Estádio de Atletismo Célio de Barros virou estacionamento da FIFA

VIROU ESTACIONAMENTO DA FIFA. Este é o Estádio de Atletismo Celio de Barros.

O Celio de Barros é o único local de treinamento adequado no Rio de Janeiro para todas as modalidades de atletismo das Olimpíadas. O espaço foi fechado foi asfaltada em janeiro de 2013 sem aviso prévio aos atletas, professores, treinadores e alunos dos projetos sociais. Desde então, todos estão treinando agora na rua, de forma improvisada, a 2 anos dos Jogos Olímpicos.

No dia 29 de abril de 2014, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj realizou audiência pública para debater o futuro do estádio. Queremos que a secretaria da Casa Civil receba os atletas e professores para apresentar à sociedade civil interessada um projeto de reforma do espaço para que volte a ter seu uso público.

Para todos que conhecem o espaço e sua importância, é muito triste ver essa imagem.

Foto: Daniel Vasconcellos
#AscomMarceloFreixo

Por Marcelo Freixo

O Célio de Barros é o único local de treinamento adequado no Rio de Janeiro para todas as modalidades de atletismo das Olimpíadas. O espaço foi fechado foi asfaltada em janeiro de 2013 sem aviso prévio aos atletas, professores, treinadores e alunos dos projetos sociais. Desde então, todos estão treinando agora na rua, de forma improvisada, a 2 anos dos Jogos Olímpicos.

No dia 29 de abril de 2014, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj realizou audiência pública para debater o futuro do estádio. Queremos que a secretaria da Casa Civil receba os atletas e professores para apresentar à sociedade civil interessada um projeto de reforma do espaço para que volte a ter seu uso público.

Para todos que conhecem o espaço e sua importância, é muito triste ver essa imagem.

Foto: Daniel Vasconcellos

FONTE: Ascom/MarceloFreixo‬

Para recordar: Maracanã terá de ser fechado por pelo menos quatro meses por obras da Olimpíada de 2016FONTE:

Gustavo Franceschini, Do UOL, em Londres (Inglaterra
Divulgação/Portal da Copa
  • A reforma no Estádio Mário Filho, o Maracanã, no Rio de Janeiro, já está 50% concluída

O Maracanã terá de ser fechado mais uma vez para obras depois da Copa do Mundo. Após de passar por reformas para o Pan de 2007 e para o Mundial de 2014, o maior estádio do Rio de Janeiro não poderá ser usado por pelo menos quatro meses para se preparar para a Olimpíada de 2016.

O fechamento do estádio foi anunciado nesta sexta-feira pelo diretor-geral do Comitê Olímpico e Paralímpico Rio 2016, Leonardo Gryner. Segundo ele, os jogos no Maracanã serão suspensos para que o local ganhe, entre outras coisas, a pira olímpica dos Jogos de 2016.

“Às vezes são necessárias algumas mudanças como, por exemplo, a implantação da pira olímpica. Então ele [o estádio] deve ser fechado de quatro a seis meses antes dos Jogos, sendo que nos dois primeiros meses desse período ele ainda poderia ser utilizado simultaneamente em jogos de futebol”.Gryner disse que as intervenções necessárias no estádio serão definidas somente a partir de 2014. No ano da Copa do Mundo, será criada uma comissão que decidirá sobre as cerimônias que serão realizadas no estádio durante a Olimpíada.O Maracanã vai sediar a cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016, além de partidas de futebol. Na Copa do Mundo, o estádio será palco da partida final.O estádio está fechado desde setembro de 2010 para obras. A reforma do Maracanã está oficialmente orçada em R$ 859 milhões e foi iniciada pouco mais de três anos depois do estádio ter sido reinaugurado para os Jogos Pan-americanos de 2007.

FONTE: http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2012/08/03/maracana-tera-de-ser-fechado-por-pelo-menos-quatro-meses-por-obras-da-olimpiada-de-2016.htm

Denúncia de condição de alojamento impróprios para operários da Acciona no Porto do Açu

Recebi no e-mail interno deste blog, a denúncia abaixo que me parece genuína, pois já tinha ouvido rumores de que o problema. Agora, o que me impressiona é o fato de que o denunciante diz que ninguém está indo fiscalizar as condições em que os operários estão sendo acomodados! Agora vamos que o Ministério Público do Trabalho ou o próprio Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campos apurem essa denúncia, Mesmo porque o denunciante deu o local onde estaria hospedado.
 

Denúncia sobre más condições de alojamento de operários da Acciona

Acordei muito cedo,cheguei quase  agora do trabalho e estou tentando dormir e não consigo porque o quarto é muito abafado e apertado. Todos os amigos estão reclamando porque sou funcionário da empresa Acciona Infraestrutura, e quarta-feira(11/06) fomos obrigados a sair do alojamento em que estávamos a mais de um ano no bairro Alphaville em Campos, que  era muito bom porque tinha ar condicionado nos quartos, tudo muito novo e limpinho,refeitório com ar condicionado, quartos limpos e roupas lavadas,quartos com janelas grandes,quarto muito bom com cortina,garagem. Enfim, tudo direito.
 
Fomos pegos de surpresa sem explicação e nos levaram para uma pousada chamada W.A no inicio de Grussaí, que não tem área de lazer,quartos com umidade e tem um basculante nos quartos. Se fosse na época da OSX não ia permitir porque está tudo errado.Ficamos sabendo que o motivo foi para economizar,só que não viram como estamos ficando e nosso bem estar.
 
Peço que não divulgue meu nome porque fomos avisados que se falássemos ou reclamássemos,  a gente seria mandado embora. Ajude-nos. A empresa Acciona não está respeitando nem as normas e nem seus empregados.

Peço que venha ver o que está acontecendo porque  a Acciona está fazendo isso e ninguém fala conosco, e estou até agora sem dormir! Aqui ninguém veio fiscalizar: mandaram a gente entrar e acabou.

Com Luciana Genro candidata a presidente, PSOL sai da armadilha em que se colocou

Não tenho me entusiasmado muito com toda a discussão pré-definição de candidaturas presidenciais, mas a providencial retirada de Randolfe Rodrigues e a entrada de Luciana Genro na cabeça de chapa do PSOL me dá algum ânimo de que os que são contra a manutenção das políticas neoliberais implantadas por Fernando Collor terão alguém que possa expressar uma alternativa da esquerda brasileira ao modelo dominante. No mínimo, pela trajetória e firmeza ideológica, Luciana Genro habilitará o PSOL a dialogar com as centenas de milhares de brasileiros que saíram às ruas a partir de junho de 2013 para protestar contra os efeitos malévolos do atual modelo econômico que a aliança conservadora liderada pelo PT vem impondo sobre a juventude e a classe trabalhadora do Brasil.

Agora, espero que haja também um diálogo genuíno com outras forças de esquerda que resulte na formação de uma aliança eleitoral que consiga dialogar com os descontentes e marginalizados, de modo a preparar o caminho para a necessária reorganização política que a crise sistêmica do capitalismo requer. Afinal, não há nada a esperar das candidaturas de Dilma, Aécio e Campos. Aliás, há sim. Mais arrocho e repressão, variando apenas a intensidade.

Mídia Ninja: A Polícia Política de Aécio Neves e Pezão  

A advogada ativista Eloisa Samy, que esteve durante 12 horas nas dependências policiais, teve retido, durante todo o dia, seus equipamentos eletrônicos, além de máscaras de proteção e inclusive objetos de uso pessoal e esportivo. Eloisa relatou à Mídia NINJA que foi acordada em sua residência às 6 horas da manhã por três policias civis e uma delegada de apoio da Corregedoria de Polícia Civil. A diligência incluía ainda um agente gravando com celular toda a ação.

O mandado de busca e apreensão era destinado ao menor de idade que Eloisa tem sob sua guarda legal. Anexo à sua residência, funciona o seu escritório de advocacia, cujos equipamentos foram todos apreendidos, apesar da exigência legal de que ações contra estes profissionais sejam obrigatoriamente acompanhadas pela CDAP – Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da OAB. Em função desta ilegalidade e pela garantia do sigilo profissional dos clientes da advogada, cujas informações estavam em seus equipamentos e graças à atuação da CDAP-OAD foi declarada a nulidade das apreensões, os equipamentos foram restituídos à Eloisa. Entretanto, todo os equipamentos apreendidos na execução dos outros mandados segue em poder das autoridades policiais.

NOS PORÕES DO SIGILO

Segundo Eloisa, os mandados apresentavam como SIGILOSOS tanto o nome dos acusados quando as denúncias que lhes eram feitas. “A gente não sabia o que estava sendo investigado, quem ou por quê”, diz a advogada. Segundo Eloisa todos foram conduzidos coercitivamente na condição de testemunhas, e assim foram tomados os depoimentos que, segundo ela, traziam perguntas ao redor de CRIMES DE OPINIÃO e da participação na ORGANIZAÇÃO de manifestações públicas.

No fim do dia, a BBC Brasil revelou que teve acesso a um mandato de busca e apreensão e também a um processo movido pelo Senador Aécio Neves. Os mandados foram emitidos após o pedido de investigação feito pelo próprio senador e teriam sido cumpridos todos já nesta quarta, três dias antes da Convenção Nacional do PSDB, quando a candidatura do senador à Presidência da República deve ser oficialmente lançada. A equipe do senador, em nota, confirmou à BBC Brasil o “pedido de investigação dos crimes praticados contra o senador Aécio Neves por quadrilhas virtuais”. Aécio nega, no entanto, que tenha solicitado a “invasão” das residências.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou apenas que “recebeu representação do senador Aécio Neves e está realizando diligências, que incluem o cumprimento de mandados de busca e apreensão.” O MP fluminense afirma ainda ter decretado sigilo “porque as diligências estão em andamento”. O sigilo nas investigações e o obscurantismo da intimidação aos acusados de ‘delitos de opinião’ nos lembram ainda ações efetuadas em Minas Gerais, contra jornalistas e críticos de Aécio.

Segundo a BBC, o texto do processo, assinado pelo promotor de justiça Luís Otávio Figueira Lopes, pede investigação de supostos crimes contra a honra do senador “através da colocação de comentários de leitores em sites de notícias”. Ainda de acordo com o processo, os autores dos supostos comentários teriam a intenção de “alterar os resultados dos mecanismos de buscas na internet (por exemplo, o site Google), fazendo com que tais páginas – ainda que substancialmente irrelevantes – alcancem destaque nos resultados das pesquisas eletrônicas”.

NÃO TEM ARREGO

Ao que tudo indica, dos dezessete mandados seis teriam relação com a denúncia de Aécio Neves e os outros onze são política preventiva de intimidação à ativistas e críticos do governo Cabral. Há também vingança contra aqueles que prestaram assistência aos detidos nas prisões ilegais em massa efetuadas no Rio de Janeiro, e veem enfrentando as arbitrariedade e os ataques ao Estado de Direito promovidos pelo próprio poder público. Como é o caso da advogada ativista Eloisa Samy que nos garante presença no ato convocado para às 10 horas, amanhã, na Candelária. “Estarei nas ruas, não tem arrego”, diz Eloisa.

O pacto que une o Senador Aécio Neves ao governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, já mostra sua cara nas vésperas da Copa. O Aezão da censura e da intimidação é também certeza de criminalização dos movimentos sociais e da instauração de uma caça às bruxas para o que consideram ‘delitos de opinião’. O cardápio inclui intimidação dos críticos, conivência da Justiça e todo obscurantismo kafkiano que mora sob o rótulo deste tipo de ‘sigilo’ dos bastidores da máfia que une políticos e empresários.

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/A-Pol%C3%ADcia-Pol%C3%ADtica-de-A-1

Águas do Paraíba: Mais uma conta “premiada” e as questões que continuam clamando por respostas

De tempos em tempos, a concessionária ´”Águas do Paraíba” me presenteia com uma conta estratosférica para a qual a única saída prática é o pagamento. Afinal, já aprendi que reclamar diretamente com o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) é um desperdício de tempo e paciência, e nem tenho como me utilizar do PROCON já que para lá se dirigem centenas de vítimas de todo tipo de desmando que as diferentes concessionárias impõe ao cidadão campista transformado compulsoriamente em consumidor/vítima.

Mas não é que depois de meses de contas que refletem o consumo de uma unidade domiciliar com baixo consumo, eis que a conta de Junho novamente me surpreende com um valor de  consumo de 28 m3,  valor que fica “apenas” 15,2 m3 acima da média dos meus últimos seis meses de consumo, como bem mostram as duas imagens abaixo.

conta apraiba

 conta-junho

Afora o sentido de indignação que esta diferença do consumo apontado com a média consumida me causa, visto que no período de medição estive vários dias fora de Campos dos Goytacazes,  quando vejo que metade dos R$ 273,78 que me são cobrados se refere à coleta de esgotos, ai é que eu fico indignado.

 conta-esgoto

 É que não bastasse a recente operação do Ministério Público Federal que flagrou o lançamento de esgoto in natura na calha principal do Rio Paraíba do Sul, tenho visto o uso de caminhões para drenar o esgoto da rua em que eu resido, o que indica que o sistema de esgotamento sanitário não está funcionando como deveria.

 Além disso, como o custo exorbitante referente à parte do esgoto não implica necessariamente em tratamento, mas meramente coleta, eu me pergunto e pergunto a todos os leitores deste blog, quando é que teremos uma intervenção da Prefeitura de Campos dos Goytacazes para rever a situação absurda que representa a atual estrutura de cobrança dos serviços de água e esgoto em nossa cidade.

Até que isso aconteça, estou convencido que dependeremos da ação diligente do Ministério Público Federal para garantir que esse custo que nos é imposto não seja apenas uma forma de cafezinho grátis para a concessionária “Àguas do Paraíba” aumentar as suas já estratosféricas taxas de lucro.

Sakamoto: Aquela, em Itaquera, não era a torcida brasileira. Nem de longe

Por Leonardo Sakamoto

Quem está acostumado a ir em estádios em jogos da série A e B do campeonato brasileiro (sou palmeirense, não desisto nunca), em caneladas de campos de várzea com esquadras de brasileiros e bolivianos ou se lembra do saudoso Desafio ao Galo, estranha quando vê as arquibancadas praticamente monocromáticas da Copa do Mundo.

Por favor, não me leve a mal. Todos têm direito a se divertir.

Mas como temos mais brancos ricos do que negros ricos por aqui (fato totalmente aleatório uma vez que não somos racistas) era de se esperar que isso acontecesse. Ainda mais, considerando-se a facada que pode ser um ingresso diretamente com a Fifa ou via a sagrada instituição do camelô.

Ouvindo o rádio, o locutor cravou: “Olha que maravilha! É a família brasileira voltando para os estádios”. Na verdade, um tipo específico de família, a de comercial de margarina. Pois os jogos de Copa são um momento em que o tecido espaço-tempo se rasga e tudo ganha caras de universo paralelo – regado a muito dinheiro público e ação pesada para manter as “classes perigosas” longe. Na dúvida, bomba nelas.

Particularmente acho que a consequência imediata mais nefasta da presença de uma torcida que não frequenta estádios regularmente é que ela não empurra o time como necessário.

“Leleô, leleô, lelêo”, “Brasil, Brasil, Brasil” e “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooor!” (#vergonhalheia) intercalados com grandes momentos de silêncio é algo estranho de se ver. Não estou defendendo que o estádio seja dividido entre a Mancha, a Gaviões e a Independente (essas, sim, capazes de empurrar qualquer coisa e que não param nunca – mas que vêm com a contrapartida de alguns dodóis que não sabem brincar sem bater). Apenas afirmando que aquela, no estádio, não era a “torcida brasileira”. Nem de longe! A torcida que, faça chuva ou faça sol, ganhando ou perdendo, está lá apoiando seu time, ao vivo, por mais medíocre que ele seja. Esse pessoal, que ajuda nosso futebol a ser o que é, mereceria estar melhor representado nas arquibancadas do Itaquerão.

Fico imaginando como seria se o preço fosse acessível e o acesso aos ingressos viesse pelas mais democrática das práticas: o sorteio de interessados cadastrados. Talvez mais gente que assistiu a partir do telão no Anhangabaú estivesse em Itaquera.

Pessoal que não tira selfie no trem, a caminho do jogo, e posta nas redes sociais pois já pega o mesmo trem todos os dias para ir ao trabalho.

Galera para a qual, esta quinta (12), não foi sua primeira, nem sua última vez na periferia da cidade.

Turma que trabalhou nas obras que tornaram o circo possível. Mas, agora, vão assistir tudo a uma distância considerada segura pelos donos da festa.

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/06/13/aquela-em-itaquera-nao-era-a-torcida-brasileira-nem-de-longe/

Mídia Ninja: Brasil Na Luta Por Direitos: Saiba porque os protestos tomaram as ruas do país

NINJA AO VIVO

A violência policial foi o despertador do dia que abriu a Copa do Mundo no Brasil. A bola rolou e o espaço público foi campo de uma partida dura contra o Estado, que escalou militares para a defesa da ordem. Além de São Paulo, palco da estréia da seleção, as cidades de Belém, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro foram sede do verde, do amarelo e das ruas.

Os manifestantes denunciaram os direitos violados nos preparativos da Copa, colocando suas pautas e revindicações no radar da imprensa internacional que acompanhou de perto todas as movimentações. Diante desse Big Brother, ávido por imagens de confrontos, perdeu-se a oportunidade de celebrar o amadurecimento de nossa Democracia, evitando a repressão desmedida aos movimentos. As imagens, sem cortes e vindas de fontes diversas, mostraram claramente a maneira com que a violência do Estado e seu ímpeto repressor age cotidianamente em todo o país. Mostramos ao mundo, sem máscaras ou maquiagens, o que temos de pior: a Polícia Militar brasileira.

Em SP um pequeno grupo de manifestantes contrastava com o grande amontoado de jornalistas e mídias livres com suas câmaras e equipamentos de segurança. Camera-mens e black blocs, sindicalistas e repórters: Foram todos rodeados pela tropa de Choque e atacados por bombas de efeito moral, balas de borracha, cassetetes. Os repórteres estrangeiros sentiram o tempero mais frequente das ruas brasileiras, com toques de pimenta e lacrimogêneo.

Ao menos dois profissionais da rede CNN ficaram feridos, um argentino da Associated Press e ainda um cinegrafista do SBT. A manhã na zona leste seguiu movimentada com a junção dos Black Blocs ao ato de apoio aos Metroviários demitidos pelo Governo de SP após a greve. Acuados pela polícia, os grupos pareciam extravasar a tensão do momento em acusações mútuas, equivocadas e úteis somente ao controle da PM.

A Polícia de São Paulo ainda evacuou com violência os manifestantes que protestavam na Estação do Metrô Tatuapé. No Anhangabau, muitos torcedores ficaram de fora do Fan Fest. Realizado em espaço público mais com vagas esgotadas.

No Rio de Janeiro dois atos se juntaram na Candelária, cerca de 4 mil pessoas caminharam pacificamente da Avenida Rio Branco até a Lapa. No final do trajeto a polícia dispersou o ato de forma abusiva e violenta, com muitas averiguações e detenções. Na hora que a bola rolou nas telas, as ruas de Copacabana foi dividida entre o ‘Não vai ter Copa’ e o público que foi ao Fan Fest na praia. O encontro das diferenças. Entre um gol contra e a conquista do empate, os atritos e desavenças entre torcedores e manifestantes fizeram a atmosfera da orla.

Belo Horizonte, cidade mineira marcada pelos confrontos mais tensos da Copa das Confederações, não ficou fora de campo. O contigente excessivo de policiais, somado à ação direta de Black Blocs deu início a clássica partida de ‘futebol de fumaça’ com sequências de disparo de bombas de gás, e equipes desequilibradas: de um lado o aparato bélico do Estado, do outro estilingues, pedras e lixeiras quebradas.

Porto Alegre, Brasília e Belém também tiveram levantes contra a FIFA, garantindo agitações de norte a sul na estréia da Seleção.

As reivindicações das ruas não são apenas contra os gastos abusivos nas obras da Copa, mas contra as grandes corporações e seu acúmulo predatório, uma verdadeira ameaça à sustentabilidade do planeta.

Não são apenas contra a violência policial e repressão, mas exigem o fim do genocídio de negros e pobres nas favelas e a desmilitarização da polícia com a aprovação da PEC 51.

Não só denunciam a Ditadura midiática que vive o país, mas pautam uma comunicação democrática, com regulação dos meios em observância ao interesse público e sua função social.

Não são só contra o caos no transporte público, os péssimos serviços prestados a os preços altíssimos. Caminham para uma política efetiva de mobilidade, que faça a cidade ter sentido de ponta a ponta.

Não são só críticos com o déficit democrático e a distância entre os partidos políticos e a sociedade. Redesenham a arquitetura do sistema político nacional, com uma reforma política e Constituinte exclusiva.

Não são somente contra as máfias dos planos de saúde e do ensino privado. Idealizam uma saúde e educação públicas, gratuitas e de qualidade, com serviços públicos à altura do desafio de retirar o Brasil do vergonhoso 85º lugar no Ranking global do Desenvolvimento Humano.

Não são somente contra, enfim, o racismo, o machismo, a homofobia e a transfobia. Criam um ambiente capaz de por fim à violência e ao ódio que nascem dos preconceitos. Clamam pela ampliação dos direitos civis, reduzindo as desigualdades, punindo o preconceito. Por uma cultura de paz e convivência que ponha fim à guerra aos pobres e a guerra às drogas, imposta pelo proibicionismo e pela violência repressora.

Não é só contra a Copa, é por Direitos.

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/Brasil-contra-a-Copa-Saiba-porque-os-p-1

EL País: Os protestos ofuscam a estreia da Copa do Mundo no Brasil

As manifestações anti-Copa se juntam à concentração de metroviários e atraem os Black Blocs, que fizeram trincheiras de fogo num bairro próximo ao Itaquerão

No resto da cidade, os torcedores seguiam eufóricos para o estádio

PEDRO MARCONDES DE MOURA

A polícia dispara contra os manifestantes na zona leste. / MARIO TAMA (GETTY)

A Copa do Mundo está a ponto de começar. Mas os protestos que, há um ano acompanham sua organização, persistem. Focos de manifestação e greves de vários setores e em várias cidades brasileiras ofuscaram o dia de estreia do Mundial. Em São Paulo, que está tomada por policiais e por soldados do Exército, agentes anti-motins dissolveram hoje pela manhã com gases lacrimogênios um protesto de uma centena de pessoas que reclamava pelas despesas do Mundial, às portas da partida inaugural de hoje. A agência Reuters contabilizou pelo menos oito feridos, a maioria jornalistas, e algumas pessoas foram detidas.

Os manifestantes reuniram-se próximos à Radial Leste, um dos acessos do estádio Itaquerão, onde às 17h horas começa o jogo entre a Croácia e o Brasil. A polícia cercou os manifestantes, que retrocederam várias centenas de metros e acabaram se unindo a um grupo de trabalhadores do metrô de São Paulo – que rapidamente tratou de se desvencilhar do conflito. Os metroviários estavam concentrados também na região, onde fica o sindicato dos metroviários, para protestar contra o Governo do Estado pela readmissão dos 42 demitidos de uma greve recente, desconvocada na segunda-feira, que paralisou durante cinco dias a cidade. Teve início o corre-corre, os distúrbios, jovens encapuzados começaram a derrubar sinais de trânsito e a fazer barricadas de lixo que foram incendiadas na sequência, levantando uma fumaça preta que assustou os moradores da região.

Os trabalhadores do metrô se preocuparam em não se misturar com os jovens mais violentos, que lançavam pedras aos agentes. A polícia, enquanto isso, continha os protestos e tratava de cercar os manifestantes de maneira que não se aproximassem das vias de acesso ao estádio. Conseguiu. Tudo isso acontecia na zona leste da cidade. No resto, os pedestres de camiseta amarela, torcedores emocionados e sorridentes e turistas se dirigindo ao estádio.

Enquanto isso, no Rio produziu-se uma greve de trabalhadores dos aeroportos que afetou uma das vias de acesso ao terminal internacional. Professores que exigiam melhores salários fizeram passeatas no centro da cidade. Em Natal, no nordeste do país, também sede do Mundial, se anunciava uma greve de motoristas de ônibus que afetava meio milhão de pessoas. Já em Porto Alegre, uma manifestação antiCopa tomou conta do centro. Aproximadamente 150 pessoas se juntaram em frente à prefeitura municipal para protestar contra os gastos da competição. Houve atos de vandalismo, e a tropa de choque chegou para conter os ataques à Secretaria de Turismo.

As imagens nas redes de televisão brasileiras mostravam bombeiros tentando apagar os focos de fogo em São Paulo, policiais vestidos como Robocops e nuvens de jornalistas com capacetes ziguezagueando entre uns e outros. Uma moradora do bairro do Tatuapé admitiu: “Que pena: meu bairro está em guerra”.

No final da manhã, os metroviários fecharam a sede do sindicato para proteger os manifestantes da polícia. Ficaram de fora apenas um grupo de simpatizantes da tática Black Bloc e policiais. A PM bloqueou as vias de acesso ao local para evitar que a aglomeração aumentasse.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/12/politica/1402588208_408345.html