Moral da estória do listão da Odebrecht: quem paga a banda, escolhe a música

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Agora que alguma alma boa dentro da equipe da Lava Jato escancarou para o Brasil inteiro o que já se intuía (que é o fato de que há pouco político brasileira de fora das benesses das empreiteiras), temos que nos deparar com uma pergunta básica e simples: por que as empreiteiras entregam fortunas para políticos ocupando cargos e para aqueles que desejam o mesmo tipo de assento?

Mais uma vez vale a máxima do “quem paga a banda, escolhe a música”.   O fato é que  todo tipo de entrega de recursos, as ditas legais ou não, envolve a expectativa de retorno de favores. É que, convenhamos, não é pela expectativa de fortalecimento do Estado democrático de direito que as empreiteiras e outras corporações financiam campanhas eleitorais, seja no Brasil ou em qualquer outro país.

Mas um detalhe precisa ser enfatizado. Temos sim no Brasil governantes que não aceitam esse tipo de relação pouco republicana com financiadores corporativos de campanhas. Esses políticos corretos são poucos, é verdade, mas existem. 

Vejamos, por exemplo, do prefeito de Itaocara, Gelsimar Gonzaga (PSOL), que recentemente sofreu um processo relâmpago de impeachment por alegadamente sabotar o funcionamento da Câmara de Vereadores. Ora, o que causou a revolta da maioria absoluta da oposição em Itaocara é que Gelsimar não aceitou aumentar o orçamento dos vereadores em detrimento dos interesses da maioria da população.

Em outras palavras, os políticos que não se adequam ao normal, que é usar o poder público para práticas pouco republicanas, são perseguidos e defenestrados. E pior ainda são apresentados como malucos. Enxergar essa realidade que perdura no sistema político será condição objetiva para que saiamos dessa catarse coletiva em que o Brasil está afundado em condições melhores do que entramos.

Agora, um detalhe curioso. Como em tantas situações da vida, quem for pego se explicando além do necessário sobre a presença do seu nome no listão da Odebrecht acabará com o carimbo da culpa na testa. É que explicação demais sem que tenha sido solicitada pega mal, muito mal.

Mas qual é o moral da estória do listão da Odebrecht?  Quem pega dinheiro de empreiteira, não pode ser ingênuo a ponto de não saber que depois de eleito, vai ter que tocar a música que a empreiteira escolher. Fecha o pano!

 

 

 

 

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