Artigo de pesquisadores da University of Florida alerta para riscos trazidos pelas usinas do Rio Tapajós sobre o povo Munduruku

Em artigo publicado na revista “Environment: Science and Policy for Sustainable
Development“, os pesquisadores estadunidenses Robert Walker e Cynthia Simmons, ambos da University of Florida, lançam luz sobre os conflitos socioambientais que estão ocorrendo na bacia do Rio Tapajós em função da construção de hidrelétricas que fazem parte do chamado “Complexo do Tapajós” que, por sua vez, faz parte da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana, ou simplesmente IIRSA [1].

tapajos cover

Para quem não sabe, a IIRSA é um programa conjunto dos governos dos 12 países da América do Sul que visa a promover a integração sul-americana através da integração física desses países, com a modernização da infraestrutura de transporte, energia e telecomunicações, mediante ações conjuntas.

No caso do “Complexo do Tapajós”, o plano é adicionar cinco novas  usinas (UHE São Luiz do Tapajós, UHE Jatobá, UHE Jamanxim, UHE Cachoeira do Caí, UHE Cachoeira dos Patos) que juntas teriam a capacidade de gerar em torno de 10.000 MW.

dam maps tapajos

O problema como Walker e Simmons alertam, a construção deste conjunto de hidrelétricas gerará uma sinergia entre diferentes fatores que contribuirão para o aumento do processo de degradação dos ecossistemas naturais existentes na bacia do Tapajós e dos povos indígenas que habitam aquela parte do território do Pará, a começar pelo povo Munduruku que se opõe à expansão das hidrelétricas dentro do seu território.

tapajos munduruku

Membros da etnia Munduruku que se opõe à construção de hidrelétricas em seu território. Fonte: Environment: Science and Policy for Sustainable
Development

E é justamente nesse ponto que Walker e Simmons alertam para os riscos que serão postos sobre os Munduruku que estão dispostos a continuar o seu enfrentamento com o governo federal em defesa do seu território, na medida em que há uma óbvia desproporção de forças envolvidas nesse disputa.

Uma coisa que este artigo revela é que, ao contrário do que vem afirmando o presidente eleito para justificar a retirada do Brasil do Acordo Climático de Paris, a ameaça sobre a soberania nacional não é o fictício “Triplo A” [2], mas sim a IIRSA cuja consumação implicará no avanço da destruição da floresta Amazônica e dos povos indígenas e outras comunidades históricas que dependem de sua existência para sobreviver.

Finalmente, é importante ouvir ao alerta que está posto no artigo assinado por Walker e Simmons no tocante à defesa da integridade física e territorial do povo Munduruku que certamente será alvo de graves violências para que se impunha a construção das usinas do Complexo Tapajós.


[1] https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00139157.2018.1418994

[2] https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/28/bolsonaro-diz-que-pediu-cancelamento-da-conferencia-do-clima-no-brasil-em-2019.ghtml

 

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