Visita a Barra Longa: a prevista ressurreição do Rio Doce não chegou. Basta olhar para o Rio do Carmo.

Estive ontem (22/04) visitando o município de Barra Longa, um dos mais duramente atingidos pelo TsuLama da Samarco (Vale + Rio Doce) acompanhado de um colega que conhece bem a região.  Para quem não se lembra, por estar localizado a pouco mais de 60 km do ponto de origem do TsuLama, Barra Longa sofreu um impacto imediato com a chegada da massa de rejeitos (ver imagens abaixo de Novembro de 2015).

Agora, passados 17 meses da eclosão do TsuLama, a vida parece ter voltado ao normal em Barra Longa, a começar pelo marco da cidade que fica próxima das margens do Rio do Carmo que é um tributário do Rio Doce.

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Mas a normalidade é apenas aparente, pois basta olhar para o Rio  do Carmo para notar que a cor avermelhada permanece forte nas suas águas (ver imagens abaixo).

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Outro fato que remove qualquer noção de normalidade é a a presença de grandes depositos de rejeitos no leito do rio e em suas margens como pode ser visto abaixo.

Conversando com moradores pude verificar que duas coisas estão preocupando os habitantes de Barra Longa: a poluição do ar causada pela resuspensão das particulas finas e grosseiras que compõe os sedimentos e que estão causando problemas respiratórios.  Outro elemento de preocupação é a falta de medidas mais compreensíveis para recuperação das áreas impactadas pelo TsuLama, visto que uma parcela significativa dos solos agrícolas mais produtivos foram cobertos pelos rejeitos. A prática de revegetar as margens plantando gramíneas diretamente sobre os rejeitos é considerada ineficaz e contraproducente.

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Enquanto isso crescem os rumores em Barra Longa de que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) voltará a operar ainda no segundo semestre, o que acaba aumentando as incertezas sobre o futuro da economia do município.

Abaixo segue um vídeo que mostra de forma rápida o fluxo das águas do Rio do Carmo que mostram cabalmente que o milagre da ressurreição que foi prometido para cinco meses ainda não chegou (Aqui!), e talvez nunca chegue se depender do Estado brasileiro e das mineradoras a quem ele serve de forma tão diligente.

5 pensamentos sobre “Visita a Barra Longa: a prevista ressurreição do Rio Doce não chegou. Basta olhar para o Rio do Carmo.

  1. […] Visita a Barra Longa: a prevista ressurreição do Rio Doce não chegou […]

  2. Sr. Marcos Pedlowski, bom dia

    Sou mineiro do município de Rio Doce, vizinho à Barra Longa, (cidade onde visitou) e gostaria de fazer algumas considerações.
    O rio que passa por Barra Longa não é o rio Doce e sim o rio Do Carmo, portanto as fotografias postadas por você, retratam apenas uma pequena parte do maior crime ambiental já cometido nesse país.
    A mineradora Samarco, não da ponto sem nó, pois arrumaram a praça da cidade de Barra Longa, as ruas próximas, realizaram pista de caminhada , parquinho, o escambau, varrendo a sujeira pra onde os olhos dos visitantes (como você) e dos desavisados, não alcançam.
    Tudo maquiagem …. grosseira, pra inglês ver!
    Não nos deixemos mais ser ludibriados por uma corja de empresários e políticos que arruínam nosso país …. temos que dar a volta por cima.
    Entendo que pra divulgar uma matéria dessa e pra que passasse maior credibilidade a seus leitores, deveria ter pesquisado um pouco mais, pois teria sido muito útil pra nos ajudar a divulgar o que tem sido feito em nossa região, certamente a mais afetada.
    Deveria ter descido um pouco mais e apreciado o encontro dos rio Piranga e Do Carmo, já no município de Rio Doce/MG, formando o rio Doce, um visual muito bonito apesar de toda essa sacanagem com nosso meio ambiente, nossas pequenas cidades e nosso povo já tão sofrido e esquecido.
    Sugiro numa próxima oportunidade, chegar até Rio Doce/MG, esse sim o município mais brutalmente afetado, que até o presente momento sofre com os maiores impactos gerados decorrentes desse crime ambiental, como a poluição, inoperância da UH Candonga, total assoreamento do lago com mais de 10 milhões de toneladas de m³ de rejeitos de minério, trânsito intenso de máquinas e empresas terceirizadas numa cidade de apensas 2611 habitantes (previsão de Censo 2016 IBGE), grande circulação de operários, sujeira, e mais recentemente a compra de 03 fazedas produtivas de Rio Doce, para carreamento dos rejeitos que assoream o lago, e pelo visto que aqui ficará pra posteridade, sem qualquer projeto compensatório para Rio Doce. Todo esse lixo extraído no município de Mariana, a eles gerou empregos, renda, melhor estrutura da cidade de Mariana, cabendo agora a Rio Doce, aceitar os rejeitos sem qualquer compensação até o momento, onde os mais fortes sobrepõem-se aos mais fracos.
    Enfim, gostaria de sugerir uma matéria mais condizente com a realidade, pois seria mais uma forma de ajudar a divulgar o que passam centenas de pessoas que aguardam ansiosamente, ao retorno de suas rotinas a que estavam habituadas, mas subentendendo que isso será impossível de acontecer, que pelo menos adotem medidas mitigadoras para compensar essas cidadezinhas que tinham como um de seus atrativos, o nosso tão importante rio Doce.
    Obrigado!

    • Eduardo, obrigado pela clarificação sobre o nome do rio. Vou corrigir! Eu vou programar uma futura visita a Rio Doce para ver de perto o que você acaba de descrever e depois produzir uma postagem sobre o que encontrar em sua cidade.

      • Eduardo Carlos Real Pereira disse:

        Acredito que será de grande utilidade pública retratar a realidade do que aconteceu e do que tem sido feito passados quase 02 anos de maior crime ambiental brasileiro.
        Que seja sempre lembrado pra que não aconteça novamente e que as medidas mitigadoras para com o município de Rio Doce, (que ficará com mais de 10 milhões de m³de rejeitos de minério que não nos pertencem, ou seja, com o lixo), sejam divulgadas, cobradas e executadas.

  3. […] (MG) onde pude visitar áreas atingidas pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) [Aqui!]. Naquele postagem, cometi um deslize imperdoável para um geógrafo que foi antecipar o início do […]

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