O voto útil é útil para quê e para quem?

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Estamos a pouco menos de três dias do primeiro turno das eleições municipais de 2016 e vejo uma onda crescente de pedidos para que os eleitores deste ou aquele candidato optem por trair sua convicção para votar em outra com suposta melhor possibilidade de eleição.

Pois bem, baseado em que esses pedidos são feitos? Em pesquisas cuja validade científica é majoritariamente questionável? Ou na vontade de impedir que haja uma renovação nos partidos que hegemonizam o controle da vida política no Brasil?

Eu como eleitor consciente considero deplorável que se venha a estas alturas do campeonato pedir ou demandar que haja a deserção do voto de convicção por um outro que sabe-se-lá a que propósitos atende.

Por exemplo, no Rio de Janeiro cobra-se voto útil dos eleitores de Marcelo Freixo em prol de Jandira Feghali e em São Paulo dos eleitores de Luiza Erundina em prol de Fernando Haddad.  E para quais propósitos? Dar sustentação a candidaturas que simplesmente não se coadunam com as posições que os eleitores de Freixo e Erudnina defendem?

Quem faz isso se esquece que esse tipo de pedido até cabe num eventual segundo turno, mas o primeiro turno tem como primazia a possibilidade de que se voto naquele candidato com quem se tem  conexão ideológico ou de principais, e não naquele que tem mais possibilidades de vencer.

Por essas e outras é que o voto útil deve ser rejeito. Até porque que quem pede voto útil sabe bem que as eleições só estão decididas, ao menos em tese, após o encerramento da contagem dos votos.

Ah, sim, no Rio de Janeiro e São Paulo, o verdadeiro voto útil só pode ser dado a Freixo e Erundina.

Para resistir às chantagens, é preciso lembrar que voto útil é sempre inútil!

Estamos na véspera de mais uma eleição onde os partidos da ordem se engalfinham para saber quem pode agradar as forças de mercado. A disputa por quem pode ser o melhor gerente do Estado brasileiro em nível federal tem várias peculiaridades, mas no final não há como diferenciar no plano estratégico nenhuma diferença maior, pois o receituário neoliberal apenas varia de grau.  Como alguém já bem definiu, o que tenta menos neoliberal, o PT, ruge como leão nesses dias de eleição, mas depois mia como um gatinho na hora de enfrentar banqueiros, latifundiários e corporações multinacionais.

Mas há que se reconhecer que a estratégia de se fazer parecer de esquerda e cobrar votar o chamado voto útil tem seu apelo. Afinal, as figuras de Aécio Neves e Marina Silva são uma mais expressão mais evidente de  toda a política que a maioria do povo detesta e rejeita. Assim, nos últimos dias tenho visto pessoas que considero genuinamente preocupadas com mudanças estruturais no Brasil apelando para o surrado argumento do voto útil em Dilma Rousseff. 

Eu rejeito sumariamente estas pressões, pois tenho visto de perto os resultados das opções que Dilma Rousseff e seu governo têm feito em prol de setores capitalistas retrógrados e anti-classe trabalhadora cujas expressões são Eike Batista e a dublê de latifundiária e senador, Kátia Abreu. 

No caso de políticas estruturais que foram sumariamente engavetadas em nome de alianças em prol de uma suposta governabilidade está a reforma agrária. Dilma Rousseff conseguiu no seu primeiro mandato produzir números tão magros quanto os de Fernando Collor, cujo mandato foi encurtado por um impeachment. Nada mais revelador do que o fato de que hoje Fernando Collor é um dos sustentáculos de Dilma Rousseff no senado federal.

Diante disso, rejeito o voto útil que, para mim, é a coisa mais inútil que se pode fazer. E como já disse antes, as tarefas da esquerda terão que começar a ser definidas depois de amanhã. É que vencendo o candidato da ordem que vencer, o ano de 2015 deverá ser o palco de profundos ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude brasileira.

E, sim, meu voto é para Luciano Genro. Mas quem quiser votar em Mauro Iasi do PCB ou Zé do Maria do PSTU também votará bem. São estes os candidatos que possuem utilidade para ajudar na construção da resistência que teremos de oferecer no futuro.