Escândalo do “#VazaJato” mostra que Telegram também não é à prova de grampos

O escândalo do “#VazaJato” mostra que como o Whatsapp, o Telegram também pode ser presa de hackers mais experientes.

Além dos procuradores do Ministério Público Federal e do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça (sabe-se lá por quanto tempo depois das matérias bombásticas do “The Intercept), Sérgio Moro, o trabalho de Glenn Greenwald feriu a reputação do aplicativo russo Telegram.

É que tudo o que está sendo publicado foi obtido a partir da captura de conversas realizadas no Telegram que, até hoje, era tido como mais seguro que os seus concorrentes diretos Whatsapp e Signal.

O problema é que há quem diga que também o Signal tem brechas que pessoas mais treinadas também podem acessar, baixando segredos tão cabeludos como o que estão sendo divulgados pelo “The Intercept” sobre as estripulias do pessoal da Lava Jato em colaboração direta com o ministro Sérgio Moro.

Pelo jeito, o negócio vai ser retornar aos velhos do Pombo Correio ou do papo direto em algum lugar discreto.

Serviço de utilidade pública: qual app de comunicação é o mais seguro?

WhatsApp, Telegram e Signal: qual das aplicações faz mais pela tua privacidade?

Estas 3 apps oferecem encriptação, garantindo que as tuas mensagens ficam só entre ti e a pessoa com quem falas. Pela tua segurança e pela tua liberdade.

Apps de chat há muitas, mas umas são mais seguras que outras. Os sistemas de encriptação que encontras no WhatsAppTelegram ou Signal garantem que as tuas conversas ficam entre ti e quem as recebe, não podendo ser lidas por terceiros que queiram lucrar com publicidade ultra-segmentada ou interceptadas por entidades governamentais.

SIGNAL

Se queres ter a garantia de que estás em boas mãos, o Signal é a app que deves adoptar. Disponível em código aberto (está tudo neste directório no GitHub), o Signal permite trocar mensagens de texto, clipes de áudio e fotos, bem como fazer chamadas. Tudo com encriptação end-to-end, isto é, as tuas comunicações são cifradas entre o teu dispositivo e o da outra pessoa.

Assim, as únicas coisas que passam pelos servidores do Signal são o número de telemóvel com que te registaste na app e a última vez que acedeste à app – não fica registado a hora, minuto ou segundo, apenas o dia. Mesmo com toda a encriptação, caso queiras ainda mais garantias quanto às tuas mensagens, podes activar um tempo de vida para as mesmas numa determinada conversa, entre 5 segundos e 1 semana, ao fim  do qual elas se auto-destroem. Nas definições, podes também activar uma palavra-passe que tens de inserir sempre que abres a app – isto pode evitar que alguém que apanhe o teu telemóvel aceda às tuas conversas.

Signal

O Signal é gratuito, gerido por uma organização sem fins lucrativos (a Open Whisper Systems) e financiado através de donativos. A app utiliza um protocolo de encriptação próprio, chamado Signal Protocol, que é dos melhores segundo especialistas em segurança. Este protocolo é utilizado pelo Facebook no WhatsApp e também na funcionalidade de mensagens encriptadas do Messenger.

Ah, o Signal é recomendado por Edward Snowden.

WHATSAPP

WhatsApp é a aplicação de chat encriptada mais popular, com mais de 1,5 mil milhões de utilizadores em todo o mundo. Se tentares usar o Signal, verás que provavelmente uma boa parte da tua lista de contactos não está na aplicação, o mesmo já não deverá acontecer com o WhatsApp. Detido pelo Facebook, o WhatsApp também usa encriptação end-to-end, ou seja, em momento algum o WhatsApp ou o Facebook sabem o conteúdo das mensagens que trocaste ou têm acesso às imagens que partilhaste através do serviço.

WhatsApp

No entanto, o WhatsApp pode não saber que mensagens envias e recebe, mas tem acesso a uma série de dados pessoais teus, como a tua lista de contactos, informação sobre como usas o serviços, que equipamento utilizadas e qual o sistema operativo, etc.

TELEGRAM

Com mais de 200 milhões de utilizadores, o Telegram nasceu na Rússia pelas mãos dos irmãos Durov e é por isso a mais distinta entre as três. Sem recorrer ao protocolo de encriptação usado pelas outras duas, o Telegram baseia-se num protocolo criptográfico único em que são convertidas todas as conversas. Para um nível de segurança e privacidade superior existem ainda os “Secret Chat” que se podem criar com qualquer contacto – neste tipo de conversas há encriptação end-to-end, ou seja, nada fica nos servidores do Telegram.

Telegram

Nos restantes chats pelo Telegram, as mensagens, fotos, vídeos e ficheiros são encriptados antes de serem armazenados nos servidores do Telegram. Quer isso dizer que, na prática, as conversas são encriptadas, com uma chave que em teoria só o Telegram tem, ficando protegidos de entidades governamentais, autoridades policiais ou anunciantes. O objectivo dos irmãos Durov e do Telegram não é fazer dinheiro com a venda dos teus dados, por isso, não lhes interessa recolher informação pessoal tua. Este armazenamento das conversas nos servidores do Telegram permite sincronizá-las entre todos os dispositivos que usas (telemóvel, computador…).

O Telegram utiliza um protocolo de encriptação diferente do do Signal, chamado MTProto, e, tal como o WhatsApp, recolhe a tua lista de contactos para te avisar quando algum dos teus amigos aderiu à aplicação. Contudo, ao contrário do WhatsApp, o Telegram tem capacidades melhoradas, como a possibilidade de partilhar um trecho de vídeo rapidamente ou o maravilho mundo dos stickers.

A chave de encriptação é de resto o ponto de discórdia entre a app e as instâncias legais russas que determinou o bloqueio do Telegram nesse país. Por um lado os tribunais russos exigem a partilha das chaves de encriptação, por outro, os fundadores da aplicação continuam irredutíveis na protecção dos seus utilizadores e na manutenção da sua promessa de proteção de dados.

 

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*Mário Rui André é co-fundador e director operacional do Shifter. Escreve sobretudo sobre tecnologia e web.

FONTE: https://shifter.sapo.pt/2018/04/apps-chat-encriptadas/

 

Supostamente banido pelo Whatsapp, filho de Jair Bolsonaro tem momento de sinceridade

O senador eleitor pelo PSL/RJ, Flávio Bolsonaro, acaba de dizer em sua página na rede social Twitter que seu WhatsApp foi bloqueado e que isso é uma afronta à democracia, pois ele participava de milhares de grupos.
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Daí que deste reconhecimento decorrem uma série de desdobramentos:
 
1 – Ninguém que já esteve em um grupo de família de Whatsapp  sabe que é praticamente impossível participar de milhares de grupos. Só quem participa de milhares de grupos são robôs.
 
2 – Para ficar ainda mais claro que o telefone está no nome dele mas que não é ele que usa o próprio Whatsapp, bastaria que se experimentasse telefonar para o número para ver o que aconteceria.
 
3 – Mas se o número está no nome dele, dispara mensagens como se fosse ele mas é, na verdade, operado por um robô, isso inevitavelmente geraria custos.
 
4 – Se houvesse geração de custos e consequente efeito eleitoral, há que existir um recibo eleitoral.  Será que existe tal recibo?
 
 
Um trabalho para os inspetores do TRE/RJ, sem nenhuma dúvida. Vamos esperar agora pela devida e rigorosa apuração.

Tudo que sabemos sobre o “caixa dois digital de Bolsonaro”

Campanha do presidenciável usou doações de empresas para disparar mensagens em massa contra o PT via WhatsApp. Prática é proibida pela Justiça Eleitoral.

Foto: Pexels

Nesta terça-feira, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem em que revela que empresários pagaram milhões de reais para disparar mensagens em massa a favor de Bolsonaro no WhatsApp. A prática seria ilegal, já que consiste em doação de empresas para campanha, algo que é proibido pela Justiça Eleitoral. Pouco depois da publicação da matéria, a hashtag #CaixaDoisdeBolsonaro se tornou a mais citada em todo mundo pelo Twitter.

De acordo com o texto assinado pela jornalista Patrícia Campos Mello, o valor de cada contrato seria de R$ 12 milhões. Um dos doadores seria Luciano Hang, o dono da Havan, o mesmo que, conforme mostramos semanas atrás, coagia seus funcionários a votarem a favor do presidenciável pelo PSL.

A estratégia, mostra a Folha, é simples: empresários compram serviços de disparo em massa fornecidos por agências de estratégia digital como Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market. Elas cobram de R$ 0,30 a R$ 0,40 por mensagem enviada para sua base de usuários — fornecidas, muitas vezes, ilegalmente por empresas telefônicas ou de cobrança. Quando a base é fornecida pelo candidato, o valor é menor: R$ 0,08 ou R$ 0,12 por disparo.

Os funcionários dessas agências conseguem burlar as limitações impostas pelo WhatsApp. Eles dispõem de dezenas números com códigos de área de variados países e conseguem escapar dos filtros de spam para mandar mensagem a mais de 20 pessoas ou grupos. Eles também são capazes de segmentar os membros do grupo como “apoiadores”, “detratores” e “neutros”, tornando assim mais fácil de atingir cada um deles com conteúdos específicos. Muitas das mensagens, sugere a reportagem, era para destruir a reputação de Fernando Haddad e do PT.

A denúncia comprova o que já se desconfiava faz tempo: a campanha de Bolsonaro não é feita apenas por voluntários; é sim organizada e financiada por grupos de empresários.

A hipótese passou a ser ventilada depois que Steve Bannon, responsável pelo sucesso da campanha ancorada em notícias falsas de Donald Trump nos EUA, se ofereceu para ajudar a campanha de Bolsonaro, no ano passado. “Bannon se colocou à disposição para ajudar. O suporte é dica de internet, de repente uma análise, interpretar dados, essas coisas”, explicou Eduardo Bolsonaro à revista Época. As similaridades entre a campanha de Bannon nos EUA e de Bolsonaro no Brasil se mostraram muitas: revanchismo, culto à personalidade, apelos emocionais e proliferação de boatos que apelam para tabus relacionados à sexualidade.

Embora não seja possível afirmar até que ponto a influência de Bannon moldou a campanha digital de Bolsonaro, podemos dizer que o candidato de extrema-direita armou sua estratégia com antecedência. Como mostramos em reportagem, ele antecipou a brecha que o WhatsApp dava para notícias falsas. No começo de 2017, o deputado apresentou dois projetos de lei, ainda não aprovados na Câmara, que destoam da sua atividade parlamentar e que dão pistas muito interessantes sobre o que seria a campanha. Um deles diz que só juízes do STF podem derrubar aplicativos e redes sociais no Brasil, começando pelo WhatsApp. O outro impede as operadoras de oferecer planos de internet com dados limitados, o que impactaria usuários de aplicativos. Nos dois casos, a justificativa é a mesma: derrubar app na justiça ou cortar acesso aos dados do usuário são ameaça à livre circulação de ideias no Brasil.

Não se sabe por ora qual será consequência da denúncia desse “caixa dois” para Jair Bolsonaro. O certo é que essa não é a primeira acusação de uso indevido de dinheiro da campanha em relação ao candidato. Ele admitiu que seu partido em 2014, o PP, recebeu propina de R$ 200 mil da JBS. Bolsonaro afirma ter recebido o dinheiro diretamente em sua conta para, em seguida, em vez de devolver a JBS, mandar para o PP.

FONTE: https://www.vice.com/pt_br/article/43empg/tudo-que-sabemos-sobre-o-caixa-dois-digital-de-bolsonaro?utm_source=vicetwbr

Whatsapp se tornou uma ferramenta sob completa suspeita

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O aplicativo Whatsapp é uma das muitas ramificações da corporação multinacional que se esconde por debaixo do Facebook.  O Whatsapp foi adquirido pela empresa de Mark Zuckerberg pela “bagatela” de US$ 16 bilhões em 2014 e se encontra no topo dos aplicativos de sua natureza, até porque sua instalação é gratuita e promete a completa confidencialidade aos seus usuários.

Recentemente o Whastapp estabeleceu o limite máximo de 20 envios por vez, alegadamente para dificultar a disseminação das chamadas “fake news“.  É que seu uso para a opção preferencial para interessados em disseminar mensagens privadas em campanhas que visam alterar a percepção das pessoas sobre o que está se passando em um determinado contexto.

Mas eis que no dia de hoje o jornal Folha de São Paulo divulgou uma matéria bombástica revelando que um conjunto de empresários estaria envolvido na contratação de empresas para distribuir material contra o candidato Fernando Haddad e a favor de Jair Bolsonaro, o que envolveria o envio de centenas de milhões de disparos no Whatsapp (ver imagens abaixo).

caixa 0caixa 1Independente das consequências eleitorais que esta reportagem da Folha de São Paulo, é essencial que todos os usuários do Whatsapp que se preocupam não apenas com sua privacidade pessoal, mas também com manipulações que alterem o funcionamento do sistema democrático, comecem a avaliar seriamente se não é chegada a hora de procurar outros aplicativos para substituí-lo.   É que como já apontou o jornalista Leandro Beguoci em uma reportagem publicada pelo site VICE, o WhatsApp virou uma realidade paralela (e perigosa) no Brasil [1].

Como já existem outros aplicativos similares (Telegram e Signal, por exemplo),  a possibilidade de mudança não chega a ser difícil.  Resta saber se as pessoas estarão dispostas a sair da égide do oligopólio montado pelo Facebook. A ver!


[1] https://www.vice.com/pt_br/article/j53983/como-o-whatsapp-virou-uma-realidade-paralela-e-perigosa-no-brasil?utm_campaign=sharebutton

 

Whatsapp está se mostrando ser um cemitério de reputações

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Não faz muito tempo usar o aplicativo Whatsapp fazia a alegria de quem queria falar coisas cujos emissores não desejariam tornar públicas, mas que fluíssem de forma instantânea aos que deveriam os únicos interessados, Essa foi, digamos, a fase heroica do Whatsapp que efetivamente revolucionou as estratégias de comunicação.

Mas lentamente o Whatsapp parece estar se transformando também em um cemitério de reputações ilibadas, ao menos em Campos dos Goytacazes. A primeira vítima da indiscrição de membros de um grupo de Whatsapp foi o juiz Glaucenir Oliveira que teve suas opiniões sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes repercutidas em cadeia nacional quase que de forma simultânea em que enviou uma mensagem de áudio com conteúdo, digamos, pouco airoso [1].

A nova vítima é o vereador Cláudio Andrade (PSDC) que teria enviado um áudio no estilo “manda quem pode, obedece quem tem juízo” aos seus colaboradores que ocupam cargos de DAS, RPA e de assessoria na Cãmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes [2],

Ainda que o áudio não especifique claramente a qual tipo de material que a voz atribuída ao vereador Cláudio Andrade demanda que seja postado nas páginas que seus assessores eventualmente possuam em redes sociais, o certo é que temos a publicização de uma postura pouco democrática e até ameaçadora de quem por vários anos criticou as posturas anti-democráticas que teriam sido praticadas pelo governo de Rosinha Garotinho, no que representa uma tremenda contradição entre discurso e prática. Um verdadeiro batom na cueca digital!

Se foi mesmo o vereador Cláudio Andrade o autor da mensagem nada “friendly” a ocupantes de cargos gratificados, ele agora terá o problema adicional de descobrir quem divulgou uma mensagem que deveria ser de circulação restrita. E na possibilidade de quem não encontrando o autor, ele tenha apenas duas opções a seguir: parar de enviar mensagens via Whatsapp ou demitir todos os que estavam na sua lista de recipientes do conteúdo divulgado.

Agora, que mais este vazamento sirva de lição de como se deve usar o Whatsapp: com cuidado, com muito cuidado, mesmo!


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/12/politica/1228684-udio-atribuido-a-juiz-glaucenir-vaza-com-criticas-a-gilmar–a-mala-foi-grande.html

[2] http://www.diariodaplanicie.com.br/em-audio-vereador-claudio-andrade-obriga-das-rpas-e-assessores-a-postarem-materias-no-facebook/

O acidente de Eduardo Campos mostra a força do Whatsapp

O impacto da disseminação de aplicativos na disseminação da informação ficou ainda mais claro no episódio da morte do candidato a presidente Eduardo Campos. É que munidos de celulares capazes de transmissão acelerada de dados via internet, um número calculável de pessoas se dirigiram ao local do acidente e produziram uma quantidade incalculável de fotografias e vídeos. Eu mesmo estou sendo abastecido com esse tipo de material via o Whatsapp, que já vinha se tornando a última febre dos usuários de comunicação móvel, mas que agora ficou ainda mais na crista da onda.

Esse fenômeno certamente provocará mais mudanças na forma com que a mídia corporativa se relaciona com a população, sempre pronta a enviar todo tipo de material informativo. O problema vai ser separar o joio do trigo, o que no caso da mídia corporativa está, inclusive, na crise que esses meios vem vivendo após a disseminação da internet e da telefonia móvel.

Abaixo envio um dos materiais que me chegaram de Santos (SP), onde a pessoa que produziu o material foi praticamente dentro da edificação onde o acidente ocorreu.