Cansada de ficar no ostracismo, ministra da Agricultura tenta o estrelato e ataca Gisele Bündchen

 

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A ministra da Agricultura do governo Bolsonaro (também conhecida como Musa do Veneno), Tereza Cristina Dias (DEM/MS), estava conseguindo se manter longe da produção de declarações bizarras que marcaram os primeiros dias de outros membros do gabinete do governo de extrema-direita que hoje governa o Brasil.

Mas sabe-se lá por qual razão, Tereza Cristina resolveu quebrar seu silêncio obsequioso e saiu a público para atacar a modelo brasileira Gisele Bündchen por supostamente ser uma má brasileira por criticar os descaminhos ambientais que ocorrem no Brasil, principalmente no tocante ao desmatamento na Amazônia.

Com esse ataque à Bündchen, Tereza Cristina conseguiu algo que parecia impossível que era superar as bizarrices de Ernesto Araújo, Ricardo Salles e Damares Alves. É que, não sei se alguém para a ministra da Agricultura, Gisele Búndchen é uma personalidade internacionalmente respeitada e bem posicionada em circulos que poderão ter grande influência no tratamento que o Brasil receberá nos próximos anos. Em outras palavras, Tereza Cristina chamou a pessoa errada para a briga.

Posto abaixo um artigo assinado pela jornalista Anna Jean Kaiser e publicado pelo jornal britânico “The Guardian” sobre as declarações de Tereza Cristina que agora ganharão o mundo. O resultado disso será certamente ainda mais descrédito para um governo que acaba de completar apenas duas semanas.

 

Gisele Bündchen é uma ‘má brasileira’, diz ministra da agricultura de Bolsonaro

Tereza Cristina Dias disse que a modelo, que é uma embaixadora da boa vontade do ambiente da ONU, não deveria “criticar o Brasil”

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“Você deve ser uma embaixadora e dizer que seu país conserva … e não criticar o Brasil sem conhecer os fatos”, disse Dias de Bündchen. Foto: Andre Penner / AP

Por Anna Jean Kaiser em São Paulo

A nova ministra da Agricultura do Brasil descreveu Gisele Bündchen como uma “má brasileira” cujo ativismo ambiental contaminou a imagem do país no exterior, convidando a supermodelo a se tornar um “embaixador” para o setor agrícola.

Em entrevista a uma emissora de rádio conservadora na segunda-feira, Tereza Cristina Dias foi questionada sobre os “problemas de relações públicas” que surgiram das críticas de Bündchen às tentativas do governo de reverter as proteções ambientais.

“É absurdo o que eles fazem hoje com a imagem do Brasil”, disse Dias, que liderou a bancada ruralista no congresso antes de ser nomeada para o ministério da Agricultura pelo presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro. “Por algum motivo eles saem e pintam um retrato do Brasil e de suas indústrias que não é verdade.

“Desculpe, Gisele Bündchen”, acrescentou. “Você deveria ser uma embaixadora e dizer que seu país conserva, que seu país está na vanguarda global da conservação e não criticar o Brasil sem conhecer os fatos.”

Bündchen – uma embaixadora da boa vontade do ambiente da ONU – não respondeu imediatamente, mas parece improvável que aceite a oferta.

Vários dias após a eleição de Bolsonaro, Bündchen se pronunciou contra uma proposta de fusão dos ministérios da agricultura e do meio ambiente, descrevendo a medida como “potencialmente desastrosa e um caminho sem retorno”. (Os ministérios permaneceram separados.)

Em 2017, ela se pronunciou contra a proposta de legislação para abrir 600 mil hectares de floresta amazônica para desenvolvimento no Twitter, levando o ex-presidente Michel Temer a vetar o projeto. Mais tarde, ela acusou o governo de “leiloar a Amazônia” para o setor privado.

Bündchen, de 38 anos, também trabalhou em iniciativas de água limpa e combate ao desmatamento e recebeu o prêmio Global Environmental Citizen da Harvard School of Medicine. Ela não respondeu imediatamente aos comentários de Dias.

Após sua entrevista na rádio, Dias escreveu no Twitter: “Eu disse que Gisele Bündchen poderia ser uma embaixadora do Brasil para mostrar que produzimos agricultura para o mundo enquanto preservamos o meio ambiente. O modelo logo receberá nosso convite. ”

A modelo poderá potencialmente desempenhar um papel fundamental na iminente batalha na Amazônia brasileira entre ativistas ambientais e defensores do agronegócio, que detêm um poder considerável no governo após o balanço decisivo do Brasil para a direita nas eleições de outubro.


Artigo publicado originalmente em inglês pelo jornal britânico “The Guardian” [Aqui!]

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