Erosão no Açu: MPF apura responsabilidade do Inea e do Porto

O avanço do mar no Açu pode ser uma das consequências dos já esperados impactos ambientais causados pelo Complexo Portuário)

O avanço do mar do Açu é tema de investigação do Ministério Público Federal (MPF). Com base nos pareceres técnicos emitidos por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), o procurador Eduardo Santos Oliveira, acredita que a erosão do mar pode ser uma das consequências dos já esperados impactos ambientais causados pela implantação do Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu, no 5º distrito de São João da Barra.

No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar na principal avenida da localidade. No dia seguinte, uma equipe do MPF fez um levantamento na área, onde foram coletados depoimentos da população residente, além de fotos e vídeos. Segundo o procurador, durante a ação, a equipe técnica considerou que, do ponto de vista ambiental, as alterações observadas eram irreversíveis.

A pedido do MPF, os pesquisadores Eduardo Bulhões (UFF) e Marcos Pedlowski (Uenf) encaminharam pareceres técnicos nos quais afirmam que o avanço do mar acontecia em função das obras do Porto do Açu. Esses danos também foram apontados em alguns Relatórios de Impactos Ambientais (Rima) emitidos antes mesmo do Instituto Nacional do Ambiente (Inea) conceder a licença que autorizou o início das intervenções no local. “Ao que tudo indica, o avanço do mar não é natural como a erosão em Atafona, por exemplo. Mas o que podemos afirmar neste momento é que os danos não são surpreendentes”, disse o procurador.

Eduardo Oliveira ressalta que os impactos ambientais têm gerado preocupações, não somente ambientais, mas também sociais e de saúde pública. “No âmbito ambiental é possível notar que, além da perda da faixa de areia, existe ainda um mangue que provavelmente será coberto pelo mar. Já na questão social, a equipe técnica que esteve na localidade observou que a população está temerosa. E a saúde pública também é um ponto a ser levado em consideração porque, devido à salinização do rio Paraíba do Sul, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) em São João da Barra tem encontrado dificuldades para captar água”, explicou.

Neste momento, o MPF está analisando o levantamento coletado pela equipe técnica – em conjunto com os pareceres dos pesquisadores das universidades – para apurar quem são os responsáveis pelos danos. O próximo passo, segundo o procurador, seria intimar o Inea e a empresa responsável pela construção do Porto, Prumo Logística, para comparecer ao Ministério Público e explicar as razões pelas quais os riscos passaram despercebidos. A partir de então, o MPF vai avaliar se é possível corrigir o rumo e minimizar os impactos. “Ainda não podemos apontar um culpado, por isso estamos investigando o caso minuciosamente. Mas posso afirmar que estamos com os olhos voltados para o Inea por ter licenciado uma obra que cause tantos dados ao meio ambiente e à população”, declarou.

 
Outras investigações

O Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu vem sendo investigado pelo MPF desde 2008 quando foi instaurada uma ação civil pública para apurar o licenciamento do Porto do Açu, da extração do minério, em Minas Gerais, e do mineroduto. De acordo com o procurador Eduardo Oliveira, a obra do complexo logístico causa impactos em três estados brasileiros e, por esse motivo, a licença deveria ser concedida em conjunto por um órgão federal, como manda a lei.  “O MPF acredita que o Ibama deveria ser o órgão responsável por emitir o licenciamento, mas ao contrário disso, diferentes órgãos autorizaram as obras, o que não se sustenta legalmente”, argumentou.

O procurador salienta que o complexo portuário é privado, o que está fora dos padrões constitucionais. “O Porto será uma porta marítima para entrada no Brasil e o mar territorial pertence à União. Consta na Constituição Federal que os portos devem ser públicos, embora possam ser explorados por empresas particulares mediante concessão da União, como acontece no Porto de Santos. A preocupação do MPF é com a fiscalização dos contêineres que chegarão diariamente no Brasil. O porto possibilita uma entrada estratégica no país e esses contêineres podem abrigar materiais ilícitos – como drogas – e o Estado Brasileiro é obrigado a garantir que esses produtos não entrem no país. Queremos saber como a Receita Federal, a Alfândega e a Polícia Marítima vão fiscalizar essa nova rota”, questiona. Atualmente, essas investigações estão arquivadas.

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/57374/eros

Comitê quer proibir mineroduto da multinacional Angloamerican

mineroduto

Multinacional Angloamerican pretende exportar minério utilizando água de Minas Gerais para movimentar o Mineroduto Minas-Rio

O Comitê Mineiro em Defesa dos Territórios e do Mundo Natural Frente à Mineração encaminhou denuncia ao Ministério Público de Minas Gerais (MP) solicitando a imediata suspensão da licença de funcionamento da mina do projeto Minas Rio da multinacional Angloamerican.

Segundo a denúncia, a licença foi concedida de forma irregular, sem considerar os danos ambientais causados no teste do mineroduto que transportará o minério de Minas para o Rio de Janeiro consumindo grande quantidade de água.

Dentre os danos denunciados pelo Comitê Mineiro ao meio ambiente, em consequência da implantação do mineroduto, aparecem a elevada mortandade de peixes e os riscos da transferência de água entre bacias hidrográficas diferentes.

A denúncia também relata o abuso do poder econômico da multinacional Angloamerican que teria coagido técnicos durante o processo de elaboração dos pareceres para o licenciamento da mina localizada na cidade de Conceição do Mato Dentro (MG).

O Comitê Mineiro em Defesa dos Territórios e do Mundo Natural Frente à Mineração manifesta, no documento encaminhado ao MP-MG, a necessidade de modificação da política mineral voltada à exploração predatória de caráter exportador que desconsidera, inclusive, as determinações constitucionais.

Ao Sr. Procurador Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais Carlos André Mariani Bittencourt

O Comitê Mineiro em Defesa dos Territórios e do Mundo Natural Frente à Mineração por este instrumento vem requerer a urgente intervenção da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais no processo de concessão da licença de operação para a mina do Projeto Minas Rio da mineradora Anglo American no município de Conceição do Mato Dentro – MG pelos motivos que abaixo apontamos:

1 – A Constituição Federal em seu capítulo da Ordem Econômica apresenta como princípios básicos a soberania nacional, função social da propriedade, defesa do meio ambiente, redução das desigualdades regionais como forma de assegurar a todos uma existência digna e justiça social;

2 – Para cumprimento desta determinação constitucional torna-se indispensável  a efetividade do Estado no exercício das funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público;

3 – Tratando-se do licenciamento ambiental citado o fato planejamento e equilíbrio econômico/ambiental encontra-se prejudicado considerando-se a clara intenção predatória do empreendimento, cuja principal característica encontra-se na simples extração de minério de ferro por uma empresa estrangeira a custa da injustiça social e ameaça à soberania nacional.

4 – A citada empresa multinacional passa a deter, a partir desta concessão, o poder de implantar a sua política econômica de mineração atendendo aos interesses de seus acionistas em detrimento dos direitos assegurados na Constituição ao povo brasileiro, violando direitos, abusando do poder econômico e até exportando imensa quantidade de água de Minas Gerais para o Rio de Janeiro fatos que demonstram a ineficiência dos órgãos licenciadores;

5 – Como prova desta decadência do Sistema Ambiental de Minas Gerais, foi votada e aprovada pelo COPAM em 29 de setembro a licença de operação citada, mesmo sem o atendimento a princípios básicos como o de precaução e prevenção, participação popular e função social da propriedade.

6 – Os movimentos sociais da Articulação do Rio Santo Antônio relataram a este Comitê o cometimento de inúmeras outras irregularidades e ilegalidades por parte do COPAM, o que motiva a atuação do Parquet em defesa dos interesses difusos e coletivos sob ameaça. Dentre outras irregularidades, foi reportado o não cumprimento de condicionantes nas fases anteriores do licenciamento; a não caracterização do universo de atingidos e a não apuração de impactos ambientais de grande monta, incluindo intensa mortandade de peixes, no córrego Passa Sete em decorrência de testes pré-operacionais do empreendimento.

7 – Assim exposto, requeremos a imediata atuação do Ministério Público de Minas Gerais no sentido de pleitear administrativa ou judicialmente, a anulação da supra citada decisão do COPAM visando, principalmente, a segurança da população, o restabelecimento das condições dos corpos d´água afetados, a eliminação de riscos oriundos de barragens de rejeitos, além do restabelecimento das mínimas condições que sustentam o Estado Democrático de Direito e paz social, bem como a apuração e eventual criminalização de responsáveis pelos crimes e violações cometidos contra Conceição do Mato Dentro e região, sua gente, seu presente e futuro.

Pede deferimento o Comitê Mineiro em Defesa dos Territórios e do Mundo Natural Frente à Mineração, apoiado pelos movimentos:

– Movimento comunitário, cultural, esportivo e ecológico do Bairro Saudade e adjacências – MOC-ECO;
– Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST;
– Arquitetos sem Fronteiras;
– Águas do Gandarela;
– Família Franciscana / Sinfrajupe;
– Atingidos de Bicas;
– Centro Franciscano de Defesa dos Direitos – CEFAD – JPIC;
– Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB;
– Atingidos de Conceição do Mato Dentro;
– Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
– Greenpeace;
– Associação dos Povos Indígenas de Minas Gerais;
– PROUT;
– Articulação da Bacia de Santo Antônio

Belo Horizonte, 01 de outubro de 2014

Fernanda Gonçalves Oliveira p/ Comitê Mineiro em Defesa dos Territórios e do Mundo Natural Frente à Mineração

FONTE: http://averdade.org.br/2014/10/comite-quer-proibir-mineroduto/

Cafezinho: Diretor do Instituto Paraná nomeado para estatal tucana

hidalgo

Diretor do Instituto Paraná é nomeado para estatal tucana

Por Miguel do Rosário

Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, que acaba de divulgar uma pesquisa para o segundo turno dessas eleições, colocando Aécio Neves com 54% dos votos válidos, contra 46% de Dilma, já está nomeado para integrar o novo governo de Beto Richa.

A informação vazou para o blog do Esmael, há algumas horas.

Imaginem se fosse o contrário? Se o Vox Populi divulgasse uma pesquisa mostrando a liderança isolada de Dilma poucos dias depois de vazar a informação de que ele seria nomeado para a diretoria de uma estatal do PT?

Hidalgo deverá dirigir a Celepar, companhia de TI do estado do Paraná.

A pesquisa cheira a uma grande farsa, porque dá vantagem a Aécio inclusive entre os mais pobres.

Depois do fiasco das pesquisas nas eleições do primeiro turno, os institutos agora abandonaram todos os escrúpulos no segundo. Em especial este de Hidalgo, novo empregado de Beto Richa.

PS: Veja porque a pesquisa do Instituto Paraná parece fraude.

No primeiro turno, foram registrados 104 milhões de votos válidos.

Dilma obteve 43 milhões de votos. Aécio, 34,9 milhões. 25,8 milhões de votos foram dados a outros candidatos, sobretudo Marina.

O Instituto diz que Dilma tem, no segundo turno, 46% dos votos válidos. Isso corresponderia, então, a 47 milhões de votos.

Ou seja, Dilma teria herdado apenas 4 milhões de votos dos outros.

E Aécio, teria herdado… 21,27 milhões.

É muita cara de pau.

Tem mais.

O instituto dá 55% para Dilma no Nordeste. Isso corresponderia a 16 milhões de votos, num total de 29 milhões de votos válidos na região.

Ora, Dilma teve 17,45 milhões de votos no Nordeste no primeiro turno. Quer dizer que ela, além de não herdar nenhum votinho de Marina, ainda perderia mais de 1 milhão de votos?

Aécio, por sua vez, de uma hora para outra, se tornaria um campeão do Nordeste?

Conta outra!

PS 2: A pesquisa foi paga pelo próprio instituto, e custou R$ 62 mil. É muita disposição para gastar dinheiro, não?

PS 3: O tal instituto Paraná não fez nenhuma pesquisa de abrangência nacional no 1º turno. Ao menos, não encontrei nada registrado no TSE, desde janeiro deste ano.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/cafezinho-diretor-instituto-parana-e-nomeado-para-estatal-tucana.html

Exame: Justiça veta unificação de plano de recuperação da OSX

Justiça cassou a decisão de primeiro grau que autorizava o grupo a apresentar um novo plano de recuperação judicial

Mariana Durão, do

Sergio Moraes/Reuters 

Um funcionário inspeciona a FPSO OSX-1, a primeira unidade flutuante de produção e armazenamento (FPSOs) da frota da OSX, no porto do Rio de Janeiro

Um funcionário inspeciona a FPSO OSX-1, a primeira unidade flutuante de produção e armazenamento da OSX

Rio – A 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio cassou a decisão de primeiro grau que autorizava o grupo OSX a apresentar um novo plano de recuperação judicial.

Uma nova assembleia de credores deverá ser marcada para votar os planos apresentados em maio por OSX Brasil, OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais.

Em agosto o juiz Gilberto Clóvis Farias Matos, da 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou a unificação dos planos de recuperação e, por consequência, da lista de credores das empresas.

A decisão atendeu a uma objeção da Caixa Econômica Federal, credora que questionou o uso das receitas de exploração do estaleiro da empresa no Porto do Açu (RJ) para pagamento de parte dos credores da OSX. A proposta consta do plano de recuperação original do grupo.

Os credores Acciona (R$ 300 milhões a receber da OSX Construção Naval) e Votorantim (R$ 588 milhões da OSX Brasil) foram contrários à unificação e recorreram ao Tribunal de Justiça.

O argumento usado é que somente a assembleia geral de credores teria poderes para modificar o plano.

Além disso, apontam que unificar a lista de credores fere a autonomia patrimonial das empresas em recuperação. Em audiência realizada na tarde desta quarta-feira, 8, a Justiça acatou as alegações.

“O poder judiciário demonstrou novamente que os credores no Brasil têm que ser respeitados. Caberá a eles deliberar a matéria, em respeito ao plano de recuperação que foi apresentado”, diz Leonardo Antonelli, advogado de um grupo de dez credores da OSX, como Perenco, Gcomex e Acciona.

A Acciona ainda aguarda o julgamento de outros recursos relativos à recuperação judicial da OSX.

Em um deles ela pede que os credores da OSX Leasing, subsidiária do grupo no exterior, sejam impedidos de votar na assembleia de credores que vai deliberar sobre os planos de recuperação, já que vão receber seus créditos integralmente no exterior.

“Com o plano como está apresentado o credor no Brasil fica a ver navios, enquanto o estrangeiro recebe”, diz Antonelli.

A OSX Leasing é a dona das plataformas de petróleo que o grupo pretende vender para pagar parte das suas dívidas.

A empresa não está em recuperação judicial, mas os bancos e “bondholders” estrangeiros que financiaram a construção das plataformas terão preferência no recebimento dos recursos obtidos com sua venda.

A dívida com essas instituições é de cerca de R$ 2,7 bilhões, de uma dívida total de R$ 4,2 bilhões da OSX. Isso daria a esse grupo um poder muito grande na aprovação dos planos.

A credora espanhola também quer a exclusão do voto dos credores minoritários. Isso porque o plano de recuperação judicial apresentado em maio prevê prioridade no pagamento de créditos de até R$ 80 mil (na OSX Construção Naval) e até R$ 25 mil (na OSX Brasil).

Eles receberiam em até um ano, contra um prazo de 25 anos para os demais. Na análise da empresa isso induz a aprovação do plano por esse grupo de credores.

A Acciona argumenta que, pela lei de recuperação judicial, o credor não terá direito a voto caso o plano não altere o valor ou as condições originais de pagamento de seu crédito.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/justica-veta-unificacao-de-plano-de-recuperacao-da-osx

O grande irmão de George Orwell está vivo e forte na UENF

O grande irmão de George Orwell está entre nós! Mas, como assim?  É que me foi chamada a atenção para o fato de que na UENF um denunciante anônimo junto ao MP teve sua máquina identificada após uma meticulosa busca interna. Essa descoberta inclusive já teria resultado em juras de justa retribuição, além de declarações de que isso não passa de mais uma manobra visando ganhos eleitorais em 2015.
Então qual é o aviso aos que quiserem denunciar algum malfeito: das duas uma: ou se faz a entrega denúncia publicamente no MP, ou não se faz no horário do expediente! Do contrário, o NSA uenfiano vai te identificar!
E em homenagem àqueles que identificaram tão celeramente alguém que comunicou ao MP uma transgressão interna em vez de apurá-la antes que a justiça o faça, posto uma singela imagem do presidente do Barack Obama no ´período em que explodiu o escândalo causado pelas denúncias feitas por Edward Snowden.
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Um filme fundamental para se entender a ditadura de 1964: a história dos advogados que defenderam os presos políticos

Ando meio cansado da ignorância de muitos jovens que hoje rondam as redes sociais com suas pregações neoliberais.  Nem tanto pelas ideias que são ralas, mas pela agressividade e pela indisposição a aceitar que a história do Brasil não começou com as reformas neoliberais do PSDB.

Atribuo essa agressividade a algo básico: a ignorância histórica e o senso de individualismo predatório que é alimentado pela cultura neoliberal predominante em nossa sociedade. 

Felizmente, essa fração da juventude está sendo rotulada como “direita mortadela”, pois abraçam valores excludentes estando eles mesmos excluídos das benesses que só os altos estratos das elites brasileiras estão usufruindo neste exato momento. A maioria, com toda a confusão que possa existir como resultado do processo político em andamento, resiste a essa ação agressiva da direita mortadela.

Para instruir a todos, inclusive os membros da direita mortadela, estou colocando abaixo um filme produzido por Silvio Tendler e que narra a saga de presos políticos e dos advogados que corajosamente os defenderam. Conhecer a nossa história é uma das formas fundamentais de nos prepararmos para evitar sua repetição enquanto tragédia ainda maior.

Privatizações: a Distopia do Capital

O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. 

A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital , que terá sua pré-estreia amanhã, quinta-feira, às 18:30h no Cineclube Silvio Tendler, no Museu da República, Catete.

Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é anegação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.  

Dia: 9 de outubro de 2014, quinta-feira

Hora: 18:30h
Local: Cineclube Silvio Tendler, Museu da República
Rua do Catete, 153 – Catete. 

Metrô: Estação Catete 

 

O INPH, uma novidade velha

A imprensa regional alardeou, e eu repercuti aqui neste blog, uma reunião que congregou o ainda deputado Roberto Henriques, o prefeito de São João da Barra, Neco, e representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH).

Pois bem, intrigado com o teor do material circulado pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra que dava conta que o INPH considera que o problema ocorrendo na Praia do Açu é de relativa facilidade para sua solução,  fiz uma rápida busca no Google e encontrei matérias dando conta que o mesmo órgão já anda pela região de São João da Barra, e prometendo fazer o mesmo tipo de “milagre” em outras partes da faixa costeira sanjoanense.

A notícia que mais me pareceu similar, em termos desta aludida facilidade, foi esta (Aqui!). O problema é que a mesma data de praticamente um ano atrás, e a informação era de que os estudos para a solução de problema similar entre Atafona e Grussai ficaria pronto até abril de 2014, ou seja, 6 meses atrás.  Entretanto, uma das matérias circuladas a respeito já deu conta que isto só ocorreu em Agosto, e o custo estimado para aplicar a proposta do INPH giraria em torno de R$ 140 milhões a R$ 180 milhões! 

Dada a urgência que observo na situação da Praia do Açu, temo que se o INPH demorar o mesmo tempo para sugerir um projeto de engenharia que resolva o problema,  a ação do mar já terá resolvido isso bem antes. O problema é que a solução do mar implicará na aniquilação da Barra do Açu enquanto local viável para habitação das quase 2.000 pessoas que hoje lá vivem.

Em suma,  o sentido de urgência dentro da Prefeitura de São João da Barreira deveria passar para “CODE RED” o mais rápido possível. Do contrário, São João da Barra poderá perder uma localidade inteira. E que depois ninguém venha culpar a natureza.

Dúvida familiar

Ontem me chegou a notícia de que há uma nova divisão dentro da família de Anthony Garotinho, que já possui tantas fissuras cuja mais famosa é do irmão Nelson Nahim. Agora, o problema parece estar localizado mais perto, colocando de um lado o filho Wladimir e, de outro, a filha Clarissa na disputa pela sucessão familiar que um dia virá.

Se fosse para arriscar em quem Garotinho deveria apostar o futuro de seu clã político, em quem o leitor deste blog votaria?

Eu pessoalmente não hesitaria em apontar Clarissa como a mais capaz e preparada para levar o nome Garotinho muito mais longe, desafiando inclusive os limites paroquiais em que tradicionalmente Garotinho vem operando. Não é por nada contra Wladimir, pois nem o conheço e nunca trocamos uma palavra sequer. Mas já estive com Clarissa várias vezes e dela recebi apoio crucial numa hora tenebrosa para os interesses dos docentes da UENF, mesmo eu tendo relembrado a ela as diferenças políticas enormes que mantenho com seus pais.Também notei nos poucos encontros que mantivemos na ALERJ e na UENF que ela tem a velocidade de raciocínio do pai, mas com uma distinta capacidade de ser efetivamente mais simpática até aos adversários. Juntadas estas capacidades, está ai a razão da minha aposta na filha, e não no filho.

Em tempo: considero que qualquer anúncio celebrando o enterro político de Anthony Garotinho é mais do que precoce, e baseado apenas no desejo subliminar de que o maior inimigo simplesmente saia de cena sem lutar. E isto vale para fora, mas também e especialmente para dentro de seu grupo político. Gostem ou não dele, Garotinho ainda estará num lugar de destaque na vida política municipal por muito tempo. E quem não gostar disso que trabalhe mais e resmungue menos.

Exame: Justiça federal instaura ação penal contra Eike em SP

Fundador do grupo EBX é acusado de ter praticado manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas na negociação de ações da OSX

Mariana Sallowicz, do
VEJA SÃO PAULO
 Eike Batista

Eike Batista: empresário também é réu em outra ação, no Rio de Janeiro

Rio – A Justiça Federal aceitou hoje denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em São Paulo e instaurou ação penal contra Eike Batista por crimes financeiros.

O fundador do grupo EBX é acusado de ter praticado manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas na negociação de ações da OSX, sua empresa de construção naval.

O empresário também é réu em outra ação, no Rio de Janeiro. Nesse caso, é acusado de ter cometido crimes contra o mercado de capitais na negociação dos papéis da petroleira OGX (rebatizada de Óleo e Gás Participações).

As duas empresas estão em processo de recuperação judicial.

De acordo com a denúncia, o empresário vendeu quase 10 milhões de ações da OSX em 19 de abril de 2013, negócio que somou R$ 33,7 milhões. A transação teria sido realizada poucos dias depois de um reunião que definiu o futuro da companhia.

O novo plano de negócios previa uma série de cortes de custos e investimentos, o que demonstrava dificuldades de caixa da OSX.

As informações, que causariam queda significativa do valor das ações da empresa, só foram comunicadas ao mercado em 17 de maio, quase um mês depois da operação de Eike para vender seus ativos, aponta o MPF.

Segundo a denúncia, o empresário utilizou dados ainda desconhecidos pelos demais investidores para livrar-se de prejuízos de cerca de R$ 8,7 milhões que a depreciação das ações trariam a seu patrimônio.

Caso seja condenado pelo uso de informação privilegiada, Eike pode ser condenado à prisão por período de um a cinco anos e ao pagamento de multa de até três vezes o valor da vantagem obtida.

“O acusado deveria ter divulgado fato relevante ao mercado e à CVM, informando, em data anterior à venda de suas ações, o interesse da companhia em atualizar seu Plano de Negócios, com perspectivas negativas”, afirmou recentemente a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, autora da denúncia.

O juiz federal substituto Paulo Bueno de Azevedo acolheu um pedido de reconsideração do MPF e determinou que a ação tramitará em São Paulo.

Em decisão anterior, o juiz federal substituto Márcio Assad Guardia havia ordenado o envio dos autos para apreciação da Justiça Federal no Rio de Janeiro

Após manifestação do MPF, o juiz Paulo Bueno de Azevedo destacou que a manipulação de mercado ocorreu na capital paulista, já que informações que deveriam constar de um informe que a OSX divulgou na Bolsa de Valores de São Paulo foram omitidas.

“Somente a divulgação do fato relevante consubstanciou a manobra fraudulenta do crime em apreço. Como tal divulgação certamente ocorreu em São Paulo, ao menos no Boletim Diário de Informações da Bovespa, tenho que o crime se consumou neste momento”, escreveu o magistrado.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/justica-federal-instaura-acao-penal-contra-eike-em-sp