A reforma do Solar do Colégio, agora vai! Será?

raul wladimir

O ex-reitor da Uenf, professor Raúl Palacio, agora será presidente da Comissão de Fiscalização do Contrato que rege a reforma do Solar do Colégio. E agora prefeito Wladimir?

Durante  a concorrida campanha eleitoral a então candidata e agora reitora da Uenf,  a professora Rosana Rodrigues, disse que a sua equipe não teria nomes da administração que poderia suceder. Conhecendo alguns dos personagens que organizaram, de dentro da reitoria da Uenf, a campanha que terminou vitoriosa, não levei a promessa muito a sério. Alguns colegas, entretanto, acabaram convencidos pelas promessas e votaram na candidata que se elegeu.

Pois bem, o Diário Oficial do Rio de Janeiro publicou hoje duas portarias (267 e 268) que trazem o ex-reitor da Uenf, professor Raúl Palacio, como presidente de duas comissões cujo mote seria fiscalizar o andamento de duas obras: uma na Fazenda Campos Novos em Cabo Frio e outra a polêmica obra do Solar do Colégio que abriga o Arquivo Público Municipal (ver imagens abaixo).

Eu particularmente torço para que na condição de fiscal dessas duas obras importantes e urgentes, o ex-reitor da Uenf mostre uma agilidade maior (muito maior é preciso que se diga) do que aquela que foi apresentada nos tempos em que ele “segurava a caneta” (apenas para utilizar um termo que se tornou corrente durante a campanha eleitoral supra mencionada. Aliás, quem desejar conhecer um pouco dessa “agilidade” é só agendar uma visita ao finado laboratório de línguas que ficava no prédio da reitoria (ficava porque uma desastrada obra do teto daquele prédio resultou em uma inundação que destruiu completamente aquela unidade, que se encontra hoje sem qualquer medida de reconstrução).

Agora, fico imaginando o que pensará dessa novidade o prefeito Wladimir Garotinho que anda tendo sua vida atazanada pela disputa em torno da aprovação da Lei Orçamentária de 2024. Será que o nosso alcaide vai ter a alma apaziguada com a passagem para a condição de fiscal do ex-reitor da Uenf.

A ditadura legislativa serve a quais interesses?

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Por Douglas Barreto da Mata

A grande beleza dos acordos constitucionais, desde que Locke, dentre outros, decifraram a necessidade e a natureza de pactos sociais dedicados ao regramento da vida política e social das forças e grupos em conflito em cada sociedade, é justamente a busca constante de seu aperfeiçoamento.

Há modelos constitucionais de toda sorte, compará-los, como querem alguns, é sempre temerário, a nosso ver.

Recentemente, a sociedade dos EUA convulsionou em um ataque ao Capitólio, na confirmação da vitória de Joe Biden.

Logo após, como em vários outros anos passados de outros presidentes, a administração Biden se viu engessada pelo risco de “shutdown” (desligamento ou paralisação), causado pela disputa entre republicanos e democratas, que resultou na ausência de peça orçamentária.

Tudo isso prova que nenhum estamento institucional é perfeito.

Por certo, nenhuma Constituição serviria ao Brasil como a sua própria, mas é fato que toda constituição requer reparos constantes, ainda mais quando um país continental mantém sua integridade em uma federação mista, isto é, com pouca autonomia legislativa e tributária aos entes federados e subordinados à União.

É normal que após períodos de exceção, como foi a ditadura de 1964, haja aquilo que se chama de “euforia constitucionalista”, quando todos os anseios e demandas reprimidas pela autocracia vêm à tona, em busca de legitimação de seus interesses na Carta Constitucional.

Esse processo nunca é linear, sabemos, e vez por outra, um ou outro setor consegue mais poder que deveria, ou melhor dizendo, criam dispositivos legais que permitem os abusos de poder.

Nenhum dos atores políticos e até  alguns personagens relevantes deste ou daquele Poder da República deixou de flertar com as tentações autoritárias.

 Todos eles, sem exceção, em algum momento da nossa vida recente pós 1988, buscaram impor algum tipo de coação constitucional para elevar suas atribuições.

Felizmente, com mais ou menos sucesso, foram contidos.

No entanto, há ainda algumas brechas a serem lacradas.

Um observador mais atento diria que o que está acontecendo na cidade de Campos dos Goytacazes, quando o Presidente da Câmara Municipal utilizou (alguns dizem, abusou) de seu poder para impedir a votação da LOA, ameaçando de imobilização do Poder Executivo, e pasmem, o próprio Poder Legislativo, é um fenômeno nacional, que reflete os efeitos da “euforia constitucional”, que agora se transformou em “ressaca” pelo abuso do Poder Legislativo sobre o Poder Executivo.

O desafio a Montesquieu, e a sua ideia de partição equilibrada dos poderes estatais, acabou por instaurar no país uma espécie de sistema presidencialista impróprio, que já foi chamado de coalizão, mas que se reveste hoje em uma adaptação não autorizada pela Constituição, e nem pelo eleitor (o voto, o poder originário), para transformar as casas legislativas e seus presidentes em “primeiros-ministros”, atuando como chefes de governo, e deixando aos poderes executivos as simbólicas cadeiras destinadas aos chefes de estados.

Além de Campos dos Goytacazes, identificamos ainda casos semelhantes em Cascavel/CE (Aqui!),  São Luis/MA (Aqui!) e Belford Roxo/RJ, onde a Justiça, em decisão liminar, restituiu o andamento do processo legislativo.

Os casos das cidades de Belford Roxo e de Campos dos Goytacazes, para ficarmos apenas na nossa esfera geográfica de proximidade, apresentam-se como um desafio descomunal para a vida política das cidades, e porque não dizer, do próprio futuro constitucional das relações entre os Poderes Executivos e Legislativos, e por fim, do Judiciário.

Não é possível, qualquer que seja a filiação política do observador, achar normal que a pessoa a quem caiba a presidência dos poderes legislativos, desde as cidades, passando por estados até a União, possa reter nesta função delegada pelos seus pares legisladores, a total e completa atribuição para pautar leis orçamentárias, sendo que, quando assim desejarem, possam deixar cidades, estados e até a União, sem previsão orçamentária para atendimento das despesas imprescindíveis à vida dos cidadãos e cidadãs.

Tal prerrogativa exclusivíssima, quem vem sendo rotineiramente distorcida, como citamos, buscava dar aos parlamentares uma posição isonômica, o equilíbrio frente ao Poder Executivo, proponente da lei orçamentária, funcionando como mais uma ferramenta dos freios e contrapesos previstos como princípios de nossa Constituição, evitando aquilo que era conhecido, ou seja, a subordinação de parlamentares aos desejos dos chefes dos executivos.

A emenda saiu bem pior que o soneto, em nosso modesto entender.

Em suma: o poder de pautar o processo legislativo orçamentário é um PODER-DEVER, não um elemento discricionário que possa ser usado sem uma vinculação normativa, e pior, sem consequências para ações ou omissões deliberadas para violar a própria natureza precípua da casa parlamentar que é, LEGISLAR.

No entanto, ao que nos parece, como já mencionamos, essa ferramenta se converteu em objeto de abuso, voltada para golpes locais, que por suas vezes, engessam a fluidez constitucional em inflexões paralisantes.

Não cumprir os regimentos internos das casas parlamentares municipais é como capturar e subverter a forma prevista para que as leis sejam criadas.

É matar ou aleijar as leis em sua concepção.

É como tentar o cruzamento genético do burro com um elefante.

Agora, como parece que o caos se instalou, as instituições buscam acertos e ajustes ao que já foi violado.

Claro, sempre com as melhores intenções, mas incapazes de perceberem o verdadeiro sentido da agressão constitucional praticada, abrindo perigoso precedente, ou de resultados juridicamente muito piores que seriam alcançados, caso houvesse a justa reparação pela Justiça da normalidade jurídica, o que, aliás, é função precípua do Poder Judiciário.

Se há irregularidades no processo legislativo, como alegado pelo Presidente da Câmara, e se todos concordam que é no processo político jurídico legislativo que se sanam tais problemas, qual a justificativa para não dar andamento à pauta, votação, debate,  emendas e sanção da LOA?

A busca pelo tal acordo parece como a tentativa de trocar os pneus de um carro que já está com motor fundido.

Emprestamos um trecho da decisão do Egrégio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pelo Meritíssima Senhora Juíza da 3ª Vara Cível de Belford Roxo, em sede de Mandado de Segurança (0819303-35.2023.8.19.0008) impetrado pelos vereadores da cidade, em caso semelhante ao de Campos dos Goytacazes:

“(…)

O respeito às regras aplicáveis ao processo legislativo deve ser base para atuação dos parlamentares em todas as esferas de poder. O princípio democrático não pode ser violado, a fim de evitar a exclusão de grupos legítimos junto aos Poderes do Estado.

Importante é a atuação do Poder Judiciário, quando provocado, garantido a observância dos regimentos da casa legislativa e da legitimidade da produção de tais normas, tendo como norte a Constituição Federal. 

Logo, a observância das normas constantes de Regimentos Internos do Poder Legislativo Municipal constitui um importante fator de legitimidade do processo de elaboração das leis. 

As condições de participação de diferentes grupos, inclusive minoritários, devem ser protegidas, em respeito às regras de discussão democraticamente postas, salvaguardando a legalidade que vinculará a todos. 

A vontade política se assenta na garantia do processo discursivo, propiciando inclusão de todos os envolvidos, preservando o direito à participação, a legitimidade e legalidade na elaboração do arcabouço jurídico. 

A desconsideração de normas procedimentais tem o escopo de reforçar a maioria, em detrimento ao Princípio Democrático. (…)

Fica então a questão:

Qual é o nome dado à forma de governo onde as leis são feitas ao arrepio e/ou com uso casuístico das regras, com desrespeito à vontade popular outorgada em mandatos representativos pelo voto?

Sim, isso mesmo: Ditadura.

Campos dos Goytacazes e sua “Alea Jacta Est”

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Por Douglas Barreto da Mata

Aos que pertencem a grupo político do atual Prefeito de Campos dos Goytacazes, ou ao grupo do Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ou até os que não estão em nenhum desses “lados”, o fato é que salta aos olhos a diferença de estilos e, principalmente, os objetivos táticos e estratégicos de cada uma de suas lideranças.

Engana-se quem imagina que o Presidente da Câmara de Campos dos Goytacazes, Marcos Bacelar, seja o antagonista principal do atual Prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho.

Não é nada disso.

Marcos Bacelar é uma mera cabeça de ponte, um “posto avançado” de seu irmão na cidade de ambos.

Sua tarefa?

Desgastar o quanto puder o atual prefeito, mesmo que isso custe a ele (Marcos Bacelar) sua imagem e capital políticos, e até seu mandato, já que há entendimento razoável dos juristas de que a omissão em pautar a LOA pode acarretar algum tipo de responsabilidade criminal, e no âmbito da Câmara Municipal, de procedimento para cassação do mandato, na forma do Decreto-Lei 201/67 (Artigo 7º, III).

E nos parece que a situação chegou a esse ponto de não-retorno para Marcos Bacelar.

Não há mais nada que ele possa oferecer ao Prefeito Wladimir Garotinho em uma suposta negociação, isto é, nada que o próprio alcaide não consiga na Justiça e com pressão política na Câmara com a maioria que hoje detém.

Ao mesmo tempo, essa condição de preposto do irmão na tarefa de inviabilizar o sucesso político do prefeito nesse mandato, e no virtual próximo mandato, mas já com vistas a inviabilizá-lo em 2026, não deixa muita margem para manobra e novos acordos.

Faltou ao Presidente Marcos Bacelar duas coisas:

– Avaliar o tamanho político do prefeito e a dimensão do projeto de médio e longo prazo dele (prefeito) e;

– O tempo correto da ação, porque a permanente tensão criada pelo Presidente da Câmara, a mando de seu irmão Rodrigo, fortaleceu as hostes do Prefeito, pois havia um prazo para reagrupar e recuperar suas forças.

Agora, já era.

Como disse Churchill, a diferença da guerra e da política é que, nesta última, a gente morre e ressuscita várias vezes.

Bem, se isso é verdade, uma “vida política” de Marcos Bacelar acabou de ser sepultada.

A sorte (de Campos dos Goytacazes) está lançada, ou, Alea Jacta Est.

Alô Wladimir! Abandono de obras na antiga AABB mostra que nem só de asfalto deveria viver um prefeito

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Sou o que se chama um usuário noturno da antiga sede da AABB que atualmente hospeda o que deveria ser o principal parque poliesportivo da Fundação Municipal de Esportes. Mas por obra do destino, tenho chefgado à sede da FME com a luz do dia ainda presente. Isso repentinamente me permitiu olhar a situação de abandono do que deveria ter sido um conjunto de obras para dar uma nova condição de funcionamento para aquele importante instrumento de democratização do esporte em Campos dos Goytacazes (ver imagens abaixo).

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O que me parece curioso é que enquanto as obras da FME estão completamente paralisadas, vimos as ruas da cidade sendo tomadas por um confuso projeto de recuperação da camada asfáltica que não deixou de fora nem vias que, perdoem-me a minha incredulidade, nem pareciam precisar ser reformadas.

Essa prioriedade do asfalto sobre o esporte para a população que não pode pagar por academias particulares é um verdadeiro auto tiro no pé da gestão Wladimir Garotinho. É que manter o parque poliesportivo da FME em condições excelentes seria um daqueles investimentos baratos, mas que trariam grandes dividendos políticos para alguém que quer se reeleger com tranquilidade.

O mais lamentável é descobrir que essa é uma das áreas em que o retrocesso em relação à desastrosa gestão de Rafael Diniz é mais visível, na medida em que o abandono que se vê na sede está presente nos poucos aparelhos esportivos que existem nas regiões mais carentes da cidade de Campos dos Goytacazes.

Como convivo semanalmente com os profissionais que prestam importantes serviços na FME, há que se lamentar que haja tamanha miopia no trato com que pessoas que carregam nas costas o esporte olímpico municipal. E a coisa só não é pior exatamente por causa desses profissionais comprometidos com a população.

No crepúsculo de 2023, Águas do Paraíba garante Natal feliz às custas da tristeza dos campistas

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Mostrando mais uma vez que quem tem advogado bom não morre pagão, a concessionária Águas do Paraíba garantiu para si um Natal gordo às custas dos seus consumidores cativos em Campos dos Goytacazes. É que segundo o jornalista Ralfe Reis, a concessionária conseguiu derrubar no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro o veto do prefeito Wladimir Garotinho ao absurdo reajuste de 9,8%, com efeitoe autoriza Águas do Paraíba reajustar tarifas de água e esgoto, com efeito retroativo a janeiro.

Essa decisão é um tapa na cara e no bolso dos campistas, pois aqui já se paga uma das (senão a mais) tarifas mais caras do Brasil em troca de um serviço, convenhamos, bem meia-boca que não raramente deixa muito a desejar.

Como a decisão do terceiro vice-presidente do TJ veio agora em dezembro e, com certeza, a Águas do Paraíba não vai perder tempo para emitir seus boletos, muitos campistas que estarão viajando de férias ainda perigam receber em suas casas uma cobrança que não estará disponível no sistema online da empresa. Com isso, ainda correrão o risco de terem que pagar as tarifas retroativas com multas e correções monetárias, sob a ameaça de terem seus nomes enviados para o Serasa como aconteceu comigo na última vez que a Águas do Paraíba conseguiu reajustar suas salgadas tarifas no TJ.

O fato é que já passou da hora de rever a situação contratual da Águas do Paraíba para libertar os seus consumidores cativos que somos todos nós.  É que o que a Águas do Paraíba faz com os campistas é uma espécie de escárnio corporativo, pois, na pratica, tira sarro de nossas caras com essas decisões judiciais que desprezam a má qualidade dos serviços prestados em Campos dos Goytacazes.

E cabe ao prefeito Wladimir Garotinho começar o processo de libertação e dar um basta definitivo às atividades da Águas do Paraíba, pois como chefe do executivo municipal ele tem a caneta na mão para revogar esse contrato tão prejudicial a todos nós que aqui vivemos e pagamos os nossos impostos.

Findadas as eleições na Uenf, como ficou o imbróglio da reforma do Solar do Colégio?

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Em algum lugar do passado, Bruno Dauaire, Raúl Palacio e Wladimir Garotinho seguram a planta do Solar do Colégio, sede do Arquivo Público Municipal

Ao longo de 2023 uma das muitas causas de vergonha interna em quem ainda alguma restante dentro da comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi o imbróglio relativo à reforma do Solar do Colégio que abriga o Arquivo Municipal de Campos dos Goytacazes. Foram dezenas de matérias jornalísticas e ameaças por parte do prefeito Wladimir Garotinho por causa do ritmo de tartaruga de pata quebrada com que o ainda reitor da Uenf, prof. Raúl Palacio, tratou o uso de R$ 20 milhões destinados pela Alerj para a realização da obra.

O batom na cueca foi tão grande que durante as eleições para a reitoria da Uenf, a atual reitora em exercício e futura reitora, profa Rosana Rodrigues, finalmente deu o ar da graça nas carcomidas instalações do Arquivo Municipal para prometer que com ela as coisas seriam diferentes.

Agora, passadas e vencidas as eleições, o ainda reitor Raúl Palacio resolveu fazer uma espécie de tour de despedida às custas da viúva com visitas em universidades no Chile e Colômbia, deixando a administração nas mãos de Rosana Rodrigues.

Pois bem, e sobre as obras que deveriam ocorrer antes das próximas chuvas de verão? Ninguém fala, ninguém viu. O problema é que ninguém mais fala no assunto, incluindo aí o prefeito Wladimir Garotinho, o seu grande amigo Bruno Dauaire, e os próceres do prefeito na mídia corporativa local.

A única conclusão que posso chegar é que tudo foi resolvido e só nos esqueceram de nos avisar. O problema é que fazer e não avisar não tem sido a prática da reitoria da Uenf nos últimos anos. Dai que….

Mensagem ao prefeito Wladimir: desista do reitor da Uenf, desse mato não sai coelho!

raul wladimir

Venho divulgando neste blog a interminável saga dos R$ 20 milhões que foram enviados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a realização de reformas estruturais no prédio histórico que abriga o Arquivo Municipal de Campos dos Goytacazes, o Solar do Colégio.

Ao longo desse tempo aconselhei o reitor da Uenf, professor Raul Palacio, a devolver essa fortuna para quem a enviou, a fim de cessar as humilhantes cobranças públicas feitas pelo prefeito Wladimir Garotinho para a liberação dos recursos, em que pese a ausência de um projeto técnico.  Mas em que pesem as minhas boas intenções, o reitor da Uenf resolveu ignorar meu conselho sincero, e continuou sentado em cima da grana, o que compreensivelmente tem enervado o prefeito de Campos dos Goytacazes.

O prefeito Wladimir anda tão nervoso que acabou de usar uma reunião pública para enviar a enésima cobrança ao reitor da Uenf para que libere as obras, antes do início das chuvas. Soubesse o prefeito que na Uenf o próprio prédio que abriga a reitoria ficou vários meses sendo inundado por água de chuva por causa de uma obra desastrada no telhado, talvez ele já tivesse desistido de cobrar a ação do reitor da Uenf. Aliás, na última semana voltou a entrar água dentro de uma sala de aula no E-1 (o prédio que abriga a reitoria), mesmo após as informações de que isto não mais ocorreria. O fato é que se não cuidou do telhado do prédio onde trabalho, por que iria o reitor da Uenf ter a reforma do telhado do Arquivo Municipal?

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Então, também com a melhor disposição do mundo, aproveita deste texto para me dirigir ao prefeito Wladimir Garotinho para solicitar que ele se dirija ao presidente da Alerj, o seu mais novo amigo Rodrigo Bacellar, para que este peça o retorno dos R$ 20 milhões e entrega a grana diretamente nos cofres da Prefeitura de Campos dos Goytacazes.

É que, prefeito, o reitor da Uenf tem outras preocupações mais urgentes neste momento, a começar pelo esforço de emplacar o seu sucessor ou sucessora na direção central da universidade a partir de janeiro de 2024. Portanto, convença-se prefeito Wladimir, deste mato não sai coelho. Se agir rápido, quem sabe as sonhadas obras do Arquivo Municipal comecem antes das chuvas do próximo verão. Tic tac tic tac!

A conveniente separação entre política e politicagem revela que Wladimir Garotinho ainda é aprendiz de feiticeiro

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Wladimir com seu pai Anthony: na comparação com o pai, o prefeito ainda é aprendiz de feiticeiro

Ontem postei aqui um texto sobre o ataque realizado por apoiadores do prefeito Wladimir Garotinho a um protesto legítimo e pacífico realizado por comerciantes do centro histórico de Campos dos Goytacazes em face do óbvio abandono que a região está submetida pelo governo municipal e, pasmem, pelas entidades que dizem representar os comerciantes que ainda resistem naquela parte da cidade.

Na minha postagem eu inferi que se esse ato tivesse alguma repercussão negativa para a sua campanha de reeleição, o prefeito viria a público em 2024 para condenar tardiamente a violência despropositada que seus apoiadores cometeram contra quem simplesmente exigiu ações concretas de seu governo para energizar uma região da cidade que serve principalmente aos segmentos mais pobres da população que ali acorrem para fazer suas compras. 

Mas Wladimir Garotinho não precisou de mais de 24 horas para se posicionar não contra a violência cometida contra uma manifestação democrática, mas para caracterizá-la como mera “politicagem”, já que no momento do ato ele estaria se encontrando com dirigentes da CDL e da ACIC (ver vídeo abaixo).

A primeira coisa que se pode retirar dessa declaração é que o prefeito Garotinho só considera política aquilo que é feito sob sua batuta, e que ações autônomas de crítica (por mais óbvias e legítimas que sejam) não passam de políticagem.  Essa visão revela não apenas um autoritarismo latente, mas também uma incapacidade de entender que quem critica, na maioria das vezes, é quem mais contribui para que um dado governante possa melhorar seus rumos.

A segunda coisa é que apesar de declarar que não quer repetir os erros cometidos por seus pais políticos, Rosinha e Anthony, Wladimir está ignorando uma importante fonte de acerto do seu pai. É que tendo negociado diretamente com Anthony Garotinho em mais de uma ocasião questões relativas à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) notei nele a capacidade de não apenas entender a crítica feita, mas como a capacidade de assimilar as fórmulas propostas.  A autonomia da Uenf, por exemplo, resultou desse tipo de postura de Anthony Garotinho que mudou sua posição após um encontro com o comando de greve na sala do então prefeito Arnaldo Vianna.

Assim, não me resta mais nada a concluir que quando colocados um em comparação ao outro, Wladimir ainda tem muito a aprender com seu pai. Resta saber se terá a humilde necessária para reconhecer essa necessidade. Até lá, ele será um mero aprendiz de feiticeiro. E para nós campistas restará apenas o salve-se quem puder.

Ataque a protesto revela intolerância e expõe entranhas autoritárias do governo Wladimir Garotinho

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Qualquer cidadão campista que passe pelo centro de Campos dos Goytacazes nota o estado de abandono a que essa parte da cidade está submetida há vários governos.  E isso ocorre sem que as tais entidades representativas (como CDL e ACIC) esbocem qualquer ação prática para questionar os prejuízos que determinadas medidas causam sobre uma área comercial que atende primariamente as camadas mais pobres da população.

Lembro aqui que já apontei para os efeitos devastadores que a instalação de corredores de trânsito nas ruas Marechal Floriano e Rua dos Goitacazes, sem áreas de estacionamento, teria sobre o comércio que ainda resiste no centro de Campos dos Goytacazes. Mas os efeitos vieram, e nada aconteceu para pressionar o governo municipal a reordenar o uso dessas artérias, de modo a permitir uma sobrevida do comércio central. Isso ocorre porque aparentemente, as lideranças da CDL e da ACIC têm estado ocupadas demais com reuniões para mudar o gabarito de construção de prédios do que defender os lojistas que estão cada vez mais sufocados e baixando suas portas.

Mas bastou que um grupo de comerciantes descontentes com o abandono do centro histórico fizesse um protesto tímido para que houvesse uma reação violenta e autoritária de apoiadores do prefeito Wladimir Garotinho (abaixo mostro imagens de antes do ato de vandalismo cometido contra um protesto essencialmente pacífico).

Se essa ação foi ordenado ou não pelo prefeito Garotinho, isso é de menor importância. É que até agora, passadas 24 horas do vandalismo, há um silêncio sepulcral que só pode ser entendido como apoio ao ato. Com isso, fica revelada a intolerância e as entranhas autoritárias com que o prefeito Wladimir Garotinho realmente opera quando não está ocupado em postar imagens simpáticas nas suas redes sociais.

A questão é que essa pequena manifestação espontânea que foi vandalizada pode ser a semente para dificuldades políticas em 2024.  Se essas dificuldades realmente se materializarem, aí é possível que o prefeito Garotinho repentinamente saia a campo para condenar os atos autoritários de seus apoiadores.

 

Pega no esquema de falsificação do cartão vacinal de Jair Bolsonaro et caterva, Campos dos Goytacazes é exemplo de atraso

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Uma notícia publicada hoje no jornal “O DIA” sacramenta a participação do município de Campos dos Goytacazes no esquema de falsificação do cartão vacinal do ex-presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e auxiliares diretos, informação que veio à tona graças ao aprofundamento das investigações dentro da chamada “Operação Venire”. É interessante notar que outra cidade que teve participação neste esquema foi Duque de Caxias que se tornou, na gestão de Wladimir Garotinho, uma espécie de “irmã” de Campos dos Goytacazes até em processos de licitação pública.

A existência dsse tipo de esquema de conexão que desabona Campos dos Goytacazes lamentavelmente tem como contraponto a inexistência, por exemplo, de representações formais para cuidar dos interesses do município em locais de poder político e econômico. Isso fica evidente quando se  verifica que apesar de Campos dos Goytacazes estar entre as 40 cidades de maior orçamento do Brasil. O fato é que Campos dos Goytacazes  não dispõe de um escritório ou uma representação institucional nos principais centros decisórios de poder em São Paulo ou Brasília.

Assim, apesar dos atuais governantes encherem a boca pra enaltecer supostas virtudes do capitalismo e da livre iniciativa privada, mas não tem qualquer tipo iniciativa, sequer como operadores do sistema capitalista. Nem como agente público, nem como representante do setor privado.  Assim, o municipio que é o maior em extensão territorial do Estado depende quase totalmente da produção agrícola vinda de outros estados. Para verificar, isso basta que se vá ao Mercado Municipal para constatar que a quase totalidade dos produtos que chegam à mesa do campista é importado. O mais lamentável é que o município possui mais de uma dezena de assentamentos de reforma agrária, os quais continuam solenemente abandonados e, não raramente, exporta a comida que em um efeito bumerang volta para nossas mesas via as bancas do Mercado Municipal.

O resultado disso é que vivemos em uma cidade que depende da geração de empregos das estruturas produtivas e/ou de comercialização que nem mesmo estão localizadas em seu próprio território. Além disso, quando se verifica os números do Caged, é forçoso verificar que os mesmos são explicados pela existência de uma agricultura rudimentar e sazonal.  Assim, quando entra o período da entressafra, os números de pessoas empregadas caem acentuadamente, e o que acaba salvando o nível de empregabilidade é o setor de serviços, que tem sofrido como nenhum outro setor com a precarização e com a pejotização.

Mas um ingênuo poderá perguntar sobre qual seria a relação entre um esquema de falsificação de cartões de vacina e o resto? Eu diria que tudo. É que o contínuo apego à formas patrominialistas de governo irá continuar gerando tudo isso que está ai, e a pretensa modernidade que se propõe como imagem não passa de um verniz para o atraso em que continuamos atolados.