Sociólogo expressa preocupação com as pressões em curso sobre a comunidade quilombola de Barrinha em São Francisco do Itabapoana

Por Túlio Teixeira*

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  Membros do Quilombo de Barrinha no município de São Francisco do Itabapoana. PEDROSA, Simone. Fotografias de Arquivo Particular. 2008.

Sabemos que na modernidade a lógica do sistema capitalista busca a qualquer preço a obtenção da taxa de lucratividade, mesmo que isto implique em graves prejuízos para as tradições culturais das diversas comunidades locais; acarrete na acentuação das injustiças jurídicas e econômicas advindas da exploração ilimitada dos segmentos desfavorecidos uma vez que existe toda uma estrutura hierárquica sustentada pela ganância de políticos liberais, ricos empresários nacionais e dirigentes estrangeiros ligados as grandes indústrias multinacionais que criam toda uma ideologia do oportunismo visando sempre enganar aqueles que de fato possuem direitos a uma vida digna e feliz na terra que conquistaram, cresceram e sempre viveram.

Os cidadãos afros-brasileiros que vivem na comunidade quilombola de Barrinha, no município de São Francisco do Itabapoana, estão enfrentando uma forte pressão de segmentos empresariais internos e externos, e de políticos locais que estão interessados nas terras pertencentes a estes pacatos moradores, já que em breve os capitalistas cogitam a construção de um porto nesta localidade.  

Em recente diálogo com os habitantes desta localidade eles me relataram que alguns empresários ligados às autoridades da região reuniram a Comunidade de Barrinha para oferecerem dinheiro pelas casas deles e também pelas pequenas propriedades rurais que possuem para o sustento familiar. 

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Senzala da Fazenda São Pedro.PEDROSA, Simone. Fotografias de Arquivo Particular. 2008.

Neste sentido, afirmo que o  Estado se tornou uma instituição ineficaz porque não é capaz de desenvolver políticas públicas condizentes com a realidade da população. Ao contrário, o Estado impõe projetos políticos e econômicos almejando a obtenção de vantagens particulares que beneficiam grupos privilegiados, concentradores da maior parte da renda e que mesmo assim não possuem qualquer vínculo ou compromisso com o melhoramento da qualidade de vida da sociedade.  

Verifico que esta atitude fere o artigo 216 da Constituição Federal de 1988 que estabelece critérios de proteção para o nosso patrimônio cultural imaterial e material. Portanto, entendo que o liberalismo econômico se desenvolve porque cria uma falsa crença da realidade; afirmando que todos têm acesso a oportunidades iguais uma vez que o instrumento de persuasão, ofertado aos moradores quilombolas, como parte do acordo de compra sugere a realocação deles na região de Lagoa de Cima no município de Campos dos Goytacazes. 

As obras de construção da ponte sobre o Rio Paraíba do Sul no município de São João da Barra, que deverá ligar o território sanjoanense ao distrito franciscano de Gargaú, demonstra a intencionalidade de conexão do projeto estruturado no Complexo Portuário do Açu com outras localidades das redondezas.  

Entendo que as respectivas propriedades situadas ao redor dos projetos portuários acabam se tornando valiosas demais para os capitalistas e multinacionais já que se encontram suficientemente próximas à costa, a ponto de facilitarem o embarque logístico de materiais e produtos. 

Concluindo, noto que as mesmas práticas colonizadoras cometidas contra as comunidades rurais da região do Açu estão sendo igualmente empregadas contra a comunidade afro descendente de Barrinha ,visando a possibilidade de expulsão de moradores e o domínio territorial no distrito por conta da supervalorização dos terrenos com o futuro desenvolvimento dos complexos portuários. 

*Túlio Teixeira possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde também obteve seu título de Mestre em Cognição e Linguagem. 

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