A crise financeira imposta pelo (des) governo Pezão/Dornelles às universidades estaduais está servindo para revelar as facetas mais obscuras do processo de terceirização de serviços. A maior prova disso ocorreu ontem na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), uma empresa terceirizada convocou seus 500 empregados para que assinam os documentos necessários para sua demissão (Aqui!).
O detalhe desse pacote de demissões é que os trabalhadores seguiam executando suas funções, apesar de estarem há sete meses (notem que eu escrevi SETE MESES) sem receber seus salários!
Ora, se esse tipo de desrespeito está ocorrendo numa universidade pública localizada na capital da segunda economia da federação, o que deve estar acontecendo com trabalhadores terceirizados de algum ente estatal nos grotões do Brasil?
A verdade é que a situação da Uerj está longe de ser única, já que o mesmo problema ocorre aqui mesmo em Campos dos Goytacazes na Universidade Estadual do Norte Fluminense. Pelo menos para mim é exasperante ter que ouvir de pessoas com quem estabeleço laços de trabalho saber que não só seus salários estão atrasados, mas que também outros direitos estão sem serem cumpridos. Mas como num daqueles latifúndios amazônicos onde rotineiramente se descobre centenas de escravos, os trabalhadores terceirizados seguem trabalhando por não terem outra alternativa para receberem seus atrasados, já que inexistem sindicatos para representá-los ou advogados para acionar a justiça.
Se o nome disso não é escravidão, precisamos inventar um termo compatível para expressar essa modalidade de desrespeito aos direitos dos trabalhadores. Por outro lado, há que se perguntar por onde andam os órgãos fiscalizadores e responsáveis pela manutenção da lei em face de tanto desrespeito a cidadãos pobres e desprotegidos.
Finalmente, há que se claramente atribuir a responsabilidade por essa situação que mistura caos e ilegalidade ao (des) governo do Rio de Janeiro. É enquanto se nega as verbas básicas para fazer funcionar escolas, hospitais e universidades, há uma infindável generosidade com empresas e corporações que continuam a ser irrigadas com bilhões de reais obtidos com o recolhimento de impostos do povo do Rio de Janeiro.