria mais difícil.

Essa realidade de “economia de fronteira” é um aspecto dominante no reino da força sobre a razão que naturaliza formas de coerção e uso desenfreado da violência que está vigente na Amazônia. Vi isso mais de perto no estado de Rondônia onde compartilhei o balcão de uma birosca com um indivíduo cuja ficha corrida incluiu o extermínio de famílias inteiras, sem que isso o tenha privado de um só dia de liberdade. A justificativa que me foi dada era que nos tempos da economia de fronteira esse tipo de sujeito é visto como um mal inescapável.

Por causa desse convivência com a “sociedade de fronteira” que objetivamente prevalece na Amazônia, não me surpreendi muito com as cenas de selvageria na cidade roraimense de Paracaima, onde uma turba expulsou de forma violenta cerca de 1.200 exilados venezuelanos.  Mas não me detive a analisar a situação por falta de maiores elementos sobre o ocorrido.

Felizmente encontrei na rede social Facebook o texto abaixo escrito pela cantora, compositora, instrumentista e produtora musical Malu Aires que nos oferece uma análise interessante sobre os elementos que organizaram a violência contra os exilados venezuelanos.  A conexão feita no texto entre a situação vigente na sociedade brasileira e os atos de selvageria em Paracaima me parece perfeita. Mas mais do que isso, nos obriga a pensar nas tarefas que estão postas para evitarmos que a situação ocorrida em Paracaima transborde para o resto do Brasil.

Para entender Paracaima

Por Malu Aires*

Num Estado de Golpe, nada é o que parece. Nada do que a TV diz, é verdade. Autoridades? Nenhuma. Só trambiqueiros ou porta-vozes do trambique.

Pacaraima foi emancipada em 1995. O Muniucípio, fronteiriço com a Venezuela, conta com aproximadamente 12 mil habitantes e é uma invasão de comerciantes, dentro de uma reserva indígena, a reserva de São Marcos. A sede da Prefeitura é um galpão de distribuição de produtos. O único atrativo da cidade é o comércio na sua principal avenida – a Rua do Comércio.

A energia elétrica de Pacaraima vem da Venezuela. O único posto de abastecimento de combustíveis, vem da Venezuela. Os moradores da cidade de Pacaraima dependem da Venezuela para aquecer o comércio do município e para consumo de energia. Sem gasolina, o comércio e o trânsito de Pacaraima param. Sem compradores venezuelanos, o comércio de Pacaraima para. 

Para os serviços de transporte entre as duas fronteiras, Pacaraima conta com mais de 90 taxistas que, diariamente, cruzam livres, a fronteira entre os dois países. Brasileiros não-índios e venezuelanos, são parceiros há décadas e esta parceria sustenta Pacaraima.

O ódio surgiu agora?

A política local é comandada por latifundiários, invasores de terras indígenas. Difícil achar um prefeito que não tenha uma ficha criminal extensa, currículo obrigatório para alcançarem as cadeiras do Congresso Nacional, por Roraima.

Conflitos entre estes invasores e índios, são constantes e o extermínio indígena, na região de Pacaraima, é situação alarmante, há alguns anos. O lobby pela extinção da reserva de São Marcos, move a política local.

Uma cidade comandada pela política da violência, pistolagem e xenofobia, há tantos anos, era cenário perfeito ao conflito deste final de semana. 

O vigilante Wandenberg Ribeiro Costa, orgulhoso organizador do ato fascista de Pacaraima, consta da folha de pagamentos da Prefeitura. O prefeito, Juliano Torquato, que em outubro de 2017, atropelou 2 crianças venezuelanas, coincidentemente estava fora da cidade, durante a vergonhosa atuação do seu empregado.

Em julho deste ano, outro “protesto” foi organizado contra os venezuelanos, formando uma comissão que em reunião com o Ministro da Justiça, pediu reforço ao governo ilegítimo e mais dinheiro pro Município. Os líderes desta comissão foram 3 secretários municipais, 2 vereadores, 1 representante do Comércio e 3 moradores.

As lideranças que provocaram este ataque violento contra os venezuelanos, já comandaram um ataque à sede da Funai, já formaram bandos de pistoleiros para ataque contra os índios e fazem enorme lobby no Congresso Nacional para a extinção da reserva indígena de São Marcos, com a intenção de remarcar o Município, invadindo mais terras indígenas e desmatar a região, para ampliação do cultivo de arroz.

Estes mesmos latifundiários que apoiam o golpe, agora se organizam para provocar, com a barbárie deste último final de semana, um desgaste e uma provocação à Venezuela, dias depois que o Secretário de Defesa dos EUA, o “Cachorro Louco”, discute com o Ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, da Defesa, Joaquim Silva e Luna e com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, “soluções” para a imigração venezuelana, no Brasil. 

Não é de se estranhar que o exército não tenha interferido no arrastão fascista de Pacaraima.

É importante entender o contexto histórico da região, seus conflitos e sobre que bases são fundados. Importante rever o cronograma de acontecimentos para analisar o que de fato acontece quando uma mobilização daquela esfera, nada espontânea, surge. Não surge assim, do nada. Não é feita apenas para provocar em nós a vergonha, apesar de alcançar, rapidamente esse objetivo. Mas tem sempre uma característica – fazer passar por “popular” o que é criminosamente político. 

O ataque de Pacaraima foi organizado por políticos locais, latifundiários genocidas por natureza, mancomunados com esferas do governo ilegítimo e golpista, a mando dos EUA. Cantaram o hino brasileiro porque ainda não aprenderam o hino norte-americano.

*Malu Aires é cantora, compositora, instrumentista e produtora musical

FONTE: https://www.facebook.com/maluaires/posts/10215654861700496?__tn__=K-R

Sorriam campistas, a Venezuela é aqui!

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Desde que iniciei este blog adotei a posição de não me concentrar nas questões municipais, visto o grande número de blogueiros que se dedicam a esmiuçar cotidianamente, sob os mais variados matizes, o funcionamento da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sob a batuta da ex-governadora Rosinha Garotinho e seu marido, o também ex-governador Anthony Garotinho.

Mas a capa do jornal O DIÁRIO deste domingo (24/01) que anuncia a promulgação de um decreto de estado de emergência econômica é primeiro de tudo, impagável! É que a mesma nos remete, querendo ou não quem a criou, ao processo de crise mais amplo que ocorre nas economias dependentes do petróleo, como é o caso da Venezuela onde seu presidente Nicolás Maduro promulgou lei semelhante no dia 15.01.2016, em face da profunda crise econômica que assola aquele país (Aqui!).

Entretanto, ao contrário do governo da Venezuela que, além de enfrentar os agudos efeitos da retração do preço do petróleo, também convive com uma forte oposição de direita que, frise-se acaba de lhe impor uma pesada derrota eleitoral, o governo municipal de Campos dos Goytacazes chegou a este ponto sem maiores oposições, seja por parte do parlamento local ou da sociedade civil organizada. 

Tampouco a economia de Campos dos Goytacazes precisaria estar dependendo dos royalties para garantir mais de 50% do nosso orçamento municipal. Tivessem as diferentes administrações, aqui inclusas as de Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber, investido em uma genuína diversificação da base econômica municipal, é bem provável que agora não estivéssemos presenciando a decretação de um estado de emergência.

Acho até desnecessário, mas faço assim mesmo, mencionar que não tivessem as diferentes gestões que ocorreram a partir da chegada dos recursos dos royalties (particularmente as Arnaldo Vianna, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho) optado por obras milionárias, mas de necessidade duvidosa, é quase certo que hoje não estaríamos presenciando a situação aflitiva em que estamos imersos neste momento.

Finalmente, agora que a dura realidade está sendo reconhecida sob a forma de decreto, há que se esperar que os postulantes a suceder Rosinha Garotinho a partir de 2017 parem de encenar a peça maniqueísta do “nós bonzinhos contra eles malvados” para oferecer um projeto estruturante para o município de Campos dos Goytacazes. Do contrário, o decreto da Prefeita Rosinha Garotinho é apenas o prenúncio de tempos bastante duros. É que lendo o receituário básico que está sendo apontado em vários de seus dispositivos (a começar pelo que prevê um programa de aposentaria incentivada!), a aposta parece ser de um médico que oferece açúcar a um diabético em estado terminal. Em outras palavras, não tem como dar certo!

Aécio e seu grupo de “democratas” viajam para interferir nos assuntos internos da Venezuela. Mas esqueceram de combinar com os chavistas

aecio

Alguém imagina, por exemplo, a vinda de uma delegação venezuelana vindo ao Brasil para se reunir com os presos políticos da Copa Fifa que estão encarcerados no Complexo de Bangu? Lamentavelmente, não. É que existe, para certo ou errado, uma coisa que rege a convivência entre os Estado-Nação que se chama “soberania nacional”. Mas soberania dentro do Brasil para as elites brasileiras só se for para entregar as riquezas nacionais para as corporações multinacionais.

Mas para ir se meter nas disputas políticas que ocorrem hoje na Venezuela, um grupo de “ilustres senadores” que incluía o grande democrata Ronaldo UDR Caiado decidiu voar dentro de um jato Legacy da Força Aérea Brasileira para tentar visitar políticos presos por acusações ligadas a tentativas de golpe de Estado.  Pois bem, chegando em Caracas, o grupo de “democratas brasileiros” foi cercado por manifestantes pró-governo, e desafeitos a manifestações contrárias os senadores decidiram voltar correndo para Brasília.

Agora, a direita brasileira, capitaneada pelo “democrático” PSDB do (des) governador Beto Richa soltou a nota abaixo.

psdb

 

Agora, convenhamos, a direita brasileira é patética, mas muito patética!

 

Tucanos: do chorôrô ao pedido de recontagem

Os tucanos  não se emendam. Depois de chorarem lágrimas de sangue por causa da derrota para Dilma Rousseff, ontem os tucanos entraram com um pedido de recontagem de votos. Qual é alegação apresentada pelos tucanos? Que a “população” (de tucanos, é claro!) estão reclamando muito na internet para questionar a legitimidade do resultado eleitoral.

Então deixa eu ver.  Os tucanos perdem uma eleição ganha, depois vão na internet extravasar suas ânsias golpistas, e depois usam isso para impedir a proclamação dos resultados finais da eleição? E essas são os que nos salvariam da “ditadura bolivariana” do PT. 

Pelo jeito, daqui a pouco os tucanos vão trazer o candidato derrotado da oposição venezuelana, Henrique Capriles Radonski, para liderar os seus protestos, já que o Aécio Never!! não é muito chegado em ações de rua.  Tucanos e Capriles, que bela combinação!