Após quase cinco anos, a obra do bandejão da UENF parece estar caminhando para o seu final, a um custo desconhecido, mas que deve beirar 5 milhões de reais. Desde o seu início, a construção do bandejão da UENF sofreu muitos solavancos, e quem olha a fachada espelhada que começa a brilhar nos dias de sol, nem imagina a saga desta obra. Mas agora que o bandejão está finalmente sendo concluído, fica evidente várias questões básicas: vai ter comida, servida por quem, e a que preço?
O mais incrível dessas perguntas é que a reitoria da UENF teve todo o tempo do mundo para se preparar para começar a servir comida barata e de qualidade. Afinal, foram cinco longos anos de espera. Mas esse não parece ser o caso, pois até hoje não foi divulgado o modelo gerencial que ditará o funcionamento do bandejão, a política de preços, os mecanismos estabelecidos para garantir a manutenção financeira da unidade, nem onde a comida será comprada.
Para complicar esse panorama de incertezas, uma simples olhada na proposta orçamentária enviada pelo (des) governo Cabral para a ALERJ mostrará que o orçamento da UENF está sendo objetivamente encolhido para o ano de 2014. Isto realça a dúvida sobre como o bandejão funcionará, mas levanta uma pista sobre o tipo de preço que será cobrado. Afinal, se não houver a alocação orçamentária para oferecer alimentação barata, a opção será cobrar preços de mercado a quem se aventurar ir se alimentar no bandejão. Como a reitoria já anunciou que realizará uma licitação para contratar uma firma particular para gerenciar o bandejão, as expectativas de comida de boa qualidade boa e em preços compatíveis com os que são cobrados em outras universidades públicas passam a ser muito baixas.
A verdade é que a comunidade universitária terá de pressionar para que haja a devida dotação orçamentária para garantir o pleno funcionamento do bandejão. Caso contrário, acabaremos vendo o bandejão transformado num elefante branco que servirá a poucos, já que a maioria não terá como fazer uso dele.
E o cheiro de comida em vez de representar convite para saciar a fome acabará servindo de lembrança de que caímos todos, mas principalmente os estudantes, num tremendo conto do vigário.

O restaurante universitário foi feito com muito custo para servir os estudantes. Então, cabe a nós fiscalizar, fazer pressão e boicotar quando necessário esse serviço para que tenhamos uma comida de qualidade a um preço que merecemos.
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Mostra muito bem o planejamento interno.
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