Eike Batista: 68% mais pobre e com problemas de endividamento

O Jornal Valor Econômico publicou hoje uma matéria (veja síntese abaixo) mostrando que Eike Batista possui atualmente apenas R$ 2 bilhões em ações de suas antigas empresas, o que representa um impressionante decréscimo dos estimados 70 bilhões de dólares que chegou a possui. E mais, a matéria aponta para o fato de que Eike, mesmo após cortar na própria carne, continua com problemas para equacionar o pagamento de suas dívidas.

Apesar do Valor Econômico sinalizar que o Grupo EBX já passou por seu momento mais agudo, todas as sinalizações que são atualmente emitidas pela economia mundial apontam para o fato de que Eike ainda poderá ficar ainda mais pobre ao longo de 2014.

Fortuna de Eike encolhe e suas ações valem R$ 2 bilhões na bolsa

Eike Batista iniciou 2014 assim como terminou 2013: vendendo participações em empresas para levantar recursos. Conforme as últimas notícias, em dezembro vendeu sua fatia na BRIX, bolsa de comercialização de energia; e, semana passada, deixou a SIX Semicondutores. A movimentação sinaliza que apesar de ter superado o momento agudo da crise em seu grupo, com soluções mais ou menos drásticas, o empresário ainda não conseguiu equacionar seu endividamento.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3398318/fortuna-de-eike-encolhe-e-suas-acoes-valem-r-2-bilhoes-na-bolsa#ixzz2qgDLSCDS

CODIN faz mais desapropriações de “réus ignorados” na retroárea do Porto do Açu

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Apesar do colapso do Grupo EBX que colocou em xeque a continuidade do megaempreendimento conhecido “Complexo do Açu”, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) continua com sua marcha de desapropriações contra agricultores familiares no V Distrito de São João da Barra. A imagem acima reproduz um novo pacote de desapropriações na localidade de Campo da Praia que engloba uma área aproximada de 52,00 hectares que formam hoje sete propriedades.

Pois bem, destes sete proprietários, seis estão sendo citados ou intimados como “réus ignorados” pela justiça de São João da Barra. Apesar de transitar pela área só desde 2010, fico pasmo com essa incapacidade (para não dizer outra coisa) da CODIN em identificar os proprietários dessas áreas ,visto que em Campo da Praia todos literalmente se conhecem e sabem com grande grau de exatidão a quem pertence cada palmo de terra.

Então por que a CODIN continua utilizando a granel a figura do “réu ignorado” nos processos que move contra centenas de famílias do V Distrito de São João da Barra? Para principiantes nesse tipo de querela judicial, a primeira explicação é a de que esta estratégia dificulta bastante que as famílias desapropriadas constituam advogados em tempo hábil. Como decorrência disso, elas ficam desprotegidas tanto no processo de perícia judicial para definir o real valor das terras desapropriadas,  como no momento em que a imissão de posse é realizada. Em suma, as famílias desapropriadas ficam desprotegidas e à mercê da ação do Estado que não hesita em usar a força policial para removê-las sem que haja o pagamento do valor justo e em tempo  hábil.

Agora a questão que mais merece atenção dos que se preocupam com essa situação é que essas desapropriações não possuem nem sentido e nem urgência, visto que a CODIN não tem demonstrado que haja qualquer viabilidade para o natimorto “Distrito Industrial de São João da Barra” que é a justificativa oficial para toda essa tomada de terras. Na prática, o que vem ocorrendo é a passagem das terras desapropriadas para as mãos de corporações privadas (antes o Grupo EBX e agora o fundo estadunidense EIG).  E há nome para esse tipo de ação nos compêndios dos estudos agrários brasileiros. Basta procurar que se acha.

O espectro de uma nova greve ronda a UENF. Adivinhe quem são os culpados!

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Após passarem o ano de 2013 numa penosa e infrutífera negociação com a Secretaria de Planejamento e Gestão do (des) governo Sérgio Cabral, em assembléia realizada no dia de hoje (16/01) os professores da UENF demonstram um certo cansaço com essa forma “paz e amor” de cobrar seus direitos.  Como resultado foi aprovada uma proposta que indica para o início de uma nova de professores que deverá impedir o início do primeiro período de 2014.

À primeira vista, os culpados pela greve serão os professores, afinal eles o estarão fazendo. Mas um olhar mais profundo identificará que existem dois grandes culpados pela possível instauração dessa greve: a reitoria da UENF e o 9des) governo Cabral. Afinal, esses dois setores vem atuando de forma coordenada para minar a justa demanda de que o pagamento do Adicional de Dedicação Exclusiva dos professores da UENF não seja usado como um instrumento para desmantelar o modelo institucional criado por Darcy Ribeiro. 

Aliás, a proposta do (des) governo Cabral é tão ruim que propõe oferecer 35% de Adicional de Dedicação Exclusiva (enquanto que na UERJ o valor pago é 65%) para, em troca, quebrar a espinha dorsal do modelo institucional da UENF que é ancorada num quadro docente exclusivamente formado por doutores que se dedicam com exclusividade às suas tarefas acadêmicas dentro da instituição.

No tocante ao (des) governo Cabral, a tentativa de sucateamento da UENF não aparece apenas na proposta de precarizar o regime de trabalho dos docentes. A coisa está cada vez pior na questão orçamentária, sendo que o orçamento de 2014 é menor do que o de 2013 que, aliás, já havia sido menor que o de 2012. Nesse caso, a combinação de orçamentos curtos e corpo funcional precarizado é apenas uma consequência da opção de precarizar a educação superior nos mesmos moldes que já se precarizou a escola pública até o ensino médio. 

Assim, antes que se reclame dos professores, os que eventualmente se sentirem incomodados pelo espectro de uma nova greve tem mais é que cobrar que o (des) governador Sérgio Cabral ofereça as condições mínimas de funcionamento para uma universidade que é considerada pelo MEC como a melhor do Rio de Janeiro e a décima-quinta do Brasil.  Do contrário, a UENF ainda vai seguir o mesmo destino trágica da Universidade Gama Filho e da UNIVERCIDADE. Pode demorar um pouco, mas vai acontecer.

As obras inacabadas de Eike Batista são notícia no “The Wall Street Journal”

Herança de Eike chama a atenção da imprensa internacional. As obras inacabadas

Com o colapso do Império X, obras sociais erguidas com a ajuda de Eike estão deteriorando no Rio

Jornal do Brasil

Além das belezas naturais e monumentais do Rio de Janeiro, outro cenário que despontou recentemente na cidade tem chamado a atenção da imprensa internacional. Os empreendimentos sociais inacabados que ficaram como herança do declínio do Império X, do ex-magnata brasileiro, Eike Batista. Uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal (WSJ), publicada nesta quinta-feira (16/1), enumera obras sociais que foram erguidas com a ajuda financeira de Eike e agora, com o colapso das suas empresas, estão paralisadas ou funcionando com muitas dificuldades.

Um desses empreendimentos é o hospital especializado em cirurgias cardíacas, Pro Criança Jutta Batista. O The Wall Street descreve que este centro médico, criado para atender crianças de baixa renda, ainda “tem cheiro de tinta fresca e piso de espumantes brancos”. No entanto, um estranho silêncio toma conta dos seus largos corredores e os seus sofisticados equipamentos nem saíram da embalagem. Enquanto isso, uma lista de crianças carentes que aguardam atendimento cresce a cada dia no Estado.

Imprensa internacional comenta obras inacabadas deixadas por Eike Batista no Rio
Imprensa internacional comenta obras inacabadas deixadas por Eike Batista no Rio

De acordo com a matéria do WSJ, Eike Batista pagou cerca de US $ 15 milhões, quase metade do faturamento total, para ajudar a construir esse hospital, que tem o nome de sua falecida mãe. Logo após o anúncio de falência das empresas do grupo de Eike, as generosas contribuições para a filantropia foram afetadas diretamente. As verbas para o Pró Cardíaco foram cortadas, quando a unidade médica precisava de um adicional de 7000 mil dólares para iniciar as operações. “Estou certa de que se Eike pudesse ajudar, este hospital não seria fechado”, disse ao WSJ a cardiologista pediátrica e fundadora do hospital, Rosa Célia Pimentel Barbosa. E mediante à ruína de Eike, a médica complementou: “Mas eu não iria pedir-lhe mais dinheiro. Ele deu tudo o que tinha comprometido e ainda mais do que pedimos”.

O Wall Street informa que o ex-bilionário lançou um punhado de projetos no Rio, que vão desde o hospital infantil até a limpeza de uma lagoa notoriamente suja localizada no coração da cidade, se referindo à Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul. O texto diz que Eike renovou hotéis históricos, comprou equipamentos e veículos para a polícia do Rio de Janeiro e patrocinou uma equipe de vôlei.

A reportagem do veículo norte-americano esclarece que os empreendimentos enumerados fazem parte do legado da queda do magnata brasileiro, cujos negócios no setor de construção naval e petrolífero entrou em colapso no ano passado, sendo considerado a maior queda empresarial da América Latina. “O declínio do magnata inclui a perda de cerca de US $ 30 bilhões nos últimos dois anos, quando era um dos investidores de alto perfil, atingiu, inclusive o maior fundo de bônus do mundo e os maiores bancos do Brasil. Mas também atingiu as pessoas de meios mais humildes, incluindo alguns no Rio de Janeiro, segunda maior cidade do Brasil e que foi adotada pelo magnata”, ressalta a reportagem.

Na visão do Wall Street, em um país com pouca cultura de filantropia, o ex-piloto e empresário do setor de energia gostava de dizer que ele não só queria ser o homem mais rico do mundo, mas também o mais generoso. Porém, nem todo mundo estava feliz com a sua filantropia. “Ele distribuiu dinheiro para a caridade, mas o dinheiro que pertencia aos acionistas e detentores de títulos”, afirmou ao jornal um dos investidores, Aurélio Valporto, que pretende mover uma ação judicial contra Eike. E Valporto ainda disse: “Não foi o seu dinheiro. Nós demos a ele para investir na produção da empresa”.

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Para o secretário de Desenvolvimento econômico, energia, indústria e serviços do Rio, Julio Bueno, a cidade perdeu e o Brasil também. O Wall Street cita que a construção de uma nova sede da Unidade de Polícia Pacificadora do Rio (UPP), na favela do Batan, Zona Oeste da cidade, foi paralisada quando deixou de receber os recursos de Eike Batista. “Empresa de petróleo OGX de Eike Batista concordou em doar cerca de 34.500 mil dólares ao longo de quatro anos para ajudar a reforçar a iniciativa, uma das mais importantes tentativas do Rio de Janeiro para controlar a alta do crime na cidade”, diz o texto.

Segundo o Wall Street, um dos sinais mais visíveis no Rio do colapso da empresa de Eike Batista é o Hotel Glória, um edifício projetado pelo famoso arquiteto Joseph Gire, o mesmo que projetou o Copacabana Palace, para celebrar o centenário da Independência do Brasil, em 1922. Eike Batista comprou o hotel em 2008 por aproximadamente US $ 50 milhões, com a ideia de restaurá-lo antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas. No entanto, o trabalho de restauração foi suspenso e Eike está tentando vender o hotel a um novo investidor. E o jornal ainda destaca que os moradores do entorno do Hotel Glória reclamam que o local de trabalho está ocioso, atraindo ratos e mosquitos, bem como moradores de rua, provocando um aumento da criminalidade no bairro.

E o Wall Street continua a descrever o cenário “fantasmagórico” deixado por Eike Batista na cidade. Outro projeto de hotel abandonado é o Hilton Gonçalves dos Santos, um edifício amplo que o ex-bilionário arrendou do Flamengo, clube de futebol carioca. Eike Batista planejava transformá-lo em um hotel de luxo com 452 quartos, também para atender à demanda dos Jogos Olímpicos. Segundo o jornal, a empresa imobiliária que atende Eike está tentando negociações com um número de empresas que podem assumir esse projeto.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/01/16/heranca-de-eike-chama-a-atencao-da-imprensa-internacional-as-obras-inacabadas/

Fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia?

As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da Amazônia caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central. Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e commodities agropecuárias

Por Gérson Teixeira

 

(Homem navega em rio da Amazônia, região definida como fronteira energética do país com base na hidreletricidade)

Entendemos como agricultores familiares na Amazônia aqueles com traços sociais constitutivos do campesinato em seus termos clássicos, que mantêm condutas econômicas por vezes influenciadas por fatores estranhos à racionalidade capitalista, pautadas nas interações entre economia, tradições e meio natural, com a dominância do trabalho da família no processo produtivo. Eles são um amplo mosaico social de agricultores na Amazônia, internamente diferenciados pelas origens e pelos graus de inserção nos mercados e de integração com a natureza.

O último Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, identificou cerca de 700 mil estabelecimentos familiares (86% do total) ocupando uma área de 25,4 milhões de hectares (22% da área total dos estabelecimentos). Os estabelecimentos familiares na Amazônia correspondiam naquela data a 16% e 32%, respectivamente, do número e área dos estabelecimentos familiares do Brasil.

Admite-se que esses agricultores resistem, sobrevivem, residualmente prosperem, num ambiente de gigantescos e seculares contrastes e iniquidades, não superados até a presente data; pelo contrário.De um lado, convivem em um ambiente de fabulosas riquezas naturais distribuídas num vasto território de 514 milhões de hectares. De outro, enfrentam cada vez mais restrições ao acesso a essas riquezas, incluindo a terra.

Particularmente desde meados da década passada,a Amazônia passou a ser alvo de vultosos fluxos de capital,produtivo e especulativo,atraídos pelas potencialidades da região no suprimento dos aquecidos mercados de commodities agropecuárias, florestais,e minerais.

O impulso predatórioda expansão desses empreendimentos associado aos vazamentos da renda líquida regional típicos dos ciclos econômicos do passado seriam enfrentados: (i) pela consolidação da democracia no país com desdobramentos no fortalecimento da consciência ambiental; e (ii) pelopapel estratégico internacionalmente creditado à floresta amazônica para o enfrentamento dosdesafios sistêmicos globais. Incluem-se nesses desafios: o quadro das mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e, de modo subjacente, a funcionalidade da região aos esforços pela garantia da segurança alimentar.

Esses argumentos não impediram a prevalência da agenda do neodesenvolvimentismo em curso, o que tem resultado na expansão acelerada dos grandes projetos agropecuários, florestais e minerais, para o que colabora enormemente o quadro de frouxidão regulatória em torno da ocupação territorial pelo agronegócio,como atestam a recente aprovação do novo Código Florestal e a persistência da inexistência prática de limites e controles na posse da terra por pessoas estrangeiras.

A Amazônia também foi definida como a grande fronteira energética do país com base na hidreletricidade. Os profundos impactos negativos desses projetos nos planos ambiental, social, econômico e cultural desarticulam vastos segmentos da agricultura familiar e outros grupos sociais sensíveis.

Mesmo ações recentes de proteção ambiental, como cotas de reserva legal e títulos de carbono, se destacam muito mais por constituírem ativos de atrativos mercados com repercussões de monta sobre a estrutura fundiária e sobre o controle pelo capital externo dos recursos naturais de modo geral.

As fantásticas oportunidades propiciadas pelas riquezas naturais da Amazônia, nos planos interno e externo, caíram como uma luva na agenda desenvolvimentista do governo central. Nesse projeto, os agricultores familiares participam nas franjas, quando integrados aos grandes empreendimentos capitalistas de agroenergias e commodities agropecuárias.

Nas circunstâncias recentes de restauração e consolidação da democracia, não caberiamais a escala das permissividades do projeto levado a cabo no passado, em especial pelos governos militares com a Operação Amazônia da década de 1970. Mas as bases e a ambição do atual projeto de integração profunda da Amazônia à economia global nem de longe encontram similares na história da Amazônia desde as políticas de integração.

Em termos sintéticos, a dimensão rural da estratégia regional busca, entre outros pontos, asegurança jurídica na posse da terra para os empreendimentos capitalistas, o que vem sendo perseguido com o Programa Terra Legal (Lei n.11.952/2009), em que pese sua versão final menos ousada em relação à proposta original graças às ações dos movimentos sociais. Consta que está em estudo no governo a recuperação do texto original. Pretende-se também a flexibilização da legislação ambiental, o que em grande parte foi obtido com a aprovação do novo Código Florestal.

Para ampliar a competitividade nos mercados asiáticos das commodities há a convergência das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com as da Iniciativa para a Integração daInfraestrutura Regional Sul-Americana(IIRSA), para possibilitar a saída pelo Pacífico, principalmente via Peru.

Abandono da produção dos alimentos básicos

Sob esse forte cerco do capital pelo controle da floresta e do carbono, da água, dos minérios; enfim, do território, deve ser feita a reflexão sobre o eventual fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia.

Na região Norte, o Censo Agropecuário de 2006 revelou indicadores socioeconômicos da agricultura de base familiar na Amazônia que suplantavam os da agricultura não familiar. Em 2006, o valor das receitas obtidas pelos estabelecimentos agropecuários com produtos vegetais (Norte) foi de R$ 3 bilhões. Desse total, a agricultura familiar participou com 60%.

Do conjunto das atividades agrícolas e não agrícolas processadas no interior dos estabelecimentos agropecuários da região Norte, a agricultura familiar, no quesito geração de renda, só não liderou na atividade do turismo rural. Tomando toda a Amazônia Legal, os estabelecimentos familiares respondiam por 82% do total de 3 milhões de pessoas ocupadas na atividade agropecuária regional. No Brasil, essa proporção em 2006 foi de 74%.

Em aparente contraste com as adversidades da realidade antes descrita, as políticas de transferência de renda e de fomento produtivo, notadamente o crédito e as compras institucionais, colocadas em práticas desde 2003, tenderiam a amenizar o severo quadro que pressiona a agricultura familiar na Amazônia. Na verdade, se apresentam como contrapartida para a miniaturização do programa de reforma agrária em nome da garantia da governabilidade.

Quanto ao fomento produtivo, a oferta de recursos para o crédito rural na Amazônia aumentou de forma expressiva. De acordo com o Banco Central, em 2002 os financiamentos para os agricultores familiares na Amazônia via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) envolveram 73 mil contratos e o valor de R$ 280 milhões. Em 2012, o número de contratos saltou para 184 mil, mobilizando R$ 2 bilhões. Foram desenvolvidos mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que têm crescido de forma continuada, em que pese suas escalas relativamente ainda pouco significativasvis-à-vis o universo dos agricultores familiares na Amazônia. Junto com outras ações federais na área da comercialização e da recuperação dos serviços de assistência técnica, tais medidas geram impactos positivos na economia camponesa em geral.

Contudo, ante a impossibilidade de uma avaliação mais consistente da evolução recente da economia agrícola de base familiar, é possível pinçar alguns indícios preocupantes, de cunho qualitativo.

Primeiro, cumpre destacar, no caso do financiamento produtivo, que ele tem atendido também a demandas de empresários que não se enquadram no critério de pertencer à agricultura familiar. O potencial econômico degenerativo do elevado grau do endividamento desses agricultores junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) vem sendo administrado por medidas de repactuações sucessivas. Os dados mais recentes (out. 2011) mostram que, na área de abrangência do FNO, o saldo das dívidas rurais alcançava R$ 19,5 bilhões, dos quais mais de R$ 13 bilhões já haviam sido lançados como prejuízo de acordo com dados do Ministério da Fazenda.

Segundo, a exemplo do fenômeno observado no plano nacional, o crédito, incluindo o programa Mais Alimentos, que financia máquinas, está concebido para servir de vetor do processo de modernização conservadora da agricultura familiar na Amazônia.

Há a indução da replicagem, no universo ainda não “modernizado” desse segmento, dos padrões de organização e gestão da agricultura do agronegócio, o que passa pela disseminação da matriz tecnológica da “revolução verde”. É a modernização conservadora tardia da agricultura familiar.

O que reputo particularmente preocupante do resultado desse esforço de enquadramento da economia camponesa na região à dinâmica do agronegócio tem sido o progressivo abandono, por essas pequenas unidades produtivas, da produção dos alimentos básicos da dieta da população. Exceto na área amazônica do Maranhão, o número de contratos de custeio de arroz, feijão e mandioca na região, com recursos do Pronaf, declinou 57% de 2002 para 2012, conforme dados do Banco Central.

Uma tendência está estabelecida: o enfraquecimento do protagonismo desse segmento na produção de alimentos básicos, o que desde sempre tem sido o atributo político distintivo do papel social da agricultura familiar. Trata-se de um processo que se manifesta em nível nacional, o que explica a pressão dos preços dos alimentos no atual repique do processo inflacionário no Brasil.

Gerson Teixeira é Presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra).

Ilustração: Cordel Imagem / Sambaphoto

FONTE:https://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1563

Desapropriações do Porto do Açu e suas principais vítimas: agricultores idosos!

Uma das facetas mais obscuras do processo de desapropriação de terras promovido pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), primeiro em prol do conglomerado do ex-bilionário Eike Batista e agora do fundo estadunidense EIG é a expulsão de agricultores idosos de terras que ocupam historicamente. Apesar de ainda não existir um registro acadêmico, minhas andanças pelo V Distrito de São João da Barra desde 2010 mostram que muitos idosos não resistiram ao estresse e acabaram morrendo de angústia.

Para reforçar essa minha experiência empírica, recebi hoje comentário de um leitor desse blog reagindo à publicação da mensagem que me foi enviada pela Sra. Elza Toledo, filha do agricultor Walter Alves Barreto:

“Li o relato da filha do Sr. Walter e fiquei bastante comovido, pois imagino o sofrimento da família e todas afetadas por essas desapropriações em favor do porto . Além do sr Walter tenho informação de outros casos de infarto . O Sr. Aires Alves também infartou , está hospitalizado . O Sr Amaro Toledo que não teve a mesma sorte e faleceu sábado passado vítima também de infarto e das desapropriações. Esses idosos pagam seus impostos , têm documentação de suas terras e trabalharam a vida inteira para ter uma velhice mais tranquila . O porto é uma grande potência. Não sou contra o desenvolvimento e sim a maneira cruel , desumana, desrespeitosa como vem sido tratado o povo do V Distrito de SJB onde os direitos dos idosos não são respeitados ! Todos tem nomes ! Não são réus ignorados ! ” RESPEITO ” É MUITO BOM !”

Este comentário sintetiza a visão da imensa maioria dos moradores do V Distrito que, embora tenha sido violentamente afetados pelas desapropriações não são contra o porto do Açu. O problema é que todo esse mar de desrespeito não era sequer necessário para a construção do porto, e decorre apenas da especulação de terras que está sendo fomentada pelo (des) governo de Sérgio Cabral às custas da agricultura familiar e de agricultores idosos. Para isso não há outra posição a ser tomada que não seja de registrar e denunciar todos os abusos que estão sendo cometidos contra famílias indefesas.

JB repercute paralisação nas obras do Complexo do Açu

Manifestação de funcionários paralisa obras no Complexo do Açu

Jornal do Brasil
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Imagem: Bruno Costa/Quotidiano

As obras no estaleiro do Complexo do Portuário do Açu, no V Distrito de São João da Barra, região Sul Fluminense, foram paralisadas na manhã desta quarta-feira (15/1), por causa de uma manifestação promovida por trabalhadores da empresa Integra, do consórcio da OSX de Eike Batista e o grupo Mendes Jr. Os trabalhadores interditaram a estrada que dá acesso ao Porto do Açu, a da Servidão, para reivindicar direitos trabalhistas e melhores condições de serviço.

Os cerca de 1500 funcionários dos setores de Metalurgia e Construção Naval pedem o pagamento de hora itinerantes, melhores condições de trabalho, participação nos lucros das empresas e valorização dos seus salários. A Polícia Militar esteve no local e acompanhou o protesto, que não teve nenhum registro de violência. O engarrafamento chegou a quase dois quilômetros na Estrada da Servidão.

FONTEhttp://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/01/15/manifestacao-de-funcionarios-paralisa-obras-no-complexo-do-acu/

Ururau: trabalhadores “trancam” estrada e paralisam obras no Porto do Açu

Trabalhadores do Porto do Açu fazem manifestação e interditam estrada

Funcionários de seis empresas prestadora de serviço reivindicam direitos trabalhistas

 Thiago Macedo, Funcionários de seis empresas prestadora de serviço reivindicam direitos trabalhistas 

Trabalhadores de seis empresas que prestam serviços ao Superporto do Açu, em São João da Barra, interditaram na manhã desta quarta-feira (15/01), a Estrada da Servidão, que dá acesso ao empreendimento. Segundo a Polícia Militar, a manifestação começou por volta das 6h.

Os funcionários reivindicam direitos trabalhistas, como recebimento de hora itinerantes, além de melhores condições de salários e de trabalho e também a participação de lucros e resultados das empresas.

“As obras do Porto do Açu foram paralisadas em virtude da manifestação dos trabalhadores estarem reivindicando melhores condições de salários e trabalhos, pois eles não estão recebendo condições dignas de trabalho e salário”, declarou João Cunha.

Depois de horas de negociações e clima acirrado entre os manifestantes com discussões acaloradas houve um avanço positivo para um possível entendimento para a clase dos metalurgicos.

Segundo João Cunha, ceca de 1500 trabalhadores tiveram que paralisar as obras do porto. Segundo a Polícia Militar, por conta da paralisação a estrada estava com 2km congestionamento.

Uma equipe de reportagem do Site Ururau que esteve no local acompanhando todos os passos das negociações, conversou com o Delegado da Federação dos Metalúrgicos, João Cunha que declarou ter havido o entendimento com as empresas e que na quarta-feira (22/01), está marcado a assinatura de acordo.

“Na quarta-feira terá a assinatura de acordo coletivo entre a Federação dos Metalúrgicos e as empresas”, afirmou Cunha.

Já os trabalhadores da construção civil que também aderiram a paralisação, ainda aguardam acordo. O presidente do Sindicato, José Eulálio, informou que a manifestação não diz respeito a trabalhadores ligados ao Sindicato da Construção Civil e sim ao Sindicato dos Metalúrgicos, por isso não pode interferir no movimento.

Um associado do sindicato da Construção Civil e representante dos trabalhadores do Porto do Açu informou que irá formalizar as reinvidicações para levá-las a uma comissão. “Vamos preparar uma pauta de todas as empresas que estão reinvindicando. A intenção é fazer uma comissão para dar estabilidade aos trabalhadores”, comentou.

A assessoria de imprensa da Prumo informou que apenas as obras do estaleiro foram prejudicadas, já que a paralisação é dos funcionários da construção naval e que as obras do Porto do Açu não foram prejudicadas.

Imagens inéditas da paralisação total das obras do Porto do Açu

Para quem achava que a saída de Eike Batista e a entrada do fundo estadunidense EIG ia resolver num passe de mágica os graves problemas que afligem as obras do Porto do Açu em São João da Barra, o dia de hoje deve estar servindo como um verdadeiro “wake up call”. Afinal, pelo que está transpirando, o descumprimento dos direitos trabalhistas continua, ocasionando um novo movimento grevista que está se alastrando por todas as empresas que ainda realizam ativididades no Açu.

baixo seguem imagens da mobilização dos trabalhadores que hoje para novamente a construção do Porto do Açu. As imagens são do jornalista Bruno Costa do site “quotidiano.com.br”.

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Quotidiano confirma: tudo parado no Porto do Açu

Trabalhadores clamam por melhorias no Porto

Os operários cobram melhores condições salariais e de trabalho. Além disso, algumas empresas estariam atrasando o pagamento das horas “in-itinere”.

Por Bruno Costa
Trabalhadores clamam por melhorias no PortoImagem: Victor Azevedo. Gerentes de empresas tentam negociar com grevistas que se mantém irredutíveis

Aproximadamente 1.500 trabalhadores de várias empresas que prestam serviço para o Superporto do Açu fecharam na manhã desta quarta-feira (14), o principal acesso ao empreendimento.   Os operários cobram melhores condições salariais e de trabalho. Além disso, algumas empresas estariam atrasando o pagamento das horas “in-itinere”.  Segundo um dos líderes do movimento, que não quis se identificar com medo de represálias, a paralisação deve continuar até as empresas negociarem com os trabalhadores.

Os funcionários exigem a chegada de representantes do sindicato da Construção Civil para iniciar as negociações. Segundo Paulo, trabalhador de uma das empresas que atuam no Superporto do Açu, os salários não estão atrasados, mas falta condição decente de trabalho.

“Tratam muito mal os trabalhadores. A comida é péssima. Quando chegamos para reclamar, somos destratados e muitas vezes nem podemos entrar na sala dos nossos superiores. Não existe diálogo com eles. Queremos trabalhar de com condições normais”, indignou-se.

Já outro funcionário denunciou que existem trabalhadores contratados para exercerem uma função, mas acabam executando outra. Além disso, o pagamento de 30% de periculosidade não estaria sendo efetuado.

“Temos o problema do desvio de função e também a empresa não paga a periculosidade. Estamos abandonados. Queremos trabalhar, mas a situação está caótica e chegou ao limite”.

A participação nos lucros também é cobrada pelos trabalhadores. Alguns afirmam que os pagamentos da PL do ano passado teriam sido feitos em cima de nove meses de trabalho e não doze.

FONTE: http://www.quotidiano.com.br/noticia-541/trabalhadores-clamam-por-melhorias-no-porto